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História Trust Nobody - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


A ESTÉTICA DO JUSTIN BIEBER QUE USO NESSA FIC É ELE EM 2015/2016. OK? Imaginem ele daquele jeito.

Boa leitura! <3

Capítulo 13 - Twelve - Halloween Party


Fanfic / Fanfiction Trust Nobody - Capítulo 13 - Twelve - Halloween Party

 

 

[...]

Ao fundo, longe, distante, posso ouvir um barulho estridente. Mas o barulho é sessado, então minha mente vou a ficar lenta. O barulho volta de forma estrondosa  e me faz levantar num susto. Era meu celular tocando com o nome de Scott na tela iluminando meu rosto marcado pelo lençol. Atendo.

— Oi! 

— Onde está você, cara? Não vai mais vim?

— Ir pra onde, Scott? — rouquidão em minha voz

— Pra festa da Ashley. Já é meia-noite.

Quando ouço, retiro o celular da orelha e olho a tela. 12:02 AM no canto superior esquerdo.

— Droga! Eu estava dormindo.

— Estamos te esperando.

Apenas desligo a ligação e me levanto. No banheiro tiro as roupas e me ponho sob o chuveiro. Depois de um belo descanso, me sinto revigorado. Agora enrolado na toalha, sigo ao guarda roupa e me troco rapidamente. Coloco perfume sobre as roupas e pescoço. Pego o celular jogado na cama e ponho no bolso da calça. Desço as escadas e chego ao hall.

— Mãe?

Sem resposta.

Checo as mensagens no celular e há dela.

"Edward me ofereceu carona, já estou no trabalho."

Ufa! Que sorte a minha. Ter que esperar um ônibus ou ir de skate até o centro de LA seria de matar. Na mesa de centro capturo as chaves, fecho a porta da frente e entro na garagem. Destravando as portas, os faróis piscam rapidamente e eu adentro. Ligo o motor e o portão da garagem é aberto. Dou ré e o portão é fechado outra vez. 

Na rua, já posso sentir a brisa do ar com as janelas abertas. Um vento que preenche todo o vazio, me fazendo sentir como se estivesse acompanhando por alguém. Levando mais alguns minutos nas ruas e avenidas chego a aquele mesmo condomínio. É tão grande, mas tão grande que parece ser só mais um bairro de LA. Passo pelo mesmo portão de entrada. Passo pelos mesmos seguranças e sou checado na mesma lista de convidados. Subo a colina e estaciono o carro no jardim como todos fizeram. Posso ouvir uma música alta de dentro do carro e quando saio se torna estrondosa. 

A casa está inteiramente decorada com artigos que minha mãe certamente não podia pagar por eles. O jardim está repleto de abóboras com caras assustadoras e uma névoa falsa flutua sobre o gramado verde. Há teias de aranha por toda parte, e nas árvores existem mais abóboras penduras em seus galhos e folhas. Algumas partes do gramado estão cobertos por feno, principalmente na porta de entrada onde na mesma há uma estrutura de madeira como uma parede no formato de uma grande abóbora, onde os convidados entram pela sua boca dentada. Entrando na casa, no hall parece que já estão animados para o natal, pois há um enorme pinheiro de folhagem preta com travessuras e luzes penduradas em suas extremidades. No piano branco da sala, tem mais teias de aranha e um esqueleto prateado sentado no banco. Voando sob o teto há inúmeros morcego espalhados. Dentro da lareira há as pernas de uma bruxa com meia calça listrada verde e preta segurando sua vassoura. Abóboras, morcegos, teias, aranhas, bruxas, esqueletos fazem a festa por toda casa. Subo mais algumas escadas e até que fim chego a cobertura. Rolo os olhos pelo lugar e encontro meus amigos. Os mesmos estão sentado sobre blocos de feno ao redor de uma mesa branca entediada.

— Me atrasei. — digo ao chegar.

— Não me diga. — Chaz parece já estar na décima misturada da noite.

— Mas a festa só começa animar quando as bruxas saem á meia-noite. — Scott diz rindo.

