História Tritão - Capítulo 7


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Categorias Mitologia Grega, Naruto
Personagens Menma Uzumaki, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Lemon, Mangá, Mitologia, Mitologia Grega, Narusasu, Naruto, Nsn, Romance Gay, Sasuke! Bottom, Sasunaru, Sns, Yaoi
Visualizações 166
Palavras 3.793
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Survival, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


ME LEIAM

Olá :3

Sem facas que o cap 'tá bom, e eu acho que é o melhor até agora.

'Tô escrevendo ele desde o dia 17 do MÊS PASSADO, ou seja, eu me empenhei bastante nele.

Deu resultados bons.

Vairão; um peixe que estava em extinção, mas não mais. Ele brilha e é muito bonito, por isso é comum que tritões se chamem assim. Pra demonstrar reconhecimento e elogiar, né.

Boa leitura szzzz

Capítulo 7 - 007


Quando acordou de madrugada, Sasuke teve dificuldades em desvencilhar-se dos braços do namorado sem acordá-lo. Assim que se viu longe do aperto quente do outro, sentou-se no chão, um pouco mais distante do espaço que estavam dividindo.

De frente para si havia a imagem de Poseidon (feita de um material que parecia ser gesso, mas Sasuke não sabia ao certo). O Deus era o seu senhor e o rei do mar onde vivia — ou viveu. A estátua parecia encará-lo, a face imperiosa e a presença forte, agressiva. Era como se o Deus estivesse ali a encará-lo, julgando e vendo os erros que viria a cometer.

Sua boca secou, fazendo-o se sentir desidratado, como se tivesse passado horas demais longe da água salgada.

Como uma epifania, lembrou-se que havia passado o dia inteiro fora d'água. Quando o cheiro de maresia alcançou seus sentidos aguçados, não pensou duas vezes antes de correr em direção de onde está provinha, saindo do chalé.

Provavelmente seria punido por sair em um horário que não era permitido, mas não poderia pensar nisso no momento, não quando sentia que as coisas complicariam caso não alcançasse a água salgada.

Naruto acordou com um sobressalto, notando a falta do corpo ao seu lado. Vendo que não havia ninguém no chalé além dele, levantou-se com pressa, nem calçando as sandálias, antes de sair atrás do tritão desaparecido, já pensando na bronca que Quirón os daria.

ㅡ Droga, Sasuke.

Quando o corpo do moreno encontrou-se com a água fria e salgada todos os seus músculos relaxaram, e a sensação de sufoco foi embora. Inevitavelmente se transformou, com a calda de cores frias tomando lugar das pernas humanos. Aproveitando que já estava ali e que ninguém o havia notado, ficou por mais alguns minutos até que um tom rouco e entrecortado lhe interrompeu.

ㅡ Está na hora de sair, não acha, teme? ㅡ Naruto tinha os braços cruzados e os olhos semicerrados.

Sasuke corou, envergonhado por ter sido pego no ato. Impulsionou-se até onde havia deixado suas roupas e saiu da água, quando as pernas humanas apareceram, ele vestia apenas uma cueca.

Naruto ainda mantinha aquela expressão severa e os braços cruzados enquanto observava-o se aproximar.

ㅡ Não deveria estar aqui fora. ㅡ O de cabelos claros suspirou. ㅡ O que houve? Sentiu saudades de casa?

O maior negou e abraçou o dorso do jovem sem se importar se estava o molhando ou não, os braços de poucos músculos o rodearam e ele soube imediatamente que o outro já não estava mais aborrecido.

Percebeu também que, ao abraçar o namorado, sentiu o mesmo alívio de quando entrou no mar. Então, por enquanto, a solução para o seu problema recém-conhecido era: ou correr para o mar, ou enterrar-se nos braços firmes do filho de Poseidon.

E das duas opções, ele preferia a segunda.

ㅡ Eu só.. precisava recuperar as minhas forças, sim?

Naruto assentiu antes de puxá-lo mais para si, não mais se sentindo contrariado.

ㅡ Vamos voltar antes que os meio-sangues que patrulham a fronteira nos encontrem. ㅡ Disse Naruto, passando a puxá-lo pela mão.

ㅡ Tarde demais. ㅡ Uma terceira voz apareceu.

Quando ambos se viraram, Kabuto os observava. Sasuke não o conhecia bem, mas Naruto sim, e parecia não ter gostado da presença do garoto, pois o mar se agitou.

