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História Twice Love - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Fala, pessoal!!!!!

Espero que vocês não estejam chateados pela minha demora, eu acho que nunca fui de cumprir datas e horários, então eu peço desculpas.

O capítulo tá meio curto, mas eu prometo voltar logo. Desde já agradeço pela paciência e peço perdão pelos erros ortográfico e palavras ausentes em alguma frase.

Boa leitura!

Capítulo 12 - 11. Fobia


Lauren Jauregui Point Of View


Quando eu e Christopher iniciamos o High School, mamãe costumava sempre nos alertar sobre quais caminhos escolheriamos nesse novo percurso da vida. Por mais que eu esteja um pouco sequelada, lembro-me de cada palavra que ela nos dizia, sempre alterando o tom de voz quando estava falando que algo que era proibido para os Jauregui. 


- Vocês provavelmente vão fazer muitos amigos na nova escola! - Ela comentava orgulhosa enquanto preparava o nosso café. - Lembro que na minha época havia de tudo no Colegial... 


Christopher parecia avulso a todas as palavras de Clara, mas eu não... Eu estava eufórica e ansiosa para esse dia, principalmente porque ninguém me conhece na nova escola, logo ninguém poderá me chamar Catarrenta nos corredores. Eu poderia finalmente criar uma nova imagem para mim, e o contrário da maioria das adolescentes da minha idade, eu não queria ser popular, eu queria ser invisível. 


- Isso tudo também me lembra a quantidade de coisas ruins que vocês encontrar por lá! - Seu tom de voz teve um aumento considerável, e logo ela se virou segurando uma espátula suja de azeite quente. Ela apoiou a mão livre na cintura e inclinou-se para frente, olhando para eu e meu irmão, que retribuímos o contato. - Vocês farão amizades que não farão bem para você, amizades que lhes oferecerão drogas e álcool. Em uma situação como essa, o que vocês devem fazer? - Ela balançava a espátula ao gritar e estava tão próximo de nós que eu consegui ver em câmera lenta o momento que o azeite respingou na bochecha de Christopher, que gemeu em resposta. 


- Devemos dizer... Não!? - Questionei assustada e confusa. Nem meu pai gostava de ver minha mãe assim. 


- Correto, Lauren! Não apenas dizer, como também desfazer qualquer vínculo de amizade. Entenderam? 


Balançamos a cabeça freneticamente a cabeça e ela sorriu contente. 


Hoje, tudo que eu queria era que um desses amigos que mamãe falou batessem na minha porta me oferecendo droga pra eu mandar eles entrarem e a gente ficar de boa no meu quarto. 


As vezes eu me pergunto se vou me tornar tudo aquilo que eu sempre critiquei, porque até agora é tudo que tenho feito. Talvez eu devesse começar a criticar menos as coisas que eu classifico como "não serve pra mim". Interessante como mudamos de ideia rapidamente ou só mantemos nossa mesma teoria ao experimentar as coisas que julgamos ruins. Ao menos Amsterdã chegaria logo e eu poderia ter minhas férias merecidas no melhor lugar do mundo para fumar uma maconha da boa e por um preço justo. Eu pensei em falar com Normani sobre isso, queria que ela fosse comigo, juro que até tentei, porém sem sucesso. Ela não queria manter contato e isso era frustrante, principalmente quando não houve nenhuma conversa ou algo explícito de que ela não queria mais me ter por perto, eu nem sequer sei o motivo. Quando me sinto sozinha gosto de pensar naquela ideia de que só os bons devem ficar e que talvez quem já não estivesse mais do meu lado fosse uma espécie de livramento pessoal. Isso faz com que eu me sinta menos triste. As vezes cruzo com Neithan e fumamos juntos, nosso papo é legal, mas eu não me sinto à vontade para falar sobre as coisas com ele, mesmo que o mesmo parecesse tão receptivo em determinadas situações. Ultimamente tenho me sentido tão sozinha, e diferente de antes eu não estava gostando nenhum pouco dessa situação. 


