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História TWILIGHT (bellice) - Capítulo 56


Escrita por:


Notas do Autor


A seguir, trata-se de um remake da história de crepúsculo no ponto de vista de Bella, mulher lésbica, e seu emblema será a presença de Alice.
Se você curtir, deixa um favorito e um comentário para ajudar no engajamento da história, para que outras pessoas também possam ler.

Fanfic Bellice: http://fics.me/21635092

Por favor confiram as notas finais!!!!

Música do capítulo: The Antidote, St. Vincent.

Capítulo 56 - Imprinting (amanhecer)


Quando eu voltei para a casa, não havia ninguém do lado de fora esperando notícias minhas. Ainda em alerta? Está tudo legal, eu pensei diretamente.

Meus olhos captaram imediatamente uma pequena mudança na cena agora familiar. Havia uma pilha de tecido em cores claras no último degrau da varanda. Eu me aproximei para investigar. Segurando a respiração, já que o cheiro de vampiros estava grudado na roupa de forma inacreditável, eu cutuquei a pilha com o nariz.

Alguém havia emprestado roupas. Huh. Edward devia ter captado o meu momento de irritação enquanto eu estava na porta. Bom, isso foi legal... e estranho.

Eu peguei as roupas com os dentes cuidadosamente e as carreguei até as árvores. Só para o caso disso ser uma piada daquela loira psicopata e eu tinha um monte de coisas para garotas aqui. Mas ela teria adorado dar uma olhada na minha cara de humano enquanto eu fiquei ali, nu, segurando uma roupa de verão.

Escondido pelas árvores, eu joguei as roupas no chão e me transformei em humano. Eu balancei as roupas, batendo-as contra uma árvore para tirar um pouco do cheiro delas. Elas definitivamente eram roupas cabíveis, calças meio marrons e uma blusa branca de botões. Nenhuma delas era longa o suficiente, mas parecia que elas iam caber em mim. Deviam ser de Emmett.

Eu rolei os punhos das mangas da camisa, mas não houve muito que fazer e relação às calças. Oh, bem.

Eu precisava admitir, eu me sentia melhor usando roupas, mesmo sendo fedorentas e eu não cabendo muito bem nelas. Era difícil não ser capaz de simplesmente correr até em casa e pegar outro par de calças de moletom quando eu precisava.

A coisa de ‘sem teto’ de novo, não ter nenhum lugar para o qual voltar. Nada de coisas suas também, o que não estava me incomodando tanto agora, mas provavelmente ia ficar chato em breve.

Exausto, eu caminhei lentamente até os degraus da varanda dos Cullen nas minhas roupas chiques de segunda mão mas eu hesitei quando cheguei na porta. Eu batia? Estúpido, já que eles sabiam que eu estava aqui. Eu me perguntei porque ninguém se dava conta disso, ou me dizia entre ou se manda. Que seja. Eu ergui os ombros e entrei sem convite.

A grande televisão de tela plana estava ligada, num volume baixo, mostrando alguma coisa que ninguém parecia estar assistindo.

Carlisle e Esme estavam de pé perto das janelas do fundo, que estavam abertas para o rio novamente. Alice, Jasper, e Emmett estavam fora de vista, mas eu os ouvi murmurando no andar de cima. Bella estava no sofá.

 -Eles só querem conversar. – Eu murmurei com a minha voz se arrastando de exaustão. – Nada de ataques no horizonte.

-Sim. – Bella respondeu. – Edward ouviu a maior parte.

Isso me acordou um pouco. Nós estávamos a uns bons seis quilômetros de distância.

-Como?

-Eu estou te ouvindo com mais clareza, é uma questão de familiaridade e concentração. Além do mais, seus pensamentos são um pouco mais fáceis de entender quando você está na forma humana. Então eu ouvi boa parte do que aconteceu fora daqui. – Edward respondeu no topo da escada.

-Oh. – Isso me incomodou um pouco, mas não foi por nenhum motivo especial, então eu deixei para lá. – Bom. Eu odeio ficar me repetindo.

Bella riu.

-Você quer ir dormir, Jake? Eu posso preparar a cama...

-Não, não. Tenho que ir onde eles estão, só vim avisar vocês. – Eu sorri.

-E Jake... Desculpa sobre isso de esconder a bebê, sabe? É só precaução.

-Oh. – Eu esfoleguei. – ‘Tá tudo bem... Mas ei, você é meio que mãe dela?

Ela respirou fundo.

-É... Eu acho que eu e Alice somos suas mães, e Rosalie é uma tia muito participante. – Ela riu, e eu acompanhei.

-E a história sobre os primos? – Eu perguntei.

Ela assentiu, já sabendo que eu não tinha comprado essa ideia.

-Quando tudo se resolver eu te conto, sim?

-E Bells... – Eu mordi o lábio. – Porque vocês não fogem? Aqueles primos do Alaska, sei lá.

-Já pensamos sobre isso, mas todo o material médico que Carlisle tem aqui não tem como ser reposto lá, além de que a licença de Carlisle só permanece nos Estado de Washington, para conseguir a licença para outro estado é mais uma dor de cabeça... A bebê com sede não pode esperar... Fora isso, não temos como comprar bolsas de sangue, por exemplo.

Eu assenti, sentindo novamente o embrulho no estômago imaginando a bebê tomando sangue.

-E Leah? – Ela perguntou, ansiosa.

-Ela está comigo na floresta, prefere ficar por longe, mesmo, respeitando o que você pediu... – Eu comentei, já desconfortável pelo assunto.

-Fico feliz. – Bella sorriu torto. – Algum imprinting?

