1. Spirit Fanfics >
  2. Turn Off The Lights - Jikook >
  3. Desvanecer

História Turn Off The Lights - Jikook - Capítulo 33


Escrita por:


Notas do Autor


CHE GAY 🏳️‍🌈
꒦꒷꒦꒷꒦꒷꒦

︶᭨ི ྀ⏝᭨ི ྀ⏝᭨ི ྀ⏝᭨ི ྀ⏝᭨ི ྀ︶

▒⃝🌙✨  ꪛ. .ᥱᥣᥴꪮ꧑ꞈ꧖ ☁︎𝄒𝄒
龘龘  𝆥ꪻ💙៹  Demorei? Um pouco, mas entendam, meu tratamento está sendo difícil ultimamente e estou tomando muitos remédios... Mas não abandonei minhas Fanfics ...

⭚Purple₎ ˽Youⸯⸯ⸼ 💜

龘倫❥〬〬〬ꦿ᎒⃟֍۪۪̣̣۪۪۪∂εรcนℓpεണ ๏ร εгг๏ร ๏гт๏ɢгคՔ¡c๏ร. εണ Ъгεvε εน гεт๏гภ๏ 🔥
]፧龘ℓε¡คണ คร ภ๏тคร Ք¡ภค¡ร, p๏г Քคv๏г嚚⿻୭❥〬〬〬ꦿ
. ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ . ͝ .

Capítulo 33 - Desvanecer


Fanfic / Fanfiction Turn Off The Lights - Jikook - Capítulo 33 - Desvanecer


"Ela tinha a escuridão em seus olhos,

e isso entristecia minha alma...

Eu queria dividir seu fardo,

conhecer seus mistérios,

mesmo sabendo que seria sufocado

por seus monstros..."

*Jayne*


>>>><<<<

Jimin On

>>>><<<<



- A que ponto essa viadagem vai chegar? - ouvi Yoongi sussurrar, mas meu estado ainda era inerte

- "Ponto" de Puta, meu caro Suga! - ouvi Kyungsoo responder, enquanto eu estava de braços cruzados, admirando o escândalo nada cálido de Jackson e Mark

- Cês' já podem parar de frescura! - Yoongi tornou à gritar, enquanto empurrava Mark em direção à Jackson, que estava preso em um "mata-leão" mortal de ninguém menos que Kyungsoo

"Ou seja, um movimento e morria!"

- Ah, pra quê tanta "melação"? - não evitei pôr as mãos na cintura, batendo os pés, extremamente inquieto - Até parece que são héteros!

- Eu sou! - Mark gritou, arrancando risadas inclusive de mim, que estava à um bom tempo ausente do que ocorria ao meu redor

Não estávamos em uma situação muito agradável, já que Kyungsoo continuava com suas roupas encharcadas tentando empurrar o rosto de Jackson junto ao de Mark que comprimia seus lábios, tentando se esquivar

- Ah, mas num' é mesmo, cê' não encabula nem manequim de loja, Mark! - o mais alto ao ouvir a afronta, lançou um olhar mortal em D.O. que não deu a mínima - Agora deixa de "franguisse", e encara seu destino, senão daqui à pouco até ovo põe!

- Mas eu não quero! - o mais novo gritou em resposta, mas era nítido que era apenas por orgulho do que realmente por vontade própria

Já Jackson encarava os próprios pés meio temeroso, pois nitidamente deveria ter medo do que poderia acontecer caso levasse um "fora" de Mark, ou se realmente fosse beijado pelo mesmo; no fundo, eu sabia que para ele tudo ali era mais que uma aposta, já que nutria sentimentos pelo mais novo

- Ah, me poupe, Mark! - Yoongi gritou irritado - Então não vai se importar caso eu pague sua dívida, não é mesmo?!

- QUÊ?! - eu e o mais alto interrogamos ao mesmo tempo, enquanto D.O. arregalava os olhos

- KYUNGSOO! - Mark gritou - Você vai deixar mesmo?!

- Quem sou eu pra impedir um beijo?! - o moreno ainda com suas roupas molhadas cruzou os braços soltando Jackson, que continuou imóvel - Ah, vá né?! Até eu beijaria o Jackson!

O outro pareceu refletir por um momento, logo passando as mãos no pescoço sem jeito

O som da minha risada em meio à toda aquela "viadagem gratuita" foi uma demonstração fática de que a seriedade estava percorrendo algum dos anéis de Saturno nesse momento tão "gracioso"

- E então Mark? Concorda em permitir seu macho de ser beijado pela escultura albina ali?! - Soo perguntou com sua voz sacana, recebendo um maxilar trincado do mais novo em resposta

- ELE NÃO É MEU MACHO! - gritou, afastando-se do outro, emburrado

- ÓTIMO! - Soo gritou sacudindo suas roupas molhadas, visivelmente com seus altos níveis de folia, dando uma piscadela para o Min que sorriu safado em resposta - JÁ QUE NINGUÉM VAI DAR PITACO NESSA PORRA, OS VIADOS PODEM SE BEIJAR!

- Ok, vai fundo... - tratei de entrar na onda, indo até Jackson e o empurrando na direção do loiro, mesmo que uma sensação estranha me preenchesse em saber  que o veria beijar outra pessoa que não fosse eu, tendo que agir como se não me comovesse - Aproveita que o produto é de garantia!

Alguns passos foram dados firmemente, enquanto Jackson mantinha-se encarando Yoongi, que parecia decidido no que estava prestes à fazer

Era nítido que nenhum dos dois iriam parar, mesmo com Mark calado em sua carranca e o costumeiro ar sinistro junto de um olhar zombeteiro de Soo em minha direção, que certamente dizia que ele estava ciente de que tudo aquilo me atingia

"Mas de uma forma estranha, não era exatamente aquilo que estava acontecendo realmente..."

