História Tudo bem - Capítulo 13


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Romance, Violencia, Yuri
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Palavras 1.195
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, LGBT, Orange, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


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Capítulo 13 - A verdade


- Finalmente! Achei que não chegariam nunca.- ouvi uma voz conhecida.

- A culpa não é minha que o trânsito estava péssimo.- pude ouvir algo que parecia duas mãos de batendo.

- Oi para você também, Manuzinha.

Retirei o boné e dei de cara com Julia. Estava sorrindo de leve.

Lou parecia desconfortável com a situação.

- Bom..- teve dificuldade em dizer algo.

- Vamos entrar. Temos muito o que conversar.

Julia foi na frente.

Lou me analisou para se certificar de que estava tudo bem.

E realmente temos muito o que conversar.

 

Entramos em um lugar que me parece um bar. Possuía decoração simples. Haviam muitas outras pessoas ali, mas todas se calaram quando Julia entrou.

Me analisou como se me visse pela primeira vez e disse:

- Todo mundo para fora, agora!

Sua ordem foi acatada por todos. E o dono do bar se apressou em fechar o lugar na mesma hora.

Minha mão suava frio. Lou estava estranhamente calma.

 

- Muito bem. Uma cerveja para gente e um refrigerante para nossa convidada.

Sua pose autoritária me dava calafrios. Que tipo de coisa ela faz? Por que eu tenho medo disso?

Sentamos nas cadeiras de plástico e o dono nos levou o que Julia havia pedido.

 

O silencio era constrangedor. Lou bebia tranquilamente e não parecia ter pressa alguma.

 

- Então, Manuzinha.- encheu seu copo pela terceira vez - Lou me contou que você estava curiosa em saber com o que ela trabalha. Conte para ela, Lou.

Lou permanecia calada. Seria algum tipo de demonstração de respeito?

- Louise?- a chamei

A observei respirar fundo e olhar para o teto do estabelecimento. Procurando as palavras certas.

- A Julia é traficante. Eu faço alguns serviços para ela.

A olhei incrédula. Não consegui processar tudo isso. Apenas a encarei e esperei por mais.

- Augusto trás pipoca.- Julia parecia se divertir com a situação.

 

- Mas ela é mu...

Em um movimento rápido ela jogou sua arma na mesa. Exatamente apontada para mim.

 

- Qual o problema? Ein? Tem algum problema com isso? A gente pode resolver isso agora.

 

Meu coração batia tão rápido que achei que fosse saltar pela garganta. Seu olhar era de algguém que seria bem capaz de me matar ali e agora. Lou nem se moveu.

- Julia... não assuste a menina assim.- a repreendeu como se fosse uma irmã mais velha.

Caíram na gargalhada como se fosse a melhor piada do mundo.

 

Não consigo enxergar a graça, sinceramente.

Eu namoro alguém que trabalha para uma traficante. Ela trabalha para uma traficante....

Era muita coisa para assimilar agora. Minha mente está confusa.

Encaro o chão enquanto me perco em meus pensamentos.

 

- Eu só estou brincando.- Julia colocava a arma de volta na cintura.

- Você não é traficante.

- ah não, sou sim.- disse casualmente.

- Lou... então você...

- Iiiiiih. Essa é a minha deixa. Preciso de um baseado mesmo. Augusto sirva bem as meninas.

 

Saiu porta a fora.

- Augusto. Saia também, por favor. - Lou pediu.

Ele assentiu e se retirou.

Lou pegou um cigarro preto e o acendeu. Olhava para o nada e contemplava não sei o que.

Fiquei em silêncio enquanto a observava.

Se levantou e deu uma volta no lugar. Retirou um uísque do balcão e o despejou em um copo.

Bebeu em um único gole e o encheu novamente.

Me encarou como se fosse fazer a coisa mais difícil da sua vida.

 Jogava a fumaça pelo ar e bebia o uísque como água e se perguntava algo que não compreendia. Já estava em seu quarto copo quando perguntei:

- Não vai me explicar tudo isso?

Eu preciso de respostas.

Ela se sentou de frente para mim. Perto o suficiente para que eu pudesse sentir seu perfume misturdo ao uísque e o cigarro de menta. Seria errado dizer que isso a deixava tão sexy?

 

Seria sim. Preciso ter foco e obter respostas.

 

- É isso o que eu faço. Eu levo drogas até pessoas que a vendem. Eu ando armada quase sempre, menos quando estou com você. É isso o que faço. É para isso que sou paga.

Tomou um gole.

Aquilo era surreal. Poderia ter imaginado mil coisas, mas nada que chegaria a isso. Quer dizer, não consigo acreditar que ela faz isso.

- Por que faz isso?- não vou chorar.

- Eu nasci aqui. Essa é a minha realidade. Eu não queria fazer isso, mas eu preciso.

- Mas por quê?

- Eu devo muito a Julia. De fato ela é como uma irmã para mim. Ela era irmã do antigo traficante. Quando ele morreu ela assumiu.

- E o que isso quer dizer exatamente?

- Vou te contar o que aconteceu. Depois de outro copo. - se levantou.

- Não, Lou. Você já bebeu de mais. Sente e me responda tudo de uma vez. Vamos deixar tudo claro agora, por favor.

- Certo.- se sentou- Eu nasci aqui, como já disse. Meu pai era muito violento em casa, vou poupar os detalhes pois Julia já lhe contou. Continuando- tomou ar- há mais ou menos 7 ou 8 anos, meu pai jogou um carro contra minha mãe e eu. Ela me empurrou para que ele não me atingisse em cheio, mas isso lhe causou um grande trauma. Desde então ela está em coma no hospital. Eu precisei implorar para que Julia me deixasse trabalhar para ela, e eu uso boa parte do dinheiro para cobrir os gastos no hospital. Eu sei que ela vai acordar uma hora. Por isso eu trabalho com isso.

Sua expressão era sincera e cheia de dor.

- Então- continuou- eu entrego as drogas, as vezes armas. Carrego uma arma por proteção. Aprendi a lutar aqui mesmo, pois quase sempre os outros traficantes invadem e eu não posso me dar ao luxo de morrer. Por isso estou sempre machucada. As vezes tentam me matar e eu preciso reagir. Mas eu não gosto de brigar. E não, eu nunca matei ninguém. Nunca foi necessário e espero que nunca seja. Mais alguma pergunta?

Não soube reagir por uns dez minutos.

Lou voltou ao uísque no balcão e fumava outro cigarro.

E ai estão. As respostas que eu queria. Não as que eu esperava, claro. É tudo mais complexo do que imaginava.

Não sei nem o que dizer agora.

- Por que não me contou antes?

- Tá brincando? - encheu novamente o copo- Não se conquista a mina que você ama contando logo de cara que trabalha com uma traficante.- riu.

- O que mais você faz?

Torceu o nariz ao perceber que o uísque havia acabado. Se apressou em buscar outro atrás do balcão.

 

- Bem - ascendeu o cigarro- eu cobro pessoas. As vezes as ameaço. Busco encomendas. As vezes viajo com Julia para resolver coisas em outras cidades. As vezes trago gente para cá. Cuido de assuntos da favela. Essas coisas.

- Você não está bebendo de mais?

- Você já acabou com as perguntas?

 

Não. Essas revelações só me trouxeram mais perguntas. Mas ela já bebeu muito, e talvez seja melhor para perguntar quando estiver sóbria.

- É só isso, por enquanto. -Disse por fim


Notas Finais


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