História Tudo por Amor (TaeSeok II VHope, JiHope) - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXID, EXO, Got7, Red Velvet, SHINee, Super Junior, UNIQ
Personagens Baekhyun, BamBam, Chanyeol, Chen, D.O, Hani, Heechul, Irene, Jackson, JB, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kai, KiBum "Key" Kim, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Kris Wu, Lay, Lu Han, Mark, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Sehun, Taemin Lee, Tao, Wang Yibo, Wendy, Xiumin
Tags Comedia, Drama, Família, Gêmeos, Jihope, Outrosshipps, Taeseok, Vhope
Visualizações 82
Palavras 5.317
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


(U・ω・)⊃ Demorei, mas voltei

Capítulo 8 - Não me deixe


 

****** Jimin ******

 

Eu não podia e não queria acreditar no que tinha acontecido, mas o carro, que só parara quando batera em uma árvore, me dizia claramente que tudo aquilo era verdade. 

Fechei e abri minhas mãos, as sentindo frias e vazias. Me mexi no banco, sentindo todo meu corpo doer e retirei o sinto de segurança. Se não fosse pelo sinto eu sem dúvida nenhuma estaria morto naquele momento. Olhei para o chão do carro e vi sangue escorrer do banco do motorista e do passageiro. Eu já sabia que os dois estavam mortos. Concluir aquilo fez meu estômago embrulhar. Com um pouco de dificuldade, saí pelo buraco da porta que já não existia mais.

 Por onde o meu Hope tinha sido jogado. 

Eu queria acreditar que ele ainda estava vivo. Ele tinha que estar vivo. 

Respirei fundo ao sair do carro, percebendo que lágrimas desciam por meus olhos. Olhei em volta, a procura do Hope. Eu precisava encontrá-lo. 

- Aonde você está, meu amor? - sussurrei enquanto rasteja meus pés pelas folhas secas no chão, as grandes árvores pareciam me olhar com pena. - Não me deixe, Hope. 

Parei de andar quando escutei vozes vindo logo a minha frente, não muito distante de onde me encontrava. Levei minha mão a minha cintura, em busca da minha arma, mas me lembrei que tinha a deixado no banco do carro. Com o acidente ela com certeza se perdeu. 

Eles estavam chegando e eu não tinha com o que me defender. Não tenho forças nem para correr e me afastar deles. De qualquer forma, eu não estava pensando em fugir, eu quero o meu Hope de volta. 

Já os conseguia ver atrás das árvores.

Continue a olhar em volta e finalmente o vi. Ele estava jogado no chão e totalmente imóvel. Forcei meu corpo a ir até ele. Eu tinha que protegê-lo e cuidar dele.

 Apoiando nas árvores ao meu redor eu ia às pressas até ele. 

- Parado aí!  -alguém gritou em minha direção, mas continuei a andar cambaleante até o Hope. Eu já conseguia o vê-lo por inteiro. Eu já conseguia ver o sangue em sua cabeça. 

- Não, não, não, não, não... - me desesperei ao me aproximar dele.

 Um tiro me fez parar estático quando atingiu a árvore atrás de mim.

- Eu mandei você parar, idiota! - Esbravejou o cara. 

Respirei fundo e cerrei os punhos pensando em quem poderia nos ajudar naquele momento. Taemin e os outros estavam distantes. D.O não deve nem saber do acidente. 

Estávamos sozinhos... 

Quando pensei isso escutei o barulho de uma moto invadir a floresta. Percebi que os quatro homens, que se aproximavam de mim, ficaram apavorados ao escutar aquilo. A moto vinha em alta velocidade. Por um momento pensei que ele era um dos seguranças da clínica, pronto para dá cabo da minha vida. Mas vi que estava enganado, pois o motoqueiro, com uma precisão incrível, levantou uma arma e atirou na cabeça dos quatro homens que estavam atrás de mim.

 Eles sequer tiveram tempo de reagir e caíram mortos no chão. 

O motoqueiro continuou vindo na minha direção e só freou a moto quando estava bem próximo de mim. Uma leve poeira levantou no ar quando ele parou, quando sua arma e retirou o capacete preto de sua cabeça. 