- Jackson sortudo! - ouvi Soo falar um pouco mais alto para que o mais alto ouvisse ouvisse, parecendo ter alcançado o alvo ao vermos seus músculos tensos - Isso vai dar PT! - sussurrou, se encolhendo - Quer ver como Mark vai dar um treco?

Voltei novamente à encarar o mais alto e parecia que o mesmo iria entrar em erupção à qualquer momento

- Em... - Soo tornou à sussurrar, brincalhão - Um..Dois...Três...

- NÃO! - ouvimos o grito e arregalei os olhos ao escutar a voz

Yoongi já estava frente à frente de Jackson e sua mão que antes estava na altura de seu pescoço, foi rapidamente afastada por seu sobressalto mediante a fúria emitida na direção dos dois, fazendo ambos arregalarem os olhos

- JACKSON, LARGA ELE! - a voz antes acostumada à esbanjar desdém em tudo à sua volta, agora transmitia ódio

- E porquê ele faria isso, Mark Tuan?! - a voz travessa do Min era recheada de provocações e ousadia - Somos solteiros e ele é uma gracinha!

O loiro voltou à encarar o moreno que segurava seu braço assustado tornando afagar sua bochecha, lhe lançando uma piscadela, coisa que o outro correspondeu com um sorriso adorável

Jackson era visivelmente lindo, desde sua mandíbula marcante até o jeito encantador, mas minha raiva por Kyungsoo ainda plantada em meu ser quando o vi afrontar Jeon, coisa esta que permeava minha cabeça agora, sequencialmente abafava tudo à minha volta. Mas, algo era inegável, o Wang e Yoongi de certa forma combinavam, afinal ambos eram capazes de fazer até o diabo rezar a missa

E digo isso por conta do ranço que criei ao ver Mark maltratando-o e lhe evitando tantas vezes; já estava mais do que na hora do mais alto ver o que estava fazendo consigo mesmo

- MAS NÃO ERA EU QUEM DEVERIA BEIJAR ELE! - Mark deu alguns passos em direção à Yoongi, que puxou Jackson para trás de si - PARE DE BOBAGEM JACKSON, VOCÊ ESTÁ PERMITINDO ISSO APENAS PARA ME IRRITAR!

- Te irritar? - o moreno riu, encarando o outro por sobre o ombro de um Yoongi que prendia o riso - E você por acaso sente algo por mim para ficar irritado? - levantou a sobrancelha, deixando o outro paralisado - Ótimo, já que não consegue responder uma simples pergunta, vê se some e deixa eu terminar o que comecei!

Eu não sei em que momento Yoongi foi puxado para longe de Jackson pelas mãos de Mark, ou quando a gritaria começou, mas tanto eu quanto Kyungsoo nos entreolhamos, cansados de decidir à quem daríamos atenção

- CHEGA! - Soo empurrou Mark em direção do Wang, fazendo ambos chocarem-se um no outro, arregalando os olhos ao se verem tão próximos - É melhor vocês se beijarem ou a carnificina aqui tá garantida!

- Ma-mas... - Jackson gaguejou ao ver Tuan encará-lo sugestivo

- Nada demais, porque se o Yoongi não comer seus "briocos" com farofa, EU VOU TRAÇAR! - Kyungsoo murmurou, já esgotado

Wang levantou a cabeça tendo o mais alto à sua frente, cujo parecia perdido sobre tocá-lo; mas jurei ver indecisão em suas mãos ou até mesmo medo, quando seus olhos não deixaram de encarar o mais baixo, com uma devoção intensa

Entretanto, surpreendendo à todos, Tuan puxou a cintura do outro, colando rapidamente ambos os lábios, coisa que este intensificou ao afundar suas mãos nos cabelos do mais baixo

- WOW! - Yoongi gritou, entusiasmado com o que via

- É tão lindo ver alguém saindo do armário! -  Soo fingiu limpar uma lágrima, enquanto aplaudia

- Comovente! - não evitei dizer, encenando limpar o nariz falsamente abalado, mas balancei a cabeça, sozinho agora ao reparar estar próximo à casa do jardineiro, que tinha seus ganchos laterais vazios, sem gaiolas pendendo

"Jungkook..." - pensei, sorrindo - "Ele pode até viver preso, mas doava liberdade!"

Olhei novamente para frente, vendo os dois afastarem-se por conta da falta de ar, mas logo Mark puxou o rosto alheio novamente, selando ambos os lábios, enquanto Wang parecia surpreso com seus lumes arregalados, que logo fecharam-se ao embalo do beijo possessivo que recebia do mais novo, que o trazia para si

- Caralho, isso 'tá muito lindo! - Kyungsoo sussurrou, enquanto "seu irmão" afastavasse um pouco atrás de si, tentava encarar a cena em sua frente e lhe fitar ao mesmo tempo

Fixei minha atenção em Yoongi, que sorria abertamente, mas algo em mim não me permitia sentir ou desfrutar aquele momento cem por cento; voltando minha atenção novamente aos ganchos na lateral da casa do jardineiro e elevei meu olhar à porta que conduzia ao interior da mansão, sentindo uma necessidade de adentrar aquele local, na tentativa de encontrá-lo e lhe falar algo além de um "Oi"

Esta realidade aflorava cada centímetro, penetrando em cada célula que preenchia meu corpo: "Ele jamais iria abandonar meus pensamentos"

Analisei a frente da mansão, imaginando que em algum lugar daquela imensidão ele deveria estar e algo me trouxe atenção, quando avistei uma silhueta curiosa à encarar aquele cenário ao qual estava inserido

