História Três vidas e um destino - Capítulo 22


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Crime, João Pessoa, Mistério, Morte, Policial, Romance, Romance Policial
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - As investigações - 3.7


3.7

Cheguei em casa e escondi a Mel num novo lugar. 

Não demorou muito para que Maria chegasse. Se eu me atrasasse alguns minutos teria de ter um bom plano pra que ela não me descobrisse. Mas por sorte nada disso aconteceu. 

Amanhã eu iria contar a Úrsula e Tabitha de minha descoberta, e esperava discutir sobre o assunto. 

Era muito provável que as motivações do espancamento de Nathaniel fossem por conta de sua orientação sexual. Isso acontecia muito, e era consideravelmente torpe. 


Estava deitado quando ouvi Maria chegar. Ela foi deixando as compras na mesa e então foi até o quarto, onde eu estava. 

- Amor - Falei me sentando na cama. 

Demos um beijo de cumprimento e ela se deitou ao meu lado. Passei o braço (o que não era o do tiro) por baixo da cabeça dela, a acolhendo comigo. 

- Seu ombro tá melhor? - Perguntou Maria. 

- Ah, tá cicatrizando - Respondi. - Logo vou tirar os pontos. 

Ela concordou de leve com a cabeça e então não disse mais nada. 

Ficamos ali, um ao lado do outro, por quase meia hora. Eu sabia que ela queria me dizer alguma coisa, e algo importante. 

- Tem algo pra me contar, não tem? - Perguntei. 

Ela suspirou como que dizendo que sim. 

- Vai ter uma reunião dos meus amigos de Natal - Falou ela, finalmente. - Vou ter que passar uma ou duas semanas lá. 

Uma notícia como essa não podia ter vindo em melhor hora. 

- Ah, vou ter que ficar sozinho de novo, que pena - Reclamei ironicamente. 

- Mas já fiz as compras, não se preocupe. Só vai precisar sair pro trabalho. E vou te ligar sempre que puder. Não vai se sentir sozinho. 

Ouvir isso era um tanto inquietante, pois Maria podia me ligar em alguma situação importuna. Porém raramente ela cumpria a palavra e ligava. Normalmente ela se ocupava muito nessas viagens. 

- Mas ainda vou sentir saudades de te beijar - Falei. 

Então nos beijamos de novo por um tempo e fui ajudá-la com o jantar. 

Bom, como era nossa última noite juntos antes de ela ir, resolvi fazer eu mesmo tudo. 

Na verdade esse tudo foi preparar um macarrão e misturar com uma lata de almôndegas. Mas também fiz um suco de goiaba artificial. Não que eu não soubesse cozinhar, mas é que Maria tinha comprado muitas dessas besteiras. 

Comemos e ela logo foi arrumar o que iria levar. Eu a ajudei e não demorou pra que ela partisse.

Maria fazia questão de ir à noite. Dizia que mesmo sendo perigoso era melhor, pois ela dirigia devagar e chegava já no início da manhã, tendo um dia inteiro pra descansar antes das coisas começarem. 

Nunca me preocupei muito com Maria, ela sabia se virar bem melhor do que eu. 

Nessas viagens normalmente ela ficava num hotel ou na casa de seus amigos. Nunca tivemos problemas de ciúmes e estas coisas bobas. Isso não fazia sentido pra nós. 

Com exceção dos últimos dias, nunca tinha visto Maria pirar tanto por suspeitar de mim. Talvez eu estivesse faltando em cautela, de qualquer modo. 

Mas nada disso importava agora. Esta noite a Mel Vermelho iria retornar ao palco.

Liguei pra Aline, que reclamou sobre eu ter avisado em cima da hora, mas que concordou em eu ir e disse que iria falar nas redes sociais da casa que a Mel ia se apresentar. 

Tomei banho e peguei as coisas pra apresentação. 

Estava no carro e então me lembrei da noite em que tudo aconteceu. Me lembrei de que a noite do crime foi a última vez em que me apresentei, e também da frase que me fez estilhaçar o espelho do meu camarim. Não tinha ideia de quem a escrevera, mas ela ainda me deixava amedrontado. 

Saber que a qualquer momento alguém podia me revelar pra todo mundo quase me fazia desistir de ser a Mel. Quase. 


Terminei de pôr os cílios postiços e subi ao palco. 

Fui anunciado e então comecei o show. 

Não era sempre que eu cantava, mas naquela noite eu me atrevi, e até que não desafinei. 

Ao fim, fui aplaudido por todos, sendo que alguns até se levantaram, e minha auto estima subiu bastante. 

Voltei ao camarim e comecei a retirar a maquiagem, como sempre faço. Porém nessa hora percebi que alguém abriu a porta. Senti meu coração acelerar e desacelerar quando vi o rosto de Aline. 

- Puxa, Manu - Disse ela animada. -, você arrasou hoje. Foi fantástico. E tudo isso em cima da hora. 

- Foi o profissionalismo, Aline - Eu disse. - Nem ensaiei. 

Confesso que naquela hora o ego do momento falou mais alto. 

Eu estava meio exausto depois de tudo, mas foi legal voltar à ativa.

Me vestir de Mel e me apresentar me fazia feliz. Não era alegria de modo algum, era felicidade mesmo. Com a vida que eu tinha um dos únicos prazeres era ser a Mel Vermelho. 



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