História Turning Page - Capítulo 1


Escrita por: e dudsichida

Postado
Categorias David Luiz, Edinson Cavani, Isis Valverde, Neymar, Yanna Lavigne
Personagens David Luiz, Edinson Cavani, Isis Valverde, Neymar, Personagens Originais, Yanna Lavigne
Tags Drama, Edinson Cavani, Ficção, Futebol!, Jornalismo, Neymar, Psg, Romance
Visualizações 129
Palavras 4.486
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente o/

Apareci aqui rapidinho pra deixar esse bebezinho inspirado pela entrevista mais linda de um jogador que já vi na vida. (Vou deixar o link da carta nas Notas Finais, blz?)

Recadinho: A fic é um futuro final alternativo de uma fanfic que ainda não foi postada aqui no Spirit, mas que logo logo vai aparecer aqui pra vocês. Essa fic futura engloba como personagens Neymar, Cavani e seus pares respectivos, Duda e Thaís, logo após a contratação do camisa 10 pelo PSG.

Ultimo recadinho: em poucos dias tem mais fic desse universo, por isso, fiquem de olho nas notas finais.

Capítulo 1 - Quer ser meu gelato pra sempre?


 

 

I’ve waited a hundred years.
But I’d wait a million more for you.
Nothing prepared me for
What the privilege of being yours would do.

- Sleeping At Last

 

 

Estádio Olímpico de Fisht - Sochi, Rússia – Sábado, 30 de Junho de 2018.

O chão sob os meus pés vibra e só por isso sei que foi real. A onda de adrenalina joga meu corpo para cima levando minhas mãos até a boca, desacreditada. Tudo o que eu sinto é a eletricidade atravessando meu corpo, arrepiando cada célula de epitélio que encontra. Sou banhada pelo frenesi, sinto-me ensopada por um orgulho que jamais imaginei sentir em toda minha vida. Mesmo após todos os jogos de futebol que assisti.

- Foi gol, Tatá. FOI GOL DO SEU URUGUAIO. – Meus olhos deixam o estádio e o dono do gol, indo em direção á garota ao meu lado. Maria Eduarda rodeia os braços pelo meu pescoço e eu sorrio emocionada, sua barriga toca minha cintura e eu tomo mais cuidado ao abraçá-la de volta. Volvo a atenção pelo campo para observar Edi correndo até o lado oposto em que estamos e, em seguida, sendo abraçado pelos companheiros de volta. Seu rosto aparece no telão e seu sorriso me traz lembranças que preferia pessoalmente que ficassem onde estavam até agora. No passado! Minha vista como uma janela embaçada, se enche com lágrimas que nunca foram choradas, essas as quais deviam ter caído no momento certo. Como quando Edinson deixou minha casa na nossa última conversa, assim que soube que eu havia mentido para ele.

Ao descobrir toda a verdade sobre nosso “relacionamento”.  

Naquele dia seu semblante não era o que vejo hoje pelos telões do estádio, sua íris negra parecia com as jabuticabas que sobravam no pé, miúdas, murchas e secas. A testa do jogador formava um escudo para si, foi ali que eu provei da raiva de Cavani, o atacante, assim que parti o coração de Edinson. A gana que o movia dentro de campo, também o fez se movimentar contra mim, contra nós. Depois de tudo, perdê-lo parecia o certo, era errado lutar por ele quando tudo o que eu fiz foi coloca-lo dentro da minha avalanche de mentiras. Edinson tinha que se afastar de mim e isso foi o certo por um bom tempo, eu tive todas as oportunidades para me aproximar dele depois, dentro do PSG, porém meu medo foi maior que as saudades guardadas em meu peito.

Agora, no meio da multidão, ama-lo como um herói era mais do que certo. Era o que eu precisava. Houve minutos de terror durante o primeiro tempo, momentos em que a ex-amiga do atacante voltava até mim e eu o xingava por errar um chute a gol. Maria ao meu lado berrava à Cristiano e, só assim, eu conseguia sorrir.

– Você tem a boca muito suja para uma grávida. – Segurei seu braço quando ela tentou levar o dedo do meio para o alto, mais uma vez, impedindo-a.