- Jeon... - sussurrei, dando um passo à frente, analisando-o um tanto alheio dos meus atos

E nosso olhar pareceu chocar-se e mesmo que tentasse ler as veredas de suas orbes enigmáticas que pareciam pedir atenção, sua figura solitária simplesmente sumiu num ato rápido, me deixando ressentido

E o incômodo fez-se presente, desesperado em meu peito implorando, necessitado, apenas para falar com ele, nem que fosse para sermos amigos ou que ao menos fosse para cumprimentá-lo melhor

Me sentia um pobre coitado quando analisava minha situação perante sua figura misteriosa; uma pessoa em busca de atenção, de migalhas, que não sabia como voltar atrás

Mas, de algo sabia e tinha plena certeza: eu jamais poderia ter alguma relação além de amizade com o loiro, que tanto encarava agora Kyungsoo, entretido com a cena cômica de Wang e Tuan que agora se entreolhavam tímidos

Era certo que Yoongi e eu éramos pessoas problemáticas, pois eu tinha conhecimento de sua paixonite "sufocada" por Soo, o que não acontecia comigo, já que nunca o havia dito nada sobre minhas emoções embaralhadas

"Mas, o que realmente eu sentia?" - voltei à encarar a janela que permanecia aberta, mas que agora estava solitária, com suas cortinas sendo embaladas no vento que percorria o pequeno vão

- Vamos entrar, já que as "senhoritas" se "cortejaram" o suficiente... - Soo adicionou, seguindo na frente

- Kyungsoo, bostejar pela boca tem limite! - o mais alto grunhiu com Wang ainda ao lado, seguindo Kyungsoo que já tinha Yoongi no encalço à frente

- Mas bosta cagada não volta pro cú! - ditei, vendo os quatro pararem em frente ao patamar da porta, tendo Soo e o loiro com os lábios franzidos pelo riso contido - Quê?

- Agora eu entendi porque Yoon tem resposta pra tudo na ponta da língua! - Mark cruzou os braços, ao passo que o loiro abria a porta, revirando os olhos

- A única coisa que eu tenho na ponta da língua é meus dentes, ex-incubado! - o loiro ralhou, fazendo até mesmo eu sorrir

- Chega! Parecem cachorro quando quer cagar... - Soo ditou, logo se esquivando para espirrar, voltando sua atenção para Yoongi e me olhando de soslaio - Você e o Jimin vão ficar, não é?! Pelo menos alguns dias, Yoon...

- Tudo bem! Eu fico! - o loiro falou, mas logo colocou a mão sobre o ombro do moreno - E acho melhor você trocar de roupa! Vai acabar ficando resfriado...

O moreno arregalou os olhos, encarando as roupas ainda molhadas, corando em seguida enquanto "seu irmão" sorria

- É, realmente! - seguiu em direção às longas escadas, mas parou olhando para mim - É, bem... - coçou sua cabeça, encarando Yoon que tinha seus braços cruzados encostado próximo ao corrimão e também Mark e Jackson que pareciam entretidos em seu próprio mundo próximos ao sofá da grande sala - Jimin se quiser pode ir assistir televisão ou jogar algum Game, é por ali... - apontou à lateral da escada, que possuía um pequeno corredor, com uma entrada no fim - A sala é bem aconchegante, já que provavelmente aqueles dois ali vão profanar a saleta!

Logo o mesmo voltou a subir as escadas, enquanto encarei Yoon que me lançou um olhar contido, já que era nítido o quanto seus sentimentos eram esmagados e eu sabia muito bem a sensação, que era quase palpável ao olhar para o moreno com um semblante nostálgico

- Vai lá! Eu sei que você quer! - sussurrei, para que ouvisse, me lançando um olhar confuso, mas que pareceu compreender rapidamente minha intenção, dando um sorriso envergonhado

- Kyungsoo! - chamou, recebendo um olhar do mais baixo, que tornou à lhe fitar assustado - Quer ajuda? - levantou uma sobrancelha, enquanto o outro arregalava os olhos

Dei um sorriso contido, notando que Kyungsoo entreabria a boca sem conseguir uma resposta para o mais novo, que se apressou em subir as escadas, sorridente, coisa que provavelmente o hipnotizou, já que ficou estancado em meio aos degraus

- Você não irá me desprezar, ou vai? - mesmo que Yoongi parecesse sempre confiante e um tanto debochado no que fazia, encontrei um pouco de temor em sua voz

Mas, rapidamente, mesmo com seu visível nervosismo, o outro acenou, confirmando, coisa que o Min respondeu com um sorriso, puxando-o em direção ao corredor esquerdo, lugar esse que deduzi conduzir ao seu quarto

Meu sorriso logo se desfez, quando me vi sozinho naquele imenso local, olhando novamente o grande lustre, voltando minha atenção para o pequeno corredor no lado direito, que conduzia à sala; mas meu subconsciente gritava na direção oposta ao avistar Jackson e Mark se atracando no sofá e novamente fitei a entrada iluminada do corredor oposto acima da escada, lembrando de Jungkook

Mas, simplesmente sacudi a cabeça, me negando à agir de forma incoerente, pois provavelmente faria algo de forma tola

"O que ele vai pensar de mim, quando ver um estranho batendo na porta de seu quarto?"

"Que desculpa eu daria?"

"Se ao menos ele saísse do quarto e descesse..."

Parei, ansioso com o coração acelerado, olhando novamente para o corredor, analisando o quadro que decorava a parede que separava ambas as entradas, totalmente confuso comigo mesmo

- Affs, - sacudi a cabeça, andando em direção ao corredor lateral - Isso é loucura! Ele só vai pensar "más intenções" de mim!

