História Trupe dos lanternas - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Kim Jong-in (Kai), Oh Se-hun (Sehun), Park Chan-yeol (Chanyeol)
Tags Baekyeol, Chanbaek, Geek, Hero!au, Heroi, Lanterna Verde
Visualizações 43
Palavras 4.359
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Herói particular


Fanfic / Fanfiction Trupe dos lanternas - Capítulo 2 - Herói particular

SaturnB


Apesar de praticar os atos de heroísmo, eu não era uma pessoa com a vida saudável. Não, claro que não.

Poderia citar aqui inúmeras frases clichês que as pessoas costumam utilizar para justificar o próprio sedentarismo, como é o caso da famigerada “Só faço levantamento de garfo, bro”. Quem nunca disse isso, que atire a primeira pedra.

Todo mundo já teve quatorze anos um dia. E se você ainda não tem, provavelmente vai passar por essa fase.

Meus pêsames.

Mas voltando ao que realmente interessa, visto que o narrador personagem dessa belíssima ficção costuma se perder pela boca, eu queria apenas introduzir vocês ao assunto Educação física.

Levanta a mão quem já levou uma bolada na cara ou uma rasteira, só pra saber se esse tipo de coisa é exclusivo na minha humilde vida.

Na minha escola, no entanto, o diretor teve a brilhante ideia de reunir todos os professores da matéria e os distribuir em modalidades. Creio que ao ver do carequinha, as pessoas teriam mais facilidade para se habituar com algo que elas mesmas meteram o bedelho, sabe?

Nem preciso dizer que foi uma péssima ideia.

Reescrevendo a frase: uma boa ideia, péssima execução. Como é a maior parte das coisas no Brasil, não me surpreendo.

Eles dispunham de xadrez, futsal, condicionamento físico, vôlei e… rufem os tambores: [imagem de Sehun batucando]

Jiu jitsu.

Foi delicioso o dia das inscrições, porque a parte preguiçosa de mim murmurava para que eu tomasse meu café da manhã com calma, e a parte ansiosa dizia que eu ia me ferrar.

Não vou dizer quem estava certa, porque é previsível demais.

— Só chego depois das oito, Jongin. — eu não sabia, mas aquela havia sido a frase responsável por toda a enxurrada de acontecimentos traumáticos de minha vida.

Catei a mochila no meio das bagunças e fui. Os dedos apertando a alça preta porque, dessa vez, a ficha estava começando a cair.

Começando mesmo, porque eu parei umas cinco vezes no meio do caminho em prol de comprar coisas aleatórias como jujuba e pastel. Combina demais, eu sei.

Um Baekhyun alimentado é um Baekhyun feliz, diria minha mãe.

Mentira, ela nunca disse isso.

Depois de muito procrastinar, meus consagrados, resolvi finalmente entrar no prédio da escola, sentindo a espinha gelar quando não vi nenhum ser vivo nos corredores, nem nos banheiros.

Apressei um pouco mais o passo para os fundos da instituição, onde o ginásio era localizado. Conforme me aproximava, o som de burburinhos preenchia minha audição até se tornarem gritos, risadas e conversas altas.

Diminui a velocidade, e tenho quase certeza que minhas pernas disseram um “eu sou uma piada para você?”

Uma multidão estava enfileirada de tal maneira que dava a volta no ginásio duas vezes e terminava em frente ao refeitório, que era a poucos metros de distância. Meu queixo quis cair e minha consciência me deu tchau, pegando sua trouxinha de roupas e saindo.

Rapidamente procurei um lugar na fila, com o pensamento de que ela ficaria maior.

— Cadê você, Sehun? — a primeira frase que eu disse quando o moreno atendeu o celular. Coloquei a destra na orelha, afim de abafar o máximo de ruídos que conseguia.

Escutei algo se remexer do outro lado da linha e ele gritar um “AQUI, CARA!”

Mas do que diabos aquele maconheiro tava falando?

— Aqui onde, fedorento? 

— Olha para frente — disse.

