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História Três Dias - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oii, pessoal! Demorei pra terminar esse capítulo, porque meu tempo pra me dedicar é curto. Mas, espero que vocês gostem da manhã seguinte à reconciliação.
Eu tentei achar aquela foto da cena que os dois estão dormindo de madrugada pra colocar como capa do capítulo, mas não achei :( se alguém tiver e quiser me mandar, vou ficar muito feliz! Boa leitura.

Capítulo 2 - Capítulo II


É estranha a sensação de ser íntimo com alguém. Por muitos anos, Griselda compartilhara a cama apenas com o segundo travesseiro. Deitava com o corpo livre e espalhado pelo centro, os braços não buscavam nada de concreto e o calor vinha apenas do edredom. É estranha a sensação de ceder lugar a um homem; na vida e na cama. Ao longo dos meses, ela abriu o coração e também a porta do quarto. Primeiro foi um pijama, que ficava no fundo da gaveta e, logo depois, uma muda de roupa. René dormia sempre tarde, acostumado às altas horas. Já ela, se cansava bem antes. Numa noite em que ele fechou o restaurante mais cedo, propôs a namorada que tomassem um vinho na cama. Ela aceitou; dentre todas as coisas que havia aprendido com René, uma delas foi apreciar um bom vinho. E quando acompanhado do carinho dele, então... era tudo que uma mulher podia querer. Ela só não imaginara o tanto que René estava cansado aquela noite. Depois de uma taça ele começou a bocejar, na segunda os olhos já pequenos ficavam pesados. 

“René. Você tá cansado. Por que não me disse? Eu não ia me importar se você fosse pro hotel descançar.” Ela disse, enquanto colocava a taça na mesa de cabeceira e virava seu corpo totalmente para o chef. Ela deu um beijinho carinhoso na bochecha dele e as mãos foram automaticamente de encontro aos cabelos da nuca, acariciando.

“Eu queria te ver... É muito difícil passar o dia sem te ver. E já fazem duas noites que a gente não...” o resto ficou nas entrelinhas. René com aquele sorriso safado e tímido ao mesmo tempo já era conhecido pra ela.

Ele avançou em Griselda e a beijou, tirando-a o fôlego. René era um bom amante... atencioso demais. Se demorava nas preliminares, beijava todo o corpo dela todas as vezes que se amavam e sentia um prazer enorme nisso. Naquela noite, após deliciosos embates de bocas, ele foi de encontro ao pescoço que tanto amava, e o cheiro de Griselda o acalmou. Ele não sabia se era cansaço ou o vinho, mas bocejou com toda a vontade que existia dentro dele. 

“René...” Griselda riu alto. “Amor, vamos dormir.” O chef a olhou cabisbaixo e tristonho. E ela segurou no rosto dele e deu vários beijos estalados nele enquanto dizia: “Você tá cansado. Eu prefiro você bem desperto. Não fica assim, porque... amanhã de manhã... a gente pode continuar e tirar o atraso.” 

“Pode deixar!” Ele sorriu e a beijou mais uma vez, enquanto deitava do lado dela e enlaçava o braço em sua cintura. René, dessa vez, deixou com que sua cabeça se acomodasse no pescoço de Griselda, ao invés do contrário. Ele queria dormir sentindo o cheiro dela. Para ela, foi uma experiência nova. Geralmente, ela era quem estava naquela posição. Mas gostou. Dessa forma podia retribuir um pouco do carinho que René a dava, podia acariciar a cabeça dele com as unhas e fazer cócegas nas costas dele, enquanto ele era embalado por um sono pesado. “Boa noite, meu amor. Te amo.” 

Griselda sorriu com a voz sonolenta dele, se arrepiou um pouco com o último beijo que ele depositou no cangote dela antes de dormir e deu um beijo no topo da cabeça dele como resposta. A questão naquela noite, era que ela não tinha um pingo de sono. Tentou dormir por alguns minutos, mas nada a ajudava. Então esticou o braço pra pegar o resto de vinho da taça e tornou a bebê-lo, enquanto os dedos acariciavam a nuca de René. Foi quando ela viu que na mesa de cabeceira do lado dele, tinha um livro. Quando ele tinha trazido? Com cuidado para não acordá-lo, ela esticou o braço e pegou o exemplar. Talvez o livro ajudasse o sono a vir. 

