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História Tsunami - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Canela


 

 

 

       Todos sabiam quem era Byun BaekHyun, ou melhor, conheciam de trás para frente a fama de “predador sexual” que o estudante de letras carregava dentro e fora da universidade. As portas dos banheiros eram repletos dos relatos da rotina sórdida do Byun, contada por aqueles que supostamente tiveram a sorte de ter um momento de glória ao lado do garoto das mechas vermelhas.

 

“Byun Baekhyun me comeu dentro do carro do diretor. Cara... Ele é selvagem!”

 

“Chupei o Byun no meio da na prova de Literatura Ocidental.

Ps: Grande pra’ caralho.”

 

“Fisting... Byun BaekHyun não tem limites, ele sabe mesmo como te comer de formas variadas.”

 

“Espero que o Byun me foda qualquer hora dessas.”

 

Havia até mesmo relatos nas portas dos dormitórios da república, que constantemente eram pintadas por exibir conteúdo inapropriado. A última cor escolhida havia sido um azul tão apático que não se podia conter o desânimo ao encarar a madeira gasta. Completamente deprimente, combinava bem com o espírito acadêmico. 

 

A grande questão era: não existia ao menos um universitário que não soubesse no mínimo uma das aventuras sexuais do garoto das mechas vermelhas.

 

O mullet parecia ficar melhor nele do que em qualquer outro cara, talvez por conta do ar rebelde e despreocupado que  exalava. As tatuagens marcavam uma boa parte do corpo magro, assim como os piercings espalhados pelos quatro cantos do seu rosto, o da sobrancelha esquerda parecia dançar sempre que ele a arqueava despretensiosamente. 

 

A jaqueta jeans surrada estava sempre jogada sobre os ombros largos, os coturnos pesados nos pés teciam um contraste com a calça de lavagem embranquecida sempre cheias de furos e pequenos metais, as quais construíam o conjunto singular do “garoto malvado”. O sorriso debochado nos lábios finos era a cereja do bolo, deixava-o ainda mais intrigante, feroz. 

 

       BaekHyun sempre estava rodeado por garotas; das lideres de torcida ás nerds nota dez. Ele era, sempre visível as olhos de quem quisesse vê-lo, e todos queriam ao menos um segundo para se perder na aura visceral de Byun BaekHyun. Estar com ele era como ser o foco da luz neon na pista de dança, o último cigarro no bolso traseiro de seu jeans, a gasolina no tanque de sua moto. Todos queriam um momento, apenas um segundo, para serem despedaçados por ele.

 

       Até mesmo Park ChanYeol, o capitão do time de basquete da universidade, já perdera longos minutos admirando o garoto rebelde de longe.

 

       ChanYeol e BaekHyun faziam parte de mundos diferentes, seus caminhos não se cruzavam pelo o que aparentavam ser. ChanYeol, um bolsista que ingressou na Liberty University com uma bolsa para jogar basquete, estava ali unicamente para doar-se aos estudos e ao esporte, esse era o grande foco de sua vida. A adrenalina que o consumia quando estava dentro da quadra fazia-o levantar todas as manhãs em busca de se tornar melhor do que ontem, uma meta dura de mais para um garoto em seus vinte anos, mas ChanYeol apenas ficaria satisfeito consigo mesmo quando se olhasse no espelho e enxergasse a pessoa que sempre desejou ser. 

 

       Não havia tempo para desvios em sua meta; quando não estava na quadra, treinava por si mesmo, às vezes esquecendo-se de que era uma pessoa com necessidades básicas como comer, ou até mesmo dar um descanso para a mente sempre ligada, com pensamentos que corriam soltos e velozes como a bola que arremessava para a cesta.

 

       BaekHyun era inconsequência, o tsunami que devastava qualquer oceano que ele se dispunha  estar.  Ele era as festas ao amanhecer, o gosto viciante do álcool, o último  gole dentro de um copo rachado,  o barulho impetuoso da Yamaha Virago[1] que sempre estava montado.  A libertinagem parecia ser sua natureza, a qual fazia morada em cada um de seus atos.

 

  ChanYeol seguia métodos, caminhava sobre uma linha que precisava ser perfeita para atingir seus objetivos. Sem jamais desviar ou desacelerar, seguindo sempre o ritmo do jogo, bolas dentro de cestas. O mundo de BaekHyun era banhado pela popularidade cheia de ações opiniosas , a definição perfeita do caos sobre a terra. Entretato, a vida era uma vadia traiçoeira e havia encontrado um jeito, talvez através de um pacto com próprio diabo, para atravessar mundos tão distintos, impiedosamente como um trem desgovernado que faz barulho sobre os trilhos, levando o coração a querer sair de dentro do peito por puro terror.

 

ChanYeol batia, como toda a delicadeza que não possuía,  o discman[2] contra a coxa na tentativa de fazê-lo voltar a funcionar, sabia que o CD estava  mais arranhado do que tudo, porém não tinha grana sobrando para comprar outro. Uma batinha ali e acolá foi o suficiente para o aparelho voltar a exercer suas funções, e logo Dancing With Myself[3] voltou a encher seus ouvidos, em um volume tão baixo que quase lhe parecia uma música no fundo de sua mente; a cabeça discretamente balançava no ritmo da melodia.

 

Passou pela bibliotecária jogando-lhe um sorriso cortês, porém nada parecia deixar a mulher de meia-idade de bom humor. Era sinistro. Apesar da recepção rude, ChanYeol fazia questão de ser gentil sempre que ia a biblioteca, quem sabe acabaria pegando-a em um bom dia qualquer hora.

 

Estava distraído com a música, o discman muito bem escondido dentro do bolso da jaqueta do time, o capuz jogado sobre a cabeça impedindo que os fones fossem vistos, tão disperso que não notou quando passou da seção de história, indo cada vez mais para o fundo, o dedo hora ou outra batucando nas lombadas duras dos livros perfeitamente alinhados.  Estava prestes a começar a dançar, de um jeito totalmente ridículo, quando enfim percebeu não estar sozinho.

 

Depressa trocou de seção, o coração acelerado dentro do peito pela apreensão de quase ter sido flagrado no meio de um ato desastroso por Byun BaekHyun. Sentiu o alívio cair sobre seu corpo com o mesmo efeito de um anestésico; por alguns segundo não sentiu nada além de calmaria, até mais uma vez ser tomado; pela ansiedade crua de estar tão próximo do outro.

 

ChanYeol já havia superado a estranha curiosidade que o aprisionou em seu primeiro ano na Liberty University.  No início, quando se questionava das razões que o fizeram tão curioso, considerou o interesse superficial como algo banal, visto que o tão famigerado BaekHyun era quase como uma celebridade dentro do corpo estudantil., Tudo sobre ele tendia a ser extremamente glamourizado, como a sessão do filme do momento, a música mais tocada nas rádios, a manchete na capa de revista.

 

Tão rápido quanto  veio, tratou de findar-se da mesma forma. No entanto, estar tão próximo do garoto das mechas vermelhas de corte ultrapassado  o fez retornar para o primeiro dia de aula, vendo-o caminhar com os coturnos pesados que faziam barulho no piso amarelado do corredor principal, ecoando em seus ouvidos como trovões em uma tempestade de verão.

 

Tratou de controlar a respiração assim que olhou por uma fresta entre os livros, intuindo confirmar que de fato não havia sido flagrado.  BaekHyun encontrava-se no espacinho mínimo entre a parede e uma das imensas prateleiras de madeira, o corpo cabia perfeitamente no pouco espaço por ser pequeno e magro, até mesmo os ombros largos acomodavam-se de modo impecável, tão encolhido que chegou a deixar ChanYeol agoniado por imaginar que talvez estivesse sendo doloroso para o outro estar enfiado em um espaço tão limitado, entretanto as feições no rosto alheio estavam longe de externar dor ou sequer desconforto. Os lábios finos estavam repuxados em um sorrisinho de canto, tão cálido que ChanYeol não resistiu ao impulso de esfregar os olhos para confirmar se por algum acaso não estava a delirar, mas o sorriso bonito e delicadamente sincero não abandonou os lábios do Byun. Fazia mais sentido que o sorriso fosse de fato real, ChanYeol não seria capaz de projetar algo tão bonito como aquele simples repuxar de lábios.