"Ele não pode ficar trancado o dia inteiro, uma hora irá sair.." - pensei, sorrindo - "Aí, vou aproveitar e..." - parei novamente, vendo o corrimão, analisando a escada

"Ou será que ele pode ficar lá e eu dar uma de burro..." - raciocinei, me sentido um idiota, passando as mãos nos cabelos e suspirando

Girei nos calcanhares, vendo um espelho acima de uma mesinha lateral, avaliando meu reflexo, vendo o quão idiota eu era

- Tolo, abestado... - sussurrei ao ver meu reflexo, com os cabelos beirando o branco por questões óbvias de um desleixado que mau usa tonalizante

De repente, me encolhi, fechando os olhos, ao escutar o som de algo caindo e vidro sendo quebrado e me pus à correr em direção às escadas, tentando focar na origem do barulho

- Caralho, mau se beijam e já estão brigando! - sussurrei, mas logo paralisei no meio do primeiro degrau ao ouvir novamente um baque e engoli em seco ao perceber que o barulho abafado não vinha do corredor esquerdo ao qual Yoongi e Soo haviam ido, mas sim do direito

"Vou? Ou não?" - pensei, mas rapidamente me concentrei na voz masculina recentemente escutada quase inaudível, notando que deveria ser ele - "Vamos, seu imbecil"

- Jeon... - sussurrei preocupado, andando apressado na direção do corredor, vendo que não havia mais barulho, então me concentrei, analisando uma mesinha com flores em um jarro, olhando algumas portas e tentando adivinhar qual lhe pertencia

- Ai! - murmurei, pulando no lugar, ao ouvir um novo baque - "Como você vai ajudar alguém, sendo tão galinha!" - franzi o cenho, indo em direção ao fim do corredor, percebendo uma porta entreaberta

Empurrei a madeira aos poucos, e mesmo que o aquecimento interno da casa estivesse em um ótimo estado de funcionamento, minha inquietação estava concentrada em minhas mãos gélidas e no suor frio

O nervosismo estava me domando descontroladamente, mas minha necessidade em vê-lo, o fato de poder ao menos saber um pouco mais do garoto que havia embaralhado minhas emoções e a curiosidade do que se passava do lado oposto, impulsionava todos os meus atos

No entanto, a única coisa que aconteceu, foram meus olhos arregalados, mediante a devastação que havia naquele quarto

A luz que adentrava parcialmente o ambiente estava em contraste com o abajur, que pendia na lateral do criado-mudo, em declive, sendo amparado apenas pelo cabo que ainda o ligava à tomada, o que fazia com que o mesmo piscasse e apagasse sua luz constantemente, pelo mau contato com a energia

Caminhei em sua direção, desligando-o e o posicionando corretamente sobre o móvel, percebendo que o chão estava sujo por comida, enquanto uma cadeira estava caída em frente à uma escrivaninha que continha pela pouca luminosidade um aparelho de Notebook ainda embalado, coisa que estranhei de imediato ao arrumar o que podia no caminho

"Maldito TOC, e olha que esse quarto nem é meu" - pensei, franzindo o rosto, estourando uma das bolhas que revestiam a embalagem intacta do aparelho inutilizado - "Ele nem mesmo abriu a embalagem, que jovem faz isso?!" - olhei para os lados vendo o quão solitário e silencioso aquilo estava, fitando a porta ao lado, julgando ser o banheiro e percebendo que estava fechada

Olhei novamente o chão, sujo de macarrão, suco, molho e alguns cacos de vidro e engoli em seco, me aproximando com cuidado da porta, abrindo-a rapidamente, me deparando com a luz ligada cujo iluminava um banheiro grande e límpido, solitariamente organizado

Porém, a gaveta abaixo da pia, estava aberta; e por um momento, julgando seu interior revirado, com uma grande quantidade de medicamentos praticamente esvaziados, discerni que havia algo muito errado naquilo tudo ao reconhecer alguns antidepressivos, e outros que pela embalagem, eram tarja preta

Retornei ao quarto, nervoso, olhando pela janela, sentindo uma inquietação em meu ser ao analisar novamente o piso, notando cacos de vidro sujos de sangue no chão, próximos à lateral da cama, em direção à janela

E por um momento minha respiração pareceu vacilar ao pensar no que poderia ter acontecido...

- Je-Jeon... - sussurrei quase sem voz, sentindo meus olhos lacrimejarem

Então chutei, o suporte de metal em meio à sujeira, liberando a visão de um pé sujo de sangue no lado oposto da cama, rapidamente correndo em sua direção, enquanto o vento frio adentrava o recinto, me dando calafrios

- Jungkook! Jungkook! - chamei, ao ver sua imagem caída no chão, de bruços

Me agachei rapidamente, o sustentando-o em meus braços, sentindo seu corpo gélido contra o meu e rapidamente o medo cresceu, ao ver sua face manchada por sangue

- Não... isso não... NÃO! - clamei, erguendo-o do chão com facilidade, o que me assustou, sendo que o mesmo era praticamente bem maior que à mim, mas logo deduzi a razão ao ver sua clavícula funda e seu rosto magro

Aquilo deveria me dar repulsa, ao visualizar sua situação definhada e maltratada, mas a única coisa que percorria minhas veias era desespero e preocupação

Ao deitá-lo com rapidez na cama, corri ao banheiro, puxando o tecido alvo do porta-toalhas com velocidade, molhando-o em seguida na pia e retornando apressadamente em direção ao quarto, percebendo que o mesmo continuava imóvel sobre a cama

Limpei os resquícios de sangue, na altura de seu queixo e nariz, notando que a origem do mesmo eram suas narinas, o que fez redobrar o nervosismo ao levar a mão ao seu pescoço, tentando medir sua pulsação que estava fraca, sentindo uma lágrima descer em meu rosto