Eu ri.

-Não mesmo, Bells.

Eu estava impressionado de ver o quanto ela parecia melhor, quanto ela parecia mais forte e autocentrada. Estávamos lado a lado e ela estava tranquila.

Eu senti cheiro de sangue fresco vindo do andar de cima.

-O que é isso? – Eu perguntei, enjoado, me reposicionando no sofá.

Bella mordeu os lábios.

-Ela é meio vampira, Jake.

Coloquei minha mão em cima da minha barriga sentindo meu estomago embrulhar.

Eu caminhei até a porta, contanto os segundos para ela enquanto andava, eu iria enlouquecer com aquele cheiro.

-Desculpa. – Bella murmurou.

Eu desci com dificuldade os degraus, meu único objetivo era ir pra longe o suficiente dentro das árvores que o ar seria puro novamente. Eu planejei esconder as roupas a uma distância conveniente da casa para futuro uso ao invés de amarrá-las a minha perna, então eu não ficaria cheirando-as também.

Assim que eu tateei os botões da nova camisa, eu pensei aleatoriamente sobre como botões nunca estariam na moda para lobisomens.

Bella estava atrás de mim.

-Merda! Bella! Eu gostava mais quando você chegava barulhenta.

Ela deu o seu sorriso tímido e desajeitado de sempre.

-Valeu pelas roupas. – Eu murmurei.

-Você acha que Leah quer algumas roupas? – Ela perguntou, desconcertada, levantando um punhado de roupas que estavam amassados em suas mãos.

-Posso tentar. – Sorri, pegando as roupas da sua mão em uma distância segura.

-Mostre a oferta na forma mais leve possível. Tanto quanto a oferta de qualquer outro objeto que vocês possam precisar, ou transporte, ou qualquer outra coisa mesmo. E banhos também, desde que você prefere dormir do lado de fora. Por favor... não se considerem sem os benefícios de uma casa. – Ela implorou.

Eu olhei para ela por um segundo, piscando os olhos de sono.

-Talvez eu aceite a cama.

Ela riu.

-Vem comigo.  

 

[…]

 

Eu estava sonhando que eu estava realmente sedento. E havia um grande copo de água em minha frente, tudo frio, você podia ver a neblina correndo a redor.

Eu agarrava o copo com força e tomava um grande gole, só para descobrir bem rápido que aquilo não era água, era água sanitária pura. Eu colocava tudo para fora, tossindo em cima de tudo, e um pouco saiu pelo meu nariz.

Queimava. Meu nariz estava pegando fogo...

A dor no meu nariz me despertou o suficiente para me lembrar de onde eu tinha pegado no sono. O cheiro era bem feroz, considerando que meu nariz não estava de verdade dentro da casa. Ugh. E estava barulhento. Alguém estava rindo muito alto. Um riso familiar, mas de alguém que não tinha o mesmo cheiro. Não pertencia a esse lugar.

Eu gemi e abri os olhos. O céu era um cinza sombrio, ainda dia, mas sem nenhum sinal de que horas. Talvez perto do por do sol, estava bem escuro.

Eu levantei da cama que Bella havia me trazido e caminhei até o primeiro piso da casa, o local seguro, a criança ficava no último.

-Já era hora. – O grandão resmungou não muito longe. – A personificação da serra elétrica estava ficando um pouco cansada.

Uma vez que meu rosto estava fora das penas, eu percebi outros cheiros. Como bacon e canela, tudo misturado com o cheiro de vampiros.

Eu vacilei, entrando no cômodo.

As coisas não tinham mudado muito, exceto que agora Bella e Alice estavam abraçadas no sofá.

-Jake está chegando! –  Seth vociferou.

Ele estava sentado no outro lado de Bella, seu braço pendurado sem cuidado sobre seus ombros, um prato transbordando de comida em seu colo.

O que diabos?

-Ele veio procurar você. – Bella disse enquanto eu me aproximava. – E eu o convenci em ficar para o café da manhã.

Seth viu minha expressão, e se apressou em explicar.

-É, Jake, eu estava só checando se você estava bem, porque você nem ao menos se transformou de volta. Leah ficou preocupada. Eu disse a ela que você provavelmente só queria ficar humano, mas você sabe como ela é. Tanto faz, eles tem toda essa comida aqui, e maldição... – Ele virou para encarar Alice. – Cara, você sabe cozinhar!

Alice riu.

-Obrigada. – Ela murmurou.

Eu andei para frente para ficar apenas alguns passos longe do sofá, ainda tentando agir normalmente.

-Leah está correndo em patrulha? – Eu perguntei a Seth. Minha voz ainda estava grossa por causa do sono.

-Sim. – Ele disse enquanto mastigava. Seth estava com roupas novas também. Elas ficavam melhores nele do que ficavam em mim. – Não se preocupe. Ela vai uivar se acontecer alguma coisa.

-Nós trocamos por volta da meia noite. Eu corri doze horas. – Ele estava orgulhoso daquilo, e era mostrado no seu tom de voz.

-Meia noite? Que horas são?

-Perto do amanhecer. – Ele olhou pela janela, checando.

Droga! Eu tinha dormido pelo resto do dia e a noite inteira.

-Merda! Desculpe por isso, Seth. Você deveria ter me acordado.

-Não, que isso, você precisava dormir bem. Você não tirou uma pausa desde quando? Da noite antes da sua última patrulha para Sam? Tipo quarenta horas? Cinquenta? Você não é uma máquina, Jake. Além disso, você não perdeu nada.

Eu rolei meus olhos. Sabia que eles haviam ficado com medo de Leah.

