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História TWICE - Natzu - 9 meses para te amar - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Mais uma fic curtinha, espero que gostem, compartilhe e digam o que pensam. 💜 Boa leitura 😚

Capítulo 1 - Storm


Im Nayeon

Eu estava em chamas. Havíamos treinado por mais de doze horas, estávamos abaladas pela notícia do disband e a frieza de JY em lidar com isso.

Construimos uma família de 9 nos últimos dez anos, tentamos de todas formas fazer tudo ir bem enquanto tínhamos forças, eu sabia que tínhamos garra, que tínhamos o que precisávamos, mas não era bem assim aos olhos da gerência.

Da minha posição, com quase trinta anos, eu não podia imaginar que de todos os pesadelos da minha vida, aquele era o que estava se tornando real.

Enquanto me encarava no espelho da sala de prática, um flashback de tudo que vivemos passou pela minha cabeça, desde que entrei na empresa até o sixteen e ao momento em que eu deixei de ser Im Nayeon sozinha e passei a ser Im Nayeon do Twice.

Eu não me via sem elas, era como existir sem realmente existir. Me perguntei como Jéssica teria lidado ao sair sozinha, será que doeu tanto lutar por seus direitos quanto doía não ter pelo que lutar porque você não tinha chance?

Não era uma comparação justa, eu sabia, só que não havia mais com o que comparar. Meu maior medo era nos afastarmos, seria como se eu tivesse todos os meus dias convertidos em uma massa cinzenta sem cor, sem vida, apenas uma bolha vazia.

Respirei fundo. Deus, eu não estava pronta para deixar aquelas mulheres.

Como eu iria viver sem Dahyun fazendo aquelas caras todos os dias na mesa do café da manhã? Suas brincadeiras ridículas, tentativas de piadas frustradas. Como eu viveria sem Jihyo mandona, sem Momo reclamando de como o perfume de Sana era doce e Sana, como viver sem aquela risada contagiante todos os dias? Como eu iria me virar sem Jeongyeon me irritando, Mina sempre me inspirando apenas por existir e Chaeyoung me fazendo querer viver um dia mais só para ver qual será a próxima tatuagem ou sentir seu abraço quentinho.

E aquilo que mais me corroía, que doía quase nos ossos e eu era covarde demais para admitir.

Tzuyu.

Como eu faria sem ela? Sua expressão quase nula no fim do dia, a calma quase calculada, pensava sempre antes de falar, as vezes se atropelava com a língua e murmurava um xingamento em mandarim. Eu amava olhar seu lindo rosto enquanto ela dormir na cama ao lado da minha, amava observar sua dança e a voz suava ressoando.

Eu amava Tzuyu, essa era a realidade nua e crua.

Me sentei no chão da sala, elas estavam espalhadas ali, ofegantes. Olhei Tzuyu sentada no sofá, moletom branco, calça jogger, coturnos e os cabelos caindo como dominos.

Ela era a letra de gold rush da Taylor Swift e eu queria tocar na melodia que era o seu corpo, a massa que a compunha, queria cantar aquela letra com meus lábios como se saboreasse cada palavra da melhor forma possível.

Parece ridículo falar sobre isso, mas eu sinto essas coisas quando penso em Tzuyu, acho que já estava apaixonada no sixteen. Talvez antes, quando a vi pela primeira vez na empresa. Ela é tão linda, tão apaixonante, não é algo que se possa evitar.

_Você está bem? -Ouvia sua voz, ela me olhava com preocupação, eu assenti.

O tempo corria.

Eu me perguntava se um dia eu teria coragem de me aproximar e dizer o que sentia. Eu imaginava como seria dizer: hey Tzu, me perdoe, mas eu estou apaixonada por você.

Ela iria rir, claro, onde Chou Tzuyu iria olhar para a Unnie insuportável que tinha fama de pegar todos os caras da empresa? Apenas no universo onde eu era apaixonada por ela.

_Que saco. -Momo resmungou e eu despertei do devaneio. _Eu estou presa a você? -Segurava o telefone no ouvido. _Merda, Heechul, faça a porcaria que você quiser, estou cansada. -Ela desligou e bufou saindo dali sem dizer nada.

Sana estava abraçada a Jihyo, Dahyun abraçava Mina e eu percebi que Chaeyoung estava cabisbaixa. Ela havia dito que seu namoro não ia bem e estava prestes a terminar.

Talvez tudo estivesse fora de ordem.

Éramos parte de um cosmos, planetas, e naquele momento nossas estrelas estavam desalinhadas. Nosso sol estava ofuscado por nuvens escuras de uma tempestade que ficava cada vez mais próxima, eu podia ouvir os trovões, os raios que caiam hora ou outra e quando a chuva caísse, eu temia que não fossemos suportar a força, as enchentes e correntezas que tendiam a nos afastar.

