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História Trust me! - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoal!
Primeiramente, obrigada pela paciência e persistência de vocês que continuam a ler, comentar e favoritar a história.

Vocês que são a gasolina para o meu fogo de escrever.

Chegamos a 1k de visualizações. <3

Então, espero que gostem. Boa leitura, pessoal!

Capítulo 11 - Corações autofágicos



autofagia
substantivo feminino

1.ato de o homem ou animal nutrir-se da própria carne.

2.BIOLOGIA
 processo de autodestruição da célula.

 

Segunda-feira 
   

Os maiores sonhos de adolescentes, com certeza, eram viajar com seus amigos ou até mesmo dividir uma mesma casa. Já tive a chance de ir em uma viagem escolar com todos meus colegas de classe, mas nessa época minha mãe chegava a ser muito ríspida a meu favor. Quando obtive a negação, optei por chorar toda a noite e proclamar a frase que acabou por me deixar em cárcere privado durante um mês. " Eu te odeio". A cabeça pode ser tão frágil ao ponto de sermos capazes de formar um batalhão ao nosso favor por causas nada nobres.
   

Somos todos tão jovens, sensíveis e aflitos. Com diversas máscaras com poderes nada eficazes.
 

Pego minha mochila pesada, carregada por futilidades. Na mão, só o necessário: meu celular e minha carteira. Os garotos disseram que iriam me pegar no campus. Com meia hora de atraso não mencionado. Ouço uma buzina distante, olho na direção e vejo uma kombi de hot dog vindo em meu sentido. Não é possível. Quando eles estacionaram, só ouço o grito do Hoseok no banco de carona:

 

— Não é perfeito?!
   

Entro no veículo e me deparo com uma mão esticada em minha direção, com o boné laranja. Franzo o cenho e olho para Jin.

 

— Veio junto com a Kombi.— ele dá um sorriso e eu pego o boné.
   

Tinha um banco vazio logo na frente, ao lado do Jungkook. Veja se não é o destino sendo clichê. Mas o estranho é o lábio cortado e a bochecha meio roxa. Garanto que quando o vi na última vez, no restaurante, não havia nada disso.

 

— Por que você está machucado?— perguntei automaticamente. Ele olha para mim e fecha a cara, virando o rosto para a janela.
   

Volto a me sentar no banco e olho rapidamente para Jungkook. Pego minha mochila pesada e jogo em seu colo. O mesmo me olha assustado.

— Não queria deixá-la no chão. Está sujo.— ele me olha com a cara emburrada e eu sorrio.— Obrigada.
 

J-hope coloca uma música animada e assim passa maior parte do caminho. O veículo parecia apertado a cada momento. Todos já estavam lá. Até mesmo Lena. E a amiga sem graça de Jungkook.
 

Olho ao redor, estão todos quietos no momento. Depois de Hoseok sugar toda a energia do pessoal, não esperava menos. Com piadas sem graças sobre maçaneta e o mês de Abril, já era hora. Suspiro, inclinando minha cabeça. Mando uma mensagem para Minhee, perguntando como ela está. Depois que foi embora da casa dos garotos, não entrou em contato. Deixando a história da festa muito incompleta para o meu gosto.
 

Devo adicionar que o fim de semana foi bem conturbado para os meninos, teve a festa do JB no sábado. Que por acaso me gerou ligações do Namjoon e do Hoseok sem o mínimo de sentido, apenas uma gritaria e o Hope gritando a todo momento: OLHA A PUTARIA!!! Pois bem. Meu limite se esvaio e desliguei meu celular. Tive que me isolar o fim de semana todo para ao menos tirar a folga para essa viagem. Para não encerrar a confusão, no domingo teve ringue. Aí, vem Jungkook hoje machucado, Jimin sumido, tal qual Yoongi. Reviro os olhos. Poderia até ter algo mais...
 

Vejo uma mão em minha frente estendendo um fone de ouvido. Olho para o lado e vejo Jeon me dar um olhar solidário. Pego o mesmo, limpando em sua camisa. Ele me lança um olhar indignado.

 

— Nunca se sabe.— dou de ombros e ponho o fone no ouvido. Escutando rapidamente o som indie de Boy Pablo. Sabia que o garoto possuía mais qualidades.— Boa escolha.

 

— Achei na sua playlist do Spotify.— o olho boquiaberta. Daí me lembro do quanto somos próximos, não estou falando exclusivamente do Jungkook. Criamos uma conta no Spotify tamanho família, assim como a Netflix. Pode parecer coisa simples, mas acredite: Tivemos uma reunião para decidir isso. Foi como um reunião na Casa Branca com a família do Todo mundo odeia o Chris. Assuntos importantes para tardes de solidão.
 

Passamos uma meia hora naquele compartilhamento, até que sinto o monstro rugir na minha barriga. Olho com uma cara de cachorro abandonado para Jeon e o mesmo ri levemente.

— Estou com fome.— apoio minha cabeça no ombro do moreno e choramingo. — Acho que vou morrer. Sinto minha vista escurecer. Não sinto minhas pernas. Jungkook, me ajuda...— faço meu drama diário e o mesmo tira uma vasilha da mochila. Meus olhos brilham quando o mesmo tira o misto do pote.— Hum... Sinto que estou apaixonada.— o garoto me entrega e eu o ataco como a leoa selvagem que sou. — Você é incrível.

— Obrigado.— Jeon me responde.— Poderia ser um pou...

— Não você!— o interrompo.— O sanduíche. Ah... nunca estive tão feliz.

— Seu papel principal foi aceito como personagem de dorama.— ele comenta guardando a vasilha e voltando a sua posição de conforto.
 

 Quando termino de comer, falo: — Não esperava uma prevenção da sua parte.
 

O menino ao menos me responde, apenas estala a língua no céu da boca. Satisfeita, apoio minha cabeça em seu ombro. Sinto uma mão na minha coxa, apertando-a levemente. Fecho meus olhos e deixo a carícia na perna me persuadir.
 

