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História Tudo ou Nada - Capítulo 6


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Notas do Autor


Primeiramente: troquei a capa da fic amores, fiquei tão apaixonada por esse design [email protected] capista! Esse tema todo romântico e dark, combinou muito. O que acharam? (aliás, todos os créditos para esses maravilhosos que nos ajudam a dar a carinha da nossa história 😘)

Segundamente: Estou superrr feliz com o rumo que essa fic está tomando, e eu só devo agradecimentos a vocês que tornam meus dias melhores 🤩. Principalmente com os comentários que vocês fazem, tirando um tempinho de vocês só para isso. Amo de tantão vocês, se fosse por mim, viajaria o Brasil para conhece-los <3
Ps: se protejam e não saiam de casa pessoal, isso é sério. Se cuidem!

Terceiramente: Demorei um pouquinho? Talvez ksksksks
Eu estava muito na dúvida se eu estava desenvolvendo a relação deles rápida demais ou devagar demais, aí eu tive a brilhante ideia do final desse capítulo! O que vai decidir muitaaaaa coisa pela frente...
Enfim docinhos, aqui está um capítulo grandão e quentinho, cheio de diálogos e momentos Sasusaku ;)
Aproveiteeem e sigam até o final se deliciando.

Capítulo 6 - Um Lugar Mais Seguro


Fanfic / Fanfiction Tudo ou Nada - Capítulo 6 - Um Lugar Mais Seguro

  

– Pensei que iríamos para algum lugar seguro, não um estúdio de tatuagem.

 

Questiono de modo pacífico, ao apreciar janelas fartas e esguias no concreto pintado de tom vermelho, o nome do lugar se decifrava como "Amaterasu Tatto", bem ao alto do imóvel, de modo espaçoso e chamativo, pelas chamas de fogo que desenharam em referência ao título. 

 

– Tatuagens podem ser mais criteriosas do que parece. 

 

Sigo seus passos após adentrar e sibilar um som agudo, igualmente ao um sino, avisando que havia visitas ou clientes. O lugar de espera, era tão atraente quanto à frente do estúdio, já que de modo, o tatuador resolveu enquadrar seus rascunhos de desenhos pelas paredes – o que me dera fascínio, pela forma gentil que os traços se completavam entre si. Semelhei o feito nas costas de Sasuke, era único. 

 

– Fique aqui garota. – ordena ao amarrar a coleira de Aoda em um canto sobre um tapete. – E você, vem comigo. 

 

Faço o que se é pedido e subimos a uma escada em direção a outra porta de tonalidade preta. O som abafado do lugar soou entre meus ouvidos logo após Sasuke abrir uma fresta generosa e entrarmos em outro cômodo. 

 

– Talvez você devesse tatuar um escorpião em sua bunda, anjo. Iria adorar transar com você toda noite só olhando pra ele. – noto aquela fala escabrosa vindo do charme de Suigetsu; que se deliciava entre mordidas de sua maçã, e as nádegas marcadas pela calça em que Karin vestia. 

 

– Do que adianta tatuar uma cobra no braço, se a de baixo não está em uso? 

 

– Karin e eu andamos transando em qualquer canto, sua bicha. – o amigo contorna a cadeira maleável e bate na bunda da namorada, e a mesma rebate com um tapinha. – Enquanto você está precisando arranjar alguém para transar. Está um porre ultimamente. 

 

– Parem com esses tapas, senão sou eu que darei um nessa sua cara Suigetsu. – assusto-me com o tom irritadiço de Itachi, que continha suas mãos em trabalho sobre a pele acima do cóccix da ruiva.

 

– Vai se fuder cabelo de palha. – o moreno abaixa ao frigobar e retira dali duas garrafas d'água. – Não sobrevivo só com transas. – Sasuke atira uma mim.

 

– Fala sério, da onde você tirou essa frase de merda? O Sasuke que conhecia não diria isso. – o azulado repuxa um sorrio malicioso. – Deveria tentar transar com a rosinha aí. 

 

Cuspo em cheio o líquido transparente, encabulada com o comentário. 

 

– Não me confunda novamente como uma prostituta grávida de Sasuke Uchiha. – faço careta. 

 

– Você está longe de ser uma prostituta grávida, docinho. – ouço Karin comentar pela primeira vez desde que cheguei ao local. 

