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História Troca de Calçada - Capítulo 2


Escrita por: cadeladamaraisa

Notas do Autor


Oies cheguei beberes

Capítulo 2 - Me deixa te ajudar


Eu fiquei ali, completamente atordoada, ele foi diferente, as pessoas que passavam pela minha cama não costumavam ser gentis e ele foi, pela primeira vez eu não termino um programa toda roxa e sangrando. Tomei um banho e me arrumei novamente. Eu desci pro salão, afinal tinha que conseguir mais clientes.E assim iam se passando os dias, era a mesma rotina, Sérgio vinha todas as noites e sempre me escolhia. Eu não entendia muito bem o porquê, mas não nego que gostava, afinal, ele era diferente e gostava da maneira como ele me tratava.

 -- Maraisa, acorda... Irmã- abri os olhos devagar e vi que Maiara estava em cima de mim com cara de choro.

-- O que foi? - era uma quinta feira, 9h da manhã, não fazia muito tempo que havia chegado da Elysium.

-- Maraiso tá passando mal, eu não sei dirigir, a gente precisa levar ele pro hospital - me levantei em um salto, vestia uma camisola curta que logo foi pro chão, vesti a primeira roupa que vi, Maiara já estava pronta.

 Fui até seu quarto ás pressas, ele estava pálido e já tinha vomitado várias vezes. Troquei sua roupa e saímos rapidamente. Todo minuto importava, eu estava morrendo de sono e torcia pra não dormir no volante. Maiara estava no banco de trás com ele, sabia que estava indo rápido demais, mas que se fodam as multas, é o meu irmão. Chegamos no hospital e novamente a mesma coisa, ele era encaminhado pra atendimento enquanto tínhamos que esperar. Maiara mexia nas mãos freneticamente e eu fiquei em pé andando de um lado para o outro.

 Até que o vi, era o que faltava para completar minha desgraça, um cliente me reconhecer na frente de Maiara.

-- Maraisa? - sua voz rouca me tirou do transe.

-- Oi Sérgio - não escondia o nervosismo.

-- Está tudo bem? O que faz aqui? - ele realmente parecia estar interessado.

-- Meu irmão passou mal, ele faz tratamento aqui... Ele tem câncer- completei e o vi suspirar, mas ainda confuso,claro, o que uma prostituta faz em um hospital tão caro.

 -- Sinto muito - assenti agradecendo - é sua irmã? - me dei conta de que não sabia como apresentá-los.

-- Sim, minha irmã gêmea, Maiara esse é o Sérgio, nos conhecemos... - vi que não tinha uma resposta e Maiara nos olhava confusa.

-- Da clínica, ela foi cuidadora da minha mãe que infelizmente já faleceu - ele improvisou e eu fiquei aliviada.

-- Sinto falta dela - continuei na mentira e Maiara parecia ter se convencido.

 -- Podemos conversar? - sua voz transmitia calma. Assenti e ele colocou a mão na minha cintura, me guiando até uma sala enorme. Me questionei o motivo dele ter uma sala naquele hospital.

 -- Fique a vontade, quer alguma coisa? - neguei com a cabeça e sentei na cadeira indicada por ele.

 -- O que quer comigo? - eu sabia que não precisava mas mesmo assim estava com medo

-- Não precisa ter medo, eu... Eu não sei bem como falar isso. Mas sinto uma necessidade de te proteger.

-- Me proteger? Eu não preciso ser protegida, sei me defender sozinha

-- Eu não duvido disso, posso ver o quão forte você é, te admiro por isso.

-- Fala sério, quem em sã consciência admira uma puta? - ele se levantou e começou a andar de um lado pra outro.

-- Não seja tão dura consigo mesma, sei que não faz isso porque quer

-- Ninguém vende o próprio corpo por querer - ele suspirou se arrependendo do que disse.

 -- Eu sei, desculpa... a verdade é que desde que te vi senti que você precisava de apoio.

-- Eu não preciso de ninguém - me levantei com raiva.

 -- Todos nós precisamos, e eu estou me dispondo a ser a pessoa que vai cuidar de você

 -- Em troca de quê? Do meu corpo, é só isso que eu sou, uma moeda de troca... um objeto.