 Sou acordada por tapas na cabeça. Que delicadeza. Quando abro meus olhos, bato de frente com Taehyng me encarando.

— Vamos parar para almoçar.— assinto e olho para a tela do celular. Uma hora e meia havia se passado. Viro meu rosto e vejo o moreno dormindo como um bebê. 

— Jungkook, acorda...— me levanto do assento, sentindo falta do calor de sua mão. Balanço o mesmo pelo ombro, obtendo resposta um tempo depois. Ele abre os olhos devagar e me encara com o cenho franzido.— Vamos comer. — ele balança a cabeça e sai do veículo rapidamente.

— Vamos de rodízio de caminhoneiro.— Taehyung fala animado.

— Mas não tem nada melhor, não?— pergunta a garota sem sal.— A gente não sabe como é que eles fazem essa comida de esquina.— faz uma cara de nojo. Estou começando a achar que essa é a cara natural dela. Então, deixe-me corrigir: faz sua cara do dia-a-dia.

— Que preconceito da sua parte, garota.— fala Lena.
   

Daehyung a olha com sua face diária, então Jeon resolve ir falar com a mesma por um instante. Os outros se olham brevemente e Jin resolve quebrar o desconforto:— Então, por que não entramos logo? Estou com muita fome. E o cheiro está ótimo.— seguimos o mesmo, o local era bem simples e limpo. Satisfeita. Enchi meu prato com tudo necessário, até receber um olhar assustado dos meliantes.

— Uma mulher precisa comer bem.— ergui minha cabeça e fui me alimentar. Me sentei entre o Jeon e o Namjoon. Ao final, estávamos todos alimentados. Assim, voltamos para a estrada.
   

A viagem se passou rápido, a considerar o fato de eu ter hibernado. Chegamos na tão esperada casa de praia. A moradia era bem rústica e simples, mas o suficiente para todos. Dividimos três quartos, entre os meninos, as meninas e o Hoseok. O último acabou sozinho em um cômodo, com a desculpa de ser o dono. Porém, ninguém contestou por sabermos que os grunhidos do mesmo são realmente alarmantes durante uma noite de sono.
 

Após guardarmos nossas bagagens, decidimos ir à praia. Ficava logo depois de uma rua. O dia estava bem ensolarado, nem lembro a última vez que senti o Sol. Sinto que posso me camuflar em páginas. Coloquei um biquíni que havia comprado há um bom tempo. Preto. Simples. Bonito. Vesti um short e uma blusa regata. Também não pretendia tirá-los.

— Vamos logo com isso, Mia.— Namjoon me adianta pela décima vez.— Eu quero mijar! — reviro os olhos e abro a porta, ainda com a cara coberta de protetor. O de cabelo roxo bate a porta na minha cara. Vou andando para a sala, espalhando o creme. Todos já estavam prontos, exceto pelo Jin. Sinto um aroma agradável vindo da cozinha. Jin estava montando um banquete para levar basicamente.

— Você trabalha com o quê mesmo?— pergunto, pegando um *kimbap. Delicioso. Ele olha rapidamente para mim e sorri docilmente.

— Eu sou contador. Trabalho na grande empresa Jeon's.—  faço uma cara de admiração. Jungkook  nunca havia comentado sobre um patrimônio da família. Na verdade, nada em relação ao pai. Não saberia se o mesmo está vivo, se não fosse pela presença de seu irmão mais velho.

— Está no local errado.— ouço uma risada atrás de mim. Quando me viro, vejo Jeon esgueirado no batente da cozinha. Estava usando uma bermuda preta, sem camisa, devo especificar.

— Foi o que sempre considerei.— Jungkook diz vindo até mim e se alonga sob meu ombro para pegar o *kimbap atrás de mim. Pude sentir o cheiro do sabonete se misturando com o seu natural. Foi breve, mas conseguiu mexer com cada poro do meu corpo. Me senti uma pervertida.

                                                                                                                                                    {—Você é.— Jimin}

— Como se eu tivesse opção. — Jin nos responde com um semblante melancólico. O mesmo termina de arrumar o isopor e sai da cozinha.

— Eu acho que não toquei em um assunto bom.— comentei baixo, me sentindo culpada.

— Não se preocupe, a família Jeon não é muito agradável.— fala virando a garrafa de água na boca. Eu me inclino em direção ao seu corpo .

— Então acho melhor eu não me aproximar de você.— sussurro sorrindo.
   

O moreno me olha com a sobrancelha arqueada. Seu tronco se inclina sobre mim. Apesar de eu ser alta comparada as meninas, ainda me sinto pequena diante de Jungkook. Vejo sua mão se aproximar da minha face junto a seu rosto. Penso em recuar, mas a atração magnética dos corpos supera meus pensamentos. Seus dedos deslizam pela minha maçã do rosto, se movimentando em círculos. Quando penso que poderia acabar com nossa distância, o menino se afasta rapidamente.
 

— Estava sujo de protetor solar.— comenta saindo da cozinha, com sua postura ereta, mão no bolso e ainda bagunça o cabelo de leve.
 

E eu achando que meu comentário foi a melhor cartada.

[...]
    

Descanso os olhos por um momento, puxando o líquido gelado do copo. O Sol ainda vai me sugar. Nós pusemos um guarda-sol para todos, mas ficou pequeno demais para 9 pessoas. Apesar de Nam, Tae, Jungkook e a Lena estarem jogando vôlei em frente ao nosso humilde guarda-sol. Eu, pelo menos, consegui ficar com uma espreguiçadeira. Mas isso me custou ficar longe da sombra.
 

Deixo meu caça-palavras de lado quando um corpo se recai sobre minhas pernas. Yumiko me olha sorrindo.

 — O que foi?— pergunto, voltando minha atenção para o jogo.
 

— Vamos para a água.— ela sugere alisando minhas pernas. Franzo cenho.
 

— Você está parecendo uma pervertida.— a mesma começa a rir.
 