[ Dia da Viagem ]


Os dias passaram rápido, mas a animação para viajar já não era a mesma. Já não me impressiono mais com a capacidade que o destino tem de destruir os meus planos. Eu sei que não deveria me importar com isso, mas é inevitável. Era pra ser uma viagem em FAMÍLIA, ou seja, mesmo sangue, mesmo sobrenome. Em que quesito Camila se encontra? Sei que ela é namorada do Christopher, mas não faz muito sentido pra mim levá-la conosco, isso vai estragar todo o contexto de diversão familiar. Depois de descobrir que ela iria conosco, a ideia das férias relaxantes já foram deixadas para trás, sei que não vou conseguir ter um minuto de paz com ela por perto, mas de qualquer, eu darei o meu melhor. Podemos passar por isso, não é, coração? Eu sei que podemos, é só manter a calma e fingir que ela não existe, assim como tem feito comigo. Devo dizer que a latina está se saindo bem em me ignorar, a cada dia que se passa nosso contato se torna melhor, é quase insuportável ficar no mesmo local que Camila, sempre que estou por perto a mesma não dá uma palavra, nem sequer olha pra mim ou expressão alguma emoção que não seja indiferença. As vezes me bate aquela curiosidade de saber o motivo pelo qual ela mudou de forma tão repentina, sei que também não colaborei para que ela ficasse por perto, mas não lembro em que parte eu a aborreci para tê-la feito tomar essa decisão. 


- Lauren! - Escutei a voz de minha mãe ecoar pela casa, isso me foi suficiente para parar de devaneios. - Desce! Estamos esperando por você! - Ela gritava ao pé da escada.


- Tudo bem! - Respondi no mesmo tom. 


Eu respirei fundo, só precisava manter a calma. Peguei meus fones de ouvido, colocando minha playlist no aleatório e deixando no volume máximo para não ser importunada durante qualquer percurso que façamos hoje. Desci as escadas com a minha mala pronta, dei um beijo em mamãe e caminhei para fora de casa. Retirei um fone e olhei para papai que mexia no telefone. 


- Vamos ao Aeroporto de que? - Questionei, já imaginando que talvez eu estivesse pedindo um Uber. 


- Vamos de Uber, meu amor. Christopher vai encontrar conosco lá, ele vai em outro Uber pra pegar Camila no trajeto. Quer ir com ele? 


- Não, prefiro ir com vocês. - Gesticulei com as mãos ao negar, dando um sorriso amarelo. 


O Uber não demorou a chegar, meus pais e eu entramos no carro. O percurso foi preenchido pelo diálogo entre minha mãe e meu pai sobre os pontos turísticos de Amsterdã, enquanto eu tentava me distrair vendo mais uma vez algumas normas de funcionamento de coffeeshops. Para os leigos, é um local onde a venda de maconha é permitida, qualquer maior de dezoito anos pode frequentar e comprar a própria erva e alguns alimentos à base de THC, além disso é permitido fumar um baseado lá dentro. Isso é como o paraíso. No site diz que só podemos consumir cinco gramas por dia, caso você for enquadrado e tiver portando mais do que essa quantidade você pode ser preso por tráfico. Cinco gramas é o suficiente pra mim, acho que não chego a consumir tudo em um dia, espero ter uma folga dos meus pais pra poder fazer isso. 


Chegamos ao aeroporto, mas não tínhamos de esperar por Christopher e Camila no estacionamento para ficarmos sempre juntos, segundo minha mãe. Já notou como os nomes deles soam bem juntos? Touché, destino. 


Play em Heather - Conan Gray


A melodia suave do início da música ecoou pelos meus ouvidos, o clima fechado e frio contribuía para um cenário emocional. Eu conseguia ouvir as batidas do meu coração em perfeita sintonia com o instrumental, me causando um aperto que percorreu toda a minha caixa torácica. Conan Gray, você me paga. Respirei fundo, em uma tentativa falha de conter minhas emoções que estavam prestes a fluir, fechando os olhos. Essa música é como tiro no peito, a dor é equivalente. 


- São eles. 


O som da voz de minha mãe me fez abrir os olhos, deparando-me com Camila saindo do carro. Naquele momento, o doce som da letra de Heather invadiu a cena. 


