1. Spirit Fanfics >
  2. Turn my heart into a home >
  3. Quase idênticos

História Turn my heart into a home - Capítulo 94


Escrita por:


Notas do Autor


Que saudades! Estava viajando, então perdão pela demora.
Retomando a saga...

Desculpem os erros!
Bjs! Saudades!

Capítulo 94 - Quase idênticos


Kurt se contorceu sobre a cama do hospital se dobrando de dor quando uma forte contração o dominou. Elas vinham cada vez mais fortes e em curtos espaços de tempo. Cada vez que vinha Kurt sentia vontade de abrir as pernas e empurrar, era puro instinto.

Eles haviam sido instalados há quase uma hora num quarto confortável na ala da maternidade, Kurt tinha sido metido num avental de hospital. Os médicos tinham feito ultrassom, onde os sinais vitais dos bebês foram ouvidos, o que identificou que a gêmea dominante estava realmente na posição de nascimento, daí a vontade de empurrar que Kurt sentia toda vez que as contrações o arrebatavam, porém, ele não tinha dilatação. A médica, que Blaine pensou ser recém formada, era simpática e doce. Ela tratou de tranquiliza-los dizendo que apesar da queda, aparentemente nenhuma sequela tinha sido deixada nos bebês, mas que o stress havia acelerado o parto. Pelos exames foi possível constatar que a gêmea maior havia se posicionado para o nascimento, mas que sua irmã estava atravessada.

–– Os sinais vitais estão bons. O gêmeo dominante está virado na posição de parto, mas infelizmente sua anatomia não é propícia para o parto natural – a médica jovem mostrou a tela para Kurt, mas com toda a dor que sentia ele mal registrava. –– O segundo bebê é menor e está atravessado – disse ela. –– Agora vamos leva-lo para a sala de parto, onde será feita a cesariana.

Kurt estava com muita dor, mas ele estava aliviado em saber que não se tratava de um aborto e sim de trabalho de parto. A médica, por fim, pediu que ele ficasse calmo, e que não tentasse empurrar a cada contração.

À medida que os minutos iam passando as dores ficaram cada vez mais fortes, era algo incompreensível.

–– Eu não aguento mais tanta dor – gemeu Kurt em certo momento. Seu corpo estava mole assim que uma contração particularmente forte o deixou.

–– Você não pode dar nada para aliviar a dor? – perguntou Blaine. Era de partir o coração ver seu Kurt naquele sofrimento.

–– Ele será transferido para a sala de parto. O anestesista está a postos – disse a médica.

–– Pelo amor de Deus! Estou morrendo aqui! – gritou Kurt rangendo os dentes quando uma nova contração lhe entortou o corpo.

–– Calma, doce. Eles estão preparando a sala para o parto. Logo a dor vai passar. Nossas meninas estarão aqui em breve, e tudo ficará bem! – garantiu Blaine, mas ele estava muito nervoso para acreditar em suas próprias palavras.

–– A equipe médica está pronta – uma enfermeira entrou no quarto anunciando.

–– Vamos leva-lo agora! – falou a médica.

–– Blaine!? Ele precisa ficar comigo! – Kurt gritou assustado agarrando a mão do marido num aperto de morte. Hummel não conseguiria fazer isso sem Blaine.

–– Ele estará lá, querido – a médica falou docemente. –– Mas precisamos preparar vocês dois antes. Ele precisa se vestir. Seu marido vai ficar um gato no avental da maternidade – ela piscou marota.


Kurt foi ajudado a subir na maca. Ele choramingou quando viu Blaine ficar para trás, mas então ele foi tomado por uma forte contração e tudo que pode se concentrar era sobreviver a mais uma contração. A dor era tão terrível que parecia que seu corpo ia se partir ao meio.

 

$$$

 

Dizer que Kurt não estava com medo era mentira, ele estava apavorado. A sala de parto tinha paredes brancas e estéreis, e havia um clima frio e profissional, impessoal demais. Havia máquinas e aparelhos que tinham um poder quase opressor. A equipe médica estava a postos, todos trajando seus aventais verdes e toucas infantis medonhas.

