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História True Love (Vondy) - Capítulo 28


Escrita por: ELITERBD

Notas do Autor


• Voltei com um capítulo dividido em 2 partes, meus amores!! 😍♥️

• Não sei qual é o meu problema, mas eu gosto de fazer capítulos grandes. 😬👉👈

• É muito importante que vocês prestem atenção nesse cap. porque é essencial para vocês não ficarem perdidos no final da história. 😉

• Ah, e eu chorei escrevendo o final desse cap.!! 😭😭

Capítulo 28 - Capítulo 27 (Parte 1 e 2)


Parte 1

EM VONDOR

Christopher leva a mão até o rosto da esposa e acaricia usando as dobras dos dedos. Sorri involuntário enquanto admira a beleza da mulher que está ao seu lado com um olhar hipnotizado. Seu semblante é nitidamente apaixonado. 


Ucker ─ Meu amor! 


Dulce mantém sua expressão séria observando o marido com os olhos entreabertos. Em seguida, se vira para o lado oposto ficando de costas para o príncipe. Ele não entende a reação dela. 


Ucker ─ Dulce. O que você tem? (Pergunta confuso e intrigado) 


Dulce ─ Não estou com vontade de falar, Uckermann. E muito menos de te ver. Se puder sair e me deixar sozinha, fará um favor a nós dois. (Diz impaciente) 


U ─ Eu não vou embora! (Rebate) ─ Não sem antes saber por que você está assim. 


D ─ Saia! (Pede entredentes) ─ Me deixe em paz! 


U ─ O que está acontecendo? Será que pode ao menos olhar para mim? (Encosta no ombro dela) 


D ─ Se você não quer sair, então saio eu! 


Ela se põe de pé e caminha em direção à porta, mas Christopher passa por cima da cama rapidamente e a alcança segurando pelo braço.


U ─ O que eu te fiz? 


D ─ Você sabe muito bem o que fez! E não ouse me tocar! (Ela puxa o braço para que Christopher a solte) ─ Nunca mais chegue perto de mim! (Adverte e seu olhar se torna sombrio)


U ─ Por todos os santos! Diga-me o que houve, Dulce María! Hoje mais cedo você estava bem. Por que agora está agindo dessa maneira comigo? 


D ─ Por que te importa a forma como estou lhe tratando? Faz diferença pra você? 


U ─ É claro que faz! (Diz em tom indignado) ─ Não quero que fique aborrecida comigo sem motivo algum. 


D ─ Sem motivo? (Ela ri debochada) ─ O seu cinismo e insolência me enfurecem! Como você consegue fingir? (O encara nos olhos) 


U ─ Fingir? (Franze a testa) 


D ─ Eu só quero esclarecer uma coisa: apesar de você dizer por aí que me domou, fique sabendo que não sou um animal! (Levanta o dedo indicador) 


Christopher arregala os olhos e imediatamente compreende que Dulce se referiu à conversa que teve no dia anterior com o irmão, o cunhado e os outros nobres. Como a princesa soube o que eles conversaram lá? Quem contou a ela? 


D ─ Nem tente negar porque essa sua cara de vela derretida diz o contrário. 


U ─ Dulce eu…


D ─ O fato de eu não concordar com algumas coisas e expor minha opinião, não faz de mim uma selvagem. 


Ele escuta em silêncio. Ia interromper, mas preferiu deixá-la prosseguir para tentar entender o que se passa com a esposa. 


D ─ E se você diz que me domou só porque antes eu lhe rejeitava e agora não mais, só posso perceber que realmente há um homem asqueroso por trás desse seu disfarce de bom samaritano. 


U ─ Eu posso explicar, Dulce. Não me julgue! (Implora desesperado. Tenta tocar o rosto dela, mas ela se esquiva jogando a cabeça para trás) 


D ─ Cale-se! (Esbraveja) ─ Eu confiei em você, Christopher. Te entreguei não somente o meu corpo, mas também o meu coração. Se pra você isso é domar, infelizmente eu aprendi que é amar. (Seus olhos ficam marejados e se esforça para não derramar as lágrimas) ─ E o meu amor não vale nada pra você. Tanto que o renegou. E além de tudo está me traindo! 


