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História Triangulo amoroso - Capítulo 3


Escrita por: Anne_Shirley_Cuthbert

Capítulo 3 - Capítulo III


Eu fiz mesmo isso? Eu pareço um desesperado. Respiro fundo e bato a cabeça na mesa me sentindo um idiota, ele deve estar rindo de mim agora. Pego um dos sanduíches que Adalynn tinha deixado para mim, como um pedaço e bebo um gole de café, suspirando ainda um pouco sonolento. Olho pro celular 6:40 Eu tenho que estar na faculdade às 7:00.


-MERDA!


Saio correndo desesperado escada acima para o meu quarto vestindo um moletom e uma calça jeans por cima do meu pijama de estrelas e pondo os meus tênis os amarrando de qualquer jeito, jogando água no rosto e cabelo para ajeita-lo com as mão para que não fique com uma aparência tão bagunçada, quase engolindo o enxaguante bucal e corro para a entrada, abrindo a porta no desespero e saindo logo trancando a porta e correndo pela rua em direção da faculdade.
Quando chego, já estavam para fechar o portão e entrei por pouco recebendo um belo sermão da coordenadora sobre "responsabilidade e compromisso com as obrigações" e tendo que esperar a próxima aula já que o professor, Sr. Patrick de Física, não deixou eu entrar porque estava atrasado para a aula, não discuti sobre, ele não iria mudar de ideia. Me sento em um banquinho no pátio e começo a procurar o meu celular nos bolsos da calça, na mochila, no moletom e até no pijama, mas nada.


-onde está? não acredito que deixei em casa


Bufo deixando a bolsa do meu lado no banco, sinto minha barriga roncar já que não tinha tomado café da manhã direito, quando sinto uma mão no meu ombro, olho para cima e vejo Benedict, um dos poucos amigos que tenho aqui na Facu.


-eai cara, chegou atrasado


Ele se sentou do meu lado no banco e tinha um pacote na mão que me entregou sorrindo.


-acho que não teve muito tempo para comer hoje de manhã


-obrigado, cara


Sorri e abri, era um burrito, dou uma boa mordida e estava muito bom.


-calma, não vá engasgar _ri dando uns tapinhas fracos no meu ombro _


Benê é um ótimo cozinheiro, ele cursa gastronomia e é um dos melhores da turma. Ele é quase da minha altura, só um pouco mais alto, tem cabelo castanho encaracolado que batem mais ou menos no seu ombro, mas que sempre estão bem penteados para trás e presos em um pequeno rabo de cavalo, olhos verdes claros e está a maior parte do tempo com seu avental branco.


-Fala ai, por que atrasou? você não é disso, é todo certinho


Falou Benê brincalhão, me olhando esperando uma resposta


-virei a noite maratonando filmes com a Lynn, ontem não foi um dos meus melhores dias, acabei dormindo mais do que queria


- Aconteceu alguma coisa? Precisa de uma ajuda?


-eu estou bem melhor, a Lynn me ajudou muito, mas eu ainda me sinto mal


-Quer desabafar?