 

Estava chocado, em quase dois anos nunca viu um sorriso tão puro na face do garoto inconsequente. Na verdade, parando para pensar, jamais havia presenciado, na face de ninguém, um sorriso tão sincero a ponto de parecer carregar o segredo da felicidade.

 

Desceu os olhos para as mãos pequenas, as unhas  pintadas de preto, seguravam  com apreço um livro, O morro dos ventos uivantes[4]. Os olhos corriam revoltos enquanto ele lia, pequenos pássaros voando ao céu, atados as palavras de um modo tão intenso que chegava a sentir o próprio peito queimar.  Estava perto o suficiente para que fosse capaz de enxergar o tom de canela das íris impenetráveis. [3] 

 

 BaekHyun riu, rapidamente cobrindo a boca com o dorso da mão tentando abafar o som. Os olhos se fecharam em meias luas antes de abrirem novamente, tornando-se irremediavelmente ardentes, como um chá quente em uma noite de inverno.  ChanYeol sorriu sem perceber, repuxando os lábios no limite de suas bochechas apenas porque  se aparvalhado com o sorriso do Byun, esse que era tão genuíno que chegava até olhos pequenos. No meio dos livros empoeirados, enxergando o universo por uma brecha entre as capas duras, ChanYeol descobriu que olhos sorridentes eram seu fraco. Olhos cor de canela.

 

Absorto em seu mundinho no qual espiava BaekHyun como quem observava as estrelas, acabou não moderando suas ações; a mão esquerda esbarrou em um livro o derrubando no meio do corredor da seção onde ele estava, criando um som pesado no assoalho. O ruído de sua decadência. Voltou a sentir o corpo gelado, o coração estava tão acelerado que facilmente podia escutá-lo batendo em seus ouvidos. 

 

BaekHyun, completamente assustado, procurou pela origem do estrondo, escondendo o livro entre as pernas.

 

— Merda! — ChanYeol sussurrou baixinho, tentando não hiperventilar. Precisava se recompor e ir de encontro ao garoto menor; certamente seria estranho pra’ caralho não falar com ele agora, acabaria passando a impressão de estar espionando-o, e apesar de ser a verdade universal, não queria passar a imagem de um esquisitão.

 

Buscando um controle que acreditava não existir em si, pegou o primeiro livro que estava em sua frente, criando um espaço maior no vão que estava lhe servindo de telescópio, deixando que enfim BaekHyun notasse sua presença. Ele franziu a testa, fazendo com que a mecha que repousava ali se mexesse de um jeito que lhe pareceu ser engraçadinho.

 

ChanYeol passou para a outra seção, caminhando com uma falsa calma em direção ao livro que havia derrubado. Sem ter coragem de encarar o garoto escondido se abaixou para pegar o livro, mas ao notar que estava sendo idiota sem um motivo aparente, parou.  Era apenas outro cara ali; levantou já com o livro em mãos e direcionou seu olhar ao inconsequente que lhe fitava em um misto de temor e algo mais que não soube identificar, um mistério nos olhos quentes como um chá de canela.

 

— As cadeiras da biblioteca são bem confortáveis... — ChanYeol soltou como quem não quer nada, tentando de alguma forma soar casual, como se seu mundo não estivesse prestes a ser devastado por um tsunami. — ao menos aquelas que não estão quebradas, é só procurar as livres de chicletes.

 

— Prefiro fazer as leituras obrigatórias em lugares desconfortáveis, ajuda a mente a se concentrar na merda que estou sendo obrigado a ler. — os olhos castanhos correram pelos livros da prateleira a sua frente, como se estivessem fugindo dos olhos alheios.

 

O nariz enrugou-se um par de vezes, balançando o piercing no septo. Um movimento tão aleatório, mas ChanYeol se viu preso nele; talvez BaekHyun estivesse usando seus poderes de bruxo.[5] O piercing criava uma sombra em cima do arco do cupido e, perceber tal fato acabou levando sua atenção para os lábios finos. Foi inevitável não se perder os observado, sorrindo, sem um motivo aparente, quando encontrou uma pintinha em cima do boca vermelha bem, do lado direito. Uma pintinha delicada, a própria Centauri.[6]

 

 

— Parecia muito divertido para uma leitura obrigatória. — apontou para o livro em questão, os olhos arduamente se empenhando em ler BaekHyun, que ainda não o fitava de volta.

 

A sinceridade no sorriso que flagrou por acaso mostrou-lhe que o leitor escondido realmente apreciava o livro que estava lendo. Talvez de fato fosse uma leitura obrigatória visto que o Byun cursava letras, mas que ele gostava para um caralho do livro havia ficado claro naqueles poucos segundos.

 

— Estava xeretando, capitão? —  BaekHyun se levantou em um pulo, limpando a parte traseira com a mão esquerda enquanto com a outra segurava o livro, enfiando-o no meio da prateleira a qual estava encostado antes.

 

ChanYeol quase teve um mini surto por BaekHyun parecer saber algo sobre si, o que não seria tão difícil visto que era o capitão do time de basquete da universidade, entretanto logo se tocou que a jaqueta que trajava carregava sua identidade. A decepção tinha um gosto amargo. 

 

— Bibliotecas são lugares silenciosos, qualquer coisa fora da quietude se tornar uma explosão. – deu de ombros, como se não fosse grande coisa. —– E também não é todo dia que você encontra Byun BaekHyun em um ambiente como esse.

 

— Sabe quem eu sou? —  a testa se franziu mais uma vez dando movimento a mecha avermelhada sobre a pele clara. BaekHyun aparentava estar genuinamente surpreso.

 

— Há alguém nessa instituição que não saiba quem você é? — jogou de volta, confuso pela reação inesperada.

 

BaekHyun balançou a cabeça, assentindo com, uma expressão que beirava a decepção adornando suas feições.

 

 — Além do mais... — fez o caminho até o exato local onde o menor havia colocado o livro, pegando-o.

 

Virou para BaekhHyun, ficando realmente próximo a ele,  a diferença de altura fazendo-se notória diante seus olhos. ChanYeol era um cara alto, seus 1,95 não era brincadeira; já BaekHyun batia no meio de seu tórax. Estava perto o bastante para que conseguisse sentir o cheiro dele, que exalava um cheirinho doce de chiclete, Razzles[7].

—  Garotos também podem gostar de romance.  – completou, colocando O Morro dos Ventos Uivantes junto aos outros dois livros debaixo do braço, segurando como se estivesse aparando sua bola de basquete.

 

— Não faço o tipo romântico. —  BaekHyun sorriu, prepotente, com um deboche velado, parecia extremamente falso.  Os olhos canela não lhe fitavam realmente, como se apesar de encará-lo estivessem enxergando algo dentro de si mesmo. — Prefiro dedos envolta do meu pescoço em vez de entrelaçados aos meus.

 

— Quem disse que isso não pode ser romântico? —ChanYeol também sorriu, sentindo o estômago gelar do mesmo jeito que o acometia antes de uma partida. Era como se estivesse jogando. — Tudo depende da forma como você faz.

 

ChanYeol deu-lhe as costas, por alguns segundos temeu não ser capaz de aguentar o peso do próprio coração que parecia lhe rasgar de um jeito que até poderia ser doce se não o estivesse deixando-o completamente apavorado, era patético, certamente, mas não conseguia manter-se dentro de seu controle.

 

Antes de deixar a seção que nunca mais abandonaria seus pensamentos, escutou BaekHyun dizendo com um  tom zombeteiro.  

 

— Pra quem estava de fones seus ouvidos foram extremamente astutos em captar a não quietude, capitão.

 

—- Touché. [8]

 

Havia sido desmascarado e nem mesmo o vexame de ter sigo pego em sua espionagem o fez se arrepender-se de seus atos intrometidos. O sorriso que tinha morada nos olhos cor de canela fazia valer a pena o quão idiota deveria estar parecendo.