U ─ Traindo? (Indaga confuso) ─ Do que está falando? Quem está fazendo a sua cabeça contra mim? Me diga! Quero ver se o miserável tem coragem de dizer na minha cara… (É interrompido) 


D ─ Chega, Christopher! Chega, por favor! (Exclama em tom irritado) ─ Eu não quero mais te ouvir, eu não quero mais olhar pra você e nem quero mais amar você. (Nega com a cabeça) 


Ela avança em direção à porta, mas Christopher se põe na frente dela e encosta as costas ali para impedir a passagem da princesa. 


U ─ Tudo isso tem uma explicação! Eu juro por Deus que tem! Me escuta! Por favor! (Junta as palmas das mãos) 


D ─ A explicação é que você mentiu pra mim. Todas aquelas coisas bonitas que me disse na viagem eram falsas! 


U ─ Não menti. (Nega com a cabeça)


D ─ Só o que queria era me conquistar e me ver rendida a você. Pois conseguiu! Me ganhou como se eu fosse um prêmio que os guerreiros ganham nos jogos de arena.  


U ─ Não pense isso! Eu realmente amo você, meu bem! (Ele tenta se aproximar, mas ela se afasta) 


D ─ Não me ama não. Deixou isso bem claro para o seu irmão e para os outros que estavam em sua companhia. Sou apenas mais uma mulher que caiu na armadilha de um galanteador. Agora saia da minha frente! 


U ─ Não vai sair daqui até me escutar! Eu te amo! Preciso que me entenda! Sei que fui covarde em não assumir o que sinto para os outros, mas há outra questão também. 


D ─ Mesmo? (Pergunta calma) 


U ─ Sim. Lamento por isso. Eu... Confesso que sinto um pouco de vergonha em assumir que sou um homem apaixonado. Mas precisei dizer o contrário. 


D ─ Por quê? 


U ─ É uma questão que vocês mulheres não entenderiam. Os reis e príncipes costumam ter concubinas pra… 


D ─ Arrrghh! Seu desgraçado! (Grita enquanto avança em Christopher e começa a socar os ombros dele e o tórax)  


U ─ Dulce, se acalme e me escute! (Segura os pulsos dela e ela se contorce tentando escapar) ─ Assim não dá pra conversar! 


D ─ Me solte! Me solte! (Grita) 


Dulce usa toda a sua força para escapar e consegue. Caminha em direção à porta novamente, mas Christopher a segura pela cintura, a ergue e ela esperneia. 


A princesa faz tanta força para se desvencilhar do marido que os dois perdem o equilíbrio e caem no chão. Os dois rolam ali. O príncipe fica por cima dela e prende os braços da esposa acima da cabeça dela. 


D ─ Saia de cima de mim, Uckermann! Saia! 


U ─ Vamos resolver isso tranquilamente e depois poderemos terminar essa conversa nos amando ali em nosso leito. Tudo bem? Fique calma e me ouça! 


Eles se olham fixamente, Dulce demonstra que está abaixando a guarda e Christopher solta seus pulsos. A princesa se aproxima e lhe dá um beijo inesperado. Envolve o pescoço do marido com um dos braços e aprofunda o beijo impulsionando a nuca. 


O príncipe desliza a mão pelo corpo da esposa passando pelo braço, ombro, seio, barriga e termina na sua cintura delicada dando apertadas ali. Ele não aguenta tanta proximidade e o calor se apodera de seu interior. 


Em seguida, roça seu corpo no de Dulce remexendo o quadril até sentir seu pau endurecendo dentro das calças. O sangue quente percorre seus corpos se concentrando especificamente em suas partes íntimas. 


O espaço na calça de Christopher para abrigar seu pau diminuiu. Ele fica mais apertado ali dentro à medida que vai endurecendo por conta da excitação. E mesmo Dulce não querendo, também sente sua intimidade úmida pulsando e desejando o marido. 


