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História Twice's House - Capítulo 44


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Notas do Autor


então... como dizer isso?
eu passei por umas dificuldades nesse último mês, foi meio chatinho e eu pensei muito sério sobre parar de escrever fics (o negócio tava foda mesmo), mas acabei pensando melhor e consegui tirar forças para terminar isso aqui. bom, não completamente, já que ainda precisa de outro capítulo para finalizar, mas tudo bem. o importante é que estou aqui, certo, amores?
desculpas pela demora, espero que vocês gostem do capítulo da mesma forma. tem treta!!!! muita treta mesmo!!

Capítulo 44 - Epílogo! - IV


Vinte e quatro de dezembro, 09:26, residência das Myoui.

— Elas transaram? — repetiu Riko, levantando a sobrancelha. — Sério isso? — Chaeyoung deu de ombros, com uma cara de quem não sabia mais o que falar.

— É… longe de mim ser dedo-duro sobre essas coisas, mas considerando as circunstâncias e o quão bem conheço vocês, considerei ser uma opção melhor simplesmente falar — explicou Chaeyoung, tentando justificar sua escolha.

— As meninas sabem? — perguntou Mina, inclinando a cabeça para fitar a esposa.

— Bom, elas sabem que eu sei… e pareceram aceitar a hipótese de eu contar antes delas. Eu fiz algo como pedir permissão, mas sinto como se ambas houvessem achado não ter escolha. É meio complicado.

— Isso tudo parece muito complicado — falou Sejeong, balançando a cabeça e soltando um suspiro.

— Bom, fiquem à vontade para resolver isso, eu vou pintar porque tive uma ideia ótima, beijos. — Chaeyoung saiu e arrastou Mina junto, deixando Riko, Sejeong e Jeongyeon na cozinha pensando sobre o que fazer.

— É, isso é constrangedor — murmurou Sejeong, após alguns segundos em silêncio. — Você pretende conversar com ela, Jeong?

— Você não? — retrucou, arqueando a sobrancelha.

— Estou tentando entender se é realmente necessário fazer isso. Digo, Yena sempre foi tão madura, mesmo com as brincadeiras idiotas que puxou das mães… — Sejeong abriu um sorriso leve pensando nisso, sendo observada por Jeongyeon. — Sei que ela provavelmente fez isso tendo consciência dos próprios atos e do significado para si mesma. Acho estranho ela ter feito com uma garota que nunca viu na vida até uns dias atrás? Um pouquinho, mas nada para se fazer sobre isso, foi a escolha dela. Quanto à idade, se é para ser honesta, eu também comecei minha vida sexual com a idade dela e não atrapalhou o andamento do resto da minha vida, então me sinto hipócrita reclamando sobre isso. O que você acha, Riko?

— Eu penso o mesmo da Sakura, na verdade — respondeu a japonesa. — Ela é meio doida algumas vezes, porém é inteligente e tem um bom coração. Se ela fez isso, é porque viu algo na Yena, mesmo que fique negando a si mesma. Honestamente, aquela antipatia inicial delas sempre me cheirou estranha demais, a Sakura não é tão rude assim com desconhecidos.

— Do mesmo modo, pretendo falar com a Yena. Estamos precisando ter uma conversa há algum tempo… — Jeongyeon suspirou. — Mas preciso falar com outra pessoa antes.

— Quem? — questionou Sejeong, achando incomum o tom usado por Jeongyeon, que apenas abriu um sorriso meio esquisito.

— A única de nós compreensível o suficiente para lembrar como é ter 16 anos.




Vinte e quatro de dezembro, 11:31, praça central de Kyung-ha.

— O que estamos esperando encontrar aqui mesmo? — perguntou Kim Chaeryeong, uma das melhores amigas de Im Yuna.

— Eu não tenho a mínima ideia — admitiu Yuna, olhando ao redor e tentando encontrar algo bom o suficiente para cumprir com seu objetivo. — Precisa ser algo bonito, talvez não muito caro, meio elegante e provavelmente útil.