–– Vou aplicar a anestesia e essa dor toda vai sumir – avisou o médico anestesista. Ele instruiu Kurt a se inclinar deitado de lado, com o queixo abaixado em direção aos joelhos dobrados. –– Relaxe as costas, será só uma picada – avisou ele suavemente. Com dedos hábeis ele apalpou a coluna de Kurt fazendo uma suave massagem aplicando um anestésico local para reduzir o desconforto. Ele então cuidadosamente inseriu a agulha e um cateter e introduziu a medicação em uma das vértebras, aproveitando o intervalo das contrações. –– Prontinho, Kurt. Apliquei uma raquidiana. Ela irá interromper completamente as contrações uterinas e consequentemente as dores. Você vai ficar com a musculatura na região abdominal relaxada durante o procedimento.

Kurt gemeu assentindo com a cabeça, a dormência foi afastando as dores imediatamente e ele suspirou aliviado se esticando na maca.

Kurt estava com medo. Seu primeiro trabalho de parto havia sido tão traumático, ele e Elise quase morreram nas mãos de Karofsky. Mas era diferente de agora, na floresta ele havia desmaiado e não tinha lembranças da cesariana de emergência.

–– Blaine!? Cadê meu marido? – quis saber Kurt não vendo Blaine em lugar algum.

–– Ele está vindo – alguém da equipe médica respondeu suavemente enquanto preparava os instrumentos sobre um suporte metálico.

–– Blaine! Onde está meu marido!? – perguntou Kurt a ermo, para ninguém em especial.

–– Estou aqui, amor! – avisou Blaine entrando na sala vestindo avental e touca azul, Kurt não pôde deixar de notar como seu marido estava pálido e assustado.

–– Você parece pior que eu – disse Kurt, sentindo mais confortado com a presença de Blaine a seu lado.

–– Eu nunca assisti um parto antes, principalmente o parto das minhas filhas – explicou Blaine tomando uma das mãos de Kurt entre as suas.

–– Você está tremendo – observou Kurt.

–– Você também. Nós dois estamos…

–– Estou com medo. Eu nunca soube que doía tanto assim. Eu não estava consciente quando Elise nasceu, mas agora eu estou aqui acordado sabendo que pessoas estranhas vão me abrir e puxar nossas bebês para fora... isso é assustador – disse Kurt. A anestesia fez efeito e ele estava entorpecido do peito para baixo.

–– Eu sei, Baby – disse Blaine e o beijou na testa.

–– Não foi assim que eu planejei. Era para estarmos na casa nova com nossas filhas e nossa família preparando a ceia para a noite. Eu pensei tanto sobre janeiro, quando estava realmente marcada a cesariana. Pensei tanto sobre qual modelito fashion escolher para vir para a maternidade, com certeza as revistas iam elogiar minha escolha de roupa… – suspirou Hummel frustrado.

–– Tudo bem, amor. Nós fizemos planos, mas as coisas mudaram. Então o que nos resta fazer é viver com a nova realidade. Ao invés de perder tempo lamentando, porque não aproveitamos o momento? Logo teremos nossas duas bebês aqui – disse Blaine sensatamente fazendo um carinho no rosto pálido de Kurt.

–– Estou feliz de você estar aqui segurando minha mão e sendo esse marido incrível que você é, eu não acho que conseguiria fazer isso sem você, Blaine – disse Kurt.

–– Estarei sempre e incondicionalmente do seu lado, amor! – assegurou Anderson.

–– Vamos colocar mais duas meninas no mundo! – disse ninguém menos que Karen entrando na sala.

–– Karen!? O que ela está fazendo aqui? – exclamou Kurt surpreso.

–– Assim que você entrou em trabalho de parto no avião eu liguei para ela. Ela estava terminando de fechar a mala para as férias quando eu liguei – disse Blaine encolhendo os ombros.

–– Kurt, você deve ser o paciente que mais me dá dor de cabeça, sabia? – disse Karen em tom divertido indo para junto da equipe que a aguardava.

Um lençol separava Blaine e Kurt da equipe médica durante o procedimento. Uma música baixinha começou a tocar tomando conta da sala, distraindo Kurt do pensamento de que sua barriga estava sendo aberta camada por camada neste exato momento.

Ele podia sentir os movimentos dos médicos, e embora não houvesse dor, ainda era agoniante e ele só queria que acabasse logo.

–– Espero que passe logo. Estou ansioso para ouvir o choro delas – disse Kurt apertando a mão de Blaine.

–– Eu sei. Eu sei. Agora concentre-se na música… – disse Blaine. Kurt estreitou os olhos prestando atenção ao piano suave, era seu marido tocando.

A voz de Blaine formou uma gostosa melodia com a voz de Aurora, o som veio pelo alto-falante no teto e flutuou pela sala suavemente

–– É... Blackbird! – sussurrou Kurt com olhos cheios de lágrimas.

