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História Twice - SAHYO feat. Kang Daniel - Eu, você e ele - Capítulo 30


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Capítulo 30 - Vinte e nove


Sana

Há um momento no qual você pensa que sua felicidade morreu naquele instante, naquele milésimo de segundo que se fez presente e se foi tão rápido, seco e doloroso como uma lâmina afiada.

Aquela lâmina cortava com maestria, rápido, fazendo com que a dor viesse forte e constante de uma só vez.

Quando dei por mim, eu estava encarando o teto branco da sala dos enfermeiros, minha cabeça zonza não me permitia pensar com clareza sobre o que eu havia escutado mas era Jihyo.

Jihyo se tornou a causa da minha alegria, da minha tristeza, de minha paz e da guerra dentro do meu peito. Ela se tornou toda a substância necessária a minha vida e por mais que eu tentasse ser forte, eu não conseguia porque além de minha fortaleza, ela era a minha fraqueza. Vê-la mal me matava.

Eu pensei sobre isso enquanto caminhava zonza pelo corredor, pensar em como cheguei ali era difícil, muito difícil. Eu via aquele movimento todo de pessoas, as meninas estavam em um bloco de espera, eu vi. Nayeon chorava silenciosamente enquanto Jeongyeon tinha o braço enfaixado enquanto a envolvia. Meu coração doeu forte ao ver Dahyun chorando junto das outras. Era muito, muito doloroso.

Eu senti minhas pernas bambas, deslizei pela parede do corredor, aquele moletom parecia me sufocar. Tentei respirar, soava impossível, eu sentia um ardor forte no peito, meus nervos não respondiam, minha mente se tornou ainda mais confusa. Eu me perdi, eu só podia com Jihyo, sem ela eu era nada.

•••

_Sincope vasovagal. -Nayeon ouviu o médico falar sobre Sana. _A pressão arterial caiu e a frequência cardíaca diminuiu. Ela sofreu um baque emocional forte demais, a medicamos e agora só resta esperar. -Ele lamentou.

_Com licença. -O médico responsável por Jihyo se aproximou. Ele havia a recebido na sala de emergências há mais de uma hora. _Preciso dos pais de Park Jihyo aqui.

_O pai dela está a caminho, há um congestionamento na principal, ele está preso lá. -Nayeon disse enxugando os olhos.

_Bom, preciso falar com a senhorita então. -O médico disse, se afastaram poucos metros dali e ele suspirou antes de falar, Nayeon sentiu seu corpo doer mais forte, por alguma razão não conseguia ser confiante. _Jihyo deu entrada com uma perfuração na nuca e outra na barriga.

_O que? -Nayeon ficou afoita._Disseram que parecia raspão...

_Testemunhas contaram aos paramédicos que Jihyo entrou na frente de Jeongyeon para a proteger do tiro, uma bala atingiu a nuca por causa do movimento que ela fez e outra pegou em sua barriga, não muito profundo então ela provavelmente não sentiu nada.

_Então por que falaram que foi raspão? -Nayeon sussurrou.

_Porque não houve sangramento intenso na hora, porém ao retirarmos as balas, ambos os orifícios jorraram sangue, o segundo apesar de não ser tão profundo, atingiu diversos "vasinhos" sanguíneos e-

Nayeon não aguentou, pensar em Jihyo sofrendo tudo aquilo a fez correr até a lixeira e vomitar. Uma moça a amparou, o próprio médico a ajudou a se sentar. Ele engoliu em seco, segurou as mãos dela e ouviu o choro alto ecoando pelo lugar.

_Jihyo... ela.. está bem mas mesmo assim eu peço que sejam pacientes, rezem, fiquem aptos a ajudar.

Nayeon chorou ainda mais, não dava para ser forte, não ali. Viu a ligação de seu pai, tentou atender mas não deu certo, mal conseguia falar. Seu corpo estava mole, seu crânio parecia espremer seu cérebro e quando tentou ficar de pé não sentiu suas pernas.

