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História Twisted Fate e o Barão Vampírico - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo Único


- Isso é um verdadeiro desastre...por que hoje de todos os dias?

- Ah, não leve para esse lado. Pelo menos paramos em um bom lugar!

O nobre barão Hautrec e seu criado Chapman, aproveitavam um café da manhã nada reforçado em uma espelunca nos subúrbios de Piltover. Os ovos fritos um pouco queimados, o pão endurecido de dois dias, o café azedo e o gerente entusiasmado com a visita ilustre do nobre faziam a dupla se perguntar se aquilo era algum tipo de castigo divino.

- Me pergunto, o que gerou aquela comoção toda na Avenida Sideral? - Indagou Chapman.

- Disseram que alguns boeiros explodiram do nada, é uma pena, porque nós sempre passamos por ali sem nenhuma dor de cabeça - deu uma mordida no pão duro e levou sua mão a bochecha sentindo um pouco de dor - perdemos a hora da reunião, não fecharei mais aquele negócio e... ai, agora to com uma puta dor de dente por causa desse pão! Que perda de tempo e dinheiro...

- Não se preocupe, podemos dar um jeito no contrato com algumas ligações. Eu posso assumir a responsabilidade por hoje, se tivesse pego este caminho mais cedo teríamos chegado a tempo e tomado um café da manhã de verdade.

- Ah, já chega dessa história, não me importo mais, só quero voltar pra casa e relaxar antes que esse dia piore.

Foi interrompido pelo entusiasmado gerente, que chegava para bajula-los mais uma vez, não era todo dia que um nobre aparecia em sua lanchonete.

- Aqui está, cuscuz por conta da casa e alguns salgados também, por favor fiquem mais um pouco e comam tudo que puder, nós temos. muito... No estoque ainda e os cozinheiros estão a todo vapor... para lhe darem a maior refeição de todos os tempos...

De pouco em pouco, ele falava mais lentamente, isso porque a face intimidadora do barão lhe dava arrepios. Hautrec possuía olhos vermelhos como o sangue e cabelos brancos como a própria luz, além de ter um corpo robusto de força física e sua pele ser tão pálida quanto seus cabelos. Tal aparência causava um certo desconforto em quem o via, por isso seu apelido era 'O Barão Vampírico'.

- Por favor não se segurem - o gerente forçou um sorriso maior que a própria cara para quebrar a tensão, em seguida voltou correndo para o balcão.

- Pelo menos ele é carismático - comentou Chapman.

- Carismático e irritante, tome Chapman pegue essas moedas e pague logo a conta, de essa pequena gorjeta também para cala-lo e vamos sair daqui o mais rápido possível.

Hautrec deixou Chapman sozinho contando as moedas na mesa e saiu da lanchonete resmungando alguns xingamentos. Queria fumar, tentar disfarçar o cheiro daquele local com a fumaça de seu charuto, esquecer que aquilo tinha acontecido. Pensava em dar aquele dia por encerrado, não queria mais surpresas, apenas ficar em sua banheira pelo resto do dia seria o suficiente para trazer de volta seu humor, porém ainda tinha mais. Na esquina da rua, escutou um homem esguio com um bigode bem característico, gritar segurando uma pilha de papéis.

- Extra, extra... O Fênix de Piltover vence o Esquadrão de Aço de Zaun por dois a zero... Twisted Fate faz uma ameaça de roubo para o barão Hautrec!

- Han? Quem é Twisted Fate?

O barão caminhou até o homem com essa pulga atrás da orelha, fazia tempo que não via seu nome nos jornais e agora ele aparecia dessa forma estranha. Abriu caminho entre as poucas pessoas  que pararam para pegar um jornal, assim que o homem bateu o olhar em Hautrec um sorriso brotou em seus lábios.

- Ora ora, que estranho ver um nobre por aqui - ele saltou da pequena caixinha de madeira e se aproximou do barão, lhe estendendo a mão para cumprimenta-lo - Presumo que não é a sessão de esportes que te interessa, não é?

Por um momento, sentiu que aquele homem não era um simples vendedor de jornais, e sim um nobre como ele, todos os movimentos que aquele homem fazia era de certa forma elegante, suas roupas eram bem cuidadas e pareciam ser mais caras que as roupas que as pessoas normalmente usavam naquele local, ele também tinha uma boa aparência com uma pele bem cuidada, e como estava mais perto agora, o barão pode ver que o homem era mais alto que ele. Aquela presença esmagadora afogou totalmente Hautrec, que até esqueceu que aquela pessoa era apenas um plebeu, sem perceber já havia estendido sua mão e cumprimentado o homem, como se estivesse hipnotizado.

- Muito engraçado, me deixe ver o que tem ai - retrucou a fala do rapaz pegando o jornal de sua mão.

Hautrec passou seus olhos por toda a sessão criminal, até chegar na matéria que levava seu nome. Começou a ler, inconscientemente em voz alta.

"Os atos anteriores do infame e misterioso Twisted Fate surpreendeu toda a polícia de Piltover. Está claro que o bandido está a um passo a frente de todos, a prova é o bilhete que o próprio ladrão enviou a todos os meios de comunicação da cidade. Infelizmente a polícia proibiu a publicação do conteúdo da carta, mas podemos dizer quem é o próximo alvo. Segundo o bilhete, o próximo alvo é o queridíssimo barão Hautrec, Twisted Fate avisou que tomará posse de um bem valioso do barão na meia noite do dia 25 de julho."