-O que tem para o café? O negativo ou AB positivo?

Bella gargalhou.

-Omeletes.

-Vá pegar um pouco de café da manhã, Jake. – Seth disse – Tem muito na cozinha. Você deve estar vazio.

Eu examinei a comida que ele comia. Parecia meia omelete de queijo e um quarto de um rolo de canela do tamanho de um frisbee. Meu estômago roncou, mas eu ignorei.

-O que Leah está comendo de café da manhã? – Eu pensei a Seth criticamente.

-Acho que ela não quer... - Bella murmurou tristemente. 

-Ei, eu levei comida para ela antes de comer qualquer coisa. – Ele defendeu a si mesmo. – Ela disse que para comer prefere animais mortos, mas acho prefere matá-los. Esses rolinhos de canela...

Lá de dentro, Carlisle estava trazendo um prato cheio para mim, igual o de Seth.

-Valeu. – Eu murmurei, sentando no sofá e me deliciando.

-E Jacob...

-Sim?

-Falando em caça... – Ele começou em um tom sombrio. – Esse vai ser um problema para a minha família. Eu entendo que a nossa preciosa trégua está inoperante no momento, então eu quero o seu conselho. Sam vai nos caçar se nós sairmos do perímetro que você criou? Nós não queremos ter uma chance para machucar ninguém da sua família, ou perder algum de nós. Se você estivesse no nosso lugar, como faria?

Eu me inclinei um pouco surpreso, quando ele jogou aquilo para mim daquele jeito. O que eu saberia sobre estar nos lugares dos sugadores de sangue? Mas, aí de novo, eu conhecia Sam.

-É um risco. – Eu disse, tentando ignorar os outros olhares que sentia em mim e apenas conversar com ele. – Sam acalmou por enquanto, mas estou bem certo que na sua cabeça o acordo está sem validade. Enquanto ele pensar que a tribo, ou qualquer outro humano, está em perigo real, ele não vai fazer perguntas primeiro, se você entende o que digo. Mas, apesar de tudo, a sua prioridade vai ser La Push. Realmente não tem suficiente deles para manter uma patrulha decente nas pessoas e também atrapalhar as nossas caças sem muito dano. Eu aposto que ele vai manter perto de casa.

Carlisle concordou, pensativo.

-Então eu acho que eu diria para vocês irem juntos, como precaução. E provavelmente irem durante o dia, porque ele estaria esperando a noite. Coisa tradicional de vampiro. Vocês são rápidos, vão além das montanhas e cacem longe o suficiente para não ter chance de ele mandar alguém tão longe de casa.

-Nós iremos três de cada vez. – Ele decidiu depois de um segundo. – Essa é provavelmente a melhor coisa para se fazer. A bebê precisa de proteção.

-Eu não sei, doutor. Dividir no meio não é a melhor estratégia.

-Nós temos algumas habilidades extras que vai fazer isso ficar igual. Se Edward for um dos três, ele vai ser capaz de nos dar algumas milhas de segurança... Alice, eu imagino que você consiga imaginar quais rotas vão ser um erro?

-Aquelas que desaparecerem. – Alice disse, concordando. – Fácil.

 -Ok, está combinado. Eu vou indo então. Seth, eu te espero de volta no pôr-do-sol, então tire um cochilo em algum lugar, ok?

-Claro, Jake. Eu vou me transformar assim que acabar. A não ser... – Ele  hesitou, olhando para Bella. – Você precisa de mim?

Eu revirei os olhos, Bella riu baixinho.

-Mesmo que sua companhia seja perfeita, eu estou bem, Seth, obrigada, vá com os seus irmãos. – Bella disse rapidamente.

Eu sorri. E este era o problema de ficar com vampiros, você fica acostumado com eles.

Eles começam a bagunçar a forma que você vê o mundo. Eles começaram a parecer amigos.

-Você vai voltar mais tarde, Jake? – Bella perguntou enquanto eu tentava sair.

-Uh, eu não sei.

Ela pressionou os seus lábios, como se estivesse tentando não sorrir.

Eu respirei profundamente.

-Talvez.

 

[...]

 

 

Ei, Jake, pensei que você disse que precisaria de mim ao amanhecer. Por que você não fez Leah me acordar antes?

Porque eu ainda não precisava de você. Eu ainda estou bem.

Ele ainda estava na metade norte do círculo. Nada?

Não. Nada, mas nada.

Você fez a patrulha?

Ele tinha pegado o meu lado da floresta para patrulhar. Ele prestou atenção na nova trilha.

Sim, eu corri um pouco. Você sabe, só para checar. Se os Cullens vão fazer uma viagem de caça.

Boa ideia.

Seth olhou para o perímetro principal.

Era mais fácil correr com ele do que com Leah. Embora ela tentasse, tentasse muito, havia sempre algo em seus pensamentos. Ela não queria estar aqui. Ela não queria ver minhas memórias com Bella, e, consequentemente, Alice. Ela não queria lidar com a amizade que Seth tinha com eles, uma amizade que a cada dia ficava mais forte.

Talvez nós devêssemos fazer uma varredura pelo leste. Seth sugeriu. Ir mais adiante, ver se eles estão lá esperando.

Eu estava pensando nisso. Eu concordei. Mas vamos fazer isso quando estivermos todos acordados. Eu não quero abaixar nossa guarda. Porém nós devemos fazer isso antes dos Cullens tentarem. Logo.

Certo.

Isso me fez ficar pensativo. Se os Cullens eram capazes de sair da área de modo seguro, eles realmente deviam continuar tentando. Eles provavelmente deveriam ter partido no momento em nós viemos avisá-los. Eles deviam ser capazes de permitir outras escavações. E eles tinham amigos no norte, certo?