I still remember, third of December, me in your sweater (Ainda me lembro, do dia 3 de dezembro, eu com o seu suéter).


Não faz isso comigo. O aperto que insistia em querer romper as barreiras do meu coração invadiu o resto do meu corpo, se alastrando até a garganta. Agora não era hora para isso. Eu queria muito mudar de música, mas meu corpo estava paralisado, cada centímetro do meu corpo pedia para que a dor fosse sentida da maneira correta, como um instinto masoquista me tomando aos poucos. 


You said it looked better on me than it did you (Você disse que ele ficava melhor em mim do que em você)

Only if you knew, how much I liked you

But I watch your eyes as she (Se você apenas soubesse, o quanto eu gostava de você. Mas eu vejo seus olhos, enquanto ela...)


Camila brilhava tanto diante dos meus olhos que a imagem de Chris ficou ofuscada, fazendo com que eu ignorasse toda e qualquer manifestação do mesmo. Era um misto estranho de dor e contemplação que eu sentia naquele momento. Quando seus pés ficaram o chão e ela começou a caminhar em nossa direção, era como se aquelas passadas um tanto apressadas fossem sobre o meu estômago. 


Walks by (Passa.)

What a sight for sore eyes, brighter than a blue sky (Que colírio para os olhos, mais brilhantes que o céu azul)

She's got you mesmerized while I die (Ela te deixa hipnotizado enquanto eu morro).


Eu estava hipnotizado pela forma como ela se movia, o sorriso estampou seus lábios ao olhar para meus pais. Que sorriso lindo, eu estava boquiaberta. Nossos olhares se cruzaram por poucos segundos, parecia o contato era pesado demais para que conseguíssemos sustentar, senti minha energia sendo sugada naquele mometo


Why would you ever kiss me? (Por que você me beijaria?)

I'm not even half as pretty (Eu não tenho nem metade da beleza dela)

You gave her your sweater, it's just polyester (Você deu seu suéter para ela, é apenas poliéster)

But you like her better (Mas você gosta mais dela)


Wish I were Heather (Eu queria ser a Heather) 


A necessidade de engolir em seco me veio quando repentinamente minha garganta secou, fazendo meu transe ser enfraquecido para analisar a cena por completo. Retirei um fone do ouvido para ouvir a conversa. Naquele momento, Camila parou para cumprimentar meus pais com um abraço, a possibilidade e adrenalina de ela fazer o mesmo comigo já me deixava aflita, ansiosa por qualquer contato. Contudo, quando minha tão esperada vez chegou recebi apenas um sorriso sem jeito e um aceno de cabeça. Aquilo me deixou desapontada, minhas expressões demonstravam isso. 


- Oi, Lauren. - Ela disse. 


- Oi, Camila. - E eu respondi quase em um sussurro, desviando o olhar para os meus pés. 


Ela voltou a segurar a mão de Christopher e ele, sem querer o contato, passou o braço por cima de seu ombro. Eles estavam felizes. Eu odeio a minha vida. 


Watch as she stands with her holding your hand (Fico olhando quando ela fica segurando sua mão)

Put your arm 'round her shoulder, now I'm getting colder (Você coloca o braço em volta do ombro dela, agora estou ficando com mais frio)


- Desculpa pelo atraso, o trânsito não estava dos melhores. - Christopher disse.


- Não tem problema, filho. - Minha mãe respondeu prontamente, o sorriso que não cabia no rosto. 


- Vamos entrar logo ou perderemos o voo. - Meu pai desconversou e eu o agradeci em pensamento. 


Só naquele momento consegui retirar o celular do bolso e trocar de música, se eu ouvisse mais um verso coisas ruins aconteceriam. Todos entramos no aeroporto, não demorara muito para que encontrássemos a companhia de vôo responsável, fizemos o check-in e todas as malas foram despachadas, recebi um papel com informações sobre o meu vôo, era importante, por isso entreguei a minha mãe para que guardasse em local seguro, eu o perderia muito fácil. Nossas passagens eram para a classe econômica, quando finalmente embarcamos fomos instruídos a procurar o número que correspondem às nossas cadeiras. Peguei a papel de minha mãe e chequei o número. Assento 7F. Meus olhos varreram todo o local até que encontrei o que eu procurava. Papai e mamãe ficaram com os acentos 6E e 6F, Christopher com 7D e Camila, infelizmente, 7E. Por quê? Ah, foda-se. 