Como se ele tivesse lido seus pensamentos, desliza sua mão por baixo do vestido da princesa e toca o sexo dela. A mesma ofega e suspira tentando controlar um gemido. 


U ─ Ohh! (Geme dentro da boca dela) ─ Eu te amo, Dulce! (Sussurra ofegante entre os lábios da esposa e lhe dá um selinho)


Ela desperta do transe sexual e cai em si. 


D ─ Ama? (Pergunta sarcástica) 


Antes que Christopher pudesse respondê-la, a princesa lhe dá uma forte joelhada bem no meio das pernas. Ela aproveita que o marido coloca uma das mãos em cima do membro ao mesmo tempo em que geme de dor e o joga para o lado se pondo de pé em seguida. 


D ─ Se as mulheres são facilmente enganadas, vocês homens também são. Principalmente quando acham que estão no controle da situação. (bre a porta para sair)


U ─ Dulce, volte aqui! Ainda não acabamos! 


D ─ Se você vier atrás de mim, vai se arrepender, Uckermann! E sabe muito bem do que sou capaz de fazer com uma espada! 


Depois de sair do quarto, ela bate a porta com força e passa a chave por fora. Vai caminhando pelos corredores apressada até chegar à ala dos servos. Sabe qual é o quarto de Anahí e se tranca lá para evitar Christopher até pensar em um jeito de sair do castelo sem ser vista. 


A princesa pretende passar pelo menos esta noite ali com a amiga porque não tem mais para onde ir. Sente-se perdida porque o único homem que amou lhe traiu e ainda queria lhe dar explicações machistas. 


│»»»»│


Pouco mais de uma hora depois, Dulce escuta algumas batidas na porta e seu coração acelera pensando que pode ser o príncipe que veio atrás dela. Levanta-se da cama, caminha até a porta e aproxima o ouvido da madeira. 


XX ─ Annie! Sou eu Alfonso! Você está aí? (Escuta a voz do irmão do lado de fora e destranca a porta abrindo-a em seguida) 


Dulce ─ Entra! (Dá espaço para ele entrar) 


Alfonso ─ Olá, irmãzinha traidora! (Debocha) 


D ─ O que quer?


A ─ A dona desse quarto. Por acaso está aqui pra me impedir de ver Anahí? 


D ─ Não vim por isso. Não se preocupe! (Sorri forçado)


A ─ Já anoiteceu e combinamos de nos encontrar aqui. (Observa ao redor do quarto bem mais simples que os dos nobres) ─ Onde ela está? 


D ─ Não sei. (Dá de ombros)


A ─ Então o que você faz sozinha nos aposentos da minha amada? (Indaga intrigado)


D ─ Pretendo passar a noite aqui. 


A ─ O que? Por quê? Seu quarto foi incendiado com o fogo que você e seu maridinho têm? (Sorri sarcástico)


D ─ Olhe só quem fala! Nem vou responder aos seus insultos estúpidos. 


A ─ Falando sério agora. Aconteceu alguma coisa?


D ─ Não quero falar sobre isso. (Diz cabisbaixa e senta na cama) 


A ─ Eu queria mesmo conversar com você. Mas imaginei que quisesse me matar, então preferi dar um tempo para que se acalmasse. Você não parece bem, Dulce. Seus olhos estão meio... Inchados e pequenos. Esteve chorando? (Pergunta analisando seu rosto)


D ─ Como se você se importasse! (Revira os olhos)


A ─ Eu te conheço e nunca a vi assim com semblante abatido. Se você disse que vai passar a noite aqui, é porque as coisas não vão bem com Christopher. Não é? (Senta ao lado dela)


D ─ Tivemos uma briga. 


A ─ Por qual motivo?


D ─ Apenas saiba que ele me fez mal. O resto é irrelevante.


A ─ Eu sabia que ele era um abutre! E agora? O que vai fazer? 


D ─ Preciso ficar um tempo longe dele e pensar nas coisas.


A ─ Pensar no que? Agora que ele te aborreceu, não acha que é o melhor momento para revidar? (Sugere tentando persuadir) 


D ─ Você mais do que eu sabe como é estar apaixonado, Alfonso! (Diz impaciente) ─ Teria coragem de machucar a Annie? Teria?