- Não, não, não... - me repreendi, levando as costas da mão livre ao rosto, limpando as lágrimas, ao ver o quão afetado estava com tudo aquilo - O que fizeram com você? Ou... O que você fez? - passei as mãos em seu rosto, retirando alguns fios de sua fronte, conferindo o quão gélida estava sua pele - O que está havendo aqui? - interroguei novamente uma das diversas perguntas que embaralhavam minha mente, mesmo sabendo que não haveria respostas de sua parte, pois o mesmo possuía uma expressão mortal

Aproximei meu rosto de si, sentindo a respiração falhar ao vê-lo tão próximo, com sua pele tão límpida e alva, mas que agora exalava uma aparência tão doentia; não contive um sorriso, ao sentir contra minha bochecha sua respiração, mesmo que irregular

"Uma ambulância..." - pensei, levando minhas mãos aos bolsos em busca do celular, mas lembrando desesperado que o mesmo havia ficado com Yoongi

Levei minha palma novamente à sua testa, ainda sentindo sua pele gélida, me deixando atônito ao puxar o lençol ao lado, na tentativa de cobri-lo

"Eu precisava me certificar que ele estava vivo, pois tudo descrevia o contrário"

"Mas, a realidade era esta, pois notei que não era apenas preocupação, tudo já havia se tornado uma necessidade"

Encarei novamente o pano sujo de sangue em minhas mãos, me vendo pensativo ao analisar o chão, notando algo pequeno cintilar, e tomei em mãos uma cartela de medicamentos vazia, imediatamente reconhecendo o nome

- Remédio para dormir? - voltei a encarar novamente o chão aturdido, vendo o desastre que estava o quarto e em meio aos cacos, outra cartela estava jogada, coisa que me apressei em pegar, lendo as letras pequenas - Isso é um ansiolítico...?! Então... Ele... Se... Dopou...

Tentei raciocinar o máximo que podia, enquanto meu peito chegava à doer ao notar que provavelmente aquilo tudo não passava de uma tentativa de suicídio

"Preciso chamar alguém" - afundei minha cabeça nas mãos, bagunçando meus cabelos - "Onde fui me meter? Porque?"

Fechei meus olhos, respirando fundo, pronto para me erguer e chamar alguém para socorrê-lo, mas me vi em um impasse, pois não queria abandoná-lo naquele quarto, que pelo visto ele passava trancafiado

Subitamente senti o colchão se afundar ao meu lado, coisa esta que me deixou imóvel e nervoso; com calma, tentei virar meu rosto na direção do garoto, que provavelmente havia despertado

Mas, fui surpreendido por uma mão gélida de encontro ao meu pescoço, coisa que me fez estremecer assustado, o que não relutei, pois nem mesmo forças eu tinha para isso; ou talvez não quisesse, por saber quem o estava fazendo

Rapidamente olhei para o lado, ao perceber seu rosto aproximar-se do meu, juntando nossas testas, e com sua outra mão sobre minha bochecha, enquanto um arrepio percorreu meu corpo, quando o frio me atingiu com seu toque

"E mesmo que tudo aquilo estivesse estranho, a única coisa que permanecia em minha frente era a satisfação de tê-lo ali, tão próximo, real, em carne e osso... E não uma fantasia minha!"

- "Eu senti tanto sua falta, meu amor"... - meus olhos se arregalaram ao ouvir tal coisa em uma voz tão sedutora e rouca para um garoto, cujo me deixou desarmado quando em um impulso, senti seus lábios juntos aos meus em uma possessão ferrenha

Era urgente, descontrolado e sedento, mas continuava à ser um oscilar lento, como se estivesse carente ou buscando comprovar e ser preenchido por algo que tanto almejava; mas de uma coisa sabia, aquilo certamente não era eu, por mais que quisesse...

"Era algo impossível... Ele mau sabe meu nome..." - pensei, sentindo suas mãos grandes emaranhadas em meus cabelos me puxando cada vez mais para si; em contrapartida reuni forças ao levar minhas palmas até seus ombros largos, tentando afastá-lo - "Ele gosta de homens como eu? Ou será... Que está me confundindo com uma menina?"

Mas, o mesmo foi rápido, inclinando-se em minha direção, sem apartar o beijo, me fazendo fechar os olhos automaticamente, quando sentou-se sobre meu colo, me fazendo suspirar, ainda sentindo seus lábios contra os meus, sua presença, sua pele e nossos corpos tão próximos

"Tudo naquele momento afagava meu coração, resumindo tudo ao agora, recebendo de bom grado cada sentimento compartilhado naquele beijo carregado de emoções profundas....Esquecendo de todo o resto"

E mesmo que parte de mim estivesse de prontidão para comprar uma caixa de fogos de artifício por agora ter certeza que ao menos o garoto que eu sentia uma atração surreal gostava de homens e estava sentado em meu colo me beijando... Ainda assim, o que acontecia naquele momento era errado, estava fora de cogitação e não podia estar acontecendo... Não apenas pelo fato que éramos dois desconhecidos se beijando... Mas sim por ele ter começado tudo!

"Pois sempre jurei que eu o faria ao conhecê-lo!"

