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História Tudo que eu (não) precisava - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Amigos Muito Próximos


A Yuqi estava no pico de adrenalina no banco de trás enquanto olhava pela janela vendo o carro que o Lucas estava se afastando. Tudo que queria era não perder o emprego em seu primeiro dia e aquilo? Aquilo ia arruinar de uma vez, porém diferente dela quem dirigia estava calmo como a brisa.

- Vamos motorista, por favor solta o pé ou nunca vai alcançar o Lucas! - baria no banco de trás como uma louca, nunca foi visto um ser tão nervoso como ela estava naquela hora.

- O Lucas? - ria despreocupado - Eu sou motorista da família vai fazer vinte anos, eu tenho certeza pra onde ele vai.

- O quê? - indignou e cruzou os braços em seguida, se sentia mais trouxa do que ela já era - E me deixou ficar desesperada desse jeito?

- Ah, tava emocionante. Me sentia naqueles filmes de Hollywood. - ajeitou o parabrisa, jogando seu cabelo invisível para trás e lançando um charme sedutor como se fosse o Vin Disel em uma cena de Velozes e Furiosos, bom pelo menos a careca e a confiança ele já tinha.

- Não acredito. - riu arfado da situação, começando a respirar como uma pessoa normal novamente enquanto ajeitava a busanfa sob a poltrona.

- Foi mal.

Após um pequeno caminho, o carro havia parado no que parecia algum tipo de balada e lá estava o garoto fugitivo entrando no local com a maior tranquilidade.

- É melhor se apressar, mocinha. Ali dentro é enorme, vai ser quase impossível de achar ele se não for logo.

O motorista destravou as portas assim que conseguiu uma vaga e como o vento foi mais uma vez a nossa heroína babá.

- Ai, aí eu não aguento. Obrigada! - mal se pode ouvir em meio a sua correria a caminho de mais uma guerra. 

As perninhas de siri atacaram novamente e parou em uma pequena fila que em pouco tempo seria atendida por um guarda, não sabia o que iria falar, o nervoso era tanto que só pensava em entrar de uma vez naquele lugar e ir embora.

E como dito em alguns tic-tacs do relógio era finalmente a sua hora, não considerou isso como uma vitória por não ter ideia do que fazer a não ser implorar.

- Ei, ei, e. Qual seu nome? -  foi barrada pelo segurança que fazia sombra sobre ela.

- Moço, por favor eu preciso buscar uma pessoa aí - tentava olhar desesperadamente para dentro do local para chamar o menino.

O guarda passou em sua frente esperando a resposta que queria ouvir, tapando totalmente seu campo de visão.

- Tá e eu preciso do seu nome ou dinheiro.

- É rapidinho, só dez minutos? Por favor, eu entro e saio.

- São regras e eu não posso deixar de cumpri-las.

Então de repente vejo alguém, esbelto e bonito ali também (desculpa Anna, roubei sua canção por uma boa causa), o Lucas ria como um pestinha da primeira série observando a cena escondido atrás de um dos pilares. A Yuqi sorria pensando nas trezentas maneiras diferentes de se depenar uma galinha e fazer com ele. 

- Relaxa, Jung eu conheço ela, deixa entrar que depois eu pago. 

Se abriu o caminho e logo a menina se aproximou depressa para a ameaça.

- Obrigada, senhor, mas eu vim exatamente pra te buscar. - pegou em seu braço e torcia para que ele não bancasse o rebelde novamente, nem mesmo ela sabia de onde tirou forças para conseguir segura-lo. 

Ele ouviu o que disse e deu as costas, saiu andando devagar sabendo que ela não iria deixá-lo ir tão facilmente.

- Ah, Jung pode levá-la de volta.

- Não, não, eu entro.

Assim fez, vendo as luzes cegantes e pessoas para todos os lados que eram as únicas coisas identificaveis além do barulho. Lucas sabia que seria o momento perfeito para mais uma de suas chantagens guiou Yuqi a um canto mais quieto, porém foi recebido a gritos. Ela iria finalmente agir como queria, não aguentava mais ficar fazendo o papel de uma babá boazinha e aceitaria as condições que estava.

- O senhor não pode fugir dessa forma quando der na telha! - as mãos dela rodavam na cara do Lucas como pião e a palminha? A palminha era livre. 