– Estou grávida, não doente. – Ela me devolve a língua.

– Aprendeu isso com seu namoradinho também? – Elevo as sobrancelhas inquirindo sobre Duda uma fineza que eu não tenho, por que logo em seguida o português quase enfia a bola no gol à nossa frente e eu grito pela sua mãe. É a vez de Maria Eduarda me encarar com as sobrancelhas erguidas. – Essa eu aprendi com Neymar, o poliglota. – Defendo-me com as mãos pra cima, fazendo nós duas rirmos.

Os torcedores uruguaios ao meu lado se agitam assim que me recupero da crise de risada e caço com a visão a bola, essa por sua vez está muito próxima do gol uruguaio, porém o corte é feito com sucesso, sem perigo. É dessa forma que segue todo o primeiro tempo, meus olhos fixos sobre um único jogador, enquanto a jornalista ao meu lado praguejava os Portugueses e vez ou outra se sentava cansada sobre a cadeira do estádio. Conclui que mal consegui deixar meu corpo escorregar pela cadeira, passei o primeiro tempo todo em pé, as mãos cruzadas unidas em meu peito, fazendo orações e afirmações desconexas.

Quando o árbitro apitou para o intervalo, senti minhas pernas pesarem e eu me sentei ao lado da minha amiga grávida. Seus olhos denotavam cansaço e eu me senti mal por ter carregado-a até aqui, por outro lado ela parece ter notado o mesmo olhar em meu rosto, porque tudo o que fez foi tirar a garrafa de água da sua boca e entregá-la a mim. Nós conversamos amenidades até que os jogadores voltassem ás suas posições e o jogo retornasse, vi os atacantes do Uruguai poucas vezes no campo do adversário, que agora era na nossa frente, eles pareciam muito mais pressionados nesse segundo tempo. Levei a mão a boca, roendo a unha do indicador. Duda pareceu perceber minha aflição e pôs-se de pé ao meu lado, pronta para tagarelar.

– Você decidiu se vai falar com ele hoje? – “Não tá me ajudando com o nervosismo assim, amiga.”

– Acho que ainda está muito cedo, Duda. – Tiro os dedos da boca, apertando-os contra minha palma, cerrando os punhos.

– Ele já confirmou ao PSG que irá voltar? – Sua voz parece uma navalha em minha direção. É verdade que Edinson ainda não confirmou à diretoria se continuará vestindo a camisa 9 da cidade luz.

– Ele tem um contrato.

– O qual pode muito bem ser quebrado. – A jornalista tem razão, mas dizer a Edi tudo o que tenho a dizer, seria quase como pedir pra que ele ficasse no Paris Saint Germain. E mais uma vez meu interesse profissional se infiltraria no nosso relacionamento. Acima do desejo que nutro, existe a ética.

– Eu não posso... – Murmuro assistindo à mais uma bola perigosa invadir a grande área uruguaia.

– Te entendo, Tatá, mas me sinto muito culpada por tudo, - Ela alisa a barriga de quase 6 meses e meus olhos vão de encontro com aquele pedaço volumoso do seu corpo, em reprovação ao que ela diz. – E não posso te ver sofrendo sem fazer nada.

– Você não tem que se sentir culpada, amiga, - Meus dedos buscam os seus com uma das mãos, enquanto a outra acaricia a pequena Luna. - Fui eu quem começou tudo.

– Fala isso porque não é você quem está carregando o motivo da separação da sua melhor amiga. – Cabisbaixa, sua voz sai como um sopro. Seu olhar triste me atravessa e eu aperto mais suas mãos.

– Se eu estivesse carregando um bebê, não teríamos o motivo. – Suspiro depois desse muxoxo, abraçando aquela que se tornou parte de mim em tão pouco tempo.

– E se a gente deixar o Edinson escolher? – Afasto-me dos braços dela encarando seus olhos caramelo.

– Como assim, sua doida?

