História Trough the Reality - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Chenle, Doyoung, Johnny, Jungwoo, Kun, Lucas, Mark
Tags Jungwoo, Kim Jungwoo, Lucas, Luwoo, Nct, Nct 127, Nct 2018, Nct China, Nct Dream, Nct U, Wong Yukhei, Woocas, Yukhei
Visualizações 97
Palavras 3.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi gente, 4 dias pra att é difícil hein? X_X

eu gostei desse capítulo, tem bastante açúcar e espero que vocês gostem também.

vou fazer um site pra mostrar informações sobre o jogo, assim vocês podem acompanhar em tempo real e formar teorias, tudo bem?

fiquem ligados, porque talvez eu poste na timeline do Spirit, ao mesmo tempo que também posso postar só no próximo capítulo, tá bom?

boa leitura ♡

Capítulo 3 - Guerra Interna


•  •  •


- Yukhei-ssi, você quer voltar pra casa comigo? - Ten perguntou enquanto eu guardava os meus materiais dentro da mochila, esta que coloquei em um dos braços e logo o olhei.


- Por mim, tudo bem. - Ele sorriu satisfeito e veio até o meu lado. Nosso bairro era pequeno, então seria fácil ir pra casa e passar um tempo juntos. O tailandês tinha uma risada doce, conversava bem e principalmente, era muito fofo. Eu ficava feliz de tê-lo como meu amigo aqui. 


Uma vez em que já havia chegado em casa, esperei que entrasse, pra finalmente seguir meu caminho, e felizmente, por alguma mágica desse jogo, eu já sabia onde ficava a minha própria casa, porque não sabia nem mesmo como havia chegado na escola.


Faltando dois quarteirões vi uma pessoa do outro lado da rua. Carregando um caderno colorido e com passos apressados, as roupas pretas e pernas finas não confundiam ninguém.


- Jungwoo! - Exclamei pra chamar sua atenção. Por sorte nenhum carro vinha, atravessei normalmente de encontro ao garoto, que diferente de mim, não parecia muito feliz em me ver.


- Yukhei.


- Quer que eu te acompanhe até em casa? - Já me oferecia para levar sua mochila, mas ele recuou. Continuava incomodado com a minha presença. Mas eu insisti.


- Sua casa é logo perto, Yukhei... Eu vou sozinho.


- Ainda sim, pode ser perigoso pra você, hm? Vamos, eu levo as suas coisas. - Jungwoo pareceu se render. Me entregou a bolsa que levava suas coisas, e a coloquei em meu braço livre. Depois continuei a andar com ele, ainda que sentisse o quanto estava intimidado ao meu lado. - Por que está sozinho?


- É a mesma coisa que perguntar porque você tem amigos.


- Isso não faz sentido nenhum. - Me diverti com a resposta dele, mas não pareceu nem um pouco satisfeito com a minha gozação.


- Não dá pra fazer amizade com eles... Pode me dar as minhas coisas, a partir desse ponto, eu vou sozinho. - Jungwoo parou no meio do caminho e se colocou nas pontas dos pés pra alcançar sua mochila e tentar tirá-la de mim. Eu o cedi rapidamente.


- Tem certeza?


- Sim... Eu tenho. Obrigado por... Ter voltado comigo, Yukhei. Essa área é um pouco perigosa. - Ele olhou ao redor, como se algo tivesse o chamado a atenção. - Volte em segurança.


- Obrigado. - Eu sorri antes de lhe bagunçar os cabelos. Vi pequenos corações subirem. Eram bem poucos, porém suficientes para me fazer sentir satisfeito em não ter sido rejeitado por si mais uma fez. 


Comecei a andar em meu caminho de volta, sorrindo sozinho. Ficar com Jungwoo pode ser um final extremamente difícil, mas talvez valeria a pena. O ar misterioso que ele deixava era convidativo para mergulhar naquele campo de rejeições, mas que no fim, pareciam esconder um coração quente. As vezes em que ele se envergonhava, tentava recuar ou aceitava algo com desdém denunciavam isso. E é por esse motivo que cada vez mais, me convencia de que deveria tentar algo consigo. Mesmo que Ten, Jaehyun ou os outros paqueras fossem bem interessantes, eu queria ver muito mais do que um final clichê. Eu queria saber o que é ser o Jungwoo, seus interesses, pontos fracos e também, como ganhar o seu coração.