O médico a segurou quando desmaiou, Chaeyoung correu até lá, ver Nayeon daquele jeito não significava boa coisa. Lançou um olhar para Mina que a fez revirar o estômago de preocupação.

Meia hora depois, o pai de Nayeon chegou ao hospital na companhia da esposa, os pais das meninas vieram na medida do possível com exceção dos pais de Sana, Momo e Mina que estavam no Japão e demorariam mais para chegar.

Preocupada com Jihyo e Sana, Nayeon ficou deitada na maca chorando, encarava o teto branco e ouvia o som do próprio choro perturbando-lhe os ouvidos. Era terrível. Quando o médico deu a notícia a todos ali, soube que aquele era o pior momento de sua vida.

_Não.. não.. -A voz de Dahyun saiu fraquinha.

As outras pessoas ali perto olhavam com pena a cena, o médico passou recomendações e disse que aguardaria o pai de Jihyo chegar e minutos depois o homem se fez presente, ao ver o semblante das garotas imediatamente soube que não era algo bom e firmou-se.

Foi o homem mais forte e corajoso do universo quando decidiu que queria saber a mais nua e crua verdade sobre o estado de sua filha. O médico contou. Ele absorveu tudo sem falhar, sem cair, sem chorar, disse que iria estar ali até ela acordar e era uma promessa.

Sentia uma faca afiada em seu coração, diretamente no ponto mais vital do corpo, ainda assim cumprimentou todas as garotas e mostrou seu apoio. Sentiu falta de Sana, a principal razão de Jihyo sorrir, foi atrás dela graças às informações e a viu no quarto, estava sob efeito de tranquilizantes e uma enfermeira cuidava dela.

_Isso só pode ser um pesadelo. -Jeongyeon falou, cobriu os olhos e chorou. _Ela.. ela é louca. Como pôde...

_Eu preciso de ajuda. -Nayeon disse tentando sair da maca, os olhos mal se abriam. _PAI, ME AJUDE A DESCER.

_Querida, seu pai foi buscar alguma coisa para você. Se acalme. -Sua mãe disse e a envolveu num abraço. _Fique aqui.

_EU QUERO VER SANA! Preciso.. preciso ver Sana. -Nayeon se apoiou na mãe e desceu, mal se mantinha de pé.

_Nayeon, você está muito abalada, precisa ficar quieta. -Mina disse com dificuldades.

Ignorando, Nayeon se desvencilhou delas, saiu corredor afora vacilando até chegar no quarto onde Sana estava. O pai de Jihyo já havia saído, por isso, Nayeon se deitou ao lado dela na cama e a abraçou, apoio o rosto no ombro de Sana e chorou.

Sua mãe e Mina ficaram da porta, definitivamente aquilo era um pesadelo.

•••

A notícia correu mundo afora, milhões rezavam por Jihyo, torciam por sua melhora, fizeram petições e a única esperança era que ela melhorasse.

O noticiário local dava informações sobre o estado de saúde de hora em hora e as dez primeiras foram um inferno. Quando o sol raiou, Sana já estava acordada, ouviu a notícia do estado de Jihyo e não teve reação se não desmaiar.

Aquele desmaio assustou os médicos.

Sana ficou desacordada por meia hora, exatamente o tempo que demorou para Jihyo reagir a internação na CTI. Os sinais de seu coração ficaram mais fortes, Sana abriu os olhos, a enfermeira monitorava a japonesa, o médico monitorava Jihyo. Os buracos de bala estavam cobertos por curativos, a cicatriz das cirurgias poderia ser apagada com procedimentos estéticos futuramente. Uma queimação na garganta fez Jihyo se incomodar e abrir os olhos num susto, o médico se assustou e ao mesmo tempo sorriu aliviado. O tubo em sua garganta a fez começar a fazer vômito e o médico seguiu o procedimento para tirar o tubo.

