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História TWICE | NATZU - 9 meses para te amar - Capítulo 4


Escrita por: beartrapxx

Capítulo 4 - Wet earth


Voltamos para a JYP quase três dias depois. Durante esses dias, eu tentei ao máximo mostrar que estava lá por Momo e pelas meninas. Notei que Tzuyu estava ainda mais grudada comigo e com Jihyo, Sana andava meio cabisbaixa porque aparentemente seu namoro também não ia bem mesmo que Changbin parecesse paciente, acho que ele tinha limites.


Trabalhamos duro naquele primeiro dia de volta. A tempestade ainda nos rondava, o vento, a chuva pingava aos poucos e eu sentia o cheiro de terra molhada aos poucos tornando tudo um pouco melhor. Havia ainda a forte radiação do sol - nosso amor - tocando minha pele e me dando alívio.


A pequena trainee foi me ver, me abraçou forte e disse que tudo iria ficar bem. Precisei sair de perto dela para não chorar diante da garotinha. Quando entrei no banheiro, por algum motivo, eu não podia controlar as lágrimas. Eu só chorava e chorava e chorava. Senti o abraço forte contra mim, os braços musculosos e o perfume da Gucci me afirmaram que Jackson era quem dizia 'Shh' baixinho e afagava minha cabeça.


_Eu prometo que vai ficar tudo bem. -Ele falou. _Vocês têm uma a outra, isso basta.


Eu assenti. Isso bastava. O agradeci e me recompus, Jackson saiu comigo pelo corredor e me deixou na sala de prática com as meninas. Continuamos ensaiando juntas, ninguém falava nada além do necessário, Momo praticava com um semblante triste, Chaeyoung tinha um algodão no ouvido e Mina não tirava os olhos dela através do espelho. Jeongyeon e Dahyun pareciam se apoiar e Sana estava mais falante com Tzuyu.


O dia se foi bem, o comeback estava há três semanas dali e logo JY lançaria os teasers. Eu imaginava qual seria a reação do público. E eu ainda nem havia falado com mamãe.


_Estou morta. -Tzuyu disse quando chegamos em casa.


Me coloquei atrás dela no sofá e comecei uma massagem em seus ombros, aos poucos ela foi relaxando, vi Sana olhar e desviar os olhos enquanto conversava com Changbin no telefone.


_Você trata a situação do seu ponto de vista, mas você está vendo a situação de fora e deveria ao menos tentar me entender. -Ela falou irritada. _Changbin, se eu não gostasse de você eu jamais teria dito sim. -Bufou. Era quase impossível, JY sempre avisou sobre isso. _Faça o que você quiser. -Desligou e se sentou no sofá. Vi que iria chorar.


A tempestade se fortaleceu, Sana era uma das que mais irradiava calor e vê-la assim deixava nosso sistema solar abalado, o planeta que ela era perdeu a cor e a vida por alguns instantes.


_Está melhor? -Perguntei a Tzuyu.


_Sim, bastante. -Sorriu. _Sua vez. -Ela se levantou e eu me sentei na beirada do sofá, lá estava ela atrás de mim, sua respiração em minha nuca me deixou arrepiada e eu sabia que ela notaria, mas não falaria nada. _Você está nervosa de novo.


Estou, e a culpa é sua. Só que eu não podia dizer. A suas mãos quentes deixavam a pele de meus ombros rendida, como não seria se ela tocasse todo o meu corpo? Eu queria Tzuyu em todas as maneiras possíveis, eu queria poder chama-la de minha, levar a um passeio por qualquer canto do mundo desde que fôssemos só nós. Os céus sabem que tudo que eu queria era estar sozinha com seus olhos castanhos nos meus. Quem sabe ela poderia sentir o mesmo...


_Preciso tomar banho. -Falei e me levantei interrompendo a massagem.


_Mas Nay...


Eu já tinha subido.


Entrei no banheiro tirando a blusa e Momo já estava lá na banheira, totalmente nua. A visão não causava nada, só um certo desconforto porque querendo ou não ela era muito linda.


_Entra. -Ela disse abrindo os braços. Terminei de tirar as roupas e me juntei a ela, senti seus braços ao meu redor e seu ombro em meu queixo. _Você está bem? Parece nervosa. 


_Estou bem. -Menti. Eu estava péssima sobre Tzuyu, eu a queria tanto que chegava a doer.


Como eu era capaz de esconder tanto tempo? E por que eu sentia que o tempo estava acabando?


Não demorou até o comeback chegar e até lá, eu tentei ser meu melhor para Tzuyu, talvez o sentimento passasse afinal, ser implicante nos últimos anos não resolveu. Eu a tratei bem. Fiz café da manhã para ela, comi tudo enquanto ela mandou, estive me cuidando e cuidando dela como uma verdadeira unnie e não passou.


Tivemos as gravações finais do MV por duas semanas e o conceito era meio dark e meio triste demais para ser verdade.