- HA, então é assim? ele avisa quando vai me roubar - o barão deixava escapar uma gargalhada - que baixaria, me poupe!

.- Não está assustado, senhor Hautrec?

- Nem um pouco! o que está acontecendo com o jornalismo hoje em dia? Estão todos com tanta falta de matéria assim? - ele botou o jornal debaixo do braço esquerdo, enquanto procurava algo nos bolsos da calça e casaco - Essas matérias sensacionalistas são um saco mesmo, vou fazer alguns negócios sérios para que eles possam escrever algo mais interessante!

- O que foi, não gosta de ler a sessão criminal? - perguntou o rapaz.

- Impossível gostar, você viu o que está escrito aqui, né? Não dá pra levar a sério - finalmente Hautrec tira a mão dos bolsos, segurava algumas moedas e um charuto da marca Cooper - Vou levar o jornal, te pagarei com este Cooper, o melhor charuto que existe. gostei de você rapaz, como se chama?

- Esteban, senhor - agradeceu fazendo um gesto com a cabeça, em seguida pegou e o charuto - Oh, esse Cooper é mesmo bom, da pra sentir a qualidade só de tocar.

- Haha, sim isso mesmo, você não verá nada como ele em nenhum lugar, pois ele é um charuto feito exclusivamente pra mim, imagine o quanto ele vale. 

A mão de um homem se agarrou ao ombro do barão. Era Chapman, que havia acabado de sair da lanchonete.

- Finalmente consegui pagar, chefe. Aquele cavalheiro não parava de falar.

- Cavalheiro... - cuspiu as palavras - Ah, sim! que dia é hoje Chapman?

- Dia 25 de julho, senhor.

- Ótimo, vamos para casa - Hautrec se virava, caminhando em direção a seu carro - Foi um prazer conhece-lo Esteban, voltarei amanhã e verás que nada terá acontecido.

- Espero que não, senhor - respondeu Esteban - Boa sorte!

Hautrec e Chapman entraram no carro, o primeiro com um sorriso no rosto. Chapman deu a partida, já engatando a segunda marcha, o barão deu uma última olhada para Esteban, mas nada encontrou, Esteban de alguma forma tinha sumido.

Os piltolvenses adoram se gabar de como são evoluídos tecnologicamente. Seus prédios com estruturas únicas, seduzem os turistas de todas as partes a imigrarem para lá. Entretanto, a construção mais conhecida de Piltover se parece com algo mais medieval. Passando pelo porto principal, onde leva a uma das rotas marítimas de Piltover, é possível encontrar um castelo protegido por grandes muros de concreto que impossibilitam a visualização de mais da metade da construção, do lado de fora dos muros o castelo é guardado por vigias, na parte de dentro mais seguranças fazem uma ronda diária pelo jardim, este que possui uma grande quantidade de artes de topiaria como uma escultura do próprio barão no centro do jardim. No alto de uma das torres, há uma bandeira que balança conforme o vento exibindo o símbolo de uma águia, este era o símbolo da família Hautrec.

- Isso é mau, senhor - Chapman e o barão caminhavam pelos corredores do castelo - Twisted Fate lhe marcou como próximo alvo.

- Você está preocupado com isso Chapman?

- O senhor não está?

- Esse ladrãozinho é tão grande coisa assim para se preocupar?

- Senhor, Twisted Fate cometeu três crimes perfeitos em apenas um mês, a polícia não tem nada, testemunhas, fotos, pistas, nada! - Chapman ajeitava os óculos com ansiedade -  Ele é como um fantasma! 

- Você parece bem animado com isso.

- Ah, me perdoe senhor, eu sou um leitor assíduo de histórias de detetives - Chapman tomou a frente do barão, sua empolgação havia aumentado - Eu tenho uma teoria sobre Twisted Fate!

- Pois, vá em frente e conte.

- O primeiro caso de Twisted Fate registrado em Piltover, foi o roubo de um amuleto valioso da casa Rowley, o detalhe é que o amuleto sumiu em meio a uma festa de gala, do nada. No segundo roubo, a vítima foi um conde noxiano que havia chego em Piltover para fazer negócios, o objeto roubado foi uma relíquia ancestral, e o caso aconteceu em um hotel cinco estrelas. Para terminar, ocorreu o roubo do museu nacional de Piltover, neste foi levado um quadro da madame Eunice Florence, a polícia acabou encontrando o quadro depois, mas o que Twisted Fate realmente queria era uma joia que estava escondida na parte de trás do quadro.

- Isso não me interessa - Hautrec estava de saco cheio, nem mesmo prestou atenção na história - Vá direto ao ponto!

- O que quero dizer senhor, é que todos esses lugares estavam lotados de pessoas, isso significa que Twisted Fate é um mestre dos disfarces! - Chapman quase berrava de empolgação - Ele pode até mesmo já estar entre nós, ó meu Deus, será que poderei vê-lo?

- Calado, já chega dessas imbecilidades Chapman! - gritou o barão - Volte ao trabalho, pegue o relatório do que aconteceu enquanto estávamos fora, pra já! 