Meus olhos se moveram para o início da fila, lentamente e quase desacreditados. Dois pares de braços acenaram para mim, e eu vi quando Jongin se pendurou na grade de proteção, mais animado do que quando perdeu a virgindade.

“SE FODEU OTÁRIO!” era frase motivacional de ambos.

Não poderia ficar pior, você deve estar pensando.

Sim, poderia.

Não só poderia como também ficou.

Eu realmente pensei que era o último da fila. Sério, quem conseguiria ser mais cagado que um adolescente com anel de coco no dedo indicador?

O grandão das pernas tortas que salvei no capítulo anterior.

Meu senhor Jesus Cristo, tu me faz passar por cada uma.

De uma distância considerável eu já conseguia muito bem escutar os passos pesados de alguém correndo na minha direção. Fechei até os olhos para receber o baque, mas ele não veio.

Não fez mais do que a obrigação.

Puxei a máscara da bolsa e coloquei no rosto. Era preta, com um desenho de ursinho estampado; mais irreconhecível só se eu usasse a do super choque.

Senti a respiração quente e desregulada bater no meu pescoço. A movimentação denunciava que o maior estava com as mãos no joelho, enquanto se recuperava da correria.

Não vou me virar para trás, vai que ele é um stalker doido e me reconhece.

— Acho que vamos ficar obrigatoriamente no jiu-jitsu. — a voz cansada pronunciou.

Minha nossa, ele é daquelas pessoas que puxa assunto em fila.

Vou resistir, vou resistir, vou res-

— Será que é obrigatório fazer a parte prática?

A voz escapou pela máscara e em poucos segundos eu estava encarando o rosto cansado do outro, prontíssimo para bater um papo enquanto a fila não andava.

Talvez minha maior fraqueza seja conversas de fila.

— Não sei, mas eu quero fazer a prática. — ele franziu o cenho em dúvida, arrumando a mochila que pendia em um só ombro, recheada com meio quilo de bottons do universo geek que eu pouco conhecia.

— Você pratica esportes? 

Sei que minha fala pode ter parecido bem duvidosa, mas é que eu realmente nunca vi um geek praticando esportes e vice versa. Ave Maria, não me julguem, não sou movido a estereótipos.

— Não, é o primeiro que eu vou tentar. — Tá vendo? Eu disse.

— Talvez eu tente também, vou precisar melhorar minhas habilidades físicas. — dei de ombros, fazendo pouco caso.

Heróis narcisistas ponto com.

— Você… é de que ano? — perguntou tímido, esfregando a sola do all star no chão de concreto.

Seria trágico, se não fosse cômico.

Ou ele havia me reconhecido e queria descobrir mais coisas sobre minha identidade super secreta, ou ele queria puxar assunto e não sabia como.

Para qualquer uma das duas hipóteses, vou preferir manter minha boca fechada como um túmulo.

— Sou do terceiro A. Um dos mais novos de lá, na verdade, tenho 17 anos e uma cachorra meio louca. Sabia que essa semana eu escutei ela falando comigo? Às vezes penso que tô enlouquecendo, mas pode ser só sono mesmo, eu costumo ficar meio drogado depois das oito da noite. Tem twitter? Prazer, meu nome é Byun Baekhyun, não me apresentei antes, desculpa.

Metralhadora de histórias constrangedoras.

Vai lá, Baekhyun, diz que é o lanterna verde também, babaca.

Ei!? Por que minha própria narração tá me descendo o pau?

Desisto de tentar guiar essa mente vazia.

— Ow. — foi a primeira manifestação audível do orelhudo. Ele ergueu uma sobrancelha e crispou os lábios, como se duvidasse da minha capacidade mental.

Não vou mentir, eu também duvidaria.

— Meu nome é Park Chanyeol, — estendeu a mão para mim, que a acolhi meio receoso. Vai que ele mijou e não lavou as mãos, né. — sou do terceiro B, acho que por isso não lembro de você.

Eu salvei a sua vida e você não lembra de mim?

