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História Twice - SAHYO feat. Kang Daniel - Eu, você e ele - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Catorze


_Não consigo acreditar. -A voz de Mina soou. _Mas não julgo, acho que há algo além de nosso entendimento.

_Deixe de baboseira. -Nayeon falou através da câmera. _Aquelas duas estão se atracando como duas pervertidas e você me vem com esse papo de espiritualidade. -Revirou os olhos.

_Eu não falei em espiritualidade, eu falei de... algo além do que possamos entender porque não somos elas para entendermos o que se passa. -Mina disse com calma iminente. Ela estava de joelhos dobrados enquanto sentada numa ampla sala de típico estilo japonês. Os cabelos presos, a franja e o rosto despido de qualquer maquiagem fizeram o coração de Chaeyoung disparar quando a viu através da tela da TV.

_Vocês são a favor do que é errado. -Nayeon disse cruzando os braços enquanto de frente para a TV.

_E você é uma velha antiquada que fala tanta merda que as garotas foram embora e até agora não disseram nada. -Momo disse com sua típica calma.

_Cale a boca que o assunto ainda não chegou no Vale Gay. -Nayeon falou com o tom grosso.

_Vai se foder. -Momo disse.

_Hey! -A voz de Jeongyeon soou. _Porra, que diabo vocês estão fazendo?

_Alma, me ligue mais tarde, sim? -Chaeyoung disse se aproximando da tela. Beijou seus dedos e tocou no rosto de Mina que fechou os olhos como se sentisse aquilo e fez o mesmo em seguida.

_Ligarei, meu amor. -Disse e as garotas ficaram caladas. _Chaeng-ah, eu te amo. -Disse baixinho,o que gerou confusão nas garotas que não entendiam bem o que havia entre elas.

_Eu te amo, Mina. -Chaeyoung a olhou uma última vez e abraçou a tela antes de se afastar e ir para fora do apartamento, ignorando totalmente as meninas.

_O que foi isso? -Nayeon questionou e Mina deu de ombros.

_Demonstração de algo que você desconhece: o amor. -Momo falou e saiu dali pisando duro.

Mina se sentia extremamente desconfortável por tudo que presenciava e se perguntava o que estaria Jihyo e Sana fazendo juntas, por um momento, sentiu inveja porque queria ao menos ter um mínimo de coragem para encarar tudo por quem realmente amava, até mesmo encarar a si mesma.

_Jihyo-ah! -Sana chamou e a líder apontou a câmera para ela. _Pare de me filmar! -Saiu correndo pela casa.

_Eu quero registrar seu rosto no meu iCloud e passar para um DVD, assim vou tê-lo para sempre comigo. -Falou pegando Sana de surpresa. _Não olhe tanto assim, vai fazer todos se apaixonarem por você. -Jihyo riu arrastado e a seguiu até a escada de madeira e vidro que se estendia até o segundo andar da casa de JY em Gangnam, numa área mais afastada.

O segundo andar era composto por quatro quartos enormes, cada um possuía seu próprio banheiro, no final do corredor havia uma sala em estilo rústico com uma varanda que tinha vista para a mata. As enormes paredes de vidro deixava tudo moderno e graças aos detalhes de madeira, o lugar se tornava aconchegante.

_Hey... espere... -Jihyo disse vendo Sana parar próximo da TV e fazendo poses que deixavam seu coração ainda mais dividido. _Você é tão linda...

_Não tanto quanto você. -Sana segurou o rosto dela que envolveu seu corpo num abraço.

O blusão deixava a japonesa com um ar de delicadeza ainda maior, Jihyo usava um vestido florido, os cabelos curtos soltos estavam penteados para trás e Sana aninhou seus dedos ali. Os olhos de Jihyo pareciam dizer algo que em voz alta soava errado o bastante para a própria líder que apesar de tudo, ainda se reprimia.