Para o barão, ouvir que o ladrão já estava ali era uma afronta a sua honra, aquele castelo era uma parte de seu orgulho e cogitar que alguém o invadiria assim tão fácil só o deixava mais irritado, afinal aquela fortaleza era uma das mais protegidas de Piltover. Chapman deu ouvidos ao barão e decidiu se aquetar pelo resto do caminho, quando chegaram na porta do escritório do criado, ele se despediu rapidamente, entrando na sala e deixando Hautrec sozinho.

O barão não estava com medo, nem um pouco, mas por algum motivo sentia um incômodo, uma curiosidade para saber o que aconteceria naquela noite. Mesmo que pensasse que tudo fosse invenção da mídia, criada apenas para lhe derrubar, mesmo assim, uma desconfiança crescia aos poucos dentro de si. Ele não demonstrava, mas as palavras de Chapman fizeram certo efeito, enquanto andava pelos corredores em direção a seu quarto, encarava um por um de suas dezenas de criados, imaginando encontrar alguém que poderia estar disfarçado. Na porta de seu quarto, ele se deu dois tapinhas no rosto, decidiu que estava ficando louco com tudo aquilo, entrou no quarto e foi até a suite, onde começou a preparar a banheira, e após um tempo finalmente estava relaxando com um bom banho quente.

- Ah... meu senhor... que dia horroroso.

 Hautrec saiu da banheira relaxado, sem se importar se estava espalhando a água para todo lado, se secou com uma toalha e botou um roupão de banho.

- Agora vou dormir o dia inteiro, e nada vai acontecer - repetiu essas palavras em sua mente depois.

Abriu a porta do banheiro, o vapor gerado pelo banho quente invadiu o quarto, era uma sensação agradável. Se jogou na cama, caindo de bruços, passou os braços por debaixo do travesseiro e o apertou contra seu rosto, sentindo sua maciez. Enquanto aproveitava da sensação de conforto, suas mãos em baixo do travesseiro acabaram relando em algo, uma folha de papel foi jogada ao chão conforme os movimentos de Hautrec. O barulho chamou sua atenção, se levantou da cama e pegou o papel, junto dele estava algo parecido com uma carta de baralho, porém com um desenho estranho de um olho, que brilhava em um tom amarelado por algum motivo, não sabia dizer se aquilo era magia. Quando olhou melhor para o papel, percebeu uma palavra que cobria toda sua extensão: "Twisted Fate". Ler este nome fez com que ele tomasse um susto tão grande, que suas pernas falharam fazendo com que escorregasse no piso um pouco molhado, quase batendo a cabeça. Ficou caído por uns cinco segundos, até se recompor e voltar a ficar de pé. Hautrec virou o papel, havia uma mensagem.

"Caro barão, vejo que duvidou de minhas capacidades. Isso me deixou profundamente ofendido, mas vou te dar uma chance de se redimir. Leve aquilo que você guarda no subsolo de seu castelo (você sabe do que eu estou falando) para o  porto principal de Piltover no momento em que ver essa mensagem, eu irei te encontrar. Caso se recuse a fazer isso, vou entender que não se arrependeu e deixarei uma surpresa para você na biblioteca de seu castelo. Estarei te observando"

- Twisted Fate      

 

"Ele está aqui... Está mesmo aqui!"

Essas palavras se repetiam constantemente na cabeça de Hautrec, andou de um lado pro outro no seu quarto, tentando pensar em algo que pudesse fazer, mas por causa do susto que levou, apenas aquelas palavras apareciam em sua cabeça. Decidiu ir a biblioteca, pegou a primeira roupa que viu em seu guarda roupas, se vestiu como um raio e apertou o passo em direção a porta. 

"Se eu for rápido, pode ser que eu ainda pegue ele!"

O barão saiu correndo pelos corredores, trombando em alguns criados e seguranças. Descia as escadas pulando alguns degraus, o que quase lhe rendeu uma queda. Chegou no primeiro andar, ofegante, não que estivesse cansado, mas o nervosismo lhe dava dificuldades para respirar. Estava de frente para a biblioteca, respirou fundo, e entrou.

"Nada fora do comum"

Havia um número não muito alto de pessoas na biblioteca, todos eles o barão reconhecia, eram seus alquimistas, cientistas, herbalistas entre outros estudiosos que eram pagos pelo barão para fazer pesquisas ou melhorar o estilo de vida no castelo. Hautrec deu uma olhada rápida em todos, se Chapman estivesse certo, Twisted Fate provavelmente teria se disfarçado como um dos criados do castelo, e como o ladrão mesmo disse, ele estaria lhe observando. Para Hautrec, isso significava que o ladrão estava na biblioteca neste exato momento, observando-o como uma víbora. Assim que adentrou a uma determinada sessão de livros, seu raciocínio ficou em branco, em uma das prateleiras havia um vão entre dois livros, assim podendo ver claramente a capa de um deles, e quando o barão olhou, seus pés congelaram. Um cartão de visitas igual ao que achou em seu quarto, com o nome de Twisted Fate por toda a extensão do papel, assim como o outro cartão. O barão hesitou por um momento.

"Por que estou tão ansioso?"