— A festa só começa quando eu chego. — me sento no bloco que não é desconfortável como aparenta ser. Tendo uma altura perfeita para que ninguém ficasse parecendo uma criança na sala do maternal. 

— Coitado. — Chris força uma voz estridente e afeminada.

— Onde está o Ryan? — pergunto ao perceber sua ausência. 

— Foi pegar uma bebida. — alguém responde.

— Ou foi atrás de alguma garota. — Ryan diz ao chegar com a boca meio rosada. Aquilo faz todos rirem e berrarem como crianças batendo na mesa.

— Primeiro beijo do ano. — Tyler diz.

— E já já você vai levar o primeiro soco da noite. — rapidamente Ryan simula lhe socar, fazendo-o se assustar. — Hum... Se assustou, Tyler? — solta uma risada debochada.

— Você devia provar isso. — Chaz levanta o copo para mim.

— O que é isso?

— Pêssego com vodka. 

— Eu não gosto de pêssego, mas vou procurar alguma coisa. — me levanto e vou em busca da mesa de bebidas. 

Passo por algumas pessoas fantasiadas, em sua maioria meninas. Chego a mesa de bebidas e sob sua superfície há uma luz roxa, deixando os vidros mais interessantes. Num copo de vidro, coloco vodka Gray, suco de limão e de cereja. No balde prata, pego alguns gelos e ponho na bebida. Provo. Perfeito.

— O que é isso?

Me viro para a voz e dou de cara com Courteney. 

— Uma bebida, não está vendo? — respondo do modo mais grosseiro possível.

— Claro, quero saber o que tem nessa mistura.

— E não por que quer tomar justamente essa? — beberico na sua frente.

— Porque eu gostei da cor que ficou. — nem acredito que ouvi aquilo. Parecia uma criança falando.

— Menores de idade não podem beber, Noah. Você sabe, não é? 

— Fique tranquilo, não sou.

— Mas você fala como uma criança.

— Eu te perguntei uma coisa perfeitamente simples: o que tem na bebida. Mas acho que é muita informação para o seu cérebro de jogador de hóquei, não é?

— Foi mal, eu parei de prestar atenção no que você fala assim que disse "Meu nome é Noah Courteney" no fundamental. — forço um riso e saio dali. 

Volto a mesa com meus amigos e me sento. 

— Viram que o Courteney tá aqui? — pergunto.

— Sim, ele vai pedir a Amber em noivado hoje ás uma da manhã. — Tyler faz todos rirem.

— Ela veio a festa? — pergunto.

— A vi há pouco tempo atrás, acho que também chegou atrasada. 

— Eu não a vi no começo da festa. — Chaz diz.

— Claro, desse jeito você não vê nem um elefante na sua frente. — digo.

— Eu também a vi, Tyler, e puta merda. Ela tá gostava pra caralho naquela fantasia. — Chris diz passando a mão no rosto.

— Ela está vestida de que? — aquilo desperta meu consciente. 

— De Dorothy Gale.

— Quem? — franzo o senho.

— A garota do mágico de Oz. — relembra.

— Ah! Onde que aquilo deixa alguém gostosa?

— Espera pra ver então. Esperem. — ele aponto o dedo para todas na mesa.

Ouvir aquilo atiça meu gênio e agora não consigo parar de pensar em quando ela vai aparecer na minha frente.

Mais conversa e papos são jogados fora naquela mesa. Todo tipo de assunto que se tinha direito. E eu sendo praticamente o único sóbrio da mesa, é interessante ver como meus amigos ficam vulneráveis bêbados, falando besteira e coisas que não diriam no seu melhor juízo. Já são duas da manhã e a única bebida que tomei foi no inicio da festa. De lá pra cá, só um suco de abóbora bastante exótico com limão. O mais divertido, é que no final da bebida, no fundo do copo, sempre tem um olho de goma.

— Eu tento me forçar a aprender libras pra poder conversar com o irmão da Sara, sabe? Sinto que ela ficaria feliz se eu aprendesse. Mas eu acho um saco. — Tyler diz.