Após a retirada do tubo, o médico avaliou Jihyo por uma hora e meia, totalizando doze horas de internação desde a remoção das balas até ali. A líder estava confusa, havia perdido muito sangue e graças ao banco de sangue do hospital conseguiria se recuperar rápido.

_É um milagre. Ela parece uma.. Gladiadora. -Um residente disse ao lado do médico quando foram dar a notícia.

No quarto, Jihyo encarou o teto branco com medo, sua mente implorava para que seus olhos vissem Sana e rezou para que ela estivesse bem e despreocupada. Apesar da confusão em sua mente, almejava vê-la.

A japonesa, no quarto, abriu os olhos após outro desmaio, abruptamente, sentia seu coração acelerado, olhou ao redor assustada e viu Momo, Mina e Dahyun, as três se aproximaram. Sana vomitou no chão, dessa vez era sangue, a gastrite atacou com tudo até o ponto da japonesa chorar de dor e se encolher.

_Gente! -Jinyoung, que havia chegado na companhia dos meninos chegou na porta do quarto. _Aconteceu um milagre.

_Han? -Momo questionou.

_Jihyo acordou, ela.. está acordada e falando e... ESTÁ ACORDADA!

Sana imediatamente reagiu à notícia, não havia mais o que sair, de estômago queimando e vazio, Sana pediu ajuda. As enfermeiras entraram a todo vapor e a medicaram, seu corpo doía, a náusea ocasionada pela dor a fez pousar a mão na testa e chorar ainda mais.

Momo odiava ver Sana daquela forma, odiava tanto que sem reação, apenas foi para perto dela e a acariciou nos cabelos e no rosto enquanto ela era devidamente cuidada.

_Eu quero ver Sana. -Jihyo disse quando o médico voltou. _Pelo amor de Deus, eu quero ver Sana.

_Vai ter que se contentar conosco. -Chaeyoung e Jeongyeon entraram na CTI.

_Hey!

_Deus do céu, me perdoe.. -Jeongyeon se aproximou.

Jihyo, deitada, ainda sem conseguir se mover, sentiu fortes dores quando Jeongyeon a tocou. Por alguma razão, não conseguia se mexer totalmente, apenas a cabeça. Isso a assustou. Tentou se erguer, não conseguiu.

_Jeongyeon... -Jihyo a chamou com a voz embargada.

A amiga começou a chorar, sabia exatamente o que aquilo significava.

_Por favor, peço que nos deem licença. -O médico pediu e as meninas entenderam.

Dez minutos foram o suficiente para que Jeongyeon se sentisse culpada, morta por dentro. Quando entrou no quarto de Jihyo, a líder chorava copiosamente, o choque de realidade a atingiu como toneladas de concreto. O peso do nome Twice a sufocou.

Sana levou quase uma hora pra se recompor, totalizando quinze horas das garotas no hospital, quinze horas de dor, de sufoco e que apesar de tudo, voaram.

Quando Sana ouviu com todas as palavras: Jihyo está sem os movimentos do corpo, seu mundo desabou porque sabia que Jihyo se sentiria destruída.

Aquela destruição era tanta que sentia que iria morrer se não estivesse ao lado dela e por isso, instintivamente, Sana saiu da cama e se apoiou nas paredes do hospital, era quase três da tarde, o movimento era intenso e por isso mal a notaram. As meninas estavam no refeitório, Jihyo passaria por mais avaliações e enquanto isso, ninguém poderia ficar com ela por enquanto. Seu pai aguardava ansiosamente do lado de fora do quarto, tudo que pôde foi consolar a filha após a notícia.

Quando o homem viu Sana se aproximar da porta, tentou barra-lá mas a japonesa invadiu mesmo assim. Jihyo olhou naquela direção, a cama estava com o suporto da coluna erguido, Jihyo estava fixada ali, nas narinas havia o oxigênio e em seu dedo um aparelho para eletrocardiograma. Sana se aproximou, as lágrimas caíram de uma só vez, Jihyo negou com a cabeça.