O Lucas nunca tinha visto o pequeno projeto de gente agindo tão irritada e ficou surpreso, mas aproveitaria daquela oportunidade para criar intimidade.

- E eu só te deixei entrar porque te considero uma amiga. Você é uma amiga não é? - segurou em seus ombros tentando controlar seus braços que pareciam duas cobras e voltou ao seu olhar de bom menino que se conectava aos olhos dela.

De nada adiantou, ela logo evitou o contato e continuou emburrada.

- Estou aqui a trabalho. 

- Não respondeu minha pergunta. - mas ainda restava um pequeno lugar de fé para o teimoso que voltou a olhar em seus olhos que finalmente aquebrantou o coração da garota. 

- Eu tenho medo de considerar amiga do senhor e aproveitar disso para fazer o que quiser como já está fazendo. - estava mais calma.

- Você não entende? Eu escuto muito mais meus amigos e além disso eu não quero que você seja apenas alguém contratada pra isso, eu me sinto mal por você se forçar a fazer essas coisas - suspirou chegando mais perto - Só quero que me trate como uma pessoa normal que sou. -  Estendeu a mão em forma de acordo - Prometo obedecer mais se formos amigos. - fez uma pequena pausa dramática, amava agir como se estivesse em um filme da Disney em momentos tensos - Então? Negócio feito?

- Colegas.

- Colegas muito próximos?

- Tá bom - deu as mãos concordando e sentindo um leve arrependimento em seguida. - Mas o senhor sabe que vai voltar às dez e meia ainda, não é?

- Primeiro, a palavra senhor foi abolida e agora eu só sou Lucas. Segundo, dez e meia é daqui a vinte minutos, pode ser meia noite?

Mesmo depois do trato ela ainda se mantinha fiel a sua raiva e seguiu a conversa.

- Onze horas e sem mais negociação.

- Fechado, agora vamos que a noite é uma criança que aparentemente dorme mais cedo.

- É bom saber se o que seu pai diz é verdade.

- Ah, mas não é mesmo. Eu venho aqui para falar apenas com quatro amigos meus e fico quase que a noite inteira lá só jogando papo. Vem, você precisa conhecer eles. - levou ela a todo ânimo por finalmente ter convertido a sua sombra para o seu lado.

- Onde eu vim me meter - era só isso em que pensava unido ao remorso eterno.

Depois de quase que uma corrida em meio a multidão, conseguiram chegar até a tal mesa em que ele passava a sua rotina noturna. Sem nenhuma discrição, Lucas chegou aos berros apresentando a garota.

- Gente, atenção! Apresento a vocês, Yuqi.

- Olha, a famosa babá veio buscar o crianção. - um dos rapazes dirigiu atenção aos dois gargalhando.

A citada virou sem esperar uma resposta agradável.

- Famosa?

- Sou fofoqueiro, me julgue. - Lucas não esperou muito, porque de jovem só tinha a idade e logo se sentou pegando um energético - e por acaso Jisung, já te falaram que você calado é lindo?

- Não, muito obrigado!

- Na verdade eu ia falar que essa pessoa ainda ia está mentindo, nem calado vc consegue tá certo. - dava mais um gole aos risos. 

- Pelo visto você tá sempre de viagem, né? Tem que suportar esse mala - O garoto continuou a ferrar o amigo.

A Yuqi se sentiu em casa em poucos segundos e também se aproximou puxando um dos bancos e tentando se sentar sem o medo de cair. 

- Nem eu sei como suportei a esse dia com ele. - e era a vez dela de levar um olhar 43 do Lucas  - O que foi? O poder da amizade me fez ser sincera.

- Tá bom palhacinhos, deixa eu apresentar a galera. Esse é Jisung que você já conheceu - acenou com um grande sorriso - é do tipo que eu confio de olho fechado e outro mais aberto ainda. Aquele caladão ali é o Yuta - o garoto estava meio isolado apenas observando - ele é tímido, mas é doido quando quer, só ficou assim porque você chegou. E por último e não menos importante o Winwin - um dos mais estilosos provavelmente, piscando por debaixo do óculos - que é o popular e filho do dono daqui, além de ser um tremendo garanhão. - enfatizou bem a última palavra.

- Senti um pouco de ironia aí na última frase - o Winwin refutou.

- Porque é mais fácil a assistente do Google arranjar alguém do que ele. - antes que levasse um discurso em forma de lição de moral, Jisung completou a sua fala - A Alexa é pedida em casamento todo dia por alguém, é quase um elogio tá?

