1. Spirit Fanfics >
  2. Twice - MICHAENG - Behind the Mask >
  3. Capítulo 16

História Twice - MICHAENG - Behind the Mask - Capítulo 16


Escrita por:


Capítulo 16 - Capítulo 16


 No sábado, me levantei cedo e preparei o café de Mina, deixei na cama ao seu lado após observá-la o máximo possível. Escrevi um bilhete explicando que eu precisava ir ajudar a organizar a decoração e que a veria no almoço.

O tema florido ficou absurdamente lindo, estava tudo perfeito, principalmente a trilha sonora. Eu queria dançar Thinking out loud com ela no meio daquele salão, colar nossos corpos e afirmar o quanto eu a amava em cada passo.

Lembrei de como foi na nossa primeira dança, o flashback cruzou minha mente, céus, ela era divinamente incrível. Tudo que tínhamos vivido até ali foi significativo e me mudou totalmente, eu era outro ser humano, agora mil vezes melhor e estava tão presa a ela que doía. Revi nosso primeiro beijo, quando confessamos estar apaixonadas, o primeiro encontro e seu pedido de namoro. Segurei o colar com a estrela cadente e pedi que ela estivesse sempre comigo.

No almoço, eu a encontrei no restaurante favorito dela, ainda não havia a levado lá, foi a oportunidade perfeita. Ela estava animada, cabelos presos num coque e roupas mais leves já que o frio havia diminuído.

_Sua mãe é um doce. -Disse quando nossos pratos chegaram. _Ela disse que sou um anjo, como você mesma diz -revirou os olhos. _e disse que algumas coisas nós não entendemos.

_Mamãe tem disso, ela faz parte de um grupo de religiosos que, sei lá, me assusta às vezes. -Sorri sem jeito. _Estou ansiosa por hoje a noite.

Depois disso, a deixei em casa, Mina me beijou demoradamente antes de entrar e foi abraçar seu pai que acenou para mim. Voltei para o campus e continuamos com os preparativos.

As cinco tudo estava pronto, eu fui até em casa me aprontar e tornei a voltar. Eu e Mina conversamos pelo Whatsapp, ela mandou um áudio dizendo que estava saindo de casa, eu já a esperava no baile que começou com tudo. Muitos estudantes chegaram, inclusive novatos, todos elogiaram o espaço e eu vi Nayeon chegar com Tzuyu, Momo e Heechul.

A primeira música começou, eu estranhei a demora de Mina, aguardei mais, só que foram quase quinze minutos e eu havia mandado vários áudios. Ela não visualizou nenhum.

Ouvi meu celular vibrar e saí dali, meu vestido era justo e eu estava com sapato baixo. A voz trêmula de Kai me fez sentir um pavor quase diabólico. Com aquilo, voltei para dentro, contei o que houve para Sana e os outros, eles entraram comigo no carro e eu dirigi em alta velocidade até Myeongdong, quando parei, desci na portaria principal do hospital e vi Akira abraçado ao seu pai, ele chorava muito enquanto Kai aguardava perto de um rapaz de jaqueta preta que chorava e tremia. Daniel e Jihyo haviam acabado de chegar.

_Como ela está? -Perguntei, Kai balançou a cabeça.

_Eu sinto muito, Chae.

Eu ri sem a mínima graça.

_Pelo que você sente, Kai? -Perguntei tremendo.

_Nossa Mina se foi.

Senti como se centenas de facas me cortassem, meu coração se desfez em milhares de pedacinhos minúsculos. Eu vi Daniel passar as mãos na cabeça, o rapaz da jaqueta preta tinha as mãos cheias de sangue, eu notei, eu procurei um ponto de apoio e não tive. Segurei o choro, não era possível, era... era o nosso momento, estávamos bem.

Eu senti braços ao meu redor, era papai ali, era como se a dor fosse física e por isso chorei sem querer, eu me sentia fraca demais para me mover e ele me sentou.

Tudo estava cinza, sem cor, sem cheiro, sem nada. Não havia nada. Minha alegria se desfez totalmente, minha vontade de viver se desfez.