 

– E está longe de ser uma namorada. – dá de ombros. – Mas fala aí, gatinha, quanto tempo está sem transar? – cruza os braços interessado que eu demonstrasse qualquer tipo de afeto na pergunta. 

 

A indagues do garoto fez-me repensar em quantas vezes, naquele ano, fiquei excitada por alguém. O mais frustrante foi perceber que, nem com os meus dedos eu me resolvia – eu estava ocupada demais pensando em Suzuki e sua dívida, que nem tive tempo de pensar em mim e em meus desejos.

 

– Ah – talvez, até Itachi estivesse curioso sobre o fato. – E isso importa? 

 

– Importa se unirmos o útil ao agradável. – aponta na direção de nós dois, o assunto da conversa. 

 

– Cala a boca Suigetsu. Você só abre pra falar merda. – o moreno rosqueia a tampa e a apoia num móvel dali. 

 

– Estou apenas te ajudando cara qual é. Melhor do que ficar pegando cândida por aí, quando está brigado com Itachi...

 

– Sasuke não precisa transar com ela pra ficar calmo. – o tatuador ressalta ao terminar o seu trabalho e retirar suas luvas, alongando seus dedos. 

 

– Pelo menos alguém sensato por aqui. – a mulher ajeita a camiseta e desce da cadeira. – Essa roupa ficou uma graça em você docinho. – sorri me analisando de cima abaixo. – Não é Sasuke?

 

Uno as sobrancelhas confusa com a pergunta específica ao garoto, porém, não deixo de entreolhar para seu rosto e observar seus orbes me contemplando completamente, sem deixar passar nenhum detalhe. Sinto um rubor crescer em meu rosto com o olhar penetrante, que era tão igualmente diferente do de hoje de manhã. Esse por tal, se mantinha mais atrevido.

 

– Tudo a mesma coisa. – vejo-o tirar a camiseta e caminhar onde Karin acabara de sair. 

 

– Prefiro algo mais confortável aqui em cima. – digo ajeitando o top. – Não gosto muito dos meus peitos pra fora.

 

– Seus peitos são magníficos docinho, deveria mostrá-los mais. – retira minha mão de cima do pano. – Eu até os chupariam se não fosse comprometida. 

 

– Não me importo de uma suruba, meu bem. 

 

Um tapa se estala na nuca do garoto.

 

– Eu posso, você não. – sorrio com a cena e com os resmungos dele. – E como você está docinho? 

 

– Estou bem. – recordo-me do que ela se referia. – Só é muita coisa pra digerir ainda. – pigarro. 

 

– Suzuki era extremamente apaixonado por tatuagens. – o primogênito se atrevera a falar, enquanto fazia movimentos contínuos nas costas do irmão. – E ele tinha uma no peito, fui eu quem fiz. 

 

– Estou descobrindo que eu, a própria irmã nem conhecia ele direito. – suspiro. 

 

– Não é culpa sua. Ele queria que ninguém soubesse. – todos prestam atenção na conversa. – Nem eu entendia muito bem, principalmente quando ele pediu para que eu tatuasse uma flor de cerejeira. E quando eu perguntei, ele disse que era um elo muito grande entre seu equilíbrio mental. 

 

Arquei-o atônita minhas sobrancelhas com suas palavras. 

 

– E eu só fui entender quando eu te vi. – por uma única vez naquele momento, me encara. – Sakura. Aí sim, eu entendi. 

 

– Lógico em dizer que a docinho era seu equilíbrio mental. – afaga seu tronco no corpo de Suigetsu. – Todos nós temos um. 

 

– Sempre fomos muito juntos, éramos só eu e ele. Mas depois que... – me recomponho. – Tudo mudou, ficamos tão distantes. Que eu mal percebi quando ele... – embargo a voz engolindo em seco. 

 

– Fazemos tatuagem como forma de uma âncora para nós mesmos. – Sasuke revela. 

 

Avisto novamente, como se não fosse o bastante, a musculatura nua com suas escapulas aparente pela posição que se mantinha. Aquelas costas definidas se excitavam a cada agulhada que a máquina fazia, reluzi pelo rosto sereno do garoto e como aquela bunda se agradava debaixo daquela calça de moletom cinza. 

 

Desvio o olhar antes que percebesse.

 

– Você precisa achar a sua. – me encara. 

 

Penetro meu olhar ao seu. 