-- Não - ele se aproximou e senti meu corpo todo tremer, a última pessoa que me disse isso me destruiu da pior forma. - eu realmente quero cuidar de você, como um amigo, um irmão mais velho

 Eu ri irônica, quem ele pensa que era pra brincar comigo assim.

 -- E porque eu devo acreditar em você? Não nos conhecemos - era estranho, fizemos sexo várias vezes mas não tínhamos intimidade nenhuma. Afinal não precisávamos, ele me pagava apenas para satisfazê-lo. Era isso que eu era, essa era a minha utilidade.

-- Por que eu estou sendo sincero. Me dê um voto de confiança...

 Eu não sabia o porquê mas suas palavras pareciam verdadeiras pra mim talvez ele estivesse de fato sendo sincero, mas porque? O que ele ganharia sendo bom para alguém como eu.

Senti seus braços me rodearem e me envolverem em um abraço sincero, era a primeira vez que ele me tocava sem a esfera sexual nos envolvendo e eu não consigo explicar o conforto que senti.Logo as lágrimas brotavam sem explicação.

-- Tudo bem, vai ficar tudo bem - sua voz transmitia calma.

-- Desculpa... - me soltei de seus braços e saí da sala as pressas, voltando para o lado de Maiara.

 -- O que aconteceu metade?

-- Nada demais, besteira

-- Ele gosta de você - não foi uma pergunta, ela estava constatando isso.

-- Do que você tá falando? - ela me encarou como se fosse óbvio.

-- Porra Maraisa, você é muito lerda. O cara te olha de uma maneira diferente, como o nosso pai olhava pra mamãe. Fora que ele tem a fama de ser durão.

-- Como você sabe disso?

-- Simples, vi o nome no crachá e pesquisei, Sérgio Passarella Marone Saint Germain, 34 anos, empresário, médico e dono desse hospital, nunca casou e único relacionamento público que ele teve acabou há dois anos.

-- Ah - foi a única coisa que eu disse antes de do Dr. Gustavo aparecer.

-- Como ele está? - foi o que disse antes que Maiara pudesse me interromper e falar qualquer besteira

-- Bem, medicado, ele vai ficar em observação por mais 48h e se estiver bem vai ser liberado. Ele precisa começar a quimioterapia urgentemente... - eu não tinha dinheiro suficiente ainda.

Mas ele precisava, eu realmente não tinha uma solução pra isso. Maiara me olhou esperando uma solução, mas eu não tinha, simplesmente não tinha.

-- Até quando ele pode esperar? Eu preciso conseguir o dinheiro - disse totalmente sem jeito.

-- Quanto antes você conseguir melhor, o tratamento rápido garante que ele se cure antes do esperado.

 -- Ok, vou conseguir o quanto antes - eu não percebi que Sérgio estava perto.

 (...)

 Não entendia a minha necessidade de sempre querer estar perto dela. Eu sabia que ela era apenas uma garota de programa, mas ela parecia ser mais que isso, via o quanto ela lutava pra ser alguém melhor.Ainda mais depois de saber que ela pagava o tratamento do irmão. Eu ouvi Gustavo dizer que o irmão dela precisava começar o tratamento. E eu imaginava que ela não tivesse tanto dinheiro pra fazer isso tão rápido, mas pelo que pude perceber ela também era orgulhosa.Claro, era compreensível o seu medo. Afinal, normalmente as pessoas a procuravam e a tratavam como um objeto. Mas ela era muito mais do que isso. Vi quando ele saiu e sua irmã foi ver o garoto,era a oportunidade que eu precisava.

 -- Maraisa? - ela me encarou perdida,seus olhos estavam opacos e seu rosto pálido - eu ouvi o que o Gustavo disso

-- Não sabia que ouvia a conversa alheia.

-- Não foi de propósito, eu vou te ajudar, seu irmão vai começar o tratamento hoje mesmo - sua boca abriu em surpresa.

-- Como? Eu não tenho o dinheiro necessário e... -a interrompi.

-- Não se preocupe com isso... Me deixa te ajudar, por favor.

-- Não posso aceitar

-- Por favor, pensa no seu irmão... Me deixa te ajudar e ajudar ele.

Ela pareceu pensar e logo em seguida me encarou com lágrimas nos olhos.

-- Eu prometo te pagar depois - neguei com a cabeça e a abracei. Por algum motivo ela não me soltou e eu também não queria que ela soltasse.


Notas Finais


Sérgio tá ajudando ela


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