A ─ Ela não! Mas se o pai dela tivesse matado a minha mãe, certamente pagaria na mesma moeda! 


D ─ Viu?! Acabou de concordar comigo que não machucaria Anahí para atingir o pai dela! Não foi Maitê, Christopher ou Luis o responsável pela morte da mamãe. Foi Victor. É injusto que os filhos dele paguem por algo que ele fez. 


A ─ Se não tivesse se apaixonado por aquele miserável, as coisas seriam diferentes. Você não teria compaixão da família Uckermann. 


D ─ Talvez tivesse sim. Não sei se eu teria coragem de matar os três. Sou cruel, mas também sou justa com os inocentes. 


A ─ Você também queria vingança, irmãzinha. Mas parece que desistiu de vingar o sangue da nossa mãe. Não está certo trair a sua própria família e se bandear para o lado do inimigo. 


D ─ A coisa certa a se fazer era atingir o verdadeiro culpado! E… Acho que fiz. (Confessa em tom baixo e desvia o olhar)


A ─ Você envenenou o rei? (Pergunta incrédulo e se põe de pé)


D ─ Sim. No dia de ontem, aproveitei que todos estavam distraídos com a chegada da princesa Ada e entrei nos aposentos dele. 


A ─ Diabos! (Esfrega a mão no rosto)


D ─ Havia três garrafas de vinho dentro de um armário pequeno: duas cheias e uma com mais da metade vazia. Despejei veneno em todas. 


A ─ Ninguém te viu? 


D ─ Por sorte não. Fui bem rápida. 


A ─ E como conseguiu o veneno?


D ─ Lá em Draksnaba o papai me deu um saquinho com um pozinho vermelho dentro. Ele disse que a pessoa morre de forma bem lenta e adoece antes. Nem vai parecer que foi envenenamento, porque a maioria deles costuma matar quase instantaneamente. 


A ─ Eu não acredito que você colocou tudo a perder, Dulce! (Nega com a cabeça em decepção) ─ E se a rainha Alexandra beber também? Morrerá junto e será bem suspeito os dois ficarem doentes ao mesmo tempo. 


D ─ O plano inicial era fazer isso com todos até não restar um Uckermann vivo pra contar história! E ela não bebe vinho porque disse que não gosta. 


Faz uma breve pausa antes de prosseguir. 


D ─ Mas confesso que depois que fiz o serviço, me arrependi. (Diz entristecida)


A ─ Ah, Dulce! Por favor! Não me diga que está com pena do assassino da nossa mãe. (Fica irritado)


D ─ Não! Dele não! Fiquei com pena de Christopher. Não queria que ele sofresse o que sofri. 


A ─ Agora não adianta se arrepender! Já está feito! E se prepare para as consequências disso! Papai não vai gostar nada. 


D ─ Hoje eu voltei aos aposentos de Victor. 


A ─ Pra que? 


D ─ Para desfazer o que fiz. (Confessa) 


A ─ Como é? (Arregala os olhos e fica surpreso) 


D ─ Joguei o vinho envenenado das garrafas pela janela e caíram na grama do jardim. Mas… 


A ─ Mas? 


D ─ Apenas duas delas estavam lá. 


A ─ Oh! 


D ─ E talvez Victor tenha bebido tudo de uma vez o restante da outra. Não sei se aquela quantidade de veneno foi o suficiente para matá-lo. Vamos ter que esperar. 


A ─ Quem sabe damos sorte de ele não morrer? E o que você fez com os vidros vazios? 


D ─ Escondi em cima de um armário bem grande. Só vão encontrar quando alguém for limpar ou pegar algo de lá. 


A ─ Você é muito imprudente! 


D ─ A sorte está lançada. Se Victor merecer morrer, ele vai. 


Alfonso percebe o semblante arrependido da irmã. 


A ─ Não adianta voltar atrás, Dulce. Se o rei bebeu aquele vinho, há grandes chances de estar prestes a conhecer o diabo no inferno. 