Eu só queria ir para casa absorver alguns fatos e me surpreendi quando Tzuyu envolveu meu braço, era um dos dias em que ela deveria estar destruída de cansada e só queria ser mimada. Esse papel geralmente era de Jihyo, mas eu - assim como Tzuyu deve ter percebido - vi que Jihyo está tão ferrada quanto nós.

Eu a admirava por sua força, no seu lugar eu já teria surtado.

_Eu pediria para você me carregar. -Ela murmurou.

Eu ri, caminhei junto dela até o carro do staff e quando chegamos no dormitório, eu só queria um banho.

Tirei as roupas ainda no quarto, Tzuyu fez o mesmo, não tínhamos essa cisma, tomávamos banho juntas e pronto, só que é óbvio que eu reparava nela. Suas curvas eram como o traço perfeito para minhas mãos, seus seios médios soavam perfeitos para que eu tocasse.

Eu. Eu. Eu. Talvez daí viesse o maldito egoísmo.

_Banheira. -Ela abriu a torneira da banheira enorme, jogou sais quando a água caía e se sentou, esperando encher. _Você está calada demais.

_É cansaço. -Retruquei. _Me olhe para que eu não afogue. -Brinquei e ela gargalhou.

_Vem aqui. -Ela moveu as mãos.

Com certo receio e nervosismo, me coloquei entre suas pernas de costas para ela, senti seus seios tocando minhas costas, oh merda, eu amava senti-la perto assim.

_Você está tensa. -Começou a massagear meus ombros. _Relaxa, Unnie. -Falou com calma. Eu fechei os olhos e me rendi, ela conseguiu tirar toda a tensão até que a banheira estivesse cheia. _Estou saindo com Jooheon.

_Oh. -Eu murmurei. Que droga. _Espero que ele a trate bem.

_Por que está usando esse tom?

Eu nem havia percebido. Abri os olhos e me assustei ao ver que tudo em minha frente girava.

_Preciso sair. -Falei me erguendo, céus eu me lembrei de que não havia comido nada.

_Ei. -Ouvi a voz de Sana e tudo se apagou.

Segundo elas, duas horas haviam se passado quando acordei zonza, um dos médicos da empresa estava ali e o soro caía em minha veia, Tzuyu estava enrolada em um robe e segurava minha mão.

_Logo você vai se sentir melhor, querida. -Yoo, nosso divertido staff disse. Eu o admirava, se assumiu gay na frente de todos, foi demitido pelo CEO da KBS e JY imediatamente o contratou, para JY tinha que ser muito homem para se assumir gay e ele apreciava isso. Too estava conosco há mais de quatro anos.

Eu respirei fundo. Levei a mão a testa e o agradeci, notei Jihyo apreensiva, ri dela.

_Está achando que estou grávida? -Falei e ela gargalhou.

_Não, sua boba. -Se aproximou. _Anemia. O resultado dos exames chegaram, lembra?

Oh, tínhamos feito exames há algumas semanas. Eu tinha esquecido totalmente. Agora era mais uma porcaria de problema para nossa conta já extensa.

_Você é a mais velha e é a mais irresponsável, sabia? -Tzuyu me falou brava. _Imagina se você desmaia estando sozinha? Poderia ter se afogado, batido a cabeça... Arg. -Saiu dali batendo o pé.

_Ela te ama muito, é só isso. -Sana falou como se não fosse nada.

Eu sorri, Yoo checou mais algumas coisas, ficou ali por quase uma hora e me fez perguntas. Quando se foi após tirar o soro, eu fui atrás de Tzuyu na varanda de cima.

_Hey, desculpa se te assustei. -Eu disse e a vi chorando. _Tzu-ah.

_Olhe como estamos. -Abraçou suas pernas. _Estamos perto do fim, quer acabar com sua vida também? Já não precisa mais de infinitas dietas.

_Eu só me esqueci, Tzu. Eu não vou mais fazer isso, acontece. Olhe só, não é como se não estivéssemos acostumadas.

_Eu quero me desacostumar. Isso não é vida. -Ela se levantou irritada. _Ficar passando fome, céus, o que estivemos fazendo nos últimos dez anos?

_Tzu, somos idols.

_Mas acima disso nós somos humanas. Isso tudo é doentio e só agora eu vi. -Ela esfregou os cabelos. _Quando acabar, vou voltar para Taiwan e recomeçar uma vida longe de tudo isso.

Ela ia passar por mim e eu segurei seu braço, ela não estava bem. Tzuyu nunca ficava assim.

_Shh.. -A abracei, ela me envolveu e chorou muito, eu disse que ficaria tudo bem, mae que nem eu mesma sabia se isso era verdade.

Naquela noite nós dormimos amontoadas, e sempre antes de dormir nós fazíamos planos, imaginávamos a vida dali a alguns anos. Aquela foi a primeira noite na qual não fizemos plano algum, era como se pela primeira vez já estivesse tudo decidido.

Pela primeira vez em quase seis meses eu chorei, chorei baixinho e foi o choro mais doloroso que eu poderia ter.  



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