 

– Qual é a sua? – rebato. – Sua âncora? 

 

– Minha liberdade. – desço o olhar até o desenho em que Itachi terminava, por um triz, associo com aquele pássaro tão intrigante. 

 

–  Sasuke ainda é muito cabeça dura, nem sempre sua liberdade o faz ter equilíbrio. – o irmão anuncia. – E por isso, ele é minha âncora. De vez enquanto preciso colocá-lo no lugar, mas nem sempre funciona. – sorri. 

 

– Dá pra notar.

 

– Você deveria tentar fazer uma, docinho. 

 

– Talvez, algum dia. – apoia-me na parede. 

 

– Só pense nisso. – acena com a cabeça. – Todos nós temos alguma referente ao nosso apelido. – lança-me uma piscadela.

 

– Não insista Karin. – o moreno corta-a de forma ríspida. 

 

O silêncio torna ao lugar, com aquelas três palavras ecoando em nossos ouvidos. Minha feição não se esconde em confusão pela sua repentina rispidez. Sua bipolaridade me surpreendia a cada dia. 

 

Pulo pelo som vibrante em minha perna e logo retiro para poder ver quem me ligava. O nome "melhor amigo" estampava a tela do aparelho, assim atendo. 

 

– Já volto. – saio para fora para uma melhor conversa em particular. – Alô? – apoio minhas mãos na cerca da escada. 

 

"Aonde você está? Por que faltou a escola?" 

 

– Eu só perdi a hora. – minto, não queria envolver mais gente naquilo do que já estava.

 

"Tem certeza?"

 

– Claro que sim. – pigarro. 

 

"Então onde você está?" 

 

– Em casa ué, onde mais estaria? – faço uma careta por sua pergunta. 

 

"Então desça e venha me atender aqui embaixo Sakura!" – sinto uma irritação em seu tom de voz. Ele sabia muito bem que eu estava mentindo, e o meu gaguejo só reforçou a ideia. "Onde você está?" 

 

– Eu precisava de um ar. 

 

"Não me diz que está com o Uchiha."

 

– Ah. Por que eu estaria?

 

"Porquê eu te conheço muito bem." – Ouço-o bufar. "Só me diz que não está com ele." – eu poderia muito bem imaginar como Naruto mantinha os olhos fechados com uma mão na cabeça, como sempre fazia. 

 

– Eu preciso do trabalho você sabe disso. – rendo-me.

 

"Sabe que pode arranjar em outro lugar, não sei porquê essa teimosia toda." 

 

– Naruto... é mais complicado do que parece. – abaixo a cabeça sentindo uma dor começar a latejar na mesma. 

 

"Seja lá o que você estiver fazendo com ele, só espero que não deixe de vir as aulas. Suzuki odiaria isso." 

 

Eu podia protestar, espernear sobre isso, mas no final, Naruto estaria certo. Sempre esteve, e eu, deveria seguir seus exemplos. Porém, o caos em minha vida não se aplicaria nesse rumo perfeito de estudar e ir a faculdade, não agora. 

 

– Eu sei. 

 

"Se cuida Sakurita." – mas no final, ele nunca ficava bravo comigo, mesmo que eu não seguisse nada de seus conselhos, ele permanecia como o melhor amigo de sempre. 

 

Bufo ao ouvir a ligação desligar. Tudo estava caindo aos pedaços e eu estava exaustada. Mesmo que eu continuasse ao meu percurso de volta, bato em uma parede de peitoral, me surpreendendo.

 

–  Tsc. – aquele queixo empinado e tão bem desenhado batia com minha visão ainda um pouco torta – Precisamos ir.

 

– Mais já? 

 

– Tenho que pegar uma coisa.

 

– Não me diz que é outro cachorro.

 

– Não, não é. – sinto-o me puxar pelo dorso ao levar-me para baixo e depois pegar novamente a coleira do pitbull. 

 

– Espera..., mas eu nem me despedi de Karin e...

 

– Se despeça a noite. – vejo-o caminhar de modo impassível para fora do prédio. 

 

– Mas a noite eu vou pra casa. – grito para que parasse um único minuto para prestar atenção no que eu dizia. 

 

– Não, não vai. – coloca o cachorro no banco de trás.

 

– Claro que vou. Eu preciso voltar pra casa! 

 

– Só entra no carro. 