_Minha vida.. -Sana sussurrou e abraçou a líder com jeito, beijou sua cabeça e viu Jihyo chorar forte.

_Eu não consigo nem te abraçar de volta, Sannie. -Murmurou. _Eu virei uma.. inválida idiota.

_Não.. não! -Sana sorriu entre o choro, acariciou o rosto de Jihyo e a viu entreabrir os lábios. _Você é incrível, sempre foi e sempre será e essa é uma situação a qual vamos superar como todas as outras. Eu prometo.

_Não, Sana. Não. Agora você me diz isso, quando eu sair daqui, der trabalho... sequer conseguir tomar banho sem ajuda, aí sim você vai ver o que é horrível. -Jihyo disse virando o rosto. _Você vai me deixar.

_Com licença, a senhorita não pode ficar aqui. -O médico disse a Sana.

_Jihyo, você.. acha que meu amor é algo fútil? -Sana a cobrou. _Porra, eu.. eu estou do seu lado a anos, eu beijo você eu.. faço coisas com você, conheço você, conheço seu corpo. Acha que no momento que você mais precisa eu vou te abandonar? Sério? Pare de tratar O MEU AMOR como uma brincadeira.

_Eu não disse que é uma brincadeira.

_Pois foi o que pareceu. Que droga.

_Senhorita.. -O médico a chamou. _Preciso que se retire. -Ele disse educado. Sana obedeceu e antes fuzilou Jihyo com os olhos.

Depois de discutir com o pai de Jihyo, Nayeon, Jeongyeon e Momo, Sana foi até a praça de alimentação do hospital. Jihyo foi encaminhada para uma ressonância, depois um raio x e então uma análise clínica nervosa.

_Eu trabalho com uma hipótese. -O médico chefe disse. _Ela levou um tiro na cervical, correto, mas não foi em nenhuma vértebra cervical ou nervo diretamente, portanto, essa paralisia não é definitiva.

_Tiramos a bala do ponto, achamos que não haveria problemas e foi o que aconteceu. -Um residente debateu.

_Devemos voltar com ela para a cirurgia, refazer o procedimento, checar o vão das vértebras e então conseguiremos resolver isso. -O médico disse despreocupado. _A garota foi uma heroína, Deus não é injusto. Lembrem-se disso.

_Mas a realidade não costuma falhar. -Outro residente falou. _Acho arriscado.

_A medicina é feita de riscos. Vamos arriscar. Levem-na para a sala três, eu mesmo vou opera-lá. -O homem disse e saiu sorridente. Foi até o quarto de Jihyo com uma agulha, a viu chorando e então pediu que se acalmasse._Querida, eu vou tocar você com essa agulha e você precisa me dizer se vai sentir algo, ok? -Ela balançou a cabeça. _Ótimo.

O médico tocou diretamente na ponta do dedão direito de Jihyo, ela imediatamente sentiu um ardor e confirmou. Depois, ele tocou em sua perna e foi da mesma forma, em seguida, ele tocou em seu braço. Jihyo fez uma careta em todos.

_É o que pensei. -Ele disse e acionou um equipamento. Médicos e residentes se aprontaram para levar Jihyo para a cirurgia. _Iremos fazer outro procedimento. A senhorita deve estar acordada outra vez daqui há dez horas ou mais, dependendo do efeito da anestesia no seu organismo. Estou com suspeitas que devem ser checadas e irei informar aos seus pais.

_Só meu pai está aqui. -Ela disse erguendo o braço. _Woah...

_Veja só.

_Você viu? Ela se mexeu! -A enfermeira disse sorrindo.

_Cirurgia agora. -O médico disse e saiu, encontrou o pai de Jihyo e o informou da situação.