Arranquei a máscara da cara e fiquei encarando ele com um bico nos lábios e o pé batendo freneticamente no chão.

Ele piscou algumas vezes, estreitando os olhos, mas não dizendo nada. É, acho que ele não foi muito privilegiado no quesito memória.

A fila andou muito pouco e observei quando meus adoráveis amigos saíram com seus papéis de matrícula na mão. Os fodidos devem ter se inscrito em futsal.

Eu adorava futsal, porque me deixavam sentado no banco durante todas as aulas e campeonatos, bebericando minha água com um canudinho de vidro — sejam sustentáveis, crianças.

Até, claro, alguém quebrar a perna e se machucar seriamente. O que não acontecia com frequência, porque eu sempre batia um tambor na véspera para garantir, nunca se sabe.

— Acho que vamos passar o dia inteiro nessa fila. — Chanyeol disse, colocando a bolsa no chão e sentando em cima. Fiz o mesmo.

— Eu tenho um uno, quer jogar?

— Eu sempre quero.

(...)

Eu adicionei essa quebra de tempo aqui, mas creio que não seja necessário, qualquer coisa tiro ela na hora da betagem. É que o capítulo vai ser ligeiramente grande e cheio de emoções, então pode vir a ser algo chato para vocês terem que ficar pulando tantas cenas de uma vez. Juro que vou melhorar.

Sou um herói, não um escritor de fanfics Yaoi.

Aliás, nós estamos ou não em uma fanfic?

Deixa pra lá, vamos prosseguir com esse absurdo e esperar a DC meter o processinho hihi.

Vocês devem estar se perguntando se eu e Chanyeol engatamos em uma belíssima amizade colorida depois disso. É… não.

E vou contar em detalhes o que quase me fez afogar o grandão em uma piscina de bolinhas infantil. Não tô brincando nem nada, aquela foi minha única vontade.

Quando nós chegamos no início da fila, já passava das quatro da tarde. Havia apenas algumas outras poucas pessoas que chegaram mais atrasadas que nós dois, e uma ou outra que furava a fila na maior cara dura.

Complicado.

Nossas expectativas foram concretizadas no momento em que a porta branca de madeira cedeu ao toque. O único professor  dentro da sala era um baixinho de pele bronzeada, e tatuagens espalhadas pelos braços de músculos densos.

Ele parecia uma versão bodybuilder do Aladdin, se assim posso caracterizar. Algo bonito e assustador.

Fiquei nervoso com a presença intimidante do mais velho, que me encarou com um olhar de “eu sei o que você fez no verão passado”. Será que ele era um lanterna e eu não sabia?

Por que eu sou sempre o último a saber das coisas?

Efetuei a matrícula e capei o gato — no dialeto nordestino, isso quer dizer ir embora — para casa. Chanyeol me deu seu número quando eu disse que não conhecia quase nada de cultura geek, mas eu ainda estava com um pé meio atrás nesse assunto todo. Hum, não sei se posso confiar em alguém com dois metros de altura, cabelo cacheado e óculos redondo estilo nerd de filme americano — acho que acabei de descrever a autora kskssk.

Marcamos algumas vezes de sair, mas eu sempre acabava dormindo demais ou cancelando de última hora.

Escória da humanidade, eu sei, eu sei.

Ele parecia não se importar, então acabei por concluir que nós éramos movidos pelo mesmo espírito animal, o bicho preguiça.

A coisa começa a ficar pesada, porém, um mês depois, quando eu resolvi colocar os pés fora do muro para abastecer meu estoque de açaí recentemente esgotado.

Pouquíssimas coisas tiravam-me do conforto que o cafofo me oferecia, entre elas: filmes que eu queria muito assistir e comida.

[Meme de garotas com 14 anos]

Mas é sério, raramente eu me disponibilizava a colocar o rosto no sol. A não ser que os azuis da galáxia realmente me obrigassem, porque ultimamente estava frio para um senhorzinho caralito e eu odeio frio.

Tá puto filhote de pinguim? 