Chegando em casa, me deitei. Achei cômico em como o jogo não se importava nem um pouco em mostrar a presença dos meus pais, ou seja, se eu precisasse de algo, teria que me virar sozinho. Por sorte, o jogo praticamente me teletransportava pra qualquer lugar que eu quisesse ir. De menos a minha volta pra casa, pois essa provavelmente seria a minha chance de conhecer um pouco do meu companheiro e ganhar afinidade. 


Uma tela de opções apareceu. Sabia que aquela tarde sozinho em casa estava calma demais e que eu precisaria fazer uma ação. Dentre elas: estudar; fazer esportes; dormir; sair de casa; e a opção que mais me chamou atenção;


"Marcar um encontro."


Então eu poderia sair com os paqueras quando quisesse? Isso era bom. Não ter que esperar pra encontrá-los na escola. Fiquei me perguntando em quem eu convidaria para um encontro, até pegar meu telefone e escutar o som da chamada.


"Hm. Pronto."


"Jungwoo." Eu o respondi num tom fofo, como se estivesse prestes a pedir algo. Ele suspirou profundamente antes de me responder.


"Yukhei..."


"Você quer sair comigo? No sábado, vamos ao parque juntos. É outono!" Jungwoo pareceu pensar um pouco antes de me responder. Com certeza ele rejeitaria.


"... Obrigado. Mas vou estar ocupado este sábado."


Respondeu antes de desligar a chamada sem esperar alguma resposta minha. Então eu estava certo. Fiquei encarando o telefone por alguns instantes. Por que ele precisava ser tão seco? Sempre achei que os joguinhos simuladores de amor precisassem fazer um tipo de fanservice ou qualquer outra coisa que deixasse o jogador se sentir amado e acolhido, mas Jungwoo estava sendo totalmente o oposto disso. Não é como se eu não estivesse acostumado com grosseria, até porque meu irmão mais velho conseguia ser uma faca bem amolada quando queria, só que esse jogo me deixava cada vez mais confuso.


À medida que eu entendia, eu passava a não entender mais também. Numa balança totalmente desequilibrada que muda seus lados o tempo inteiro. 


Comecei a estudar. Não podia ligar para duas pessoas no mesmo dia e tentar marcar mais um encontro, então teria de esperar um tempo. A matéria era fácil, eu conseguia fazer sem problema nenhum, convencendo cada vez mais de que aquilo parecia um mundo real. Inclusive, um muito melhor e mais confortável. Se eu pudesse trazer os meus amigos e minha família, faria isso com certeza. Será que Seul era ainda melhor que Shanghai?


A noite ia caindo. Precisava descansar pra poder aproveitar mais um dia de aula. Fiquei intrigado em como eu simplesmente não sentia fome naquele jogo, mas ainda sim me obriguei à jantar alguma coisa. Fiz um pouco de ramen - extremamente picante -, e comi, logo recebendo uma chamada de Ten.


"Yukhei-ssi!"


"Ten." O respondi sorrindo e afastando a tigela onde estava comendo.


"Está tudo bem se eu te chamar apenas de Yukhei?"


"Claro. Com certeza. O que você precisa?"


"Ia perguntar se você quer ir à um encontro comigo." Quase engasguei. Joguei rápido os palitinhos pro lado da tigela e fiquei em silêncio por uns segundos, tentando não morrer por causa do macarrão entalado na garganta. "Ah, tá tudo bem?"


"Sim... S-Sim. Tá. Desculpa, é... Quando e onde?"


"Que tal irmos ao shopping, no sábado?"


"Parece uma boa ideia. Te encontro lá."


"Ah! Certo, certo." Ten estava bastante empolgado por eu ter aceitado o seu convite. "Nos vemos lá. Até amanhã!"


"Até." 


Continuei encarando o meu celular por uns segundos depois que o tailandês já havia desligado, um pouco boquiaberto. O jogo estava me empurrando para ele e os outros paqueras, mas não parecia querer colaborar na minha relação com Jungwoo. Mas isso nunca me impediria de tentar um happy ending com ele, na verdade, fazia olhar aquele jogo como um desafio. E é claro que eu tentaria um final com os outros.