 

– Não vou.

 

– Dá pra entrar no carro? – revira os olhos.

 

– Não, não dá. – debocho de seus protestos, ao encarar, demonstrando, falsamente, algum interesse de como eu precisava lixar minhas unhas.

 

Conquanto, apenas com passos pesados e mãos ágeis, foram precisos para me pegarem e colocarem em seu ombro de forma rápida, deixando qualquer civil boquiaberto com a cena exagerada. Bato de forma grotesca em suas costas para que me soltasse, o que não adiantou, já que me jogou no banco do passageiro e colocou cuidadosamente o cinto de segurança em meu corpo. 

 

– Seja menos irritante e mais boazinha. – mostro-lhe a língua.

 

O percurso durou poucos minutos, o que não impediu que durasse horas com minha cara fechada e o sorriso ladino do Uchiha toda vez que se atrevia a me olhar. 

 

Mais um lugar nada convencional, na qual o nome "Susano'o Oficina" estampava o concreto e garagens abertas em funcionamento. Reconheço aquela cabeleira prateada se manifestar entre graxa e ferramentas jogadas por todo canto.

 

– Falando no diabo. – um sorriso brota em seu rosto ao perceber a figura quase idêntica a sua frente. – Não sabia que o diabo andava com anjinhos. – lança-me uma piscadela descarada. 

 

– Oi Obito. – aceno com a cabeça.

 

– Como estão os pedidos? – indaga após cumprimentá-lo com um soco.

 

– Minha agenda continua cheia. É o que importa. – aponta para a lataria vermelha em que há poucos minutos arrumava. – Vai correr hoje?

 

Franzo o nariz prestando atenção em cada detalhe de suas expressões e falas, até mesmo quando Obito apoia um pano em seu ombro. 

 

– Só vim por causa do carro.

 

– Não há outros motivos ao não ser esse para Sasuke vir aqui. – direciona o olhar a mim. – Me acompanhe. 

 

Sigo-os, como que para Sasuke, aqueles passos fossem hábitos. Entramos em outra garagem, onde se mantinha fechada a visitas, como se fosse particular a alguém. O mecânico retira aquela capa acinzentada, revelando todo o brilho e qualquer detalhe daquele carro. 

 

– Seu Nissan GT-R está novinho em folha. – reluzo aquele luxo preto que escaldava minha visão com toda aquela preciosidade em que nunca tive chances de conhecer. 

 

Era excitante só de imaginar sentando-me naquele banco. 

 

– Conseguiu trocar o óleo?

 

– Não me faça perguntas toscas Sasuke. Nunca faço meu trabalho pela metade. – o observo jogar talvez, fosse a chave do veículo, e andar diretamente para onde estava. – Eu iria até dá boa sorte, Pantera, mas acho que não preciso. – posso ouvir ainda um pouco de longe, uma risada grossa ecoar o lugar.

 

– Esse povo, e essa mania de falar em códigos. – balbucio a mim mesma. 

 

Meus orbes tornam ao corpo do garoto, com apenas o tronco situado dentro do Nissan, o que não demora muito para se restaurar com panos em suas mãos. 

 

– Me espere aqui. – nada mais, além de mandar. 

 

Bato o pé impaciente naquele lugar, até o mesmo voltar trajado com uma camiseta preta, calça jeans preta e um coturno preto. Bem, eu esperava o quê, era Sasuke Uchiha. – o pior não era essa cor, era como aquela tonalidade o fazia mais sexy do que já era, como se o preto nascesse dele, como se só o pertencesse, sua marca registrada. 

 

A queimação em meu peito aumentou quando aquele balançar de dedos sobrevoou sobre seu cabelo, fazendo-o tornar aqueles fios mais rebeldes do que já eram. Ele estava tão...

 

Puta merda, Sakura! Se controla! 

 

– Vamos. – e ainda por cima se atreveu a olhar-me com um semblante divertido e passar por mim com a total graça. 

 

Eu já disse que o odeio? 

 

Arrepio ao entrar naquele banco maciço e o latir de Aoda aos meus ouvidos. 

 

*

 

A gritaria abundante era inaudível pelo som alto que vibrava em caixas de som sobre o asfalto. Pessoas bebiam e conversavam umas com as outras em diversas rodas, tendo carros como o centro para se apoiarem ou apenas exibirem o quão maneiro eram. 

