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História Três Irmãos - Capítulo 2


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Notas do Autor


Little Black Submarines - The Black Keys

Capítulo 2 - Verdades secretas


Os quatro estavam sentados à mesa larga, servidos de peixe cozido e legumes. Todos eles comiam em silêncio, apenas o barulho dos hashis de madeira batendo contra a louça dos pratos podia ser ouvido. 

Hyunjoon então pigarreou, limpando os lábios com um guardanapo de seda. 

‘Tem… tem uma coisa que eu não entendo…’ ele disse, fazendo os irmãos voltarem a atenção à ele. Hwall, que era chamado assim apenas pela família, tinha olhos e a perspicácia de um gato, mesmo que o desenho tatuado definitivamente ao peito fosse o de um dragão. Os outros três também interromperam suas refeições e ficaram em silêncio, esperando o que o segundo no comando tinha a dizer. Ele tinha sido o responsável por mais uma vitória contra os Lotus Assassins, a família rival dos Yong Brothers desde que eles se conheciam por gente. 

‘E o que é que não entende, Hwall?’ perguntou Juyeon. 

‘Sangyeon tinha você na mira. O revólver dele estava apontado para a sua cabeça…’ disse Hwall por fim, com a voz vacilante. Os olhos estreitos estavam perdidos sobre a mesa, focados em lugar nenhum, apenas nas próprias lembranças. ‘Assim que eu me esgueirei à esquerda dele e de Haknyeon, eu percebi que era em você que ele mirava. Por isso… por isso eu atirei.’ 

Juyeon engoliu à seco, passando a língua nas bochechas. 

‘Obrigado, Hyunjoon.’ ele disse ao irmão, assentindo solenemente. Os olhos do mais novo o encararam profundamente. 

‘Não é isso…’ 

‘O que é então, Hwall?’ perguntou Sunwoo, sem paciência para a teatralidade do irmão mais velho. 

‘Ele hesitou.’ 

Os quatro voltaram a ficar em silêncio. 

‘Tem certeza, hyung?’ perguntou Eric, que gostava de ser chamado assim por ser um grande fã das máfias ocidentais. ‘Eu duvido que eles perderiam a oportunidade de matar Juyeon, sabendo que ele é o que restou da velha guarda…’

‘Tenho. De onde eu estava, eu pude ver a sua mão tremendo.’ 

Sunwoo deu de ombros e voltou a comer, antes que o cozido de peixe esfriasse. 

‘E qual é a ideia? Que mandemos flores e um cartão em agradecimento?’ disse ele, de boca cheia. Eric riu do irmão mais velho, como sempre fazia e também voltou a comer. Hwall limitou-se a revirar os olhos, cheio dos dois mais novos e voltou a comer também, vendo que o assunto não daria em nada. Ele só agradeceu mentalmente ao universo por ter mantido Juyeon vivo, fosse pela covardia de Sangyeon ou por um milagre. Se ele fosse o primeiro em comando na família, fatalmente acabaria matando Sunwoo e Eric. 

Juyeon foi o único que não conseguiu mais tocar no prato à sua frente e passou o resto do jantar apenas bebericando o copo de soju à sua frente e pensando no que Hyunjoon havia dito. 

Cada um naquela mesa era jurado de morte pelos Lotus e o inverso também era verdadeiro. Então, por que Sangyeon hesitou? O mais velho dos Yongs bebeu um último e longo gole de soju, temendo ficar insone à noite. 


 

 

O café Lee ficava em uma esquina conhecida em Songpa, há algumas quadras do rio que cortava a capital ao meio. Era conhecido por ser um café tradicional, de origem familiar, quase mais antigo do que o império. Um dos poucos pontos turísticos que os japoneses deixaram de pé, desde a ascensão do seu domínio há 8 anos. Mas, o motivo para isso, poucos conheciam. 

Os dois donos, na casa dos 20 anos estavam sentados à uma mesa em um dos salões reservados do café. O mais velho deles estava com o braço esquerdo suspenso por faixas desde o ombro. O senhor Park Dosum, um dos clientes mais antigos e fieis da casa, viu o primogênito naquele estado e perguntou, depois de cumprimentá-lo:

‘E o que aconteceu com seu braço, jovem Sangyeon?’ 

O rapaz encarou o irmão mais novo, sem graça e respondeu ao homem: 

‘Eu e Haknyeon fomos ao norte caçar e eu acabei levando um rebote forte da espingarda. Já me sinto melhor, obrigado pela preocupação.’ 

O homem deu uma risada rouca, enquanto apoiava a mão à barriga saliente. 

‘Esses jovens! Fico feliz que não tenha sido nada grave, Sangyeon. Melhoras e sucesso, jovens!’