Tentou se acalmar e voltar ao raciocínio anterior, se ele estivesse sendo observado, então alguém naquela biblioteca faria algum movimento suspeito assim que ele pegasse o cartão. Se aproximou com mais calma dessa vez, pegou o livro, o cartão estava grudado como se fosse uma fita adesiva, entretanto sua atenção foi chamada para os livros na estante mais uma vez, pois o livro que estava atrás daquele que ele retirou possuía o mesmo cartão grudado na capa. Ele foi olhando um por um em cada fileira, todos os livros que estavam naquela sessão estavam com o mesmo cartão de visitas de Twisted Fate.

"Ele queria garantir que eu visse? e os cientistas que estão estudando tão calmamente, não perceberam que tinha cartões grudados nos livros?"

Ele olhou para a sessão mais uma vez, e logo entendeu o motivo de ninguém ter percebido, era uma sessão onde só tinha livros de humanas, a maioria dos cientistas de seu castelo trabalhavam com exatas, não tinha nenhuma chance deles se interessarem por esse tipo de livro. Com o cartão em mãos, ele deixou o livro em cima da estante, observou as pessoas ali mais uma vez, não encontrou nenhum movimento suspeito ou que pudesse duvidar, todos ali pareciam do mesmo jeito de sempre, só restava ao barão ler a carta.

"Vejo que resolveu me desafiar, muito bem. Vamos jogar um pequeno jogo, farei uma pergunta e você terá que responder, você deve gritar a sua resposta no centro do Hall de entrada para todos ouvirem, se ela estiver certa eu desistirei do roubo. Aqui vai:

Um nobre homem passou por um momento ruim em sua história, para se salvar, ele precisou utilizar o medo das pessoas. Ele se tornou um homem terrível, que não pratica nada além da violência contra aqueles que não podem se defender, essas atitudes lhe renderam uma fama terrível e uma mancha em seu nome. Qual é o nome deste nobre?

Você tem até as seis horas, quando o relógio bater as seis, vá até a passagem secreta escondida na biblioteca para ver o resultado."

- Twisted Fate

 

Embora aquela história lhe parecesse estranhamente familiar, ela poderia ter sido tirada de qualquer livro de fantasia, talvez ela tenha sido retirada de algum dos livros de sua biblioteca? Ou será que ela aconteceu de verdade? Essas dúvidas circulavam na cabeça do barão. Hautrec não tinha dúvidas, o ladrão está disfarçado ou escondido em algum lugar de seu castelo, mesmo que ele tenha dito na carta que desistiria do roubo caso o barão acertasse a resposta, Hautrec não achava que deveria confiar em suas palavras, afinal Twisted Fate é um ladrão. Ao invés de quebrar a cabeça pensando na pergunta, ele decidiu procurar pelo ladrão, sendo assim, subiu algumas escadarias. O castelo fora feito com o intuito de proteger seus habitantes de invasões, portanto haviam várias passagens secretas e paredes falsas, que apenas algumas pessoas de confiança do barão sabiam onde se encontravam. Hautrec passou por cada uma dessas entradas, algumas conectavam o segundo andar com o primeiro, o primeiro com o terceiro, o terceiro com o quarto, e assim o barão deu pelo menos cinco voltas completas pelo castelo inteiro, sem ter nenhum sinal de Twisted Fate.

"Que inferno"

Seu tempo estava acabando, um suor gelado escorria por sua testa, faltando apenas alguns minutos para as seis horas decidiu que precisava investigar aquela pergunta da carta, era seu último recurso. Para isso, ele sabia que não iria chegar a lugar algum pensando por conta própria, por isso, foi até o escritório de Chapman.

- Chapman preciso de você!

- Ah, senhor você veio pelos relatórios? - ele organizou a papelada na mesa como um raio - Parece que a única coisa que chegou enquanto estávamos fora foi alguns valores em dinheiro de outras transações, elas foram recebidas pelo senhor Desir, mas tem uma coisa muito estranha... - Foi interrompido.

- Os relatórios podem esperar, mais importante, veja - Hautrec botou as duas mensagens de Fate na mesa.

- Isso é?...

- Sim, esta aqui estava na minha cama e a outra na biblioteca... - Ele explicou toda a situação resumidamente - E então, consegue pensar em uma resposta para esta pergunta?

- Tenho uma em mente, essa pequena história que Fate contou na carta, se parece com um livro que eu li a muito tempo... Deixe-me pensar no nome dele... 'A Retomada de Mortimer', sim isso mesmo, este conto narra a história de Neville Mortimer, um nobre que perdeu quase toda sua riqueza, após isso ele começa a assassinar outros nobres para pegar seus títulos e vender no mercado negro.

- Então a resposta é... Neville Mortimer?

- Sim, isso mesmo.

- Ótimo - Hautrec já caminhava em direção a porta com passos largos, porém teve que parar assim que tocou a maçaneta, pois Chapman lhe chamou.

- Espere senhor, mais uma coisa.

- Pois fale! Estou com pressa.

- Não tem como Fate saber se você dará a resposta certa ou não, provavelmente ele estará te observando, isso significa que sem querer ele te deu uma vantagem!

- Como? - O barão exclamou com os olhos arregalados.

- Veja bem, na carta ele diz para que você vá para o Hall de entrada do castelo e grite a resposta, após isso você deve ir para a entrada secreta da biblioteca. Senhor, o hall possui um túnel que o conecta com essa mesma entrada secreta da biblioteca certo?