D ─ Acho que dois tipos de arrependimento estão me consumindo: o de envenenar Victor e ficar com pena de Christopher, e o arrependimento de sentir compaixão do homem que me machucou. 


A ─ O que ele te fez, hein?


D ─ Me traiu com outra. Vocês homens se acham superiores e donos das esposas. Também acham que têm direito de ter mais de uma mulher. 


A ─ Você não recebeu nada além do que merecia! Traiu sua própria família, o mínimo seria ser traída também.  


PARTE 2


Dulce sente sua mandíbula tremer e os olhos lacrimejarem. Tenta segurar o choro, mas não consegue. A dor no coração é muito grande. 


As lágrimas escorrem por seus olhos e a princesa as enxuga rapidamente. A única pessoa que a viu chorando é Anahí e agora seu irmão também está presenciando. 


D ─ Será que posso ficar na sua casa? (Pede calma e com voz falha) ─ Christopher vai acabar me encontrando aqui. 


A ─ Por quanto tempo pretende ficar lá?


D ─ Só esta noite. 


A ─ Tudo bem. (Ele fica observando Dulce com semblante curioso)


D ─ O que foi?


A ─ Sou eu que pergunto: o que foi que aconteceu com você, Dulce? Nem de longe é a mesma mulher de antes do seu casamento. Realmente se apaixonou pelo Uckermann e vivi para ver isso! O amor que sente por ele é tão grande que até te cegou. 


D ─ Já acabou?


A ─ Criticou tanto a Ariana por ter se apaixonado e caído nos galanteios de um homem. Se bem me lembro, você dizia que algo assim jamais ia acontecer com você. Mas pelo menos não se matou como ela fez. Até agora! (Joga mais terra em cima da “morta”) 


Alfonso tira um colar do pescoço com uma chave pendurada nele.  


A ─ É da minha casa temporária. (Coloca em cima do criado mudo ao lado da cama) ─ Pode ir quando quiser e fique o tempo que precisar. Vou procurar a Annie. 


│»»»»│


Depois de se recompor, Dulce pegou um dos vestidos de Anahí e se trocou rapidamente. Se saísse com o seu, chamaria atenção pela vestimenta luxuosa. 


A princesa vai tentar se passar por serva pra sair do castelo. É difícil entrar, mas sair é fácil. E como está de noite, ninguém vai reconhecê-la. 


Ela saiu pelos fundos na ala da lavandeira e escutou os criados comentando que o príncipe estava lhe procurando. 


Quando finalmente passou pelo enorme portão, caminhou um pouco até chegar à vila dos nobres. Lá negociou a compra de um cavalo com o dono de uma estalagem e também de uma espada com um ferreiro. 


Montou o animal e partiu rumo à vila dos plebeus. Ela sabia que seu marido ia tentar achá-la em cada canto de Vondor, então decidiu procurar por algum lugar seguro e afastado para se abrigar e passar a noite. Está acostumada a pernoitar em lugares que não têm conforto. 


Enquanto cavalgava sem destino determinado por uma estrada de terra, era guiada pela luz da lua e das luzes de tochas e lamparinas nas redondezas dos sítios e da aldeia dos plebeus. 


Estava se afastando de Christopher com o coração partido para poder pensar no que fazer e tentar matar os sentimentos pelo príncipe. O homem que lhe despertou paixão e amor pela primeira vez. 


Seu irmão Alfonso tinha razão. Ela mereceu ser traída. Mas talvez não por ter traído sua família e sim por ter envenenado covardemente o pai de Christopher. Apesar de tudo, Dulce ainda ama o marido. 


Ela agiu com o pensamento de dar um fim à guerra e evitar que pessoas inocentes morressem. Tudo o que fez foi por uma causa maior, mas mesmo assim não se sentia bem. Por quê? 


Um lado seu dizia que fez a coisa certa porque se Victor morrer, a guerra acaba e o restante dos Uckermann vão sobreviver. E o outro lado sente culpa porque Christopher sentirá a mesma dor que ela sente pela perda da mãe. 