— Vamos logo. Eu quero tomar banho.
 

— Eu realmente não estou com a intenção de retirar minhas roupas.— Yumiko está com uma cara de tédio. Olho para frente e vejo abdomens suados.— Além do mais, a visão daqui é singular.— aponto com o queixo para a partida de vôlei.
 

— Agora, você que parece uma pervertida.— dou de ombros. — Já estou começando a ficar irritada. Eu quero ir para água!— reviro os olhos.
 

— Vá! Ninguém está te impedindo.— recebo uma cara de cachorro abandonado. Suspiro e me levanto. Uma conversa de se jogar fora.

 

— Eu vou. Mas rápido. — a mesma se anima e logo retira seu short, ficando apenas de biquíni.
   

Faço uma lista mental do porque não ficar apenas com roupas de banho. E acabo ponderando novamente sobre a espreguiçadeira. Apesar de eu ter meus quadris largos e um bunda considerável, minhas estrias e celulites me incomodam. Sabe, o pior é a minha hipocrisia de achar lindo o orgulho das meninas bem resolvidas e ser covarde.
 

Yumiko caminhou na minha frente. Ela parece estar lidando bem com suas batalhas pessoais. Ainda me preocupo muito depois do surto de sua mãe, parece que as duas anularam as relações totalmente. Pelo menos ela mantém o pagamento da faculdade.
  

Solto o ar do meus pulmões e retiro a roupa hesitante. Vou caminhando até o mar lentamente. Cruzo os braços sobre meus seios e olho rapidamente para Jungkook. Trocamos um olhar rápido e ele me dá um sorriso de canto.
 

— Mas que bunda linda, Mia!— ouço Lena gritando do outro lado. Sinto meu rosto esquentar, sei que todos puderam escutar. Passo meus olhos por eles e vejo que os garotos parecem mais incomodados com o comentário do que eu. Yumi vem à minha salvação.
 

— Vamos correr!— ela grita puxando meu ante-braço. Me assusto e acabo cambaleando pelo caminho. Quando chegamos no mar, começamos a rir.— Você está bem?
 

Estranho a pegunta. Dou um mergulho na água salgada.
 

— Por que a pergunta?— ela dá de ombros.
  

— Só quero saber. Sabe, poderíamos sair mais vezes.— sugere olhando para o além. 
  

— Não sou eu que ando distante.— a japonesa ri baixo.
  

—  Sai dessa. Eu te dou atenção até demais.— observo as pessoas na areia, a movimentação é pouca.  Poucos bares.— Está bem. Não era esse assunto que eu queria iniciar.— ela me manda um sorriso malicioso. 
 

Franzo o cenho:— O quê...?
    

— Assim... Você não tá...— pigarreia.— Sei lá. De alguma forma sentindo algo por ele?— ela olha em direção aos meninos, mas sei de quem ela se refere.  
  

— Não sei porquê ainda questiona.— reviro os olhos e coloco uma mecha do cabelo atrás da orelha.— Eu não sei explicar. Ainda. Acho que é muito cedo.— começo a mexer na água incomodada.
  

— Sabe, quando eu conheci a Lena foi tudo tão diferente.— seus olhos iluminaram a falar.— O jeito arrogante dela me encantou de primeira. Foi como um estalo de alegria. Entende?
  

— Não.— ela rapidamente fecha a cara.— Mas compreendo. 
  

— Você é um caso perdido.— ela arqueja e me olha com arrogância.— Como já dizia meu grande Mushu: Desonra para tu, desonra para tua família, desonra para o teu boy e desonra para tua vaca.— eu começo a rir.— A vaca sou eu.— ela sussurra as últimas partes me fazendo rir mais ainda. 
 

Jogo água em sua direção e a mesma recebe na cara. Rio da cena. Começamos a revidar por um bom tempo. Até que eu comecei a ensiná-la a boiar, sua cabeça estava apoiada em minha mão e seu corpo emergia no mar. Yumi estava serena. 
  

— Como estão as coisas com sua mãe?— pergunto, fazendo a menina suspirar. 
  

— E-ela. Ela anda me ignorando, mas eu ainda tenho meu pai. No mínimo.— começo a espalhar gotículas de água sobre sua barriga.— Eu conversei com ele semana passada... No início, parecia incomodado. Sabe, eu até entendo, porque tem muito a questão religiosa e a criação também. Mas o fato da minha mãe me largar, me machuca demais.— vejo uma lágrima descer de seus olhos fechados. Sinto meu coração apertar.— Porra. Eu sou sua filha.— a mesma abre os olhos e encara o céu azul.— Meu pai veio se desculpar, por ela. Ele disse que me daria apoio com tudo. — ela arfou, olhando para mim. 
   

Sorri, como se pudesse dizer que também estava lá para ela. 
  

— Sabe, eu nunca esperei essa reação dele.— percebi a repetição da palavra, estava bem nervosa.— Não dele. Eu era bem mais apegada a minha mãe.— deu um sorriso vago.— Mas de certa forma foi bem reconfortante. 
 

Ela silenciou a conversa. A dor em seu coração é profunda. Yumiko quer se mostrar forte. 
  

— Vamos tomar sorvete!— exclamo eufórica. 
   

Afogo ela rapidamente. A mesma se assusta e se volta com raiva para mim. Eu rio da sua cara. Porém, me irrito quando sou afogada também. Entremos em uma guerra pela segunda vez. Saio correndo do mar e a mesma vem atrás de mim. 
  

— Eu quero sorvete!!!— puxo Yumiko com um sorriso compartilhado. Fomos correndo até o bar, onde Jungkook estava com Nam. Me aproximo deles, indo direto para o caixa, fazendo meu pedido. 
  

— Estou sem fôlego.— reclama a garota. Solto uma risada. 

Olho para Jungkook e vejo que o mesmo acaba de guardar a carteira no bolso. Eu não tinha trazido o dinheiro. O alcancei com um sorriso. 
  