— Em que momento a Sara te obrigou a aprender libras pra conversar com o irmão dela? — Christian diz.

Tyler faz uma cara pensativa e parece parar no tempo ajustando os pensamentos pra responde aquele pergunta.

— Parece que você ta se forçando a fazer uma coisa que não tem obrigação; e ninguém tá colocando uma faca no seu pescoço. — digo e todos olham pra mim. — Aprender isso é algo muito difícil, mas você não tem que fazer isso só pra agradar ela ou deixa ela feliz. Você tem que fazer algo que se sinta bem, e obviamente não se sente. É legal seu gesto, Tyler, isso poderia realmente deixa ela contente, mas ela não parece estar te cobrando com isso. E se tivesse, você não é obrigado a aprender. — naquele momento todos aqueles manés bêbados balançam a cabeça.

— Sim, cara, total. — Scott diz como se estivesse tendo um derrame.

— Cara... é verdade. — Ryan diz enquanto bebe.

— Você tem razão. — Tyler diz quase chorando.

— Pelo amor de Deus, não vai chorar Tyler. — Chaz colocando a mão no rosto.

— Charlez, eu gosto muito dela, mas eu fico me cobrando por uma coisas nada a ver. Acho que é porque ela é mais bonita do que eu.

— Tyler começa a choramingar.

— Puta que pariu... — não acredito no que eu tô vendo.

— Não me chama de Charlez, pelo amor de Deus. — Chaz odeia seu nome.

— O que beleza tem a ver com isso, Tyler? Puta que pariu, tu é corno, é? — em Scott a paciência já acabou.

— Agora o problema é com auto-estima? Não, não tem paciência pra essa palhaçada, Tyler. Cala a boca pelo amor de Deus. — Ryan diz.

— Por que você é tão insensível, cara? — Tyler enxuga algumas lágrimas. Todos riem do seu estado.  

— Você que é sensível demais, Tyler. Releva as coisas. — é a vez de Chris.

— Bom, — me levanto no banco. — Vou pegar alguma bebida forte dessa vez. Ser o sóbrio da turma é chato.

— Vai lá.

A festa está só um pouco menos cheia do que estava quando eu cheguei. Tenho a impressão que as festas na casa do Scheiffer só terminam quando o dia amanhece ou acontece algo realmente ruim. Insano.

Enquanto passo por entre algumas mesas e pessoas dançando, sinto um vazio no estômago. Não comi nada. Só não passei mal porque bebi quase nada. Me aproximo da mesa de comida que parecia mal ter sido tocada. A decoração da mesma era muito bonita na verdade, até as comidas eram decoradas. Um bolinho com um chapéu de bruxa feito de casca de sorvete chama a minha atenção. Ao colocá-lo na boca dando a primeira mordida, é como um mar de chocolate e nozes. A parte do chapéu não é tão prazerosa quanto a massa, pois já estava murcho por tanto tempo do lado de fora. Limpo a migalhas da minha boca e roupa, sigo para as bebidas.

Na mesa há alguns drinques que não me pareciam estar ali antes. O líquido turquesa está dentro de uma taça de martini e na sua superfície uma névoa sobrevoa.

— Quem fez isso? — pego na mão e observo aquela obra de arte. Mas sou interrompido quando uma mão branca e negra pega da minha mão.

— Isso é meu. — a garota com vitiligo  e cabelos cacheados diz.

— Wow. Desculpa, eu não sabia. — eu falo, entretanto, minha cabeça não pensa. Só consigo paralisar nas suas cores. É linda.

— Nunca viu alguém como eu? — olha a si mesma de baixo a cima.

— Pra falar a verdade, não.

— Qual o seu nome?

— Não sabe quem eu sou? — interessante.

— E eu deveria? — ora, que língua afiada. Era bom ter alguém que não soubesse quem eu sou naquele festa.

— Justin Bieber. — estendo a mão para um aperto.

— Perola Denis. — posso ver a sua mão de dorso negro e dedos brancos.