— Certo… mas para quem estamos comprando? — decidiu perguntar, um pouco hesitante por Yuna estar sendo muito misteriosa desde cedo. As duas garotas se conheciam praticamente desde sempre, pois Momo era muitíssimo amiga das mães de Chaeryeong, que adotaram-na ainda quando era muito jovem e em conjunto com a irmã mais velha dela.

— Para minha mãe.

— Qual delas, meu bem? Esqueceu que tem duas? — Chaeryeong arqueou a sobrancelha, usando um tom ácido clássico de quando não estava nos seus melhores humores.

— Calma, não precisa ser grossa. É para a Nayeon, está bem? Eu só sofro de delay na hora de lembrar do nome dela, sou acostumada a chamá-la de mãe.

— Tá certo. Agora entendi seu desespero, não parece fácil escolher um presente para a Nayeon.

— Não é?! Horrível estar passando por isso. Foi muito fácil escolher o presente da mamãe, porém o dela está me matando há semanas! — reclamou, exasperado. Era a quinta feira que visitava no último mês, sempre procurando o presente perfeito para sua mãe. Contudo, era muito difícil.

— Mamãe é a Momo? — Chaeryeong questionou, apenas porque se perdeu um pouco.

— Hm? Sim, é sim.

— Ah, tá. Muito confuso esse negócio de chamar as duas de mãe — murmurou, franzindo o cenho.

— Você não chama assim?

— Não, a… — Chaeryeong parou de falar, o que fez Yuna levantar a sobrancelha sem entender a pausa.

— A…? — incentivou, aguardando a finalização.

— Espera, eu estou tendo aquele delay de esquecer o nome agora — justificou, arrancando uma risadinha da Im, que esperou pacientemente sua amiga lembrar do nome. — Yoojung! Isso, a Yoojung gosta que a gente chame-a de pai, não me pergunte o porquê.

— Mesmo? Não lembro de te ouvir chamando-a de pai.

— Você esquece que ficou fora por muito tempo, não é, turista? — Chaeryeong riu do apelido da menina, que apenas revirou os olhos e abriu um pequeno sorriso.

— Ah, sério, estou quase desistindo aqui. Estamos andando há horas e nada de encontrar algo bom o suficiente para minha mãe — Yuna falou após passar mais alguns minutos andando pela feira e não achando nada que cumprisse os seis requisitos.

— Bom, por que não pede ajuda de alguém? — sugeriu Chaeryeong, recebendo um olhar esquisito de Yuna.

— Você é minha ajuda, unnie.

— Estou falando de alguém mais próximo de Nayeon, menina. Suas irmãs, por exemplo.

— Oh. — Chaeryeong revirou os olhos ao notar que sua amiga não havia pensado nisso, como era comum dela ignorar as opções mais fáceis. — Vamos ver… a Ryujin unnie provavelmente não terá a mínima ideia, então…

Yuna sacou o celular e procurou um certo contato, sorrindo ao encontrá-lo.

— Hyewon unnie? Preciso de ajuda.

Hein? Sobre o quê? — perguntou a mais velha, com uma voz meio arrastada.

— Quero comprar um presente para nossa mãe, mas não tenho ideia do que comprar. Você tem alguma sugestão? — Yuna ouviu um bocejo do outro lado da linha, com Hyewon demorando um tempo para responder:

Meio complicado isso aí, não acha?

— Por isso liguei para você. Estou procurando por algo há um tempo, mas ainda não encontrei o presente perfeito, sabe?

Sim, sim… — Hyewon suspirou e bocejou novamente. — Ah, não tô com vontade de pensar muito nisso. Ligue para a tia Mina, beijo, tchau e boa sorte.

Sem hesitação, Hyewon encerrou a chamada, fazendo Yuna ficar chocada por dois motivos: o primeiro era o fato de sua irmã ter desligado na sua cara de forma tão insensível; o segundo era por não ter pensado em ligar para a pessoa mais óbvia, a melhor amiga de sua mãe.

— E aí? — falou Chaeryeong, um pouco curiosa. — Você está com uma cara estranha. Ela disse algo bom?

— Sim… disse.

Yuna não perdeu tempo em procurar o contato de Mina, sorrindo largo ao achá-lo e aguardando calmamente.

Yuna?