_Meu coração.. -Sana sussurrou e sentiu o polegar em seu queixo, a câmera estava na outra mão de Jihyo que agora mantinha a japonesa mais próxima de si.

Os batimentos cardíacos de Sana estavam altos demais para seu próprio bem, fortes como deveriam ser e Jihyo a viu fechar os olhos e parecer lidar com alguma dor. Algo não estava tão certo quanto pensava.

_Está tudo bem? -A olhou com certo desespero.

_É só que... eu sinto essas coisas quando você está perto, e.. desculpe, sei que não deveria mas sinto um certo nervosismo com você. Prometo que não vai ir adiante. -Sana disse como se estivesse cometendo um crime.

_Sana, não quero machucar você. -Jihyo disse colando sua testa na dela. _Mas também não quero ficar sem você.

_Por que você faz isso? -Sana questionou num sussurro. Jihyo a abraçava com desespero, tocava seu corpo, parecia querer fundir-se a ela.

_Porque amo você. -Disse num fio de voz. _Preciso de você.

_Mas não assim.. -A japonesa sentiu vontade de chorar. _A realidade é que eu... deixe para lá. -Se afastou de Jihyo. _Vou tomar um banho, depois preparo algo para comermos.

Jihyo a viu ir em direção ao primeiro andar e sentiu seu coração se afobar, como se algo preenchesse seu peito com euforia, com uma sensação desconhecida mas nem tão desconhecida.

Sana entrou no vasto banheiro e se encarou no espelho que preenchia a parede. Tirou suas roupas e se sentiu suja por fazer parte da traição de Jihyo, pior, por ser a peça chave da traição. Se dirigiu até o chuveiro, observou a jacuzzi vazia ali perto e após girar a torneirinha do chuveiro, começou a chorar pensando em como seria se tudo aquilo viesse à tona.

Jihyo se sentou em uma poltrona rústica na sala de leitura. Como era a segunda vez que ia naquela casa, se colocou à pensar mais uma vez em como e porque JY mantinha tantos livros naquele lugar se mal tinha tempo de ler todos eles. Balançou a cabeça e relaxou, fechou os olhos e deixou seu pensamento a levar até onde bem entendia.

"Sana" gritou em sua mente. "Olhos castanhos, cabelos lisos como seda, pele lisa, cheira a... lar.. Me aquece, me chama de volta para casa, me... leva para onde não posso ir sozinha e melhor: me pertence, de alguma forma."

Jihyo abriu os olhos. Seu subconsciente era outra pessoa dentro de si. Precisava aprender a controlar os impulsos dele.

"Leva para casa, leva para a cama, leva para o infinito. Seu coração está sendo levado também. Não negue. Não negue. Não a negue!"

Jihyo abriu os olhos com o toque do telefone, seu coração batia acelerado e ao pegar o aparelho e ver o número de Daniel na tela, sentiu a culpa tomando seu corpo. O atendeu, foi breve e desligou.

Daniel havia sentido a frieza de Jihyo mesmo estando em outro país, ele pensou que tivesse feito algo errado e por isso, decidiu que era hora de voltar a Coreia e passar mais tempo com ela.

Jihyo se levantou, seu coração doeu, sua mente balançada não conseguia pensar. Seu coração estava dividido e era preciso saber lidar com isso sem se auto destruir.

_Ahn, pode me ajudar com o jantar? -Sana questionou da porta do lugar e a líder assentiu brevemente.

A japonesa estava com uma blusa do Blackpink que fora presente de Rose, o nome dela está a atrás em Hangul junto dos dois últimos dígitos do ano de seu nascimento. Sana adorava Rose e então mantinha a blusa com o maior cuidado do mundo.

Pegou as facas, colheres e tábuas que precisaria. Na geladeira, encontrou as algas marinhas que pediu para um dos staffs comprar mais cedo e decidiu que faria Temaki porque Jihyo amava comer aquilo.

_Passe o salmão, por favor. -Sana pediu num tom suave e a mais nova imediatamente a atendeu.

