História Tsubaki no Niwa - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aki, Hana, Lemon, Niwa, Shimokita, Shoossetsu, Tsubaki, Yaoi
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Palavras 2.410
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Surpresa. ;3

~Rockeiro Sem-Noção.

Capítulo 7 - Boku Wa Yoshikawa Haruo Desu


Hiro abriu seus olhos castanhos.

Olhou para o lado e viu a luz do Sol de um domingo brilhando em sua janela. O dia estava inesperadamente lindo e ensolarado sem nenhum sinal de chuva de outono naquele plácido céu azul. Parecia que as energias do Universo estavam se alinhando à favor dele.

A animação foi tanta que ele se sentou em sua cama sem nem hesitar, olhou para o relógio-despertador de porquinho na mesa de cabeceira e se surpreendeu por ver que ainda eram 9 horas. Aquele era o primeiro dia de um fim de semana em que Hiro não acordava mais tarde e ainda ficava embromando na cama. Seu corpo todo girou na cama e ele se levantou rapidamente.

O garoto de olhos castanhos saiu andando do quarto, sentindo-se radiante. Foi direto para o banheiro e tomou um longo banho de ofurô até simplesmente enjoar de ficar lá dentro. Hiro se vestiu com roupas mais relaxantes e partiu para a cozinha. Como ele dependeria de si mesmo para fazer sua própria comida daqui em diante, Hiro decidiu fazer um asagohan bem gostoso.

Dessa vez, ele se dedicou diante do fogão como se estivesse trabalhando em um restaurante luxuoso em Ginza. O cheiro que permeava o ar era de uma mistura de temperos, molhos, carnes de peixe e o arroz especial que apenas Kannon poderia torná-lo comestível com seu leite. O garoto ainda colocou tudo na mesa como se estivesse esperando por alguma visita naquela manhã quando não tinha sequer relações mais sustentáveis com qualquer pessoa de Tokyo e muito menos Shimokitazawa.

A mesa da cozinha estava tão bela com o asagohan servido que até parecia foto de revista de culinária. Hiro puxou a cadeira da cabeceira e se sentou tão logo pegou seus hashis.

-Itadakimasu...-Hiro sussurrou num sorriso bem feliz.

Minutos depois, todos os filés de robalo já haviam sido devorados, a tamagoyaki fora reduzida à alguns restinhos de nira no prato quadrado de porcelana e não havia sequer um grão de arroz na cumbuca.

Hiro terminou de beber o restante de sua missoshiru e colocou a cumbuca sobre a mesa. Lambeu os lábios num sorriso todo feliz e satisfeito. Nunca antes ele cozinhara tão bem assim e ainda por cima para si mesmo. Ele já tentara cozinhar para os seus amigos de Osaka no passado, mas ainda não havia atingido a perfeição.

Por um momento, sua mente ficou no ar com um milhão de pensamentos velejando naturalmente. Estava totalmente distraído quando olhou para o calendário na porta da geladeira e viu a foto de um lindo crisântemo – o selo imperial japonês.

De forma instantânea, esse crisântemo o fez se lembrar do lindo jardim de camélias do dia anterior. Então, Hiro começou a sentir uma coceira misteriosa em suas emoções e suspeitou que ela seria familiar dali em diante.

Levou apenas alguns minutos para Hiro colocar toda a louça suja na lava-louças e se mandar do seu apartamento mais rápido do que o vento.

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Ao ver que a escada de madeira ainda estava no mesmo lugar em que deixou, Hiro sentiu um certo arrepio na espinha como se seus instintos quisessem lhe dizer algum segredo por trás de tudo isso.

Mesmo assim, Hiro subiu a escada lentamente até o último degrau e alcançou as telhas do muro à frente.