Fiquei boquiaberto ao reconhecer aquele cabelo loiro e o olhar frio lançado a mim. Ele desceu da moto, seguiu até eu estava parado e colocou o capacete em minha cabeça. 

- Nunca pensei que em minha vida toda eu fosse ajudar logo você. - disse Key, me olhando de cima a baixo depois de colocar o capacete em minha cabeça e o prender. - Não desperdice a minha ajuda. Agora suma daqui. 

Balancei a cabeça, negando e olhei para o Hope no chão. Me movi para ir até ele, mas Key segurou no meu braço, me impedindo de prosseguir. 

- Não posso deixá-lo aqui - falei para ele. 

- A polícia já está vindo nesta direção, se eles te pegarem pode ter certeza que não será nada fácil para um assassino e sequestrador como você sair da cadeia. Lembre-se, sua família não tem poder em todo esse país. Se você for preso, dependendo da sua condenação, pode nunca mais ver o J-Hope. Não seja cabeça dura, vá embora, se recupere e volte para ele. Não situação em que você se encontra agora será um grande problema para todos nós. - me puxou para perto da moto. - Ele ficará bem, vá logo. 

Olhei para o Hope e me xinguei internamente por estar deixando ele, de novo. Mas o Key tinha razão, eu não poderia ser pego pela polícia. Eu voltaria para ele depois.

Subi na moto e a liguei, saindo de lá o quanto antes. Voltei para a pista e segui reto. 

Meu coração doía mais que meu corpo. Por que não podíamos ficar juntos? Me perguntava deixando que as lágrimas embaçassem minha visão. 

Eu deveria ter ficado com ele. Eu deveria tê-lo protegido. Eu deveria cuidar dele. 

Por causa do meu choro e lamentações, acabei por perder o equilíbrio da moto. Não demorou para que eu caísse da mesma e rolasse pelo chão negro quente. Eu me sentia tão desolado naquele momento que cogitei a ideia de ficar daquela maneira, na pista, até que um automóvel passasse por cima de mim. Mas logo tratei de tirar aquele pensamento da cabeça. Eu tinha que ser forte. Eu preciso do meu Hope. 

Eu queria me levantar dali, mas meu corpo dolorido não colaborava comigo. Fiquei lá, deitado, esperando que alguém aparecesse para me ajudar e foi o que aconteceu um tempo depois. Um carro azul parou perto de mim e alguém desceu às pressas. 

- Eu sabia que você era idiota, mas nem tanto. Como pode pegar um moto sem saber dirigir? Parece que teremos que fazer uma visita ao hospital.- reconheci a voz do D.O e me senti um pouco aliviado ao ouvi-lo. 

- Hope? - perguntei quando ele se abaixou ao meu lado. 

- Vi ele sendo colocado em uma ambulância, não sei sobre o estado dele. 

- Preciso vê-lo. 

- Precisa se cuidar, isso sim - disse me ajudando a levantar do chão. Senti que podia desmaiar a qualquer momento por causa da dor em meu corpo. - O certo seria chamarmos uma ambulância para você, mas não podemos levantar suspeitas. - Nesse momento senti alguém retirar o capacete de minha cabeça, quando olhei para o rapaz não o reconheci, o mesmo abriu a porta de trás do carro azul, onde D.O me colocou deitado no banco. - Eu esqueci meu celular em casa e o seu foi quebrado na queda - continuou a falar. - Na hora do desespero eu te levei no hospital por que não tinha como chamar uma ambulância. 

- Esse é seu plano?

- Uma parte dele, meu amigo. Lembre-se dessa história quando chegarmos no hospital, entendeu? 

- Sim... – respondi, fechando meus olhos e me perguntando como ele e o Key apareceram quando eu mais precisava de ajuda. 

Eu iria agradecê-los quando as coisas melhorassem.  Quando eu estivesse com o Hope, pois não desisti dele. 

 

****** Baek ******

 

Hospital Shinchon Yonsei, onde o Hoseok, o Tae e o J-Hope estavam.

Mais uma vez eu estava em um hospital esperando notícias de um amigo. Da primeira vez tinha sido o Lu, que ainda estava de coma, agora era o Tae e o Hoseok, sem contar que o J-Hope se acrescentava a lista. 