Jihyo suspirou e ajeitou seu vestido, se aproximou de Sana e a observou cortar as algas marinhas com habilidade.

_Cream Cheese ou puro? -Sana questionou sem a olhar.

_Muito cream cheese. -Disse e sorriu.

Sana suspirou e sorriu de volta sem muito ânimo. Viu Jihyo ir até o aparelho de som e colocar uma nova música da Taylor Swift para tocar.

(Play - Cornelia Street da Taylor Swift)

_Eu sei que estou longe de ser a pessoa perfeita pra você e eu não tenho justificativas para o que fazemos mas saiba que eu só preciso me organizar... eu preciso... me encontrar. -Falou de repente e viu a japonesa deixar os talheres sobre a tábua enquanto a ouvia. _Penso e penso sobre isso mas há dúvidas, tantas delas que tenho medo... -Jihyo sentia seu coração acelerar. _Eu acho que estou caindo.

_Pode se apoiar em mim, eu não ligo. Acho que já fui longe demais para não provar que realmente amo você. -Sana disse, praticamente escancarando o que jurou manter guardado.

_E isso é arriscado demais. Seu coração está em jogo.

_Eu já o apostei faz tempo, Jihyo. -Sana se virou. _Eu preciso de você comigo, seja como amante, amiga, não importa a forma, eu só preciso e em todos esses anos ninguém cuidou de mim melhor que você, ninguém me acalmou em dias de crises como você e por mais que doa em todos os sentidos, eu prefiro ter você pela metade do que não ter nem um porcento de você. -Coçou perto do nariz. _Não acho certo trair Daniel, ele não merece isso, então eu... eu decidi que quero continuar como éramos antes de nos beijarmos, antes de você me tocar.. -A japonesa sussurrou a última palavra e piscou diversas vezes tentando sobreviver ao olhar de Jihyo.

_Eu não acho que não quero ficar com você.

_Então diga se sente alguma coisa por mim? É insustentável que mantenhamos isso sem um mínimo de reciprocidade. -Sana disse séria. _E honestamente, vocês estão juntos há meses, eu não acho que isso vá acabar por causa de alguém como eu que sequer já foi tocada intimamente até pouco tempo.

_Por favor, não me coloque contra a parede desse jeito. -Jihyo pediu e apoiou as mãos na cintura.

_E não me coloque sempre prestes a transar com você, Jihyo, porque você sequer pergunta como me sinto em relação a isso.

_Você nunca reclama então suponho que esteja gostando.

_Pois então tome isso como uma reclamação, droga. -Sana disse se alterando. _Eu estou cansada, estou cansada de gravar, cansada de cantar, cansada de repetir a mesma maldita coreografia um bilhão de vezes e cansada de me desfazer em milhões pelos outros, sério, chega. Eu quero voltar pra casa.

Tirou seu avental, o deixou sobre a bancada e passou por Jihyo. Pegou seu celular e pediu que três funcionários da JYP fossem até ali e deixassem tudo em ordem para elas e que junto deles, fosse o motorista.

Quando o manager responsável pela arrumação do quarto chegou, ele foi primeiro até o segundo andar e as garotas foram atraso.
_Sana, não! -Jihyo disse a seguindo a japonesa o quarto. _Eu vou levar você.

_Eu não quero que você me leve, Jihyo. -Disse se segurando para não gritar.

Em segundo o sangue de Sana fervia como água em um caldeirão. Pegou suas coisas e ajuntou na mochila, estava cansada de ouvir e ouvir e não poder fazer nada, em um rompante, Sana ficou cega em relação a situação e esqueceu da presença do manager.

_Me deixe te levar, eu pos-

_EU NÃO QUERO QUE VOCÊ ME LEVE! -Sana berrou com raiva, o homem a olhou assustado, Jihyo engoliu em seco ao ver que ela não estava com lágrimas nos olhos. _E ME DEIXE EM PAZ, SACO. -Gritou e saiu andando. _Lee, deixe as coisas em ordem e eu acerto com você. Ninguém deve saber que esteve aqui, ficou claro?