Ela leu alguns poemas do livro e sorriu, tendo uma noção de onde René tinha adquirido todo o jeito com as palavras quando se declarava. Um deles especialmente a chamou atenção;

EU TE AMO

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios inda estão nas minhas mãos

Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás se fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir

 

Griselda sentia-se extremamente feliz e seu coração se aquecia com cada verso daquele poema que lia;  parecia que René tinha deixado lá pra que ela visse, pois a página estava marcada. Depois de algum tempo lendo e viajando por aquelas palavras, sentiu o sono finalmente vir e colocou o livro de volta onde estava, acomodando-se confortavelmente em René para enfim dormir. 

Muitos objetos apareceram depois daquela noite; outros livros que ele lia, às vezes pra ela e às vezes enquanto ela dormia, um relógio que ele sempre esquecia lá em cima e também a camisa que ficava descartada na poltrona. Aos poucos ele ocupava espaço.

Griselda se sentia confortável ao lado dele, como não imaginava se sentir com um homem. Na verdade, ele a fazia se sentir especial, linda, querida e amada. Hoje, ela já não conseguia lembrar como era dormir sem a presença e o calor dele do lado dela. Por isso era tão bom o sentimento de ter se reconciliado com seu namorado. Por isso era tão bom o jeito como ele a segurava num abraço protetor, mesmo dormindo. E enquanto os primeiros raios do sol entravam no quarto, ela despertava e tentava se convencer de que tudo o que aconteceu na noite passada tinha sido real. 

Abriu os olhos devagar e virou-se nos braços de René, ficando de frente pra ele. Ela o olhou com carinho e um sorriso grande apareceu em seus lábios. Era real! Numa súbita alegria, ela passou a beijar René; a bochecha, o pescoço, o maxilar, a boca, os ombros e o peitoral. René passava a se contorcer e sorrir, começando a acordar. 

“Bom dia!” Ela disse sorrindo quando ele abriu os olhos.

“Muito bom dia! Que delícia acordar assim.” René a abraçou e beijou os cabelos dela.

“É que eu tava com saudade, sabe? E você tava aí... todo bonitão. Não me aguentei!” ela riu, fazendo uma careta enquanto falava e se achando imatura com toda a sentimentalidade que sentia no momento.

“Também tava com saudades. Muitas.” Ele disse a olhando nos olhos. “Mas vem cá, você dormiu bem?” 

“Ah, René... olha, se você não tivesse voltado eu tinha virado um zumbi. A cama é nuito grande sem você.” Ela sentiu o olho marejar e o abraçou mais forte. “Você vai voltar pra cá?” 

“Hmm.” Ele sentou ereto e respirou fundo. “Não, Griselda.”

“Mas...” os olhos verdes dela arregalaram e ela puxou o lençou mais pra cima. “Eu pensei que tava tudo bem entre a gente.” 

“E tá, meu amor. Não é isso. É que eu acho que... tá hora de eu ter um lugar, pra mim e pros meus filhos. E eu sou muito grato pela sua moradia, você sabe... mas, eu vou alugar um apartamento.” Ele segurou a mão dela com carinho, reassegurando-a de que estava tudo bem. “Mas olha...a gente pode fazer assim: você dorme lá comigo metade da semana e a outra metade eu fico aqui. Que tal?” 

Griselda sorriu de lado, compreendendo que aquela era uma necessidade de René enquanto homem, de se firmar, de ter um local pra morar e redigir sua vida.

“Eu vou pensar no seu caso.” Ele sorriu e a beijou. Devagar, sem pressa e com vontade, passeando com as mãos por todo o corpo de Griselda. “Depois desse beijo, eu não tenho mais nada pra pensar. Tá decidido!” Os dois riram e namoraram um pouco mais. 

 

•••

 

“Amor, vou descer pra fazer seu café enquanto você se arruma, tá?” René disse saindo do banheiro. 

“Café pra mim? Hmmmm. Tudo bem, meu chef.” Ela respondeu, segurando no ombro dele e erguendo-se para dar um beijo rápido nos lábios dele.

René sorriu e saiu do quarto, sem conseguir esconder o sorriso que se formava nos lábios dele. A casa estava silenciosa, provavelmente todo mundo já tinha saído. Ele e Griselda ficaram duas horas a mais na cama, sem ligar pro mundo lá fora. Agora o chef se dirigia a cozinha para preparar os ovos com míscaros que sua namorada tanto ama.

