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História Tríade - Filhos dos Deuses - Capítulo 19


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Notas do Autor


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Um gigantesco abraço e uma excelente leitura pra você!

Capítulo 19 - O Amigo, a Assassina e o Caçador PARTE III


Fanfic / Fanfiction Tríade - Filhos dos Deuses - Capítulo 19 - O Amigo, a Assassina e o Caçador PARTE III

A Torre Erudcta, ou Torre da Biblioteca como era conhecida pelos moradores da ilha, era semelhante a um imenso monólito cinza, cujos andares só podiam ser reconhecidos pelas poucas e esparsas janelas que compunham a divisão de andares.

A imensa construção vertical, tão antiga que antecedera até mesmo a família Amirth, abrigava o conhecimento da humanidade em seus mais de 250.000 livros, divididos por temas em cada um dos andares que compunham os 45 metros de altura daquela monstruosidade vertical.

Erudcta ficava isolada na parte leste da Ilha, com exceção das excursões que aconteciam duas vezes ao ano ― onde alunos e professores, mais toda sorte de curiosos de Chakran, acampavam na região e intensificavam a leitura de materiais da biblioteca―, o local era tranquilo e com pouca movimentação durante o restante do ano.

Durante os tempos de Varuna, a academia Psímaka, mandava seus acadêmicos mais talentosos para cuidar da manutenção que não era prioridade da família que governava a ilha. Quando Aaron Khan assumiu o controle da região, teve como prioridade reorganizar e otimizar o funcionamento da Torre Erudcta, para tal estabeleceu um acordo com o Reitor da Academia que disponibilizava alunos competentes que viajavam do continente para o local, com o intuito de preservar os livros.

Aaron Khan fez questão que o administrador da Torre, deveria ser um morador local, e incumbiu Tamarun, o único cidadão da região que estudou na Academia, para ser o principal responsável pelo local. Com o passar dos anos, a idade limitou que Tamarun fizesse o serviço necessário e o homem já idoso não conseguia sequer subir os andares da edificação.

Os membros da Academia Psímaka, ainda que distantes da ilha, exigiam que Khan escolhesse outra pessoa para administrar Erudcta, e quando Lauretti retornou, ele não teve dúvida e indicou a jovem para administrar. Tal acontecimento enfureceu os acadêmicos, tendo em vista que a jovem nunca pisara na Academia e não conhecia os métodos de organização da instituição.

Chegaram a solicitar que embarcações fossem enviadas para retirar os milhares de livros da ilha e redirecioná-los para o continente. Aaron negou o pedido, e entregou a Torre e toda a responsabilidade nas mãos de Lauretti que convocou 15 jovens da ilha e dispensou os alunos selecionados da Psímaka.

A partir daquela data a academia só poderia mandar seus alunos e docentes com intuito de estudar e a ilha de Khan se responsabilizava pela manutenção do acervo. A decisão se mostrou acertada, Lauretti provou aos moradores que eles podiam se responsabilizar e cuidar da Torre sem ajuda de terceiros e os estudiosos de toda Chakran passaram a viajar ao local apenas como usuários, até mesmo os monges passaram a peregrinar anualmente a ilha em busca de conhecimento antigo.

Sentado sobre o pequeno carro de madeira, que levava a imensa lâmina embrulhada em um capote, Theodore contava essa e outras histórias sobre a Torre com muito entusiasmo, todos o escutavam atentamente, até mesmo Eliah que já sabia de tudo e resolvera fechar a taverna e acompanhá-los, com o pretexto de se divertir à custa de Han, se animava com a empolgação do garoto.

― Aqui estamos... ― proferiu Han com desânimo quando enfim avistaram o local.

― É tão absurdamente alta quanto me lembrava, o que acha mestre Puriak?

― É fascinante. Sua estrutura monumental é a prova da capacidade humana, imagino que tipo de conhecimento podemos obter aqui.

Na entrada da torre, um imenso portão de madeira e detalhes de ferro destacava a grandiosidade do lugar. Nassor empurrou a pequena carriola até a entrada e a recostou em uma parede lateral.

Observou que ao lado da torre existia uma jaula de ferro que abrigava um Falcão de 4 asas, uma das criaturas mais absurdamente lindas de toda Chakran. A ave era usada para caça e muito apreciada por nobres de todas as regiões, ao contrário de um falcão normal elas não atingiam velocidade máxima ao plainar, mas seu mergulho era mais preciso e fatal do que qualquer outra ave.