— Oi, tia! Tudo bem? — respondeu energicamente, feliz por saber que era muito difícil Mina não ter alguma ideia boa.

Sim. Você está bem? Alguma razão para ter me ligado?

— Sim, sim. Preciso de ajuda, tia. Eu quero dar um presente para minha mãe, só que não estou tendo ideias boas e queria uma ajudinha com isso.

Ah, entendi. Para a Nayeon, não é?

— Isso. — Mina silenciou por alguns segundos e Yuna esperou com expectativa.

Quais foram suas ideias, Yu?

— Bom, eu pensei em alguma joia ou roupa, mas ela já tem tantas diferentes e eu não sei se teria dinheiro o suficiente para comprar algo, então estava procurando um negócio mais prático e barato.

E não está encontrando nada que combine o suficiente com ela, né?

— Exato. Tem alguma ideia, tia?

Bom… entendo que você quer comprar algo duradouro e útil para ela, mas, sendo sincera, é quase impossível encontrar algo assim para a Nayeon. Viajar pelo mundo com a Momo fez com que ela comprasse as coisas mais doidas possíveis, então isso é bem difícil porque ela já deve ter tudo. Mas, olha, existe algo… é meio chato de encontrar, porém eu conheço uns lugares que podem ter. Posso te mandar a localização por mensagem e você vai atrás. Não é duradouro, mas prometo que vai deixar a Nayeon muitíssimo feliz, especialmente por vir de você. Tudo bem? — Yuna pensou sobre as palavras de Mina, um pouco dividida pela tal sugestão não cumprir exatamente com todos os requisitos que ela definiu. No entanto, a Myoui devia conhecer Nayeon quase tão bem quanto Momo, quem sabe até melhor. Valia a pena confiar, certo?

Sim, pode dizer o que é. Eu vou atrás.




Vinte e quatro de dezembro, 14:57, casa das Minatozaki.

— Sana, você vai cair.

— Deixa de me azarar, Tzuyu. Se eu cair, a culpa será sua.

— Minha nada, a burrice é sua de tentar colocar a estrela desse jeito.

— Será sua, sim, porque além de me azarar não está segurando a escada para mim.

— Foda… — xingou a Chou, suspirando e se aproximando para segurar a escada onde Sana havia subido para tentar colocar a estrela no topo da árvore de Natal delas, que tinha quase dois metros de altura.

— Prontinho. Tá vendo? Não cai — disse Sana, descendo da escada após finalizar seu serviço e sorrindo de forma convencida ao alcançar o chão com segurança.

— Meus parabéns, viu? — retrucou, cheia de ironia na voz. — Você é a melhor colocadora de estrelas dessa região, não há como negar.

— Obrigada. — Como sempre, Sana ignorou completamente a acidez de Tzuyu e sorriu como se aquelas palavras fossem um elogio de verdade. — Que horas as meninas chegam?

— Não tenho ideia, mas Jihyo disse que já estava vindo.

— Ah, certo, então eu verei logo minha bebê — concluiu, obviamente referindo-se a Jiheon, algo que fez Tzuyu cruzar os braços e encarar a esposa com um sorrisinho.

— Sabe, nunca te vi tratar a Minjoo com tanto carinho quanto como você trata a Jiheon.

— Isso é porque a Minjoo nunca foi lá a criatura mais carinhosa do mundo, especialmente com a gente. Não tenho ideia de quem ela puxou — rebateu, apontando deliberadamente para Tzuyu enquanto falava.

— Você sabe que eu tô vendo sua mão apontando para mim, né?

— Sei de nada. — Sana deu de ombros, provocando uma risada na taiwanesa por conta do quão sonsa a mais velha conseguia ser quando queria.

— Certo, seu argumento é válido, então não provoco mais sobre isso — admitiu, aceitando a derrota.

— Obrigada. — Ela sorriu doce para Tzuyu, logo se afastando para pegar o celular que estava tocando. — Oi, Dah — falou, denunciando ser Dahyun quem ligava. — Claro que pode, será um prazer conhecê-la e aposto que Yeji ficará bem feliz. Duvido que se importem, ela deve ser divertida. Tudo certo, então. Beijo, até mais tarde. Não se atrase, viu? Ok, tchau.