— Oi.— ele abriu um sorriso também. — Preciso de uma coisa.— coloco minha mão no seu bolso e pego a carteira. Porém, Jeon segura meu pulso.
  

— O que você acha que está fazendo?— ele me encara sério. Continuo sorrindo. 
  

Achei que daria certo. 
  

— Vou precisar pagar o que pedi.— ele começa a rir.— Vamos logo. 
  

— E você acha que roubando meu dinheiro é a forma correta?— dou de ombros. 
 

O atendente aparece com nossos sorvetes. O moreno me solta e retira a carteira da minha mão. Pego o pedido e entrego para Yumi o dela. A mesma se afasta com Namjoon. Jungkook paga minha comida. Começo a andar satisfeita, me deliciando com o sorvete. Até que só sobra a casquinha. Olho irritada para a pessoa na minha frente. 
  

— Você não fez isso.— murmuro, entrego a casquinha para o mesmo, me aproximando do seu rosto. Ele sorri. Me inclino e puxo a carteira dele com êxito. 
   

Corro para o bar, pedindo outros dois. Volto para o local onde Jungkook continua comendo o resto da minha casquinha. Eu levanto o sorvete em direção ao seu nariz, o melando. Só vejo sua boca aberta e depois um sorriso malicioso. Só sinto seu nariz na minha bochecha no instante seguinte. O garoto ainda teve a cara de pau de lamber meu pescoço. Me deixando arrepiada. 
     

Eu nem percebi quando um dos sorvetes viraram, pois mãos pesadas rodearam minha cintura, colando o corpo com o meu. Semicerrei os olhos, o moreno iria aproximar sua boca da minha, mas o impeço, pondo o sorvete em nosso meio. Jungkook começa a passar a língua no alimento gelado, me deixando mais provocada. Só que lembro o que me deixou mais irritada e observo seu lábio cortado e o hematoma na bochecha. Fecho a cara. 
  

— O que foi?— ele pergunta com cenho franzido, percebo que afrouxou o aperto na cintura. Eu o encaro, vendo um lampejo de preocupação em suas íris escuras. 
  

— Você ainda não me contou o que aconteceu com você. — sussurro, olhando para seu peitoral em minha frente. Ele arqueja. 
 

— Não é nada com o que deva se preocupar.— murmura irritado. Reviro os olhos, me desvencilho de seus braços.  Jogo a casquinha vazia e caminho em direção ao pessoal. Não quero permanecer com alguém que esconda coisas de mim. 

[...]
   

O sol estava quase se pondo. Há tempo começou a esfriar e decidimos ir para a casa. As pessoas começaram a ir embora também. A cidade é bem calma, com casas simples, com gramados, cercadas por muros bem baixos. Nós ainda fizemos brincadeiras na areia, porém foi por água abaixo quando Tae começou a nos derrubar na areia. Isso resultou em uma guerra com risadas e areia enfiada na minha bunda. Não sei como. 
  

Sinto minha pele arrepiar com o frio, apesar de estar com a roupa, o clima é muito mais frio que isso. Braços rodeiam meus ombros, olho para cima e vejo Nam sorrindo para mim. Sorrio, me aconchegando em sua cintura. Tae e Hoseok estão tagarelando sobre suas bizarras histórias de vida. Começamos a gargalhar vez ou outra quando descobrimos a capacidade da vida de um cara na faculdade pode ser tão animada. 
 

Os postes iluminam a rua parcamente. Yumi e Lena andam abraçadas rindo do tempo. Até pareço ver quando Lena acaricia a nádega da outra. Rio sozinha, envergonhada. Isso me instiga a olhar para Jeon, que está tendo uma conversa animada com a amiguinha dele. Reviro os olhos. 
   

Chegamos a casa e logo fui me jogando no sofá, já que não cheguei a tempo de pegar meu lugar no banheiro. Cruzo minhas pernas e começo a passar os canais na Tv. Tae, Yumi e Lena também ponderam comigo. Ouço Jin resmungar na cozinha e aparecer zangado. 
  

— Precisamos comprar comida.
  

— Achei que tinha coisa no armário.— falo com o cenho franzido.
  

— Não, eu fiz o *kimbap com o que trouxe.— ele afirma pondo a mão na cintura.— Muito irresponsabilidade não terem armazenado nenhuma comida. — fala como um pai.— Mia, tem como chamar o Jungkook?— franzo o cenho. 
   

Por que eu? Olho para o lado e encontro a resposta, todos estão dormindo. Ou fingindo. Quando levanto, vejo uma risada vinda de Taehyung, dou um chute no seu pé ao passar, ele apenas se contorce. Filhos da mãe. Jin volta para a cozinha e eu sigo para o corredor, parando na porta dos meninos. Suspiro. Abro a porta e encontro Jungkook ao lado de Daehyung, rindo de alguma coisa. Reviro os olhos. 
  

— Jeon, seu irmão está te chamando.— ele muda a expressão quando olha para mim, assentindo em seguida. 
   

Saio antes e volto para o meu sofá, os anjinhos decidiram acordar. Eles me olham com um risinho baixo. Mostro minha cara de tédio e me deito no tapete grosso. Começamos a conversar até que escutamos um grito vindo do corredor. Corremos para ver o que era e podemos ver Hoseok saindo do banheiro desesperado. 
 

O primeiro ponto engraçado era: Ele estava com uma máscara facial branca. Usava um robe e o cabelo estava preso para trás com uma tiara de lacinho rosa. 
  

— Essa é a minha tiara que estava sumida?— pergunto para o mesmo, mas sou ignorada. 
 

Segundo ponto:
  

— O que aconteceu?— Jungkook pergunta, no batente da porta. Hoseok nos olha apavorado e aponta para a porta do toalete. Quando Jeon se aproxima, grita para nós:— É só uma aranha!
  

— Não é só uma aranha!!! Olha essa criatura, ela pode nos matar!— fala assustado.  
  