E novamente suspirei, ao senti-lo aprofundar o beijo introduzindo sua língua à procura da minha enquanto me apertava contra seu corpo e com clareza constatei que havia algo realmente errado ao sentir o cheiro de querosene e gasolina em si

"Ele estava fora de si e drogado" - conclui, afastando-o de mim num impulso e analisando seu rosto, mesmo que em meu íntimo desejasse continuar à beijá-lo; mas tudo foi pelo ralo ao ver seus olhos fechados, ainda segurando meu rosto

- Eu te amo, Yugyeom! - sussurrou, abrindo seus olhos, visivelmente conturbado com seu olhar nublado, perdido e sem luz

"Certamente, não era ele ali, não o Jeon que eu queria conversar, trocar sorrisos, ou beijar de pura e espontânea vontade vinda de nós dois... Mas nada disso pareceu fazer diferença ao sentir meu ser quebrantado por ouvi-lo declarar-se, mas não com meu nome"

Ele havia me beijado pensando em outro,

Ele sentia saudades de outro,

Ele queria outro,

E era esse outro que ele amava!

Não à mim!

- Yugyeom... - sussurrei, sentindo minha voz falhar pela decepção, sobrecarregada de algo que constatei ser choro contido

"Sim, eu queria chorar, havia me decepcionado comigo mesmo por ter me entregado tão facilmente àquilo, mesmo ele não tendo consciência de quem eu era, o que piorou ao vê-lo assustar-se ao escutar minha voz"

- Yugyeom? Kim? - perguntou, passando a mão nos cabelos um tanto longos, balançando a cabeça ao sair de cima do meu corpo

- Não... - sussurrei, vendo sua descentração quase palpável, quando o mesmo se ergueu fora da cama, cambaleando e por pouco não indo ao chão por segurar-se no criado-mudo

Imediatamente, fui em sua direção, preocupado por seu estado caótico

- SAI! - gritou, me empurrando, quase sem forças - ME DEIXA EM PAZ! SOME DAQUI!

- Vo-você precisa de ajuda! - falei, indo em sua direção, mesmo com meu ego ferido, necessitando ampará-lo

Mas o mesmo apenas começou a chorar, puxando seus cabelos ao balançar a cabeça diversas vezes, encolhendo-se no chão, quando tentei me agachar ao seu lado

- SAI DAQUI! - gritou, pegando um livro sobre o criado-mudo e o atirando em minha direção cujo desviei com sorte, ao ver o objeto chocar-se com brutalidade contra a parede; o encarando assustado com sua atitude, mas logo o assistindo pender para o lado caindo no chão de joelhos, tossindo

- Jeon! - o chamei com meu ser abalado, pegando-o nos braços, sentindo seu corpo tenso ao me empurrar, coisa que não me importei; mas o mesmo parecia relutante, murmurando coisas desconexas - Fica difícil te ajudar dessa forma!

- Você não é o Yugyeom! - choramingou, me empurrando novamente e aproveitei para enlaçar seu corpo com meus braços, imobilizando-o - Pare com isso! - resmungou, quase sem voz

Suspirei, puxando-o e erguendo seu corpo que pendeu para frente, e mesmo que estivesse coberto por peças escuras e longas, tremulava de frio

- Droga! - resmunguei, ajustando seu corpo em meus braços levando-o ao banheiro, no entanto, ouvi algo bater no chão e visualizei um celular, provavelmente caído de seu bolso

"Solto ele e ligo pra emergência,ou continuo o que estou fazendo?" - olhei novamente para o garoto em meus braços, sentindo sua fragilidade, caído e inconsciente, me impulsionando a continuar

Abri a porta com o cotovelo, ainda mantendo-o enlaçado e o arrastei até a beira da banheira, me vendo num impasse; logo o deitei calmamente no chão, fitando seus lábios arroxeados e secos, a pele extremamente pálida e me apressei em ligar a água quente

Novamente o ouvi tossir, chamando minha atenção quando ergueu seu tronco, encostando a lateral do rosto na parede, de olhos fechados, juntando seus joelhos ao peitoral, encolhido

"Tão lindo, mas tão maltratado" - pensei, encarando seu rosto e me aproximando para vê-lo de perto, reparando pequenos traços ocidentais conciliados com o asiático, e levando minha mão a sua bochecha, senti-o gélido ao toque percebendo o mesmo abrir seus olhos sonolentos

Subitamente senti seu pé acertar a altura do meu estômago, fazendo minha voz em contraste ecoar no recinto de dor, mas com fúria o mesmo se ergueu em minha direção, me batendo, mesmo estando visivelmente fraco

- SEU TARADO! - gritou, me socando, enquanto tentava me defender com as mãos - VAI EMBORA!

- EU VOU TE AJUDAR, VOCÊ QUERENDO OU NÃO! - mesmo com meu tórax agora doendo, me ergui indo em sua direção

Aproveitei quando o mesmo vacilou em um momento de tontura e segurei suas mãos, vendo sua expressão desconcertada, mas ainda assim chutou minha canela gritando, me fazendo morder os dentes pela dor

Então o virei de costas em um ato ágil, mas o mesmo aproveitou-se para impulsionar seus pés contra a parede, empurrando nós dois para trás em um ato brusco, nos fazendo cair no chão e a dor se alastrou em meu corpo, ao sentir o chão contra minhas costas em um baque

- ME LARGA! - se debateu, me fazendo apertá-lo ainda mais contra mim com dificuldade, cujo começou a soluçar, chorando transtornado - Eu odeio isso! Porque não acaba logo? Faz parar!

O mais alto gritou novamente, em descontrole, com ódio e tristeza ao mesmo tempo, chutando e se debatendo, mas àquela altura eu não desistiria

E aquilo me fez engolir em seco, pois a dor em sua voz era quase palpável, um sofrimento intenso, que quem escutava saberia discernir que aquilo estava o corroendo por dentro

Beijei seu ombro quando este parou, com sua respiração descompassada, percebendo que apenas soluçava, quase inaudível

- Eu não vou lhe machucar, só quero um dia lhe ver sorrir de forma sincera, e lhe entender! - falei, mais pra mim mesmo que para ele - E ter certeza se tudo que sinto é em vão! - meu sussurro parecia alto, pelo silêncio que percebi instalado - Jeon?! JEON?!