Hautrec estava boquiaberto, com os olhos brilhando, estava venerando Chapman em seus pensamentos, e então seu funcionário continou.

- Assim que você gritar a resposta ele vai correr direto pra entrada secreta usando o túnel, enquanto o senhor vai perder tempo com as escadas, porém se você segui-lo pelos túneis terá uma chance de pega-lo.

- Você é um gênio Chapman! - O barão se pendurava em seus ombros - Rápido, está com sua pistola?

- Sim, na minha gaveta! - Chapman estava com um sorriso de orelha a orelha, ser bajulado pelo barão significava maior pagamento.

- Me empreste, vou matar aquele desgraçado!

Chapman fez o que Hautrec pediu, pegou a pistola e entregou em sua mão. O rosto do barão vampírico expressava uma pura felicidade, só de imaginar a carne de seu alvo queimando com o laser de sua pistola Hextech, lhe dava um imenso prazer, era hora de dar o troco por ter sido feito de trouxa. 

Hautrec se posicionou no centro do Hall de entrada do castelo com um sorriso cínico no rosto, a pistola estava presa no coldre, da onde estava conseguia ver a porta de saída que o levaria a passagem secreta.

"Ele deve estar atrás dela, me escutando..."

Sem mais cerimonias ele gritou.

- A resposta é Neville Mortimer!

No momento em que sua voz cessou, pôde escutar passos ligeiros atrás da passagem, seu sorriso abriu mais ainda e sem se preocupar com os olhares de seus criados assustados, que obviamente não entenderam o motivo do grito, ele partiu. O barão nunca havia corrido tanto em sua vida, dentro do túnel mesmo com diversas curvas, ele não abaixava a velocidade. Uma silhueta apareceu em sua frente, era uma pessoa encapuzada da cabeça aos pés com um manto negro.

"Só pode ser ele!"

O barão retirou a pistola do coldre, precisou de um curto período de tempo para ajustar a mira que tremia por causa da corrida, mesmo sem ter total precisão ele atirou. Por incrível que pareça ele conseguiu atingir o braço do misterioso homem, porém com a adrenalina da perseguição nenhum dos dois diminuiu a velocidade, pelo contrário, os passos dos dois ficaram ainda mais largos, era como se estivessem em uma maratona.

- PARE SEU CRETINO MISERÁVEL!

A corrida terminou quando os dois chegaram a uma porta de madeira, esta que foi que arrombada pelo homem encapuzado devido a sua alta velocidade, e por conta do impacto ele foi lançado ao chão. Toda a adrenalina do homem misterioso havia passado, sentia uma dor ardente em seu braço esquerdo e suas pernas falhavam ao tentar se levantar, tentou se arrastar por aquela sala pequena com o objetivo de entrar na biblioteca, mas qualquer esforço era em vão. Hautrec entrou na sala em poucos segundos com um sorriso satisfatório na face, acionou um mecanismo em sua pistola recarregando-a para mais um tiro, em seguida segurou o capuz do homem no chão e puxou com força, podia sentir os fios de cabelos por baixo do manto.

- Você correu bem Twisted Fate, mas é o fim da linha - ele puxou com mais força, forçando-o a ficar de joelhos - Agora, me mostre seu rosto.

Quando o barão retirou o capuz do homem um par de orelhas pontiagudas saltou. Hautrec arregalou os olhos, queria gritar mas sua voz ficou muda de repente. A figura monstruosa que se portava diante de si era bizarra, ela tinha olhos mais vermelhos que os do próprio barão, que brilhavam e olhavam dentro de sua alma. Uma pele gelatinosa, negra como uma sombra em um dia de sol escaldante, e tinha um aspecto pegajoso. O sangue que escorria no braço, não era vermelho, mas de um verde escuro que se misturava na pele. O nariz quase entrava para dentro do crânio, a boca não conseguia esconder as presas gigantes. O manto caiu por completo, revelando as asas gigantescas, a ponta dos ossos saltavam pra fora de suas extremidades, fazendo-a se parecer com garras. Aquilo era um monstro, um morcego mutante, que fez o barão se ajoelhar e fechar os olhos, ele apertava os ouvidos, uma tentativa falha de não escutar os rugidos da criatura. Afundou o rosto no chão, faria de tudo para não olhar aquilo de novo, apenas escutou os passos do monstro caminhando para alguma direção, estava muito abalado para discernir qual.

"Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus..." - repetia constantemente em sua cabeça.

De repente tudo ficou quieto, o barão se manteve naquela posição por mais alguns minutos, até se dar conta de que ainda estava respirando, a criatura não o atacou. Levantou lentamente olhando para todos os lados, ainda sentia arrepios, sua boca tremia como se estivesse com frio. Olhou de novo para onde a criatura estava, havia apenas uma carta no chão, e como todas as outras, esta possuí nome "Twisted Fate" escrito. Foi o monstro que deixou cair? Twisted Fate era aquele monstro? Essas dúvidas circulavam na mente do barão, porém ele ainda tinha os pesamentos embaralhados por causa do susto, sendo incapaz de formular qualquer teoria. Sem pensar demais ele avançou e pegou a carta, começando a ler.