Benê pois uma das mãos no meu ombro, me olhando com um sorriso afetuoso, era incrível como ele conseguia deixar qualquer pessoa confortável o bastante para conversar, dava ótimos conselhos também e isso é algo que estou precisando agora, então eu comecei a contar tudo para ele.
Tudo começou ontem de manhã, era domingo e teria um almoço em família, estava ansioso por que eu iria finalmente me assumir para minha família. Já faz um bom tempo que eu descobri que sou gay, foi muito difícil para mim na época, mas eu pude contar com o apoio de Lynn, Benê e outros amigos Judy e Allen. Com o passar do tempo eu fui me aceitando e me descobrindo cada vez mais e percebi que não tinha nada de mais em ser eu mesmo. Desde então eu dei tudo de mim, consegui o emprego na lanchonete e até que eles pagam bem, e fui economizando cada vez mais e consegui comprar uma casinha e aos poucos fui comprando as mobílias, me sentia realizado ao ver tudo aquilo que eu consegui, e o fato de que eu iria me mudar logo me fazia ficar um pouco mais confortável por imaginar estar caminhando para a minha tão sonhada liberdade. Meus pais estavam felizes por mim e organizaram o almoço como uma "festa de despedida" já que eu tinha levado as ultimas caixas com as minhas coisas para minha nova casa. Meu pai e meu irmão mais velho me deram alguns copos de cerveja, eu já estava um pouco tonto e parei no 4 ou 5 copo, mas foi tarde de mais, no calor do momento acabei falando pra todo mundo que eu era gay, bem... se eu estava um pouco bêbado a expressão dos meus pais e do resto da família me fez ficar sóbrio na hora. Instantaneamente eu percebi a burrada que eu fiz, meu pai começou a brigar, meu tio e meu irmão foram segurá-lo, minhas primas gravaram e riam da situação, Lynn entrou em choque e veio até mim pedindo que eu saísse pelos fundos que ela tentaria amenizar a situação e foi o que eu fiz, como um covarde eu me esgueirei até os fundos e saí da casa.
Depois de explicar ao Benê o que tinha acontecido eu já sentia meus olhos encherem de lágrimas, ele me abraçou forte, eu o abracei de volta, ficamos em silêncio até eu me acalmar e desfizemos o abraço.


-eu não sei o que fazer Benê? me sinto péssimo, como vou encarar minha família depois de tudo?


Digo soando um pouco desesperado, ele ficou em silêncio por um momento, aparentemente escolhendo as palavras que iria usar e então me olhou.


-você pode voltar até lá, pôr as cartas na mesa, dizer que já se decidiu e que está começando uma vida agora e que o mínimo que eles podem fazer é pelo menos respeitar sua decisão mesmo que não concordem totalmente com ela, você já não é mais um bebê, Ann!


Ele falou calmamente, me olhando nos olhos passando segurança, senti uma pequena pontada de esperança no meu peito, sorri para Benê o abraçando de novo.


-tenho uma baita sorte em ter um bom amigo como você!


Falo feliz e então escuto o sinal tocar, pego minhas coisas e me levantando do banco.


-Tenho que ir para a aula, nos vemos mais tarde?


-sim, com certeza


Ele sorriu para mim minimamente e eu saí andando até minha sala.
O tempo passou devagar, as aulas pareciam não ter fim, a ideia de ver Judy e Allen na lanchonete mais tarde me alegrava. Judy e Allen são casados e são eles os donos da lanchonete, Judy é uma ruiva de cabelos cacheados e longos, olhos verdes claros, rosto em um formato arredondado mas muito charmoso e sua pele bem branca cobertas por pequenas sardas, ela é como uma 2° mãe para mim, Allen tem uma aparência de lenhador, tem um corpo largo e musculoso, seu cabelo é bem cortado e negros assim como sua barba e bigode, usa um óculos quadrado, apesar de parecer um homem "perigoso" é um bom pai para as suas filhas gêmeas, Anna e Anne. Judy é uma ótima cozinheira, é uma tortura ter que entregar os pratos sentido aquele cheiro bom da comida na bandeja, e Allen é quem trabalha no caixa e faz a limpeza, já que ele mal sabe fritar um ovo, palavras da Judy, não minhas.
Quando o sinal finalmente bateu eu enfiei os meus matérias dentro da minha bolsa e sai correndo para fora afobado, Benê me esperava do lado de fora.


-você não precisa me esperar sempre


-eu gosto de voltar com você, é mais divertido


Ele sorriu para mim, eu sorri de volta, não dava para discutir com ele, eu só comecei a andar e Benê ficou do meu lado, quando chegamos na bifurcação de ruas eu me despedi dele, já que eu ia pela rua direita e ele pela esquerda. Cheguei em casa e joguei no sofá acabado, tinha uma sensação de estar esquecendo de algo... MEU CELULAR!
Me levanto em um pulo desajeitado quase caindo do sofá, começo a procurar pela casa e então na mesa da cozinha do lado de um sanduíche mordido e uma xícara de café frio estava meu celular. O pego e o destravo indo direto nas mensagens.


Continua...



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