_Sim, senhorita. -O rapaz disse amedrontado.

No meio da noite, Sana abriu a porta do apartamento e entrou imersa em uma bolha de fúria sem igual. As meninas estavam comendo na sala de estar quando a viram. Nenhuma se atreveu a abrir a boca porque Jihyo veio logo atrás e foi pisando duro atrás dela.

_Pouca vergonha. -Nayeon falou baixo mas alto suficiente para que todas ouvissem.

_Cala a boca, sua imbecil. -Momo disse.

_Eu não falei com você.

_Não interessa, falou pra todo mundo ouvir. -Disse e soltou os talheres.

_Vocês são muito chatas. -Chaeyoung disse. _Deem um tempo ao menos no jantar, que inferno.

Nesse instante, Sana desceu as escadas prendendo os cabelos, foi para a cozinha e abriu a geladeira, pegou suco de morango e foi em direção aos talheres para colocar seu jantar.

_A comida acabou. -Nayeon disse com desdém.

_Eu preparo para você, Sana-ah. -Jeongyeon disse se levantando e indo até a amiga que sorriu em agradecimento e disse que a ajudaria.

Nayeon tremia de raiva, sentia nojo de Sana e um nojo tão forte que a dava ânsia de vômito.

_Você sabe que eu sou péssima com comida coreana. -A japonesa disse a Jeongyeon.

_Não tem segredo, é jeito. -Jeongyeon sorriu para ela.

_Precisam de ajuda? -Momo se levantou e foi até elas. _Oh, Bap.

_Bem juntinho como ela gosta. -Jeongyeon disse alegremente.

_Alma? -Chaeyoung disse atendendo o telefone e saindo da mesa. _Como você está? Céus eu, eu estou morrendo de saudades, Mina. -Começou a chorar enquanto andava pela sala.

O coração de Tzuyu doeu, Dahyun encarava o prato a sua frente pensando sobre o quão perdidas suas amigas estavam. Nayeon sentiu um embargo na garganta mas não deu o braço a torcer.

_Tina ligou dizendo que em breve voltará e eu.. bom, pedi a ela que me ajudasse a encontrar um bom lugar no Brasil. -Momo contou a Sana que sorriu animada.

_Você não quer se mudar, não é? -Jeongyeon disse assustada.

_Ficou louca? Óbvio que não. -Momo gargalhou. _Eu só quero ter uma casa lá, definitivamente no outro lado do mundo e -Olhou para Nayeon. _quando aparecer qualquer stress, pego um avião e vou para lá.

_São mais de vinte e duas horas de voo! -Sana disse abobada.

_Eu durmo até chegar lá e olhem as vantagens: sem terremotos, tsunamis, vulcões, nada! Tudo que há é... a maior floresta e o litoral lindo, sem esquecer do arquipélago a leste. Eu já me apaixonei. -Momo disse caminhando na cozinha.

_Ok, eu vou com você. -Sana disse. _Mas devemos ir no verão.

_Preciso saber quando é o verão deles. -Momo disse e Jeongyeon balançou a cabeça afirmando.

_Se a Nova Zelândia é localizada na parte sul em relação a linha do equador e o verão por lá é entre o fim e o início do ano, então no Brasil deve ser quase a mesma coisa. -Jihyo disse entrando no assunto. _Temperaturas altas por conta das massas de ar, clima predominantemente tropical... isso tem tudo a ver com esse lugar... -Abriu a geladeira. _Brasil.

_Bem pensado. Tem realmente a ver e eu vou correr atrás disso até o fim de novembro. -Momo disse saltitante.

Jihyo abriu um suco de morango e trocou um olhar com Sana que desviou imediatamente.