Depois de uma contagem rápida, apesar do raciocínio lento, Yuqi percebeu que havia apenas três  pessoas novas ao seu redor. 

- Mas você me disse que eram quatro - cochichou.

- Lá vem o outro correndo atrasando por ali, é o Mark.- Lucas apontou em direção ao amigo que vinha como um touro desenfreado carregando equipamentos e com uma mochila nas costas.

- Atrasado? Pra quê?

- Ele é o DJ daqui - finalmente se ouviu a voz do garoto acanhado, Yuta.

Enquanto isso o Mark estava como se corresse uma maratona, suado e ofegante quase morrendo. Chegou perto por observar uma movimentação diferente e se animou pela surpresa.

- Yuqi?! Não sabia que você viria, uma pena não poder conversar com você direito, tenho que ir.- falou quase em forma de rap.

- Tchau - Yuqi só sabia ri daquela situação enquanto não disfarçava nem um pouco os dois segundos de paixão que ficou.

Continuaram reunidos rindo mais um pouco das piadas do Jisung, enquanto também observavam as tentativas de flertes frustadas do Winwin que voltava ao cantinho desanimado e com olhar de peixe morto.

- Nasci pra morrer sozinho mesmo.

- Morrer sozinho todo mundo vai... Relaxa que alguém vai aparecer. - Jisung tentou consolar o amigo dando leves tapas na sua cabeça.

- As vezes já apareceu e ele nem notou. - Lucas completou.

- Que menino dos sonhos eu deixei passar?

- Dá um tempo de procurar que ele aparece -  disse Yuta ainda meio envergonhado.

Logo chegou uma notificação no celular do Lucas que deu um sorriso maroto assim que leu  olhando em direção a garota em sua frente, bem e como sempre, ela sentia que isso não era um bom sinal.

- Yuqi, vamos dançar? O Mark vai colocar uma música só pra você. 

- O quê? Eu não ouvi nada disso.

- Aqui, ele me falou - mostrou o celular com a mensagem que havia mandado s olhou em direção a ele que sorria leve. 

A garota corou instantâneamente e só queria enfiar a cabeça no chão de tanta timidez.

- Mas eu tenho vergonha.

- Vamos, vai fazer essa desfeita? Não é todo dia que isso acontece - ele levantou, levando ela do banco que  mesmo como um tomate aceitou o convite, mas se manteve em poucos movimentos de dança, o clássico dois pra lá, dois pra cá. 

Depois de alguns segundos se colocou a música escolhida, Filter e era como se ele soubesse o que ela pensava, amava ouvir isso pela manhã enquanto fazia caminhada, ou pelo menos ela imaginava a si mesma fazendo.

- Vamos mademozele - o Lucas continuava fazendo graça se curvando e pedindo permissão para dança, enquanto a Yuqi estava travada em meio a pista.

Porém não demorou muito para que ela acabou se sentisse em seu quarto, fechou os olhos e dançou como queria ter feito desde o início... Ai, ela tão bem e confiante que fazia os dois rapazes que estavam de olhando; Lucas e Mark; sentisse a sua felicidade voltando com um grande sorriso que foi interrompido por um alarme que fez ela sair do seu mundo ideal. 

- Onze horas, temos que ir Lucas, o motorista tá esperando a gente.

- Tchau galera, até daqui a muito, muito, muito tempo.

Só houve tempo para quê se despedisse de quem estava sentado ali perto e logo saíram como a cinderela.

- Quanto drama, vamos logo. - assim como havia sido puxada, levou ele aos puxões também.

No lado de fora, riram bastante olhando de dentro do carro havia o motorista que estava em seu sétimo sono.

- Tadinho, ficou até cansado.

Yuqi bateu na janela assustando o pobre moço que levantou de cara amassada e cópia do banco onde estava, além do sentimento de que havia sido atropelado por ônibus.

- Ah, vocês vieram - limpou a baba disfarçadamente (ou era o que ele achava) - Desculpa, demorou um pouco acabei pegando no sono.

- Pois é - eles entraram no carro sentando ambos no banco de trás- Foi impossível achar o senhor Lucas.

- Não precisa mentir com meu velho aqui, somos amigos de muito tempo, meu pai só não demitiu ele pelas minhas travessuras porque ele tem anos de experiência naquela casa.