Não gosto de frio e nunca gostarei, isso é uma marca da minha personalidade, não tô nem aí com os padrões estabelecidos socialmente contra nós, amantes do verão.

Voltando ksksks, desculpa, me perdi.

Lá estava minha pessoa indo em direção à lojinha de sorvete que se localizava a algumas quadras de distância. Minha mania de arrastar os pés era tão, mas tão audível que eu via o olhar reprovador de muitas pessoas que tinham o azar de cruzar a calçada comigo.

Mais respeito com o herói, minha senhora.

Pulando para a parte que realmente interessa. Se tem duas coisas que eu aprendi com a minha vizinhança é que:

1. Você deve se amontoar todas as vezes que tiver um assalto no seu bairro;

“Amontoar longe do assalto?”, vocês devem estar se perguntando. Óbvio que não, meus gafanhotos, amontoar só presta se for EM CIMA do assalto; um costume perigoso e deveras corriqueiro. Não repitam em casa, crianças. To falando de pessoas mentalmente movidas na base do ódio e curiosidade.

2. Todo conto aumenta um ponto;

Caso você chegue a presenciar qualquer ação suspeita, sempre e em todas as hipóteses, aumente um pouquinho e coloque mais detalhes. É sempre mais divertido fazer esse tipo de coisa e, claro, nunca prejudique ninguém com uma conversa. 

São as regras da nossa vizinhança, praticamente, além de não fazer xixi no quintal alheio e roubar calcinha do varal das senhoras. Acreditem, se existe essa regra é porque alguém já cometeu o delito.

Não tenho palavras para descrever minha indignação.

No exato momento, o que acontecia surpreendentemente eram ambas coisas.

Primeiro uma senhora veio correndo na direção e gritando “ESTÃO MATANDO O MENINO DA SORVETERIA!”. Depois eu avistei uma multidão de pessoas em círculo ao redor da entrada da sorveteria.

Me joguei contra o primeiro beco que encontrei, ativando o anel enquanto esperava que o uniforme lanterna verde cobrisse meu corpo inteiro. O único problema é que ele era realmente bem lentinho, então eu achei por bem me encostar na parede de cimento, apoiando uma das pernas flexionada no concreto e a outra servindo de apoio no chão. Cantarolei, verifiquei as horas no relógio de pulso, falei com um gatinho que passava por ali, até que ele finalmente cobriu meu rosto.

Dei um salto ornamental no asfalto, me arrependendo momentaneamente quando a palma das minhas mãos tocaram o chão gelado. Meu momento de brilhar havia chegado.

Dou um biscoito para quem compor uma música de herói em minha homenagem. Sabe como é, tô juntando material para enviar um e-mail para DC, vai que ela me contrata.

Uma gritaria sem igual tomava metade da rua, e eu resolvi voar na direção da sorveteria, porque seria mais rápido. Também chamava mais atenção, mas isso não era a real intenção.

Alguém apontou para cima.

— É um pássaro?

— Um avião?

Juro, eu ia voltar pra deitar o dono da próxima fala na porrada, porque foi demais para os meus sensíveis ouvidos.

— É o Abacate man! 

Gravei bem o rostinho do meliante, só para caso ele entrasse em apuros enquanto dava um rolê na rua.

Cheguei na porta, disputando espaço com aquele monte de corpos suados e grudados. Empurrei uns, pisei no pé de outros, pedi licença para uma senhora muito educada que me cedeu espaço, dando de cara com algo que eu nunca pensei ver na vida.

O moço da loja de sorvetes era, na verdade, Park Chanyeol com um avental rosa bebê e um chapeuzinho muito fofo. Aquele menino ia me matar qualquer dia.

Tinha um cara o rendendo e levando todo o lucro do caixa. Meu pobre baby estava com os olhões molhados e meu âmago pediu vingança só por ver aquela carinha chateada.

— Mãos para o alto, o herói chegou. — avisei.

As pessoas suspiraram entediadas e começaram a sair uma por uma. Qual é, que tipo de plateia é essa que quer ver apenas a desgraça do amiguinho?