 

Sasuke estaciona por ali, e saímos com o animal em suas mãos, não pude deixar de reparar nos olhares que se voltaram a nós e os cochichos que começaram quando passávamos perto de alguém. Olho de canto para o garoto ao meu lado, e anoto em minha mente como aquilo não o incomodava e não estava nem aí para tudo aquilo. Isso me irritara um pouco, ao ouvir ao vento, meu nome com apelidos nojentos. 

 

Não me encolho quando o silêncio paira e Sasuke me leva ao encontro do casal. 

 

– Você ainda vai matar muita gente de surpresa. – Karin diz ao amigo. 

 

– Não tanto quanto ele mata no Esquadrão 4. – o azulado enrola seu braço sobre os ombros da namorada. 

 

Levanto minhas sobrancelhas com o comentário. 

 

– Brincadeira gatinha. – pisca a mim. 

 

– Não me importo. – repuxa a coleira para impor o andar da garota. – Deveriam começar a ficarem acostumados. 

 

– Eles não vão. Eles sabem muito bem da sua mera reputação, Sasuke. 

 

– Isso é problema é meu. – pondera. – Fiquem de olho nela. – antes de caminhar bar adentro, me dá uma última olhada como necessitava saber se eu ainda estava ali. – Não quero bagunça no meu terreno. 

 

– Sim senhor, comandante. – Karin brinca. 

 

– O que quer dizer "para ficarem acostumados"? – indago quando a presença do moreno não era mais notável. 

 

– Quando eu disse que você era responsabilidade nossa quando bateu em Akira, não era mentira docinho. – molha os lábios. – Porém ficar com a gente sempre tem seus prós e contras, e um deles é, saber que amanhã, você vai acordar sendo só mais uma cadela do Uchiha. 

 

Engulo em seco, enojada em como pensamentos retrógrados ainda eram pertinentes nesse século.


– Sasuke é apenas meu chefe. 

 

– Mesmo assim...., mas com o tempo você se acostuma. 

 

– Não acho que vou. 

 

– Eles te respeitam. Você vai se acostumar. 

 

– Me respeitam?

 

– Claro, docinho. – me encara maliciosa. – Tudo porque você enfrentou Sasuke na frente de todo mundo. Ninguém teve essa coragem até uns dias atrás. – sorri.

 

– Não sei por quê. Ele não é tudo isso que falam. – dou de ombros.

 

– Não pague para ver Sasuke Uchiha com raiva Sakura. – agora é vez de Suigetsu me encarar de modo sério.

 

– Não pago, até porque não é da minha conta. 

 

– Você não sabe como eu te amo, docinho. – revira os olhos deliciada com minha atitude. Percebo que, pela primeira vez naquele dia, sorrio genuína. 

 

O que não durou muito, posto que, a ansiedade se tornou presente pela volta do garoto. Gritos exaltantes se tornaram normais durante minutos, principalmente de mulheres peitudas e bonitas, ao ver a estrela da noite encaminhar para seu motor de rodas e seu adversário já ameaçando com seus pneus prontos para correrem. A brisa da escuridão sobrevoou a mulher de cabelo loiro e saltos agulhas, que permanecia em seu posto com panos vermelhos em mãos, prontos para serem usados.

 

– Todo mundo pronto? – se obteve um sim fervoroso como resposta. – Então esqueçam os cintos e acelerem os carros, que hoje é dia de ver Uchiha massacrar. – o ruído das pessoas se aderiu com aquela monstruosidade do motor roncando ao dar partida na estrada.

 

Alguns tornaram a correr para vê-los de algum ponto, e outros gravavam animados, como diziam: mais uma vitória animal do Uchiha.

 

– Qual é a graça de vê-lo correr, se já sabem que ele vai ganhar? ­– murmuro.

 

– Essa é a graça: ver Sasuke ganhar. Ele nunca perde.

 

– Vocês homens, são tão fanáticos um pelo outro. – Karin retruca.

 

­– Respeita meu melhor amigo, cara. – vejo-o mentir, ao sentir comoção.