 

 

 

~ x ~

 

ChanYeol leu O Morro dos Ventos Uivantes em uma única noite. A cada trecho perguntava-se qual deles teria sido o responsável por fazer nascer o sorriso de Byun, qual era a sua parte favorita. Precisou buscar um copo grande de água gelada quando terminou de ler pois chorava como um bezerro desmamado, limpando as lágrimas com a barra da camisa no caminho até a cozinha. Seu colega de dormitório não estava como de costume, então pôde chorar pelos cômodos com toda a liberdade.

 

Voltou a se sentar-se na mesinha posicionada no cantinho do quarto, bem em frente à janela. Um pé dela estava gasto, sempre que se apoiava o móvel pendia para o lado esquerdo, criando um barulhinho chato. Perdeu as contas de quantas vezes disse a si mesmo que iria arrumar essa merda, mesmo sabendo que seus dias eram cheios demais e que, nunca sobrava tempo para coisa alguma, entretanto ali estava Park ChanYeol lendo um livro de romance trágico durante a madrugada, perdendo o sono que lhe faria uma falta danada durante o treino que teria mais tarde.

 

Porque estava fazendo uma merda dessa? ChanyYeol gostaria de se fazer de idiota e brincar de cobra-cega com a própria mente, mas enganar a si próprio, ou a qualquer a sua volta, não era algo que fazia parte de sua índole. Mesmo a contra gosto admitiu que não havia superado o louco desejo que possuía de descobrir quem de fato seria Byun BaekHyun. Isso não lhe saía da cabeça; não importava o quanto se empenhava para esquecer, era algo que o consumia constante e poderosamente a ponto de sentir que queimava por debaixo de sua pele.

 

Talvez estivesse se metendo a sabichão por suspeitar que o Byun escondia seu real lado, mas caralho! Tinha visto algo nos olhos castanhos, um sentimento que estava injetado em sua mente, quase como se o garoto inconsequente estivesse implorando para ter seus mistérios revelados. ChanYeol sempre foi bom com quebra-cabeças, quem sabe poderia ser bom com BaekHyun.

 

Seu discman estava jogado embaixo da mesinha, precisamente em cima de sua mochila. Sem muito pensar o colocou em seu colo, levando os fones até os ouvidos. Uma sequência de palavrões desprendeu-se de sua boca quando o aparelho se fez de rogado para funcionar. Com um pouco de esforço Oh! Darling[9] ressoou em seus ouvidos. Pôs o volume no máximo procurando uma forma de expulsar o garoto rebelde de seus pensamentos.

 

— Mas que caralho! — chutou a parede com tanta força que acabou derrubando o abajur no chão, esse que estranhamente seguiu firme e forte ligado em sua plenitude. Estava puto porque só conseguia vê mechas vermelhas, coturnos barulhentos, olhos cor de canela, sorrisos meias luas. Será que teria que exorcizar os próprios pensamentos?

 

Com um pouco de raiva de si mesmo rasgou um pedaço de uma folha de seu caderno, rabiscando com a sua caligrafia grosseira no centro do papel:

 

“Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue.”[10]

 

Talvez esteja aqui os dedos que envolvem o seu pescoço.

 

~ x ~

 

Todas as terças, ao ir para a sua primeira aula, ChanYeol passava pelo corredor do armário do Byun. Diferindo de todos os outros armários amarelos enferrujados, o de dele era inteirinho pichado com as famosas frases sexuais, bem no centro dele estava escrito com tinta preta “Quero ser o mesmo que ele está comendo.”[11] 

 

Quase sempre era um dos primeiros alunos a chegar a classe, isso acontecia por acordar às quatro da manhã para correr pelo campus o que lhe deixava apenas com trinta minutos livres antes do início das aulas. Costumava gastar esse tempo escutando música enquanto rabiscava em seu caderno ou adiantando algum trabalho, o que lhe daria mais tempo livre para treinar depois.

 

Encontrar o corredor deserto fazia parte de sua rotina, podia facilmente escutar o barulho irritante do imenso relógio de ponteiro pendurado no alto da parede esquerda. O barulho buscou morada no fundo de sua mente, deixando-o levemente aflito.

 

Quando colou o papel amassado dentro do bolso da jaqueta ChanYeol disse a si mesmo que não iria entregá-lo a BaekHyun, não fazia o menor sentido passar bilhetinho para um cara que, apesar de ter trocado algumas palavras na biblioteca, não sabia de sua existência, no entanto ali estava Park ChanYeol, jogando pelas frestas de metal a folha dobrada de um jeito grosseiro para dentro do armário do  Byun. 

 

Tentando apagar os vestígios de seu nervosismo, limpou as mãos grudentas pelo suor na jaqueta enquanto caminhava com pressa para a sala vazia. A razão lhe atazanava os sentidos, fazendo com que ChanYeol se questionasse dos motivos que o levaram a agir tão estranhamente. Encontrava-se tão perturbado que seu único desejo era calar seus pensamentos por isso não perdeu tempo ao puxar os fones de dentro do bolso, os colocando nos ouvidos. Com um suspiro sôfrego deu play no Discman fechando os olhos quando o zumbido raivoso das baterias nublava sua mente caótica por alguns instantes.  

 

 

 

 

~ x ~

 

 

 

       ChanYeol passou duas semanas criando motivos misteriosos para ir até a biblioteca. Teve que lidar com a decepção vergonhosa que sentiu nos dias em que não encontrou o garoto rebelde escondido entre as prateleiras velhas, do mesmo modo que precisou se controlar quando sentiu o estômago embrulhar nos dias em que o flagrou encolhidinho entre a parede e a madeira gasta com um livro entre as mãos e o mesmo sorriso lindo nos lábios finos, os olhos cor de canelas em meias luas adoráveis, a mecha vermelha balançando sempre que ele ria para dentro, movendo o corpo em um chacoalhar delicado, o dorso da mão cobrindo a boca daquele jeito que já lhe parecia tão familiar.

 

Estranhamente observar BaekHyun lendo era como mergulhar dentro de si mesmo, cair dentro da toca do coelho. Os olhos castanhos pareciam donos de seu próprio universo, mas ao mesmo tempo ChanYeol sentia que o mundo cor de canela era tão seu como era dele. Não fazia sentido algum, sabia disso. Talvez não fosse loucura, talvez fosse apenas uma outra realidade, uma bela quimera. 

 

       Como da primeira vez, a imagem de BaekhHyun imerso enquanto lia lhe pareceu escandalosamente genuína, como se estivesse despindo a alma alheia, observando os cantos imagináveis de seu ser. Os olhos pequenos transmitiam sentimentos de um modo tão real que ChanYeol quase podia senti-los sobre a própria pele, alastrando-se por seu sangue como fogo. Era insano, estranhamente afável, reconfortante como um cobertor quentinho em noites de pesadelo, íntimo de um modo que acabou se sentindo completamente errado por estará observando outra pessoa sem consentimento.

 

       Prometeu a si mesmo que não voltaria a espioná-lo, não era certo, entretanto não resistiu ao impulso de pegar os livros que o viu lendo. Orgulho e preconceito, Alcançar as Estrelas e O Amante de Lady Chatterley. Sentia-se um completo babaca ao sentir o peso dos livros em sua mochila, mas não conseguia se livrar da vontade vergonhosa de entrar na mente de BaekHyun, descobrir o que fazia o sorriso que nascia nos lábios finos chegar até os olhos de canela. O que pensaria Byun BaekHyun? Queria lê-lo com delicadeza, com violência, sentir o gosto das palavras de sua mente na ponta de sua língua, segurá com o mesmo apreço que o garoto das mechas vermelhas portava seus livros.

 

       ChanYeol estava enlouquecendo e, de forma incomum, parecia querer mergulhar de braços abertos no tsunami de suas insanidades.