— Desculpa te olhar como se fosse uma animal de zoológico. Tão curioso. 

— Tudo bem, não vi maldade nesses olhares.

— Na verdade, você é muito bonita.

— Sei que sou. — aquilo me faz rir alto. — Você também é.

— Não ouço muito isso. — modesto.

— Ah, é mesmo? — ela bebe sua bebida.

— Claro.

— Já que não nos conhecemos... Como podemos resolver esse impasse? — ela se aproxima sorrateiramente, encosto seu corpo no meu e posso ouvir sua taça sendo depositada na mesa. Seus braços envolvem meu pescoço como uma serpente. Sinto sua respiração no meu rosto.

Não posso deixar essa chance escapar. Laço sua cintura e a colo em mim, dou uns passos para frente nos afastando da mesa. Seus olhos castanhos me fitam como quem diz "O que está esperando?". Meus lábios encostam nos dela e logo sinto sua língua. No meio do beijo quente, me sinto enrijecer sem controle. Sinto a sabor daquela bebida misteriosa. Com uma mão no seu maxilar, a outra serpenteia até sua bunda. Quando chego lá, sinto a mão dela me levar de volta a sua cintura. Tudo bem. Não toco. Já que o único lugar em que o acesso é permitido é sua boca, vou me esbaldar. Quando tudo fica intenso, ela desce selinhos até meu pescoço, onde no mesmo beija, morde e lambe. No meio daquele transe, abro os olhos e vejo Amber, discutindo com seu namorado que anda atrás dela marchando enquanto ela parece ignorar suas reclamações.

— Por que não quer me escutar? Estão todos olhando pra sua bunda. — ele fala alto e ela passa por nós como um furacão.

— Cala a boca, Noah. — ela não grita, mas ainda sim é possível escutar.

Perola não parece escutar nada, porque talvez o único que tenha parado para presta atenção tenha sido eu. Então, volto aos seus lábios e minutos depois terminamos sem fôlego.

— De onde você é, hein? — me recomponho.

— Eu te conheço, capitão. 

— Por que mentiu? 

— A gente se ver por aí. As vezes LA parece um ovo. — ela pega sua bebida, acena e se distancia.

— Queria saber por quê mentir sobre algo tão besta. — falo sozinho e me viro caçando um drinque que não seja que ninguém.

— Oi. — ao ouvir me viro e olho a quem a voz pertence.

— Ah, oi, Skyller. — volto a mesa de luz roxa.

— Está tudo bem? — ela pergunta.

— Sim. E com você? — falo de costas e agora pareço fingir procurar algo.

— Sim, mas queria mesmo era poder dormir.

— E por que só não fecha os olhos e dorme? — por fim, não pego nada e me viro. Skyller usa roupas de dormir. Uma camiseta de alças finas e uma short de estampa florida. Tudo parece leve e confortável sob um roupão de seda azul bebê. Tenho certeza que de baixo daquela blusa não tem nada.

— Queria que fosse simples assim, com tanta insônia e ansiedade. Sem contar com o barulho.

— Não te vi na festa. Na verdade, até me esqueci que estava aqui. — vejo ela passa a língua na parede interna de sua bochecha. Está procurando as palavras certas. Ou, paciência. 

— Eu nunca estive nesta festa, Justin. — cruza os braços.

— Ora, por que não?

— Estou sóbria há um ano, acha mesmo que é um ambiente legal para uma ex-viciada?

— Ah, verdade. Esqueci disso também. — ela fica em silêncio. Seu semblante esbanja cansaço. — Me lembro do seu quarto ser anti ruído.

— É, mas o som está alto demais.

— A casa também é sua, termine com a festa. — lhe dou uma solução.

— Não vou fazer isso. É legal ver que ela tem tantos amigos. — olha ao redor.

— 90% das pessoas nessa festa não são amigas dela. Você sabe, não é?

— Não seja maldoso.

— Não estou sendo, Sky. Estou sendo realista. As pessoas estão aqui por causa do que ela tem a oferecer, não porque gostam dela.