— Deixa de frescura, Hoseok.— Tae fala zombando. — E esse visual? Tá se preparando para a noite no bordel?— rimos  com o comentário. 
  

— Meu pau!— Hope fala segurando em suas genitálias. 
 

Acabou a argumentação
 

Jeon se vira no banheiro, trazendo a aranha em uma pá. Quando a "vítima" vê o animal dá outro grito, se jogando contra parede. Franzo o cenho e dou uma risada. 
 

Depois de Jungkook se livrar da aranha — colocando-a para fora de casa, nada de maltrato aos animais— estávamos na cozinha decidindo o que precisávamos comprar. Nós: vulgo eu, Jin e Nam. Os outros sabem a hora de fugir. Me remexo incomodada na cadeira, lembrando que meu corpo ainda está cheio de areia. 
   
   

Jin acaba por mandar Jungkook ir comprar todo o material. Quando o mesmo está prestes a sair da cozinha, o seu irmão vira para mim e me pede para acompanhá-lo. Nego na hora, não tinha porque eu ir. Até que de tanta insistência, cá estou eu no banco de carona, mais afastada o possível do garoto. Percebo seus olhares em certos momentos. Mas tento o ignorar ao máximo. 
  
   

O moreno pigarreia e pergunta:— Você vai continuar me ignorando?— não o respondo, inclinando minha cabeça contra a janela. A cidade está um breu.— O que aconteceu no fim de semana...— olho em sua direção.— Foi uma briga boba. 
  
   

— Mas nem por isso eu deixo de me preocupar,— murmuro cabisbaixa.— Não é legal saber que fica entrando em brigas, me faz questionar que tipo de pessoa você é.— percebo que o mesmo se irritou com o que falei, quando apertou o volante.

 

— Mia.— ele resmunga.— A sua convivência comigo é o bastante para que saiba minha índole.
   
 

 Ele pode até estar certo, mas sua confiança é duvidosa. 
  
   

— Eu não sou estúpida. Sem contar que nós não nos conhecemos a tempo suficiente.— afirmo, sabendo que poderia estar errada. Olho rapidamente para o mesmo e vejo um resquício de mágoa em seu olhar.  
  
 

— Não achei você fosse duvidar de mim.— aquilo doeu em mim, porém eu sei quem começou a disputa.— Realmente estava enganado quando pensei que tínhamos uma relação. 
  
   

— Jeon, não é...— o moreno me interrompe. 
  
   

— Agora sei que não deveria ter brigado por você.— antes que eu pudesse contestar, o garoto bate a porta do veículo e vai em direção ao mercado. 
    
   

Meu coração se aperta, a importância dele na minha vida parece estar indo além do que eu imaginava. 

[...] 
 

Terça-feira 
 

Dou mais um gole do meu coquetel.O som está mais alto, posso sentir meu coração vibrar mais com as batidas da música. Estamos em uma festa na praia, às 3 da tarde. Lena se comunicou com uns amigos dela daqui e descobriu que iria ter "curtição na praia", nas palavras dela. Então vinhemos com roupas de banho e uma bolsa cheia de vodca, ideia de Taehyung. Falando nele, o mesmo estava fazendo uma vídeo chamada com a namorada agora.
   

Olho para o meu copo vazio e decido socializar. A noite anterior foi o suficiente para me deixar abalada pelo resto do tempo. Sem falar que Jungkook passou a ignorar a minha existência. Me junto ao pessoal, que nesse momento fazem uma rodada de drinques. Hoje será nossa última noite. 
  

— Vadia 'mara'!!!— ouço um grito no pé do meu ouvido, viro para trás assustada.— Olha quem eu encontrei aqui, piranha!— quase caio na risada quando reencontro Bambam apenas de sunga laranja neon e um óculos vermelho. Realmente seu gosto é bem exótico. 
  

— Olá, Bambam!— aceno animada para o mesmo. Vejo uma ruiva apenas de biquíni se aproximar.— Sheila!— eles me recebem com beijos calorosos na bochecha.— O que vocês estão fazendo aqui?
  

— Meu anjo, você já viu o harém masculino que aqui é?— Sheila pergunta olhando os caras sem camisas passarem.— Alibaba! 
 
 

— Onde tem testosterona nós aparecemos. Já é regra.— Bambam afirma, assobiando para um cara.— Falando em testosterona, vou te apresentar minha melhor peça. 
  

— Um desperdício.— fala a ruiva, bufando. Pergunto o porquê e ela me responde:— O cara é hétero. Mas também não quis ficar comigo.— dá de ombros. — Ele que perdeu esse docinho aqui.— Bambam engasga de tanto rir. 
  

— Se liga, Sheila-piranha. Parece que sua preciosa não é tão boa assim. — a garota manda dedo para ele e fala: seu cu. Realmente, a argumentação não anda em dia no meu âmbito social. 
  

— Meu cu é lindo, vadia. Se o cara fosse gay, já tava me fodendo.— eu tive que rir dessa. Até que vejo um corpo bronzeado parar ao meu lado. Olho para o homem de cabelos pretos e recebo um sorriso colgate.— Mia, esse é o Dereck.— dou um aceno tímido.  
  

— Você é daqui, Mia?— nego, acenando com a cabeça. Estou parecendo uma garota do colegial. — Achei mesmo, as garotas daqui não são tão bonitas assim.—sorrio agradecendo, até chego a arrumar minha canga. 
  

— Você faz faculdade aonde?— pergunto percebendo os risos frouxos de Bambam e Sheila. 
 
 

— Na USL.— abro a boca surpresa pela coincidência. 
  

— Interessante, porque eu também estudo lá.— afirmo, surpresa comigo mesma por estar dando corda para o garoto.
  

— Isso é bom, poderíamos marcar algo.— ele fala se aproximando de mim com um sorriso doce. Me senti incomodada por lembrar do moreno. 
 
 

— É...— antes de formular uma frase sinto braços rodearem minha cintura. Me deixando quente. 
 