 

Os dois começam alguma discussão saudável, em que não me dei ao trabalho de ouvir, devido ao zumbido em meus ouvidos, que fizeram-me avoar sobre a existência daquele local, o silêncio permaneceu em minha mente junto com a calmaria de meu peito. Eu estava tão confusa e cansada com todas as informações que recebi naquela manhã, que nem me dei conta de mim mesma – não tive piedade da minha própria saúde mental. Ainda mais com um cara na minha cola, onde dizia que um lugar como aquele, em que estava, era mais seguro que minha casa. Eu só estava tão exausta, que nem percebi o tempo passar, e uma algazarra se formar novamente, junto com um bater de vento em meu rosto.

 

– Eles chegaram. – olho para o lado exasperadamente quando avisto o casal pular para dentro do carro que se mantinha escondido atrás deles. ­– Vá com Sasuke docinho, ele vai cuidar de você.

 

A perturbação em meu rosto, não se passou de um frasco de um segundo, onde, pela segunda vez, puxa-me diretamente para o veículo.

 

– Vamos. Vim te buscar.

 

– Por quê? O que está acontecendo? ­– assusto-me.

 

– Não dá tempo de explicar. – tropeço em meus pés aflita.

 

– Sasuke! – me solto.

 

– Só confia em mim. – seus olhos clamavam por súplica de minha parte.

 

E, eu. Confiei.

 

Adentrei sem nenhum piu. E o garoto deu a partida, abandonando, qualquer confusão que se fazia presente nos rostos de seus fãs – foi assim que os denominei só pelo fato de amarem aquele bad boy ao meu lado. E eu mal sabia o porquê, de o amarem tanto, mesmo com aquela carranca e brutalidade, aquela pose inquebrável, na qual Kakashi dizia conhecer o suficiente para tornar aquilo como uma criança por dentro. Mas, eu não. Eu até poderia encara-lo assim quando estivesse com Aoda, mas não nesse momento. Não no momento em que dirigia – corria, para dizer a verdade – com frustração; com os dedos vermelhos e mornos de tanto apertar aquele volante com força, ou sua perna que não cedia ao terror daquela velocidade.

 

Eu tremia só de respirar com o abrupto momento de ter tido a péssima ideia de entrar naquilo. Nada saciava meu desespero de saber, do porquê o garoto suplicou em minha confiança, ou do porquê Karin e Suigetsu partiram direção contrária com um sorriso nos lábios. A não ser, quando avisto pelo retrovisor dois motoqueiros encapuzados, que nos perseguiam com um pouco de dificuldade, já que o motorista sabia o que estava fazendo. Não tive tempo, ou coragem, para empanturra-lo de perguntas ríspidas agora, onde a adrenalina inebriou minhas veias suficientemente fazendo minhas mãos suares só de estarem juntas.

 

O percurso foi ficando mais deserto, após virar alguma rua que dava a estrada Fuyuki – eu já estava começando a achar, que aquela estrada era amaldiçoada. O brilho dos faróis brancos contrastava com o azul da noite, detrás do Nissan de Sasuke, eles lutavam, sem medo algum, de tentar correr ao lado da lataria luxuosa. A marcha que dera, determinou o trabalho deles como em vão, uma vez que, não se mantinham mais por ali.

 

Suspiro da forma mais pesada possível, ao sentir um alívio se debater em todo meu corpo; se eu estivesse em pé agora, com certeza, minhas pernas cederiam igual uma gelatina aguada. Fecho os olhos me concentrando de que aquilo já estava tudo resolvido, que nós havíamos escapado. Diria que foi um erro. Visto que as rodas pisavam em pedras e terras, fazendo barulhos bruscos debaixo do carro, consequentemente, como de automático, sigo o Uchiha, ao sair, e pegar em minha mão, correndo para dentro da mata.

 

– Sasuke, o carro...eles vão nos achar... – tento achar alguma saliva em minha boca.

 

– Kakashi cuidará disso. – pelejo em não cair em meus passos. – Só me segue e não se solte. – confirmo em um balançar de cabeça confiante.

 

Ao tempo que corríamos a mata ficava ainda mais funda e verde. Galhos se tornaram mais apurados quando travavam uma guerra contra minha pele exposta. Maldito top em que Karin escolheu. Mordo o lábio para que nenhum gemido de dor fosse escutado, principalmente pelo moreno a minha frente. Não tinha qualquer visão de onde estaríamos indo, apenas por frestas da luz da lua que circundava a área.

 

– Faça silêncio. – observo-o me guiando, apenas consigo decifrar uma silhueta que se parecia com uma casa, quando paramos.