— Sky?

— Não é seu nome?

— É, é sim. — ela abre um sorriso.

— Eu mesmo não sou amigo da Ashley, estamos mais pra conhecidos. Talvez ela só tenha uma amiga de verdade naquela escola.

— Quem? — pergunta curiosa.

— A Maddox.

— Ah, sei. Ela me falou sobre essa tal garota. Você a conhece?

— Não. — acho que estou certo sobre o que digo, realmente não a conheço de verdade. 

— Como sabe o nome dela então? — sorrir aquele riso debochado.

— Eu conheço de vista, mas não nos conhecemos de fato.

— Certo, entendi.

Por alguns minutos, um vazio toma conta das palavras e não falamos nada. Nem se quer consigo olhá-la no rosto por muito tempo. Fico constrangido. Como se tivéssemos perdido a intimidade. Pensando bem, perdemos. Enquanto nós olhamos para todos os lugares daquela festa e para todas pessoas menos um para o outro, é estranho pensar que antes aquele silêncio não incomodava. A intimidade já havia batido na porta há tanto tempo que o silêncio era algo leve, agora é diferente, completamente diferente. Embora eu não consiga lhe olhar, penso nela a cada segundo.

— Você falou sobre ansiedade... Não sabia que tinha. — faço ela me olhar rapidamente, descongelando aquele iceberg.

— Adquiri na universidade. — ela ponhe uma mexa de seu cabelo atrás da orelha.

— Por quê?

— Pressão do meu pai, problemas com minha mãe com meu pai por causa mim na universidade, e sem contar as drogas e gatilhos ao redor de mim a cada instante. — ela dá alguns passos e se encosta na mesa, junto a mim. Agora não nos encaramos mais.

— Como é pra você se manter focada?

— É extremamente difícil lidar com tantas pessoas fazendo o que eu fazia ao meu redor. Mas também me deixa triste ver que elas podem se viciar, e ficar como eu fiquei. Estar sóbria há um ano, ainda é pouco pra mim. Todo dia é desafio.  Em todos os lugares há drogas lícitas ou ilícitas. Tudo chama minha atenção e aguça meus sentidos. Parece que tenho fugir de qualquer lugar a cada ameaça. Eu posso voltar a usar amanhã, ou hoje no fim da madrugada, quando a festa acabar e sobrar dezenas de bebidas e provavelmente algum saquinho de coca perdida por aí. Lá em cima, no quarto, — ela aponta com a mão para mais uma andar a cima. — eu não consegui dormir porque ficava pensando nas tentações que existem aqui em baixo. Em tudo o que posso usar, tudo novo que posso experimentar, qualquer coisa que possa me matar de vez. Minha cabeça fica a mil. Tenho muito medo de cair. Recair. Acho que não conseguiria me levantar de novo.
Aquelas palavras me afetavam profundamente. Cada canto do meu corpo levava um soco com sua dificuldade. Eu não consegui ajudar ela, mas ela conseguiu se manter limpa por conta própria por um ano.

— Saiba que eu estou muito orgulhoso de você, Sky. — olho para ela, que me olha em seguida. — Fico contente em te ver tão forte, renascida e contínua. É bonito olhar seu corpo saudável, e não tão magro ao ponto dos ossos da sua cintura saltarem. Eu vejo uma sobrevivente ao olhar pra você. Estou orgulhoso de quem você se tornou. Demais. De verdade.

Skyller, ali, parada, encostada naquela mesa chora em silêncio. Eu consigo ver seus olhos inundarem e alguns poucas lágrimas caírem em suas bochechas rosadas de frio. Não é tristeza. Ela sorri enquanto chora.

— Obrigada. — ela põe a mão frente a boca, como se quisesse se esconder. — Obrigada. — sua voz sai abafada pela mão, mas seu choro continua. E eu, sem exitar, lhe puxo para um abraço. Sua cabeça loira, encosta no meu peito e seus braços envolvem minha cintura com força. Afago suas costas e beijo o topo de sua cabeça.