 

 

 

 

~ x ~

 

      

       ChanYeol não estava esperando por uma resposta, tampouco havia cogitado a possibilidade de BaekHyun ler o papel o espanto que o acometeu quando abriu o armário e um pacotinho de bala caiu aos seus pés não cabia em uma frase, por certo nem mesmo dentro de um livro. Açúcar era algo que não existia em sua dieta, vindo de forma industrial, como em balas muito menos, porém não foi o inocente pacotinho de bala caído sobre suas basqueteiras que chamou sua atenção; foram as palavrinhas escritas em uma caligrafia impecável no lado branco da embalagem de Razzles.:

 

“Prefiro dedos reais em vez de palavras, Capitão. O tempo que gastou me espionando não o fez descobrir?”

 

 

       — Cacete, ele sabe.— Park sussurrou dando um soco na porta do armário tentando liberar sua frustraçãof. Alguém que passou por si gritou “cesta!” criando uma pequena algazarra no corredor.

 

Amassou o pacotinho e o enfiou dentro do bolso traseiro de seu jeans. Sentia raiva de si mesmo por ter sido tão descuidado, BaekHyun deveria achar que era a porra de um stalker de merda.

 

 

 

 

~ x ~

 

Park ChanYeol tinha olhos enormes, em um tom singular de preto. Eram grandes o bastante para compará-lo a um copo grande de café, que descia queimando garganta abaixo, quentes pra caralho. BaekHyun amava café da mesma forma que idolatrava os olhos de Park ChanYeol, talvez até mais. Com certeza mais.

 

Lembrava perfeitamente da primeira vez em que viu o Capitão do time de basquete da universidade - The Wolves como eram chamados -, quis desesperadamente fitar os olhos dele. Deveria ser quatro e pouco da madrugada quando o avistou caminhando pelo campus. BaekHyun estava voltando da primeira festa que de fato havia ido em sua vida, seu corpo estava quente por conta do álcool ingerido, extremamente suado por ter dançando por muito tempo em um espaço pequeno demais, com uma quantidade de pessoas que deveria ser humanamente impossível de se abrigar.

 

Shorts de um tecido fino que abraçavam as coxas fortes foi a primeira coisa que viu, elas saltavam em sua visão turva com maestria. A camisa jogada sobre o ombro, essa que pulava um pouquinho em cada curva, a barriga sustentava músculos fortes que casavam bem como os exibidos pelas coxas, convidando Baekhyun a perde-se nos contornos da pele morena, brincando de decorar a contração dos músculos enquanto ele corria.

 

 O estômago contraiu-se, daquele jeito vergonhoso, quando desceu o olhar pelo corpo do Park, assistindo o modo quase imoral com a qual ele colocou o discman dentro da cueca, essa que tinha o cós a mostra, desenhando os limites da imaginação. Cueca branca, Baekhyun podia apostar que o tecido estava molhado de suor assim como o corpo moreno. Um calor característico desceu por sua espinha quando pegou imaginando-se de joelhos na frente do Park, ele era um cara tão alto... Poderia mama-lo perfeitamente.

 

BaekHyun xingou-se em duas línguas diferentes, o inglês e o coreano. Não era possível que um cara que viu há apenas alguns segundos estivesse o deixando louco de tesão, consumindo sua alma de dentro pra fora, lhe deixando-o dolorosamente duro. Desejar de longe nunca lhe foi tão doído. Tesão ainda era uma palavra muito pequena para descrever o que de fato estava sentindo por aquele cara.

 

O próprio Baekhyun não sabia como explicar o turbilhão de sentimentos que tomou conta de seu ser enquanto fitava o desconhecido. Não conseguia colocar em palavras, era quase impossível, algo que considerava inédito, uma vez que era o mestre das palavras; sempre sabia o que dizer e como dizer, ser expressar por meio delas nunca foi um problema, mas ali estava olhando, as escondidas, um outro cara que estava, e como estava, lhe roubando as palavras.

 

BaekHyun era só suspiros e indignação.

 

Mesmo relativamente longe conseguia vê perfeitamente os ossos do maxilar quadrado movendo-se enquanto ele tentava obter ar pela boca. Desejou secretamente que pudesse colocar sua língua por ali, brincar com tudo que lhe fosse oferecido, soltar para dentro da boca bonita o ar que ele buscava afoitamente. Estava tão absorto em sua imaginação e na figura alheia que quase não viu o momento em que o rosto do moreno se virou em sua direção, fazendo com que se escondesse atrás do tronco de uma árvore.

 

Seu coração estava batendo tão rápido dentro do peito que chegava a ser doloroso senti-lo dentro de si. Seus ouvidos replicavam perfeitamente, e de modo quase ensurdecedor, o barulho que as batidas produziam.  BaekHyun fechou os olhos com força, em uma crença infantil de que quando estava escondido e mantinha os olhos fechados ninguém era capaz de enxergá-lo. Seria trágico se não fosse completamente patético.

 

Não deixou que um minuto se completasse ao procurar, mais uma vez, pelo garoto alto, vendo apenas as omoplatas se movendo lindamente enquanto ele corria, percorrendo um caminho que notavelmente era muito diferente do seu. Baekhyun sentiu-se terrivelmente arrependido, quase triste, quando percebeu que não queria ter passado despercebido para o moreno. Não foi uma surpresa quando de fato começou a chorar, fazendo sons esquisitos com o nariz. Estava bêbado.

 

Passou um ano questionando o porque dos olhos café de Park ChanYeol nunca se encontrarem com os seus, nem mesmo em uma curva ou em percurso esquecido. Não havia nada, nem mesmo falsas esperanças.  A coisa que mais queria no último ano era ter os olhos de ChanYeol sobre os seus, ansiava que ele o olhasse de perto, que realmente o enxergasse, vendo seus defeitos e suas verdades.  Quanto mais ansiava, mais distante e irreal as chances de ter seu desejo realizado se tornava.

 

ChanYeol era bolas de basquete e seu discman, era um garoto de boa índole, admirado por todos. BaekHyun era... BaekHyun, era o que diziam dele pelos cantos, uma completa baixaria. Talvez fosse por isso que os olhos de café nunca se encontravam com os seus. O que ele iria procurar em si se já deveria saber de tudo, como todo mundo achava saber?  BaekHyun sentia-se como folhetos de qualidade vagabunda jogados pelo chão para quem quisesse pegar, enquanto ChanYeol era o livro mais caro da livraria, lacrado em toda a sua maestria.

 

12 meses, 365 dias, 8,760 horas, 525,600 minutos e 31,536,000 segundos esperando por um olhar, um pequenino que fosse, algo que acendesse dentro de si todo o turbilhão que o capitão do time um dia lhe deu, seu pequeno segredo.

 

BaekHyun parou de esperar, até que um dia aconteceu.

 

       Os olhos café em fim encontraram os seus, levando para dentro de BaekHyun seu tsunami secreto de emoções. Em meio aos livros, cheios das palavras que bem conhecia, viu-se sem elas mais uma vez. Não havia nada dentro de sua cabeça, parecia que naquele mísero segundo o único órgão dentro de si que de fato existia era seu coração. BaekHyun era apenas sentimentos, uma mistura de todos eles em, uma linda confusão.

 

       BaekHyun se sentia a própria letra de Can’t take my eyes off you[12]. Olhar para Park Chanyeol era como tocar o céu, parecia irreal,  tanto que não era capaz de tirar os olhos dos dele. Sua vontade era de mergulhar nos olhos café do capitão, fazer morada dentro dele, apenas para que fosse capaz de bagunça-lo assim como ele fazia consigo.

 

       Ter os olhos dele sobre si era como encontrar a divindade mais pura; que em meio à santidade carregava seu toque de profanação. BaekHyun ansiava por pecar sobre o olhar de ChanYeol, se perder em meio a tormenta.  Pecaria feito um bom garoto se ele lhe permitisse, beberia do café de seu olhar de homem, se lambuzaria em seu corpo, dando novos caminhos ao tsunami.

 

       Sentia-se insano. Park ChanYeol o tinha feito louco apenas com a porra de um olhar. Até mesmo a forma como as sobrancelhas negras e grossas se moviam era lindo pra cacete.

 

       BaekHyun estava perdido, e queria perde-se ainda mais.

