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História Twisted - SaiDa - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 1 - 01


Fazia um frio considerável em Seul. Minatozaki Sana enrolava um cachecol em volta do pescoço e ajeitava o blazer enquanto corria pela avenida movimentada em direção a Gangam, bairro onde ficam alguns dos estabelecimentos mais caros do país.

Não permita que seja verdade, Sana implorava por dentro quando entrou na rua.

Então viu um grupo de jornalistas diante da faixa de isolamento da Polícia Metropolitana de Seul, que havia fechado a rua em frente a um bar de luxo, de estilo vitoriano. Sana parou bruscamente e teve uma sensação nauseante.

O que iria dizer a Mei?

Antes que conseguisse organizar os pensamentos ou acalmar o estômago, seu celular tocou. Ela tirou o aparelho do bolso e atendeu sem olhar o identificador de chamadas.

– Minatozaki – conseguiu dizer, apesar da voz abafada. – É você, Nayeon?

– Não, Sana, aqui é Yuna – respondeu a voz. – Naomi está doente.

– Com é? – Grunhiu ela. – Mas faz apenas uma hora que saí de casa.

– Ela está com febre – insistiu a babá. – Acabei de medir a temperatura.

– De quanto é a febre?

– É de 37,8. Ela também está reclamando de dor de garganta.

Sana suspirou, passando a mão pelos cabelos.

– Dê um banho frio nela e me ligue de novo se a febre passar de 38 – Ela desligou o celular e engoliu em seco.

Magra e atlética, com 28 anos, rosto atraente e cabelos castanho-claros, Minatozaki Sana havia trabalhado como investigadora de casos especiais para a Agência Nacional de Polícia do Japão. Um anos antes, porém, fora contratada pelo departamento de investigações da Coréia do Sul, ganhando o dobro do salário e do prestígio.

Separe as coisas, ela disse a si mesma. Seja profissional. Mas aquilo parecia estar fora do alcance. Sana já suportara muitas dores e perdas, tanto do ponto de vista pessoal quanto do profissional.

Deixando de lado esse pensamento e a febre da filha, Sana se forçou, apesar do frio congelante, a caminhar depressa em direção à faixa de isolamento, contornando o aglomerado de jornalistas. Ao fazer isso, viu Jeon Somi, uma inspetora da polícia metropolitana que conhecia havia 5 anos.

Foi direto até Somi. Ela fechou a cara assim que viu Sana chegar.

– Isto aqui não é assunto para o seu departamento, Sana.

– Se o corpo for de Park Jin-young, é assunto do meu departamento, sim. E meu também – retrucou Sana, firme. – É uma questão pessoal, Somi. Foi Sr. Park quem morreu?

Somi ficou em silêncio.

– Me diga – Insistiu Sana.

Por fim, a inspetora assentiu com a cabeça, mas não pareceu contente e perguntou, desconfiada:

– Por que você e seu departamento estão envolvidos nisto?

Sana ficou parada alguns instantes, sentindo-se devastada e perguntando-se mais uma vez como daria aquela notícia a Mei. Então afastou o desespero e disse:

– Sempre que os casos se tratam de um homicídio, o departamento de investigação é contatado.

– Mas e você? – Indagou Somi. – Qual é o seu envolvimento pessoal nisto? Por acaso é amiga dele?

– Muito mais que isso. Ele era o noivo da minha mãe.

A expressão no rosto de Somi se abrandou um pouco e ela mordeu o lábio antes de dizer:

– Vou ver se consigo deixá-la entrar. Kuan-Lin vai querer conversar com você.

Sana teve a sensação de que o mundo estava conspirando contra ela. Não bastasse a atual situação em que se encontrava, ainda teria que lidar com alguém que a desprezava de todas as formas possíveis.

– É Kuan-Lin que está cuidando do caso? – Perguntou, sentindo vontade de socar alguma coisa. – Não está falando sério.

– Estou, Sana. Ele é o investigador chefe. – Disse Somi. – Que sorte a sua.

Quando ela entrou no bar de Park Jin-young, Kuan-Lin lançou-lhe um olhar de superioridade, disposto a atacá-la se tivesse oportunidade.

– Minatozaki – disse ele, frio.

– Kuan-Lin – respondeu Sana.

– Deixá-la entrar na cena do crime não estava exatamente nos meus planos.

– Imagino que não mesmo – retrucou Sana enquanto lutava para controlar as próprias emoções, que ficavam mais exaltadas a cada segundo. – Mas aqui estamos. O que tem para me contar?

O investigador passou alguns instantes sem responder. Mas não podia trazer assuntos pessoais para seu campo de trabalho. Então, contra sua vontade, disse:

– Faz uma hora que um dos empregados o encontrou no depósito de bebidas.

As lembranças de Park Jin-young, o homem culto e divertido que Sana conhecera e passara a admirar ao longo do último ano, fizeram seu peito se apertar e ela precisou fechar os olhos e respirar fundo.

– No depósito?

Kuan-Lin fez um gesto sombrio em direção à porta de madeira, que estava aberta. Sana não tinha a menor vontade de ir até o depósito. Queria se lembrar de Park Jin-young como na última vez em que o vira, algumas semanas antes.

– Entendo se você não quiser ver – disse Kuan-Lin. – A inspetora Jeon me disse que sua mãe estava noiva do Sr. Park. Desde quando?