– Se o Uruguai vencer este jogo e se classificar, você vai ter que tomar coragem para enfrentar Edinson Cavani no Hotel e dizer que sente muito a sua falta.  – A jornalista despeja sobre mim o seu maior sorriso, seus olhos brilham em excitação pelo seu plano. Parece que ela conseguiu me convencer usando à coisa que mais confiamos na vida, destino. Porém outra ideia surge em minha mente e meu corpo ferve com a possibilidade de estar novamente próxima a ele, aquele que me ensinou como amá-lo e que me amou de volta, aquele que eu magoei quando o que eu mais queria era viver um amor imensurável.

Eu vou ser seu gol do sorvete. – Prendo os lábios com os dentes pra conter a euforia, não quero demonstrar tudo isso à Duda, porque se der errado, ela não precisa se preocupar tanto. Contudo, se der certo, meus amigos, eu vou chegar chutando o pau da barraca. Prometo pela garotinha dentro do ventre de Maria Eduarda que, caso Edinson Cavani faça o último gol da partida, mesmo sem a classificação, irei até ele, carregando um pote de sorvete. O porquê disso? Ontem, foi publicada uma carta aberta do jogador para ele mesmo quando pequeno e nela ele contava sobre o golo de gelato, uma espécie de estimulo que era dado aos jogadores da sua época em Salto em forma de sorvete.

- O quê? Isso é um sim? – Maria parece não ter entendido o que eu disse e eu apenas confirmo com a cabeça num abano. 

Eu sequer termino de balançar minha cabeça com meu mais novo plano, e do outro lado de onde estamos, as redes balançam para Portugal num escanteio curto que chega até a cabeça de Pepe e adentra o gol uruguaio, pondo fim nas minhas esperanças e desculpas de ser o prato da vitória de Cavani. Ao longe o meu jogador faz aquela careta de emoticon com os dentes para fora como se estivesse entendendo o que está em jogo aqui. Mesmo que o que esteja em jogo mesmo seja só a classificação do seu país. O que é realmente mais importante.

Há um turbilhão de sentimentos em mim agora, parte deles de culpa, algo que em toda a minha vida eu nunca havia sentido, em nenhum dos meus relacionamentos passados. Observo com atenção ao redor, observando a aonde vim parar, há ações em meu nome o suficiente para me fazer comprar o lugar mais caro desse estádio, mas estou aqui, na arquibancada, buscando me esconder na multidão. Meus joelhos falham miseravelmente e eu me rendo jogando o corpo sobre o banco, cansada demais do meu próprio drama.

– Calma, Thais, ainda dá tempo. – Duda cochicha para mim, escorando-me em seu ombro.

– Tá tudo errado, Duda. Essa pessoa que fica choramingando pelos cantos, com pena de si mesma, não sou eu. – Ergo o rosto para encará-la, destemida e feroz como uma leoa. – Vesti essa mulher para Edi e, na hora em que mais precisei ser essa mulher foda, me encolhi.

- Não tá certo mesmo não.

- Você sabe por que eu me encolhi, Duda? – Ela maneia a cabeça em negativo, ainda com os braços envolvendo o meu. - Eu tava acostumada com um amor mais ou menos, que quando eu senti tudo isso pelo Edinson eu pirei. E quando ele foi embora, eu aceitei por simplesmente não achar certo amar alguém desse jeito. – Minha amiga sorri pra mim, e eu sinto todo o amor e carinho que ela tem por mim, como irmãs de alma. – Eu vou procurá-lo, já tá decidido. – Faço minha pose de super-herói e observo Duda bater palmas, sinto um calor tão grande em meu corpo que é possível eu entrar em campo para apagar minhas chamas no corpo ensopado do camisa 21. - Não tem essa de destino escolher por mim, não. A partir de agora sou eu quem decido. – Agarro a jornalista pela mão e ela pula ao meu lado, repetindo ao que canta a torcida vestida de azul celeste.

Eu mal pouso os olhos sobre a bola e percebo a movimentação até o gol à nossa frente. O Uruguai sobe até onde estamos com a bola numa velocidade tremenda e em segundos a bola cruza o campo, Cavani está totalmente aberto aqui pela esquerda e ele ajeita o corpo pra mandar um belo chute pra dentro do gol. Meus braços vão para o alto em comemoração e eu pulo abraçada ao corpo de Duda, Edi corre até esse lado da torcida, vibrando conosco, seus olhos correm por todos, em agradecimento e quase sinto que eles trombam com os meus, fecho os olhos e quando os abro, há uma penca de jogadores comemorando sobre o corpo do atacante.