Os olhares se chocaram, tão ferozes quanto dois leões machos batalhando pela liderança. O tritão não tinha dúvidas, eles não se gostavam.

O garoto de cabelos platinados estava ali havia mais de três anos, e mesmo assim seu pai de sangue divino não o aceitara como filho — e ,consequentemente, não se identificando, deixando no ar a possibilidade de pais que Kabuto poderia ter.

Naruto não confiava nele, pois já o deixou em situações piores e faria de novo, se assim bem quisesse.

ㅡ Vocês conseguem imaginar o quão irado Quirón pode ficar ao imaginar que vocês planejavam trepar aí mesmo, na areia? E num horário não permitido ㅡ ele balançava a cabeça, enquanto um sorriso maldoso crescia por entre seus lábios. 

Kabuto não se importava, nem um pouco, em mentir para que Naruto se ferrasse.

ㅡ Não que o que estávamos fazendo seja da conta dele, mesmo que a situação seja distorcida, mas não cabe a você falar.

Sasuke estremeceu, tanto pelas palavras hostis do namorado, quanto pela brisa gelada que bateu em seu corpo descoberto, fazendo-o procurar calor no corpo grudado a si.

ㅡ E se você abrir essa maldita boca eu vou quebrar seus dentes, Kabuto.

ㅡ Naruto..?

Quando os olhos do garoto voltaram para si, tinha um toque de selvageria perigosa, que o mandava se afastar. O loiro piscou e seus olhos voltaram ao normal tão rápido que Sasuke pensou ter sido apenas uma miragem.

Mas não era. Kabuto realmente despertava o pior de Naruto e mais um pouco.

O mar fez um som estrondoso, assustando o outro garoto, que virou-se para água e viu que ela recuava de modo quase surreal. Acreditava que quando voltasse seria para afogar qualquer um à sua frente.

Naruto nem ao menos percebia as próprias reações.

Levantou as mãos em rendição, as pernas repentinamente tremendo dentro da calça larga. Odiou-se por deixar o medo transparecer.

ㅡ Como você mesmo disse, Cicatriz, não cabe à mim. ㅡ Ele deu as costas, voltando a patrulhar as divisas do acampamento e torcendo para que não tivessem visto sua fraqueza.

Os olhos azuis o seguiram enquanto se afastava, afiados, perfurantes como bala.

ㅡ Tudo bem com você? ㅡ O loiro perguntou minutos depois, puxando-o de volta para os chalés.

ㅡ Claro, e com você? ㅡ Perguntou, raceoso. ㅡ Parecia que iria surtar.

Naruto riu sem graça e coçou a nuca.

ㅡ Perdão, teme. Não foi minha intenção assustar você ㅡ ele apertou ternamente sua mão, como que para reforçar o que havia dito.

ㅡ Eu não tenho medo de ti, Naruto. Só que.. precisa me contar o que há contigo, sim? Por que aquele otário te chamou de cicatriz?

Para Sasuke, chamar alguém de otário era o mesmo que filho da puta.

Sua consciência o mandava parar de ser tão curioso, invasivo mas ele não estava (apenas) curioso; estava preocupado também, queria ajudar no que quer que fosse.

ㅡ Não gosto de falar sobre isso.

ㅡ Tudo bem. E você não gosta dele, por quê? Como isso começou?

ㅡ Também não gosto de falar sobre isso. Podemos falar de outra coisa que não seja relacionada à isso ou ao Kabuto?

Assentiu, não querendo que o outro ficasse mais irritado do que já estava.

Distraído e com raiva, Naruto tomara a trilha errada e agora teriam de voltar à trilha inicial. Evitou rosnar, como um animal.

ㅡ Como vai sua mãe?

Os olhos azuis o olharam de esguelha, dizendo que estava entrando em campo minado. Também não queria falar sobre isso.

E foi com um ofego que percebeu que o namorado era bom observador, pois estava colocando assuntos à sua frente, daqueles que queria deixar de lado para não acabar demonstrando sua mágoa e sensibilidade.

ㅡ Bem.

Na verdade, ele não sabia ao certo, nem falava bem com a mãe desde o início do verão.

ㅡ E seu pai?

ㅡ Não sei bem, Poseidon anda um pouco distante..

Sasuke não estava falando de Poseidon.

ㅡ Falo de Minato.

No fim da trilha já se via os chalés. Naruto suspirou em satisfação, tinha tanto sono que quase esqueceu de responder ao namorado.

ㅡ Minato não é meu pai, meu bem.

ㅡ Você o chamava de pai.