Lá estava o vasto jardim das camélias todo colorido, vivo, florido e perfumado. Ele era real, não era apenas um sonho enigmático. Mais uma vez, o garoto de olhos castanhos passou rapidamente por cima das telhas do muro para não quebrá-las com algum descuido e foi se equilibrando para descer daquela pirâmide de caixotes de madeira cheios com sacos de fertilizante. Pisou no chão de pedras e teve o prazer quase onírico de se deslumbrar com a paisagem do jardim das camélias ao seu redor.

Hiro foi andando pelo jardim como se estivesse flutuando de novo. Ele apreciou a beleza de cada camélia branca, rosada, amarela e vermelha do jardim. Todas eram tão saudáveis, delicadas e fofas que até parecia um pecado budista cortá-las para fazer algum tipo de ikebana com elas.

Então, como um refúgio especial e secreto num mundo conturbado, o banco de madeira estava esperando pelo garoto no mesmo lugar em meio à todas as camélias que desabrochavam naquela estação. Com um sorriso bem feliz, Hiro se sentou no canto dele e apoiou o cotovelo no braço de ferro fundido dele. Seus olhos castanhos observaram os pássaros de bairros residenciais indo e vindo pelo céu azul acima dele. Todos os lindos e fofos seres alados pousavam no chão de pedra do jardim e se escondiam por trás das moitas verdejantes das camélias. Haviam outros que preferiam beber água, ou comer alguma coisa em bebedouros e comedouros que estavam disponíveis nas proximidades da casa.

Hiro estava torcendo para que não tivesse nenhum ser humano ali dentro de novo. Tinha noção de que podia ser pego ali e, talvez, ser levado até a polícia com a acusação de invasão de privacidade das pessoas.

No entanto, a paz que se respirava naquele jardim de camélias o fazia se esquecer completamente de que havia pena de morte no Japão, ou sequer crime no mundo inteiro. Tudo isso parecia ser tão mundano e sem sentido diante da divindade gloriosa da natureza. Todos os deuses fizeram o impossível para criar um jardim tão belo que a Terra já foi, um dia, antes de todos os mortais começarem a construir o seu próprio jardim com concreto, metais e poluentes em vez de flores, verde e vida.

Uma brisa calma soprou sua franja negra bagunçada. Hiro fechou os olhos por um momento e sorriu, deixando que o ar puro enchesse os seus pulmões com felicidade e paz.

-Apreciando a paisagem?

O susto foi tão grande que Hiro praticamente pulou do banco de madeira feito um gato assustado e quase gritou como uma burikko. Com a mão empurrando o coração disparado para dentro do peito, ele olhou para a origem daquela voz masculina que apareceu de supetão em seus ouvidos.

Era um marmanjo parado ali perto no jardim. Ele era consideravelmente mais alto que Hiro e tinha um corpo mais musculoso do que o seu corpinho magro de adolescente. Seus cabelos eram longos e levemente ondulados até os cotovelos com uma cor intensa de platinado e as pontas pintadas de azul. A roupa dele mostrava que ele parecia estar relaxando dentro de casa porque usava uma regata preta cavada e colada no corpo, uma calça de xadrez vermelha e preta parecendo kilt e uns chinelos simples.

Os olhos negros dele olharam para Hiro da cabeça aos pés como se estivesse estudando cada vazamento emocional e psicológico naquela expressão engraçada de gato espantado.

-Quem é você?-Hiro deixou escapar, mesmo suspeitando da resposta mais óbvia.

-Boku wa Yoshikawa Haruo desu.-apresentou-se Haruo, o marmanjo de cabelos platinados, que olhou para a grande casa atrás de si.-Eu moro aqui. E você?

Um reles intruso que veio conhecer o jardim de camélias que teve num sonho bizarro? Isso seria idiota demais para responder.

-Boku wa Fujiwara Hiro desu.-Hiro respondeu com uma voz toda tímida e assustada.-Gomen nasai. Eu não devia estar aqui. Eu vou embora agora mesmo.

-E pra quê?-Haruo questionou, cruzando os braços sobre o peito.-Você já sabe o caminho até aqui mesmo. Se eu soubesse que você ia aparecer por aqui de novo, eu teria feito um piquenique.-Riu.