Eu tinha que ser forte e confiar que tudo ficaria bem. Que eles sairiam dessa ilesos. Eu tinha que ser forte pelas duas crianças choronas ao meu lado. Kookie chorava nos braços do BamBam, a todo momento se culpando pelo que aconteceu ao Tae. Se ele não estivesse naquele estado eu teria dado uma surra nele por ter participado de algo tão perigoso. Fico tão feliz pelo Key ter entrado na nossa vida e nos ter tirado do perigo, pois a pouco tempo atrás foi relato no jornal televisivo que a clínica Hannan-Dong tinha sofrido um atentado, onde muitos de seus seguranças foram mortos por homens encapuzados que sequestraram um enfermeiro e um paciente. O enfermeiro era o primo do Tae, que o Kookie tinha dito - uma infeliz coincidência ao meu ver - e o paciente era o J-Hope. 

Infelizmente, as coisas não tinham saído como planejado, percebi ao ver o resto da notícia no jornal. O paciente fora resgatado em estado grave depois que o carro capotou e ele foi arremessado para fora do automóvel. Aquilo era horrível, a chance de alguém morrer em um acidente daquele tipo era muito grande. 

Me perguntei se aquilo não era o carma contra o Jimin depois que ele provou o acidente do Lu e machucou o Tae. Talvez o universo estivesse conspirando contra ele por causa do que fizera e não deixando que ele fique com o J-Hope. Fiquei imaginando se não era isso mesmo. 

Os dois irmãos estavam em um estado muito complicado naquele momento. O destino até os colocara no mesmo hospital. Era a primeira vez em tempos que os dois estavam tão perto um do outro, mas de um jeito nada bom. 

- Pelos céus, espero que os dois sobrevivam - falei para mim mesmo. 

- Eles vão sobreviver - levei um susto ao ouvir o tio dos Jung parando ao meu lado. - Eles têm que sobreviver. 

Observei sua expressão triste e cansada e senti vontade de dar um abraço nele para tranquilizá-lo, mas me contive em apenas assentir as suas palavras. Ele olhava para o celular em sua mão como se a espera de uma ligação importante. 

- Já ligou para a família adotiva do Hoseok? - perguntei a ele. 

- Sim, eles já estão a caminho - respondeu se sentando ao meu lado. - A família do Tae também já está vindo. 

- Fico aliviado por saber disso - falei e fiquei em silêncio, observando o piso branco do hospital e pensando que a família deles estava vindo para cá... os pais deles. - A mãe biológica deles também?

- Sim, minha irmã já está a caminho também. 

- Mas não foi ela que colocou o J-Hope naquela clínica?  Ela não pode fazer isso novamente? 

Ele negou com um manear de cabeça. 

- Não, dessa vez eu não vou deixar. Dessa vez não deixarei os garotos nas mãos daquela cobra. Já estou entrando em um processo contra ela para que ela se afaste dos garotos. Sei que será difícil, mas não desistirei deles. 

- Uau – sorri pela primeira vez naquele dia. - Que bom que eles agora têm você. 

Ele sorriu um pouco e abaixou a cabeça entre as mãos. 

- Eles vão sair dessa - disse, baixinho para si mesmo. 

Ter duas pessoas da família correndo risco de vida não era nada fácil. Não conseguia nem imaginar sua dor naquele momento. 

 

****** Tae ******

 

- Moça, eu já estou bem - falei para a enfermeira parada ao meu lado. Ela levantou o olhar da prancheta em sua mão e me encarou. - Por favor, meus amigos e meus familiares estão preocupados comigo. Eu estou preocupado com uma pessoa que levou um tiro por mim e eu necessito saber como ela está. Por favor, me deixe sair daqui e procurar por alguma informação. Se eu ficar nesse quarto enlouquecerei a qualquer momento. Então, pelo bem dos pacientes desse hospital, me deixa sair. 

 

- Espere um momento, chamarei um médico para vê-lo uma última vez. - disse e logo se retirou do quarto. 