Vou pensar em uma frase de efeito melhor, como vou dar choque no seu sistema. É que não funciono sob pressão e essa foi a primeira coisa que me escapou.

Chanyeol estreitou os olhos, e eu notei muito bem quando um lampejo passou por sua visão. Ele havia me reconhecido agora.

— Renda-se, ou terei de usar meu punho da justiça.

E a mãozona verde se materializou toda bonitinha, sem me dar muito trabalho ou fazer passar vergonha.

— Só se for por cima do meu cadáver.

Ora, ora, temos um vilão perverso aqui.

Ele caminhou até as costas do grandão, passando o braço direito pelo pescoço do outro e o mantendo imóvel. Continuei cauteloso, qualquer passo em falso poderia custar a vida do meu crush, opa, amigo, error 404. 

Movi a mão em punho, colocando-a para os atingir o mais forte possível.

Deixa eu explicar para vocês, é que eu não sei fazer algo menor e ela iria atingir o Chanyeol de qualquer forma. Depois eu cuido dos dodóis dele com muito amor e masculinidade. Birl.

Mas aí — jesus, me dá um calafrio de pensar essa cena, porque não poderia ter sido pior —, minha única arma mentalmente idealizada se desmanchou em vários vagalumes de uma vez. Bem próximo do rosto de ambos.

Isso mesmo que vocês acabaram de ler. A porcaria da mão tava indo toda rápida na cara do assaltante e, do nada, se desmanchou todinha.

Depois meu uniforme inteiro começou a desintegrar e, por muito pouco, eu não fiquei pelado na frente dos dois patetas.

Ainda bem que a multidão tinha ido embora, porque senão já ia ter vídeo meu com a bundinha de fora se espalhando no grupo da escola.

Caí de bunda no chão, não entendendo bulhufas do que tava acontecendo.

— A FRAQUEZA DO LANTERNA VERDE É A COR A AMARELA. — foi o que o Park disse antes da sirene soar irritante na porta.

Eu não tava entendendo o que diabos era amarelo ali. 

Volvi minhas orbes novamente para o Park, agora com uma expressão de “que porra tu tá falando, comparsa”. Minha visão se ficou um tanto e notei, o pateta estava usando uma camisa amarelo ovo, que brilhava a quilômetros de distância.

Moral da história: fomos enquadrados na delegacia junto com o senhor vou roubar uma sorveteria. E não poderia ser de uma forma mais humilhante, visto que eu estava coberto com uma toalha de mesa.

Aí eu te pergunto: o que eu fiz pra merecer uma fraqueza merda como essa?

Superman tem a kriptonita e eu não poderia derrotar o banana de pijamas só pelo fato dele ser amarelo.

Vida tirana. 

Não falei com Chanyeol pelo resto do dia.

(...)

Existem poucas coisas na minha vida que eu paguei com a língua — contei umas oito ou dez vezes apenas. Não que eu seja o cara mais antipático do mundo, que desgosta das pessoas sem o mínimo motivo plausível para isso, qualquer conversa do tipo que você escutar não passa de intriga da opção.

Mas voltando ao que realmente a fanfic necessita, neste caso, minha ilustre lista — que tipo de trava língua é este? — de acontecimentos promovidos de maneira infame pelo destino, podemos destacar, inicialmente, minha amizade com Oh Sehun.

Eu e Jongin sempre fomos inseparáveis, isso é a mais pura verdade, porém… no início de um ensino médio bastante conturbado, eu acabei por desenvolver uma inimizade platônica relacionada a Sehun — a terceira parte de nosso elo.

Acontece que o mais alto nunca desmanchava a cara de nada, e eu até me aventurei a contar uma piada para ele, que foi devidamente ignorada.

Um tiro no coração, devo lembrar. Você NUNCA, em hipótese alguma, deve ignorar uma piada feita de bom grado em prol de te arrancar um sorriso.