-Como assim?-Hiro franziu o cenho de um jeito inocente.

-A vantagem de morar num andar acima do térreo é que você sempre tem uma vista melhor dos arredores.-Haruo aproximou-se calmamente.-Eu moro no andar de cima da casa, então te vi pulando o muro ontem pela janela do meu quarto.

O rosto de Hiro ruborizou de um jeito que ele nem sabia ser possível. Até parecia que ele tinha colocado uma máscara de morango gigante na cara.

-Olha...-Hiro procurou as palavras.-Não foi minha intenção invadir a sua propriedade...

-Não foi sua intenção colocar uma escada lá fora para pular o muro?-Haruo provocou, abrindo um sorriso divertido.

-NÃO!-Hiro diz alto demais – depois se acanha.-Quero dizer, sim... bom, não... ou... sim?

Haruo arqueou a sobrancelha que, curiosamente, também era platinada.

-Vamos dizer que eu tive um sonho bizarro em que eu estava nesse jardim...-Hiro está dizendo enquanto seu rosto era a nova versão do Hinomaru.-E... isso foi antes de eu me mudar para cá.

-Você é novo no bairro?-Haruo quis saber.

-Na cidade inteira, na verdade.-Hiro respondeu.-Eu vim de Osaka.

Haruo ficou parado por um momento. Olhou para Hiro novamente da cabeça aos pés e se aproximou mais. A diferença de altura de ambos era a sua característica mais notável até o momento presente. Então, o platino apenas se sentou no banco de madeira e convidou o garoto para se sentar com ele também, dando um tapinha na madeira.

Os dois ficaram sentados ali em um profundo silêncio por um minuto inteiro.

-Como foi esse seu sonho?-Haruo perguntou de supetão.

-Bom...-Hiro o olhou timidamente.-Foi simplesmente eu sentado nesse banco... de um jeito meio meditativo... como se estivesse em paz. E isso foi bem antes de eu pensar em me mudar para Tokyo, essa foi a parte estranha de tudo.

-E como foi que descobriu esse jardim?-Haruo diz como se estivesse todo interessado nesse mistério.

-Eu vi as cores dele pela janela do meu quarto e procurei imagens de satélite dele no Google Maps.-Hiro explicou.-Mas... antes disso... um pardal japonês me levou até o beco sem saída que fica atrás do seu jardim...

-Um pardal japonês...-Haruo assentiu bem devagar.

Aquele marmanjo platinado devia estar pensando que Hiro era louco. Ele até abaixou a cabeça por vergonha, preparando-se psicologicamente para uma explosão de risos e depois subir correndo o muro para nunca mais voltar.

-Acredito em você.-Haruo ecoa.

O garoto levantou a cabeça na hora e olhou para o marmanjo.

-Como é que é?-Hiro piscou os olhos castanhos de maneira inocente.

-Os animais tem uma sabedoria sagrada.-Haruo dá de ombros tranquilamente.-E poderes que nem os humanos conseguem compreender.

-Sim, faz sentido.-Hiro assentiu, ainda um pouco confuso.-Mas o que isso tem a ver com o pardal que me levou até aqui?

-O cervo é um intocável mensageiro dos deuses que perambula pelos templos e santuários.-Haruo explicou.-A raposa pode reduzir vilarejos inteiros à cinzas em suas chamas e baleias mortas sempre voltam para se vingar dos seus caçadores com maldições de ruína.

O platinado olhou para o garoto de cabelos repicados ao seu lado e sorriu levemente.

-Essa espécie de pássaro não habita as cidades, então ele pode ser um espírito mensageiro...-Haruo diz como se fosse o conceito mais simples que existe.

Essa história de pássaros e espíritos não era para ser tratada com uma pessoa que Hiro acabou de conhecer há alguns minutos. Era melhor mudar de assunto.

-Esse jardim aqui é seu?-Hiro perguntou, olhando para todas as camélias.