- G-Dragon do céu, me segura para não agredir essa mulher - falei me levantando da cama, indo até a porta e a abrindo devagar. Olhei para os dois lados do corredor, constatando que a área estava limpa, e saí do quarto. 

Eu não queria perder mais um minuto ali dentro. Eu precisava saber como o Hoseok estava. Depois que perdi a consciência só acordei naquela cama de hospital. Me mantive calmo o máximo que podia para eles não me sedarem, mas minha paciência para ficar ali já tinha acabado.

Segui pelo corredor e desci as escadas até o primeiro andar, onde na recepção eu conseguiria informações sobre o Hoseok e se desce sorte ainda encontraria aquele homem que tinha me ajudado. Pensando no rosto dele agora, o mesmo me parecia familiar, mas aonde eu o tinha o visto? E como ele me conhecia? Me perguntei ao descer o último degrau da escada e seguir por um corredor um pouco movimentado.

- Tae! – abri um enorme sorriso ao ouvir aquela voz vindo na minha direção. Foi um alivio vê-lo, saí de onde estava e corri para abraçá-lo. – Me perdoe, eu nunca mais vou sair de perto de você – Kookie falou em meus braços e eu ri dele, o soltando e vendo as lágrimas em seus olhos.

- Eu estou bem, só um pouco assustado e apavorado, mas bem – falei limpando suas lágrimas. – E por favor, não fique grudado em mim o tempo todo. O que aconteceu não foi sua culpa. Se você estivesse comigo poderia ter sido nos dois a ser sequestrados depois que... – o encarei. – o Hope, eu sei onde ele está!

- Tae – escutei a voz do BamBam atrás de mim e levei um susto ao me virar para trás e ver ele e o Baek. Os dois tinham copos de cafés em suas mãos e apenas sorriram para mim. – Fico feliz que você esteja já de pé, mas seria bom que você se sentasse – apontou com a cabeça para alguns sofás na sala de espera.

Balancei a cabeça, negando ao seu pedido.

- Não, preciso saber como o Hoseok está e precisamos ir atrás do Hope, e como você chegaram aqui tão rápido?! Por quanto tempo eu estive desacordado?

- Tae, vamos nos sentar – disse Baek, com um olhar autoritário para mim e me entregou um copo de café.

 A coisa era muito séria.

Respirei fundo quando peguei o copo de sua mão e os acompanhei até um dos sofás. Baek se sentou ao meu lado direito, com BamBam ao lado dele, e o Kookie ficou do meu lado esquerdo. Eles pareciam ter chorado muito, possivelmente pensando que eu pudesse ter me machucado, mas agora eles sabem que estou fisicamente bem.

Necessito de respostas.

- Chegamos ontem à tarde – começou Baek. – Acredito que naquele horário você já tinha sido sequestrado. Só viemos saber do seu sequestrou hoje pela manhã. Esse aí – olhou para o Kookie atrás de mim. – Já sabia, mas manteve segredo e não apareceu no hotel. Inventou uma mentira para nos enganar.

- Eu não enganei vocês, eu menti para manter vocês longe do perigo. – disse Kookie.

- E você despreocupadamente ia atrás do perigo – rebateu BamBam, o encarando. – Se não fosse pelo Key você poderia ter se machucado.

Key? 

- Quando você ver o Key se ajoelhe na frente dele e agradeça muito a ele – disse Baek. – Quantas vezes tenho que dizer para você não andar com gente perigosa?

Fiquei observando a conversa deles em silêncio, sem entender nada.

- Eu só queria ajudar!

- Querendo participar de um seq...? – BamBam colocou a mão sobre a boca do Baek, o impedindo de falar.

- Seq...questro? – perguntei semicerrando os olhos. Olhei para o Kookie ao meu lado. – Em que você estava envolvido? – perguntei a ele.

O vi engolir em seco e soltar o ar.

- Eu estava ajudando o Jimin e os amigos deles a encontrar o J-Hope.... e o encontramos – arregalei os olhos, processando o que acabara ouvir. – Você verá logo nos jornais – ele abaixou o tom de vocês, para que somente eu pudesse escutar. -  A clínica em que seu primo trabalhava era a mesma em que o Hope estava internado, por isso você o encontrou. Por favor, Tae, não surta – pediu e me preparei para o que ele ia me dizer. – O Mark era o enfermeiro do Hope quando eles ainda estavam em Seul. Jimin armou um plano para conseguir tirar os dois da clínica, foi uma encenação de sequestro. O Mark e o J-Hope foram levados por eles.