Peguem a bebê e corram. Isso parecia ser uma solução óbvia para os problemas.

Eu devia ter sugerido isso, mas eu tinha medo que eles seguissem minha sugestão. E eu não queria que Bella e a bebê desaparecessem, e nunca saber se elas tinham conseguido ou não.

Oh, eu já perguntei a Alice sobre isso. Seth pensou.

O que?

Eu perguntei a ele por que eles ainda não haviam partido. Ido para a casa de Tanya ou algo assim. Algum lugar muito longe onde Sam não os seguisse.

É, eu falei sobre isso com Bella.

Minha caminhada vacilou e eu tremi com um passo atrás antes de recuperar o ritmo.

Seth estava com o modo “passar informações” ligado, sabendo que, por algum motivo, era tudo vitalmente interessante para mim, embora eu nunca tivesse pedido para escutar nada.

Ela estava conversando com Charlie, rindo e tudo...

Charlie! O quê?! O que você quer dizer, ela estava falando com Charlie?

Acho que ele liga todo o dia para falar com ela. Às vezes a mãe dela liga também.

Ela vai ter que fazer uma imitação bem convincente de um cadáver. Ou isso, ou vai ter que desaparecer. Achei que eles estivessem tentando deixar isso mais fácil para o Charlie. Por quê...?

Acho que é ideia da Bella. Ninguém disse nada, mas o rosto de Alice meio que combinou com o que você está pensando.

Nós corremos em silencio por alguns minutos. Eu comecei por uma nova linha, me dirigindo ao sul.

Não vá muito longe.

Por quê?

Bella me pediu para falar para você passar por lá. Alice quer você também. Ela diz que está cansada de ficar escondida como um morcego no sótão. Seth escondeu uma risada. Eu estava revezando com

Eu vou lá.

Certo. Seth não fez mais nenhum comentário. Ele se concentrou muito na floresta vazia.

Eu mantive meu curso para o sul, procurando alguma coisa nova. Virei quando tive algum sinal das primeiras habitações. Não estávamos perto da cidade ainda, mas eu não queria criar o rumor dos lobos novamente.

Eu passei pelo perímetro no caminho de volta, indo para a casa.

Eu hesitei na porta, tendo certeza que a bebê estava ali. E como eu achava, ela não estava.

-Olá, Jacob. – Alice disse. – Estou feliz que tenha voltado.

-Oi. Cadê a Bella?

-Com a bebê. – Ela sorriu.

-Ah...

Eu estava de pé, sem jeito, andando de um lado para o outro.

-Oh, maravilhoso. – Rosalie murmurou. Eu virei minha cabeça ao redor e a vi vindo de um corredor meio-escondido atrás da escada, fazendo uma careta severa para mim. – Eu sabia que senti um fedor.

-Cala a boca, Rose. – Ela revirou os olhos. – E o que você está fazendo aqui?

-Bella me expulsou, quer ficar sozinha com ela. – Ela sorriu um pouco triste.

Alice apenas riu cabisbaixa.

-Rosalie, por que você não pega algo para o Jacob comer? – Alice disse risonha após ouvir meu estômago roncar. Ela estava invisível, enquanto estava sentada quietamente atrás do encosto do sofá.

Rosalie encarou o lugar de onde a voz de Alice tinha saído com descrença.

-De qualquer maneira, obrigado Alice, mas acho que eu não iria querer comer algo em que a loira cuspiu. Eu apostaria que meu organismo não aceitaria muito amavelmente o veneno. – Eu falei, segurando um riso.

-Rosalie nunca envergonharia Esme exibindo tal falta de hospitalidade.

-Claro que não. – A loira disse em uma voz melosa que eu desconfiei imediatamente. Ela se levantou e voou para fora do cômodo.

Eu e Alice caímos emu ma gargalhada.

-Você me falaria se ela envenenasse, certo? – Eu perguntei.

-Sim. – Alice prometeu.

E por alguma razão eu acreditei nela.

Havia muito barulho na cozinha, e, estranhamente, o som de metal que protesta como se fosse maltratado.

Alice suspirou novamente, mas sorriu. Então Rosalie estava de volta antes que eu pudesse pensar mais nisto. Com um sorriso contente, ela colocou uma tigela prateada no chão próximo a mim.

-Desfrute, totó.

Tinha sido provavelmente uma tigela de misturar grande, mas ela tinha dobrado a tigela para trás de si até que tomou forma quase precisamente de um prato de cachorro. Eu tive que ficar impressionado com a habilidade rápida dela.

Porque a comida parecia muito boa, bife e uma batata assada grande com todo os adornos.

-Obrigado, Rose. – Eu sorri, honesto.

E por um instante, ela também retribuiu o sorriso, mas depois resmungou.

E então eu comecei a comer.

Ela fez uma cara de nojo e rolou seus olhos. Então ela sentou-se em um dos braços da cadeira e começou a passar pelos canais da grande TV tão rápido que não tinha jeito de ela realmente estar procurando por algo para assistir.

A comida era boa, mesmo com o fedor de vampiros no ar. Eu estava me acostumando com aquilo.

Quando eu estava prestes a começar a lamber a tigela para zoar com Rosalie, eu senti dedos frios na minha nuca.

-Bella! – Eu rosnei quando vi seu rosto brincalhão.

-Olá.

-Você não estava com a bebê?

-Eu te pedi para vir, seria estúpido não vir te dizer oi.