Mas depois de conseguir o final com Jungwoo.


Antes de dormir fiquei fuçando mais algumas funções. Até descobrir que era possível ver a minha afinidade com cada um dos paqueras e o que eles pensam de mim. Mesmo receoso com o que iria encontrar, cliquei.


Jung Jaehyun

Afinidade 67/100

"Yukhei é, além de um bom aluno, uma pessoa interessante."


Ten

Afinidade 72/100

"Yukhei é alguém legal e interessante. Gosto de tê-lo como amigo."


Moon Taeil

Afinidade 54/100

"Yukhei gosta de me provocar e me deixar envergonhado. Por que isso continua mexendo comigo?"


Lee Taeyong

Afinidade 49/100 

"Eu queria falar mais com o Yukhei. Taeil me disse que ele é alguém incrível."


Mark Lee

Afinidade 10/100

"Quem é Yukhei?"


Abaixei os olhos rapidamente buscando por um nome e especial.


Kim Jungwoo

Afinidade 20/100

"Ele consegue ser realmente chato quando quer. Pelo menos não fica chorando quando eu sou grosso."


Quebrei a cara e achei melhor ir dormir.


↪[[⌨︎]]


Por algum motivo eu sentia que os dias passavam mais rápido naquela semana. Inclusive, me perguntava quanto tempo já havia se passado em Shanghai, mas não me preocupei muito em sair para checar. 


Na quinta-feira, tinha educação física. Começaríamos com basquete, e eu observei os alunos serem selecionados um à um, até sobrar apenas eu e o Mark. Os dois "novatos" subestimados pela falta de conhecimento dos meus colegas, porque se tinha um esporte que eu sabia jogar muito bem, era basquete. E isso nem se dava pela minha altura, é só que o Kun praticava e eu, como um irmãozinho mais novo iludido, o apoiava e ficava o observando, admirado com o quanto meu irmão jogava bem.


Enquanto os alunos faziam pedra-papel-tesoura para ver quem seria o perdedor a ficar com os novatos, eu e Mark nos olhamos.


- Isso é meio ofensivo. - Falei me sentando numa mureta da quadra. Ele fez o mesmo, com um pouco de dificuldade, por ser bem mais baixo que eu.


- Você sabe jogar? - Perguntou se apoiando em um dos meus braços pra que não caísse direto de costas no chão. Eu corei um pouco, mas continuei observando o arredor.


- Sei. É o meu esporte favorito. 


- O meu também. Eles não sabem o que estão perdendo. Deve ser por causa do meu tamanho... Você é tão alto, por que não te escolheram? - Meu movimento com os ombros indicou que eu não sabia. Mark me analisou com os olhos e riu assoprado, um pouco nervoso. - Bom, eu sou Mark. E você?


- Yukhei. - O encarei de volta.


- Ahhh, você é o Yukhei... Legal, bem como me disseram. 


- O que quer dizer com...


- Yukhei!!! - Alguém gritou meu nome do monte de alunos. Mark me empurrou para que fosse até o time mais forte dali e ele fosse para o mais fraco, sendo o restante, último a ser escolhido. Senti um pouco de pena, ele parecia tão intimidado e pequeno no meio dos brutamontes. Não tirei meus olhos de si por muito tempo, talvez por notar que as pessoas o tratavam diferente, ou talvez por seu tamanho, ou por sua nacionalidade. Sei lá, de qualquer forma, da mesma medida que eu o olhava, ele também fazia isso. 


Minha distração quase permitiu que o outro time marcasse uma cesta, mas num reflexo rápido impedi que Ten pulasse e caí em cima dele. 


- U-Uau... - Ele estava chocado. Notou nossa posição, e tampou o rosto vermelho. Nossos colegas olharam confusos e eu me levantei, ajudando o tailandês a sair do chão também. O professor apitou o fim da aula, assim nos obrigando a caminhar para fora da quadra aos poucos.


- Tá tudo bem? - Perguntei. Ten se apoiou no meu braço direito e tentava andar, com um pouco de dificuldade. 