Afastei um pouco meu corpo do seu, notando sua face imóvel, inconsciente e levei meu rosto para perto do seu, suspirando aliviado ao notar a respiração falha, mas felizmente, ainda presente

- Porque?! - sussurrei, sentindo meus olhos lacrimejarem, quando passei minhas mãos em seu rosto, ainda frio - O que está acontecendo com você?!

Mas o som de água caindo logo recobrou minha intenção por estar ali, percebendo que a banheira estava transbordando e me erguendo, deixando-o calmamente sobre o chão, desliguei a torneira

Levei minha mão à água, notando a sensação de calor que percorreu meu corpo ao senti-la quente; e tornei a olhá-lo, de costas, caído naquele chão alvo; um ponto negro, em contraste com o ambiente

Então novamente me aproximei, pegando-o em meus braços e o arrastando em direção à banheira; mas logo me certifiquei o que iria acontecer

"O corpo dele vai ter um choque de temperatura, idiota", pensei, revirando os olhos

Então calmamente o peguei no colo, analisando sua face pálida, e entrei na água, sentindo-a quente, suspirando, sem tirar os olhos de si, à encostando junto ao peito como um bebê, beijando sua testa, enquanto me agachava devagar, logo o deitando com calma sobre a água, mergulhando seu corpo aos poucos

Calmamente, levei minha mão molhada e agora quente ao seu rosto, ajeitando seus fios longos e escuros atrás da orelha, molhando-o aos poucos, sentindo o contraste de temperatura

De repente, notando sua respiração mais rápida quando o mesmo agarrou com impulso minhas roupas segurando-se em mim, abrindo seus olhos aflito e arfando, ainda sonolento

- Shiii - murmurei, abraçando-o junto à mim, sentindo-o ainda mais próximo como se fosse possível, enquanto me encostava na beirada da banheira, mergulhando nossos corpos ainda mais enquanto ouvia a água cair nas laterais - Vai ficar tudo bem, vou cuidar de você... Estarei aqui! Fique calmo, por favor, só quero o seu bem! - e beijei o topo de sua cabeça, inalando um cheiro adocicado, um tanto diferente aos quais já havia sentido, com uma mistura de âmbar e abacaxi

E novamente o senti inerte contra mim, aproveitando para olhar seu rosto com atenção, percebendo que seus lábios já haviam tomado uma tonalização mais rosada, e sua pele agora com um aspecto menos pálido, então encaixei seu corpo na lateral dos meus braços, tentando decorar cada traço seu em minha mente, pois não saberia quando o iria ver novamente

Algo era inegável, eu estava perdido, principalmente ao me ver sorrir bobamente alisando seu rosto com a ponta de meus dedos

Em um ato inconsequente, colei meus lábios aos seus, um selar inocente, levado pelo momento, mesmo que ele não fosse corresponder

- KOOKIE! - ouvi uma voz grave e rouca gritar, me deixando assustado e encarei o moreno em meus braços, totalmente ausente do que acontecia lá fora

- JUNGKOOK! - deduzi ser Hoseok pela voz e imediatamente, abracei o corpo do moreno, já deduzindo que o seria tirado de mim, mesmo que desejasse no meu íntimo que o levassem para cuidados

Então o beijei novamente, em sua bochecha e o olhei pela última vez, sentindo meu peito se comprimir

- AQUI! ELE ESTÁ AQUI! - gritei o máximo que podia, escutando passos apressados do outro lado da porta, mas a única coisa que me surpreendia era o fato do moreno permanecer imóvel

- JIMIN?! - ouvi Hoseok gritar assustado, caminhando em passos rápidos em minha direção, me encarando descrente, com seus olhos arregalados, agora quase ocidentais pelo tamanho que estavam

- Vo-você?! - ouvi o outro garoto que adentrou o local, desconcertado, tão assustado quanto o mais velho, o reconhecendo imediatamente - O que está fazendo...?! - perguntou, sem entender

- Eu só quis ajudar... - respondi tentando parecer sincero - Ele estava uma "pedra de gelo", caído no chão e eu não tinha celular para ligar pra ambulância, mas ele ainda estava vivo, então enchi a banheira com água quente e coloquei ele dentro!

- Com você junto? - ouvi Hoseok perguntar, erguendo uma sobrancelha, duvidoso

- Fiquei com medo de colocar ele sozinho... - olhei novamente o garoto em meus braços - Ele estava desmaiado!

- E porque não gritou? - o mais velho interrogou insistente, me deixando nervoso - Nós teríamos ajudado!

- Eu ía chamar a ambulância! - me defendi, mas Jung pareceu vacilar, dando um passo em minha direção

- Não! - franzi meu cenho, ao vê-lo tão sério se inclinando - Me dê o garoto, ele vai ficar melhor!

- Mas... - abracei-o junto ao meu corpo, suspeitando de seu comportamento - Ele precisa de um médico!

- Nós vamos cuidar dele, Jimin! - o acastanhado ditou, cujo lembrei chamar-se Taehyung, postando-se ao lado do mais velho, notavelmente nervoso - Já fazemos o possível!

- O possível? - me exaltei - Olha o estado dele!

- Já sabemos, Park, mas procure ser compreensivo! - Hoseok refutou ríspido, mas respirou fundo tentando acalmar-se - Agora, pode devolver o primo dele?