Sana, ainda sentada no refeitório do hospital, chorava tanto que começou a ficar sem ar e precisou ser atendida. Nayeon, com muito custo, chegou até ela e arredou uma das cadeiras para o lado da japonesa, uma moça que fazia estágio em efermagem massageva as têmporas e os pulsos de Sana, Nayeon sorriu fraco.

_Frouxa.

_Olha quem fala, caiu dura porque não confiou que ela ficaria boa. -Nayeon disse a ela.

_É só o amor da minha vida, Nayeon. Só o amor da minha vida que acha que vou abandonar ela... -Sana voltou a chorar.

_Vocês se complicaram quando ela estava com aquele banana, se complicaram quando ela terminou e estão se complicando juntas? Eu desisto. Honestamente. Vocês me deixam louca.

_E.. Mesmo assim.. -Sana soluçou e cobriu os olhos, Nayeon trocou um olhar com a enfermeira que sorriu negando com a cabeça. _Mesmo assim você ama a gente. -Sana a empurrou.

_Eu amo vocês. Amo tanto que sinto que estamos ligadas e se vocês caírem, eu caio. -Nayeon enxugou uma lágrima teimosa. _Eu te amo, Sana. Amo muito e não é tão díficil assim admitir.

Sana a encarou e sorriu, um semblante brincalhão invadiu seu rosto.

_Devo te beijar agora?

_IDIOTA! -Nayeon gritou e riu. Por alguns minutos, se preparam para o que ainda iria vir.

Por mais assustador que parecesse, Sana estava mais centrada diante da situação, precisava ser uma puta durona para fazer Jihyo ficar bem, se sentir segura e principalmente não duvidar de seus sentimentos.

A japonesa entrou no quarto sem autorização e encontrou a cama vazia, sozinha, Sana procurou por alguém no corredor e viu o pai dela discutindo com a mãe dela, os dois viram a japonesa e o homem impediu que a mulher fosse até Sana. Os dois saíram de sua vista, afoita, Sana procurou pelo médico e foi informada de que ele estava em cirurgia com Jihyo.

Nesse período, os pais de Sana encontraram a filha com roupas do hospital, os cabelos bagunçados e totalmente preocupada na sala de espera da cirurgia. As meninas não estavam ali, Sana chorava, estava sem informações e isso a matava.

E assim se seguiu por quase seis horas. Por seis horas Sana permaneceu no mesmo lugar, se recusou a falar com todos e apenas quando saíram com Jihyo para o quarto foi que teve um segundo de paz e a viu de olhos parcialmente abertos, deitada de lado e com um curativo enorme na nuca, os cabelos estavam cobertos por uma touca cirurgica, o médico sorriu ao ver Sana de pé olhando para Jihyo com aquele carinho absurdo.

_Um high five.. -Um residente pediu. Jihyo estava tão grogue que levantou a mão e bateu no ar, menos na mão do rapaz. _Ótimo, vou deixar passar.

_Ela... ela se mexeu? -Sana falou animada, o choro de alegria veio quase que arrebentando seu rosto.

_Nada que um pequeno ajuste não faça. -O médico disse tirando a touca com estampa de uma cidade americana.

_Oh céus... -Sana chorou e cobriu o rosto, Jihyo aguardou que a ajeitassem na cama, quando foi colocada de costas, Sana viu o tubo fino em sua boca, a líder a olhou e piscou com um sorrisinho de canto, totalmente grogue pela anestesia, Jihyo se forçou a ficar acordada. Sana se aproximou com cautela, a viu erguer uma mão e separar os dedos. Entrelaçou os seus ao dela, Jihyo tentou puxar o tubo, o residente negou e fez um bico.

_Eu..eu n-Jihyo tentou falar e se engasgou, uma lágrima escorreu em seu rosto e os médicos a levaram dali. Sana foi logo atrás até o quarto, ao chegarem, Jihyo não tirou os olhos da japonesa, sentiu o calor dela mesmo dali e isso soava insano.

_Vou retirar o tubo e você vai me dizer como está sua respiração, ok? -O médico a viu concordar. Fez o procedimento e Jihyo respirou fundo, zonza, sorriu.