Notei alguns olhares de Jihyo sempre que eu estava com Tzuyu só que ela sempre se virava, nunca falava nada, seus olhos pareciam perdidos as vezes e eu sentia muito por não poder fazer algo para ajudar.


No dia do comeback, lá estávamos nós fazendo uma live de despedida. Tivemos quase três milhões de pessoas assistindo e Sana chorou tanto que precisou sair.


Meu coração estava quebrado.


JY abriu as vendas dos ingressos para a turnê no mesmo dia do comeback, lá iríamos nós entre 2025 e 2026 em turnê mundial e eu precisaria dizer adeus para as mulheres e o amor da minha vida.


_Nós vamos para os Estados Unidos primeiro. -Jihyo falou e o nosso acessor assentiu.


_Serão mais de dois shows nos Estados Unidos, no México e no Chile. -Ele virou a página. _Vocês terão três no Brasil, já que a demanda dos últimos anos foi imensa e, como as vendas começaram há apenas três dias, dois dos lugares estão esgotados e o outro está próximo. -Ele falou rápido. _Depois do Brasil, teremos dois shows na Espanha, um em Portugal e um na Itália. Em seguida iremos para a Inglaterra para dois shows e faremos uma pausa de um mês por causa dos jogos de inverno. -Nosso acessor tossiu. As meninas se entreolharam. _Por fim, voltam para fazer um show na Malásia, na Tailândia, Indonésia e três no Japão, finalizando a turnê em Seoul, com dois dias de shows.


Jihyo balançou a cabeça afirmativamente. Ela sempre debatia, questionava, queria saber e etc, dessa vez ela não disse nada. Era como se o prazer pelo trabalho estivesse esvaindo aos poucos de todas nós.


Fomos para casa para os preparativos das malas, tudo que iríamos precisar e sobretudo, nossos psicológicos para o último momento daquele que teríamos. A ansiedade e a tristeza agora eram parte de mim. 


Na noite anterior a viagem, recebemos a notícia de que Heechul estava preso e havia sido espancado por cinco homens encapuzados, era óbvio que o senhor Hirai ou JY tinham algo a ver com isso. A informação correu a internet e as pessoas comemoravam, Momo por outro lado ficou em silêncio, Chaeyoung manteve-se perto dela a noite toda. Eu dormi com Jihyo e Tzuyu, nós três ficamos abraçadas até o rosto de Tzuyu me deixar mal porque estava praticamente colado ao meu e eu, por pouco, não chorei. Parecia bobo, eu sei, só que eu a amava. Eu não gostava como uma adolescente que nutria um amor platônico, céus, eu a amava. Eu já ia fazer trinta anos de idade, eu tinha certeza absoluta que eu a amava. Como eu faria para contar aos meus pais no auge dos trinta anos? 


Acabei chorando baixinho, me levantei para ir até a sala de estar. Me sentei no sofá, os olhos estavam embaçados demais e eu não notei que Mina estava ali até que ela veio e me abraçou, chorei em seu abraço. 


Chorei, chorei muito. Mais do que das outras vezes. Nesse quesito eu me sentia uma adolescente imatura, eu chorava por Tzuyu como uma criança chorava sem seu doce favorito, sem seu cobertor ou um colo quente onde se aninhar. 


_O que foi, meu amor? -Mina perguntou com o ar dócil de sempre. Balancei a cabeça, eu só conseguia chorar. Não dava mais para esconder aquilo, mas eu precisava. _Vai ficar tudo bem. 


_Não vai. -Murmurei. _Não vai, Mina. -Tossi. Mina me encarou preocupada.


Eu acabei dormindo no sofá, quando o dia clareou, senti o perfume inconfundível contra meu rosto. Tzuyu estava checando se eu estava bem.


_Bom dia. -Ela disse beijando minha testa. _Por que você saiu da cama?


_Bom dia. Por nada, eu só... não sei. -Confessei e me ergui. Fiz uma massagem nas têmporas, ela continuava me olhando sem entender. _Preciso ir comer. -Falei saindo dali. _Logo temos de ir para o aeroporto. 


Tzuyu ficou um tempo na sala sem dizer nada. As outras meninas se preparavam, Momo estava grudada com Dahyun e Jeongyeon, Sana chorou por ter terminado com Changbin, Jihyo a abraçava e tentava consolar a japonesa, só que não tinha muito o que dizer porque quando era ela naquela situação, nós também não sabíamos o que dizer. 


Depois de quase três horas, finalmente estávamos no avião partindo para os Estados Unidos. O destino estava me zoando, Tzuyu iria ao meu lado em mais de vinte horas de vôo sem escalas naquele boeing enorme. Bufei e coloquei os fones após desejar uma boa viagem às outras. Na decolagem, Tzuyu segurou minha mão e inevitavelmente segurei a sua de volta, a apertei e a senti entrelaçar nossos dedos. Ela morria de medo. 


Durante o vôo eu a tive deitando a cabeça em meu ombro, se enrolou em uma manta colorida e abaixou a divisória entre nossos bancos. Se ela soubesse como eu me sentia, jamais teria se agarrado a mim daquela maneira. 