– Há quatro meses – respondeu Sana. Ela engoliu em seco e deu um passo em direção à porta. – O casamento estava marcado para daqui a algumas semanas – acrescentou com amargura. – Mais uma tragédia. Era só o que me faltava, não é?

Com a expressão contorcida de dor e raiva, Kuan-Lin baixou os olhos para o chão do depósito enquanto Sana passava por ele e entrava no espaço reservado.

Dentro do cômodo, o ar estava parado e tinha um cheiro fétido, de morte. Sobre o chão, em meio a restos de garrafas quebradas, litros de sangue banhavam o corpo inerte de Park Jin-Young. Sua cabeça pendia para o lado, o rosto inchado, a boca parecia cuspir e os olhos, abertos e sem brilho, deram a Sana uma chocante impressão de abandono.

Por alguns segundos, ela sentiu que iria desabar. Mas, logo em seguida, a indignação brotou dentro dela. Quem seria o monstro capaz de fazer uma coisa dessas? E por quê? Que motivo haveria para assassinar Park Jin-young? Ele era um ótimo homem.

– O legista acha que a arma usada foi uma faca comprida e curva de lâmina afiada – disse Kuan-Lin, apontando na direção do pescoço da vítima, onde um corte profundo era visível.

Sana tornou a reprimir a ânsia de vômito. Tentou absorver toda a cena, gravá-la na mente como se fosse uma série de fotografias, e não a realidade. Manter tudo a uma distância segura era a melhor forma de lidar com uma situação como aquela.

– E, se você olhar mais de perto, vai ver que parte do sangue foi empurrado de volta em direção ao corpo com água – disse Kuan-Lin. – Imagino que o assassino tenha feito isso para apagar pegadas e vestígios.

Sana assentiu e então, reunindo todas as forças, transferiu a atenção para além do corpo, observando todo o cômodo, onde alguns peritos recolhiam algumas amostras.

Contornando o corpo, mantendo uma distância mínima, ela pôde ver algo refletindo sobre o chão.

Sana cerrou as mãos e avançou sobre o piso pegajoso, a mistura de líquidos umidecendo os protetores de papel que envolviam seus sapatos, produzindo um som irritante. Foi então que ela viu. E parou imediatamente.

– O que você está fazendo? – Perguntou Kuan-Lin atrás dela.

– De uma olhada naquilo. - Ela respondeu, apontando na direção do objeto: uma moeda prateada manchada de sangue.

Olhando hora para o objeto, ora para a pescoço cortado do noivo de sua mãe, Sana se sentia impotente.

O investigador-chefe se aproximou dela. Em voz baixa, pediu:

– Fale-me sobre Park Jin-young.

Engolindo o sofrimento, Sana respondeu:

– O Sr. Park era um homem admirável, Kun-Lin. Administrava sua rede de bares com maestria, ganhava uma boa quantia em dinheiro, mas doava grande parte para obras beneficentes. E ele fazia minha mãe muito feliz.

– Não achei que isso fosse possível – observou Kuan-Lin.

– Nem eu. Nem ela mesma. Mas é verdade – disse Sana. – Até agora, eu achava que Park Jin-young não tinha um inimigo sequer.

Kuan-Lin fez um gesto em direção a moeda coberta de sangue.

– Talvez isso tenha mais a ver com dinheiro do que com quem ele era nas outras áreas da vida.

Sana encarou o pescoço de Park Jin-Young e tornou a olhar para o corpo, antes de dizer:

– Pode ser. Ou talvez seja só para nos despistar. Cortar o pescoço de alguém pode ser facilmente interpretado como um ato de ódio, o que quase sempre é pessoal.

– Está dizendo que poderia ser algum tipo de vingança? – Indagou Kuan-Lin.

– Ou um ato comercial. Ou a obra de uma mente insana. Ou uma combinação dos três. Não sei.

– Você sabe onde Mei estava ontem, entre dez horas e onze? – Perguntou Kuan-Lin de repente.

Sana teve que conter sua raiva. Ela olhou-o como se ele fosse um imbecil.

– Minha mãe amava o Sr. Park.

– A decepção amorosa pode ser uma grande motivação para a raiva – observou o investigador-chefe.

– Não houve decepção nenhuma – disparou Sana. – Eu teria sabido. Além do mais, você já viu minha mãe. Ela não teria força física e muito menos emocional para fazer isso ao Sr. Park. Isso sem falar na ausência de motivo.

– Então você sabe onde ela estava? – Insistiu Kuan-Lin.

– Vou descobrir e lhe direi. Mas antes tenho que contar a ela.

– Se você achar melhor, eu posso contar.

– Não. Eu mesma faço isso, pode deixar – disse Sana, analisando o pescoço de Park Jin-young pela última vez e concentrando o olhar na moeda ensanguentada ao lado da sua cabeça.

Ela levou a mão ao bolso em busca de uma pinça que sempre levava consigo para o caso de querer pegar algum objeto sem tocá-lo.

Recusando-se a encarar os olhos mortos do noivo da mãe, ela pegou a moeda.

– Sana, o que você está fazendo, agora? – Perguntou Kuan-Lin. – Você está...

Mas Sana já se virava para ele, mostrando-lhe a moeda prateada manchada de sangue.

– Aqui está a melhor teoria – disse ela. – O motivo foi dinheiro.


Notas Finais


Hey galera!

Essa é a nova fanfic da qual havia comentado em "I Just Happened". Já deixo avisado que ela vai ter uma ambientação bem diferente das outras fics que já escrevi.

Em breve posto o segundo capítulo. :)


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