Aquela música tinha sido uma das principais trilhas sonoras da vida deles, tiveram momentos mágicos embalados por essa canção.

–– Tínhamos outras boas opções, mas Elise é muito opiniosa e bateu o pé por Blackbird.

–– Eu cantei para ela quando estava no cativeiro e achei que ela havia… – disse Kurt, mas Blaine o calou com a ponta do indicador pressionada contra os lábios.

–– Shiiii… vamos apenas ouvir a melodia – murmurou Anderson.

A música encheu a sala de calma e paz. Da saída de som no teto veio o refrão e a voz aguda e desgovernada de Elise tentou se juntar a de Blaine e Aurora, não era para ser bonito, era para ter significado.


"...Blackbird, fly, blackbird, fly
Into the light of the dark black night
...


Blackbird, fly, blackbird, fly
Into the light of the dark black night…"
 

 

–– Eu te amo, Kurt. Eu sou tão grato por você estar na minha vida – disse Blaine baixinho deixando um selinho na testa de Kurt, havia tanto amor em suas palavras.

Repentinamente Kurt sentiu um solavanco brusco. Ele arregalou os olhos e apertou firme a mão de Blaine e então um choro alto de bebê abafou a música. Sua primeira filha estava lá usando seus pulmões pela primeira vez e era incrível.

Aquele choro era o som mais lindo que Kurt e Blaine já tinham ouvido, eles nunca tiveram a chance de ouvir algo desse tipo com Elise.

–– Parabéns! Vocês têm uma menina linda e com pulmões fortes! – anunciou Karen mostrando a bebê chorona para os pais. –– Vamos, senhor papai. Tenha a honra – Karen chamou Blaine acenando com a mão.

Blaine se moveu roboticamente para perto de onde a bebê estava. A coisinha pequenina chorando era a coisa mais linda que Anderson já tinha visto. Ela tinha um tufo de cabelos escuros espessos na cabeça e grandes bochechas amassadas, ainda assim era a criatura mais linda do mundo aos olhos daquele pai coruja.

Blaine sentiu o coração se encher de amor, ele estava irremediavelmente apaixonado, seria mais uma menina em sua vida. Suas mãos estavam tremendo quando Karen posicionou a tesoura e indicou como ele devia fazer. Então ele cortou o cordão umbilical e explodiu em lágrimas numa emoção que ele nunca tinha sentido antes, esse era um dos momentos mais felizes de sua vida.

–– Lá vai ela – Karen entregou a criança para sua assistente cuidar da limpeza e pesagem e tornou a seu posto junto à equipe médica.

Kurt estava chorando emocionado quando teve um vislumbre da cabecinha cheia de cabelos escuros de sua primeira gêmea.

–– Ela é tão linda e tem meus cabelos, mas o nariz parece o seu – anunciou Blaine entre lágrimas.

De repente o clima feliz foi drenado. Houve uma movimentação tensa através do lençol. Alguém da equipe soltou um suspiro preocupado. Havia algo errado.

Finalmente Karen ergueu o segundo bebê, e não havia a mesma alegria de quando a primeira criança foi removida.

Um grande vácuo tomou a sala. Blackbird tocando no plano de fundo sequer era notada, tudo que importava era a falta de ruídos do bebê número dois.

Kurt e Blaine foram do céu ao inferno. Da felicidade de ouvir o primeiro choro da primeira bebê até a agonia do silêncio da segunda, era tão antinatural um bebê recém-nascido imóvel e silencioso.

–– Oh, não! – disse Blaine pensando no tombo, aquela sua filha era a mais frágil das duas, logicamente ela não resistiria. Como ele foi tolo em pensar que estava tudo bem.

Já Kurt estava em choque, dor e culpa se misturavam em seu rosto. Não poderia ser! Eles já haviam passado pela dor de perder um filho antes, mas natimorto era algo tenebroso, era como perder tudo no exato momento que se acabava de conquistar. Kurt sentiu-se vazio e oco.

Então antes que qualquer um pudesse dizer qualquer coisa o bebê soltou um barulho parecido com numa tosse, não um choro forte como o da sua irmã, apenas um barulho de soluço e Karen abriu um grande sorriso de alívio.

–– Ela está bem!? Está… respirando? – Kurt se esticou para ver a criatura pequenina nas mãos da médica. Blaine prostrado a seu lado tinha a mesma preocupação.