- Meu primo, Mark? – perguntei em um sussurro e ele assentiu. Minha cabeça começou a doer ao entender aquilo. Esse tempo todo o Mark esteve com o Hope, mas porque ele nunca disse nada? – Aonde ele está? – ele balançou a cabeça negativamente. – Para onde o levaram? Tenho que falar com a minha mãe.

- Tae, se acalma? – Baek me pediu, batendo de leve nas minhas costas. – Sua mãe já sabe, seus pais já estão vindo para cá. E eles não vão machucar o Mark.

- Sim – concordou Kookie. – Eles fizeram isso para tirá-los daquela clínica, acredite, ele não estava por lá porque queria. Tenho certeza que logo mais ele aparecerá.

Assenti as suas palavras, segurando a vontade de chorar e esperando que meu primo estivesse bem. Embora nos discutíssemos vez ou outra eu não gostaria que ele se machucasse ou se ferisse.

- Então o Jimin conseguiu tirar o Hope de lá? – perguntei e vi os três assentirem, mas com um olhar um pouco melancólico. – Agora eles já devem estar bem longe e o Hoseok pode não ver mais o irmão dele. Mas isso é meio que bom...

Senti o Baek segurar minha mão direta e apertar ela, aquilo não era um bom sinal.

-O J-Hope também está nesse hospital – disse Baek.

- Hã? – perguntei assustado. – Por que?

- O plano do Jimin não deu muito certo, na fuga o carro em que o J-Hope estava sofreu um acidente e ele acabou ferido gravemente.

Não consegui dizer nada.

O J-Hope também? Por que? O que estava acontecendo? Essa não era a forma que eu imaginava um encontro entre os irmãos. Eu os imaginava sentados um de frente do outro. Sem muitos sorrisos e quase nenhuma palavra, apenas absorvendo aquele momento entre os dois, um momento em que eles fariam as pazes e teriam um novo recomeço. Nunca um hospital estaria na lista do reencontro. Não deveria ser dessa forma.

- Aquela não é uma das enfermeiras que estava no quarto do Hoseok? – escutei o BamBam dizer. Levantei o olhar e vi uma enfermeira passar às pressas pela sala, indo em direção ao elevador.

Soltei a mão do Baek e corri em até a ela.

- Moça! – a chamei, fazendo com que ela parasse no meio do caminho e se virasse para mim, a minha espera. – Como está o Jung Hoseok? – perguntei ao parar a sua frente.

- Ele teve mais uma parada cardíaca – disse a enfermeira.

- Mas ele vai ficar bem, não é mesmo? – perguntei apreensivo.

Ela olhou bem nos meus olhos e suspirou.

- Estamos fazendo o possível para salvar a vida dele, só isso que posso dizer no momento.

Meu coração se apertou naquele momento e já me segurei para conter as lágrimas. Eu preciso ser forte, chorar não vai adiantar nada. Não vai curar o meu Hoseokão.

- M-oça – minha voz já estava ficando embargada. Engoli em seco e tentei falar direito. – O irmão dele...

- Jung Hope? – assenti, observando sua expressão um pouco triste. – Traumatismo craniano, uma situação muito delicada, mas assim como o irmão, estamos fazendo o possível para salvá-lo. Sente-se na sala de espera e aguarde mais informações do médico deles. – ela tocou rapidamente em meu ombro, como para me consolar, e seguiu para o elevador.

- Traumatismo craniano... – fiquei com aquelas duas palavras na boca.

Isso era mais grave do que eu imaginava.

- Não chore, Tae – não vi quando o Baek tinha chegado perto de mim, apenas senti seus braços me envolverem e me deixei chorar em seu ombro. – Eles vão sobreviver. – disse batendo em minha costas.

Eu queria acreditar que sim.