–  Acho que o destino quer escolher por ele mesmo, Tatá. – O momento do gol é tão mágico que eu nem me lembro do que aquilo significa, não fosse pelo que Duda me sussurrou. Mais uma onda de arrepios me invade, mas dessa vez sinto vontade de chorar. Não de tristeza, não de felicidade, não de alivio, mas sim de gratidão. O destino se encarregou de dar seu empurranzinho quando eu já havia me decidido sobre o que eu estava sentindo. Ele estava esperando pelo meu tempo certo, porque tudo tem um tempo certo.

 

 

. . . . .

 

Hotel da Seleção do Uruguai - Sochi, Rússia – Sábado, 30 de Junho de 2018.

Transpasso a chave-cartão pela maçaneta da porta e a porta abre quase como mágica. Ao que as luzes se ascendem revelam a beleza do pequeno apartamento. Atravesso o batente carregando uma pequena mala de mão, nela há produtos básicos de higiene e poucas peças de roupas pra mim e para Maria Eduarda. Caminho pelo pequeno hall observando os detalhes em dourado, os lustres e as luzes por todos os cantos. Duda parece encantada demais com o piso do lugar, suas mãos voam até o bolso da calça em busca do celular, mas retornam até sua boca quando ela entra no banheiro. “É maior que nosso apartamento, Thais.” Ela murmura baixinho.

– Você é mãe da filha de um dos maiores jogadores do mundo, já devia estar acostumada. – Digo ao encontrar nosso quarto, jogando-me no colchão mais fofo que encontrei pela Rússia. Ela ralha comigo ainda dentro do banheiro, soltando um palavrão qualquer, me fazendo rir. Essa é a única pessoa que pode falar milhares de palavrões e continuará sendo fofa. E é nisso em que mais somos diferentes, as pessoas me descrevem como metódica, presunçosa e que se veste com coisas caras, já Maria é carismática, engraçada e espalhafatosa. Viemos de lugares totalmente diferentes, temos personalidades diferentes, mas pelo amor ao futebol nos unimos.

–  Fala sério, –  Abro os olhos quando minha amiga adentra o quarto e se joga ao meu lado no colchão, fazendo-nos balançar. Ela se vira pra mim, apoiada sobre um dos cotovelos e sorri para mim. –  Não foi nada difícil se hospedar aqui. Tá muito fácil pra qualquer um chegar perto dos jogadores, desde fãs até jornalistas. – Dou um sorriso de canto com seu jeito de falar porque a imagino tentando fazer o mesmo em copas passadas, como jornalista e como fã também.

– É lógico que tá fácil, amiga. – Apoio as mãos sobre a barriga, fechando os olhos. – Você ta comigo!  E eu tô com o cartão do Nasser. – Ela se joga completamente na cama ao meu lado. – Me pede o mundo que eu te dou. – Sua risada explode com uma intensidade absurda, seguida de um ataque de tosses. Duda se levanta pra tossir e rir, tudo ao mesmo tempo, já eu paro de rir pra buscar água pra essa grávida desnaturada.

– Comprou o sorvete? – Quando retorno ao cômodo ela já está completamente arrumada sobre os travesseiros, pronta para dar um longo cochilo.

– Comprei, mas acha que isso vai dar certo? – Entrego o copo em suas mãos e a observo beber o líquido.

– Se eu acho? – Maria mal retira o copo da boca pra me responder. – Tatá, eu tô até vendo aquele uruguaio te puxando pra dentro do quarto e te beijando só por você tá segurando um pote de sorvete. – Mordo meus lábios inconscientemente relembrando todas às vezes em que estava encaixada nos braços fortes do jogador. Duda me lança um olhar atrevido por ter me pego pensando naquilo, e eu agarro o copo de suas mãos dando às costas para a garota.  – Era isso que eu faria se o Júnior estivesse aqui.  