- Vamos todos nos sentar para facilitar o trabalho dos outros. - Minha mãe pediu e todos atenderam ao seu pedido. 


Eu não sei qual era o ponto positivo em se sentar na janela, mas consigo ver a parte negativa de ficar vendo o avião subir, isso dificulta minha ansiedade a se manter segura e bem escondida no meu interior. Respirei fundo. Tudo bem, é só não olhar pra lá. Você já fez isso antes e deu tudo certo, por quê não daria agora? Puxei a cortina antes mesmo que o avião descolasse. 


- Amor, aqui tá tão escuro. - Ouvi Camila falar para Christopher. 


Meu irmão olhou para os lados e focou em minha cortina fechada, logo voltando-se para mim. 


- Laur, pode abrir sua janela um pouquinho? É que é a primeira vez que Camila voa. - Seus olhos imploravam por minha ajuda. 


O que pesaria mais? Deixar que a fobia de Camila aflorasse em seu primeiro voo ou deixar que a minha ansiedade me deixe totalmente assustada e paranóica com o voo? Eu já sabia a resposta, mas estava tentando ganhar tempo até que meu cérebro e meu coração entendam que eu preciso me preferir, atender às minhas necessidades primeiro e depois a dos outros, mesmo que esses outros façam meu coração bater mais do que o quesito estimado pelos médicos. Dessa vez, eu não cederia. Fui contra a decisão em consenso do meu corpo, contudo sempre com uma opção viável para me esquivar daquela situação sem me sentir uma idiota. 


- É sua primeira vez, Camila? - Questionei para ela, obrigando-a a me olhar. A latina assentiu com a cabeça, logo desviando seus olhos para baixo. - Ajudaria ou pioraria se eu te dissesse que eu morro de medo de aviões e fico paranóica em toda viagem, pensando que dos três aviões que caem por ano, eu vou estar justo em um deles que irá cair? - Admiti com um sorriso amarelo e ela logo voltara a me olhar.


Ela franziu o cenho o cenho enquanto negava, seu sorriso de canto foi surgindo aos poucos. Meu coração precisa de ajuda! Eu preciso de ajuda! Vai ser sempre como da primeira vez? Acho que não me canso de apanhar para o amor. 


- Nem um pouco. - Ela concluiu rindo. 


- Pois é, eu também acho que mais ajudo do que atrapalho. - Cocei a nuca ao falar. - Mas fica tranquila, tudo bem? - Desviei o olhar apenas por um instante para perceber que a comissária já repassava algumas informações de segurança do voo. 


- É um pouco difícil ficar tranquila em uma situação como essas... - Ela disse em um tom baixo. 


Tive a sensação de que meu corpo estava derretendo... Derretendo de amores por ela. Isso é tão humilhante e vicioso. 


- São só algumas horas e ficaremos bem, logo estaremos pousando e você vai ver que é tranquilo viajar de avião. Você só precisa apertar seu cinto, colocar o celular no modo avião ou desliga-lo e curtir a viagem. - Meu tom de voz era aveludado, calmo, eu queria passar tranquilidade para ela. 


Apertei meu cinto de segurança e tomei a liberdade para fazer o mesmo com os dela, o que a fez olhar com certa surpresa, eu não sabia muito bem identificar o que seus olhos queriam dizer. enquanto Christopher nos olhava com atenção, eu o ignorei, Camila parecia fazer o mesmo, tanto com ele como com o resto das pessoas, até mesmo com a voz do capitão que soava pelos auto-falantes. 


- Vê como é simples? - Questionei, sorrindo de forma grandiosa. 