Poucos minutos mais tarde, a princesa escuta o som de relinchar de outro cavalo e de cascos se aproximando. Não sabe dizer de onde, mas julga que vem de algum lugar bem próximo. Ela olhou para trás e não viu nada. 


Será que alguém estava lhe seguindo? Algum soldado de Vondor que Christopher mandou para tentar encontrar a esposa? Mas será que ele realmente irá se importar com sua partida? 


Essa dúvida bate no coração de Dulce porque se ele tem outra mulher, talvez nem sinta falta dela. Essa possibilidade só piora o seu sofrimento. 


Quando olha para o lado direito, vê um cavalo surgindo do meio das árvores e entrando na estrada. Os dois cavalgam lado a lado. A pessoa desconhecida que comanda o outro animal está encapuzada. 


Dulce segura a rédea com uma mão e usa a outra para sacar sua espada. Em seguida, estende o braço e aponta a arma na direção do pescoço do desconhecido. Ele se afasta para trás e diminui a velocidade. Dulce também faz o mesmo.


XX ─ Saudações e boas noites! Eu venho em paz! Não se preocupe. Não vou lhe fazer mal. (Diz a voz feminina) 


Dulce ─ Quem é você? (Pergunta em tom de voz alto porque o barulhos dos cascos dos cavalos predominam o ambiente) ─ Revele-se agora ou morrerá! Não confio em quem não mostra a face! 


Imediatamente a mulher puxa a rédea do animal e para de cavalgar. Dulce faz o mesmo estacionando de frente para ela. A estranha abaixa o capuz de sua capa e olha para a princesa. Ergue as mãos em sinal de rendição. 


XX ─ Seu nome é Dulce María, não é? Você é princesa de Draksnaba que se casou com o príncipe Christopher? 


D ─ Não lhe direi quem sou se não me disser quem você é primeiro. 


XX ─ Nos encontramos uma vez há algumas luas em um rio não muito longe daqui. Sou Helga Barnes. A dona do cavalo que a milady ajudou a salvar.  


D ─ Oh! O que deseja? 


Helga ─ Eu estava hospedada naquela estalagem onde você negociou a compra deste seu cavalo e a reconheci. Sou boa para guardar rostos de pessoas. Principalmente das que me prestam ajuda. 


D ─ Devo admitir que sou péssima para me lembrar de rostos e nomes! (Dulce abaixa a espada e a guarda novamente) ─ Desculpe, senhora Barnes. Pensei que fosse alguém querendo me machucar ainda mais do que já estou. Você está me seguindo? (Pergunta intrigada)


H ─ De maneira alguma! Eu moro um pouco mais adiante da aldeia dos plebeus e vim comprar mantimentos e vestimentas. Apenas estou retornando pra casa e pensei que a senhora precisasse de ajuda porque saiu sozinha nessa noite escura.  


D ─ Estou procurando por algum lugar seguro para pernoitar. E não irei lhe responder outras perguntas. Sem querer ser grosseira, isso é um assunto particular. 


H ─ Tudo bem, não se preocupe porque não lhe perguntarei nada. Apenas vou lhe oferecer abrigo. Se realmente estiver procurando por um lugar seguro, ofereço minha casa. Sei que não nos conhecemos bem, mas considere como um pagamento por ter salvado Draco naquele dia. 


D ─ Eu… Eu acho que vou aceitar sim porque não faço ideia de onde ir. (Solta um suspiro aliviado) ─ E talvez eu demore a encontrar um local seguro por aí. 


H ─ Prometo que não lhe farei mal algum enquanto estiver em minha casa. Tem minha palavra. 


D ─ Tudo bem. Eu sinto que a senhora é boa pessoa. 


H ─ Mesmo? 


D ─ Sim. Não sei explicar, mas tenho a sensação de que a conheço de outro lugar. 


H ─ Sabe que também tenho a mesma sensação? Vamos? 


D ─ Vamos! 


H ─ Vou à frente para liderar o caminho e te guiar. 