_Juro... nunca respirei melhor. -Riu. Tocou a cabeça, tocou sua própria bochecha. Tudo era tão lento que Sana acabou sorrindo. Jihyo piscou diversas vezes, o baque da anestesia não seria abatido por ela muito tempo e então a líder se entregou ao sono.

_Bom, vou querer uma reunião com o pai de Jihyo e todas vocês que são importantes para ela. Há a necessidade de um esclarecimento da minha parte e um pedido de desculpas. -Ele coçou o nariz. _Pedirei que se reunam na sala da diretoria no segundo andar.

Sana concordou, antes de sair deixou um beijo na testa e nos lábios de Jihyo.

_O truque do... soninho.. só pra ganhar um beijo. -Jihyo disse e acabou dormindo de vez.

_Besta. -Sana ficou vermelha. Acariciou a testa dela e reverenciou todos os presentes antes de sair dali e encontrar um burburinho no corredor. Viu a mãe de Jihyo e Daniel conversando.

_Você é um imbecil, perdeu minha filha pra uma vadiazinha de quinta. -Ela disse para Sana ouvir. _Como pôde?

_Não vou permitir que insulte minha filha, senhora Cho. -A mãe de Sana se aproximou. As meninas imediatamente se colocaram próximo de Sana.

_Onde vocês estavam? -A japonesa sussurrou.

_Esperando noticia na outra ala, trouxeram Jihyo antes do previsto. -Mina falou.

Jeongyeon era a única ausente, estava no quarto velando o sono de Jihyo enquanto a acariciava no rosto.

_Oh, a senhorita é a mãe dessa... moça? Sabe o que ela fez?

_Ela se apaixonou por sua filha, não há nada de errado nisso! Dou graças a Deus por ter sido Jihyo que possui um coração enorme, erra como todos mas é uma mulher incrível. Deus me livre ver Sana com alguma ou algum desprovido de idéias. -A mãe de Sana encarou a mãe de Jihyo.

_Acha certo esse comportamento? São duas mulheres! Isso é inaceitável. -A mãe de Jihyo estava enfurecida. _Eu não tolero isso.

_Sua filha perdeu todos os movimentos do corpo após a remoção das balas. -Sana se aproximou da mulher e todos a olharam. _Sabe o que ela disse quando eu prometi que iria ficar do lado dela? Que aquilo era no momento, que depois eu iria deixa-la. E o que mais dói é que isso é fruto de alguma insegurança dela e adivinhe? A senhora não fez nada diferente do que ela teme! Como mãe, aposto que prometeu a apoiar em suas escolhas e então faz o contrário. -Sana quase colou seu rosto no da mulhe que trincou o maxilar. _Jihyo é o amor da minha vida. -Falou alto e em bom tom. _E você pode me perseguir, você pode me colocar no inferno, me mandar pro fim do mundo, eu vou voltar por ela, eu nunca vou desistir dela. Como mãe, se eu fosse você, teria vergonha de fazer isso com minha filha e agora, não é por nada além dela que esta INTERNADA PORQUE FOI ATACADA POR UM MALUCO NO MEIO DA PORRA DA RUA! -Sana esgoelou e saiu dali pisando duro.

O pai de Jihyo viu a esposa chorando, o orgulho seria quebrado hora ou outra. Daniel coçou a cabeça e levou a mulher para se sentar em uma das cadeiras do corredor.

_Senhora, sei que parece impossível mas Jihyo não é a errada, como estávamos falando. -ele disse com a postura séria. _Eu também errei e... bom, ninguém merece ficar preso ao outro. Deixe-a... ser feliz com Sana, não há o que fazer, eu mesmo já me conformei com isso e precisamos apoiá-las, se formos contra elas, será pior.

A mulher o olhou com surpresa, então era aquilo que ele queria lhe dizer quando ligou. Por alguma razão, havia culpa nos olhos dele, a Senhora Cho não era ingênua e então, franziu o cenho.