Engraçado como ter um marco de morte fazia mais difícil em pensar em ir, ou ter que deixá-los. Eu estava feliz que Seth trouxe aquilo consigo, então eu que eles ficariam aqui. Isso seria insuportável, imaginando se eles estavam prestes a partir.

-Tudo vai ficar bem. – Ela sussurrou, percebendo que eu estava pensativo. Não importava que essas palavras não significassem nada. Ela dizia isso de uma maneira como as pessoas cantavam aqueles ritmos sem noção para os jovens.

-Ok. – Eu murmurei.

-Eu não achava que você viria. Seth disse que você viria, assim como Alice, mas eu não acreditei neles.

-Por que não? Você me queria aqui.

-Eu sei. Mas você não tinha que vir, porque não é justo que eu queira você aqui. Eu teria que entender. Mas fica completo quando você está aqui, Jacob. Como se toda minha família estivesse unida. Quer dizer, acho que a vida é assim, nunca tive uma família grande antes. É bom.

Eu ri.

-É, Bells, mesmo você sendo toda esquisitona agora eu consigo lidar.

Ela revirou os olhos.

-É, você não perde uma chance. Na realidade é até um milagre você não falar que eu estou fedendo.

-Ah! Agora que você lembrou... – Eu apertei o nariz, realmente sentindo seu cheiro doce, mas fiz apenas para zoar com ela. – Você ‘tá falando com Charlie.

Seu rosto de repente ficou sério.

-Não aguento a ansiedade dele.

-É muito melhor...

Não. Não é melhor. – Ela me interrompeu, dura. – Mas eu não quero deixa-lo infeliz agora.

O que quer que aconteça, isso a deixa feliz. Eu vou cuidar do resto depois.

Isso não pareceu certo. Bella não iria adiar a dor de Charlie para depois, para alguma outra pessoa lidar com ela.

-Só não deixe ele virar o seu lanche. – Eu ri baixo, tentando amenizar a situação.

Ela cutucou meus joelhos com seu dedo frio.

-Talvez seja você... Mas não vou envelhecer claro, então isso vai dar um limite de tempo, mesmo que Charlie aceite qualquer desculpa que eu invente para as mudanças.

-Você lembra quando me tentou contar sobre a sua transformação? Como você a fez adivinhar?

Eu assenti.

-Eu estava explicando a ideia. Não posso falar para Charlie a verdade, seria muito perigoso para ele. Mas ele é um homem esperto, prático. Ele vai inventar sua própria explicação. Mas penso que ele vai entender errado... Depois de tudo, nós não demos pistas de vampiros. Ele vai presumir alguma coisa equivocada, como fiz no começo, e nós vamos conviver com isso.

-Maluquice. – Eu repeti.

-Sim. – Ela concordou outra vez.

-E a bebê?

-Sabemos pouca coisa. – Ela meditou. – É por isso que você não tem visto Jasper e Emmett por aí. É o que Carlisle está fazendo agora. Tentando decifrar histórias e mitos antigos, o máximo que podemos com o que temos aqui, procurando por qualquer coisa que nos ajude a prever o comportamento dela.

Histórias? Se existissem mitos, então...

-Então essa coisa não é a primeira de sua espécie?

-Talvez. Tudo é muito vago. Os mitos podem muito bem ser produtos do medo e da imaginação. Embora... os seus mitos são verdadeiros, não são? Talvez esses sejam também. Eles parecem estar localizados, ligados... – Alice respondeu.

-Como você achou...?

-Tinha uma mulher que encontramos na América do Sul. Ela foi criada de acordo com as tradições de seu povo. Ela já ouviu avisos sobre essas criaturas, histórias que foram passadas.

-Quais eram os avisos? – Eu murmurei.

-Que a criatura deve ser morta imediatamente. Antes que possa ganhar muita força.

-A mesma coisa que Sam pensou. Ele estava certo? – Eu falei mais para mim mesmo.

-Claro, as lendas deles dizem o mesmo sobre nós. Que devemos ser destruídos. Que somos assassinos desalmados. – Alice revirou os olhos. – Mas ela não teve nenhum comportamento anormal até então.

Eu assenti levemente, tentando processar aquelas informações.

 

[...]

 

Eu me senti bem em voltar para meu lado animal. Eu estava já estava cansado de ter ficado parado por tanto tempo. Eu apressei o passo.

Dia, Jacob, Leah me cumprimentou.

Que bom que está acordada. Há quanto tempo Seth está por fora?

Ainda não estou, Seth disse sonolentamente. Quase lá. Do que você precisa?

Você aguenta mais uma hora?

Claro, sem problemas. Seth levantou-se sobre seus pés, e espreguiçou-se.

Vamos correr rápido, eu disse para Leah. Seth, marque o perímetro.

Combinado. Seth pegou a parte fácil.

Leah correu na borda ocidental distante do perímetro. Antes que cortar perto da casa do Cullen, ela deu uma espécie de volta para encontrar comigo. Corri do leste direto, sabendo que até no meu máximo, ela me passaria se eu abaixasse a guarda por um segundo sequer.

Menos, Leah, Isso não é uma corrida, é uma missão de reconhecimento.

Eu posso fazer os dois e ainda chutar a sua bunda.

Ela riu.

Tomamos um caminho sinuoso pelas montanhas do Leste. Era uma via familiar. Tínhamos corrido por essas montanhas quando os vampiros tinham partido há um ano, nos fazendo mudar da nossa rota de patrulha para proteger melhor a gente daqui. Mas paramos quando os Cullen voltaram. Aquela terra era deles pelo tratado.