 

****** Hoseok ******

 

Meu corpo parecia flutuar no espaço. Já não sentia mais nenhuma dor, mas também não sentia nada. A escuridão que preenchia minha mente começou a clarear aos poucos.

Eu estaria acordando?

- Ele já deve estar chegando – escutei a voz de alguém, não tão distante de mim.

Aonde eu estou e quem está chagando? Me perguntei enquanto piscava os olhos para melhorar minha visão.

O ar a minha volta parecia tão acolhedor e diferente. Algo de outro mundo, eu diria. Quando comecei a sentir melhor meu corpo olhei para os meus pés, percebendo que estava descalço e pisando em uma grama verde clarinha e reconfortante. Mas por que eu estava pisando em grama? Me perguntei ao olhar para a frente, para uma paisagem muito familiar da minha infância.

Aquela árvore... pensei ao admirar as flores rosas da árvore de cerejeira. Ela era grande, linda e seu perfume preenchia o ambiente. Debaixo dela haviam duas pessoas sentadas sobre a grama, uma delas se levantou e veio correndo em minha direção. Eu não consegui acreditar no que meus olhos estavam vendo, em quem eles estavam vendo.

A última vez que o vi ele estava totalmente diferente e ele não sorria daquela forma para mim, feliz. Ele sequer sorrira para mim depois que tudo mudou entre nós. Mas lá estava ele, meu irmão, correndo em minha direção, sorrindo, totalmente alegre. Ele se jogou em meus braços e me abraçou fortemente.

- Que bom que você veio – disse Hope, próximo ao meu ouvido. – Ele disse que você viria e você veio.

Com um pouco de medo também o abracei, percebendo que era ele mesmo. Mas o que estava acontecendo? Por que estávamos aqui? Várias perguntas se passavam em minha mente, mas logo elas foram sumindo quando me dei conta de que, depois de anos, eu estava finalmente com o meu irmão, sem brigas, olhares frios, inveja, magoa, tristeza. Éramos só nos dois naquele momento. Eu sentia as lágrimas de alegria e aliviado molhar meu rosto, por vê-lo. Por poder estar tocando nele de uma forma amorosa.

- Irmão, me perdoa? – ele pediu.

- Eu que te peço perdão – falei me afastando um pouco dele e vendo que o mesmo também chorava, mas também tinha um sorriso em seus lábios. – Você só queria me proteger, mas fez isso do jeito errado. Tudo bem, errar é humano, não é o que dizem? Nós dois erramos no passado, ferimos e magoamos um ao outro. Mas acabou, isso não vai acontecer mais.

- Isso quer dizer que você me perdoa? – perguntou segurando minha duas mãos.

- Se você me perdoa também – ele assentiu sorrindo e também sorrir para ele enquanto ajeitava seu cabelo alaranjado. – Fico feliz por saber disso, por estarmos finalmente juntos.

- Eu também. Agora podemos ir embora todos juntos. – disse me puxando pela mão, indo em direção a outra pessoa que nós esperava embaixo da árvore.

Quanto mais chegávamos perto daquele homem eu fui o reconhecendo do meu passado. Quando paramos bem em frente a ele não consegui dizer qualquer palavra. Nunca achei que o veria novamente em minha vida. Ele não havia mudado nada, parecia o mesmo daquele dia em que partiu.

- Agora meus dois filhos estão finalmente juntos e comigo – ele disse, acariciando meu rosto levemente e sorrindo.

- Pai?

- Sim, sou eu meu filho. Voltei para levar vocês para um lugar melhor, acompanhar vocês nessa nova caminhada.

- Para onde?

- Voce verá meu filho – disse estendendo sua mão para mim, olhei para sua outra mão e percebi que o Hope a segurava. Ele olhou para mim e assentiu. – Venha conosco e nada mais nos separará. Ficaremos sempre juntos.

Eu tinha algo para dizer a ele. Eu sentia que tinha algo para dizer a ele, mas não conseguia me lembrar de nada. Minha mente estava confusa e eu queria ir com eles. Não queria perdê-los de novo. Não queria ficar sem a minha família, não queria mais dor, não queria ser deixado para trás.