– Como se fosse fácil assim... – Suspiro levemente derrotada, a ansiedade já dá sinais de vida em meu corpo. – Você precisa descansar, – Ando pelo quarto fechando as cortinas, ligando o ar condicionado e cobrindo-a. - vou me arrumar. - Desço os olhos para o relogio de pulso, checando a rua pela janela. – Até a seleção chegar no hotel e os jogadores irem para os seus quartos vai demorar um cadinho. – Escoro no batente, pronta pra apagar a luz. – Me mande mensagem se precisar de algo, tá? – Não espero pela sua resposta e já estou quase fechando completamente a porta.

– Tatá? – Murmuro em resposta, imóvel. – Boa sorte! – Aceno com a cabeça mesmo que ela não possa ver, meus olhos se enchendo de lágrimas. – Você está no caminho certo. Edi te ama, de todo o coração, eu sei disso e você também sabe. – Minhas pálpebras se fecham involuntariamente e uma lágrima escorre dos meus olhos, eu contenho o choro para a minha amiga não me ver assim: frágil. – Eu sei que você está com medo, mas o medo não é real. O amor é! – A maçaneta escorrega dos meus dedos e eu encerro Duda no nosso quarto, na escuridão. Eu digo foda-se ao medo e o deixo dentro desse quarto para sempre, somos nós que escrevemos nossa história e eu preciso de Edinson pra escrever essa parte da minha, esteja ele ou não comigo. Isso eu só descobrirei mais tarde.

 

. . . . .

 

Quarto 0421, Hotel da Seleção do Uruguai - Sochi, Rússia – Sábado, 30 de Junho de 2018.

Entreabro os lábios e cerro os dentes. Respiro através da abertura e sugo o lábio inferior, prendendo-o entre os dentes, sem um propósito definido. A pressão feita ali arranha-me, torna a superfície visível da minha boca mais quente, avermelhada. Eu olho para os lados agora, a procura de uma saída, uma desculpa para a fuga. Os seguranças nem ao menos dão conta da minha presença, isso depois de uma gorjeta bem gorda e mais o extra pra que eles me dissessem qual era o quarto do atacante cabeludo.

Edinson Roberto Cavani Gómez tinha um preço muito alto para ser conquistado na Rússia.

Ergui um dos pulsos para cima, fechando o punho desta mão para bater à porta. Conferi o pote de sorvete no outro braço e sorri ao lembrar como foi difícil ler o nome do sabor em russo, creme foi o único que consegui identificar dentro do congelador. O segurança pigarreou e ao longe eu ouvi vozes vindas do corredor adjacente, era agora ou nunca. Por um impulso impensado meus dedos se chocaram com a madeira maciça da porta. No mesmo segundo meu estômago se revirou, trazendo à tona borboletas que nunca existiram, minhas pernas bambearam com a responsabilidade de reivindicar meu espaço na vida de Edi. Respirei fundo e ergui meu queixo para cima, reconfigurei a roupa em meu corpo, recuperando o controle e a calma. Subindo sobre minha postura altiva, quase intocável.

A porta se abriu num rompante, forçando o ar ao nosso redor, jogando meus cabelos para trás. Edinson subiu os olhos até os meus, suas íris de um castanho escuro, me fitaram por um longo segundo. Busquei em seu rosto a mesma carranca que encontrei quando minha farsa foi descoberta, mas não encontrei. Ao contrário, Cavani sorria. Um sorriso alegre e renovado, que se expandia por suas covinhas até os olhos, os quais brilhavam com uma intensidade sobrenatural. Assim que me reconheceu, o que não demorou nem um segundo, suas sobrancelhas se curvaram em surpresa. Minha mente pipoca em delírio tendo-o tão perto de mim. A muralha que eu havia criado ao meu redor desmorona. E eu sorrio totalmente sem graça ao que ele se apoia entre a porta e o batente, deixando todo seu perfume me atingir.