Eu a amo tanto, tanto. Tanto que não pude evitar tocar seu rosto, ela deu um sorrisinho antes de apagar definitivamente em um sono profundo. Ela acordou horas depois, ainda estávamos voando e eu lia algumas poesias aleatórias, Tzuyu viu e riu.


_Você está apaixonada. -Ela afirmou. _Por isso tem agido estranho. 


_O-O que? -A olhei. 


_Me fala quem é ele. -Me cutucou. 


_Não estou apaixonada. 


_Está. Mas tudo bem, se você não quer contar, eu respeito. -Sorriu e pegou um pacote de MMs para dividirmos. 


Eu torci para sairmos logo dali, mas mesmo assim não adiantou porque no hotel em Nova Iorque, Tzuyu e eu dividimos o quarto como no dormitório. Aquilo era muita ironia debaixo do céu acinzentado que estava se formando entre as garotas. 


Considerei evitar Tzuyu, fingir que aquilo não estava lá e quem sabe poderia sumir, agora eu já estava mais velha, não era possível que seria como na adolescência onde aquilo persistia. 


Persistia. Persistia e incomodava. 


_Droga. -Murmurei.


O tempo em Nova Iorque foi longo, ficamos praticamente três dias ali, depois fomos para o Texas e então para Miami, isso levou quase duas semanas, afinal a estrutura era imensa e dava muito trabalho. Nesses intervalos nós ensaiamos e passeamos, claro, eu tive de ir a Coney Island e ouvir a música da Taylor Swift assim como tive de ouvir The Chainsmokers em Miami e Kane Brown no Texas e todas as letras me levaram para Tzuyu.


(ouçam Afterglow do Ed Sheeran)


E ela vinha sendo mais próxima de mim do que nunca, isso estava dificultando tudo. Em Guadalajara, quase uma semana depois, Tzuyu deitou-se na mesma cama que eu após bebermos tequila com os staffs e as meninas, ela ria sem parar, eu ria sem parar, isso poderia nos levar a lugares perigosos e por isso eu reuni minha coragem e a deixei lá para ir até a cobertura com piscina e tirar as roupas antes de pular na água gelada. 


Céus eu precisava contar para ela o que eu sentia ou ela me mataria sem querer. Tzuyu me seguiu até lá e tirou suas roupas, totalmente nua ela pulou na água e nadou até mim. Aquela proximidade toda estava acabando comigo, eu queria chorar entre o efeito do álcool, tínhamos o show dali a dois dias, eu só queria estar mentalmente estável.


_Está fugindo de mim? -Senti o hálito de bebida. _Por que? Eu fiz algo errado? -Tocou meu rosto, estava perto demais. 


_Não. Você não fez nada de errado. -Só roubou meu coração anos atrás e isso está me matando ultimamente. _Só quero... pensar. Preciso-


_De espaço. Ok. -Ela disse e voltou nadando até a borda, saiu e pegou suas roupas antes de sair quarto adentro. 


Eu bufei e esfreguei os cabelos, boiei na água e respirei fundo. Eu precisava de coragem. Eu teria essa coragem. 


Por isso, esperei o último destino na Cidade do México e ao fim do show, quando voltamos para o hotel entre risos e brincadeiras na van, eu estava com meu conjunto de short e camiseta vermelhos, o calor ali era terrível, eu andei de um lado para o outro no quarto, Tzuyu tomou banho, tirou uma selfie e postou, deixou o celular e veio até mim.


_Quando vai parar de me evitar? Já faz quase quatro dias desde que pediu espaço, honestamente eu pensei que gostasse de me ter por perto. -Seu coreano meio bagunçado me fez rir e olhar para ela com desespero. 


_Eu estou... -Respirei fundo. _Eu estou perdida, Tzuyu. -Inevitavelmente eu comecei a chorar. 


_Como posso te ajudar? -Veio me abraçar e eu a afastei, passei as mãos no meus cabelos - agora mais curtos - e andei em círculos. Era agora ou nunca. Notei seus olhos confusos e esperançosos, como se esperassem algo extremamente urgente. _Confia em mim! Eu amo você tanto quanto elas te amam e nós vivemos juntas. 


_Eu estou apaixonada há anos. -Falei com a voz falha. Senti minhas pernas falharem, como se aquele peso ficasse pior naqueles instantes, me abaixei no piso do quarto. 


_E o que tem? É só você contar e resolver! Não somos proibidas, você sabe. -Ela se abaixou na minha frente. _Nayeon, deixa eu te ajudar, eu posso falar com a pessoa, não sei...


_Você não pode falar com a pessoa, Tzuyu. -A olhei com as lágrimas embaçando meus olhos. 


_Por que não? -Ela começou a chorar ao ver meu estado. 


_Porque... -Eu senti o peso começar a se esvair assim que abri a boca. _porque a pessoa é você, Tzuyu. 


O peso de foi e junto dele toda a minha esperança de um dia ter Tzuyu.



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