— Jungkook!— Dereck fala animado, mas percebo seu sorriso exitante.— Cara, não sabia que você tinha vindo. Os guris estão aí também? 
 
 

— Sim.— Jungkook fala apontando para o pessoal na mesa. Vejo o olhar de Bambam malicioso para mim, eu dou um riso baixo.
  

— Depois eu falo com eles.— o cara bronzeado volta seu olhar para mim.— Então, Mia, pode me passar seu núm...?— O moreno ao meu lado, o interrompe, apertando mais os braços na minha cintura.
 

— Poderia me dar um instante com a Mia?— Dereck pareceu desconfortável, mas assentiu envergonhado. 
  

— Então nos vemos depois. Prazer em conhecê-la, Mia.— pude apenas sorrir quando senti uma mão deslizar sobre minha bunda. 
  

Saímos da vista do pessoal, caminhando em direção à areia da praia. Já estava bem irritada pela noite passada.
  

— Jungkook.— o  chamo mais uma vez, porém sou ignorada. Percebo que seu maxilar está travado.— Você não tem direito de fazer isso. Você está com ciúmes...— eu murmuro a última parte para mim mesma. Sentindo um frio na barriga. Ele apenas ri amargamente.— Fale comigo.
  
 

Interessante saber que estávamos em posições diferentes horas atrás.
  
  

— Isso não daria certo.— ele sussurra, bagunçando o cabelo. Quando penso que iria falar algo a mais ele dá um passo para ir embora, mas o empeço segurando seu braço. 
 
 

— Me desculpe.— murmuro.— Eu fui injusta com você. Não é como se eu não confiasse em você, mas...— inclino a cabeça, ele arqueja e vira em minha direção.
  

— Para alguma coisa realmente acontecer aqui, Mia.— ele suspira.— Confiança é o primeiro passo.  
   

Começo a respirar pesadamente, quase sentindo minha garganta tapar.
  

— Podemos tentar.— ele olha para mim com um ar solidário.— Por favor, não é como se estivesse negando você.— o moreno aproxima de mim e pega o meu rosto com as mãos.  
  
 

— Você tem que ser confiante nas suas decisões.— murmura rente ao meu ouvido. Meus pelos se atiçam. Desvio os olhos para sua camisa preta. Você não pode me pedir para ser algo que não consegui ser em anos, quero dizer. Mas acabo por falar outra verdade. 
  

Eu quero você.— sussurro para ele. 
 
  

Sinto apenas quando seus lábios alcançam os meus. Sua pele quente acaricia a minha. Sua mão recai sobre minha cintura, me puxando para perto de si. Eu me estico para encaixar melhor sua boca na minha, o mesmo percebe o que tentava fazer e me ajuda, suspendendo meu corpo pela minha nádega, a apertando. Arfo em seus lábios. Sinto seus olhos cor de madeira recaírem sobre mim. Eu o puxo pela camisa, fazendo-o voltar ao carinho. Sua língua invade minha pele interna com destreza. A mão que estava segurando sua blusa desce, até sua curva do quadril, fazendo-me pensar onde daria se eu abaixasse mais ela, então apenas aliso a curva. Com a outra palma, suspendo e alcanço sua nuca. 
  
 

Meus lábios sentem quando os seus se curvam em um sorriso. Jeon me dá um selinho e separa seu corpo, eu volto a pisar normalmente no chão, mas sua mão ainda permanece em minha nádega. Agora eu percebi que ele havia puxado minha canga, entrando em contato direto com minha bunda. Acabo corando e desviando o olhar para seu peito em minha frente. Com sua outra mão, passa a fazer cafuné em minha cabeça, me puxando para seu abdome. Enlaço meus braços em sua cintura. 
  

— Você vai continuar acariciando minha bunda?— pergunto rente a sua blusa. Ouço sua risada diante da minha cabeça. Penso que ele vai parar, mas esse pensamento foge da minha cabeça quando sinto um tapa em minha outra nádega.— Jungkook!— o repreendo, olhando para sua face. Posso ver um sorriso divertido em seus lábios. 
  

— Você é irresistível, minha linda.— o moreno fala baixo, olhando em minhas íris. O apelido me faz rever o que penso sobre mim, isso me dá um frio na barriga. 
  

— Estúpido.— murmuro, rindo dele. — Deveria fazer mais ciúmes em você, só para terminar assim.— sussurro provocativa. Vejo que seu olhar endurece e sua carícia para. 

— Nem pense nisso.— fala irritado.— E eu nunca disse que estava com ciúmes de ninguém.— sorrio para ele e beijo seu abdome. 

— Não precisa. Mas... Seria bem legal vê-lo admitir.— ele nega com a cabeça e me faz revirar os olhos.— Sem graça.
   
   

Nosso momento foi interrompido por um grito atrás de Jeon, eu me estico sobre seu corpo e vislumbro uma cabeleira preta vindo em nossa direção. Meus olhos brilham e meu coração acelera. Desvencilho-me do moreno e vou correndo para o outro homem. Ele me recebe em seus braços com um abraço de urso. 
  
   

— Estava morrendo de saudades.— vejo seu sorriso lindo e o aperto mais.— Nunca mais ouse a sumir assim. Você tem ideia de como eu estava preocupada, Jimin? Você ao menos respondeu minhas mensagens.— o garoto solta uma risada nervosa. — Não vai falar nada? — pergunto, soltando-me de seus braços.
  
   

— Eu também estava com saudades.— sussurra, colocando a mão em minha cabeça, como um gesto carinhoso. 
   
 

 Percebo Jungkook nos alcançar com um sorriso pequeno no rosto. Mas ele não parecia surpreso com a presença de Jimin. 
  
   

— Você sabia que ele estava vindo?— pergunto desconfiada, o moreno assente. Faço uma cara pasma.— Por que não me contou?
  
   

— Era uma surpresa.— o de cabelos pretos responde. O mesmo lança um olhar misterioso para Jungkook.— Enfim, me conte como você está.— exala um sorriso para mim. 
  