"A resposta certa é: Barão Hautrec"

- Twisted Fate

 

Quando o barão associou a resposta a pergunta, um flash de imagens invadiu sua memória, trazendo a tona tudo o que ele fez no passado. Lembranças de quando era mais jovem e ingênuo, quando foi vítima de uma fraude ao fazer negócios com golpistas e perder quase toda sua riqueza. Recordações do que fez para evitar que precisasse vender seu castelo, as chantagens, contratos com assassinos para matar os cobradores, se apossar de áreas do interior de Piltover a força e cobrar impostos exorbitantes e muito mais coisas que surgiam em sua mente. Naquela época, os nobres pararam de usar o apelido de Hautrec como uma piada e passaram a tremer toda vez que escutavam o nome do barão vampírico.

"Ele estava falando de mim..."

Se levantou com dificuldades, suas pernas ainda estavam um pouco bambas, guardou a pistola com suas mãos ainda trêmulas e seguiu de volta para o hall caminhando pelo túnel. Mordeu os lábios com força, parecia que esse tempo todo Fate estava apenas brincando com ele, isso o frustrava. Olhava para a trilha de sangue no chão enquanto andava, aquele era o sangue do monstro que ele acertou um tiro no braço, porém algo o intrigava, pois o sangue no chão era vermelho.

"Como isso é possível? Eu tenho certeza que era verde"

O simples ato de lembrar da aparência do morcego mutante lhe causou um embrulho no estômago, seus joelhos foram ao chão novamente e ele começou a vomitar.

No hall de entrada do castelo, Chapman e alguns guardas aguardavam a saída do barão, o primeiro andava de um lado pro outro com ansiedade, na esperança de que seu mestre sairia com o ladrão capturado, ficou feliz ao ouvir as passadas características de Hautrec, entretanto a figura que viu sair do túnel foi de um Hautrec completamente pálido, vacilando em algumas passadas e com uma cara péssima.

- Senhor! O que aconteceu?!

Hautrec agarrou os ombros de Chapman apertando-os com força, em seguida perguntou.

- Você viu um monstro passar por aqui?

Chapman percebeu a fala desgastada de seu mestre, entendia que algo terrível havia acontecido, mas não entendeu a pergunta sobre o monstro.

- Do que está falando?

- Um morcego gigante, com a cara do demônio! - Gritava o barão desesperado - Twisted Fate consegue se transformar em um morcego demôniaco, eu vi!

- Senhor, você está muito quente, provavelmente com febre, não deve estar pensando direito. Vá descansar por favor, me deixe assumir as coisas aqui, não vou deixar que Fate leve aquilo.

Hautrec se soltou de Chapman empurrando-o para trás.

- Acha que estou louco?! - o barão caminhou em volta do Hall sendo seguido por Chapman que tentava lhe acalmar, Hautrec começou a mexer na boca, olhos e ouvidos de algumas estatuetas que se encontravam ali - Eu vou deixar que todos vocês vejam com seus próprios olhos, como aquele homem é o próprio diabo.

Quando Hautrec mexeu na última estatueta, o barulho de um mecanismo destravando pode ser escutado. Um pedaço circular do chão no centro do Hall começou a se mexer, o barão se posicionou bem no centro e deu suas ordens.

- Chapman, chame todos os vigias e guardas para dentro do castelo, bloqueie cada cômodo, cada corredor, não deixe os criados saírem de seus quartos.

O piso envolta de onde Hautrec estava começou a descer lentamente como um elevador, Chapman estava desesperado.

- Espere, acalme-se por favor, nós podemos pega-lo se... - foi interrompido pelo barão.

- Diga aos guardas que tem permissão para matar!

Não demorou muito para o elevador chegar até o fundo, uma porta se abriu na frente do barão e ao passar, a plataforma que o ajudou a descer subiu novamente. Ainda precisava descer um lance de escadas em espiral, com o caminho iluminado por tochas e quando finalmente desceu todos os degraus ainda precisou percorrer um corredor, que continha diversas salas onde estariam guardados alguns de seus tesouros. Parou em frente a uma porta diferentes das outras, esta era composta por um metal diferenciado, muito mais tecnológico, ele pousou sua mão sobre uma tela que fez o reconhecimento e a porta se abriu. Aquela sala era estranhamente espaçosa, mesmo que não houvesse muitas coisas ali, na verdade não havia nada ali além de uma única coisa, um pilar que se encontrava no centro erguia um objeto que era protegido por um domo de energia  mágica gerada por um aparelho hextech, o barão chegou perto do domo observando o conteúdo com cuidado, aquele objeto tão bem guardado não era nada além de um fragmento de uma runa, que o barão conseguiu colocar as mãos após uma série de chantagens contra um nobre muito poderoso na época, o barão certamente não entendia muito sobre os poderes das runas, mas com certeza iria usa-la a seu favor quando encontrasse uma oportunidade, era sem dúvidas a maior riqueza de Hautrec. Ele saiu de perto da runa poucos segundos depois, olha-la por tempo demais lhe dava uma sensação estranha de desconforto, se escorou na parede tendo sua visão de frente para a porta e se sentou. Mantinha sua pistola em mãos, já carregada, ali ele esperaria seu alvo quem quer que fosse ele, homem ou monstro Hautrec se certificou que ele sangraria como qualquer um quando o perseguiu no corredor, não havia mais motivos para temer. O barão fechou os olhos, pensando na imagem daquele ser bestial disposto a afastar seus medos e ficar totalmente preparado, entretanto o cansaço e o stress acumulado se juntaram ao seu corpo naquela posição relaxada, e então o barão vampírico dormiu.