— O que a Dubu queria? — questionou a maior, com sua curiosidade comum.

— Só saber se podia trazer a irmã mais velha da Yeji.

— Ah, certo. É o primeiro Natal juntas delas depois de ficarem separadas, né?

— Sim. Dahyun disse que a família da irmã de Yeji não é muito de comemorar o feriado como a nossa, por isso ela ficará aqui.

— Entendi. Será divertido para ela, espero. — Tzuyu deu de ombros, ouvindo a campainha tocar em seguida e indo atendê-la com calma. — Oi, Hyo unnie. Tudo bem?

— Olá, Tzuyu! Estou ótima. — Jihyo abraçou a amiga e entrou logo depois, cumprimentando Sana do mesmo modo.

Somi, Wooyoung e Jiheon foram entrando depois, falando com Tzuyu dos seus próprios jeitos. Assim que entrou, a filha mais velha das Park não demorou para correr e abraçar Sana, que riu por conta de sua animação.

— Oi, fofinha. Como está?

— Muito animada para hoje! Eu adoro o Natal. — Sana sorriu, apertando a bochecha da menina.

— Eu também. Vamos nos divertir muito hoje, já estou com algumas coisas prontas.

— Ah, tia Sana, isso era exatamente o que eu queria ouvir. — As duas riram uma para a outra, daquele jeitinho cúmplice só delas.




Vinte e quatro de dezembro, 18:28, casa das Minatozaki.

— Eu preciso de um beijo — disse Minjoo, olhando com uma surpreendente seriedade para Nako.

— Como? Por que precisa de um beijo? — retrucou, franzindo o cenho. A Myoui estava muito de boa sentada na sala e assistindo algo na TV junto de Hyewon, até sua namorada chegar com essas doideiras.

— Porque eu preciso — reforçou, ainda encarando Nako e fazendo uma versão mais leve da sua expressão de cachorrinho que caiu da mudança.

— Tá bom… — murmurou a mais velha, dando um selinho na sua namorada bem rápido, pois ainda tinha uma certa vergonha. Minjoo sorriu como uma besta depois disso, mostrando o dedo polegar num sinal positivo e indo de volta para o buraco de onde tinha saído. — Esquisito…

— Sua namorada é estranha demais, nossa — disse Chaeyoung, balançando a cabeça e encarando o ponto onde Minjoo havia sumido.

— Mãe, a senhora não tem direito de dizer isso. Você e mamãe Mina são bastante esquisitas, não sei do que está falando. — Nako não hesitou em rebater. Apesar de concordar com sua mãe sobre Minjoo ser estranha, não ia ficar sem defendê-la, né?

— Garota, ficou atrevida só porque começou a namorar? — Chaeyoung levantou a sobrancelha, vendo Nako se encolher e abrir um sorriso envergonhado.

— As pessoas mudam quando namoram, né… é por isso que apenas gosto das minhas comidas e séries, nada mais — falou Hyewon, lançando um olhar na direção das Myoui.

— Você é esperta, Hyewon. Talvez mais do que todas nós.

— Não discordo — pronunciou Nako, suspirando. — Amor é difícil…

— Cala a boca que você tá na parte boa. Aproveita enquanto isso.

— Estou? Ser casada não é bom?

— Claro, meu bem, é ótimo. Exceto pelas contas, trabalho, vida adulta, falta de tempo, eventuais filhos, entre outros. Mas claro que é ótimo. — Chaeyoung abriu um sorriso meio estranho, fazendo Nako retribuir com um olhar diferente.

— Ok, eu vou aproveitar o namoro. — A mais velha sorriu com isso, dizendo uma última coisa antes de sair:

— Já tá mais esperta do que eu.




Vinte e quatro de dezembro, 22:37.

— Isso era meio óbvio, não?

— Para quem? — questionou Jeongyeon, olhando com justificada curiosidade na direção de Tzuyu.

— Para qualquer um com olhos — retrucou como se fosse óbvio, balançando a cabeça com as feições estranhas de suas amigas. — Ah, qual é, gente! Eu fui levar a Minjoo na casa da Mina uma vez e parei para cumprimentar a Yena quando ela e Sakura estavam no mesmo cômodo. Se tivesse mais tensão sexual entre elas, já daria para competir comigo e a Sana.