- Então eu tenho que trabalhar cem anos para seu pai não me demitir se descobrir o que você anda fazendo. - riram todos menos a garota, pois seu medo era real. Começaram a voltar para casa.

- É, quase isso. Mas o lance da amizade ainda tá de pé, não é? -  ele queria manter aquele clima mais leve que havia sentido a algumas horas.

- Colegas, não ache que você vai tirar vantagem disso. - foi curta e grosssa

- Caramba, não sou tão interesseiro assim, relaxa tá?

Antes que o silêncio tomasse o carro de uma vez o Lucas aproveitou da sua intimidade para irritar um pouco sua nova coleguinha.

- Mas e o Mark lá, heim? Com direito a música, uiuiui.- cutucou em sua barriga fazendo coswuinhas em Yuqi que riu mesmo que com seu bico de emburro.

- Ele é um pouquinho emocionado, né? Me conheceu em apenas uma tarde e já fez esse tipo de coisa.

- Ele é um rapaz apaixonado e ficou caidinho muito rápido justo por você. - apertou de leve as bochechas da menina que recebeu as mãos gigantes em seu rosto aos tapas, não queria criar um laço muito afetivo com o rapaz e não se sentia confortável em volta a falar de sentimentos.

- Mas aí, você sempre fica falando sobre mim, mas e seu coração como anda?

Ele pausou a brincandeira e respirou fundo, talvez fosse um assunto mais pesado do Yuqi imaginava.

- Boa tática pra mudar de assunto, mas péssimo tema. A minha vida tá quase um Romeu e Julieta, eu sou a Julieta e ainda não tenho um Romeu. Tá, talvez tenha sido uma péssima comparação, mas não deixa de eu ter um casamento arranjado e que eu ainda vou renegar, só não quero mesmo é morrer no final.

- Casamento?! - o motorista exclamou surpreso quase freando o carro, não sabia nem da terça metade do que estava acontecendo.

A babá logo arregalou os olhos e não queria acreditar que uma besteira falada pelo Lucas faria que todo aquele esforço valesse de nada. O riquinho não se preocupava tanto pois confiava de todas as maneiras em seu colega de fuga.

- O senhor nunca ouviu sobre isso. - disse nervosa

- Não se preocupa eu vou esquecer de qualquer jeito.

Riram e logo acalmou a situação, mas ainda sim a Yuqi estava curiosa para saber sobre a vida amorosa do seu chefe.

- Mas porque não existe um Romeu?

- Eu já dei muita chance pra o amor e me machuquei bastante, desde então eu não me relaciono amorosamente com ninguém, mas como vou ser obrigado a amar alguém que nunca vi não tenho muita escolha. - sorriu sem dentes e sem graça - Aliás pode me mostrar pelo menos quem ela é?

Como percebeu a desanimação, resolveu dar um pingo de esperança ao jovem.

- Desculpa, eu não trouxe o celular, mas ela é um doce. Eu juro que você vai gostar dela e provavelmente vai vê-la nesse fim de semana

- Tomare, eu tenho medo disso se tornar um pouco tóxico pra nós dois.

O clima pesou e só se ouvia novamente apenas o som da rádio do veículo até chegarem de volta para casa, o plano agora seria como iriam entrar sem serem notados.

- Chegamos, amém - Yuqi só queria sair daquele pesadelo. - Vamos bem baixinho pra não acordar todos em casa se não amanhã não vamos conseguir buscar a sua avó.

- Tá bom. Obrigada, Senhor Suk - já começava a sussurrar, o seu pai parecia sentir o cheiro do medo e acordaria na mesma hora que ouvisse um piu que fosse do seu filho.

- Bons sonho, garotos - o motorista acenou simpático.

Assim que passaram pela entrada, abriam a porta tentando evitar o rangido nas pontas dos pés, no entanto de nada adiantou e o desastre chegou quando Lucas derrubou um dos vasos de metal que fica no centro da sala , era um barulho estrondoso que acordaria até mesmo a vizinhança, o semblante de quem tinha feito cagada era certo e naquele momento Yuqi já sabia que iria pra o olho da rua.

- Aí não...

- Corre enquanto é tempo, senhor!

- Quem está ai? - Jin-young se aproximava acendendo as luzes.

- Merda.- era onde Yuqi imagina estar



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