Não que isso significasse alguma coisa para o Sam agora. O acordo estava morto. A questão hoje era o quão disposto ele estava para espalhar sua força.

Ele estava esperando que algum Cullen descuidado entrasse nas terras deles clandestinamente ou não? Jared tinha falado a verdade ou tirado proveito do silêncio entre nós?

Nós entrando mais e mais nas montanhas sem achar nenhum sinal do bando.

Rastros de vampiros desapareciam por todos os lados, mas os cheiros eram familiares agora. Eu os estava respirando pelo dia todo.

Leah não quis me ultrapassar, embora ela pudesse agora. Eu estava prestando muito mais atenção nos novos cheiros do que à competição de velocidade. Ela continuou do meu lado direito, correndo comigo em vez de contra mim.

Estamos ficando bem longe, ela comentou.

É. Se Sam estava caçando alguém perdido, deveríamos ter cruzado com sua trilha à essa altura.

Agora faz mas sentido para ele se abrigar em La Push, Leah pensou. Ele sabe que nós estamos dando aos sugadores de sangue três pares de olhos e pernas extras. Ele não vai ser capaz de pegar de surpresa.

Isso foi só uma precaução, sério.

Então corremos em silêncio de novo. Provavelmente era hora de voltar, mas nenhum de nós queria. Era bom correr assim. Nós estivemos olhando para o mesmo círculo pequeno de um rastro por tempo demais. Era bom esticar nossos músculos e correr pelo terreno duro. Não estamos com muita pressa, então eu pensei que talvez deveríamos comer na viagem de volta. Leah estava com bastante fome.

É tudo coisa da sua cabeça, eu disse à ela. Esse é jeito que os lobos comem. É natural. É gosto é bom. Se você não pensasse da perspectiva humana...

Esqueça a conversa animadora, Jacob. Eu vou caçar. Não tenho que gostar.

Claro, claro, concordei facilmente. Não era da minha conta se ela queria deixar as coisas mais difíceis para si mesma.

Ela não acrescentou mais nada por alguns minutos. Eu comecei a pensar em virar.

Obrigada, Leah inesperadamente me disse em um tom muito diferente.

Por?

Por me deixar ser. Por me perdoar por ter sido uma idiota com a Bella. Você tem sido mais legal do que eu tenho direito de merecer, Jacob.

Tudo bem.

Acho que você é um bom Alfa, não do mesmo modo que Sam é, mas de sua própria maneira. Você está no seguinte valor, Jacob.

Minha mente passou escureceu com surpresa. Levei um segundo para me recuperar o suficiente para responder.

É... obrigado. Não é absolutamente certo que eu compre essa ideia, apesar de que... de onde ela veio?

Ela não respondeu de imediato, e eu não tinha seguido as palavras, e sim a direção de seus pensamentos. Ela estava pensando no futuro, sobre o que eu diria para o Jared de manhã. Sobre a forma como o tempo seria em breve, e que então, eu voltaria para a floresta. Sobre a forma como eu prometi que ela e Seth iriam retornar ao grupo quando o Cullens tiverem partido...

Eu quero ficar com você, ela me disse.

O choque foi como um tiro através das minhas pernas, travando as minhas articulações. Ela passou por mim como um sopro, e depois freou. Lentamente, ela caminhou de volta para onde eu estava congelado.

Não vou ser uma dor, eu juro, não vou seguir você de volta. Você pode ir onde você quiser, e eu vou chegar onde eu quero, você só tem que se colocar a mim quando estivermos ambos com os lobos.

Ela passeava para frente e para trás na minha frente, movendo a sua longa cauda cinza nervosa.

E como estou planejando em sair do seu grupo, há anos.

Eu quero ficar, também. Seth disse em pensamento, calmamente. Eu não tinha percebido que ele estava prestando atenção em nós, ele percorreu a pouca distância. Eu gosto do grupo, também.

Seth, este não vai ser um grupo por mais muito tempo. Eu tentei colocar meus pensamentos em conjunto, de forma com que pudesse o convencer. Nós temos um objetivo agora, mas quando... quando isso terminar, eu estarei sendo apenas ‘um lobo’. Seth, você precisa de um propósito. Você é um bom aprendiz. Você é o tipo de pessoa que está sempre em uma cruzada. E não há nenhuma maneira que você venha a deixar La Push agora. Você vai se formar da escola secundária e vai fazer alguma coisa de sua vida. Você vai cuidar de Sue. Meus problemas não vão interferir no seu futuro.

Mas...

Jacob é justo, Leah destacou.

Você está comigo?

É claro. Mas nada disso se aplica a mim. Eu estava no meu caminho para sair de qualquer maneira. Eu vou arrumar um emprego em algum lugar fora de La Push. Talvez fazer alguns cursos em algum colégio da comunidade. Fazer yoga e meditação para mudar meu trabalho com o temperamento em algumas questões... E manter uma parte deste grupo para o bem do meu bem-estar mental. Jacob, você pode ver a base que faz sentido, certo? Não vou incomodar você, você não vai me incomodar, todo mundo fica feliz.

Eu me movimentei para trás, e comecei a me mover em passos longos em direção oeste.

Isto é um pouco demais para lidar com Leah. Permitam-me pensar nisso um pouco mais?

Certo. Leve o tempo que quiser.

Nos levou mais tempo para voltarmos a correr. Eu não estava concentrado na velocidade. Eu estava apenas tentando concentrar o suficiente para que eu não bater em uma árvore. Seth foi resmungando um pouco na parte de trás da minha cabeça, mas eu era capaz de ignorá-lo. Ele sabia que eu tinha razão. Ele não era doido para abandonar a sua mãe. Ele iria voltar a La Push e proteger a tribo como ele deveria.