Ela assentiu para mim sorrindo. Não sabia exatamente explica a forma como eu estava me sentindo, talvez extasiada pela forma como tinha os olhos da latina sobre mim, atenta a cada palavra e cada movimento que eu fazia. Só agora parei para analisar esse sentimento de "tudo em seu lugar" quando se tem a atenção de alguém amado, é uma conexão surpreendente, a ponta de me encorajar a deixar a timidez e qualquer outro fator de lado em prol de uma pessoa especial. Pude ouvir o piloto falar que faria a decolagem nesse momento e prontamente tateei os bolsos, pegando uma caixinha de chiclete que sempre levava comigo em voos. 


- Agora nós iremos decolar, mas não se preocupa, tudo bem? Você pode sentir uma leve dor no ouvido pela pressão do ar, isso é super normal. Geralmente, depois de alcançar a altura nescessária você vai ter a impressão que seus ouvidos estão abafados, contudo isso acontece porque a trompa se fecha e o tímpano se retrai. - Entreguei um chiclete para ela e para Christopher. - Mastigar o chiclete ajuda, porque estimula a tuba e faz com que ela permita a entrada do ar e seu ouvido volte ao "normal". - Fiz aspas ao falar. Peguei um chiclete e o retirei da embalagem, colocando o mesmo em minha boca e mastigando. 


- Obrigada, Lauren. - Ela disse o Obrigado mais sincero que já ouvi de alguém, ou talvez vindo dela seja mais especial. 


Apenas acenei com a cabeça, sorrindo amarelo. Todas as luzes foram apagadas, foi quando o avião começou a sair do chão, eu me ajustei na cadeira, assim como os outros dois ao meu lado. Eu acabara de dizer que tudo ficaria bem, mas não estou segura disso. Acho que é impossível para mim não pensar nos prós e contras de toda situação em que me encontro. Apertei as mãos nos braços do assento e fechei os olhos. Que exemplo que eu sou. Mastigava o chiclete como se ele fosse concreto. Naquele momento, o único escape encontrado pelo meu cérebro foi colocar imagens de Camila na minha mente, isso de certa forma me acalmava. Não sei se me odeio ou me amo por depositar tanta profundidade em algo tão raso como um amor platônico de ensino médio. 


Espero que em alguma outra vida eu encontre Camila que possa se apaixonar por mim ou que sequer se permita me dar uma chance. Também espero que, nessa vida, ela se case com Chris e seja feliz, ao menos alguém tem que ter um final feliz aqui. O avião estava subindo e eu já conseguia sentir a pressão em volta dos meus tímpanos, pensar aquelas coisas estavam contribuindo muito para a minha distração. Tudo estava correndo bem, quando de repente senti um toque quente sobre minha mão, o que me causou um pequeno choque térmico e um despertar de meus devaneios. Devagar eu abri os olhos, mirando na direção de minha mão. Digamos que eu estava parcialmente apavorado, e fiquei mais ainda quando notei que era a mão de Camila sobre a minha. A mão dela na minha. Minha mão na dela. Todo mundo entendeu? Meus divertimentes estão em um curto circuito maluco, eu conseguia sentir. O Windows do meu corpo foi forçado a reiniciar e quando retornou continuava processando tudo muito lento. Nem percebi que estava prendendo a respiração até que meus pulmões começaram a implorar por ar. Vagarosamente meu olhar escaneou toda aquela imagem, focando em seu rosto. Seus olhos fechados, a testa franzida e os lábios semicerrados. Eu acho que meu sistema não vai sustentar essa resolução tão detalhada da obra de arte que é o rosto de Camila Cabello. 


Estava em dividida entre pular do avião ou fingir que não estava sentindo essa descarga elétrica que percorria por todo o meu corpo com seu toque. Pular do avião parece ser o mais viável naquele momento. Mantenha a calma, Lauren! Apenas mantenha a calma! - Meu subconsciente fala como se fosse a coisa mais fácil de se fazer nesse tipo de situação. Tudo bem, não é hora para desespero. Esse momento exige uma manobra de impulso rápido. Em um movimento desesperado, eu retirei meu braço de forma brusca, escondendo-o entre minhas pernas. Por que isso tem que acontecer sempre? - Eu choramingava em pensamento. A vida seria muito mais fácil se eu não existisse. Havia esquecido até de mascar o chiclete, tanto que conseguia ouvir zumbidos dentro dos meus ouvidos.