_Traiu minha filha, não é? -Questionou e o viu afirmar de cabeça baixa. _Oh..

_Sinto muito. -Daniel esfregou a testa.

_Sente mesmo, e eu sinto mais por pensar que ela havia errado quando na verdade você errou. Se tivesse me contado isso meses atrás, eu teria mandado acabarem com você. -A mulher se levantou. _Na nossa família, Daniel, não admitimos esse comportamento, fidelidade significa tudo e você é um desonrado. Jihyo o traiu, mas o universo sempre se encarrega das punições, a sua está acontecendo agora, você foi trocado por uma mulher, dentro da sociedade coreana! E o pior é que isso já deve ser de anos e fomos cegos o bastante para não perceber.

_Apoie sua filha, senhorita. Ela precisa disso. -Foi tudo o que ele disse. _Amo Jihyo, aconteceu um deslize e me arrependo, diferente dela que tem sentimentos por outra pessoa e ainda assim insistiu comigo.

_Nosso assunto está encerrado porque não quero render, o homem é o topo de uma casa mas quem a coordena, a coloca na linha, é a mulher. Você desonrou isso. Agora Jihyo está com outra mulher e temos de lidar com isso. -A mulher tremeu de raiva. _Passar bem. -Deu as costas. Não havia o que dizer.

Não concordava com Sana e Jihyo mas também não concordava com o que Daniel havia feito. A mulher burlou todo o protocolo e entrou no quarto de Jihyo, a filha estava dormindo profundamente e Jeongyeon chorava enquanto acariciava seu rosto e dizia coisas para ela, coisas lindas o bastante para derrubar qualquer um no choro.

Ao ver a mulher parada ali, Jeongyeon engoliu sua raiva por ela e beijou Jihyo antes de sair, a líder estava tão frágil que sua mãe chorou, a touca nos cabelos e os atuais fios em seu corpo a deixavam com um semblante ainda mais mórbido e totalmente amargurada, sua mãe a reverenciou enquanto segurava a sua mão para pedir perdão. O rosto perfeito, como deveria ser por ter a imagem sempre exposta, estava manchado pelas mãos de sua ignorância, e Cho reconhecia isso. Maquiagem nenhuma seria capaz de cobrir o que havia feito. Em silêncio, observou Jihyo dormir até que começou a orar, orou baixo, aproveitando para pedir perdão por tudo e principalmente por ter se negligenciado como mãe.

•••

_Hey, agora conseguimos chegar. -A voz de Jennie soou, ela usava um conjunto preto da Nike exatamente igual ao de Jisoo, Lisa e Rose. _Como ela está?

_Está... dormindo. -Jeongyeon disse enxugando os olhos na sala de recepção. _Ahn.. Há muitos repórteres?

_Milhares deles, vocês provavelmente não acompanharam tudo mas... a internet está um caos. -Rose suspirou.

_E pegaram o louco que fez isso. -Jisoo disse.

_Aquele desgraçado, nunca vou esquecer o rosto do maldito. -Jeongyeon disse com mais lágrimas escorrendo. _Mas... obrigada por virem. Jihyo passou por duas cirurgias e está bem..

_Isso é bom. Espero que se recuperem totalmente logo. -Lisa falou e sorriu, puxou Jeongyeon para um abraço. Aquilo a salvou.

As meninas observaram ao redor, Nayeon falava com Daniel que tinha o braço apoiado na parede, Sana andava de um lado para o outro perto deles e de repente, ela avançou sobre Daniel. O rapaz a deixou o agredir, o que quer que ele tivesse dito fez Sana ficar com raiva ao ponto de surtar totalmente e quase arrancar sangue dele.

Os gritos da japonesa fizeram serviçais se aproximarem, Momo tirou Sana dali a empurrões e a viu chorar e socar uma parede. Jeongyeon engoliu em seco ao ver a japonesa sair sem rumo para a ala dos banheiros. Nayeon empurrou Daniel, ele balançou a cabeça, agora sim ele iria se mostrar.