"hm...?"

Hautrec abria seus olhos aos poucos, piscando algumas vezes por causa da luz. Bocejou, em seguida olhou para frente onde estaria a runa, nesse momento o pequeno fio de saliva no canto de sua boca foi sugado de volta instintivamente, seus olhos se arregalaram e seu coração começou a bater mais forte, se levantou quase que tropeçando nos próprios pés e pegou sua pistola de forma desajeitada. Em sua frente estava o responsável por toda sua dor de cabeça, Twisted Fate permaneceu em pé ao lado do pilar, sorrindo e observando todas as ações do barão, que se aproximava com a pistola apontada para sua cabeça.

  - Olá meu caro Hautrec - Fate meteu as mãos no bolso e estufou o peito - Dormiu bem?

- Morra!

Hautrec mirou bem, iria acertar em cheio na cabeça não tinha erro. E ele bem que tentou apertar o gatilho, porém seu corpo não respondia, a sensação sufocante de tentar mexer qualquer membro do seu corpo e falhar estava o deixando louco. Foi então que sentiu uma pontada de dor vindo de seu braço direito, um líquido começar a manchar sua roupa, foi então que percebeu que conseguia mexer apenas sua cabeça. Ele olhou para o braço, no meio da mancha de sangue o barão pode ver uma carta amarelada, que emanava uma energia mágica.

- Seus sentidos estão enferrujados, senhor barão - proferiu Fate, sem tirar o sorriso divertido do rosto.

- Você é um maldito mago?

- Sou apenas um ladrão, um dos bons - ele pegou o chapéu na mão e o levou até o peito se abaixando, como se estivesse fazendo uma reverência para uma plateia - Twisted Fate é meu nome, tenho alguns apelidos como 'O Ladrão Cavalheiro', este me foi dado por uma princesa de um lugar bem distante que acabou se apaixonando por mim... enquanto eu tentava roubar seu colar de rubi, é uma longa história - ele voltou a sua postura normal, colocou o chapéu de volta na cabeça e se virou para o pilar - Agora que estamos formalmente apresentados, permita-me decifrar o código que prende essa belezura nesse domo de mana chato.

Fate tateou o pilar por alguns segundos, deu algumas batidinhas, voltou a tatear. D e repente um console saltou na sua frente junto de um monitor holográfico, ele precisaria descriptografar a senha.

- Até que a tecnologia dessa era não é ruim - Fate falou impressionado - Vou ter que trabalhar com uma linguagem de programação arcaica, mas eu posso lidar com isso.

O barão completamente paralisado podia apenas observar Fate fazer o que quiser, e observando-o pode notar coisas bem esquisitas. O chapéu e o sobretudo que seu antagonista trajava, não pareciam ser parte da moda atual, como se tivessem sido feitos em outra era. Nos antebraços ele possuía um equipamento tecnológico que Hautrec não sabia descrever, assim como suas ombreiras que pareciam fazer parte do mesmo conjunto. Naquele momento, o barão já havia aceitado sua derrota, só bastava tentar entender o que estava acontecendo.

- Como... como você fez tudo isso?

Fate parou de digitar no console e se virou para Hautrec com um sorriso divertido.

- Só um momento por favor - ele retirou um charuto do bolso e colocou na boca, puxou uma carta de seu baralho e aproximou da ponta, a carta começou a queimar e o charuto acendeu - Posso te explicar todo meu plano maligno pra você - ele disse de uma forma debochada, em seguida voltou ao console para continuar sua digitação - É uma história bem longa então preste atenção.

- Sem enrolações.

- Muito bem... Eu venho acompanhando seus passos a algum tempo, descobri que você faz muitas reuniões para tratar de seus negócios, soube também que existe uma tradição nesses encontros de nobre, o anfitrião deve preparar o café da manhã do convidado, certo? - Hautrec assentiu - Como eu disse, venho acompanhando seus passos a algum tempo, eu precisava de você fora do castelo e pra minha sorte, você só fazia as encontros no seu castelo em casos muito especiais. Com um pouquinho de investigação, encontrei o nobre que você se encontraria hoje, vi que havia apenas duas rotas possíveis e as duas o levaria a uma viajem longa. Entretanto indo pela Avenida Sideral, você conseguiria chegar a tempo do café da manhã... E o que aconteceu com a Avenida Sideral hoje?

- Boeiros explodiram do nada - respondeu o barão.

- Boeiros que eu explodi. Escondi minhas cartas neles um dia antes e programei para que explodissem no tempo certo, com isso as ruas foram fechadas e você teve que ir pelos subúrbios, porém você não chegaria a tempo do café da manhã, pois estava faminto e foi obrigado a parar em uma lanchonete qualquer... Bem esperto da minha parte não acha?

Hautrec se surpreendia mais a cada frase, o quão longe aquele homem foi para planejar tudo? Suas dúvidas foram interrompidas ao olhar para o charuto do rapaz.

- Espere, esse charuto... É um Cooper?

- Ah, você percebeu - deu uma tragada, em seguida pegou o charuto com a mão - Você tinha razão, ele é muito bom.