- Acho que machuquei meu pé. Você caiu bem em cima dele. Vamos pra enfermaria. - Então, eu tinha duas opções. Ou eu carregava ele com meus dois braços, ou o levava apenas apoiado em meu ombro. Escolhi a primeira e me senti vitorioso em levá-lo daquela forma. Sentia o pesar do olhar de Ten sobre mim.


 •  •  •


"O desligamento do capacete foi solicitado. Deseja sair do jogo?"


Só podia ser o meu irmão mais novo. E ele só fazia isso quando precisava de alguma coisa urgente. Salvei o jogo antes de sair e finalmente acordei daquele transe que o capacete me deixava, ainda um pouco chateado por ter deixado o maldito Seul Love Story pra trás, principalmente numa cena tão cativante.


Me sentei na cama, cocei os olhos e olhei para Chenle, tirando a franja suada da minha testa.


- Fala pirralho. 


- Eu tô com fome! Você pretende morrer com esse capacete na cabeça?! - Perguntou indignado, cruzando os braços. Me levantei resmungando alguma coisa que estava suposta a ser um palavrão, estalei as costas e comecei a caminhar pra fora do quarto. - Vai me ignorar?


- Eu vou... Pegar o telefone. 


Sair do capacete de repente era como ser acordado no seu quinto sono. Sem entender nada, completamente lento e com o corpo doendo por ter ficado deitado tanto tempo. Fiz um esforço pra ligar para a lanchonete, depois de coçar os meus olhos novamente e acordar um pouco. Pedi o mesmo lanche de sempre, quando eu fico sozinho em casa com Chenle. 


Me sentei na mesa e peguei meu celular, sentindo falta das opções de fazer alguma coisa e, principalmente, dos meus paqueras. Eu estava cabisbaixo e meu irmão pareceu notar, então se sentando na minha frente e chamando minha atenção com um estalar de dedos.


- Tá bem? - Perguntou, apertando a barrinha das mangas de seu moletom com as mãos pequenas.


- Tô... Só... Sonolento. - Mentira.


- O que você tanto joga no capacete? Você fica horas lá. 


- Um jogo. Preciso aprender a regular o horário que eu fico jogando. - Bloqueei meu celular, deixei de lado e quando espreguicei, minhas costas pareceram uma pipoqueira de tantos estalos. - Puta que pariu.


- Parece interessante. Posso jogar? 


- Mas eu nem falei sobre o que é. - Respondi rindo. Chenle também.


- É que parece ser muito legal. Eu queria muito um capacete daquele. Deve ser incrível ser o favorito do papai. - Rolei os olhos com o comentário.


- Não sou o favorito do papai, Chenle. Ele gosta de nós três da mesma forma. Para de pensar assim.


- Ahh, Yuk... - O apelido que ele me chamava desde que era uma criança permanecia até seus dezesseis anos. - Mas é verdade. Eu e Kun percebemos que porque você não tem nada de especial, papai te dá todos os mimos.


- Obrigado pelo apoio e palavras de carinho. - Encarei indiferente. Chenle riu alto.


- Tô brincando! Mas ainda sim. Posso jogar no seu capacete depois? 


- Pode, Lele. - Alguém tocou a campainha, e eu me levantei rapidamente, na expectativa de nosso lanche ter finalmente chegado. No lugar, apareceu um garoto, que não parecia ser muito mais velho do que eu, com um terno bem chique e um iPad nas mãos. Eu olhei ao redor, falsifiquei uma tosse e chamei sua atenção, já que estava virado para o lado da rua.


- Boa noite. 


- ... Boa noite... 


- Eu posso entrar? Sou representante da Dalcom e o seu endereço foi indicado em uma das compras do capacete SRV. Preciso fazer algumas perguntas. - Perguntou com um sorriso calmo. Eu apenas concordei com a cabeça levemente e o dei espaço para entrar, ainda um pouco confuso. Chenle se levantou e fez uma reverência formal. O rapaz, após retribuir o cumprimento do meu irmão, observou nossa casa e digitou algo rapidamente. 


- Você pode se sentar. - Falei me sentando no sofá e indiquei que ele poderia fazer o mesmo.