 

 

 

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A rotina de ChanYeol, a qual era totalmente voltada para o esporte, não lhe permitia consumir álcool ou substâncias ilícitas, por conta disso quase não frequentava as festas estudantis que usualmente tinham apenas isso a oferecer, nem mesmo as músicas escolhidas eram boas. Nas poucas vezes em que deu o ar de sua graça passou raiva cuidando daqueles que bebiam mais do que podiam suportar e acabavam fazendo merda. Cara, como detestava isso, não tinha tempo pra ser babá. Não via graça alguma no álcool, até mesmo o cheiro para si era péssimo. A única vez que bebeu, em seus dezesseis  anos, apagou completamente. Não possuía lembrança alguma desse dia depois de certo tempo,após esse episódio prometeu a si mesmo nunca mais ficar sem o controle do próprio corpo.

 

       Para sua infelicidade, as festas dadas pelo time requeriam essencialmente a sua presença, para qual finalidade ChanYeol realmente não sabia dizer, já que depois de meia hora ninguém iria estará prestando atenção a coisa alguma, porém acabou conseguindo negociar com os demais um curto período de tempo para permanecer por lá. 

 

       Apesar da aversão a festas, dessa vez ela não era a grande responsável pela falta de coragem de se obrigar a ir. Seus motivos eram outros, o que servia para deixá-lo ainda mais puto.

 

       Estava há mais de duas semanas fugindo de Byun BaekHyun. Era patética a forma como vinha se esgueirando pelos quatro cantos da universidade para não correr o risco de bater de frente com o garoto rebelde, como se de fato o Byun se importasse com toda essa merda. O constrangimento de ter agido feito um garotinho do colegial feria o ego de ChanYeol.

 

       As festas dadas pelo time aconteciam na fraternidade esportiva, um dos lugares mais bonitos do campus, o que rolava por lá acabava sendo comentado durante meses, o assunto só morria de fato quando chegava o dia de um novo evento. BaekHyun sempre era o tópico mais quente de toda a falação pós festa. Ele estava em todas elas, uma explosão sob o brilho do globo espelhado.

 

       O copo vermelho nas mãos e o sorriso debochado nos lábios cerejados. Olhos furtivos que nunca se mantinham fechados, alertas por conta do álcool. O corpo movia-se em um ritmo alucinante, a pílula da felicidade. Quebrava mesas ao subir nelas, partindo fortalezas. Em certo momento o copo já não era o bastante, logo estava metendo a cabeça dentro do ponche. Cabelos molhados, o líquido vermelho escorrendo sobre a pele clara, entrando nos lugares escondidos pela roupa. Todas às vezes Chanyeol o olhava de longe, assistindo o caminhar do líquido avermelhado, acompanhando-o descer por sobre a camisa branca criando uma linha escarlate sobre os mamilos, destacando os piercing que ele tinha por ali. Em todas as malditas vezes precisava lutar contra a vontade filha da mãe de esfregar os mamilos saltados com a ponta língua, surrá-los com a boca até o ouvir suplicar para que parasse. Era em momentos como esse que não conseguia negar sua sexualidade. Era de caras que gostava, e gostava ainda mais se o cara em questão fosse Byun Baekhyun dentro de seu momento James Dean[13] nas telonas. 

 

       Apesar de toda aura rebelde marcada pelas atitudes inconsequentes, o que de fato prendia a atenção de ChanYeol era o modo como cada ação do Byun parecia ensaiada, uma farsa em frente a explosão; até mesmo os movimentos do quadril sinuoso aparentavam ser um testemunho perfeito da ilusão. BaekHyun o confundia e o deixava insano na mesma medida.

 

       Conseguia ouvir a música estourando em seus ouvidos mesmo que estivesse há alguns metros de distância do local da festa. Estava vindo da quadra, passara por lá para treinar antes de ir para o seu abate particular. A adrenalina acalmava seu corpo, e por alguns segundos, enquanto tinha a bola em suas mãos, conseguia voltar a ter o controle de suas ações.

 

       Passou pelos corpos dançantes, cumprimentando com tapinhas nas costas ou apertos de mãos algumas pessoas que esbarravam em seu caminho. O cheiro de álcool e cigarro impregnava o local, precisou cobrir o nariz para se livrar da náusea que o pegou sem dó.

 

Subiu as escadas o mais rápido que conseguiu, procurando pelo cômodo que tinha uma grande sacada. Por considerarem ser um lugar perigoso para pessoas bêbadas, isso depois de um aluno ter tentado jogar outro, a mantinham fechada para evitar acidentes. ChanYeol sempre trazia a chave consigo.  Jogou-se sobre o puff azul do lado esquerdo, respirando o ar fresco da noite de um jeito um tanto afobado. Os pulmões ardiam, reclamando, a garganta seca lhe alertava que deveria beber água.

 

       —- Que sede do caralho. —– resmungou, fechando os olhos em busca de paz para a mente que ainda se mostrava uma completa bagunça. Ansiava por um pouco de silêncio; além da música absurdamente alta, as pessoas no cômodo ao lado gritavam por motivos que lhe era desconhecido.

 

       Não tinha intenção de abrir os olhos pelos próximos minutos, entretanto o fez assim que escutou o barulho da porta de vidro que separava a sacada da sala sendo puxada, levantando a cortina que a revestia e iluminando parcialmente o local que até então descansava na penumbra.  ChanYeol se preparava para abrir a boca e pedir, o mais polidamente possível, para o visitante indesejado vazar, quando notou quem havia invadido seu espaço.

 

       Não era possível, cacete, não podia ser! A passos felinos BaekHyun caminhou até onde ChanYeol estava sentado, encostando-se ao parapeito onde apoiou os cotovelos, cruzando as pernas de um jeito quase elegante, como se as pernas bonitas escondessem um grande segredo. Ele estava de frente para si, os cabelos molhados e o cheiro forte de ponche entregavam que o Byun já havia feito seu show costumeiro.

 

 

       — Olá, Capitão. — o tom de sua voz chegou aos ouvidos de ChanYeol como mel derramado sobre o fogo, lambuzando seus pensamentos mais pervertidos, criando pequenas imagem quentes dentro de sua mente.

 

BaekHyun estava lindo para caralho, havia algo nos olhos cor de canela que era inebriante, ele quase parecia um animal enquanto lhe fitava, a língua vermelha não parava de esfregar o lábio superior, molhando de saliva a pintinha que ChanYeol achava adorável, sua estrela particular.

 

       — Está perdido? —  não fazia sentido que ele estivesse ali, estava tão surpreso que acabou por esquecer os motivos que o levaram a não querer vê o garoto rebelde. BaekHyun realmente tinha fodido com a porra dos seus pensamentos.

 

       — Não posso olhar pra você como você olha pra mim? —o sorrisinho cheio de graça tomou os lábios vermelhos acertando ChanYeol como uma flecha, quebrando algo dentro de si que nem ao menos tinha conhecimento da existência, mas BaekHyun sabia, ele parecia saber. Suspirou, completamente afetado. Park estava tão ferrado.

 

       BaekHyun lhe fitava como se possuísse um livro com todos os seus pecados, como se ele, por meio dos olhos cor de canela, estivesse o convidando a acrescer outros a lista, a violar a porra das regras implícitas. O garoto rebelde estava ali para jogar, ChanYeol conhecia muito bem a postura de um jogador e não ficou nada surpreso quando percebeu ser a  bola. A cesta a qual queria desesperadamente se enterrar estava logo a sua frente, sorrindo de um modo tão bonito que chegava a ser diabólicoa, uma santa profanação.

      

       Sua consciência tentou, mas ele, insano de um jeito inédito, não encontrou empecilhos para não mergulhar no calor quase imoral do olhar do Byun.

 

       — O que é bonito é pra se olhar, BaekHyun. — ChanYeol mordeu a língua para se impedir de gemar apenas por dizer o nome do garoto em voz alta. O gosto ferroso em sua boca acendeu algo dentro de si, deixando-o estranhamente excitado.

 

BaekHyun piscou levantando a sobrancelha esquerda, deixando-a em um arco perfeito, mordendo o cantinho do lábio enquanto suas feições se moldavam-se em uma falsa expressão de criança levada.  ChanYeol revirou os olhos, engolindo saliva com sangue.