A terceira guerra mundial estava declarada, e Jongin já estava colocando o uniforme de soldado quando eu bati de frente pela primeira vez com o Bob esponja emo.

Mas aí o negócio foi ficando cada vez mais esquisito, entendem meu raciocínio? O branquelo começou a se aproximar do meu melhor amigo. Por diversas vezes eu cheguei na escola e acabei dando de cara com ambos conversando animadamente sobre músicas eletrônicas. 

O gosto da traição é amargo, meus consagrados.

Puxei a orelha do Kim, falei sobre a ameaça que nós estávamos enfrentando ao dar espaço para aquela cobra peçonhenta entrar em nosso círculo de amizades e ainda o culpei pelos desastres ambientais que estavam acontecendo.

Deus olhou na minha cara, disse um belo e grande “foda-se” e ainda me colocou na maior saia justa.

Vou resumir um tanto para não ficar cansativo. Jongin aceitou fugir da escola para ir a um bar junto com outros dos nossos colegas de turma, e eu, como um pobre cordeiro indefeso, optei por ficar na sala.

O que não esperava era que o professor passaria um trabalho em dupla na ocasião.

Olha só quem era o estranho sem amigos para fazer dupla, não é mesmo? Botei o rabinho entre as pernas e convidei Sehun para fazer a atividade comigo. Bem assim, na cara de pau.

Na outra semana nós já estávamos cabulando aula para assistir o live action de rei leão no cinema.

Não me pergunte como aconteceu, porque até hoje eu tô procurando a explicação.

Desde esse fatídico dia, eu prometi para mim mesmo não ser crítico demais e subestimar as pessoas por paranóias unicamente existentes nessa cachola que a terra há de comer.

Mas aí apareceu o Chanyeol. A água bateu na bunda e eu não sabia nadar, exatamente assim que me senti.

Nosso primeiro contato foi ruim, o segundo então, nem se fala. No terceiro nós quase fomos presos por estar causando algazarra no meio da rua e aí... cá estou eu no quarto do grandão.

De pernas cruzadas e muito bem instalado na cama, com um travesseiro nas costas eu comecei a folhear as revistinhas que o Park colocou em minha frente. Elas tinham um cheiro bom, e as páginas eram tão reluzentes que eu me senti sujo por estar passando os dedos ali, mas infelizmente, eu não tinha saco algum para ler tanta coisa. 

— Eu não vou aprender nada sobre a tropa dos lanternas simplesmente porque tenho preguiça de estudar sobre isso. — comentei, fechando a HQ de capa dura e a depositando na pilha. — Sem falar que eu já faço um treinamento semanal com eles, não é?

Chanyeol pôs a mão no peito, indignado com minhas palavras. 

Ele estava em pé, andando de um lado para o outro no quarto com uma prancheta. A caneta azul que pendia em seus lábios quase me fazia perder a atenção, e a forma em que ele se posicionou de frente a mim me fez suspirar derrotado.

Senhor canelas longas deixou a prancheta de lado, procurando um lugar ao meu lado. Seu semblante transparecia que ele estava prestes a explicar que dois mais dois são quatro.

— Você é um herói e até ontem não sabia a própria fraqueza, isso é inadmissível. — Seus cabelos estavam propositalmente penteados para trás dessa vez, e diferente do costumeiro emaranhado de cachos escuros, agora eles eram loiros. — Eu separei alguns dos poderes desse anel em uma lista, porque acho que você só sabe projetar aquela mão verde gigante, e isso é um problema.

— Vou fingir que não estou te escutando. — virei meu corpo para o lado oposto ao seu, emburrado por ouvir com todas as letras que não estava fazendo meu trabalho de forma correta.

Jongin me chamaria de taurino. Sehun iria utilizar algo mais pejorativo, como o termo infantil.

O Park, porém, suspirou pesado e prosseguiu com a fala, ignorando meu surto — posteriormente eu o agradeceria por isso.

