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História Tudo está bem quando acaba bem - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi oi!

Hoje não tenho recados, então vamo que vamo.

Boa leitura <3

Capítulo 2 - Pétala


Fanfic / Fanfiction Tudo está bem quando acaba bem - Capítulo 2 - Pétala

Os suspiros de Risoleta o enlouqueciam. Sentir o corpo esbelto da mulher reagir ao seu próprio, ao toque das mãos, dedos, boca e língua era insuportavelmente delicioso. A entrega dela atiçava ainda mais a fogueira que já queimava dentro de si.

Ah, professor, gosto deverasmente quando o senhor solta esse animal que existe aí dentro – ele sentia as unhas cravando em suas costas enquanto a mulher arqueava o corpo, fazendo com que seus quadris se encontrassem. Os gemidos se intensificaram quando ele começou a beijar a parte interna da coxa dela. Olhando para aqueles belos olhos, ele tinha certeza que ela seria sua perdição.

― Eu preciso disso. Preciso de você.

Aristóbulo, sempre tão bem articulado, não encontrava palavras para responder a mulher. Voltando a beijá-la com carinho feroz passou rapidamente a grunhir, atacando o pescoço de Risoleta. E logo percebeu que precisava parar. Precisava afastar-se da tentação que aquele sentimento representava. O amor desregulava a fera, fazendo-a se agitar, na expectativa de também ser amada. Liberdade. A liberdade de ser quem se é e ser amado por isso, sem necessidade de fingimentos ou máscaras. O professor não acreditava que tal amor existisse. E então ela apareceu com o sorriso encantador, o jeito interessante com que levava a vida e o cheiro que o perseguia onde quer que estivesse. Aquele cheiro que se intensificava quando eles trocavam beijos e carícias. O cobrador de impostos oficial de Bole-Bole sabia que sua mulher estava profundamente excitada, o feromônio que ela exalava não deixava dúvidas quanto a isso. Se ele se perdia entre aquele amor tão confuso, ela lançava-se à experiência de pertencer a ele.

Risoleta. Mesmo se pudesse, não seria capaz de dormir sem ter aquela mulher consigo. Risoleta. Aquela que é risonha. Riso fácil. Sua Risoleta. Aquela que tira o melhor e mais sincero sorriso de Aristóbulo.  

Voltando à realidade, Aristóbulo olhou tristemente sua sala na repartição. Ali costumava ser seu santuário, mas ela também invadira esse espaço. Na realidade, ele não sabia se existia em si e em sua vida algo ou local que Risoleta não tivesse tomado para si. Até mesmo o quarto, local em que ela nunca esteve, era dela. E talvez fosse dela justamente pela ausência. O professor percebera que estava cada vez mais apático e mesmo as discussões politiqueiras não o interessavam tanto quanto antes. Sentia imensamente a falta daquela presença solar, mas Aristóbulo Camargo havia tomado sua decisão e nela não havia espaço para Risoleta.

Na realidade, não sabia como lidar com aquela pessoa que fugia da sua regrada e apática rotina. Tinha consciência que parte da sua decisão partira do medo. Medo do que significaria escolher tentar aquela relação, por mais que Risoleta aparentasse aceitar bem sua condição lobisômica, tinha a questão de lidar com isso o resto de uma vida: uma coisa é sentir tesão e desejo, outra é aceitar e amar, e Aristóbulo sentia imenso pavor por pensar que o sentimento daquela mulher era apenasmente erótico. Sentia-se confuso com a suposta relação que mantinha com a dona da pensão, todavia era dolorido ter consciência que amava estar ali e ele sabia que o que sentia por Risoleta era amor, desde o velório de seu Cazuza, quando pousara os olhos nela e fora correspondido com um sorriso sedutor. Nesse momento entendera a razão de se sentir impelido a passar na frente da pensão toda noite, ela era a dona daquele perfume inebriante, e ele não conseguiria, mesmo se quisesse, resistir àquela fascinação. E obviamente tinha a questão da fera, que parecia queimar em desvario quando Aristóbulo aproximava-se daquela mulher e esse desejo animalesco empurrava o comedido professor até a beira do precipício, incitando-a a se jogar, mas ele simplesmente não poderia, não conseguiria se lançar ao incerto e deixar para trás sua reputação, a certeza da vida ilibada e, até certo ponto, respeitável que levara até então. Aristóbulo sabia que não podia colocar sua vida nas mãos de outra pessoa, mesmo que essas fossem as de Risoleta.   

A saudade apertava em seu peito. Desde que ela lera o email revelador sobre seu passado, não haviam conversado e ele sabia que a magoara ao simplesmente desconfiar de quem ela era apenasmente por conta de uma fofoca. Deveria ter tentado compreendê-la, ouvir seu lado e os motivos para ter tomado tais estradas ao longo da vida, seu julgamento fora injusto e isso atormentava o diretor do centro cívico, precisava arranjar uma forma de se desculpar, mas sem precisar estar perto dela, pois sabia que se isso acontecesse não resistiria em tomá-la para si.

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Risoleta e Ártemis gargalhavam alto no salão da pensão, as duas tinham aquela coisa que só quando o santo bate é possível ter. A loira contava as experiências que vivera morando sozinha por 20 anos e a dona da pensão a atualizava sobre o que estava acontecendo em Bole-Bole:

— Então estão querendo mudar o nome da cidade para Saramandaia? – Ártemis achava a ideia simplesmente genial – Sabe, é um nome muito mais interessante que Bole-Bole, mas imagino que os mais conservadores estejam em estado de nervos com isso, não? Eu nunca suportei essas coisas de tradicionalismo e todos os preconceitos que cercam essas pessoas, uma das razões para eu ter ido estudar fora foi justamente a consciência de que seria julgada até a morte por escolher a carreira acadêmica ao invés de uma vida como esposa e mãe, entende?

— Você comentou que sua família é tradicionalista, mas não disse de quem é aparentada!

— Ah, olha eu novamente retendo informações importantes, eu sou uma... – mas antes de completar a informação, Rosalice chegara com um lindo arranjo de cinerárias violetas.

— Risoleta, eu estava voltando da cidade e acabei chegando com o entregador, ele disse que o buquê é para você e também tem um bilhete.

Observando o tom roxo das pétalas, a dona da pensão entendera imediatamente quem havia mandado o presente.

— Então você tem escondido o jogo, Risoletinha? – Ártemis levantara para olhar o arranjo mais de perto – Olha, quem enviou deve estar impressionado com você...

— O que você quer dizer com isso? – Risoleta ficou nervosa ao pensar que seu envolvimento com o professor pudesse ser descoberto, ela não queria ter mais motivos para eles discutirem.

— Bem, cinerária significa Você é meu deleite e geralmente é presente para alguém por quem se tem grande prazer em estar perto. A pessoa que lhe enviou tem muito apreço por você. Mas agora, vamos ver o que esse galante cavalheiro enviou no bilhete.

Sorrindo nervosamente, Risoleta abriu o envelope que acompanhava o lindo arranjo.


Notas Finais


Quem será o Don Juan?? E o que será que está escrito no bilhete?

Obrigada por ler e por estar aqui, grande beijo. <3


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