ㅡ Eu nã- Bem, agora eu não chamo mais, então.

ㅡ É cruel. ㅡ Comentou. ㅡ Você é idiota. 

ㅡ Esquece isso, tá? Por que não falamos de você? ㅡ Ele parou em frente ao seu chalé e puxou-o para dentro após abrir a porta. Ele acariciou seu rosto e sorriu com algo que cruzou sua mente. ㅡ Por que não falamos de como você estava lindo à luz de uma quase manhã, de como sua calda é incrível e do quanto eu queria tocá-la?

Estava sendo driblado, o que lhe coçou um nervo.

ㅡ Podemos falar disso depois, se quiser. Agora falaremos de você.

Naruto o chamou para deitar com ele, ganhou seu tão gostoso cafuné quando deitou a cabeça sobre o peito alheio.

ㅡ Você não confia em mim? ㅡ A pergunta veio tímida e baixa, mas tinha um "que" de mágoa.

Levantou-se lembrando que ainda teria de ir tomar banho. Naruto o olhou, surpreso e mudo.

A reação foi lenta, mas o loiro se levantou e o envolveu em seus braços.

ㅡ Eu esqueço de como as coisas funcionam para você, desculpa. ㅡ E quando dizia isso, se referia ao seus sentimentos.

Se Sasuke pudesse objetar seus sentimentos. Diria que era um aparelho de emoções com dez estágios e que sempre estava no máximo.

Se pudesse ser como os humanos, que sentiam metade disso, o feria sem nem pensar.

Mas não podia.

Então tentaria lidar com a raiva e a mágoa, que pareciam querer corroer seus pensamentos lógicos e socar o belo rosto do filho de Poseidon. Seria mais complicado ainda, pois Naruto não reagia bem à violência.

ㅡ Vamos para o banho? ㅡ O loiro perguntou e beijou as maçãs de seu rosto – que estavam vermelhas de raiva.

Assentiu, mesmo querendo ㅡ naquele momento, apenas ㅡ mandá-lo ao Caos.

Foi bom sentir a água cair sobre seus cabelos cheios de areia, chegou até mesmo a cantarolar uma melodia, quase que se esquecendo da outra presença.

Quando olhou para Naruto, como no dia em que nasceu e de costas para si, vira primeiro as marcas nas gostas; grandes, pequenas, vermelhas, antigas, grotescas.

Quase que de imediato levou a mão corpo largo, sentindo as marcas, vendo os músculos tensionarem apenas para relaxar depois.

ㅡ O quê- Como foi isso? ㅡ Perguntou enquanto passava a mão pelas marcas já saradas.

ㅡ Quando minha mãe me colocou aqui à força recebi quase que imediatamente uma missão ㅡ ele pareceu pensar e adiantou-se, rápido. ㅡ Não que eu a culpe por isso, amor. Ela sempre está em transe quando me trás pra cá, não deve nem saber que aqui não é um acampamento para jovens delinquentes.

Sasuke assentiu, não havia pensado na possibilidade, de qualquer modo.

ㅡ Minha missão fora com Sai e Kabuto.

Sasuke não escondeu a surpresa ao ouvir o nome conhecido, seu coração disparou, bombeando um sentimento indistinto já esquecido. No entanto, Naruto não pode o ver, estava de costas afinal.

ㅡ Eu e Sai somos filhos de dois dos três grandes, então não fomos pego de surpresa, sabíamos que tinham monstros. Mas eram muitos.. ㅡ A voz trêmulou, revelando que não esquecera do ocorrido. ㅡ Alguém teve que ficar para trás. Foi uma atitude prematura e impensada, mas foi eu a ficar. Mais tarde, quando voltei, ouvi um boato de que eu tinha posto tudo a perder.

Sasuke ofegou, já sabendo onde o outro iria chegar.

ㅡ Eu estava empoeirado e ensanguentado, Sasuke, não houve como me defender. Enquanto estava sendo tratado pelos filhos de Apolo, fui envenenado, não sei o que fizeram exatamente, mas meus machucados não curaram mais, nem com néctar. Ficaram apenas as cicatrizes, e hoje elas me fazem pensar duas vezes antes de me sacrificar por alguém.

O de olhos claros o encarou ao se virar, receoso, parecendo em busca de alguma reação. Sasuke depositou ambas as mãos no peito bronzeado e retribuiu o olhar do outro.

ㅡ Você continua sendo o humano e semideus mais lindo que vi, vairão. ㅡ  ele confidenciou, puxando-o para um abraço.