— Percebi que tu não entende muito de cultura geek em geral, então me proponho a te ensinar tudo que precisa saber para não ser um leigo na própria área. — a voz era grave, baixa, e harmonizava em demasia com todo o ambiente. As paredes marfins, o guarda-roupa e estantes em um tom escuro de marrom, além das actions figures próximas a livros e HQs de todos os tipos.

Um burguês de quinta categoria.

— Okay, okay. — estendi os braços para o alto em sinal de rendimento, observando um esboço de sorriso satisfeito ao encará-lo. — Agora me diz aí o que tem nessa lista, fiquei curioso. — apontei com o nariz para as folhas esquecidas, em um acordo mudo de trégua por ambas partes.

— Bom… — ele a posicionou no colo, passando os dedos longos por todos os itens antes de começar a enumerá-los um por um.

“Quanto maior a força de vontade do usuário, mais eficaz é o anel. Os limites superiores das habilidades do anel de poder permanecem indefinidos, e tem sido referida como ‘a arma mais poderosa do universo’ em mais de uma ocasião.”

Disso eu já tinha plena consciência, então não foi surpresa alguma. Gesticulei para que ele prosseguisse.

— Ineficácia total sobre objetos amarelos. — praticamente soletrou sílaba por sílaba.

Eu não sabia que precisava apenas ler um artigo de fã na internet para saber esse tipo de detalhes, me dêem um tempo. Pensei que fosse algo mais bem elaborado e trancado a sete chaves no porão dos azuis.

— Por quê tu tá me encarando assim, Chanyeol? Não tinha como eu ter noção disso, tá? E eu ainda acho que é uma afronta. — dei de ombros, emoldurando um bico nos lábios.

— Algo tão bobo e que mesmo assim te impediu de dar uma surra no ladrão. Imagina se fosse com algum inimigo do mal? Você estaria ferrado, meu caro, deveria beijar meus pés por essa aula de história.

Revirei os olhos. Eu poderia muito bem me virar sozinho, só estava dando uma moralzinha a ele.

— “Constrói de energia verde-sólido, que pode variar de microscópico a enorme no tamanho e / ou complexidade e são limitados pela imaginação do portador do anel”. — ele mordeu o lábio inferior, pensando a respeito. — Seu maior defeito é a concentração quase inexistente, qualquer coisa te distrai e isso é bem prejudicial.

— Não posso concordar com isso.

— Olha a mosca! — e apontou para o teto. Eu juro que não queria ter caído nessa, mas meus instintos primitivos me traíram. Vida cruel. — Não concorda com isso? — perguntou irônico. Não o respondi. — Acha que aulas de meditação seriam uma boa?

— O professor aqui é você, senhor Park. — apoiei meu rosto na palma da mão, debruçando-me para acompanhar a leitura em voz alta.

Campos de força, tampões mentais, localização de objetos invisíveis, viagens no tempo, traduções de qualquer língua, raio x, telepatia, hipnose, emissão de radiação… blá, blá, blá.

Meu corpo pendeu para o lado, completamente inconsciente.

Peguei no sono tão facilmente que só me dei conta ter sido deitado na cama e coberto por lençóis quando acordei, quase seis da noite, sozinho no quarto.

Chanyeol não estava ali, mas eu podia sentir o cheiro inebriante de perfume masculino misturado com o cheiro de livros novos.

O treinamento havia acabado de começar, e minhas costas doíam por antecedência.



Notas Finais


Boa noite, gates, espero que estejam bem e tenham tido um ótimo dia.
A história não acaba aqui, porque eu fiquei muito cadelinha dela e vou escrever, no mínimo, mais uns dois capítulos + extra. Eu mesma betei, então pode ser que vocês tenham visto erros, peço desculpas por isso mas tá foda e todos sabem que é bem mais difícil enxergar erros quando se é o próprio dono akakaka.
Tô morrendo de dor de garganta e com os olhos inflamados — quem perguntou? — então tô adiantando porque não sei se vou estar viva amanhã akak.
Brincadeiras a parte, deixem seus comentários — isso ajuda bastante o andamento da história e autoestima da autora — e bebam bastante água. Até semana que vem.


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