_Temos 0,3 na escala Glasgow. -O médico falou, eu sabia o que era aquilo, era como se houvesse uma força maior dentro de mim.

_Se esperarmos ela não vai reagir? -Questionei.

_As chances são nulas. -Ele suspirou. _Eu estou com os papéis para a doação dos órgãos, preciso de um familiar de maior e-

_Não. -Eu me levantei, eu ainda tinha forças. _Você não vai desligar os aparelhos.

_Acabamos de dar entrada com ela na UTI, medimos a atividade cerebral, não há resposta, não há estímulo, ela teve traumatismo craniano. -O médico disse com calma, olhou em meus olhos com pena.

_Deixe ligado. Eu pago o tempo que for, pago o aparelho que for, mas deixe ligado.

Todos ficaram em silêncio, tirei um cartão que eu tinha, era um black card que papai me deu quando eu tinha 15 anos.

_Passe o que quiser, mantenha os aparelhos.

O médico não tocou no cartão, apenas nos reverenciou e saiu andando, eu me sentei e fiquei ali até que o médico voltou e disse que ela estava em um quarto especial onde eu poderia ir. Fui e a vi no vestido que havíamos escolhido, ele estava todo sujo de sangue e havia uma faixa em sua cabeça. Um aparelho mantinha seus órgãos funcionando.

Eu sentei na cadeira de acompanhante e chorei, não aguentei vê-la daquele jeito. Estava tão bem horas antes e agora... Eu não tinha condições de seguir sem ela, eu não tinha estrutura. Ela se tornou eu, éramos uma, ela cantou sobre isso. Não tinha volta. Eu iria esperar sempre, foi uma promessa. Segurei o colar da estrela cadente e pedi.

_Minari, eu falaria sobre isso com alguém, mas essa pessoa seria você. -Falei segurando sua mão. _Volte para mim, você não pode me deixar assim, pelo amor de Deus, só temos vinte anos, Mina. Me deixe quando tiver cem anos, eu preciso de você.

Um dia se passou, nada. Conversei com ela.

Dois dias, nada. Três, quatro, cinco, seis, sete, eu perdi as provas, eu não conseguia comer direito, eu só conseguia segurar sua mão. Eu não conseguia fazer nada sem ela, eu não podia respirar sem Mina. Eu conversava com ela, mas não havia resposta.

Eu passei vinte anos sem saber que ela existia, mas sem ela era difícil viver por vinte dias.

Ajeitei a cadeira de acompanhante e segurei sua mão. Estava difícil demais.

_Ouça. -O médico entrou no oitavo dia, meus pais e o pai de Mina estavam ali. _Já faz mais de uma semana, as chances de resposta são nulas. Não prolongue sua dor.

Dor. Eu aprendi até sobre dor com Mina, acabei sorrindo entre o choro e nem me dei conta que chorava. Senti tanta dor naquele momento que solucei sem força alguma, olhei seu rosto sereno mais uma vez, até naquela roupa de hospital ela ficava linda. Sua aliança estava ali, eu a beijei e coloquei sua mão sobre sua barriga.

_Não vou desligar.

_Temos que desligar. -Akira disse entre o choro. _Sinto muito, querida, Mina não iria querer isso.

_Ela é parte de mim, eu sei o que ela iria querer. -Soltei com certa raiva, meu pai segurou meu ombro e eu o encarei, saí dali com raiva e chutei a maldita lixeira do corredor.

Fui para a recepção, Daniel estava ali com Jihyo, Sana e Nayeon. Eu não tinha os visto mais, eu estava horrível pelo que vi no reflexo do vidro da recepção. Não consegui encarar Daniel, não consegui segurar o choro e me sentei, Jihyo correu e me abraçou. Okay, eu estava em pânico. Eu nunca mais a veria, nunca mais a teria, nunca mais estaria com Mina, nunca mais.

Nunca. Nossa história interminável terminava ali e eu entendi meu Shakespeare: essas alegrias violentas têm fins violentos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...