 

       — Eu posso dizer o mesmo, Capitão. — mordeu o lábio inferior, soltando-o devagarinho em uma clara provocação, levando os dedos longos para a boca, onde os esfregou por meio segundo, sem nunca deixar de olhar para o garoto afetado a sua frente.

 

 Não era apenas o coração de ChanYeol que encontrava-se violentamente animado, o pau também estava duro e pesado dentro de seus jeans. Teria a decência de ficar envergonhado caso sua mente não estivesse completamente focada no corpo que ansiava exorcizar, arrancar os pecados para que pudessem pecar um pouco mais.

 

       Não houve tempo para que ChanYeol sequer pensasse em tomar alguma atitude, BaekHyun sentou em seu colo, rápido como uma droga espalhando-se por seus sentidos, uma perna de cada lado de suas coxas, o pau em cima do seu. Ele estava tão duro quanto a si mesmo, talvez até mais.

 

Por sobre o cheiro do ponche ele ainda cheirava a chiclete, ChanYeol não conseguiu se impedir de segurar BaekHyun pelo queixo, jogando a cabeça dele para trás deixando o pescoço pálido livre para que pudesse lambe-lo de cima à  baixo, e foi o que fez, provando na ponta da língua as linhas vermelhas que eram sua obcecação secreta por tanto tempo. Meteu o nariz no lugarzinho logo abaixo da orelha, cheirando com força, esfregando a ponta do nariz na pele orvalhada de suor.

 

Porra. — BaekHyun gemeu, esfregando os paus duros com um movimento bruto, as mãos procurando pelo rosto do outro, cravando sem um pingo de piedade as unhas pintadas de vermelhos nas bochechas quentes.

 

Puxou o rosto do capitão para junto do seu, os olhos castanhos nadando dentro dos negros de ChanYeol de um jeito extremamente íntimo e salaz. A conexão era violenta ao ponto de chegarem a sentirem-se tocados apenas por meio daquele olhar. Era real, assustadoramente cru, com um toque quase virginal bem no finalzinho.

 

— Você não disse que estava com sede, Capitão? —BaekHyun colocou-se de joelhos sobre as coxas de ChanYeol, sendo capaz de se manter equilibrado por conta das mãos grandes que lhe seguravam pela cintura. BaekHyun gemeu baixinho ao sentir a pegada firme contra sua pele, não resistindo a vontade de se esfregar contra o peito largo de ChanYeol.

 

 A posição em que se colocou deixava BaekHyun um pouco maior, olhava ChanYeol de cima. Segurou nas bochechas cheias dele, sentindo nas pontas dos dedos as pequenas covinhas. Colocou dois dedos dentro da boca de ChanYeol se abaixando- um pouquinho, deixando a própria boca em cima da dele.

 

 — Vou te dar minha água. — ChanYeol assistiu o sorriso perverso do Byun antes de sentir a saliva dele dentro de sua boca.

 

— Filho da puta do caralho — o capitão tinha uma boca bem suja quando perdia o controle; agora ele tinha uma boca suja com a saliva do Byun. Engoliu sem pensar duas vezes, estava com tanto tesão que podia sentir a cueca vergonhosamente molhada. O diabo de fato existia, ele encontrava-se ajoelhado sobre suas coxas.

 

— Desgraçado. — A mãos esquerda subiu pelas costas pequenas sentindo-o se arrepiar à medida que subia. Agarrou os cabelos negros, os dedos se perdendo nos meios dos fios. —– O que você quer Byun? levar minha alma para o inferno?

 

—- Eu quero que você me coma, ChanYeol. —- BaekHyun abriu as pernas de uma vez, caindo sentado no colo de Park, fazendo com que os dois gemessem em um misto de dor e prazer ao ter os paus chocados com certa força. — Que meta a porra desse pau dentro de mim.

 

ChanYeol gemeu alto, o som saindo de sua boca tal qual um grito de liberdade. Somente com BaekHyun sentado em seu colo, esfregando o pau duro contra o seu, que o capitão descobriu que por todo esse tempo era um cara reprimido. Cacete! Sentiu raiva de si mesmo por não ter ido atrás do Byun antes, de ter olhado nos olhos bonitos e esbraseantes e lhe dito o quanto o queria, por que porra, o queria para caralho.

 

— Eu faço qualquer coisa que você quiser, Byun. — tinha algo de imoral em dizer o sobrenome do garoto rebelde enquanto o segurava pela cintura, ajudando-o a rebolar em seu pau. — Desde que você seja um bom menino. — ChanYeol sorriu, um sorriso cafajeste, um repuxar de lábios tão cretino que BaekHyun sentiu-se impelido a morder a boca carnuda com força, como se estivesse o punindo por deixá-lo com tesão, sujo de um jeito bom, gostoso pra cacete.

 

— Eu sempre imaginei que por baixo dessa máscara de bom moço você seria safado pra’ caralho, capitão. –sussurrou em cima da boca de lábios carnudos tão diferentes dos seus,  lambendo a carne delicada, deixando sua saliva escorrer por ali.

ChanYeol arrepiou-se inteirinho, jogando o quadril para cima quase em desespero, o pênis doendo tamanha a força que impelida em seu ato, o atrito com o jeans tornando-se incômodo quando tudo que queria era pele contra pele, alma dentro de alma.

 

Você é tão gostoso, BaekHyun. — soltou a respiração, lutando com a vontade de fechar os olhos para apreciar da sensação que lhe dominava o corpo e assistiur BaekHyun rebolado em cima de si, espalhando o cheiro de chiclete no ar, sorrindo tão lindinho, cheio de malícia, que seria impossível ceder a escuridão. BaekHyun era, naquele momento, a pessoa mais sensual que ChanYeol havia visto em sua vida, a definição certeira do erotismo.

 

BaekHyun meteu os dedos entre os fios negros de ChanYeol, puxando o rosto dele para mais perto do seu. Ofegantes, os olhos presos um no outro de uma maneira tão sexy, que sentia que estavam fodendo apenas por meio de um olhar.

 

— Me mostra como eu sou gostoso, Yeol. —BaekHyun deu dois pulinhos, quicando em cima do pau duro de ChanYeol, bebendo do gemido rouco que ele soltou, os olhos se  revirando – Me diz como quer que eu seja um bom menino.

 

ChanYeol era um dominante por natureza; para ele, ter o controle de qualquer situação era indispensável, seguir ordens não era o seu lance, precisava mandar, e lá estava ele, sendo passível de submissão para Byun BaekHyun. Ele só poderia ser a porra de um feiticeiro, que estava ali para colocar um fim em tudo o que conhecia, visto que agora ChanYeol apenas queria ser BaekHyun, nadar nas curvas de seu corpo, beber de seus gemidos, inspirar o cheiro de sua pele, ser o único telespectador de seu olhar.

 

— Você me deixa louco BaekHyun, puta que me pariu, você é o demônio, garoto.

 

—- Você é Deus e vai me castigar, Yeol? — BaekHyun gemeu quando as  mãos de ChanYeol deixaram sua cintura e encontraram o caminho para a sua bunda, apertando as bandas com força, separando-as em meio ao aperto gostoso, insinuando uma penetração por cima das roupas. 

 

—– Vamos ser bons garoto e brincar de orar. —– os olhos castanhos perfuraram a alma de ChanYeol, alastrando-se para dentro de sua mente, um hospedeiro salaz. – Nosso sexo pode ser a nossa religião.

 

— Não, BaekHyun. – ChanYeol balançou a cabeça de forma negativa, os olhos cravados nos do outro, vendo como sua resposta o surpreendeu. — Estou aqui para pecar com você, lhe dar tudo o que você quiser.

            

Suas respirações estavam ofegantes, ganhando morada nas bocas que se encontravam abertas, soltandos gemidinhos baixos, cheios de tesão, sentindo o gosto alheio na pontinha da língua. Hálitos quentes misturavam-se no ar ao passo em que sentia a boca salivar tamanha era a vontade de unirem os lábios, implorando a cada segundo que as cabeças sorrateiramente se aproximassem, por um beijo.