— Olha, eu não cheguei a ver nada delas duas porque só fui buscar a Riko uma vez para sairmos e nem falei com Yena e Sakura, mas pela minha experiência de vida, devo dizer uma coisa: a Tzuyu tá certa.

— Obrigada pelo apoio.

— Nada, pudinzinho. — Sana sorriu com o carinho rápido que Tzuyu fez em seu cabeça, parecendo um animalzinho contente.

— Tá, eu posso até concordar com isso — disse Jeongyeon, chamando a atenção as meninas para si novamente. — Apesar de não ter ideia de como essa Sakura deve ser para conseguir despertar esse tipo de coisa da Yena…

— Ah, qual é, a Sakura é bonita. Além disso, elas devem ter sentido alguma atração assim que se conheceram, por isso a reação de ficarem se atacando. Você tinha basicamente a mesma coisa com a Nayeon.

— Não mentiu — murmurou Nayeon, dando de ombros.

— Só uma coisa: elas realmente transaram? E como descobriram isso? — perguntou Jihyo, vendo os olhos se voltarem para Chaeyoung 

— Foi no dia que a Riko passou com a Sana — começou a explicar calmamente. — Mina estava trabalhando, Nako também foi ficar com a Minjoo, Nakyung estava na casa da Nay e eu resolvi dar uma saidinha. Nem pensei muito sobre, até porque Yena e Sakura andavam mais calmas nos últimos dias. Fiquei fora por umas quatro horas, por aí, e quando voltei, eu ouvi. Resolvi não atrapalhar e só esperei elas acabarem mesmo. Enquanto eu canalizava minha energia materna para ter uma conversa com as duas, elas terminaram e jogamos as cartas na mesa. As duas pareciam bem envergonhadas, mas acho que foi mais pelo fato de terem transado na minha casa sem permissão, apesar de eu não ligar para essa parte.

— Você está realmente muito tranquila com tudo isso, né? — disse Momo, achando um pouco engraçado o modo sereno com o qual Chaeyoung agia.

— Só não me diz respeito, unnie. Até estarmos falando da Nako e da Minjoo, eu prefiro não me meter nesse assunto. Apenas contei porque as meninas deixaram, afinal.

— Ah, não, eu nunca deixaria algo com a Minjoo e a Nako ficar tão dramático — falou Tzuyu, novamente expressando seu desprezo pela situação.

— Dramático, Tzuyu? Sério? — rebateu Jeongyeon, parecendo indignada pela taiwanesa estar tratando o momento daquele jeito.

— Isso foi um pouco demais mesmo, Tzu… — Nayeon continuou, o tom de voz defensivo.

— Demais? Sério? Vocês que estão sendo exageradas com tudo isso!

— Ah, por favor, Tzuyu, a Jeongyeon só está tentando entender porque a menina fez isso.

— Justamente! Por acaso esqueceram como foi nossa juventude?! A garota vai fazer 17 anos, ela é confusa, se deixa levar pelos sentimentos mais estúpidos e instintivos possíveis e não faz ideia do que está fazendo até terminar! Isso não é o suficiente?! Ninguém vai morrer porque ela transou, metade de nós fizemos essa escolha na mesma idade e estamos vivas e bem, não estamos?! Qual a dificuldade de entender que ela simplesmente quis isso?! Falando sério, quem diria que vocês se tornariam um bando de adultas chatas, não é?! — A mais nova bufou, pondo as mãos na cintura e encarando as suas amigas e esposa.

— Tzu… — murmurou Sana, tocando na mão dela, que se desvencilhou do toque rapidamente.