 

 Começamos a conversar, botei para fora tudo que ele perdeu. O garoto escutou tudo com atenção, rindo e comentando. Passamos a tarde toda nesse ritmo. 
  
   

Já estávamos todos em casa. Jin tinha feito uma refeição e o aroma estava incrível. A maioria estava ou na sala ou no sofá comendo. Decidi chamar Jungkook que havia sumido. Abri a porta do quarto dos meninos e vi algo que realmente nunca esperei na minha vida. Meus olhos se arregalaram e minhas bochechas ruborizaram. Jin e Namjoon estavam se pegando no quarto. Soltei um grito ao ver e eles se viraram na minha direção.
  
   

— N-não é nada do que você está pensando!— Jin contesta, mas o interrompo. 
  
     

— Está tudo bem.— então, fecho a porta e começo a rir. 
  
   

Volto a ir atrás do outro Jeon. Comecei a perceber que Namjoon nunca tinha demonstrado um real interesse por mulheres. Teve uma namorada na adolescência, mas se separam por falta de atenção de sua parte. Senti-me até ignorante por nunca ter percebido. 
   
     

Bati na porta do banheiro, esperando por uma resposta. A passagem se abre e o moreno incendia meu corpo só com um olhar demasiado. Quando pergunto se ele iria comer agora sou arrastada para dentro do cômodo. Seu corpo me empurra para a bancada da pia. 
  
     

— O que pensa que está fazendo?— questiono ao sentir sua respiração em minha clavícula. Perco o sentido quando sua língua percorre a lateral do meu pescoço.— V-você é muito audacioso.— Murmuro de olhos fechados. Sua risada é assustadora. 
  
     

A carícia permanece por  um bom tempo, até que o mesmo resolve atacar meus lábios. Colando seu corpo ao meu. Eleva-me sobre seus braços e me faz sentir sua excitação. Suspiro, inclinando mais sobre si. Sua palma alcança minha cintura dentro da blusa. Ele mordisca meus lábios inferiores. 
  
   

— Você de biquíni me deixa mais alterado que o normal.— sussurra rouco. 
   
   

 A frase fez meu íntimo se remexer mais ainda. Voltamos a nos beijar, até que sinto o móvel abaixo de mim desabar. Antes que eu tombe junto com a pia, Jeon é mais rápido e me segura em seu colo com os olhos arregalados. O barulho foi estrondoso, duvido que o pessoal não tenha escutado. Olho brevemente para trás e vejo a pia quebrada. Fico envergonhada com a possibilidade de tê-la quebrado com meu peso. O garoto na minha frente cai em uma crise de risos. O que me faz quase cair de seus braços. Mas o mesmo me aperta mais e se encosta na parede, ainda rindo. 
  
   

— Aconteceu alguma coisa, Jungkook?— ouço a voz da amiga sem graça dele. Tapo sua boca com minha mão, já que ele estava gargalhando. Repreendendo-o com o olhar. Sinto uma língua na minha palma, fazendo tirá-la e limpá-la instintivamente em minha camisa com uma cara de nojo. Bato de leve em seu braço.— Jungkook? 
  
   

— Está tudo bem. — ele pigarreia.— Apenas um probleminha, mas acho que consigo resolver.— ouvimos  "certo" e depois um grito avisando que era só um probleminha. 
  
   

A frase me fez apoiar a cabeça no peito bem formado em minha frente com um rubor nas bochechas. 
  
     

— O que fazemos agora?— pergunto baixo. 
  
   

— Vamos resolver o problema.— Jeon tira o celular do bolso com uma das mãos. Parece que meu peso não o afeta. Digita e após um tempo está conversando com um faz-tudo. Ao terminar ele sorri para mim.— Está resolvido. Agora, só falta avisar para o dono da casa. 
  
     

Após um tempo o faz-tudo já estava consertando a pia. Eu ainda estava envergonhada, mesmo que eles não saibam que participei do infortúnio. Olho para Nam e noto que está tão envergonhado quanto eu, mas por outras causas. Eu dou um sorriso para reconfortá-lo e sibilo um "está tudo bem". 
 
   

— Mas que porra, Jungkook. Como você conseguiu quebrar a pia?— Hoseok pergunta exasperado. O moreno estava bem calmo, encostado na parede com os braços cruzados. 
  
   

— Estava fazendo stand-up na pia.— Jimin comenta e os meninos riem. 
  
     

— Ou trepando na pia.— Hoseok comenta. Reviro os olhos e sinto olhares na minha direção.— Caralho, só espero que meus pais não percebam.
  
   

Conseguimos resolver a ocasião, mas ainda restou a zombaria pelo resto da noite. Passamos a fazer jogos com álcool, o que restou uma última noite animada, apesar de assuntos mal resolvidos. 
 
 [...] 
  
     

Chegamos na casa dos meninos com um monte de bagagem extra. A viagem de volta nos resultou em comprinhas fúteis como boias bonitas, chapéus e um conjunto americano. Insisti que ficaria bonito na casa deles. Falaram que não tinha utilidade, mas eu iria usar de qualquer forma. Entrei na casa e fui deixando minha mochila no sofá, todas as meninas já estavam em casa, mas eu resolvi dormir aqui. Já que sabia que a noite no dormitório iria ser quente e eu não estava convidada. 
  
     

Depois de todos estarem acomodados em seus quartos, fui tomar banho. Apareci na escada e sinto um tremor nas minhas pernas ao ver quem estava acomodado no sofá. E para minha maior surpresa, havia um hematoma roxo em seu olho direito e um corte na bochecha esquerda. 
  
     

— Você também está machucado?— acabo perguntando sem perceber. 
  
   

Yoongi apenas olha para mim e sorri levemente, mexe nas mãos pálidas. Termino de descer as escadas e o ouço me chamar. 
  