Dulce assente com a cabeça e segue Helga. Se sente aliviada por ter encontrado um local seguro para passar a noite e na companhia de uma pessoa com quem simpatizou no primeiro momento. Só espera não estar enganada assim como se enganou com Christopher. 


|»»»»|


D ─ A senhora mora aqui sozinha? (Pergunta depois que descem do cavalo) 


O caminho não foi tão longo e a cabana da mulher realmente fica mais afastada da aldeia dos plebeus. Será muito difícil Christopher encontrá-la ali.


H ─ Sim. Essa casa era de uma amiga minha. Ela se mudou para a vila dos plebeus com o marido e deixou que eu ficasse aqui tomando conta. 


Helga acende uma lamparina que estava pendurada em um prego ao lado da porta e abre a casa em seguida. Dulce a segue e entra logo atrás dela. A princesa ajuda a acender as velas e as outras lamparinas da casa de madeira. 


A mulher mostra o ambiente simples para Dulce, lhe passa algumas instruções básicas e a leva até o local onde pode dormir. A cama é de solteiro e baixa. Com certeza também não é tão confortável quanto a do castelo. 


D ─ Agradeço a sua hospitalidade e gentileza, senhora Helga. (Senta na cama) 


H ─ Você vai ficar bem? 


D ─ Sim. Prometo que só passarei esta noite aqui até encontrar uma estalagem em qualquer outro lugar. Obrigada pela ajuda. 


H ─ Não há de quê. Se precisar de algo é só pedir. Pode ficar o tempo que quiser, querida. (Dulce sorri) ─ Você é uma princesa bem diferente. Se me permite observar. 


D ─ Sei que eu não deveria estar aqui e sim no castelo de Vondor. Mas talvez eu volte para o meu reino de origem. (Dá de ombros) ─ E falando nisso, seria inconveniente lhe perguntar onde conseguiu aquele lenço que me emprestou? 


H ─ B-bem, e-eu… (Desvia o olhar e gagueja)


D ─ Notei que tinha o brasão de Draksnaba nele. 


H ─ Ãmm… Vou fazer um chá para nós e depois conversamos sobre isso. Tudo bem? 


D ─ Ãmm… Sim. Como quiser. 


Helga foi até a lareira e acendeu para preparar o chá. Dulce a observava curiosa enquanto pegava um caldeirão em cima de uma mesa e algumas ervas dentro de um recipiente de vidro que se encontrava dentro de um armário pequeno. 


Como ela vivia ali sozinha? Será que buscava lenha sem ajuda de ninguém e se virava como podia? Dulce sentiu pena da mulher solitária. 


H ─ Aqui está! (Entrega uma caneca para ela após terminar o chá) ─ Espero que goste, princesa. E saiba que é uma honra recebê-la aqui em minha humilde casa. (Senta em uma cadeira que coloca ao lado da cama) 


D ─ Muito obrigada! (Sopra o líquido quente saindo até fumaça e tenta dar os primeiros goles bebericando cuidadosamente) 


H ─ Bom, voltando à sua pergunta, eu lhe respondo se caso me contar o que faz fora do castelo em plena noite gélida e sozinha. 


D ─ Eu… Eu não sei se quero falar sobre isso. Dói toda vez que me lembro. (Apoia a caneca em cima da perna) 


B ─ Sabia que desabafar ajuda a aliviar a dor? Assim como chorar. O que aconteceu com você? Talvez eu possa lhe ajudar. 


D ─ Não pode. Ninguém pode. É um problema com meu marido. 


H ─ Diga-me. Prometo que serei discreta e como pode ver, não tenho vizinhos para futricar. (Elas riem) ─ Eu já fui casada e posso lhe dar alguns conselhos. 


D ─ É que… (Sua voz fica embargada e os olhos lacrimejam) ─ Eu nunca quis me apaixonar. Sempre julguei que isso torna as pessoas fracas e vulneráveis. Mas acabei me apaixonando pelo meu marido. Pela maneira gentil e compreensiva com a qual ele estava me tratando. Confiei nele e me entreguei. De corpo e alma. Se eu tiver mesmo uma alma porque por muito tempo eu fiz coisas… ruins. 