― Você gostou do falcão? ― Perguntou Theodore ao perceber o interesse de Nassor em admirar a ave.

― Ah, sim... é uma bela ave.

― É o Vharmil, o falcão de 4 asas da Lauretti. Ele é mais rápido que uma flecha. ― Pontuou o menino.

― Incrível...

Não demorou muito e a voz de Han interrompeu os dois:

― Theodore, Nassor! Venham logo, vamos entrar!

A ave possuía uma venda, mas de certa forma, sua imponência era tão incisiva que Nassor pensou que ela poderia estar prestando atenção em cada uma das palavras. Os dois deixaram a espada próximo a Vharmil e marcharam para perto dos outros que se preparavam para entrar na torre.

Quando o pequeno grupo se preparava para atravessar a imensa porta, uma voz feminina os obrigou a conter os passos:

― Não tão rápido!

A jovem responsável, ainda que mais velha que outrora, foi reconhecida de imediato por Han e Nassor que só a conheciam dos tenros tempos de suas infâncias. Era Lauretti, uma moça com botas de caça e trajes leves, ainda possuía aquele olhar determinado que seus olhos castanhos carregavam.

Ela se posicionou na frente deles e reiterou sua afirmação, apenas com mais especificação:

― Todos podem entrar, com exceção dele. Ele não pode entrar na torre ― ela apontou diretamente para Han.

Todos se voltaram para o jovem, que após alguns instantes, paralisado pela surpresa, proferiu:

― Megera! Eu sabia! Viu o que eu disse? Ela não me vê há anos e a primeira atitude dela é me proibir de entrar na biblioteca!

Todos estavam incrédulos, existia uma hipótese ainda que remota de todos os temores de Han estarem corretos, mas ninguém se dispôs a proferir palavra alguma, seja pelo choque ou pela surpresa que o jovem estivesse correto todos se mantiveram imóveis.

― Eu posso pelo menos saber o motivo? É pessoal? Eu fiz algo para você me proibir de entrar na torre? Um motivo, apenas um motivo.

Por um tempo ela não disse nada, limitou-se a fitar com seriedade enquanto Han, ainda sobre o efeito do álcool se manifestava.

Eliah percebeu que os dois estavam há algum tempo sem proferir nada e resolveu se manifestar:

― Lauretti... O Han só veio porque o tio insistiu, ele não pode mesmo entrar conosco?

Finalmente a feição da jovem se alterou, sem parar de encarar Han, ela abriu um sorriso.

― Não, ele não pode.

― Por quê? ― Questionou Han.

― Pelo simples fato que você está cheirando a urina de cachorro e cerveja.

Todos se voltaram na direção de Han.

― Agora faz sentido ―observou Nassor.

― Eu derramei a cerveja na cabeça dele... ― pontuou Theodore.

― Eu posso ter urinado nele... ― somou o cão.

Lauretti ergueu a sobrancelha direita, e com uma feição vitoriosa esperou Handriak se posicionar.

― Bem... faz sentido... mas você poderia ter sido mais clara ― sussurrou o jovem.

― Você foi rude, Han. Peça desculpas a Lauretti ― exigiu Eliah.

Han revirou os olhos e bufou em frustração.

― Me desculpa por te chamar de megera e elevar minha voz... posso estar ainda um pouco bêbado...

― Não se preocupe com isso, não me ofendo fácil. Você tem sorte, seu tio disse que você passaria aqui para falar comigo e deixou um presente que se aplica muito bem a situação. É uma cota de malha, você vai gostar. Venha comigo, nos fundos existe um vestiário, os outros podem entrar. Meu ajudante, Athos, vai receber vocês.

― Uma cota de malha oferecida por Aaron Khan? Essa eu quero ver, eu vou com o Han, vocês podem entrar primeiro ― observou Nassor.

Todos seguiram rumo a entrada da torre e deixaram os três, que partiram na direção oposta.

― Nossa, muito obrigado, Lauretti! ― Agradeceu Han, ainda embaraçado. ― Acho que a julguei mal.

― Não há de quê, Filho dos Deuses. ― A mulher rematou essas últimas palavras com um sorriso debochado.

Pego de surpresa, o jovem fitou Nassor com seu olhar de frustração e o amigo se limitou a rir da situação, aparentemente Lauretti não se esquecera totalmente das peripécias de sua infância.



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