 

ChanYeol não se surpreendeu quando BaekHyun findou a pequena distância, devorando seu lábios de um jeito feroz, lábios que  combinavam perfeitamente com os do rebelde.  Não havia calmaria em seus lábios, existia apenas uma fome sobre-humana que necessitava ser saciada. Buscavam pela satisfação de seus desejos enroscando as línguas fora da boca, sentindo a saliva quente escorrer queixo abaixo, levando-os para a beira do precipício. Caiam em queda livre, de braços abertos, almas querendo se despir.

 

       — Seu beijo é mais gostoso do que eu imaginei, Capitão. — BaekHyun sussurrou em cima dos lábios de ChanYeol, o quadril nunca deixando de mover-se sobre o pau dele. Sua excitação era tamanha que sentia que poderia gozar apenas com tal movimento imoral, e não era isso que queria. — Eu preciso que você meta em mim antes que eu goze.

 

O filho da mãe não tinha um pingo de dó de si, puta que pariu.

 

ChanYeol soltou um gemido mais alto quando BaekHyun rebolou em círculos em seu pau, de um jeito rude, antes de voltar a quicar, as unhas arranhando suas costas por cima da camisa. Sem nada dizer, levou a boca para o mamilo de BaekHyun, este que escapava pela gola da camisa meio aberta. Circulou o piercing antes de chupar o mamilo durinho, sentindo o metal na ponta língua.

 

       O menor tremeu em seu colo, um gemido lânguido escapou por entre seus lábios, fechou os olhos mordendo os lábios com tanta força que um filete de sangue escorreu por seu queixo. ChanYeol viu-se sem ar ao admirar a imagem de BaekHyun, ele estava tão lindo que parecia um anjo da perversão, quente e solto sobre seu colo. BaekHyun não era o diabo, ele era o próprio pecado, a maçã do desejo, do seu desejo.

 

       —  Você vai meter em mim, ChanYeol? — BaekHyun pediu com um jeitinho tão bonitinho, sua voz até saiu meiga, como se estivesse pedindo pelo morango mais doce.

 

Sem esperar por uma resposta colocou-se de pé, dançando de um jeito sexy pra caralho no ritmo da música que tocava no andar de baixo enquanto abria o zíper de sua calça jeans, descentrando-a até a altura dos tornozelos, por cima dos coturnos negros. O pênis duro, com a glande e as bolas avermelhas estavam ali para serem admirados, os pelos negros que se tornavam ralos logo abaixo do umbigo era uma puta visão. ChanYeol nunca antes havia sentido a boca salivar para algo que não fosse comida, mas puta que pariu, como queria comer BaekHyun, meter a porra do pau dentro de sua boca, sentir a glande salivar em sua língua.

 

—– Se enterra dentro de mim como fez com aquela bola no maldito jogo de sexta. —– gemeu, apoiando o joelho direito em cima da coxa de ChanYeol.

 

Park estava prestes a abrir a boca para xingar quando o viu se empinar ao passo em que cuspia em dois dedos para rapidamente enfiá-los no meio da bunda, gemendo quando pareceu encontrar um ponto dentro de si, tudo isso com a porra dos olhos canela nos seus, deixando-o atado em seus atos, esses que eram mais excitantes do que qualquer pornô um dia poderia o ser.  BaekHyun era demais , muito além do que sua mente poderia conjecturar.

 

Com as mãos trêmulas, mas firmes, o puxou pela cintura, fazendo-o ficar de joelhos sobre suas coxas. As mãos grandes percorreram as costas do rebelde, contornando a bunda nua com calma, queria sentir os detalhes apesar de sua fome, retirando os dedos de BaekHyun para substituí-los pelos seus.

 

— Deixe-me fazer isso por você. —– sussurrou no ouvido esquerdo de BaekHyun, tão baixinho que se ele não estivesse quase deitado sobre si não iria conseguir escutar. Gemeram em uníssono quando os dedos de ChanYeol, esses duas vezes maiores do que os de BaekHyun, adentraram o ânus do garoto menor; as paredes quentes contraindo-se em tornos de seus dedos, mostrando como seria o paraíso na terra estará dentro dele. Sentia-o esmagando seus dedos a cada contração enquanto a cabeça de seu pau roçava seu estômago, era muito para lidar, por isso não pensava, apenas sentia e, deixava-se nadar o mar de sensações que BaekHyun o era.

 

—- Isso é tão gostoso... —- BaekHyun gemeu, rebolando a bunda contra os dedos de ChanYeol sem se dar conta de que o fazia, provocando enquanto deixava-se ser provocado. – Mas não temos tempo para brincar, Capitão.

 

— Quero te foder com calma. — Park avisou, fodendo-o com os dedos com uma lentidão que era quase maldosa, apreciando o modo como BaekHyun tremia sobre si esfregando o pau em seu corpo como um gatinho, a bunda dançando uma música que era só deles.

 

— A calma fica pra uma próxima, capitão. — Mais uma vez, sem avisar, e fazendo o que bem queria, BaekHyun puxou, sem cerimônias, a mão do capitão do meio de sua bunda, sentando sobre as coxas malhadas enquanto tentava, o mais rápido que podia, descer o zíper da calça alheia, sorrindo ladino quando o pênis duro e molhado saltou para fora. O bom moço não estava trajando roupas íntimas.

 

 — Quem diria, não é mesmo? —– masturbo-o com um aperto firme, sentindo as veias saltadas pulsares nas palmas de sua mão já úmida pelo pré-gozo expelido pela fenda avermelhada na glande, brincando de puxar os pelos pubianos com a ponta do dedinhos.  — Parece que estava até me esperando.

 

— Eu estive, por algum tempo, BaekHyun.— gemeu o nome do rebelde quando ele usou o dedinho médio para circular a cabeça de seu pau, metendo-o vagarosamente na fenda, seu corpo tremendo de prazer com nunca antes.

 

 ChanYeol estava sendo sincero, o olhar genuíno que lançava para BaekHyun não deixava dúvidas, o que surpreendeu o garoto menor, que mordeu o lábio inferior quase em timidez. Caralho! BaekHyun era bonito de mais, ainda mais quando os cílios longos lançavam pequenos feixes de luz sobre as bochechas sempre que ele olhava para baixo, as mãos bonitas bombeando seu pau ao passo em que ele sorria todo bonitinho, os olhos canelas mais quente do que nunca. ChanYeol queria deixar-se queimar, como queria.

 

— Precisamos ser rápidos, capitão. — BaekHyun sussurrou por cima da respiração, tratando de arrumar-se no colo do maior, sentando em cima do pau alheio, rebolando apenas para provocar, para sentir a cabeça do pau de ChanYeol roçar o meio de sua bunda, quase chegando ao ânus. Isso era tão bom...

 

— Então me chame de ChanYeol. — pediu, a voz extremamente rouca e pesada por conta do prazer quase absurdo que sentia. Antes que BaekHyun pudesse dizer algo, segurou em sua cintura e impulsionou-se para frente, enterrando o pau de uma vez dentro dele. Os dois gemeram, alto e claro, quase mais alto do que a música do andar de baixo, mas sem dúvida mil vezes mais melodioso. ChanYeol achava que o gemido do Byun era mais bonito e passível de admiração do que sua música preferida.

 

—- ChanYeol... — gemeu todo bonito enquanto passava os braços em torno dos ombros largos do capitão, subindo e descendo em um ritmo que era só deles. — Park ChanYeol... — Foi a vez de ChanYeol sorrir feito um abestado, gravando o som e o modo como as lábios bonitos gemiam seu nome, uma bela tatuagem em sua alma.

 

Com a mão que não estava segurando BaekHyun pela cintura, tratou de mete-la entre os corpos, segurando o pênis alheio com força, apertando a glande, melando-a no pré-gozo expelido.

 

— Gostoso... — sussurrou, indo cada vez mais rápido para dentro do corpo rebelde, sentindo o modo como ele se. Contraia a sua volta, esmagando seu pau sem piedade, pegando tudo o que podia de si.