— Não me agradeça por dizer a verdade. É mérito seu.

— Deus também esteve do meu lado. Não teria conseguido se ele não permitisse. — ela fala e me olha de baixo. Apenas assinto com a cabeça e sorrio.

Eu não conhecia esse seu lado. 

Agora ela só me abraça e vejo que parou de chorar; não me solta. Contudo, sou forçado a me desapegar de seu corpo após alguém esbarrar em mim com tremenda força. Ouço grandes falatórios e desespero após o som ser abaixado. As pessoas se aglomeram em um só lugar, como numa roda. O que está acontecendo?

Curioso como Alice, sigo até ali e percebo que Skyller também quer saber o que se passa nessa cobertura. Empurrando alguns braços e esbarrando em alguns pessoas chego ao meio do tumulto. No chão tem uma garota e ao seu lado ajoelhada está outra menina que lhe acude. A garota deitada está vestida de Dorothy Gale. Maddox. 

— Amber! Ela não consegue respirar! — a menina parece ter a voz de Ashley, mas tem cabelos castanhos agora. Quando levanta o rosto, percebo que é de fato Ashley.

Todos ao redor estão paralisados enquanto Amber fica inquieta buscando ar. Talvez seja asmática. No impulso para ajudar, me aproximo rapidamente e me ajoelho. Tudo acontece em segundos.

— Alguém aqui não bebeu?! — grito olhando para todos.

Todos se entreolham, mas ninguém levanta a mão. 

— Eu não bebi. — Skyller se aproxima mais.

— Você sabe dirigir? — pergunto rápido.

— Não... — ela diz em tom decepcionante.

— Então isso não ajuda em nada. — digo. 

— Liguem para a ambulância! — alguém grita e todos pegam seus celulares.

— Eu a vi comer aquele bolinho com nozes depois de brigado com o Noah. Ele foi embora. — Ashley diz.

Eu observo seu rosto começar a inchar e suas pupilas azuis dilatarem. Algumas lágrimas escorrem. Minha adrenalina aumenta e não consigo ficar parado. Ela pode morrer. Mal esta respirando agora. Sua pele inteira está inchada e vermelha.

Eu praticamente não bebi. Eu posso ajudar. Uma ambulância vai demorar demais. Sou o mais apito agora.

— Uma ambulância vai demorar demais. — digo e de imediato a pego nos braços levantando todo o seu corpo.

— Justin! Calma! — Skyller diz.

— Justin, você tem certeza? — Chris diz. Meus amigos se aproximam.

— Claro! Não faria se não tivesse. Posso andar em linha reta e não vou cambalear. — digo e tento sair o mais rápido dali.

— Abram espaço, pessoal! — alguém grita.

— Vou te levar onde minha mãe trabalha, a gente vai conseguir. — digo como se ela estivesse prestando atenção no que falo.

Enquanto desço as escadas frenético, temendo cair, sinto sua unhas me arranharem, mas depois cessa. Ela para de lutar. Acho que desmaiou. Puta merda!

Várias pessoas me perseguem como paparazi. Ao chegar no carro, o destravo e a ponho no banco de trás.

— Ashley, entre e fique com ela! — falo alto e ela não exita. 

Entro no carro e saio dali cantando pneu.

— Abram o portão! Abram! — Ashley foi esperta e gritou pela janela do carro. Não podíamos perder tempo agora.

Os portões são abertos, acelero e já estou na pista.

— Coloca o cinto de segurança, Justin! — ela grita. Eu nunca esqueço, mas no meio do susto acabei esquecendo. Ligeiramente o passo pelo meu corpo.

— Como ela tá?!

— Eu não sei! Está desacordada. Será que ela morreu? — sinto choro e desespero em sua voz. Também temo por aquilo, mas tento me manter positivo.

— Estou indo o mais rápido que posso. — furo inúmeros sinais adquirindo algumas multas. 