Encarei o garoto ao lado, sentindo a familiaridade em seu olhar profundo e trajes folgados, não evitando deixar desapercebido seus leves traços asiáticos e latinos, da mesma forma que Jeon sutilmente mantinha, mas ainda assim não evitei me sentir confuso por não encontrar nenhuma característica que denunciasse algum parentesco entre ambos - afinal, não se pareciam em nada; mas, mesmo relutando e desconfiado, ergui-me, com Jeon em meus braços

- Poderiam ao menos me dizer, o que está acontecendo? - perguntei, ao ver Hoseok tomar o mais novo de meus braços em um ato ágil e rápido, o levando para longe, coisa que me deixou triste e preocupado - EI, O QUE VOCÊ VAI FAZER COM ELE?!

- Calma, Jimin! - ouvi o primo do moreno falar, um tanto encolhido - Ele vai ficar bem, só precisa... se cuidar! - terminou, um tanto incerto

- Cuidar? - estranhei - Do quê exatamente?

O garoto à minha frente pareceu pensativo por um momento, logo voltando à me encarar, enquanto sentia minha roupa colar ao corpo, encharcada

- O Jungkook tem alguns problemas sérios, Jimin! E eu sempre fiz o que pude, para ajudá-lo... mas... - deixou sua voz morrer, encarando os próprios pés

- Isso tem haver com as cartelas de tarja preta que encontrei aqui e o resto dos medicamentos? E no dia que te encontrei com ele no hospital, lá no Brasil? - o mesmo arregalou os olhos, mas confirmou com um aceno - E as drogas...?

- COMO? - o mesmo pareceu recuar, assustado - Como você...

- Soube? - completei, vendo-o encurralado - Eu senti um cheiro estranho nele! E ele também estava inconsciente!

- Eu já disse, ele tem problemas, não se preocupe! E está se tratando!

- Então porque ele estava botando sangue pelo nariz? - o garoto respirou fundo, levando a mão à boca, com os olhos lacrimejados - Porque você não fala de uma vez? E... Quem é Yugyeom?

"Tenho que ser sincero, aquele nome nunca iria sair da minha cabeça, mesmo que eu o achasse um desgraçado de um Filha da Puta da Casa do Caralho sortudo por ter o amor do garoto que me deixava doido... Era óbvia a razão pela qual eu queria conhecê-lo!"

- Affs, - o mesmo resmungou, levando as mãos ao rosto - Por favor, Jimin, eu te agradeço muito por tentar ajudar meu primo, de coração... Você realmente é uma boa pessoa e reconheço isso... Mas, não se envolva com meu primo! Mantenha distância para o seu próprio bem! - então rapidamente vi o mesmo virar as costas tentando sair, mas em desespero peguei sua mão

- Será que ao menos você poderia me responder uma pergunta? - o mais alto surpreendentemente cruzou os braços, me encarando - Me dê uma razão para eu desistir dele!

Meus pêlos arrepiram-se quando notei a loucura que havia saído de minha boca, mas era apenas desespero de não obter respostas

E nunca mais poder vê-lo...

- Hã?! - o ouvi perguntar, perplexo - Você gosta dele?

- E daí? - fui invasivo, ao perceber o beco sem saída que eu mesmo havia me colocado - Qual o problema? O que me impede de gostar de alguém?

- JIMIN! - o mesmo gritou, passando as mãos nos cabelos notavelmente grandes, bagunçado-os ainda mais - TANTOS GAROTOS E GAROTAS PARA VOCÊ SE APAIXONAR E ESCOLHE JUSTAMENTE MEU PRIMO?

O desespero na voz do acastanhado era nítido, o que me deixava curioso, pois este claramente parecia esconder algo enquanto meu medo crescia

- Eu sei que ele tem problemas, mas você mesmo disse que está se tratando e... - Taehyung sacudia a cabeça, descrente - É por causa do Yugyeom?

- Jimin... - arfou, deixando os ombros caírem enquanto fechava os olhos - Vernon não existe mais, ele morreu à alguns anos!

- Ma-mas ele... - encarei seus olhos focados em algum ponto no chão, vazios - Então... realmente tudo que aconteceu foi efeito do medicamento e da droga?!

- Na verdade não, é algo mais complexo... - o mesmo pareceu enigmático, ao estalar a língua ajeitando a postura ao me encarar -  Mas, desista Jimin! É perda de tempo você tentar algo com Jungkook!

- Sei... - falei, cruzando os braços - Porque?

- Porque?! - o vi aproximar-se irritado, com seus olhos cerrados - Tudo que você viu, não foi suficiente?! - neguei com um menear da cabeça, enquanto ele revirava os olhos, transtornado - Se eu não conseguir lhe afastar, ele próprio irá fazer isso e quando você descobrir a razão... não me procure, por favor!

- Então porque simplesmente não me diz o motivo? - perguntei, vendo-o se distanciar - Me responda!

- Simples, ele gosta de falar pessoalmente! - sua voz ecoou antes da porta bater, me deixando sozinho, com meus pensamentos turbulentos


Continua...



Notas Finais


"Um beijo gostoso que prende🎙

Seu jeito na cama me rende🎶

E o olhar safado que chama🎤

E uma pegada que desgrama🍻

Me diz como é que não te ama''🐃


👩‍💻EXTRA, EXTRA: O bar da esquiba tornou à abrir, mas raramente só que meu vizinho não perdoa... Mesmo na quarentena as músicas de chifre e baixaria são eternas...🔥 ALGUÉM METE UM PEDAÇO DE PAU NESSE HOMEM🔥😭

✨Farei o possível pra retornar logo ✨Mas, pessoal, minhas crises tem sido mais frequentes, meu psiquiatra aumentou e mudou algumas das minhas medicações, meu tratamento está sendo bem conturbado, então entendam quando digo que posso realmente demorar... Ou não... Tudo dependerá da situação! 😭☹️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...