Mas eu não podia ver Leah fazer isso. E isso era simplesmente assustador. Um grupo de dois de nós? Não importava a distância física, eu não pude imaginar... a intimidade daquela situação.

Nós colidimos com um rebanho de cervo de rabo preto quando o sol estava surgindo, clareando as nuvens logo atrás de nós. Leah suspirou interiormente, mas não hesitou. A estocada dela foi limpa e eficiente, gracioso, até mesmo.

Ela pegou o maior, o corço, antes que o animal assustado entendesse completamente o perigo.

Para não exceder, eu abati o próximo maior cervo, quebrando depressa o pescoço dela entre minhas mandíbulas, assim ela não sentiria dor desnecessária. Eu poderia sentir desgosto de Leah em guerra com a fome dela, e eu tentei fazer isto mais fácil para ela deixando que o lobo em mim tomasse conta de minha ação. Eu tinha vivido totalmente como lobo bastante tempo para saber ser completamente o animal, ver do modo dele e pensar do modo dele. Eu deixei os instintos práticos assumirem, deixando ela sentir isso, também. Ela hesitou durante um segundo, entretanto, temporariamente, ela parecia desligar-se de sua mente e tentar ver meu modo. Isso foi muito estranho, nossas mentes se uniram mais do que já tinham se unido alguma vez, porque ambos estávamos tentando pensar juntos.

Estranho, mas a ajudou. Os dentes dela cortaram o pelo e pele do ombro de sua presa, rasgando um pedaço grosso de carne fora. Em lugar de recuar como os pensamentos humanos dela queriam, ela deixou seu lado lobo reagir instintivamente. Era uma coisa sem sentimento, uma coisa irrefletida. Isto a deixou comer em paz.

Era fácil eu fazer o mesmo. E eu estava alegre porque não tinha esquecido isto. Esta logo seria novamente minha vida.

Nós ficamos juntos até que ambos estivéssemos cheios.

Obrigada, ela me falou depois enquanto estava limpando o focinho com as patas na grama molhada.

Eu não me importei, há pouco tinha começado a chuviscar e nós teremos que nadar pelo rio novamente em nosso caminho de volta. Eu ficaria limpo o bastante.

Isso não foi tão ruim, pensando do seu modo.

De nada.

Seth estava se arrastando quando nós alcançamos o perímetro. Eu lhe disse para dormir um pouco, Leah e eu assumiríamos a patrulha. A mente de Seth tornou-se silenciosa apenas um segundo depois.

Você foi atrás deles? Leah perguntou.

Talvez. Seria bom você por lá...

Deve ser duro estar lá, mas duro se afastar, também. Eu sei como é isso, por isso estou aqui.

Sabe, Leah, você poderia querer pensar um pouco sobre futuro, sobre o que você realmente quer fazer. Minha cabeça não vai ser o lugar mais feliz na terra. E você terá que sofrer sem parar comigo. Não acha que isso é um mártir?

Ela pensou em como me responderia.

Wow, isto vai soar ruim. Mas, honestamente, será mais fácil de lidar com sua dor do que enfrentar a minha.

Justo o bastante.

A experiência com Sam, logo depois Bella...

Eu não pude responder.

Pelo menos, Sam e Bella estão felizes. Pelo menos, eles estão vivos e bem. Eu os amo o suficiente e eu quero isso. Eu quero que eles tenham o que é melhor para eles.  Eu só não quero ficar por perto para assistir.

Sinto muito sobre isso, Leah. Sinto muito que esteja sofrendo. Sinto muito que esteja pior e não melhor.

Obrigado, Jake.

Ela pensou nas coisas que estavam piores, nas cenas negras na minha cabeça, enquanto eu tentava a afastar, sem muito sucesso.

Você não quer ter um imprinting?

Não... Você quer esquecer o que sente pelo Sam... Pela Bella?

Ela pensou por um instante.

Eu acho que sim.

Eu suspirei.

Você ainda ama ela?

Um choro baixo ecoou onde estávamos.

Sim... Mas eu sei que ela não me quer perto, eu não vou me aproximar, e se fosse o inverso, ela o faria mesmo por mim.

Respeitar o seu espaço?

Exato.

O que você acha que ela vai fazer quando você tiver um imprinting?

Espero que ela fique feliz. E que não doa nela da mesma forma que me dói agora.

Eu fiquei em silêncio, por estar em sua mente, eu sentia sua dor como se fosse ela.

Eu estava cerca de uma milha longe de onde havia deixado minhas roupas, então eu me transformei de volta em humano e fui andando. Eu não pensei sobre a nossa conversa.

Eu não veria as coisas daquela maneira, mas foi difícil de evitar quando Leah colocou os pensamentos e emoções dentro da minha cabeça.

Era bem cedo quando eu cheguei em casa. Bella provavelmente estava com a bebê. Eu pensei em dar uma olhada, ver o que estava acontecendo, dar-lhes o sinal verde para caçarem e então achar um gramado suave o bastante para dormir enquanto estava em forma humana. Eu não havia me transformado até Leah adormecer.

Mas havia um burburinho do lado de dentro da casa.

Alice abriu a porta para mim antes que eu mesmo entrasse.

-Ei, Lobo. – Ela sorriu.

-Ei, baixinha. O que está acontecendo lá em cima?

O salão estava vazio, todos os murmúrios vinham do segundo andar.

-Estamos tentando tirar um raio x da bebê. – Ela sorriu levemente.

