1. Spirit Fanfics >
  2. Tudo está bem quando acaba bem >
  3. Inconfesso desejo

História Tudo está bem quando acaba bem - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá <3

Tenho apenas um aviso, os dizeres do bilhete são na verdade um arranjo que fiz dos versos do poema Inconfesso Desejo do Drummond, acho que vale a pena lê-lo inteiro porque expressa muito a contradição pela qual Aristóbulo está passando. E a imagem da capa é uma representação do cartão que Risoleta recebeu junto com o arranjo de flores.

Boa leitura!

Capítulo 3 - Inconfesso desejo


Fanfic / Fanfiction Tudo está bem quando acaba bem - Capítulo 3 - Inconfesso desejo

  

Ao abrir o cartão, Risoleta se deparou com uma letra elegante e ficou alguns segundo apenasmente admirando a caligrafia do professor.

— Ora, vamos, leia para nós! – Ártemis e Rosalice olhavam ansiosas para a dona da pensão, que ainda mantinha o semblante sonhador.

Com um sorriso travesso, começou a ler o cartão:

— Queria recitar versos, cantar aos quatro ventos as palavras que brotam. Queria falar dos sonhos, dizer dos meus secretos desejos que é largar tudo para viver com você. Este inconfesso desejo – terminou quase sem fôlego, não acreditava que o professor podia ser tão explícito sobre seus sentimentos, a declaração dera uma sacudida no coração tão experiente de Risoleta.

Um instante de silêncio pairou no ar antes de Ártemis dizer com ar exclamativo e divertido:

— Então o seu cavalheiro galante está mais para Shakespeare apaixonado? Sinceramente, achei as palavras lindíssimas, mas ele parece estar confuso ou com temor de algo. Posso ler?

Risoleta deu o cartão para Ártemis, mas não podia esperar o que estava por vir...

— NÃO POSSO CRER, QUE COISA ESTAPAFÚRDIA – e Risoleta ao ouvir a palavra saindo da boca da hóspede entendeu o porquê de ter pensado que já a conhecia, os olhos, os olhos azuis, como não percebera antes? Ela era muito parecida com... – O SEU ROMÂNTICO INCURÁVEL É MEU IRMÃO!

— O professor é seu irmão? – Risoleta riu fortemente ao perceber as gracitudes que a vida prega na gente – Eu deveria ter notado antes...esses olhos, o jeito de falar e até mesmo as diferencices lembrar o professor.

— Ártemis Camargo, querida. Muitíssimo prazer – e esticando as mãos cumprimentou a dona da pensão novamente.

— Mas como você soube que o bilhete era dele? Ele já falou sobre mim?

— Não, Risoletinha, meu irmão jamais falaria da namorada por mensagem, até porque eu exigiria o relatório completo da moça. A caligrafia do Aristóbulo é inconfundível. Sei que você deve estar se perguntando porque não fui para a casa de meus pais etc. etc. Bem, aquela pessoa com quem preciso ter um avistamento é o meu irmãozinho. Ter voltado à Bole-Bole foi uma loucura da minha cabeça, sabe? – piscando maliciosamente continuou – Imagine que estava eu, em minha buonissima casa no interior da Toscana, e simplesmente sussurraram que eu deveria voltar e imediatamente soube que tinha alguma coisa a ver com Aristóbulo, nós sempre fomos muito próximos e, com o passar do tempo, o amor por livros e tudo o que é próprio do intelecto no geral acabou por gerar um elo muito forte. Sempre dizia para meus pais que o Aristóbulo foi o melhor presente que eles podiam ter me dado.

— Mas se vocês se gostam tanto, por que o medo de encontra-lo? Aposto que ele ficaria numa felicitude por você estar aqui depois de tanto tempo.

— Ele me acharia doida! Já pensou eu chegar e dizer Então, querido irmão, ouvi vozes e acho que está precisando de mim. Não, sem chances, por isso me hospedei aqui, preciso de um motivo que não me faça parecer insana. Sabe, já tive uma experiência dessa antes, têm dez anos, e decidi voltar e estava certa sobre o sentimento, por isso estou levando tão a sério. Apenasmente quero um tempo para colocar a cabeça e o coração no lugar, sim?

— Você pode ficar o tempo que quiser, minha querida – puxando Ártemis para um abraço, o desejo de pertencer à uma família passara rapidamente sua pela cabeça, treschapada, afastou-se da irmã do professor.

— Ah, mas é claro que eu posso ficar o tempo que quiser! E agora que descobri que você e meu irmão estão dando uns amassos, exijo tratamento especial – Ártemis sentia-se muito à vontade para brincar com Risoleta, mas também estava confusa, aquela mulher definitivamente não era o tipo de pessoa de quem o seu irmão se aproximaria e muito menos teria um envolvimento amoroso. A curiosidade preencheu a moça e ela percebeu que seu conversório com Aristóbulo viria mais rápido do que ela imaginara e ela sabia como transformar a surpresa de sua chegada em algo muito mais interessante – Risoletinha, o que você acha de ir jantar com a família Camargo essa noite? Acho que uma surpresa dupla é exatamente do que o Aristóbulo precisa.