 

Sasuke abre a porta, logo trancando-a com o mínimo barulho possível. Minha visão começa a se acostumar com os desenhos do lugar: uma sala que compartilhava a cozinha, nada muito grande e logo uma porta, que presumi ser algum quarto.

 

– Onde estamos?

 

– Uma casa no lago. – pigarra.

 

– Incrível. – ando forçando meus olhos a olhar tudo com detalhe.

 

– É pequena, tem apenas mais um quarto e um banheiro.

 

– Sér... – sou tampada com uma mão em minha boca e levada para baixo, para que ninguém nos visse.

 

Pude sentir a respiração do garoto descendo e subindo em minhas costas, e o sopro na curva do meu pescoço, estávamos quase abraçados, o que não foi incomodo, por logo após ouvir passos estralando as folhas secas á fora, sussurros correrem ao vento.

 

– Eles vão entr...


– Não vão. Eles acham que estamos no galpão de Kakashi. – afrouxa a mão, caindo sobre meu colo.

 

– Então... – engulo em seco. – Você planejou tudo?

 

– Tsc. – foi apenas aquilo que eu ouvi como resposta, o que não era de se esperar. – Você está sangrando.

 

Noto os dedos do garoto sobre minha barriga, fazendo-me sentir aquele fino corte em minha pele, e a ardência subitânea se aderir.

 

– Não é nada demais, só foi um galho. – Sasuke se desmancha em minhas costas, tornando o vento frio ainda mais aterrador.


Seus pés vão de encontro ao um quarto, o que de uma cômoda, tira dali uma caixinha amarela.

 

– Deite-se na cama. – não reluto.

 

Vejo-o tirar um soro fisiológico e um algodão, e passar sobre minha ferida, o que tornou, nos primeiros segundos, agoniante, conquanto, se aliviou com o passar calmo do Uchiha.

 

– Por que tem outra caixa de primeiros socorros aqui? – levanto meu olhar ao encarar sua posição na beirada da cama.

 

– Para tipos de situações como essa. – por fim, coloca um band-aid de forma grande sobre.

 

– Fala sério – grunhi.

 

Sinto sua mão subir conforme se aproximava de meu corpo, pairou sobre meu lábio inferior, onde minha mordida se tornou funda e vermelha. Encaro seus olhos, que mesmo na escuridão, eram visíveis pelo brilho que o tornavam. Sasuke Uchiha era a própria escuridão, anotei. Contemplava meu rosto, encarava meus olhos e descia a minha boca, pude perceber algo salivar dentro de si, ao repassar a maciez de seu dedão em cima do ferimento. Comecei a me sufocar com aquela paisagem tão bela apreciando cada detalhe de minha face, não sabia o que pensava, era inútil tentar decifra-lo.

 

E torci para que não notasse o rubor que crescia em minhas bochechas.

 

– Está com frio. – a sua voz serena e rouca retorna ao tocar minha pele arrepiada de meu ombro. – Não posso acender a lareira, vai chamar muita atenção. – avisto tirar sua camiseta e direcionar a mim. – Veste.

 

– Eu não po... – a feição convencida do garoto tirou qualquer esperança de eu convencê-lo a ficar. – Está bem. – visto-a sentindo um calor andarilhar aquecendo todo meu corpo. – Sasuke você não pode ficar assim, pode pegar hipotermia.

 

Permito-me encarar, ainda pela confusão da noite, aquela epiderme tão lisa e bem definida, algo que eu não me atentei ao vê-lo na varanda. Seu abdômen magrelo, mas tão bem demarcado, com seus gominhos e sua linha V que vinha de seu ílio e seguia para debaixo de sua calça. Imaginei como aquilo seria ainda mais perfeito, se estive ereto deitado sobre alguma superfície. Não pude deixar de notar, ao subir meu olhar rapidamente, sua clavícula que transparecia naqueles ombros tão pontudos e erguidos, fisco minha língua ao sentir a tensão subir e saber que Sasuke era o próprio pecado em pessoa.

 

– Por aqui, temos algum cobertor. – reluzo ainda mais com aquelas costas nuas e tão contraídas, cheia de covinhas. Noto o trabalho completo de Itachi, aquele fino arco que se formou na águia, a deixou ainda mais exuberante.