Pelo caminhão, a cada segundo eu corro o risco de bater o carro ou provocar um acidente maior ainda. Eu não sei porquê, mas sinto que tinha que ajudar ela naquele momento. Como se algo tivesse me empurrado na sua frente, me obrigando a ajudá-la, pois eu sei que sou capaz de ajudar agora mais do que ninguém.  Mas de uma coisa eu tenho certeza: Maddox precisa rever seus conceitos sobre Courteney.  

— Medical Center.... Vamos lá! Por que que tem ser tão distante? — falo comigo mesmo em voz alta.

— Vá mais rápido, Justin! Ela pode só ter minutos! ANDE! — ela grita sem conseguir conter sua aflição.

— ESTOU INDO O MAIS RÁPIDO QUE POSSO, DROGA! QUER QUE EU MATE A GENTE?! — no mesmo tom eu respondo. Ashley se aquieta.

Passado mais três minutos, levo pelo menos 10 buzinadas e freadas bruscas de outros carros, finalmente chego ao Cedars-Sinai Medical Center. Estaciono o carro em frente a porta de emergência sem me importar com mais nada, saio do carro, abro a porta traseira e puxo seu corpo mole. Posso ouvir o som de seus belos saltos vermelho brilhante se chocarem um no outro enquanto corro. Com Amber em meus braços, adentro com brutalidade a porta.

— Alguém me ajude! Acho que ela está morta! Por favor! — o desespero me consome, minhas carnes tremem, minha cabeça lateja e meu estômago revira. Acho que a adrenalina acabou assim que entrei naquela sala enorme sala de recepção.

— O que aconteceu? Tragam uma maca! — um enfermeiro de pele negra se aproxima e me ajuda a suportar o peso do seu corpo.

— Eu não sei direito. Estávamos numa festa. — digo ao colocarmos seu corpo na maca.

— Ela comeu um bolinho com nozes. Acho que é alérgica. Ela parou de respirar, o rosto inchou e a pela tá vermelha. Ela está morta?

— Ashley anda enquanto acompanhamos seu corpo até uma sala.

— Não posso dar muitas informações agora. Seu pulso está muito fraco e sua respiração parou. Qual o nome de vocês? — ele diz enquanto outros médicos voam em cima do corpo de Maddox. Tudo acontece muito rápido.

— Justin Bieber.

— Ashley Scheiffer. E o nome dela é Amber Maddox.

— Acho que você é o filho da Mallette, não é?

— Sim.

— Ela esta vindo pra cá agora.

— Justin? O que está fazendo aqui? O que aconteceu? — minha mãe chega correndo.

— Eu estou bem, é uma amiga minha. Ela não respira. Ajude ela, mãe! — digo desesperado.

— Certo, eu preciso que saiam daqui e esperem na sala de espera ou no corredor. Não podem ficar aqui dentro. Saiam. — ela diz e o enfermeiro nos guia para fora dali enquanto vejo uma mulher de farda azul empurrar seu peito com força tentando fazer ela voltar a respirar.

Narrador observador on.

Do lado de dentro daquela sala, pessoas se posicionam frente ao corpo da paciente desfalecida.

— O que aconteceu com ela? — a enfermeira chefe Mallette põe as luvas.

— De acordo com Ashley Scheiffer, a paciente Amber Maddox comeu um bolinho com nozes numa festa e passou mal. Seu rosto inchou, parou de respirar. Suponho que seja uma reação alérgica as nozes. — ele diz de imediato e ponhe suas luvas.

— O que fazemos? — a terceira enfermeira diz.

— Aplique 5 miligramas de corticoides e 3 vasoativas. — diz ríspida. Pega um mini lanterna e analisa suas pupilas dilatadas.

— Aplicando 5 miligramas de corticoides e 6 vasoativas. — a enfermeira repete em voz alta.

— Três de vasoativas! Três! — ela grita.

Os aparelhos continuam frenéticos e seu pulso está fraco.

— Isso vai demorar muito. — Mallette diz. — Traqueostomia.