Engraçado como isso continuava a me atingir, como se cada novidade fosse uma surpresa. Quando eu deixaria de me surpreender?

Alice fitava minhas mãos, observando-as tremer.

Então nós estávamos ouvindo a voz de Rosalie no andar de cima.

-Ela está perfeita!

Alice fez uma cara.

-Bella vai acabar fazendo picadinho de Rose, eu acho. Ela está com muito ciúme da minha irmãzinha.

-Você pode ajudar ela com a parte do picadinho. – Eu ri.  Alice deu um meio sorriso. – Só vocês estão em casa?

Alice assentiu.

-Os outros foram caçar.

Não houve barulho algum por um minuto, mas logo senti uma presença, a loira estava ali. Eu podia sentir alguém me encarando, e eu sabia quem devia ser. Eu estava planejando ir embora e comer algo, mas a chance de estragar a manhã de Rosalie era boa demais para ser desperdiçada.

Então eu vaguei até a poltrona perto da que Rosalie estava sentada, me esparramando.

-Credo. Alguém soltou o cachorro. – Ela murmurou, retorcendo o nariz.

Eu ri, juntamente com Alice.

Eu ia soltar uma piada para a esposa da minha melhor amiga, mas seu cenho logo franziu, e ela olhou de forma opaca para o nada, e logo voou pelas escadas. Eu ouvia os pequenos sussurros dela e de Bella lá em cima.

-Você tem certeza disso, amor? – Alice perguntou.

-Sim, estamos sozinhas aqui, eu quero que ele conheça nossa filha. – Bella sussurrou.

E por algum motivo, eu me ajeitei onde eu estava sentado, ansioso. Bella chamou a bebê de filha, e isso era muito para mim, uma brusca mudança de realidade.

E em um passo normal, eu vi as duas descendo as escadas.

Ela segurou algo negro entre suas mãos, e então houve o som de uma gananciosa sucção vinda do pequeno ser que ela segurava, embrulhada em um manto verde musgo.

O cheiro de sangue no ar. Sangue humano.

É claro que iria querer sangue.

Sam estaria certo? A coisa era uma aberração, sua existência ia contra a natureza? Um negro demônio sem alma. Algo que não tinha o direito de ser.

Algo que deveria ser destruído.

Parecia que o puxão não tinha sido em direção à porta, afinal. Eu podia sentir agora, me encorajando, me puxando para frente. Empurrando-me pra fazer isso, para conhecer a verdadeira face daquele ser.

A tremedeira estava ficando mais forte e mais rápida. Eu reuni minha força, me preparando para levantar e cumprimentar minha melhor amiga.

Eu me inclinei para frente e senti o calor começar a me mudar conforme a atração ao redor da bebê crecia, era mais forte do que eu jamais tinha sentido, tão forte que me lembrava do comando do Alfa, como se fosse me esmagar se eu não obedecesse.

Dessa vez eu queria obedecer.

-Oi, tio Jake. – Bella murmurou, fingindo uma voz de criança.

A bebê me encarou por cima das mantas, seu olhar mais focado do que qualquer olhar de um recém nascido devia ser.

Olhos castanhos quentes, cor de chocolate com leite, exatamente a mesma cor que a Bella tinha.

Minha tremedeira deu um solavanco e parou. O calor fluiu por mim, mais forte que antes, mas era um calor novo, não queimava. Era abrasador.

Tudo dentro de mim estava arruinado assim que encarei a face de porcelana fina do bebê meio vampiro, meio humano. Todas as linhas que me seguravam na minha vida cortadas ao meio em pequenos pedaços como se recortado as cordas de um punhado de balões. Tudo que havia me tornado aquilo que eu era o meu amor pelo meu pai, minha lealdade para com meu novo bando, o amor pelos meus outros irmãos, meu ódio pelos meus inimigos, meu lar, meu nome, eu mesmo, desconectado de mim naquele segundo, afundando, afundando, afundando, e flutuando pelo espaço.

Não apenas uma corda, mas um milhão. Não apenas cordas, mas vários cabos.

Um milhão de cabos roubados, todos tentando me levar para uma coisa, para o centro do universo.

Eu podia ver agora, como o universo conspirava para este único ponto. Eu nuca havia visto a simetria do universo antes, mas agora era um plano. A gravidade da Terra não mais me prendia ao lugar onde eu estava. Era a menina bebê nos braços da vampira loira que me seguravam aqui agora.

Ao meu lado, havia um novo som. O único som que poderia me atingir nesse instante sem fim.

Um coração mudando, frenético.

Alice me olhava assustada, com seus olhos arregalados, e Bella tinha suas narinas infladas.

-O que porra acabou de acontecer, Jacob?  


Notas Finais


Oi gente, espero que vcs estejam curtindo, eu realmente gostaria de um feedback nos comentários, me estimularia muito.

Primeiro, se você ainda não conferiu a fanfic CHOIR, vai lá dar uma olhada, eu tô investindo muito nela hahah, e acredito que tá ficando muito boa!!! link: http://fics.me/21635092

Então gente, o conceito de imprinting aqui vai ser diferente, eu acho a noção desse fenômeno na história original absurda, como se fosse um interesse romântico. Aqui nessa versão, o imprinting será como se Jacob fosse o eterno irmão mais velho de Renesmee, como ele já é com a Bella, ele terá sim relações românticas com outras pessoas, inclusive, me digam se vocês desejam pontos de vista dele ficando com alguém.

Sobre Leah, o imprinting será diferente sim, ela é uma mulher adulta e o seu imprinting também será com alguém adulto, vamos ver o que vai rolar.

Até a próxima xx


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