Levantei minha mão, para segurar a do meu pai, mas alguém acabou segurando ela. Olhei para quem a segurara e me surpreendi ao ver aquela pessoa, parada bem ao meu lado e com um olhar serio para mim.

- Não faça isso, Hoseok – disse Lu.

- Lu! – exclamou Hope, feliz ao ver o outro e me perguntei desde quanto ele era assim com o Lu. Parecia que ele o conhecia a muito tempo e que era seu amigo. – Você também virá conosco?

Ele negou com um balançar de cabeça.

- E nem vocês vão – ele afastou minha mão da do meu pai e olhou para ele. – Me desculpe, senhor, mas essa não é a hora deles.

- O que você sabe, meu jovem? – disse meu pai, encarando o Lu. – Você não sabe pelo sofrimento que eles passaram. Você não sabe pelo que um passou quando eu fui obrigado a me afastar deles. Eles sofreram muito e chagou a hora desse sofrimento acabar.

- Todas as pessoas no mundo sofrem, não é todo dia que estamos dispostos a sorrir quando um novo dia começa. A vida cansa, mas não é por momentos de tristezas e magoas que devemos desistir dela. E o senhor tem razão, eu não tenho conhecimento de tudo que os dois passaram, mas isso é passado. Eles merecem um novo recomeço, juntos. Lembre-se, eles também foram obrigados a se separarem depois que você os deixou. O sofrimento deles começou a partir daquele momento. Eles merecem uma segunda chance de viverem juntos. E eles têm pessoas que os ama do outro lado, só esperando por eles e elas irão sofrer muito se eles partirem. Por favor, não os leve.

Meu pai sorriu para o Lu e depois olhou para mim e meu irmão.

- Eu não posso obrigar vocês a virem comigo. A escolha e de vocês, venham comigo ou acompanhem esse jovem.

- Hoseok – Lu me chamou. – Seus pais, o Yoongi, o seu tio, o Tae e seus amigos estão esperando por você. Não os deixe.

Engoli em seco ao me lembrar de todas as pessoas que ele citou. Senti até mesmo meu coração bater mais rápido. Olhei para o meu pai e me afastei um passo dele, segurando na mão do Lu. Mesmo com essa ação ele continuou com aquele sorriso carinhoso para mim.

- Sinto muito, mas preciso voltar – disse para ele.

- Tudo bem. Essa é sua escolha e espero que seja feliz.

- Obrigado – olhei para o Hope e com muita tristeza senti sua mão se soltar da minha. Ele se afastou um pouco de mim e ficou ao lado do nosso pai, segurando em sua mão.

- Essa é minha escolha – disse cabisbaixo.

- Hope – o chamei.

- Não quero voltar. Por minha causa muitas pessoas se machucaram e sofreram, você sofreu, Hobie – meu coração doeu quando ele disse meu apelido com a voz chorosa. – Eu não aguento mais. Eu queria que você viesse comigo e com o papai, mas se essa é sua escolha... não posso fazer nada.

Fiquei apenas o observando em silêncio, não conseguia pensar no que dizer. Eu sabia que ele estava sofrendo, mas a ponto de desejar aquele caminho, nunca se passara pela minha cabeça. Eu não queria deixá-lo, mas não podia forçá-lo a vim comigo.

O que eu poderia fazer?

- Hope, se dê mais uma chance – disse Lu – Não desista assim. Eu sei que muita coisa ruim aconteceu com você, que se sentiu sozinho durante muito tempo. Que descobriu coisas que o machucaram muito e que para mantê-las em segredo você acabou machucando outras pessoas. Mas olhe, eu te garanto que nenhuma dessas pessoas te odeia. Seu pai não te odeia, seu irmão não te odeia, o Tae não te odeia, o Jimin não te odeia. Eles só querem o seu bem. E se você for embora, elas irão sofrer mais ainda. Você quer isso, Hope, quer que elas sofram por sua perda? - Ainda cabisbaixo e deixando que as lágrimas pingassem no chão, ele negou com a cabeça. – Então peço que pense novamente na sua escolha, por favor.

Senti o Lu apertar minha mão, olhei para ele e entendi o que queria dizer.