– E-Eu trouxe sorvete! – Eu gaguejo ao tentar falar, por isso estico o pote em sua direção. Ele não se move ou expressa qualquer reação, seus olhos percorrem o caminho do meu rosto até minha mão seguidas vezes. Quando solta um muxoxo é quase um sorriso e ele abafa o som com a mão sobre o nariz, aproveito do espaço que surge entre seu corpo e a porta e adentro o quarto.

– Hey... – Resmunga quando não me encontra do lado de fora. – O que você faz aqui, Thais? – Ele me segue, encaro-o de volta esperando que ele me segure de algum modo, apenas pra que eu sinta seu toque. Não posso deixar de observa-lo, fotografando-o com minhas íris, seu cabelo está mais escuro do que quando o vi pela última vez e... Meu Deus, Cavani está vestindo um terno? Meus olhos correm todo o seu corpo em regozijo, porque ele fica extremamente apetitoso quando veste esse tipo de traje.  Meus olhos caem sobre suas pernas e eu me recordo da saída de Edinson pouco depois do último gol da partida, franzo o cenho para a panturrilha machucada, quase tomando sua dor como minha.  

– Como você está? – A pergunta escorrega por meus lábios, mordo-os uma vez mais, raspando a garganta para fazer a próxima pergunta. – Quer dizer, como está sua perna? – O jogador caminha mancando até a parede distante de mim, escorando o corpo sobre o móvel que corre toda a extensão do quarto, agregando a televisão, frigobar e maleiros. Edinson responde minha pergunta com um aceno de cabeça e cruza os braços sobre o peito, esperando o que quer que seja de mim. – Eu trouxe sorvete... – Repito. – Achei que fosse gostar. – Estou entre Edi e a cama, mais próximos do que já estivemos nesses quase dois meses. Dou um passo até ele, ao que o jogador estica os braços para capturar o sorvete. – Esqueci as colheres! – Bato a mão na testa, fazendo o jogador rir levemente. Isso nos assusta, tanto a mim quanto a ele, somos surpreendidos pelo barulho da sua risada. Seus olhos procuram os meus e nos encaramos cúmplices, como sempre fomos.

– Você tá diferente, Tatá. – Cavani tira de trás de si, uma única colher, abre o sorvete e leva-o até a boca. Sem cerimônia alguma. - Leu minha reportagem?

– Eu li, sim. – Edi me oferece a colher e eu me aproveito disso pra escorar no móvel ao seu lado, repetindo seu gesto até provar do sorvete russo. – E estou chateada com você. – Suas sobrancelhas se erguem em interrogação, enquanto ele leva mais uma colherada até a boca. – Eu sou alguém do PSG.

– Sim, eu sei, só não queria misturar o que a gente tinha com...

–.... Meu trabalho. – Completo sua frase que ameaça ficar no ar.

– Uhum. – Nós ficamos em silêncio por um bom tempo, e enquanto dividimos a mesma colher e o mesmo pote de sorvete isso é confortável. De uma forma que nossa relação sempre foi quando estava estressada com algo era só ficar ao lado de Edi, que uma calmaria profunda invadia meu ser. – Sabe, tenho quase certeza de que te vi lá hoje. – Em um descuido, quando passa o pote para mim, Edison leva a mão até minha boca, limpando resquícios de sorvete ali. Meu corpo se arrepia com uma corrente elétrica sem fim e pra evitar agarra-lo antes de tudo o que temos pra conversar, enfio mais uma colher na minha boca.

– Eu estive lá... – Dessa vez eu seguro o pote firme, e Cavani pega apenas a colher. Não escondendo a cara de surpresa com minha resposta seguinte. – Estive em todos os seus jogos, na verdade.

– E porque resolveu vir me procurar justo agora?

Essa era a pergunta que eu estava esperando desde que coloquei em minha cabeça que viria procurá-lo. Sugo ar com meus lábios e sinto o coração bater um pouco mais apertado, ansioso. Deixo o sorvete de creme nas mãos do jogador e desencosto o corpo de onde estou. Procurando ficar ao máximo de frente para Edinson.