- Obrigado. Com licença... É Yukhei, né? Sou Dong Sicheng, representante da Dalcom na China. Eu queria fazer umas perguntas sobre o produto que você adquiriu.


- Claro, claro. - Chenle trouxe um copo d'água para Sicheng que não foi recusado. 


- Você tem se sentido satisfeito com o produto? Quais foram suas últimas experiências? 


- Sim, eu estou extremamente satisfeito e... Foram boas experiências. Pretendo usar cada vez mais o SRV. - Respondi sorrindo. 


- E qual jogo você mais joga? - Droga. Eu não queria responder, na frente do meu irmão mais novo, que estava jogando um jogo de histórias de amor coreano. Mas me vi na obrigação de fazer isso. Chenle estava tão curioso quanto o entrevistador.


- S-Seul... S-Seul Love Story. - Chenle relinchou. Tentou não rir e voltou pra cozinha. 


- Hmmm, interessante... Vejo as pessoas jogarem muito esse jogo. É interativo e muito emocionante. Fico feliz que esteja gostando. Inclusive, há muitas coisas escondidas e coisas para descobrir sobre. Não hesite em procurar pela Internet.


- Ah, com certeza. - Respondi com um sorriso sem graça. Algumas perguntas a mais e Sicheng parecia ter terminado o seu - curioso - trabalho. Demos um aperto de mãos e antes de ir embora, recebi um cartão.


- Me ligue se tiver qualquer problema ou dúvida. A Dalcom está disposta a respondê-los pra você. - Concordei, então ele pode ir embora num carro preto.


Dei uma lida no cartão de visita simples, com números de telefone, informações, e algo me tirou a atenção.


- Deixa de ser idiota, Chenle. - Falei sem olhar pro meu irmão, que claramente ainda se segurava para não rir. Comecei a subir as escadas, fui ao meu quarto e comecei a encarar o capacete.


"Coisas escondidas que devem ser descobertas, é...?"


Pensei. Meu irmão estava perguntando se eu não iria comer. Recusei a proposta, tranquei a porta do cômodo e me deitei, curioso para desvendar o que eram aqueles mistérios que Sicheng havia me dito. 


•  •  •  


Quando o jogo voltou à vida, eu ainda estava carregando Ten em meus braços. Chegamos rapidamente na enfermaria e eu o deixei sobre o sofá pequenino. Seu rosto estava bem vermelho.


- O-Obrigado por isso. - Gaguejou. Eu sorri.


- Está tudo bem. A enfermeira deve chegar logo. - E como eu havia dito, uma mulher saiu de dentro da coordenação, olhou para Ten, perguntou seu problema e em poucos minutos já havia o ajudado. Na volta pra sala, o carreguei de novo, da mesma forma. Quando o deixei sobre a cadeira, vi muitos corações subirem.


O tailandês não disse nada o resto da aula. Apenas ficou tímido o tempo inteiro e eu não podia consultar meu celular pra ver o nível de afinidade, que deveria estar super alto. 


Do outro lado da sala, enquanto eu debruçava sobre meus livros, vi Jungwoo. Mas dessa vez, ele não estava escrevendo em seu caderno. Estava me olhando, tão profundamente como eu fazia. Sequer se preocupava em desviar de mim, era de propósito, queria me atiçar.


Então, eu senti algo remexer dentro de mim. E nessa hora me virei pra frente de novo, tentando entender o que estava acontecendo naquele curto espaço de tempo.


 Sentindo o olhar de Jungwoo sobre mim, enquanto Ten encostava sua coxa na minha, e o professor de matemática entrava sorrindo pra mim. Puta que pariu. 


- Prova surpresa. - Jaehyun disse com diversão, observando os alunos entrarem em desespero. - Porém, em dupla. E eu vou escolher.


Enfiei as mãos dentro dos bolsos do paletó de uniforme. Cruzei os dedos secretamente, esperando, desejando e implorando da forma mais intensa possível dentro da minha cabeça, que Jung me deixasse ao lado de Ten, ou que me juntasse com o Taeil. Estava com medo da prova, mesmo seguro de que saberia a matéria, sentia a tensão no meu sangue.


- Yukhei e... Jungwoo.