Karen não respondeu imediatamente. Ela segurou a criança na direção dos pais, e Kurt soltou um suspiro admirado. Não era uma menina. Esse tempo todo eles tinham um menininho pequeno e quieto.

–– Deus! – exclamou Blaine caindo no choro.

–– Um menino? Mas… eu pensei que… – Kurt estava atônito, mas a felicidade lhe encheu. Eles tinham um menino, e ele estava bem.

–– Eu vou precisar analisar e ver se perdi algum detalhe, mas o palpite mais forte é que seus gêmeos sejam um caso raríssimo de gêmeos semi-idênticos. A literatura médica registra 2 casos apenas. Um caso em 2007 aqui nos Estados Unidos, e um 2014 na Austrália – disse Karen surpresa. Ela tinha um caso extraordinário nas mãos. Gêmeos semi-idênticos e nascidos de um homem.

As explicações poderiam ficar para depois. Blaine, tal qual a primeira filha, cortou o cordão umbilical do pequeno menino. Essa criança era pequena, diferente da irmã, tinha uma penugem rala num tom castanho claro na cabeça, e ele estava tão enrugado que Blaine não conseguiu identificar seus traços ou os de Kurt.

A doutora Karen estava surpresa. Kurt e Blaine era seu casal de pacientes mais especial, desde que começou a tratar de Kurt ela tinha escrito vários artigos em revistas médicas conceituadas, mas agora, com certeza, ela teria uma publicação na Lancet, uma das mais conceituadas revistas científicas de medicina do mundo.

Porém, tudo o que Blaine e Kurt desejavam eram seus dois bebês em seus braços e eles os tiveram. Os bebês, devidamente limpos, foram depositados no peito de Kurt, primeiro a menina, ainda chorosa e resmungona.

–– Papai está aqui, amor – disse Hummel com voz emocionada. Sua bebê era agitada, mas assim que tocou a pele de Kurt e ouviu a voz dele, ela se acalmou, entendia que estava em casa. Então ela abriu os olhos, castanhos e brilhosos, como os de Blaine. Ela sabia o que fazer quando Kurt a guiou até o bico de seu mamilo. Ela sugou instintivamente, tentativamente até ganhar confiança.

Kurt soltou um suspiro encantado. Era incrível tê-la mamando em seus peitos. Então foi a vez do menino, a enfermeira o depositou no peito de Kurt, cuidadosamente, instruindo Blaine a ampará-lo lá.

–– Oh, Blaine! Ele é tão pequeno… – disse Kurt quando a mão minúscula de seu filho se encaixou em seu mamilo direito. Ele demorou mais a entender o que fazer com o bico que lhe era oferecido, mas logo ele estava mamando também.

–– Theo – disse Blaine passando o dedo suavemente na cabecinha se seu filho, lágrimas escorriam de seus olhos. –– Não tínhamos pensado numa lista para nomes de meninos, mas ainda assim fiz uma… – explicou ele.

–– Theo  – disse Kurt suavemente, ele aprovou a escolha imediatamente. –– Ele parece com Theo, eu gosto disso.

–– E ela? – perguntou Blaine.

–– Zoe – afirmou Kurt com decisão.

–– Theo e Zoe – disse Anderson orgulhosamente olhando os bebês se alimentando nos mamilos de Kurt.

 

$$$

 

Eventualmente os bebês foram levados e Kurt cuidado. As crianças eram saudáveis, embora ainda tivessem que ficar na maternidade sob os cuidados médicos para ganhar peso, principalmente Theo, que era o menor entre os gêmeos.

Quando Kurt foi removido para o quarto ele estava cansado. Havia sido um dia e tanto e seu corpo havia passado por muita coisa.

Burt e Carole entraram logo em seguida, quase que aos trancos, e então Kurt sorriu para o pai.

–– Filho, você está bem? E minhas netas? – perguntou Burt ansiosamente.

–– Pai! Neta e neto. É um casal. Theo e Zoe – disse Kurt. –– O Theo é um menino, eu vi o pintinho dele e a médica fez os exames, ele é um menino perfeito, sem órgãos extras…

–– Oh, Kurt – Burt abraçou o filho sabendo que o jovem temia que o segundo bebê fosse intersexual assim como ele, já que durante a gestação não foi possível definir o sexo da criança, mas era uma grata surpresa saber que esse tempo todo se tratava de um menino, Theo.