— Não! Vocês estão precisando ouvir isso há muito tempo porque sinceramente, viramos um bando de idiotas chatas que se reúnem apenas por costume! A Jeongyeon mal consegue conversar direito com a própria filha e se recusa a aceitar que as duas são imensamente parecidas, Mina mal passa tempo com a família e a Chaeyoung finge que isso não a atinge, Momo evita ter conversas sérias com as filhas com medo de falar algo errado e a Nayeon se culpa por ter praticamente obrigado as filhas a crescerem rápido em função das constantes mudanças, Jihyo trata a Somi como se fosse filha dela porque se acostumou demais a fazer o papel de mãe e esqueceu como é ter uma esposa de verdade, e a Dahyun… — Tzuyu pareceu se acalmar um pouco ao olhar para Dahyun, acabando por suspirar e dar de ombros. —Tá, a Dahyun é a Dahyun e ela e a Hwang conseguem fazer isso funcionar não sei como. Bem melhor que a gente, aliás…

As nove amigas ficaram em silêncio após tudo aquilo, sem ter certeza do que dizer e evitando umas as outras, os sentimentos esquisitos e conflituosos nelas sendo demais no momento. Entretanto, Mina foi a primeira a notar algo estranho no discurso de Tzuyu, não demorando a perguntar:

— "A gente"? Está se incluindo nisso…? — Sete pares de olhos voltaram-se para o casal Minatozaki, tornando-se ainda mais curiosos depois de Sana cobrir o rosto com as mãos e suspirar. — Isso tem a ver com a Minjoo não passar muito tempo aqui nos últimos dias…?

Tzuyu desviou o olhar das amigas, cruzando os braços e olhando para Sana com uma certa tristeza. Era verdade que Minjoo passava a maior parte das férias saindo com suas amigas ou na casa das tias, mas ninguém havia achado estranho de fato até aquele instante.

— Estamos pensando em nos separar — disse Sana, trocando um olhar rápido com Tzuyu, mas não demorando a desistir de encará-la. — Nós…

Ela suspirou e levantou, começando a andar para fora da cozinha sob o olhar chocado de todas.

— Sana…

— Tzuyu, não. — Foi tudo que a japonesa disse, levantando a mão e parando a mais nova. Em seguida, ela apenas saiu, deixando Tzuyu e suas amigas para trás.




Vinte e cinco de dezembro, 00:45.

— Está tudo bem, tia Sana? — Jiheon perguntou, sentindo o quanto a japonesa parecia tensa e, quem sabe, triste.

— Sim — respondeu sem pensar muito, sorrindo para Jiheon. No entanto, seu olhar continuou um pouco perdido, como estava durante toda a noite. A pequena Park não era burra ou ingênua o suficiente para não notar a mentira em sua resposta, porém preferiu deixar de lado para não aborrecer Sana. — Não vai voltar para a pista?

Jiheon desviou o olhar da Minatozaki, indo para a sala ao lado onde a maioria das meninas dançava, ria e brincava. — Estou um pouco cansada, então irei ficar aqui com você. — Sana sorriu, pois também não era ingênua e sabia que Jiheon apenas decidiu ficar consigo para animá-la um pouco. Ela era realmente uma garota muito doce.

— Você parece bastante feliz hoje — murmurou, observando a expressão alegre que Jiheon não conseguia suprimir.

— Eu estou feliz. Sempre é muito divertido estar com todo mundo — falou como se fosse óbvio. Bem, era óbvio.

— Sim, eu sei — concordou Sana, ainda encarando a menina. — Mas tem alguma outra coisa, né? — Jiheon abriu um sorriso pequeno e um pouquinho culpado, sabendo o quão impossível era esconder algo de Sana.

— Eu… ah, eu gostei da irmã da Yeji unnie — admitiu, corando ligeiramente enquanto falava.

— A Saerom? — Sana levantou a sobrancelha, intrigada. — Ela não é mais velha?

— Sim, já soube disso. Não me importo tanto porque estou sem pressa quanto a isso. Só gostei dela, não sinto urgência alguma de fazer algo com a informação, apenas… aproveitar. Talvez daqui a sete ou oito anos, se nenhuma das duas houver encontrado outra pessoa que valha a pena e se ela gostar de mim… então quem sabe… — Jiheon falava com muita calma e convicção, como se tivesse pensado detalhadamente sobre todas as possibilidades. Sana não duvidava que tivesse.

— Você seria tão paciente? — indagou, curiosa para saber mais de seus pensamentos.