‘Obrigado, senhor Park!’ os irmãos responderam em uníssono levantando as xícaras de café preto misturado com conhaque na direção do cliente, que afastava-se depois de uma refeição abastada. Assim que o velho Park já estava longe o suficiente, Haknyeon disse entredentes: 

‘Que desculpinha… eu achei que o velho não cairia nessa…’ 

Sangyeon bebericou um gole de café, sentindo a garganta esquentar. 

‘Mas caiu. Sou um ótimo ator, afinal.’ 

Haknyeon bateu com a palma sobre a mesa. 

‘Está muito engraçadinho para quem viu a morte de perto há poucos dias, huh?’

‘Sim, a vi e ela passou reto. Creio que eu não esteja nos planos da morte ainda.’ ele viu as pontas dos dedos do irmão mais novo ficarem brancas. Ele entendia a raiva que Hak devia estar sentindo. 

‘Você nos envergonhou… Você deixou que 5 homens nossos perecessem e para quê? Para proteger aquele filho da puta!’ 

Sangyeon apanhou o garfo de sobremesa que estava apoiado em seu prato e erguendo-o, fincou-o sobre a madeira da mesa, há poucos milímetros da mão de Haknyeon, entre o dedo indicador e o médio dele. O rapaz mais novo, soltou o ar pela boca, surpreso com a atitude do irmão. 

‘Existem coisas que fazemos, porque simplesmente é o que temos de fazer. Nunca se esqueça que eu estou no comando e o seu dever é acatar minhas ordens, mesmo que não as entenda.’ Sangyeon disse, calmamente. ‘Entendido?’ 

Haknyeon bufou, assentindo e encarando os dentes bem polidos do garfo entre seus dedos. O mais velho então, finalmente retirou o garfo da mesa com força, pousando-o ao lado do prato vazio novamente. O caçula recolheu os dedos como se estivesse ferido, mesmo que estivessem incólumes. 

‘E por favor, comporte-se. Acho que a pessoa que eu convidei para conhecer o nosso café acaba de chegar.’ 

Haknyeon esticou o pescoço para ver quem era o convidado. E junto com um dos seus garçons de confiança, caminhava uma mulher elegante sobre saltos altos e com o rosto escondido sob uma aba larga de chapéu vermelho. 

‘Mais uma das suas?’ ele perguntou, suspirando. 

‘Não. Mas, ela pode nos ajudar a virar o jogo com os Yongs. Então, por favor, seja bonzinho.’ 

Sangyeon levantou-se da mesa elegantemente, arrumando a gravata com a mão boa, pronto para recepcionar a convidada. 

‘Senhores Lee… Esta é a Senhorita Kim e ela disse ter um horário marcado…’

‘Sim, Yob. Ela tem. Deixe-nos a vontade por favor e volte apenas para trazer alguma das nossas delícias do dia para ela.’

O garçom, que era também secretamente um dos guarda-costas da dupla fez uma mesura breve ao chefe e dirigiu-se ao salão principal do Café, fechando atrás de si as portas do reservado. 

‘Senhorita Kim, é um prazer.’ 

‘Senhor Lee Sangyeon. O prazer é meu. Aproveito para agradecer mais uma vez por aceitar essa reunião…’ 

‘Prazer, sou Lee Haknyeon.’ 

‘Prazer senhor Lee Haknyeon. Eu… mal acredito que estou conhecendo-os pessoalmente.’ 

O mais novo sorriu educadamente, sem entender os motivos por trás da fala da mulher. 

‘Será um prazer ajudá-la com a sua matéria.’ disse Sangyeon novamente, oferecendo-lhe a cadeira à frente deles. Ela sorri e senta-se à mesa, revelando um caderninho de anotações e uma caneta tinteiro. 

‘Bem, primeiro, gostaria de saber há quanto tempo a Lotus existe e…’

Os reflexos de Haknyeon foram rápidos. Em um piscar de olhos ele sacou o revólver do bolso e em outro, ele estava apontado diretamente para a testa da mulher. 

‘Como… você… sabe… da Lotus…?’

Sangyeon abaixou a mão armada do irmão com delicadeza, tentando não piorar as coisas com a jornalista que agora olhava para ambos com olhos arregalados e bochechas vermelhas. 

‘A senhorita Kim é uma jornalista e já é conhecedora dos nossos negócios, Haknyeon. Seja bonzinho, já disse.’ 

‘E por que é que deixa uma coisa dessas ser uma surpresa para mim? Por que não disse antes?’

‘Porque como eu já disse, a sua única função por hora é ouvir minhas ordens e obedecê-las.’ disse Sangyeon entredentes. 

‘Não… não quero ser um motivo de briga, eu… eu…’

‘A senhorita ficará parada no seu lugar e de antemão eu já digo: você não precisará da sua caderneta por hora. A proposta que tenho a fazer é muito melhor do que uma simples matéria sobre uma gangue pós império, até porque… não somos a única e muito menos a mais poderosa… por enquanto.’ 