Como num piscar de olho o homem de pele escura lhe passa um bisturi e sua pele é limpa e cortada. Passando a lamina pela parede da traqueia da garota a fim de facilitar a entrada de oxigênio quando o ar está obstruído. Faz um corte na traqueia para expor os anéis de cartilagem presentes naquela região, depois corta entre dois daqueles anéis.

— Cânula. — ela estende a mão e recebe o tubo de plástico. Introduz a cânula, de forma que a traqueia e o meio externo se comuniquem. Feito isso, são conectados os aparelhos de respiração artificial na ponta da cânula, que possui uma borda para evitar que ocorram vazamentos.

Nos aparelhos é possível ver seu pulso aumentando. Tudo se estabilizando. Ficando gradualmente mais alto. Agora finalmente  todos podem respirar naquela sala.

— Levem ela pra um quarto. Chamem o doutor Richard para analisar a garota. Suas pupilas estão muito dilatas, acho que precisa de um exame toxicológico. E também de soro. — ela diz e tira suas luvas, jogando-as numa lixeira de canto.

Mallette sai da sala e encontra seu filho e mais uma garota sentados no corredor esperando por notícias.

Narrador observador off.

— Finalmente. — Ashley levanta da cadeira. — Ela está bem?

— Sim, ela está. Foi preciso fazer uma traqueostomia para facilitar sua respiração. Ela quase morreu.

— Ai meu Deus! Graças a Deus! — ela conseguia soltar todo o ar dos pulmões agora. — Vou ligar para a mãe dela e contar o que aconteceu.

— Faça isso, mas seja cuidadosa nas palavras. — alerta a garota. — E você? Está bem? — ela se dirige a mim.

— Desculpe, mãe, mas eu vim com seu carro. Furei inúmeros sinais e quase provoquei acidentes. Tenho certeza que consegui várias multas e pontos na sua carteira. — minhas palavras saem com receio. Ela apenas analisa minhas palavras. A mesma respira fundo e coça a testa.

— Acho melhor você ir pra casa. Não no meu carro. Peça ajuda a sua amiga aí que quando eu chegar em casa me resolvo com você porque se não eu vou te matar aqui. — diz segurando a raiva e sai dali marchando como um soldado.

Suspiro fundo e me sinto culpado pelos acontecimentos. Mas pelo menos, ela está bem. Isso já o suficiente. 

— Acabei de falar com a mãe dela e ela se desesperou, mas acalmei ela. Já esta vindo pra cá. — Ashley diz e guarda o celular no bolso.

— Tudo bem, entendi. Eu preciso ir embora agora, você vai ficar bem sozinha? — estou exausto, entretanto, com nervos a flor da pele.

— Sim, sim, posso. Você foi muito legal está noite. Muita obrigada por ter ajudado ela. Eu fico grata por ela. — ela diz vagarosa, então me abraça brevemente.

— Tchau, fica bem. — dou as costas e saio. — E ah, liga para o namorado dela. Esqueci que ela tem um. — rio ao me lembrar.

Na recepção, deixo as chaves do carro da minha mãe e peço para que seja entregue a ela. Ando alguns minutos e finalmente chego ao ponto de ônibus. Minutos depois, desço no meu quarteirão e já estou abrindo a porta de casa.

Sendo quatro da manhã, piso no chão da sala e fecho a porta atrás de mim. Subo as escadas como um derrotado  e chego ao meu quarto. Na cama me jogo e meu corpo afunda no colchão como se eu fosse uma bigorna. Eu não consigo pensar em absolutamente nada. Eu estou cansado demais pra querer pensar no que eu vou enfrentar amanhã. Na verdade, hoje de manhã. Logo mais tarde um dragão feroz vai me queimar vivo.

Enquanto ela não chega, vou usar meu últimos minutos de vida para dormir. 
 


Notas Finais


O que acharam?? Deixem nos comentários e favoritem a fic. Compartilhe com quem gostaria!
Fantasia da Amber: https://i.pinimg.com/originals/eb/57/a9/eb57a926440395c542f16c913f6de48e.jpg

Obrigada por continuarem comigo! <3


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