História Três vidas e um destino - Capítulo 21


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Crime, João Pessoa, Mistério, Morte, Policial, Romance, Romance Policial
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Palavras 949
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 21 - As investigações - 2.7


2.7

Após limpar os banheiros de cima à baixo, estava praticamente morta. 

Me joguei na cama e deixei o sono vir, mesmo já estando quase anoitecendo. 

Enquanto o sono me tomava, lembrei-me do que havia descoberto sobre Nathaniel. 

É claro que talvez ele não tivesse sido escolhido ao acaso para ser espancado. Haviam grandes possibilidades de aqueles criminosos serem homofóbicos, o que poderia ter motivado o crime. 

Mas será que eles resolveram tudo ali na rua e decidiram partir pra cima dele de última hora, ou será que havia sido algo premeditado? Ambas as versões poderiam ser verdadeiras. 

Eu tinha que contar isso aos outros da próxima vez. 

Depois de amanhã eles iriam ao hospital e talvez pudessem conseguir mais informações, o que poderia nos encaminhar até algum lugar. 

Já estávamos engajados de vez nisso, e nada nos pararia. Tínhamos que descobrir quem eram aqueles filhos da puta o quanto antes. Até onde sei, eles podem estar planejando algo agora. 


A noite veio e com ela o meu trabalho. 

Não foi uma noite muito agitada. Não havia muito movimento e por isso fechei meus serviços às duas da manhã, o que era quase um recorde pra mim. 

Quando despertei, às nove da manhã, um enorme rebuliço tomava a casa. Não sabia bem o que era, mas todos estavam agitados falando. 

Ergui os olhos e tirei um pouco de remela que invadia os cantos. 

No instante em que ia me levantar, Raissa surgiu parecendo muito abalada. 

- Tabitha, você nem imagina - Disse ela. 

Eu sabia que pra todas estarem acordadas tão cedo algo muito grave devia ter ocorrido. 

- O que foi? - Perguntei a Raissa. - Por que toda essa agitação? 

- Foi uma coisa com a Juliane - Ela disse. 

Meu corpo inteiro estremeceu. Por mais que eu não gostasse de Juliane e não queresse bem à ela, também não desejava de forma alguma o seu mau. Não sou assim. 

Antes que Raissa me contasse o que tinha acontecido, ela me puxou pelo braço e fomos até a sala de apresentações, onde estava Pablo próximo à um mastro para performances sensuais. 

- Ele disse que a deixou num bairro da periferia, bem longe daqui - Começou ele a explicar. - Foi um pedido dela. Ele insistiu em trazê-la até aqui mas ela recusou. Depois disso não teve notícias dela. Bem... até hoje. 

- Que coisa horrível - Dizia Darlene com a mão no peito. 

- Mas o que exatamente houve? - Perguntei no pé do ouvido de Raissa. 

- Vem - Disse ela me levando de volta ao quarto.

Todas estavam muito abaladas. Eu não sabia direito o que tinha acontecido, mas já estava totalmente aflita. 

Ao chegarmos no quarto, Raissa me fez sentar e se pôs ao meu lado na beira da cama. 

- Sabe que Pablo levou Juliane pra casa daquele cara - Começou ela. - Aquele rico que você recusou. 

- Eu sei - Disse sem mudar a expressão. 

- Então - Prosseguiu. - Ele a deixou lá. Foi um pedido do ricaço. Ele queria ficar com ela várias horas. Ele devia trazê-la depois até aqui, mas ouviu o que ele acabou de dizer, ela ficou num bairro longe daqui. 

- Sim, e aí? O que teve que todas estão assustadas?

Ela apertou minha mão fortemente. 

- Ela foi encontrada numa vala - Continuou Raissa olhando pro chão. - Num esgoto à céu aberto - Ela quase chorou. - Juliane está morta. 

Eu gelei ao ouvir isso. Era uma tragédia imensa. Ninguém merecia uma morte assim, nem mesmo a Juliane. 

E eu não acreditei nisso no início, a ficha não queria cair. 

Fiquei pensando que se eu tivesse ido no lugar dela como seria no princípio, nada disso teria ocorrido. Eu queria me sentir culpada, queria mesmo.

Ainda assim eu sabia que não dava pra mudar o que aconteceu, e que não fui eu quem matou Juliane. 


Passei o resto do dia deitada. As outras fizeram o mesmo. Ninguém estava disposto à nada. 

Ainda que estivéssemos de luto, Pablo não hesitou em fazer-nos trabalhar a noite inteira. Ele disse que parar as coisas assim só daria prejuízo. 

Fomos obrigadas a fingir mais do que nunca que gostávamos dos homens sebosos que vinham ali. 

A noite terminou um pouco mais tarde do que antes, só que ainda mais cedo do que o habitual. 

Amanhã teria um reencontro com Úrsula e Manuel e tinha que dar um jeito de escapar de novo. Pensei em usar o banheiro, mas então lembrei de que Pablo havia dito que o enterro de Juliane seria amanhã. 

Ele não fazia questão que ninguém fosse, e só auxiliou nos preparativos por Darlene ter insistido muito. Ele não se importava. Por ele ela podia ficar no lugar em que foi achada. 

Os custos mesmo foram pagos com um dinheiro que Thaís, a menina que dividia o quarto com a Juliane, disse que ela economizava e mostrou onde estava. 

Enfim, eu não iria. Todos sabem que não me dava bem com Juliane, e não seria uma surpresa pra ninguém que eu não fosse dar o último adeus a ela. 


O corpo não foi velado, apenas guiado ao cemitério pelo carro da funerária. 

Quando chegou a hora, todas partiram e eu esperei alguns minutos pra assegurar que ninguém tinha esquecido nada e voltado pra pegar. 

Me aprontei e saí pela porta da frente rumo ao prosseguimento de nossas investigações. Tinha sem dúvidas algo extremamente importante pra dizer-lhes. 

Eu podia mudar o rumo que tomaríamos e quem sabe até nos encaminhar pra verdade sobre tudo. 

Mas ainda tinha que saber se o plano de Manuel e Úrsula havia dado certo, e quais informações eles conseguiram, caso tenham se dado bem. 



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