–– E como você está se sentindo, querido? – perguntou Carole suavemente.

–– Cansado – confessou Kurt.

 

$$$

 

Assim que Kurt pegou no sono, seu pai, Carole e Blaine caminharam até o vidro da UTI neonatal, onde os bebês estavam. Eles eram saudáveis, porém, pequenos, necessitando ganhar peso antes de serem liberados para casa.

 

Burt era um homem grande e aparentemente durão, mas ver os gêmeos, seus netos, através do vidro foi uma emoção grande para o homem. Ele tentou prender um soluço, mas logo seus ombros largos estavam tremendo e ele estava soluçando baixinho.

Blaine sorriu também emocionado, ele entendia seu aniversário sogro, depois de tudo que passaram mais cedo era como um milagre ter aquela dois bebês saudáveis. Ele passou o braço por sobre os ombros de Burt e os dois choraram juntos. Carole também estava chorando, feliz e agradecida.

–– São tão pequenos – fungou Burt. –– Kurt era assim também e eu estava tão assustado. Ele parecia que ia quebrar a qualquer momento, e, no entanto, se tornou esse homem forte.

Blaine concordou. Ele achou Zoe pequenina, mas Theo era incrivelmente menor, ele já esperava que seus filhos fossem pequenos, eles eram gêmeos, mas ainda era quase assustador o tamanho e a fragilidade, os bebês pareciam bonequinhos de porcelana.

Mais tarde Karen os reuniu no quarto de Kurt e explicou a todos porque havia dois bebês de sexo diferente dividindo a mesma placenta e o mesmo saco amniótico.

Ela começou dizendo sobre o quão raro era o caso.

–– Após os exames posso afirmar que estamos diante de uma situação raríssima para a medicina – disse ela. –– Esse é o caso de gêmeos semi-idênticos, ou sesquizigóticos.

–– O que significa isso? – perguntou Blaine ansioso segurando a mão de Kurt.

–– No caso de gêmeos idênticos, ou gêmeos univitelinos, um único espermatozoide fecunda um único óvulo, o zigoto se divide em dois, e os bebês possuem a mesma carga genética e dividem a mesma placenta – disse ela pausadamente garantindo que todos a estavam entendendo. –– Já com os gêmeos fraternos, ou dizigóticos os dois espermatozoides fecundam dois óculos diferentes e cada bebê possui carga genética distinta, eles podem ter sexo diferentes, e cada um possui sua própria placenta – continuou ela. –– Mas no caso da sua gravidez dois espermatozoides conseguem fecundar o mesmo óvulo simultaneamente, e então ocorreu a divisão gerando dois bebês. 

–– Dois espermatozóides diferentes fecudando um único óvulo ao mesmo tempo… isso é… 

–– Praticamente impossível no campo da medicina, mas a natureza tem suas maneiras - disse Karen.

–– Eu ainda não entendo – disse Carole.

–– Se um óvulo é fecundado por dois espermatozóides, resulta em três conjuntos de cromossomos, em vez de dois - um da mãe e dois do pai. Todos os estudos dos quais a medicina tem conhecimento três conjuntos de cromossomos são incompatíveis com a vida, essa gravidez seria inviabilizada, pois embriões com essas características não costumam sobreviver, mas lá estão aqueles dois bebês, perfeitos.

–– Eles vão ficar bem? Quando podemos levá-los para casa? – Kurt os interrompeu, ele realmente não se importava sobre quão raros eram seus bebês, ele queria apenas ter certeza que seriam saudáveis.

–– Oh! – suspirou Karen. Ela estava tão impressionada com o quão especiais eram os bebês de Kurt que nem se lembrou de que estava falando com um pai/mãe, que dera à luz a gêmeos. –– Em breve, eles são perfeitos e saudáveis, em alguns dias ganham peso suficiente e estarão liberados – disse ela. –– Agora acho melhor você descansar antes da próxima mamada.

 

$$$

 

Definitivamente não foi a ceia de Natal que a família Hummel-Anderson havia planejado, ninguém contava com Kurt no hospital e Blaine à sua cabeceira, ainda assim todos ganharam um presente e tanto.

Os fãs estavam emocionados. Os bebês de Klaine eram o assunto mais falado do twitter, havia uma parede humana de meninas com ursinhos e flores na frente do hospital que só se apaziguaram quando Kurt e Blaine apareceram acenando na janela do quarto agradecendo pelo carinho.