_Pronto. Agora sente-se e coma bem. -Jeongyeon disse quando a comida de Sana ficou pronta. _Jihyo, tem mais aqui caso queira. -Disse e sorriu voltando para seu lugar.

Nayeon saiu da mesa quando Sana foi até lá e foi até o segundo andar.

_Não vai querer deixar seu prato sobre a mesa. -Jihyo disse a Nayeon que parou imediatamente e se virou com uma expressão de nojo ao ajeitar a blusa branca que usava.

_Eu quero deixar.

_Ele vai mofar aí então. -Jihyo bebeu três goles seguidos, aquela calça Jeans a deixava ainda mais gostosa, Sana pensava e sentia-se totalmente envergonhada diante daquilo.

_Que mofe. -Nayeon deu as costas.

_Nayeonnie, seja uma boa garota e pegue seu prato e o lave, faça por você, pelo seu bem. -O tom de Jihyo era tão sarcástico que as meninas podiam sentir de longe.

Sana se sentou ao lado de Momo, observou a cena com atenção e então Nayeon foi até seu prato e o pegou, ficou frente a frente com Jihyo e o deixou cair no chão. O som da louça quebrando fez Dahyun fechar os olhos.

_Se quiser, você pega. -Nayeon disse e foi para seu quarto.

Jihyo pegou o celular e reportou Nayeon por aquilo, sorriu e viu Sana negar com a cabeça antes de voltar a comer.

_Sana, quando acabar eu quero falar com você. -Jihyo disse com seriedade na voz e saiu dali.

O jantar foi encerrado assim que Sana acabou de comer. Chaeyoung, que havia ficado no telefone com Mina por mais de vinte minutos, voltou para a mesa e acabou de comer junto das meninas. Depois disso, todas foram se deitar, Tzuyu deu um beijo na testa de Sana e torceu silenciosamente para que ela não cedesse mais uma vez a Jihyo.

Mas era impossível, como devia ser.

_O que você quer? -Sana questionou quando Jihyo a levou até o térreo. _Preciso descansar.

Jihyo se aproximou dela e a beijou. Sua mão preenchia o maxilar dela, o braço livre agarrou a cintura de Sana que em momento algum tentou pará-la. Ao invés disso, a japonesa envolveu o pescoço dela com seus braços e deixou seu ser entregue.


A língua de Jihyo deslizava sobre a sua, Sana estava perdendo a noção quando sentiu a mão em seu seio, apertando, massageando, brincando com aquela parte tão sensível. Beijos molhados no pescoço a arrepiaram, não podia ver mas conseguia sentir a vermelhidão em seus lábios. Jihyo estava com os lábios inchados e mordeu o inferior ao ver Sana tão entregue com poucos toques.


_Pare, por favor. -A japonesa pediu, quebrando o pensamento de Jihyo.


Na penumbra, Nayeon observava tudo. Podia ouvir o que estava sendo dito e prendia a respiração para não ser notada.


_Fiz algo errado? -Jihyo questionou e ela negou.


_Eu só não quero mais. -Sana sussurrou.


Jihyo deixou os olhos nos dela por longos segundos e decidiu apenas concordar com a cabeça. Sentiu um aperto no estômago, de repente, a ideia de Sana longe era quase insuportável.


_Bom... eu vou me deitar. -Sana se desvencilhou dela que continuou muda. _Boa noite, Jihyo.


Nayeon saiu dali imediatamente.


Jihyo ficou no terraço até quase metade da madrugada, sua cabeça latejava e por um instante, se viu cega. Pegou o telefone e mandou mensagem para Daniel, disse que estava tudo bem e que deviam se ver em breve.


Quando o sol nasceu, Sana foi a primeira a sair de casa em direção a JYP, estava determinada a seguir em frente mesmo com toda a dor em seu peito.


As meninas foram logo atrás, o silêncio entre elas era lei e enquanto distraída, Jihyo ouviu seu nome soar ao longe e parou de caminhar.


_Jihyo-ah! -A voz de Daniel soou pela entrada da empresa. _Jyo! -Ele correu até ela.