Ártemis observou a dona da pensão baixar os olhos tristonha. Havia algo de errado? Mas aquele cartão não deixava dúvidas de que os dois estavam profundamente envolvidos, bem, só havia um jeito de descobrir:

— Está tudo bem? Achei que o convite te animaria, principalmente depois das flores e do lindo bilhete.

— Acho melhor subirmos ao meu quarto, lá posso te dar todos os explicatórios necessários.

As duas subiram rapidamente as escadas e logo Ártemis estava sentada numa das poltronas do quarto de boneca da dona da pensão.

— Eu não sei porque seu irmão me enviou essas flores. Nós... – a voz de Risoleta embargou e ela hesitou, porém, precisava desesperadamente conversar com alguém sobre a situação – Nós não temos nada sério, para te ser sincera e agora estamos num momento delicado. Trocamos alguns beijos...

— Desculpa a interrupção, mas minha curiosidade é maior que a educação que recebi de meus pais, mas caso fique constrangida, sinta-se livre para não responder – a irmã do professor fervilhava em porquês e achava toda aquela história profundamente romanesca – Vocês chegaram a transar?

— Não, já quase chegamos lá, mas seu irmão sempre me afasta e quando um não quer, dois não fazem. – Risoleta ficara surpresa em como sentia uma necessidade de contar tudo à Ártemis, era como se ela soubesse chegar ao coração dos outros sem muito esforço.

— Mas por que ele lhe enviou as flores, querida? E o que dizer do que ele escreveu no cartão!? Observando o cenário parecia apenas um gesto romântico de alguém que queria surpreender a pessoa amada de forma bem singela, porém clássica. É a cara do meu irmão fazer essas coisas...

— Eu não posso responder isso, não tenho nem achismos, na realidade. Acho que você vai precisar ter um conversório dos bons com seu irmão para entender o que se passa naquela cabeça, porque a mim, ele só faz confundir.

— Na cabeça eu não sei, mas pode ter certeza que eu encontrarei as respostas das quais preciso dentro daquele coraçãozinho de mirtilo que ele tem – e dando um sorriso cínico à Risoleta, levantou-se, deixando claro que a conversa terminara por ali – E pode ter certeza que também encontrarei os motivos do seu divergenciamento com ele. Você não precisa esconder as coisas de mim, aliás, não deve fazer isso. Gostei muitíssimo de você e quero mesmo que as coisas melhorem entre vocês dois, sim?

Risoleta observou com pesar no coração Ártemis saindo do quarto, não tivera coragem de contar o porquê do afastamento de Aristóbulo e também pensara que era melhor ela saber dos fatos pelo irmão, que poderia explicar e defender os próprios decisórios.

○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○

— Mas do que você está falando, neném? Que coisa de pressentimento que te deu agora, meu filho? – Dona Pupu olhava espantada para Aristóbulo, parecia ter algo perturbando-o profundamente.

— Eu não sei, mamãe, realmente não sei. Essa proposta política está me afetando muito – seus olhos de ressaca fitaram seriamente os da mãe – Seria possível se sentir deslocado dentro do sonho de uma vida? Algo não se encaixa...sinto que tenho tanto a perder com isso, mas a vida pública é a única coisa que me resta, ser admirado como pessoa, um baluarte, mamãe. Sem isso, o que sou eu? Um animal travestido de gente?

— Não diga isso! Ah, neném, vem aqui – colocando as mãozinhas fofas no rosto do filho, sorriu – Nós não podemos nos limitarmos a ser aquilo que o mundo espera que sejamos, numa existência dessa, é impossível encontrar a felicidade. Eu e seu pai apoiamos sua carreira política, é a tradição dos Camargo, mas se para isso você precisa deixar de ser quem é... perder sua essência é um preço caro demais.

— É um preço caro demais para quem não tem no seu cerne a degeneração. Mamãe, o que eu sou é inaceitável para a sociedade em que vivemos.

— E o que você é, meu filho? Porque eu enxergo um homem de caráter valoroso, um ótimo filho e ótimo irmão, também.

— E por isso todos fogem de mim, não é, mamãe? – com um último olhar por cima dos ombros, Aristóbulo sobe as escadas.

A última coisa que dona Pupu escuta é a batida forte da porta.

Aristóbulo estava frustrado, sabia que não deveria ter dito tudo aquilo para sua mãe, mas estava tão cansado. Cansado daquela condição imposta tão cruelmente a ele, cansado dos fingimentos, sentia-se exausto de ser. E o silêncio de Risoleta...pensou que o arranjo com o cartão a fariam entender o que se passava em seu coração e que isso a estimularia a procura-lo, mas estava errado. Fora um dia péssimo esperando que cada batida na porta de sua sala na repartição fosse dela. O vazio dentro de seu peito expandia cada vez mais e Aristóbulo sentia-se engolfado na própria solidão e o mais difícil era ter convivido com aquela presença tão encantadora de dona Risoleta, antes disso, estava acostumado com a vida entediante e vã que levava, mas depois de ter encontrado aquela centelha de alegria...precisava vê-la, poderiam discutir, o professor não se importava, ele só precisava estar respirando o mesmo ar que ela. 


Notas Finais


No próximo capítulo, finalmente o encontro Aristoleta, hihi!

Obrigada por estar aqui, grande abraço. <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...