— Eu sou paciente, unnie. Mas não é sobre isso, é mais… saber quando alguém é certo pra você.

— Consegue reconhecer algo assim nessa idade? — Sana arqueou a sobrancelha, porém quanto mais perguntas fazia, mais Jiheon parecia decidida, o que era engraçado.

— No momento, sim. Talvez eu não saiba mais ou falhe em reconhecer daqui a um ano ou dois, mas eu sei agora. E seria Saerom, com toda a certeza. Ela me lembra você em alguns aspectos.

— E isso é algo bom? — Jiheon sorriu ao olhar para a Minatozaki, achando sua expressão divertida.

— Claro que sim, tia Sana. Você é legal comigo, assim como ela. Isso já é mais do que o suficiente. — A mais velha sorriu de volta, contudo inclinou a cabeça e disse:

— Você fala muito bem de alguém que acabou de conhecer. — Jiheon riu com isso, balançando a cabeça algumas vezes.

— Não é bem assim, tia. Conheço Saerom há algum tempo, eu estava na casa da tia Dahyun numa das vezes que Saerom foi visitar a Yeji. Conversamos mais de uma vez, porém só compreendi de verdade esses sentimentos agora.

— Oh, isso faz muito mais sentido — murmurou, ouvindo outra risada da Park. Ficaram um tempo em silêncio, até Jiheon falar:

— Obrigada por me ouvir e entender, tia Sana. — Ela virou para a japonesa e abriu um grande e sincero sorriso. — Você é realmente muito legal.

Em seguida, a menina levantou e voltou para perto de suas amigas, deixando a Minatozaki sozinha outra vez. Ainda assim, ela sorriu.




Vinte e sete de dezembro, 10:23, casa das Im.

— Então, precisamos conversar. — Foi provavelmente a primeira vez na vida de Somi onde ela disse essas palavras e as pessoas a levaram a sério. — Nós estivemos pensando muito sobre tudo que aconteceu e está acontecendo…

— "Nós" quem? — perguntou Nayeon, ainda sem entender o motivo de toda aquela reunião. Praticamente todas as "adultas" estavam ali, olhando para Somi enquanto ela tentava explicar algo.

— Eu, Somi, Sejeong e Riko — respondeu Eunbi, também se posicionando.

— Hm? E vocês estavam pensando sobre o quê exatamente…? — Dahyun perguntou, achando estranho o fato de sua esposa estar com o tom de voz sério. Raras eram as vezes nas quais Eunbi estava tão formal, especialmente nas reuniões comuns do grupo.

— Sobre isso — disse Somi, acenando para as meninas.

— Isso…? — Momo franziu a testa, sem entender.

— É. Isso. — A Park repetiu o aceno, como se ele explicasse perfeitamente.

— A Somi está tentando dizer que reconhecemos que vocês não estão no seu melhor momento — explicou Sejeong, tomando as rédeas da situação. — Como amigas e tudo mais. Sabemos a dificuldade que estão passando, tanto porque nos influencia diretamente quanto porque ouvimos a conversa de vocês no Natal. Foi sem querer, mas isso não importa. A parte relevante é que nós pensamos muito sobre e decidimos fazer algo. Essa é nossa proposta de ajuda. Ou, sei lá, intervenção. Como quiserem chamar. — Ela parou para observar as expressões nós rostos das nove mulheres, compreendendo o desconforto e curiosidade presente em quase todas e continuando após um período de silêncio: — A Tzuyu disse que vocês esqueceram de quando eram jovens e isso nos fez pensar naqueles anos, em como vocês eram e como viviam.

— E acabamos concluindo que talvez não fosse tão ruim voltar a esses dias no passado — continuou Riko, quase como se a troca fosse ensaiada.

— Você lembra que era a garota em coma no passado, certo? — falou Mina, talvez por impulso. Ela parecia irritada naquele dia.

— Sim, lembro muito bem, Myoui. Mas eu acordei, não é? E superei meu passado, trouxe o que aprendi antes do coma para o meu presente. Achei que tinha feito o mesmo — retrucou, tão impassível quanto Mina.