A vida seria mais fácil sem Camila Cabello. 


Era mais confortável por a culpa em terceiros do que ficar remoendo a si próprio. Era a melhor resposta para afagar seus pensamentos confusos, suas noites sem dormir, sua vida. Debrucei-me sobre o assento, virando-me para a janela coberta, voltei a por meus fones e fechei os olhos, na tentativa clara de esquecer tudo e deixar que o tempo cuide de tornar o presente em passado para que eu possa revivê-lo em situações futuras e me frustrar pelo ocorrido. 


Acabei adormecendo depois de alguns minutos, não fora muito difícil, mesmo sem ter um resquício sequer de sono. Fizemos um voo de quase dez horas, só despertei para me alimentar, evitando qualquer contato com o mundo exterior, queria ficar na minha própria cúpula até me recuperar do que ocorrera. Me mantive em silêncio quando desembarcamos, apenas concordando ou discordando de qualquer coisa que me perguntassem, a emoção já não era a mesma de antes, o que não me fazia desistir de tentar fazer com que essas férias sejam as melhores possíveis.


Alugamos um carro em uma loja ao lado do aeroporto, e eu não pude deixar de achar muito bem pensada a ideia de uma loja de aluguel de carros bem próximo onde as pessoas desembarcam. Imagina quanto dinheiro esse estabelecimento consegue fazer por ano? Todo mundo quer um carro legal pra fumar a sua erva em Amsterdã. O caminho para o Hotel foi conturbado, o trânsito estava bastante cheio, isso deixou meu pai mais do que enfurecido. Não cheguei a olhar para Camila desde que o avião levantou voo, pra ser bem sincera, eu estava evitando o desconforto que seria e ainda tentava entender o que havia sido aquilo. Era medo de avião? Tudo bem, mas que segure a mão do seu namorado, ele quem deveria passar segurança para ela, eu já estava em Pânico, aquilo só me fez piorar. Fico pensando na possibilidade de Christopher ter notado e isso ocasionaria em um problema muito maior. 


Ficamos com uma Hospedagem Compartilhada, porque era mais economicamente viável aos olhos de meu pai e seguro aos olhos de minha mãe. Clara e sua síndrome de mãe coruja. Não que eu me importasse, afinal proteção nunca era demais, mas existem os limites da privacidade. O dormitório era espaçoso, com uma cama de casal, uma de solteiro e uma beliche, também havia um painel suspenso à parede com uma TV razoavelmente grande e um climatizador que funcionava fazendo um barulho esquisito. Era simples, mas a vista era reconfortante. A varanda era como uma área de lazer, com uma mesa e seis cadeiras. 


Havíamos chegado ao anoitecer por isso meus pais acharam melhor descansarmos para amanhã ter um longo dia de caminhada. Aparentemente faríamos um passeio com mais um grupo de pessoas e um guia para conhecer todos os pontos turísticos da cidade, e apesar de parecer que não, eu gostava desse tipo de programação em família e da informação que isso me traria. Às oito horas da noite todos já estavam dormindo, eu era a única que não conseguia sequer tirar um cochilo. Não sabia explicar o motivo daquela insônia, nunca tivera dificuldade para dormir, mesmo que estando sem sono, talvez a ansiedade de conhecer os Coffeeshops daqui estavam me rondando e me impedindo de descansar. Levantei da cama impaciente, minha cabeça dava voltas e mais voltas, eu tentava pensar em coisas aleatórias para que minha mente não focasse em acontecimentos desnecessários. A vontade súbita e agonizante de fumar um cigarro preenchia os meus pensamentos e me pressionava a arriscar, até que não tive mais chances de me negar e retirei do fundo falso de minha mochila um maço de cigarros e um isqueiro. Calcei os chinelos e vesti um casaco, fui até a varanda e fechei as portas da mesma para que caso alguém acordasse, eu tivesse tempo suficiente para jogar tudo pela varanda e sortudo seria quem encontrasse lá embaixo. Segurei um cigarro entre os meus lábios e usei o isqueiro para acende-lo, tragando de primeiro momento. Incrível como seu corpo reage ao primeiro cigarro do dia, o arrepio na espinha se espalhava por todo o resto. Mais incrível ainda é acreditar que as pessoas inventaram algo que te mata lentamente sem que você perceba de uma forma tão gostosa que você até se sente bem, mesmo sabendo que isso não tá contribuindo pra sua saúde pulmonar. 


