História Três vidas e um destino - Capítulo 23


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Crime, João Pessoa, Mistério, Morte, Policial, Romance, Romance Policial
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Palavras 760
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - A orientação - 1.8


1.8

Eu estava pensando naquilo sem parar. Não conseguia tirar a possibilidade da minha cabeça. 

Saber que talvez a orientação sexual do Nathaniel poderia ter incentivado o crime contra ele era terrível. Os espancadores poderiam ser preconceituosos e homofóbicos.

Eu pensei nisso sem parar até o instante em que cheguei à lanchonete. Já tinha quase esquecido da aceitação vinda de Albiere. Ele tinha me surpreendido grandemente. 

Acho que fiquei tão acostumada em ser discriminada que agora o que me assusta é ser aceita. Isso era estranho. 

Por mais que eu devesse esperar a aceitação ao invés da discriminação, estava ainda muito mexida com o que houve na noite do crime. Sem contar da descoberta de que tenho aids e de que estou consideravelmente envolvida numa investigação criminal. 

Desta vez eu fui a primeira a chegar, e resolvi pedir um suco de uva. 

Continuei divagando sobre o que vim pensando desde casa, mas também me recordei que eu e Manuel havíamos nos desencontrado no hospital, e que precisava saber se ele tinha descoberto algo relevante. 

Foi então que passou pela minha cabeça que talvez ele tivesse sido pego. Ele podia agora estar preso ou sendo interrogado sobre o porquê de ter feito aquilo. 

Nossa, acho que não. Devia ser minha paranóia falando por mim. 

A possibilidade foi destruída quando vi Manuel se aproximando. Bem, na verdade era a Mel. 

Eu o admirava por não deixar de ser quem era apenas para agradar os outros. Mesmo depois de ter sido assediado e discriminado, ele persistia em ser a Mel. 

- Você não tem ideia do que descobri - Disse ele sentando numa cadeira à minha frente. - Aliás, quando saí eu não te vi. Você cansou de esperar, foi?

Estava em dúvida sobre o que exatamente dizer. 

- Ah, é que surgiu uma emergência e eu tive que ir - Falei. - Mas e aí, como foi? Ah, espera - Interrompi quando ele se preparava para falar. - Eu tenho algo pra dizer. Na verdade é uma suspeita, mas acho que pode fazer sentido. 

- Eu conversei com a tia dele no hospital - Falou ele. - Também tenho algumas coisas pra dizer. E não são exatamente suspeitas. 

- Acho que devemos esperar a Tabitha, né? 

Ele fez que sim com a cabeça e então olhou por cima do meu ombro, como se visse alguém por trás de mim. 

- Ela já vem - Disse ele. 

Logo Tabitha estava entre nós, e eu podia dizer à todos o que suspeitava que podia ter acarretado o crime contra Nathaniel. 

- Estávamos só te esperando - Falei. - Eu tenho uma suspeita e Manuel descobriu algo com o disfarce do hospital. 

- Então deu tudo certo? - Perguntou ela. 

Manuel explicou que mais ou menos, pois quase fora pego por um dos doutores que o viu. 

- Mas eu corri e consegui sair antes de me pegarem - Falou. - E o que a tia dele me disse pode nos guiar ao caminho correto. 

- Olhem - Disse Tabitha. -, tenho que dizer a vocês que depois de nosso primeiro encontro eu voltei até o lugar onde tudo aconteceu.

- Sério? - Falei. - E descobriu algo? 

Ela sacudiu a cabeça positivamente. 

- Pedi à um funcionário de uma loja próxima para ver as câmeras de segurança. E não imaginam o que vi pouco antes do crime. 

- O quê? - Perguntei.

- O cara, o Nathaniel. 

- O que tem? - Perguntou Manuel.

- Ele é gay. 

Ouvir aquilo de certo modo me desanimou e me alegrou. Ela tinha descoberto o que eu deduzi. Estava feliz por ter confirmado minha suspeita. 

- Ilsa, a tia dele - Disse Manuel. -, me disse o mesmo. Ela suspeitava da sexualidade do sobrinho. 

- Gente, pera aí - Falei. - Isso era o que eu ia dizer. 

Manuel me olhou com uma cara meio confusa.

- E como soube? - Perguntou ele. 

- Depois do nosso primeiro encontro eu vi o que aconteceu com você, Manuel - Ele não pareceu se abalar quando eu disse aquilo. - E aí pensei que talvez a razão pela qual espancaram Nathaniel fosse a mesma intenção daquele cara: preconceito. 

- Você foi bem esperta - Admitiu ele. - Nem eu pensei nisso. 

Fiquei meio orgulhosa de mim mesma, embora não pudesse ficar feliz sabendo que uma pessoa estava quase morta no hospital e talvez eu soubesse a razão disso. 

- Bom, já temos certeza disso agora - Disse Tabitha. - Nathaniel era gay e isso pode ter motivado o espancamento dele. Falta sabermos quem eram aquelas pessoas. 



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