Naruto riu, balançando a cabeça.

ㅡ Acabou de me chamar de peixe, mas eu acho que posso tolerar isso.

Ele riu de novo, sentindo-se mais leve. Sasuke o fazia se sentir assim, como se estivesse nas nuvens.

Mesmo quando se deitaram para dormir, Sasuke não parava de pensar sobre o que Naruto falara mais cedo, sobre Sai não ser uma pessoa confiável.

Sasuke o conhecia ㅡ bem, apenas se fosse o mesmo Sai ㅡ, fora com ele o seu primeiro beijo e sua desilusão. Ele ainda conseguia se lembrar da palavras cruéis do filho de Hades, mas Sai parecia.. ruim, de algum modo.

Quando uma versão mais nova de Sai o avistou pela primeira vez, tinha ficado preso em uma velha rede de pescador. Lembrava-se do rosto infantil contraído em raiva enquanto liberava escuridão por toda água, matando os pequenos peixes aventureiros que havia ali e quase o próprio Sasuke, que escapou por pouco.

O garoto só o livrou da rede quando aceitou o trato de que ficaria o devendo. Aceitou porque ninguém poderia saber que havia saído de casa ou Fugaku ficaria irado e descontaria tudo em sua mãe.

"Agora você não é só escravo de Afrodite ou desta coisa que está em você, mas meu também." Ele dissera.

Na euforia do momento, não deu atenção ao fato que desconhecia e que o outro garoto parecia ciente, afobado demais com a idéia de ter um amigo humano.

Não demorara muito para que nutrisse sentimentos para com o outro, mesmo sob a arrogância e algumas chateações de quando não era bem tratado.

Foi quando ele reivindicou do trato e lhe exigiu os lábios. Sasuke não se sentia pronto, mas era bom estar com Sai, mesmo sob uma atmosfera tóxica que crescia e subjugava o tritão.

Depois de beijos e sentimentos ㅡ este último de Sasuke, sendo algo completamente unilateral ㅡ, foi a hora de Sai ir embora, Sasuke chegou a perguntar, de forma tímida, se ele voltaria.

Foi quando o menino riu. Não daqueles que dizem "Sim, seu bobo" mas sim um riso tenebroso que o causou assombro.

"Não gosto de escravos ou amaldiçoados, e você, sendo os dois, deveria saber."

O pequeno tritão ficara tão quebrado com a declaração, que a própria Afrodite cuidou de si às escondidas dos Deuses, com medo de sua preciosa criatura morresse por um erro de cálculo de Eros.

ㅡ Eu sou seu escravo? Ou amaldiçoado? ㅡ Ele perguntou à Deusa quando tiveram mais um de seus encontros.

ㅡ Não, querido. Você é uma criação minha e de Anfitrite. Não somos suas donas, mas suas mães. ㅡ Ela pegou o rosto delicado entre os dedos, ele era tão lindo, de longe seu melhor teste. ㅡ Nós iremos proteger você de todo o mal.

ㅡ Se irão me proteger de todo o mal, por que eu sou amaldiçoado?

Porque fora ela quem o lançou. Não que fosse uma maldição, era algo bom.

Ela lhe sorriu ternamente, os olhos violetas brilharam sob os cílios escuros.

ㅡ Você não é amaldiçoado, meu bem. É muito pelo contrário, tens um dom de proteção, um protetor. Agora, quem você deseja proteger?

ㅡ Quem eu amo, né?! Minha família e.. Sai. ㅡ Disse, acanhado.

ㅡ Você ama o Sai? ㅡ Ela quase enviou Eros ao Tártaro naquele mesmo momento, mortificada em como o filho fez Sasuke se apaixonar por alguém que só queria suas lágrimas valiosas.

ㅡ N-não! Eu.. ele é legal. ㅡ Torceu as mãos.

ㅡ E só?

ㅡ Só.

ㅡ Você promete que vai tomar cuidado? ㅡ A Deusa segurou seu rosto entre as mãos, olhando nos seus olhos negros e ainda pôde ver aquele brilho típico dos Guardiões. Ele assentiu, atordoado com a beleza da mãe.

ㅡ Você promete que quando eu achar o meu parceiro você vai me avisar? ㅡ Ele arregalou os olhos em expectativa.

ㅡ É claro!

Mesmo que não percebesse, Afrodite o estava ensinando a barganhar.

ㅡ E que ele vai ser meu amigo e.. ㅡ Ele pareceu pensar. ㅡ teremos muitos filhotes, tá?