Merda.


Olhei pra trás. Jungwoo não havia mexido um único dedo, o que significava que eu precisaria pegar as minhas coisas para ir até a mesa ao seu lado.


Quando me sentei, estava nervoso. Meu coração batia forte e isso era até estranho para um ambiente de jogo eletrônico. Talvez a realidade virtual fosse realmente muito real. Duvido que sentiria aquela coisa se estivesse fora o capacete.


É só um jogo.


- Estudou? - Jungwoo perguntou guardando suas coisas, deixando sobre a mesa uma lapiseira, caneta e borracha.


- Não preciso disso. - Falei convencido, me espreguiçando em seguida. O vi rolar os olhos impaciente e Jaehyun nos entregou duas folhas de atividade, desejando boa sorte. Jungwoo rapidamente pegou uma e se pôs a fazer. Então não tive outra escola a não ser tentar resolver a minha também.


Só que estava difícil. Exageradamente difícil.


E eu sentia um desespero interno toda vez em que olhava pra uma das questões e não fazia ideia de como resolver. Tentava ler mais de três vezes e parecia ficar cada vez mais confuso.


Encostei o grafite no papel, não o mexi por uns segundos ainda calculando na minha mente o que fazer, e comecei a escrever. Jungwoo me olhou desconfiado, depois pra minha prova e se exaltou.


- Meu Deus! O que você tá fazendo?! - Sussurrou, arrancando a folha das minhas mãos, levando pra sua mesa e apagando rudo o que eu havia escrito.


- Que?? Eu que te pergunto o que você tá fazendo! - Exclamei de volta.


- Yukhei, céus... Você fez regra de três em literalmente TUDO. - Jungwoo enfasou a última palavra e corrigiu tudo o que eu já havia fritado meu cérebro pra fazer. Depois me devolveu a folha, com apenas a última questão em branco. - Se vira com esse logaritmo. A gente só tem quinze minutos.


Ok, então ele jogou a bomba na minha mão. Pelo menos logaritmos não era tão chato assim de se fazer e era a única coisa pra terminar a questão. Mas demorei pra resolver, tendo de rapidamente devolvê-la ao professor. 


O sinal bateu e Jungwoo pegou o livro de matemática da mochila rapidamente, pra conferir se havia feito os cálculos certos, e pareceu decair enquanto ouvia os outros alunos falarem respostas totalmente diferentes das nossas. Ele parecia inseguro, colocou a mão no rosto e ficou ali parado, inconsolável. 


- Jungwoo...


- Yukhei... Por agora só... Volta pro seu lugar e cala boca. 


- Tá tudo bem se a gente tirar uma nota ruim. Suas notas são uma das melhores, certo? - Jungwoo me olhou incrédulo, ficando boquiaberto por uns segundos até me rebater.


- Como assim?! Quem te disse isso?


- O... Ten. - Parou por uns segundos, olhando pro nada. De repente pegou seu caderno e escreveu algumas coisas. Tinha cuidado pra que eu não visse. Depois o guardou de novo.


- ... Não sou um dos melhores alunos. Eu só estudo muito. E baseei todas as respostas no que você escreveu, a gente deve ter zerado isso e eu precisava de uma boa nota. - Jungwoo suspirou. - Yukhei, sai daqui.


- Eu só...


- Sai. Daqui. - Disse em pausas. Respirei fundo, estava tão tenso quanto ele. Esperei uns segundos antes de me levantar, mas não surgiu nenhum coração ao seu redor.


A ação ainda não havia acabado.


- Vou entregar amanhã, certo? - Jaehyun disse em voz alta, chamando a atenção - e desespero - de todos.


Voltei a me sentar do lado de Ten, este que se virou pra mim rapidamente.


- Você foi bem? - Perguntou curioso, se aproximando - demais.


- Aparentemente não. Sou burro demais.


- E Jungwoo não te ajudou? Alunos bons são tão desumildes. - O tailandês revirou seus olhos e se levantou quando o sinal que nos liberava pra voltar pra casa soou. Fiquei o observando sem entender aquela frase tão sem sentido e então notei.




Notei a maldita guerra interna que teria que presenciar dentro do jogo. 



 


 





 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...