As garotas se viraram, Jihyo abaixou a máscara cirúrgica e sentiu o perfume dele no ar. Seu coração estava acelerado pelo susto e ver Daniel tão repentinamente era um tanto chocante após tudo que fizera com Sana.


_Jihyo-ah, aigoo, desculpe surgir assim. -Ele disse afoito. _Aconteceu um problema com o avião, passei horas no aeroporto e só agora pude vir... eu... eu queria te dizer algo.


As meninas observaram tudo, era cedo, a equipe toda estava chegando para trabalhar. Executivos, dançarinos, os recepcionistas, todos estavam chegando aos poucos enquanto os dois estavam ali, frente a frente.


Sana estava prestes a entrar na sala de dança quando ouviu um burburinho diferente e saiu para ver. Aí estava o erro.


_Eu estive pensando, sabe, essas loucuras de amor. -Daniel disse e tirou uma caixinha do bolso interno do terno preto. _Pode ser precipitado, mas quero deixar claro que nunca me arrependo de escolhas importantes e essa é uma delas. Park Jihyo, você aceita ser minha noiva?


"O que?" Nayeon pensou.


"O que diabo..." Momo arregalou os olhos com o pensamento e se virou brevemente. Viu Sana se apoiando na parede enquanto assistia tudo de longe. Os cabelos louros caiam e ela estava de máscara, o que deixava os olhos ainda mais tristes.


_Huh... -Jihyo estava sem palavras. Ele estava ajoelhado, a caixinha continua dois anéis de ouro e os presentes observavam tudo boquiabertos.


Seu peito se apertou, a mistura de sentimentos a fez perder a noção do raciocínio, tremeu da cabeça aos pés e num impulso, beijou Daniel e sussurrou "Sim." Três segundos, um ato e uma palavra foram suficientes para que Sana desencadeasse algo que estava preso desde a pressão inicial para virar Trainee.


As garotas fingiram felicidade extrema, a que mais conseguiu se igualar a perfeição foi Nayeon que aproveitou para alfinetar Sana de longe. Daniel cumprimentou todas e o pessoal da JYP os parabenizou. Jihyo estava neutra e exibia um sorriso que não era típico seu.


Sana ignorou tudo e foi para a sala de dança do penúltimo andar, assim teria uma desculpa para não falar sobre o que houve.


_Eles são lindos juntos, o melhor é que todos estão lidando bem com isso. -Uma trainee disse passando pelo corredor.


_Quando casarem será uma festa e tanto, mal posso esperar. -Um garoto disse animado.


Sana se alongou, colocou o boné tampando os olhos e ajeitou o topper da adidas. Sem a máscara, se encarou no espelho e colocou uma das músicas do repertório de cem que sabia dançar com exatidão.


_Hey.. -Jeongyeon entrou e foi ignorada. _Sannie?


A japonesa focou em seus movimentos no espelho enquanto as vozes dos garotos do Astro soava. Não queria responder, estava inerte e milagrosamente, Jeongyeon entendeu e saiu dali, fechou a porta e rezou para que nada acontecesse.


_Isso tudo é mentira. Você vai viver uma mentira. -Chaeyoung disse a Jihyo quando entraram no estúdio.


_Prefiro mentir do que jogar isso tudo fora, Chaeyoung. -Jihyo disse. _E não se toca mais nesse assunto.


_Pare de fugir! -Momo disse. _Uma hora ou outra isso tudo vai vir à tona a e eu quero só ver o que você vai fazer.


_Vire a maldita boca para lá, isso não pode vir à tona nem no sonho. -Nayeon disse enfurecida.


_Cala a boca, eu não falei com você. -A japonesa murmurou.


_Falou pra todo mundo ouvir.


_Vê se me erra sua idiota. -Momo fez uma careta pra Nayeon que bufou.