ㅡ Sim, querido. Ele fará tudo para o seu bem, mesmo que não possa parecer às vezes.

Um trovão soou no céu ao mesmo tempo em que Sasuke a olhou confuso.

Ela freou a própria língua, tentando não revelar mais do que já dissera.

Com as lembranças de um passado ㅡ que não era tão passado assim —, Sasuke adormeceu.

Naruto acordou cedo, antes mesmo da hora do café. Pela primeira vez desde que chegara ali, havia conseguido dormir bem. Seu banho foi demorado, levando em conta a preguiça matinal e sua própria vontade de não sair do aperto quase sufocante do outro garoto que estava no chalé.

Quando saiu do banheiro, já vestido, surpreendeu-se com um tritão de rosto amassado e cabelos bagunçados o esperando desocupar o banheiro.

ㅡ Bom dia. ㅡ Ele beijou as bochechas pálidas.

Sasuke movimentou a cabeça, ainda mole e com sono.

Bateram na porta do chalé, fazendo-o se perguntar quem queria falar consigo tão cedo.

ㅡ Michael, Holand. ㅡ Ele os cumprimentou. ㅡ O que querem?

Os gêmeos de Apolo se cotovelaram, para que falassem. Michael pigarreou:

ㅡ Sasuke está? ㅡ O garoto resistiu ao ímpeto de esticar o pescoço e olhar para dentro do chalé.

ㅡ Sim, o que querem? ㅡ Perguntou novamente.

ㅡ Bem.. queremos examiná-lo.

Naruto estreitou os olhos, arisco. Examinar, na língua dos filhos de Apolo, queria dizer submetê-lo à uma bateria de exames até que achassem algo.

ㅡ E Quirón? ㅡ Perguntou, querendo saber se tinham permissão. Ouviu a porta do banheiro abrir.

ㅡ Aceitou, faremos coisas simples como raio x e colheta de sangue, sim?

ㅡ Digam pra ele.

Sasuke apareceu atrás de si, já vestido e com os cabelos pingando. Os gêmeos lhe explicaram o que pretendiam fazer e como isso poderia ajudá-los nos estudos sobre criaturas como ele. O tritão ouviu tudo atentamente, tentando não se sentir nervoso com a responsabilidade.

Naruto o observava, tentando capitar qualquer sinal. Entrelaçou os dedos nos do outro e deu um aperto que julgava ser reconfortante.

ㅡ Não precisa se não quiser, você não é obrigado ㅡ ignorou, de propósito, os dois campistas e olhou atentamente para o namorado.

Puxou delicadamente o rosto de pele leitosa para si, não deixando que prestasse atenção nas reações negativas dos gêmeos às suas palavras.

ㅡ Tudo bem, eu quero.

ㅡ Certo, mas vamos tomar café primeiro, okay? ㅡ Ele puxou sua mão e fechou a porta, começando a subir a colina antecipadamente. ㅡ Você quer mesmo fazer isso?

Sasuke o encarou, decidido. Assentiu enquanto se sentava à mesa que continha um tridente feito a tinta preta.

ㅡ Claro, eu gostaria de saber algumas coisas sobre mim mesmo ㅡ fez uma pausa repentina. ㅡ... E então finalmente poderei focar em nós.

Naruto sorriu, gostando do que ouvira.

ㅡ E o que faríamos?

Sasuke se remexeu, não sabendo se realmente deveria começar o assunton ali.

ㅡ Se o seu pai te oferecesse seu lugar de direito, ficaria? Abandonaria a vida humana?

Naruto piscou, não sabendo bem sobre o que ele estava falando até que seus pensamentos clarearam. Ele falava sobre ser um príncipe.

ㅡ Você pretende voltar para lá?

Embora só fossem feitas perguntas naquela conversa, eles entenderam as respostas nas entrelinhas.

Como há dois anos, Naruto não sabia se teria coragem de abandonar Kushina. A resposta era a mesma, basicamente; não.

Em frente à Naruto, Sasuke havia se mostrado irredutível em relação ao simples procedimento que seria realizado em seu corpo. Mas agora, sentado em uma maca de acolchoado fino e impecavelmente arrumado, sentia-se nervoso.

Embora tenha sido adolescentes que foram fazer a proposta, os que entraram na sala foram dois homens adultos. O tritão se permitiu respirar com tranquilidade.

Ele foram gentis ao se apresentarem e saciarem suas dúvidas, explicando cada procedimento antes de fisicamente fazê-lo, para que pudesse acompanhar.