- Hopie – o chamei por seu apelido de infância e estendi minha mão para ele. – Volte comigo, volte com seu irmão. Eu irei protegê-lo dessa vez. Cuidarei de você e não deixarei que sofra sozinho. Eu serei o irmão que te amará e sempre estará ao seu lado. Só não me deixe, por favor. Eu preciso de você. Nós precisamos de você.

Ele levantou a cabeça e olhou para mim e depois para o nosso pai.

- Não importa sua escolha, eu continuarei te amando independente dela. – Hope o abraçou por um tempo e depois se voltou para mim, me deixando feliz ao segurar em minha mão.

- Em hipótese alguma, me deixe – pediu.

- Nunca mais te deixarei – falei apertando sua mão e o trazendo para o meu lado.

Olhamos mais uma vez para nosso pai, para o seu sorriso tão amoroso.

- Fico muito feliz de ver meus dois pequenos juntos novamente – se aproximou de nós e nos abraçou juntos, como uma despedida. Ao se afastar, ele olhou para o Lu. – Parece que o seu trabalho acabou.

- Não, ainda não. Tenho que levar esses dois aqui, depois disso meu trabalho de fato acabou.

- Obrigado por cuidar do meu filho quando ele esteve sozinho – fez um carinho no cabelo do Lu, o bagunçado.

- Não foi nada, senhor – disse com um sorriso e levantou nossas mãos que estavam juntas. – Foi um prazer te conhecer, mas agora temos que ir.

Ele assentiu e se afastou um pouco de nós.

- Cuidem um do outro – disse suas últimas palavras antes do Lu se virar e nos levar em direção oposta a ele.

O olhei uma última vez, embaixo daquela árvore que fez parte das nossas vidas. Fiquei feliz em ver o meu pai, mas ao mesmo tempo triste, pois agora eu sabia porque ele nunca mais aparecera para nos buscar.

Antes de uma luz branca tomar conta de nós, deixei que lágrimas de saudades fluíssem por meus olhos.

 

****** Lu ******

 

Meu corpo parecia que estava sendo sugado por algo. Tudo ficou escuro e silencioso, mas aos poucos eu fui começando a ouvir algo ao meu redor. O ambiente estava quente e aos poucos ia tomando cor. Abrir os olhos devagar, vendo algo branco acima de mim. Queria falar algo, mas minha garganta estava muito seca, sequer conseguia abrir a boca.

- Não sei nem o que falar – aquela voz.... – Logo mais eu irei para aí. Sei que ele ainda está se recuperando, mas eu preciso vê-lo. O Jackson já está preparando tudo, sairemos amanhã de manhã.

Virei meu rosto lentamente e o vi se levantar de uma poltrona e começar a andar de um lado para o outro, com o celular no ouvido. Ele estava ansioso demais, algo tinha acontecido.

- Sehun... – tentei o chamar, minha voz quase não saíra, mas de alguma forma ele me escutou.

Ele olhou para mim e colocou uma mão na boca, provavelmente para não gritar.

- Baek – disse com a voz abafada por sua mão na boca. – o Lu acordou.

Acordei?

Por quanto tempo estive dormindo?

 

**********

 

No próximo capítulo....

 

Fiquei observando o Hoseok dormir em sua cama. Saber que ele estava fora de perigo me deixava tão aliviado e feliz. Eu ajudaria ele a ser recuperar o mais rápido possível. Quando percebi que ele estava se mexendo, me aproximei bem dele, para vê-lo acordar.

- Hoseokão? – o chamei sorrindo.

- Hope...

Meu sorriso logo apagou.

Cadê a cena em que a pessoa desacordada despertar, depois de tempo, chamando pela pessoa amada? Decepção, é o nome que fala. Ele abriu os olhos e me encarou, observando minha expressão de desagrado.

- Hoseok, eu que sou o amor da sua vida. Vai, dá tempo de você falar meu nome. – falei colocando minha mão sobre seus olhos. – Diga: “Kim Taehyung, amor da minha vida, cadê você? ” Por favor, fale isso e não me deixe passar vergonha.

Ouvir sua risada baixa foi, sem dúvida, a melhor coisa que escutei naquele dia.


Notas Finais


Obrigada por estar conosco <3<3<3

Bai Bai


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...