 

Eu queria poder toca-la, senti-la em meus dedos e se arrepiar com meu sangue. Mas o plástico em cima do desenho, impedia qualquer desejo meu agora.

 

– Vamos dormir aqui? – indago.

 

– Aqui não tem sinal, e é arriscado sair daqui, sem saber o que nos espera lá fora. – traz em suas palmas um cobertor.

 

– Você não vai sobreviver com esse pingo de pano. – reclamo.

 

– Não vamos acampar aqui dentro. Só vamos ficar uma noite. – revira os olhos.

 

– Como você pode ser tão teimoso?

 

– Não reclame.

 

– Pelo menos divida a cama comigo. – relembro de como abandonou sua cama, a noite inteira, só para mim.

 

– Tsc. – contorna a cama se colocando do outro lado, e ajeitando a coberta sobre nós dois.

 

A cama, felizmente, era de casal, e cabíamos muito bem, um do lado do outro. Encarei na visão oposta a madeira na parede, deixando, a culpa me contornar só de saber que ele continuava me salvando, de qualquer jeito. Cheirei o perfume que restava na gola de sua camiseta, inebriando o cheiro amadeirando em minha narina – aqueci-me só pelo fato de senti-lo ali, vivo entre costuras.

 

Não penso muito, ao me virar e abraça-lo por trás, enfiando minha cabeça na curva de seu pescoço. Não o sinto hesitar.

 

 – Eu li em algum lugar, que o calor do corpo humano esquenta. – coço a garganta. – Então, usarei todos os recursos que tenho. – respiro e solto convencida de não ter-me afastado.

 

Em frasco de segundos, sinto-o desmanchar a conchinha que eu havia feito, e se virar de frente para mim, entrelaçando com mais perfeição, nossos corpos. Nossas pernas se mantinham uma acima da outra, dando liberdade de nos encaixarmos tronco a tronco. Conquanto, eu havia sido dominada, ao ficar de cara com seu peitoral e tê-lo ficado em encaixar sua curva do queixo, acima de minha cabeça.

 

Prendo o ar, só por sentir sua pele fria se esquentar com a minha, e a afobação pairar sobre minha respiração. Ele estava tão perto de mim, que era surreal imagina-lo fora disso. Imagina-lo como alguém ruim e egoísta. Imagina-lo como eu o imaginei dias antes, e eu tinha a prova para qualquer resposta, a minha frente. Eu o tinha só para mim naquela noite, e eu, não o deixaria.

 

– Sasuke... – sussurro.

 

– Hn? – sinto seu peito vibrar contra o meu.

 

– Por que me contratou? – mesmo que eu soubesse que não me responderia, me apego com a queimação formidável entre nós. – Por que permitiu que eu fosse até o galpão sozinha? – dedilho hesitante em seu braço.

 

– Queria saber até onde você iria. – responde despreocupado. – Até onde iria por seu irmão.

 

– Então, antes de me contratar você já sabia de tudo?

 

– Sim. – sussurra.

 

Engulo em seco.

 

– Sasuke... – torno a fazer uma trilha contínua com meus dedos.

 

– Oi? – podia sentir a sonolência invadir sua voz.

 

– Me desculpe por ter te causado tudo isso. Eu...

 

Sou interrompida, entre meus pensamentos, por sua mão, que impediu de eu continuar com o toque em seu braço, agarrando-a  e dizendo logo em seguida:

 

– Não se desculpe. – desmancha seus dedos aos meus, entrelaçando qualquer medo, insegurança, compaixão, que nós sentíamos naquele momento. Agarro-me a aquilo, aquele prazer de estar em seu colo, com as mãos dadas e me sentir segura. – Boa noite, Sakura.

 

Sinto seu coração bater mais forte, acelerar devido ao curto circuito de nossas almas, tão gélidas e quebradas, se moldando com aquele novo. Minha palpitação era saborosa e cheia de borboletas voando pelo local. Sabia que, quanto eu, quanto ele, fazíamos uma guerra contra todas aquelas emoções que tornou a se aflorar, impedindo que qualquer amor fosse brotado.

 

– Boa noite, Sasuke.

 


Notas Finais


O que acharam sobre esse final em? Eu sei que vocês gostam de um hot, só deixei vocês na vontade mesmo rs
Amo, amo

Link da tatto do nosso querido Sasuke Uchiha ;)
https://images.app.goo.gl/zKvk43fo55s44KFz7


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