— De qualquer forma, nós pensamos no seguinte: como estamos todas de recesso por conta do final de ano, vocês poderiam passar um tempo juntas na nossa casa, do mesmo jeito que era quando moravam juntas. — Somi concluiu, mencionando o fato de Jihyo ter comprado a casa que as nove moravam quando eram jovens e agora ser local de morada da família Park. — Enquanto eu, Eunbi, Riko e Sejeong cuidamos das meninas juntas num lugar só para facilitar. Como elas já estão todas bem grandinhas, então podemos fazer isso, garanto. Vocês só precisam aceitar.

— Essa é uma ideia horrível — Jeongyeon disse sem pensar duas vezes.

— A vida de vocês se resumiu a tomar o que achavam ser boas ideias nos últimos anos e olha onde a amizade de vocês foi parar — rebateu Eunbi, surpreendendo com sua seriedade. — Talvez uma ideia horrível seja exatamente o necessário.

Todas se calaram após isso, ficando nos seus próprios mundos e processando a ideia doida das outras quatro.

— Vocês acham mesmo que conseguiriam cuidar das meninas? Elas são doze e vocês são quatro — lembrou Jihyo, sempre colocando as prioridades de outros acima das suas.

— Os números não importam. — Somi sorriu e ficou na frente da esposa, segurando sua mão para tentar tranquilizá-la. — Elas são nossas filhas e sobrinhas também, Hyo. A gente dá um jeito. Confia em mim. — A mais velha estava apreensiva e certamente receosa, porém ver Somi com aquele olhar sempre a acalmava.

— ...Está bem. Eu aceito.

— Tá falando sério, Hyo? — Nayeon não acreditou que a sua amiga mais responsável houvesse aceitado tão facilmente, porém Jihyo não precisou pensar mais.

— Sim, estou. Eu confio nelas e talvez isso seja bom para nós.

— É uma ideia muito ruim — reforçou Jeongyeon.

— Sim — concordou Jihyo. — É a pior ideia de todas. Vocês aceitam ou não?

— Eu vou — disse Dahyun. Ela teve sua própria conversa curta com Eunbi, terminando por concordar com a visão dela da situação.

— Também concordo — apoiou Momo, deixando Nayeon ainda mais surpresa.

— Por mim, sim. — Chaeyoung olhou para Mina após dizer isso, esperando a confirmação por parte da sua esposa.

— Chae…

— Mina, se você falar uma palavra sobre seu trabalho, eu vou gritar. E não vai ser bonito. Já chega dessa desculpa, está bem? Você está trabalhando continuamente há tanto tempo que ninguém seria idiota o bastante para te impedir de descansar por uma ou duas semanas. — A japonesa se calou diante do argumento de Chaeyoung, acabando por suspirar e acenar.

— Não sou doida de ir contra você após uma dessas.

— Você mereceu — finalizou a menor, dando de ombros.

— Bom, eu seria estúpida e hipócrita por recusar essa ideia — falou Tzuyu, deixando um suspiro escapar. — Apesar de me assustar bastante.

— É realmente bem assustadora — murmurou Sana, nervosa. Ela fechou os olhos e tentou se acalmar antes de continuar: — Mas talvez esse seja um motivo a mais para irmos, então eu aceito também.

— Se está todo mundo aceitando… — Nayeon inclinou a cabeça, ainda não tendo certeza se aquela era a melhor coisa a se fazer. — Parece estranho sermos as únicas de birra, não é, Jeongyeon? Afinal, somos as mais velhas.

A Yoo bufou em desagrado, porém concordou com o ponto de Nayeon através de um simples aceno de cabeça.

— Então está decidido — concluiu Sejeong, quase suspirando de alívio ao ver que realmente havia dado certo. — Vocês podem ir amanhã e ficarem no mínimo até o ano novo, okay? Nós achamos que seria bom ficarmos na casa de vocês, Momo e Nayeon. Por ser maior e tudo mais…

— Claro, sem problemas. Deve caber vocês e as meninas — garantiu Momo, parecendo até tranquila com tudo aquilo.

— Beleza. Estamos combinadas. Sem dar para trás agora — alertou, abrindo um sorriso. — Vamos até o final.


Notas Finais


eu disse que ia ter treta, né? ahsushua


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