Naruto não demorou muito a chegar, e pedir para ficar ao seu lado, sem realmente esperar por uma autorização.

ㅡ Deveria estar nos estábulos cuidando dos pegasus, não? ㅡ Quem perguntara fora Andriel, um dos dois médicos ali.

ㅡ Combinei com Quirón de o fazer depois que acabarem com Sasuke. ㅡ As bochechas dele estavam levemente coradas, não gostava de ser repreendido na frente de Sasuke.

Ninguém disse que a história do garoto era falsa, mas era ladainha para que mantivesse os olhos atentos ao que fariam com Sasuke. E o repreenderam quando disse já ter comido algo.

ㅡ Acho que não irá atrapalhar muito.

A frase fora dita apenas para acalmar os ânimos, pois Naruto parecia querer explodir do outro lado da sala.

Expressões e sons surpresos aconteceram e, meio à isso, os filhos de Apolo disseram terem acabado.

Quando eles falaram que explicaria a Sasuke tudo o que encontraram em seu corpo, o filho de Poseidon se aproximar e ficara ao seu lado, brincando com os dedos da sua mão.

ㅡ Você é uma anomalia impressionante, imagino o que uma exploração mais à fundo nos daria de informação. ㅡ O homem disse. ㅡ Sua estrutura óssea e sua pele são extremamentes reforçadas, fortes.

"Seu coração bombeia lentamente comparando aos batimentos humanos, isso quer dizer que você vai viver bastante. Talvez cento e oitenta anos – ou até ou mais. Corações não têm um limite de batimentos até que, um dia, parem de bater. Animais com batimentos mais lentos vivem mais. Batimentos humanos por minutos são em média, de setenta, mas os de Sasuke tem vinte vezes por minuto."

Sasuke já tinha conhecimento disso, o tempo de vida poderia ser de até quinhentos anos ㅡ claro, para a sua espécie.

Jonas tomou a palavra, visto que o irmão parecia ter absorvido o significado das palavras apenas quando as disse, e estava chocado demais para continuar.

ㅡ Você tem resistência à algo, mas não tem como sabermos sem testes. Você também tem certa dependência da água do mar, isso quer dizer que não pode ficar muito longe ou irá murchar como uma uva passa, mas...

Ele cutucou o irmão, que saiu sem dizer uma palavra e quando voltou tinha um copo em mãos. Andriel o estendeu para Sasuke.

ㅡ Beba, é agua com sal. Talvez ajude você quando estiver na abstinência da água do mar.

Sasuke bebeu e quase que instantaneamente o corpo se tornou mais leve, como se estivesse no mar ou embalado entre os braços de Naruto. Sua pele ganhou brilho ㅡ mesmo que ainda fosse tão pálida quanto neve ㅡ, assim como os cabelos ébano. Foi aliviado de um cansaço que nem sabia ter e suspirou, satisfeito.

ㅡ Não sabíamos o que aconteceria caso tomasse a água com sal ㅡ Jonas admitiu. ㅡ Mas algo está óbvio, sua energia vem de sais, seja ingerido, inalado ou submergido, ele vai ser sua fonte. Provavelmente você já percebeu que perto de Naruto se sente bem como se estivesse no mar. Essa nova opção não é cem por cento eficaz, mas vai te ajudar caso não tenha o mar ou Naruto por perto. Não sabemos o que seu uso prolongado pode causar, portanto modere quando for usar.

Sasuke assentiu, não sabia daquilo e avisaria a mãe o quanto antes, ele viu os olhos castanhos dos filhos de Apolo brilharem e soube sobre o que era um dos próximos assuntos.

ㅡ Quando ouvimos dizer que você tem sangue azul, achamos impossível. Seu sangue é vermelho e seus glóbulos também, mas há uns azuis, aversos. É como se existissem duas pessoas em um único corpo, ou duas almas, não sei.

Sasuke não sabia, mas Andriel levara o bingo.


Notas Finais


Nesse cap temos um Uzumaki bastante orgulhoso, hein? Mas o Sasuke nem sabe o que é isso e contorna a situação.

Estou MUITO feliz pela quantidade de leitores que "Tritão" adquiriu e até penso em fazer algo como um filler baseado nele mas sem uma conexão precisa.

Não sei. Por enquanto vai ficar só na mente aqui.

Mas enfim, obrigado aaaaaa💖

E aí, que cês acharam?
Comentários são bem vindos.

Até o próximo skrr💞


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