Ele cozinhava pensando em tudo que tinha acontecido nas últimas horas, em como quase botou toda a sua relação a perder com Griselda. Ele não se perdoaria... a relação dos dois nasceu da forma mais natural que podia imaginar. Sua mente o levou pro primeiro encontro deles; no meio da rua, ele feito uma topeira sem conseguir trocar um pneu e ela com aquele macacão que escondia a mulher que habitava ali embaixo. Mas bastou-a tirar o boné que prendia o cabelo e os balançar de um lado para o outro... era como se algo tivesse sido plantado dentro dele. Os olhos não conseguiam desgrudar daquela mulher de olhos verdes e sorriso grande que o ajudou. Ali, inconscientemente, ele sabia que estava destinado a estar com Griselda. Daquele momento em diante, o sentimento apenas cresceu de forma gradativa, até que ele teve coragem de assumir pra ela e pra si mesmo, que estava irredutivelmente apaixonado pela faz-tudo. Sorriu com a lembrança e com muitas outras que o fazia recordar a história dos dois. 

“Hmmm, que cheirinho bom, hein!” ela disse, entrando na cozinha e abraçando René por trás, enquanto olhava sobre o ombro dele para o conteúdo das panelas. 

“Eu adoro quando você me abraça por trás.” Ele disse arrepiado, fechando os olhos por um segundo e respirando fundo, enquanto ela o apertava mais e descansava a cabeça no ombro dele.

“Eu sei...” Disse sorrindo e beijou a curva do pescoço dele. “Você tá fazendo ovos com míscaros pra mim?! Ai, René... minha boca tá molhada com a visão!” Ele sorriu e colocou a comida em dois pratos, os levando pra mesa logo depois. Griselda abriu a geladeira e pegou um suco da noite anterior que estava lá e foi de encontro a René. Quando ia se sentar na sua cadeira, ele a puxou pela cintura e a pressionou pra baixo, fazendo-a sentar em seu colo. “René... alguém pode aparecer. Eu vou ficar morrendo de vergonha se me pegarem sentada no teu colo.”  Griselda disse baixo, quase que num sussurro apressado e manhoso, enquanto o braço enlaçava o pescoço de René totalmente rendida e ele apertava a cintura dela para mantê-la no lugar.

“Duvido que alguém vá chegar. Antenor tá na faculdade, Amália e Quinzé estão no trabalho. Nós temos a casa só pra nós dois. Fica aqui pertinho de mim, fica?” ele pediu com um jeito que só ele sabia e não era preciso falar duas vezes. 

“Só você mesmo, hein!” ela disse rindo e virando-se um pouco para começar a comer seu café-da-manhã. “Vai querer dar comida na minha boquinha, também?” 

“Até que não seria má ideia. Meus planos são te paparicar o dia todo.” O chef brincou e com a mão que estava livre, passou a pegar garfadas dos ovos e comer. 

“O dia todo é? Eu vou já é trabalhar, meu bem. Você já me paparicou a manhã toda, agora a gente continua à noite. E você precisa ir pro restaurante, não?” 

“Pior que preciso. O Sev me deu a maior força hoje de manhã; eu tinha pedido pra ele tomar conta de tudo.” 

“Hm, pois então!” Griselda murmurou, concentrada na comida. “Oh, René... cê tá inspirado hoje! Caramba! Isso aqui tá muito bom!” 

“Quem me inspira é você! Acredita que eu queimei dois molhos no restaurante?” Griselda sorriu de forma carinhosa. Era um afago na alma saber que René sentiu falta dela e se lembrou dela nos dias que ficaram distantes.

René abraçou Griselda forte, segurando-a por trás, e ela relaxou nos braços dele sentindo o peitoral de René se encontrar com suas costas e os lábios dele traçarem uma trilha de beijinhos; no ombro, no pescoço, na orelha e na bochecha, para enfim ela virar o rosto de um jeito torto para capturar os lábios dele em um beijo doce. 

“Vem cá... a gente tem que trabalhar e tudo mais, só que... será que não dá tempo de relaxar um pouquinho lá na sua banheira, não?” 

Ela riu alto; nunca era capaz de resistir às insinuações sutis de René, mas estava se sentindo tão confortável no colo dele que ainda tinha que dicidir se queria mesmo sair dali, então continuou o beijando por mais tempo, aproveitando o calor que vinha do corpo dele.

“Mãe?!?!” 

Griselda sentiu o sangue fugir do próprio rosto, quando virou o rosto e deu de cara com os três filhos dela a olhando com cara de espanto. René parecia petrificado, com o braço ao redor da cintura dela. Nenhum dois dois se mexeu, tamanho o espanto. 

 


Notas Finais


Sintam-se a vontade pra me dizer o que vocês acharam, vou adorar ler! Um beijo e até a próxima.
Ah, o poema eu li em um livro sobre Bossa Nova, é do Chico Buarque.


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