- Não consegue dormir? - A voz de Christopher preencheu o silêncio.


Me mantive paralisada, não esperava que mais alguém além de mim estivesse acordado. Não consegui ouvi-lo chegar. Olhei para ele de forma desesperada, mas ele se mantinha passivo se aproximando de mim. 


- Tá tudo bem. Eu não vou te delatar pra mamãe, se é que você tá pensando. - Ele adiantou, parando ao meu lado e apoiando os braços a barra de proteção. Pelo menos isso me deixou aliviada. 


Eu não esperava uma reação diferente de Christopher, sabia que ele tentaria entender antes de julgar, mas o susto era inevitável. Voltei a olhar para o nada, engolindo em seco. Meu coração já estava cansado dessa instabilidade no seu compasso e eu também. 


- Tá se sentindo atingida pelo fuso horário? Em Miami são... - Ele fez uma pausa para checar em seu relógio. - Quase duas e meia. - Sorriu ao concluir. 


Dei mais um trago forte no cigarro, a fumaça desembaraçava o nó de pensamentos na minha cabeça. Aquele momento parecia propício para uma conversa sem filtro, um diálogo honesto, onde geralmente um se apoia no outro, mas eu não conseguia me abrir mais para Christopher como antes. Não sei quando mentir pra todo mundo passou a ser a coisa que eu mais fazia com frequência. 


- Talvez seja. - Foi só o que consegui dizer, deixando que a fumaça fluísse por minhas narinas e se dispersando no ar. 


- Então... Quando você começou a fumar? - Ele questionou, tentando puxar assunto. 


- Sei lá, acho que as ocasiões tornaram isso um hábito. 


Essa conversa era estranha, nunca imaginei que chegaria a ter esse tipo de assunto como central em um diálogo entre irmãos. 


- E é bom? - Ele parecia curioso e eu não acreditava que Christopher havia seguido as regras de minha mãe sobre se manter longe de drogas e eu não. 


- Sério que você nunca fumou? - Questionei, rindo baixo. 


- Qual é? Mamãe me mataria, você sabe que ela sempre pegou mais pesado comigo do que com você. - Choramingou. 


- Quer experimentar? - Estendi o cigarro para ela, que prontamente negou. 


- Não, estou de boa... Por hora. - Concluiu com um sorriso sugestivo e eu o retribui da mesma forma. 


O silêncio se instaurou naquele momento. Eu não sabia mais o que dizer e ele parecia relutante e inquieto. 


- Tenho te notado estranha, Laur. Não parece ser coisa de agora. - Ele tentou forçar uma abertura, mas eu não estava muito receptiva hoje, apesar de cansada de todas essas barreiras que eu mesma construí na nossa relação. - Você não quer me contar o que tá te incomodando? É algo na escola? Tá com problema com alguém? 


Apenas neguei com a cabeça, jogando as cinzas do cigarro fora da varanda. O que devo dizer? 


- Não é nada, Chris. Acho que tô passando por umas mudanças que só eu consigo resolver, não sei se contar pra alguém me ajudaria. - Estava usando meias verdades, o que não era de todo ruim, ao menos estava sendo sincera. 


- Mas será que eu não poderia te ajudar nem um pouco? - Insistiu, eu sentia seu olhar queimando sobre mim. - Eu prometo que não vou te julgar, não gosto de ver você dessa forma. 


Era doloroso ver Christopher tentando me compreender de todas as formas e se mostrando completamente disposto a me ajudar, quando eu estou pensando em como seria estar em seu lugar. Em momentos como esse eu conseguia enxergar o tipo de ser humano que eu sou, o meu lado sombrio. 


- Eu queria que pudesse, irmão... - Falei em baixo tom. - Mas eu acho que ninguém pode me ajudar agora. 




Notas Finais


Comentem o que acharam e quais são suas expectativas para o próximo capítulo!

Beijão


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