H ─ Continue, querida. Prometo que nossa conversa não sairá daqui e também lhe contarei um segredo meu para ficarmos quites. (Segura a mão livre de Dulce) 


D ─ Eu sempre fui uma mulher diferente das outras. Fria e cruel. Mas só com quem merecia. (Explica) ─ E também não confiava em nenhum homem. Christopher me fez confiar nele e acabei me apaixonando. Ele disse que me amava. E descobri que me trai com outra mulher. Disse que os reis e príncipes precisam ter uma concubina para só Deus sabe o motivo. 


H ─ Oh, sinto muito. Ele não lhe explicou o porquê? 


D ─ Eu não quis ouvir. Nós brigamos e saí do quarto enfurecida. (Ela cai no choro e Helga acaricia os cabelos negros de Dulce) ─ Eu o amo muito. E nunca pensei que o amor doesse tanto assim. Sinto como se meu coração estivesse sendo espremido como uvas em um tonel. 


H ─ O amor é como uma rosa: lindo, mas espinhoso. Infelizmente machuca e tem poder de partir nossos corações. Principalmente quando o perdemos para a morte. 


D ─ Você é viúva? (Pergunta ao mesmo tempo que enxuga as lágrimas) 


H ─ Sim. Meu marido se foi há muitos anos. E sinto muita falta dele e dos meus filhos. Eu também era uma pessoa má e ele me ensinou a ser boa. 


D ─ Lamento, Helga. Eu também perdi uma pessoa importante pra mim e sei como é doloroso. 


H ─ Você tem... Mãe? (Especula) 


D ─ Ela morreu. Desapareceu misteriosamente e descobri que já se foi. É uma longa história. Nem meu pai sabia o que tinha acontecido com ela de verdade. Obrigada pelo chá. Estava muito bom. 


Dulce devolve a caneca e Helga observa enquanto a princesa se deita na cama e se acomoda ali debaixo dos cobertores. Seus olhos estão vermelhos e a mulher também deixa escapar lágrimas de seus olhos. 


Toma liberdade de acariciar os cabelos de Dulce. E a olha com pesar. Como se estivesse sentindo dor também. 


D ─ Lembro-me de quando minha mãe sempre me observava antes de dormir. Você fazia isso com seus filhos? 


H ─ Sim. Todas as noites. E lhes contava histórias. 


D ─ Onde eles estão? 


H ─ Longe. E bem perto ao mesmo tempo. Eu costumava recitar poemas para eles também. Quer escutar? Pode te ajudar a se acalmar. 


Dulce afirma com a cabeça e sorri. 


H ─ A rainha fez algumas tortas em um dia de verão 


O pequeno príncipe roubou aquelas tortas e as levou com satisfação  


O rei soube do roubo e foi atrás do ladrão


Quando o encontrou, lhe passou um sermão 


O príncipe pediu perdão


O rei sorriu, pegou sua mão e lhe deu um abraço bem apertado


O pequeno príncipe se sentiu aliviado, mas sabia que agiu errado 


O rei mandou que dividisse as tortas com a pequena princesa em partes iguais


No final ele dividiu e jurou que não roubaria nunca mais.


O coração de Dulce se acelera e os olhos se arregalam. O poema é muito familiar. 


D ─ M-minha mãe recitava isso pra mim e para o meu irmão. Ela dizia que tínhamos que aprender a dividir as coisas com as pessoas e que não devemos ser egoístas. 


Helga sorri e deixa mais lágrimas caírem. 


D ─ E ela disse que foi ela mesma que criou. Como você…? (Fica espantada) 


A mulher afirma com a cabeça e cai no choro. 


Notas Finais


• Finalmente o reencontro tão esperado entre mãe e filha!! 🤧

• Gente, e o Alfonso massacrando a pobre Dulce? 😒😩

• E qual explicação o Christopher ia dar para a Dulce em relação a concubinas? 🤔 A mulher braba não deixou ele falar e foi logo chutando a barraca que tava armada! 😂


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