_Calem a boca! -Tzuyu disse com raiva na voz. _Que inferno, vocês só sabem brigar por isso, briguem por outra coisa, porcaria.


As meninas a olhavam surpresas.


_Jihyo é a líder, LÍDER, ela nos lidera ou seja, é inteligente o suficiente para saber o que é certo e errado. Parem de tratá-la como uma criança imatura que não sabe o que faz porque isso é a última coisa que ela é. -A taiwanesa respirou fundo e franziu o cenho com certo rancor para as garotas.


_O que ela faz não é certo. -Nayeon não conseguia se segurar.


_Você quer que eu conte que vi como ficou excitada e nervosa quando as viu se beijando na sala? Quer que eu conte como ficou depois de ficar com Jennie, Yeri e comigo? -Tzuyu soltou sem mais nem menos, viu Nayeon ficar vermelha de raiva. _Aposto que não.


As garotas estavam com tanto choque que não falavam, apenas olhavam entre Tzuyu e Nayeon.


_Vocês escondem mais o que? Huh? -Dahyun questionou. _O que mais vocês fizeram? Coloquem na mesa!


_Eu fiquei com Sana em março. -Jihyo disse com pesar. _E maio, e então isso não é bem de hoje.


_Vocês estavam juntas no Green Park... eu me lembro. -Chaeyoung disse. _Juro que pensei que eram turistas.


_Era o universo me dando uma chance.


As meninas ficaram em silêncio alguns instantes e por um momento, estavam de volta ao tempo em que não escondiam segredos umas das outras. Se sentaram pelo estúdio de gravação e Jihyo olhou para a aliança.


_No fim, sempre seguimos os desejos dos pais. -Ela falou. _Minha mãe sonha que eu me case de véu e grinalda, papai quer mil netos... uma festa enorme.


_E o que você quer? -Nayeon disse suavizando o tom, ainda estava brava mas sabia que aquilo não sairia dali.


_Sana. -Disse sorrindo tristemente. _Isso soa assustador em voz alta porque não estamos acostumadas com isso, eu sei.


_Aproveite que você ainda tem tempo e desista disso com Daniel. -Momo disse. _Você merece ser feliz, Jihyo, assim como Sana também merece.


_Momo, se eu faço isso, mato a minha carreira e a de vocês junto. -Disse com lágrimas quentes nos olhos. _Ontem estive pensando sobre isso depois que ela disse que não me queria mais. Acha que não considerei ter me apaixonado antes mesmo de conhecer Daniel? -Passou os dedos nos olhos. _Mas não posso negar que sinto coisas por ele também, meu coração dói por pensar que o estou enganando mas dói por estar machucando Sana e-


_Está com ele por ser mais apresentável a todos. -Jeongyeon disse entrando no lugar.


_Sim e não. Como eu disse e para ser mais clara: gosto dos dois. -Jihyo foi sincera. _Vocês são parte de mim e por isso que se foda, eu preciso dizer isso a vocês antes que eu morra entalada. -Se levantou. _Eu gosto da forma com que ela me abraça, amo seu perfume, seu jeito, a risada histérica e as palavras emboladas que ela diz, mas infelizmente eu só posso gostar de longe.


_Você está abrindo mão de sua felicidade por aparências. -Nayeon disse enxugando as lágrimas.


_Estou protegendo minha pele e o que ainda sinto por ele, não negando minha felicidade. De agora em diante, vou apenas viver minha vida e Sana a dela e por favor, tentem relevar isso, não façam ficar pior do que já é.


_Vocês se amando sem poderem viver isso fará esse grupo acabar. -Momo falou e bufou. _Mas tudo bem, não irei render isso.


_Não se arrependa. -Dahyun disse e viu a amiga chorar ainda mais.


As garotas fizeram um abraço coletivo enquanto Jihyo chorava alto, um choro dolorido que ficou selado ali. Aquele sem duvidas era o maior segredo que havia entre elas e morreria ali, ou pelo menos elas pensavam que morreria.




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