– Bem, essa é uma longa história sobre deixar o destino escolher e sobre eu mesma tomar as rédeas daquilo que sinto. – Meu interlocutor parece atento e deixa o pote sobre a bancada às suas costas. Limpando seus lábios com a língua, o que me desconcentra mais do que eu gostaria de admitir. - Mas não vou te contar tudo hoje. – Balanço o rosto para afastar os pensamentos impuros que começam a pipocar em minha mente. Num impulso eu agarro seus antebraços e por reflexo, Edi, agarra os meus também. Encerro nosso mundo dentro do nosso olhar, como uma via de conexão até um planeta próprio. – Correndo o risco de ouvir você me dizer que não me quer mais e que já tem outra uruguaia no pedaço. – Ele sorri zombeteiro e eu ralho com ele. – Edinson, eu sou o seu gelato, tenho que ser a coisa que você mais almeja no final do jogo. E eu não quero ser menos que isso.

– Isso é comercial de sorvete?

– Eu to me declarando aqui, dá pra me levar a sério seu idiota? – Seguro meus lábios para não rir junto com ele, porque este é um indício de que já está tudo bem entre nós dois.

- Desculpa, Chefinha! – Cada vez mais estou mais próxima do seu corpo, pouco a pouco o atacante me trás para perto de si. Ele abre as pernas e eu estou entre elas, próxima de mais do seu rosto.

- Você se tornou meu melhor amigo, meu melhor amante e... meu maior amor. – Suspiro ao dizer tudo isso, tudo que eu mais queria dizer á ele. Seus olhos passam de serenos e brincalhões para algo mais emotivo, Ed ergue as sobrancelhas e sei que ele parece engolir o choro. – Logo para mim que tava acostumada com uma porção de amores tortos, você fez a maior ventania e bagunçou tudo, Cavani. – Solto um dos meus braços para acariciar seu rosto, com o braço livre Ed agarra minha cintura, fazendo nossos corpos chocarem-se. – Quando você foi embora eu simplesmente aceitei, entende? – É minha vez de segurar o choro, mas eu me lembro das vezes em que fiz isso, por isso permito que algumas lágrimas caiam. - Porque eu não achei que merecia todo o seu amor. – Ele limpa suas próprias lágrimas com as costas da mão e retira algumas minhas. – Desculpa por não ter lutado antes pela gente. – Afundo meu rosto em seu pescoço e Edi me abraça, beijando o topo da minha cabeça seguidas vezes. Ficamos nessa posição até que não haja mais nenhuma lágrima em nossos rostos.

– Thais! – Cavani empurra meu corpo gentilmente, afastando-nos. - Tatá, pega o sorvete. – Eu seguro o pote sem entender entre as mãos, quase como uma noiva segura um buque de flores. – Você quer ser meu gelato para sempre? – É impossível não sorrir ouvindo uma pergunta dessas. Mais uma vez trocamos os velhos olhares de companheiros de um crime perfeito, como sempre fomos antes do término.

– Eu nem cheguei na parte em que eu te pedia desculpas pela confusão que eu causei pra você antes da Copa e.... – Retorno a falar feito uma matraca, sentindo seus dedos pousarem em meus lábios.

– Para de se desculpar, mulher. – Cavani atravessa os braços por meu corpo, sinto os gominhos do abdômen tocarem o meu corpo e me arrepio em pensar que logo poderei escorregar às mãos por ali livremente. – Eu te amo, Tatá. Só espero que a gente possa seguir uma relação saudável e verdadeira a partir de agora. – Aceno com a cabeça, beijando meu mindinho em sinal de promessa.

– Pergunta de novo, uruguaio.

– Você quer ser meu gelato pra sempre?

– Na vitória e na derrota estarei sempre aqui.

– Agora eu posso fazer o que eu queria desde quando você apareceu na porta. – Em meu rosto surge uma interrogação que não dura mais que o espaço entre meu rosto e o do jogador, logo seus lábios estão sobre os meus, num beijo calmo e sereno, cheio de saudades e que dá início a muito mais de onde vieram esses. 


Notas Finais


|link da carta na integra do jogador Cavani para o Edinson de 9 anos| https://www.theplayerstribune.com/en-us/articles/edinson-cavani-uruguay-carta-a-mi-mismo-de-pequeno

|link de fanfic Duney| Carregando...


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