-Atualmente, sim.-Haruo assentiu.-Antes, era da minha tia, mas ela acabou ficando ocupada demais com o salão de beleza em Harajuku depois que ficou viúva.

-Ela está trabalhando agora?-Hiro diz, olhando diretamente para a casa com medo de ser pego por algum adulto.

-Está.-Haruo respondeu vagamente.-Só vai voltar à noite. Parece que as noivas de Harajuku decidiram alugar o salão dela.

-Então, você está sozinho aqui?-Hiro sentiu um alívio repentino e até respirou com mais calma.

-Iie. Minha prima está lá dentro.-Haruo meneou para a parte térrea da casa.-Dormindo.

O garoto de olhos castanhos se levantou rapidamente do banco de madeira enquanto o marmanjo platinado só ficou olhando a reação dele.

-É melhor eu ir embora.-Hiro murmurou com certa ansiedade.

-Maa, maa.-Haruo não deixa de rir.-A Aiko é a garota mais gentil e graciosa que eu já conheci. Eu sempre digo para ela que a sua doçura é tão pura que ela podia trabalhar num meido kissa. O nome dela faz todo o sentido, não?

-Acho que sim...-Hiro riu levemente.

Haruo se levantou e olhou para todo o jardim de camélias tão logo olhou para Hiro.

-Volte sempre que quiser.-Haruo abriu um sorriso caloroso.-Gosto quando alguém de fora aprecia o meu jardim.

-Sério?-Hiro se iluminou na hora.

-É só tocar o interfone lá do portão.-Haruo riu em diversão.-A gente não recebe muitas visitas, então vou saber que é você...

O garoto de olhos castanhos abriu um sorrisinho meio acanhado para o lindo marmanjo de cabelos platinados azuis. Em gratidão, ele lhe reverenciou de um jeitinho bem tímido e mal conseguiu conter o riso bobo.

Haruo sorriu – e algo em seu sorriso parecia ser mais florido do que o jardim das camélias.

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Hiro deixou a porta de seu apartamento se fechar com o seu leve empurrão e depois se encostou todo nela, largando as chaves no chão logo em seguida.

Por um momento, ele acreditou ter acordado de algum tipo de delírio, um transe hipnótico, ou algum estado meditativo que o fez parar em outra dimensão. Todo aquele breve tempo em que permaneceu andando serenamente como quem não quer nada dentro do jardim das camélias, Hiro sabia que corria algum risco de ser pego em flagrante. Isso apavorava uma certa parte do seu cérebro que só era inibida pelo prazer quase onírico e simplesmente fantástico de se encontrar no interior daquele jardim.

Mas quando isso aconteceu, não foi tão ruim como Hiro pensou que fosse – nem de longe. Haruo fora tão gentil com ele que é como se fosse um amigo que veio lhe visitar pela porta da frente, é claro. Eles conversaram tão naturalmente que até a situação em que se encontravam parecia ser totalmente normal.

Inesperadamente, Hiro sentiu que havia acabado de tecer uma conexão ainda leve e singela com o primeiro habitante de Tokyo pela primeira vez desde que se mudara para lá. Seu olhar se ergueu com essa percepção e isso o fez rir bobamente.

Pegando as chaves do chão, o garoto de olhos castanhos trancou sua porta e tirou as botas masculinas antes de sair andando de meias pela sua sala de estar e se jogar todo no sofá. Ele ficou pensando em Haruo por alguns poucos minutos. Decididamente, era o marmanjo mais lindo que ele já viu em Tokyo e que pôde reconhecer e admitir sua beleza tão intensa e notável. O sorriso dele era encantador e irresistível. Talvez, até mesmo sedutor e aqueles lindos e longos cabelos platinados de pontas azuis o deixavam ainda mais lindo.

 

Um leve rubor cruzou o rosto de Hiro. Ele abriu um pequeno sorriso acanhado e foi ligar a TV, só para se distrair um pouco.



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