Haknyeon cerrou os olhos em direção o irmão, sem entender qual era o plano que ele estava traçando. 

‘Senhorita Kim, você está familiarizada com os Yong Brothers?’

‘Os donos da maior casa de shows de Gangnam? Certamente!’

‘E está familiarizada com os outros negócios deles?’ 

A moça voltou a arregalar os olhos. 

‘Eles… eles também…?’

‘Sim. Também são assassinos, ladrões e homens vis à margem da lei, assim como nós… E eu ouvi dizer que eles estão precisando de uma nova recepcionista para a casa de shows. O que acha?’

‘Está me dizendo para…’

‘Se infiltrar em uma das maiores gangues de Gyeongseong e obter a matéria da sua vida? Sim, é exatamente isso que estou falando, senhorita.’ 

A jornalista cruzou os braços e cerrou os olhos, encarando o rapaz bonito e bem vestido à sua frente. 

‘E o que está ganhando com isso? Por que está me dando essa informação de bandeja?’

‘Porque… você trabalhará para o seu jornal… e para nós.’ 

‘Para vocês?’ 

‘Estamos interessados em ser a maior família na região e os Yong por muitos anos nos atrapalham nisso. Mas, com os maiores segredos deles revelados, acho que isso se tornará mais fácil. E é claro, se você nos ajudar nisso… terá toda a segurança e apoio da Lotus. Se decidir usar essa informação apenas por si mesma… bem, espero que o jornal tenha bons atiradores.’ Sangyeon sorriu calmamente, contrastando com a informação que havia acabado de dar à jornalista. Esta, engoliu a seco, ainda encarando-o com os olhos inquietos. 

‘E como… o quê… eu preciso descobrir?’

‘O ‘Como’ é muito simples. Os irmãos Yong se ajoelham facilmente perante uma saia, essa é a fama. Seduza-os e você terá todos os segredos capazes de transformá-la na jornalista mais famosa de toda a Ásia. E o ‘Quê’, é ainda mais simples. Juntamente com o ‘Como’, eu quero que seja capaz de tirar a camisa de Juyeon um dia. 

Haknyeon e Kim Daysoo encararam o primogênito Lee com curiosidade. 

‘O que…?’

‘Quando conseguir fazer isso… volte a nos procurar, ok? E aí, conversaremos.’ 

A moça assentiu confusa. 

‘E… como pode ter certeza que eles vão me aceitar lá?’ 

‘Diga que você foi mandada lá pelo Sr. Honda. Eles vão assinar seu contrato na hora.’ 

‘Tudo bem.’ ela disse, respirando fundo. As mãos dela tremiam sob a mesa, longe dos olhos de Sangyeon. 

‘Tenho mais uma pergunta, Sr. Lee. Essa é de cunho profissional.’ 

‘Já que aceitou minha proposta, não posso fugir disso. Vamos, pergunte.’ 

‘Por que a maioria das máfias são compostas por pessoas da mesma família?’ 

‘Porque dificilmente o sangue mente. O sangue pode trair. Mas o sangue importa. É simples.’ 

A moça encarou os dois irmãos por um breve momento antes de afastar a cadeira e levantar-se, guardando a caderneta quase intocada em uma bolsinha à tira colo. 

‘Já está indo, Srta. Kim? Não gostaria de experimentar os nossos brioches?’

‘Não, não senhor. Preciso ir… Eu… voltarei a procurá-los quando fizer o que me pediu.’

‘Quer trocar de lugar com Haknyeon? Você aceita ordens melhor do que ele…’ brincou Sangyeon com o irmão. Hak ainda tinha a expressão fechada e desconfiada, principalmente por não ter entendido nada do que o irmão tinha falado até então. Qual era o interesse dele com Juyeon? Tinha a ver com o motivo pelo qual ele hesitou em matá-lo há alguns dias atrás?

A moça nada disse e apenas deu as costas e afastou-se, andando elegantemente sobre os saltos altos para fora da sala reservada. Haknyeon acompanhou-a com o olhar um pouco e novamente voltou a encarar o irmão mais velho, que mantinha os olhos presos em algum lugar que definitivamente não fazia parte do ali e agora. E ele desejou ler os pensamentos dele. 


Notas Finais


E aí gente, o que acharam do primeiro capítulo e dos nossos personagens todos devidamente apresentados?
Estou curtindo muito escrever 'Três Irmãos' depois de um hiatus sem histórias novas e de um bloqueio mental horrível. Espero muito que vocês consigam se entreter com ela! Me conta o que achou, aqui embaixo, nos comentários!
Nos vemos no próximo capítulo! <3


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