Wes contornou o caos recebendo todos os presentes, que foram levados para a companhia de teatro. Ele também orientou as fãs pelas redes sociais para enviarem seu carinho para a cia de teatro de Blaine. Ele, Jane, Elise e Aurora passaram a tarde de Natal arrumando cada ursinho em caixas no auditório.

No dia seguinte o quarto de Kurt na maternidade estava agitado. Blaine se instalou na poltrona do lado da cama de seu marido.

Burt e Carole ficavam entre o quarto e o vidro da UTI neonatal, Wes e Jane, após organizar a logística com os mimos dos fãs, levaram Aurora e Elise para ficar com seus pais e ver os bebês através do vidro.

Thomas apareceu a tarde exigindo ver suas netas, o homem chorou se espremendo contra o vidro quando viu as duas pequenas criaturas que eram seus netos.

–– Você estava chorando? – perguntou Blaine ao se aproximar do Anderson mais velho.

–– Eu… estava… foi um cisco que irritou minhas lentes – mentiu Thomas temperando a garganta.

–– Você não usar lentes de contato – disse Blaine.

–– E como você sabe?

–– Sabendo... – Blaine resmungou encolhendo os ombros. –– Não há problemas em chorar, eu pensei que Theo era natimorto, foram momentos horríveis – disse ele, mais para desabafar.

–– Eu fiquei sabendo que Kurt quase abortou quando apanhou na festa da sua peça – disse Thomas.

–– Ele acabou caindo com a bofetada que Rachel deu no rosto dele – explicou Blaine sentindo o sangue ferver apenas lembrando da cena. Desde então tudo aconteceu tão rápido que ele sequer teve tempo de culpar Rachel, mas pensando agora, seus filhos podiam ter morrido ou ficado seriamente prejudicados por causa daquela mulher.

–– Eu vi o vídeo e garanto a você que essa vadia vai pagar muito caro – avisou Thomas. Seus olhos ganharam um tom perigoso.

–– Não se meta nisso, eu vou resolver com Nick assim que ele voltar… – interviu Blaine, Thomas era um homem cruel quando precisava.

–– E vai fazer o que? – Thomas estreitou os olhos encarando seu filho. –– Jogar um processo na garota assim como fez com a inútil da Tina?

–– É um meio legal, Thomas! O que você sugere que eu faça? Cometa um crime? – Blaine perguntou frustrado.

–– Talvez – falou o empresário com um olhar fervoroso. –– O que essa mulher fez não pode ficar em pune. Ela quase matou meus netos! Um processo nessa vadia é muito pouco! Eu tenho meus meios de mostrar para essa cadela fracassada que não se mexe com o clã Anderson! – e dizendo isso Thomas girou nos calcanhares e seu foi pisando firme.

–– E eu nem vou te odiar por isso – suspirou Blaine. Talvez estivesse chegando a hora de alguém parar Rachel definitivamente.

–– Blaine!? – Kurt vinha pelos corredores. –– Thomas quase me atropelou no outro corredor. Não me diga que vocês não brigaram.

–– Não brigamos, amor. Ele está chateado com alguns problemas, coisas de Thomas Anderson – disse Blaine. –– Vamos amamentar os bebês? – chamou Blaine puxando seu marido pelas mãos.

–– Eu quero cantar para eles hoje – disse Kurt esquecido de Thomas.

As enfermeiras a UTI neonatal amavam a amamentação das herdeiras de Kurt e Blaine, era um show de fofura e emoção garantida. Nessa tarde Kurt cantou


“God on high
Hear my prayer
In my need
You have always been there…”
 

Blaine ficou de lado enquanto Zoe fechava sua pequena boca no mamilo delicado de Kurt e sugava avidamente. Não foi possível segurar as lágrimas, era tão sagrado e verdadeiro aquele vínculo. A voz suave de Kurt cantando baixinho era comovente. Blaine sabia que ele estava cantando com o coração.

Assim que Zoe estava saciada, foi a vez de Theo se alimentar. O pequeno menino havia ganhado peso rapidamente, seus olhos haviam se aberto e eram de um tom azul cinzento misterioso, e ele tinha um tufo de cabelos castanho escuros espesso.

Blaine tomou a pequena Zoe nos braços, a colocando para arrotar, ele ainda era desajeitado com recém-nascidos, eles pareciam sempre tão frágeis. Ele voltou a focar em Kurt e Theo, lágrimas silenciosas caíram de seus olhos enquanto Kurt cantava com Theo de olhos fechados e mãozinhas unidas como numa prece.