   

— Eu queria me desculpar pelo o quê ocorreu.— eu encaro-o sem acreditar.— Algo me fez repensar ainda mais o que aconteceu. E-eu fui escroto com você. — fala a última parte mais baixo com uma expressão de desgosto, assinto com a cabeça. 
  
     

— Só queria saber o que o motivou a fazer aquilo.— murmuro. O garoto apenas abre a boca e fecha repetidas vezes sem conseguir formular uma resposta. — Está tudo bem.— ele me olha com um ar piedoso.— Eu te perdoo.— penso em sair do cômodo, mas o ouço proclamar meu nome mais uma vez. 
  
     

Pigarreia antes de perguntar: — Podemos ser amigos?— me viro e vejo que está cabisbaixo. Sorri e assenti.— Obrigado, Mia. 
  
     

— Ao seu dispor.— faço uma reverência boba e o mesmo ri levemente. 
  
     

Sinto meu interior mais leve. 
 
     

Volto as escadas, sabendo onde posso encontrar um aconchego quente. Pego meu travesseiro e vou à porta do paraíso. Entro sem abrir a porta e vejo o moreno deitado na direção do teto de olhos fechados. Subo na cama devagar e me ajoelho ao seu lado. O ponto roxo em sua bochecha está melhorando. Não achei que ele contestaria o hyung que ele tanto admira. Sei bem que o Yoongi o inspira de uma forma incrível. 
  
     

— Você vai dormir aqui?— pergunta rouco com os olhos fechados. Rio nasalmente ao reconhecer que o mesmo garoto me identificou de olhos fechados. Alcanço seu hematoma com um beijo casto.
  
   

— Obrigada.— sussurro diante do seu rosto. Seus olhos se abrem e me vislumbram com um sorriso acanhado.— Como descobriu o que aconteceu?
  
   

— Jimin me falou.— eu balanço a cabeça em reprovação. 
  
 

— Não precisava ter feito isso por mim.— falamos baixo a todo momento. Apoio minha cabeça na palma da mão e começo a brincar com a estampa de sua camisa. 
  
   

— Você sabe que sim.— ele fala enraivecido. Estava certos em partes. 
  
     

— Só não acho que lidou da forma correta.— o repreendo, o que o faz arfar.— E saiba que eu sei cuidar de mim mesma. 
  
     

— Tenho certeza que sim.— pude ver a sinceridade em seu olhar.— Mas não precisa carregar todos os seus fardos sozinha.— tive vontade de chorar nesse momento, mas apenas tirei o ar acumulado de meus pulmões e dei um sorriso retraído. 
  
     

Passamos um tempo em silêncio, porém eu tive que concluir o assunto. 
  
   

 — Ele me pediu desculpas.— falo, recebendo um sorriso satisfeito. O moreno se suspende e alcança meus lábios em um beijo ingênuo. Deito a cabeça em seu peito.— Jungkook. 
  
   

— Hum.— murmura de olhos fechados, fazendo movimentos circulares em minha cintura. 
  
     

— Enquanto eu conversava com Jimin, toda vez que eu perguntava o porquê de ter sumido, ele sempre mudava de assunto.— levanto a cabeça para ver sua reação e o mesmo continua sereno.— Acho que tem algo acontecendo. Ele parecia triste. 
  
     

— Não se preocupe. Tenho certeza que se fosse sério, ele teria contado. E Park sabe resolver seus próprios problemas.— a fala não me acalmou de nenhuma forma. 
  
   

— Você sabe de alguma coisa?— ele nega com um balanço de cabeça.
  
   

O moreno se inclina e me puxa mais para si. Sua mão na cintura aperta. Eu aspiro seu aroma e o aperto como uma grande pelúcia. O rapaz beija minha cabeça e permanece apoiado nela. O que me faz sorrir. 
  
     

— Boa noite, minha linda.— murmura. 
  
   

— Esse apelido é péssimo.— sinto seu peito se movimentar em uma risada.
  
     

— Eu gosto, isso é o que importa. — solto uma risada.

[...] 
   
      
   

Descemos do carro agasalhados. O tempo estava incrivelmente frio. Meu moletom não parecia o suficiente. A semana ia ser bem movimentada. A considerar que depois de um feriado a cobrança iria ser extra. Já estava conversando com Jimin sobre fazer um estágio, com certeza seria muito benéfico para ambos, já que o curso exige experiência. 
 
   

A faculdade parecia mais movimenta que o normal. Quando entramos porta adentro percebemos outro clima. Nada parecia certo. as pessoas estavam rindo focadas em seus celulares. Parecia aquela típica cena de bullying compartilhado de filmes Hollywoodianos. 
    
   

Ouço um bip do meu aparelho e o pego rapidamente, quase como se pudesse prever o que iria acontecer. Recebi um vídeo, quando o abro, sinto todos os meus pelos eriçarem e lágrimas brotarem dos meus olhos. Era um vídeo da Minhee. Sinto-me indefesa. Incapaz de ajudar. O vídeo era a coisa mais degradante, eu não consegui passar mais de 10 segundos. Eu sabia que ela estava alterada, dopada. Qualquer um poderia perceber. Mas ninguém pareceu fazer absolutamente nada. Realmente espero que a garota não tenha visto. 
  
   

Quando levanto a cabeça atordoada, posso ver Jungkook me olhando preocupado, meus olhos estão embaçados, mas pude correr atrás da garota. Ouço um grito, chamando por mim, mas o ignoro totalmente. Pode ser que ela não tenha visto. Eu posso ajudá-la. Eu tenho que socorre-la. Preciso. Preciso. Preciso salvá-la. 
  


Notas Finais


Uwu,só queria concretizar que eles estão muito fogosos e magoados.

Se cuidem e sempre lembrem que não podem carregar o mundo nas costas, mas nem por isso devem desistir de cuidar.

Até próximo ano! ^~^

Ps: não vou falar que é brincadeira, porque esse ano foi a prova. Me desculpem T.T

Xoxo
Lady J.


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