_Sana, CALMA! -Momo a segurou pela cintura, a japonesa esfregava os cabelos, sentia tanta raiva que era possível voltar lá e bater em Daniel até ele desmaiar.

(PLAY TALK ME DOWN DO TROYE SIVAN)

_Você está fora de si. Relaxa.. -Momo sussurrou. _Eu estou aqui.

_Eu vou matar aquele desgraçado, Momo, escreva isso. EU VOU MATAR DANIEL, eu vou matar... -Sana caiu num choro compulsivo, e era aquela mesma coisa de sempre.

Chorou até que seus nervos chegassem ao ponto de explodir, a pressão alta demais a fez desmaiar, Momo entrou em desespero e correu para pedir ajuda, no caminho viu Daniel sentado e o pegou pela gola da blusa social, o rapaz não fez nada além de a olhar nos olhos e sentir o soco em seu rosto e um: suma daqui antes que eu vá presa.

A ajuda chegou para Sana que foi novamente levada para o quarto.

A organização do hospital foi refeita, as meninas ficariam com uma sala no primeiro andar, Sana estaria sendo cuidada no quarto e Jihyo aguardaria sua recuperação onde estava.

October 19th, 2019

Após o surto com Daniel, Sana ficou no quarto por mais um dia, só se levantou para ver como Jihyo estava, brigar com JY, ameaçar Daniel e encarar a mãe de Jihyo de longe.

O estresse em sua mente era tanto que chegou a achar que morreria de tanto o segurar. Mina ficou ao seu lado o tempo todo, Chaeyoung cuidava das duas, Nayeon e Momo discutiam secretamente sobre Daniel e temiam que ele fizesse algo posteriormente.

Jihyo, acordada e se sentindo menos quebrada, permaneceu na cama, mexeu todos os seus músculos possíveis e sorriu ao ver que estava tudo como deveria. Passou as mãos no cabelo, enquanto refletia sobre tudo, pensou que iria pintá-lo e que seria totalmente diferente do usual. Quando o médico chegou pela manhã estava animado.

_Como se sente? -Ele questionou.

_Posso encarar uma turnê mundial sem problemas. -Ela disse alegremente. _Sabe me dizer onde aquelas oito estão? Elas.. não apareceram aqui.

_Não sei, querida. -Ele disse olhando a prancheta. Jihyo sentiu que ele estava mentindo. _Vou começar exames para ver como você está, amanhã tentaremos exercícios com os braços e pernas e dependendo, pedirei que você receba alta e vá para casa.

_Ótimo, estou pronta. -Jihyo sorriu largo.

Na sala reservada as meninas, JY apresentava a proposta de Daniel após tudo que aconteceu. Nayeon quase teve um ataque ao ver o que ele havia escrito.

_Isso é um absurdo! -Momo disse imediatamente.

_É a exigência dele. -JY disse e bufou. _Se Jihyo descordar, terá que reconstruir sua carreira do zero.

_Recusem. -Mina disse jogando os papéis na mesa. _Eu disse a Chaeng que se ele tentasse algo, eu foderia ele de todas as formas possíveis e honestamente, já deu.

_Que diabo-

_Eu disse sobre o dia 15 de Junho. -Mina sorriu com tanta maldade que era quase uma sobremesa. _E todas as outras vezes que não mencionei. Se ele ousar fazer algo com Jihyo, a nossa Jihyo, ele pode se considerar um homem morto. Ninguém vai lembrar do nome dele a não ser que foi o sujeito mais sujo da história do Kpop. Nem mesmo YG conseguiria isso.

_Mina... veja lá. -Chaeyoung a alertou.

_YG vai parecer um santo perto dele. -Mina olhou para todos e respirou fundo. _Daniel pode se preparar. Ele mexeu com as garotas erradas.

 



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