“He is young
He's afraid
Let him rest
Heaven blessed…”
 

Kurt fungou quando sentiu seu menino sugando seu mamilo. Theo tinha sido subalimentado no útero, ele era menor e frágil por isso, então era simbólico e especial toda vez que ele podia alimentar seu filho com seu próprio corpo. Theo era menor que sua irmã, mas aquele pequeno menino era um grande lutador.

A UTI neonatal teve um momento de calmaria com Kurt cantando “Bring him home” enquanto alimentava seus bebês.


“Bring him home
Bring him home
Bring him home...”
 

Blaine e Kurt trocaram um olhar esperançoso. Ambos sabiam que em breve seus bebês iam para casa saudáveis e fortes.

 

$$$

 

Dias depois e Kurt estava esgotado. Sua rotinha havia se resumido às idas e vindas à maternidade. Então quando ele deitou em sua nova cama na mansão em Connecticut numa noite após chegar da maternidade ele estava fisicamente devastado, mas o pior era seu emocional. Receber alta e deixar a maternidade sem seus bebês havia sido uma das coisas mais difíceis e dolorosas que ele já tinha feito na vida. Tal qual nos outros dias, ele desabou em lágrimas, era para seus bebês terem vindo com eles. Que pai horrível ele era vindo embora e deixando sua cria sozinha.

–– Eles estão bem cuidados lá, amor. Você precisa descansar… – disse Blaine tentando sanar a dor de seu marido, mas também ele sentia aquele aperto no peito toda vez que lembrava que os bebês estavam sozinhos.

–– Não é certo! Filhos precisam estar com os pais – soluçou Kurt. –– Eles podem estar precisando de mim, Blaine. Quando eles chorarem não vou estar lá por eles. O quartinho deles está aqui! As roupinhas e mantinhas também! Assim como todos os ursinhos que nossos seguidores mandaram...  Elise e Aurora querem ver os irmãos. Elas não param de perguntar quando vamos traze-los para casa...

Blaine o abraçou com força. Seu coração estava apertado com a mesma angústia e preocupação de Kurt. Era dias tensos e exaustivos. Eles passavam a maior parte do tempo na maternidade. A hora da partida era sempre o pior momento. Quando o telefone tocava, eles sentiam medo de ser do hospital com alguma notícia triste.

Kurt estava definhando, ele não se alimentava ou dormia direito, quando pegava no sono era para acordar com pesadelos envolvendo os bebês.

Mercedes chegou de surpresa na mansão na véspera de ano novo. Ela achou Elise e Aurora com Carole e Burt brincando no grande jardim. Burt agradeceu a Deus pela chegada da amiga de seu filho, Mercedes seria capaz de consola-lo.

–– Ele está no quarto e ele precisa de você – disse Burt quando levou Mercedes pela sala luxuosa lhe mostrando o caminho. A cantora apena meneou com a cabeça e subiu as escadas.

Ela encontrou Blaine abatido amparando um Kurt choroso na suíte. Anderson temperou a garganta e abriu um sorriso aliviado quando viu a amiga. Ele se retirou silenciosamente dando espaço para Mercedes. Ela disse pouco, apenas se sentou no colchão e puxou Kurt para seus braços carinhosamente.

–– Eu senti tanto sua falta – disse Hummel com voz tremida afundando o rosto no peito de Mercedes. –– Eu precisei tanto de você!

–– Estou aqui agora, querido – disse ela. –– Eu os vi! Vi seus pequenos milagres antes de vir para cá e eles são lindos! Eu acho que Theo vai ter seu cabelo e formato do rosto. Será um garoto lindo como você.

–– O nariz é de Blaine. Zoe tem os olhos e o queixo dele. Ela tem minha boca, no entanto – disse Kurt fungando e se afastando do abraço.

–– Como você está? – Mercedes perguntou limpando as lágrimas no rosto abatido do amigo.

–– Esgotado. Eu quero que tudo isso passe logo e os médicos liberem meus filhos para virem para debaixo das minhas asas. Eu me sinto morrendo um pouquinho a cada dia que eles estão lá na maternidade – disse Kurt.

–– Eles estão ficando fortes primeiro. Logo eles estarão aqui – garantiu a cantora.

–– Eu tive tanto medo. Quando eu caí naquela recepção e comecei a sentir tantas dores, achei que estava abortando... eu nunca me perdoaria se os tivesse perdido – disse Kurt.