 

— Mais rápido, ChanYeol. — as unhas vermelhas  cravaram-se nas omoplatas que tanto admirou de longe, rebolando no colo do maior com uma rapidez que certamente fariam suas coxas doerem depois. – Me come com força.

 

BaekHyun soltou um gritinho fino de satisfação quando teve sua bumba golpeada, a ardência fazendo seu corpo inteirinho tremer, deixando-o ainda mais louco de tesão.

 

Os sentimentos se mesclavam dentro de ChanYeol, deixando-o completamente cego pelo desejo, entretanto uma pequena parte de seu ser tentava, inutilmente, desvendar de onde vinha todo aquele sentimento, tentava colocar em palavras o que era aquilo que sentia enquanto tinha BaekHyun em seus braços. Tudo era intenso demais e o desnorteava.

 

Voltou a beijar BaekHyun quando sentiu que o prazer tornava-se crescente dentro de si, precisava sentir mais dele em sua pele; a mão que não segurava o pau do menor passeava pelo corpo dele, procurando sentir cada pequeno detalhe que podia em meio a tormenta, quase como se estivesse folheando as pequenas partes de seu corpo.

 

— BaekHyun, eu vou gozar.  — mais gemeu do que falou, a boca pairando sobre os lábios acerejados os lambendo com força, metendo a língua para dentro da boca quente sem esperar uma permissão.

 

BaekHyun quebrou o beijo apenas para sussurrar, manhoso e cheio de sensualidade, carregando a alma de ChanYeol para o inferno:

 

—- Me enche com a sua porra, ChanYeol, me enche o bastante para fazer vazar.

 

Quem era Park ChanYeol perto da sensualidade do Byun? Claramente um escravo do prazer alheio, um ser que estava ali apenas para adorar o rebelde, para deixar de ser quem realmente era, e nesse momento ChanYeol não era mais nada além de prazer e Byun BaekHyun.

 

As palavras reverberam em sua mente quando sentiu o prazer tornar-se grande demais para lutar contra o quadril de BaekHyun mexia com rapidez sobre si, se contraindo com força levando-o para a beira do precipício a qual se jogou, pois não tinha mais forças para lutar contra.

 

— Caralho, garoto. — Sussurrou rouco enquanto gozava, sentindo as unhas curtas lhe rasgarem a pele, a boca bonita mirando seu pescoço e beijando-o quando jogou a cabeça para trás.

 

Ainda estava fora do corpo quando voltou a realidade, sentindo BaekHyun rebolar sobre si lentamente, quase parando.

 

— Eu quero te ver gozar, BaekHyun.

 

— Então me faça gozar, Yeol. – o sorrisinho perverso estava mais uma vez emoldurando nos lábios finos, brincando com a mente de ChanYeol, jogando em cima deles todos os feitiços possíveis e inimagináveis.

 

Ele era um jogador filho da mãe, era algo para ser reconhecido.

 

ChanYeol não perdeu tempo antes de bombear o pênis que ainda estava em sua mão com força; o modo como ele pulsava e suas coxas tremiam entregavam que o menor estava muito perto de gozar, queria desesperadamente cair de boca nele, mas a posição que estavam não o ajudava, então levou a boca para o mamilo intumescido, mordiscando com vontade quando BaekHyun se pôs  a gemer, empurrando o pau para dentro do aperto de sua mão.

 

— Está gostoso, bebê? – ChanYeol questionou, a boca indo para o mamilo direito, lambendo com vontade, o sentindo durinho em sua língua.

 

— ChanYeol...— gemeu, perdendo o controle do próprio corpo. — Mais rápido eu...

 

ChanYeol afastou a boca dos mamilos rosados, ouvindo um resmungo em resposta e sorrindo malicioso puxou o rosto de BaekHyun para perto do seu, o dedão circulando a glande com pressa, enquanto a outra mão agarrou-lhe pelo pescoço.  Olhos café presos aos olhos canela. Eles eram o tudo e o nada naquele momento.

 

BaekHyun gemeu realmente alto quando gozou, levantando o quadril, fazendo com o pau de ChanYeol saísse de dentro de si para logo depois sentar sobre ele, o corpo inteirinho tremendo ao ver sua porra escorrer em cima da camisa do maior. Ainda estava ofegante quando sussurrou, os olhos dentro dos de ChanYeol, entregando-lhe como quem arranca a página de um livro, seu tsunami de emoções.

 

— Eu realmente tenho olhos cor de canela , Chanyeol?

 

 

 

 

 

 

       Chanyeol estava urinando no mictório do lado direito, fitando no espelho as olheiras que marcavam seus olhos de um modo profundo. Há dias que não conseguia dormir direito pois o tempo programado para seu sono estava sendo gasto lendo os livros que havia pego na biblioteca. Sentia-se tão patético, mas não conseguia impedir-se de se prestar a certas atitudes quando o garoto rebelde estava no meio delas.

 

       Bastou se virar para sair do banheiro, ficando cara a cara com a porta dos sanitários reservados, para vê os nomes do Byun saltando para seus olhos como em uma cena de filme. Estava prestes a cometer outra atitude extremamente idiota e mais uma vez não era capaz de impedir a si mesmo, era quase como seu cérebro estivesse fora do comando de seu corpo.

 

       Procurou por uma caneta em sua mochila, possuía apenas uma, essa que se encontrava jogada ao fundo escondida pelo forro grosso. Com pressa rabiscou no pequeno espaço sobre a madeira.

 

“Byun BaekHyun têm olhos cor de canela,

E quando ele ri ficam quentes pra’ caralho.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1]A Virago foi a primeira motocicleta estilo custom com motor em V (V-Twin) produzida pela empresa japonesa Yamaha, assim como uma das primeiras motocicletas produzidas em massa com uma única suspensão traseira. Vendida originalmente com um motor de 750cc em 1981, a Yamaha logo adicionou versões de 500cc e 920cc.

 

[2] Discman é um leitor de CDs portátil lançado em 1984.

 

[3] Dancing With Myself é a décima faixa do álbum Billy Idol, álbum de estreia do cantor Billy Idol, lançado em 1982.

 

[4] O morro dos ventos uivantes foi lançado em 1847, o único romance da escritora britânica Emily Bronte. Recebeu fortes críticas no século XIX, hoje considerado um clássico da literatura inglesa,

 

[5] Referência a Samantha, personagem da série de televisão americana transmitida de 1964 a 1972 pela rede de televisão norte-americana ABC., Basta torcer o nariz para Samantha usar seus poderes de bruxa.

 

[6] Proxima Centauri é a estrela mais próxima do Sol de que se tem conhecimento e a princípio somente pode ser vista a partir do Hemisfério sul.

[7] Razzles são balas americanas que viram chiclete ao mastiga-las. Originalmente foi produzida em 1966 com o slogan "Primeiro é um doce, então é um chiclete. Razzles pequenos e redondos são muito divertidos". O sabor original era framboesa.

 

[8] Na esgrima, touché  é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado.

 

[9] "Oh! Darling" é uma canção dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon-McCartney, e lançada no álbum Abbey Road de 1969.

 

[10] Trecho do livro O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronte, 1847.   

[11] Jogo de palavras com a frase "I'll have what she's having." Tradução: Quero o mesmo que ela está comendo. Dita no filme: Harry e Sally - Feitos Um para o Outro (When Harry Met Sally,1989)

 

[12] "Can't Take My Eyes Off You" é um single de 1967 interpretado por Frankie Valli. 

[13] James Dean foi um ator estadunidense, lembrado como um ícone cultural da desilusão adolescente e do distanciamento social.

 

 

 

 


Notas Finais


Incrivelmente estou viva e conseguir postar esse bebê que tem um significado muito grande pra mim. Eu espero que vocês tenham gostado e, por favor, não se esqueçam de me dizer o que acharam S2

Deem muito amor a Ana, @dametualm4, que betou a fanfic de forma primorosa. (uma deusa!) e a @hopelessrk que fez essa capa MARAVILHOSA que é o meu tesouro agora. (uma artista mds)

Fiquem em casa e cuidem meus anjos!
Até breve ^_^


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