–– Não pense nisso. Eles estão bem agora – disse Mercedes. –– E não foi sua culpa, foi de Rachel. Eu vi o vídeo do tapa que ela te deu. Foi tão violento.

–– Doeu bastante, mas o pior foi me sentir humilhado na frente de todo mundo e o medo de que meus bebês tivessem se machucado – disse Kurt.

–– Eu ainda não acredito que ela te bateu. Eu não posso suportar a ideia de Rachel esbofeteando alguém grávido. Foi covarde e baixo – revoltou-se a cantora.

–– Rachel não é a mesma que conhecemos na escola, Cedes. Ela perdeu tudo. Não sobrou nada, nenhuma moralidade, apenas dor e rancor – disse Kurt tristemente. –– Eu não quero mais falar sobre ela.

–– Você tem razão. Que tal falarmos de coisas mais animadas? – sugeriu Mercedes.

–– Ok! Eu quero saber tudo sobre sua apresentação em Paris. Algum francês gostoso? – Kurt se endireitou na cama expectante.

–– Vou lhe contar tudo, mas sem franceses gostosos na jogada – Mercedes sorriu.

–– Ainda é o Sam? – Kurt constatou.

–– É, ainda o Sam. Eu sou apaixonada por ele, não tenho como fugir desse sentimento sem termos uma conversa. De qualquer forma farei uma surpresa de fim de ano para ele – disse Mercedes animando-se. –– Eu fui ao Moulin Rouge e aproveitei para comprar uns brinquedinhos em um dos sex shops da rua, e estou treinando bastante com o vibrador anal – falou Mercedes corando.

–– Oh, Mercedes! – Kurt também corou e por um tempo ele conversou e sorriu com sua amiga esquecido de todos os problemas.

 

$$$

 

Enquanto isso os fãs de Klaine continuavam enviando seus presentes para a companhia de teatro, as mensagens que chegavam pelas redes sociais eram de incentivo e fé. A exposição da vida privada de Blaine e Kurt era inevitável, Wes tentava a todo custo manter seus amigos reservados, mas ainda assim muita coisa vazava.

Sebastian e Tina sugavam todas as informações possíveis sobre o casal e seus bebês especiais e se ressentiam a cada notícia. Tina não conseguia aceitar porque todas as cosias importantes tinham que acontecer com Kurt.

–– Que inferno! Porque aquele vadio tinha que ter tido gêmeos especiais e saudáveis? Ele nunca pode fazer nada sem chamar a atenção? – reclamou Tina deitada numa na cama de Sebastian. Ela estava aborrecida com a notícia de que os bebês de Blaine e Kurt eram os terceiros gêmeos semi-idênticos a nascerem no mundo e os primeiros a serem completamente saudáveis. –– Está tudo aqui no blog “a barriga perfeita de Kurt Hummel” por Chandler Kiehl – disse ela olhando o celular.

–– Eles não serão nada especiais ou saudáveis depois que eu acabar com eles – disse Sebastian com impaciência. –– Pare de ler essa baboseira e venha aqui! Preciso aliviar a tensão... – ordenou ele.

–– Seb, você bateu neles de manhã, eu não aguento a dor... – disse Tina se arrastando para se sentar na frente de seu pseudo-namorado.

–– Foda-se! Não me importo! – disse ele dando um soco forte numa das mamas de Tina fazendo o seio mole balançar no ar como um pêndulo. Sebastian deu outro soco, o barulho de pele contra pele tomou o quarto junto com um grito de Tina enquanto seu seio se movia como um mero pedaço de carne. Mais barulhos de tapas e socos foram ouvidos através dos gritos de Tina durante toda a tarde.

 


Notas Finais


Os nomes dos bebês foram escolhidos por terem significados fofos.
Theo - Deus
Zoe - Vida

Meus conhecimentos sobre nascimento de bebês sao restritos ao parto prematuro da minha sobrinha (que apesar de prematuro foi humanizado e bem parecido com o relatado na fanfic) tinha música, médico fazendo piadas e meu irmão cortando o cordão umbilical.

Gemeos semi-idênticos é algo intrigante, de fato há dois casos conhecidos apenas, (3 com o de Klaine agora :) ) desde a primeira vez que ouvi falar sobre isso pensei que seria uma boa colocar como filhos de Kurt e Blaine numa fanifc, a natureza é algo incrível.

Desculpem os erros! Depois volto revisando
Bjs!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...