- Como você tem um? Roubou das minhas coisas?

- Eu? Nada disso! Foi você que me deu.

- Então você é... Esteban?

- Isso mesmo - Fate sorriu - decidi fumar agora justamente para que notasse, mas você demorou demais, pensei que eu iria ter que falar - Hautrec ficou quieto mordendo os lábios com raiva e Fate continuou - Eu queria te deixar apreensivo com aquela mensagem no jornal, tive que trabalhar bem naquela hora, afinal aqueles jornais eram cópias falsas que eu preparei assumindo que nem você nem aquele Chapman iriam ter visto o jornal de hoje original, mais um ponto de sorte pra mim.

- E como diabos você conseguiu entrar no castelo?! - Hautrec gritou.

A resposta de Twisted Fate foi uma gargalhada.

- Eu nunca pisei no seu castelo!

O barão crispou os lábios e franziu as sobrancelhas, para ele as peças não se encaixavam.

- Mas... as cartas... - Logo foi interrompido por Fate.

- Agradeça ao senhor Desir por elas.

- Quem?

- Ora, ora, você nem sabe o nome de seus próprios criados? - balançou a cabeça em negação - Não é a toa que eu consegui suborna-lo tão facilmente.

- Está dizendo que eu fui traído?

- Bom, é o que parece - falou debochadamente - Você ouviu falar dos meus roubos anteriores?

- O amuleto da casa Rowley, a relíquia ancestral do conde noxiano e a jóia do quadro de Madame Eunice Florence.

- Isso mesmo, depois de rouba-los eu vendi os itens no mercado negro e recebi uma grana que você nem imagina. Enquanto conversávamos nos subúrbios, o meu parceiro veio disfarçado como um simples entregador e ofereceu o dinheiro ao senhor Desir, que aceitou na hora. O pacote que entregamos estava descrito como uma quantia atrasada de um de seus negócios, mas na verdade eram minhas cartas, a única tarefa de Desir era espalha-las pelo castelo - ele deu uma pequena pausa para se concentrar no código, o barão permaneceu quieto, logo Fate continuou - A quantia em dinheiro que eu dei pra ele, Desir a dividiu entre outros criados que também não gostavam de você, aquele dinheiro permite que eles vivam bem o resto da vida sem precisar trabalhar. Eles não irão voltar para você.

- Mas eles estão trancados nos quartos agora - Hautrec sorriu pela primeira vez na conversa - Você não pensou nisso, não é? Mesmo que leve a runa, ainda vou executa-los por traição!

- Errado - Fate afirmou tão imponente que o sorriso do barão sumiu na mesma hora - A primeira mensagem que você pegou estava junta de uma das cartas do meu baralho, no momento em que você a tocou, uma de minhas magias foi ativada e eu pude ver e ouvir tudo com seus olhos e ouvidos. Quando você desconfiou de que eu estava escondido no castelo e foi me procurar, você passou por diversas passagens secretas do castelo que só tu e algumas pessoas de confiança sabem. Repassei as informações para Desir, neste exato momento ele já deve estar bem longe do castelo.

Cada revelação era como um soco no estomago do Barão Vampírico. Se perguntava como aquele ladrão se mantinha calmo, mesmo com uma arma apontada para a própria cabeça. Também se perguntava se aquela paralisia duraria para sempre. Não tinha muito o que fazer naquela situação, sua única opção era continuar perguntando.

- E aquele... monstro? - sua espinha gelou só de lembrar da criatura.

- Isso? - Fate retira uma carta de seu baralho e mostra para o barão - Observe.

A carta se desfaz formando partículas que envolvem o corpo de Twisted Fate, em poucos segundos as mesmas partículas tomam a aparência do morcego mutante. Ao ver o desespero de Hautrec, o ladrão desfaz a transformação e a carta volta ao normal em sua mão. Em seguida, Fate continua com a explicação.

- Essa carta é um dos meus coringas, ela é feita de uma tecnologia que você não entenderia nem se eu explicasse, então é inútil falar mais do que isso - ele guarda a carta e volta ao console - Só saiba que com ela eu posso assumir a aparência que eu quiser, é um disfarce perfeito. Emprestei uma ao Desir, para que ele usasse caso ficasse em uma situação crítica - de repente, ele começou a rir - Mas não é irônico? O barão que tem o apelido de "Vampiro", tem medo de morcegos, é hilário.

- Seu merda - o barão estava vermelho de raiva, não só pela provocação, mas também por ter que aceitar que Chapman estava certo em acha-lo louco - Mas mesmo com tudo isso, você não deveria ser capaz de passar por aquela porta, pois ela se tranca sozinha e só eu posso abri-la. Além disso, até onde sei, eu entrei sozinho.

- É apenas mais um de meus truques - sorriu - Da mesma forma que usei para entrar aqui, vou usar para sair também - uma tela de carregamento apareceu no monitor, o sorriso de Fate abriu ainda mais e ele largou o console, se virando para Hautrec - O hack está completo, basta esperar, logo estarei comemorando mais um assalto bem sucedido. E você barão? Já está tarde para comer fora hoje, então vai dormir? Ou vai fazer outra coisa?

Vê-lo se gabar daquela forma só fazia Hautrec sentir mais ódio, ainda tinha a audácia de trata-lo como se fosse um amigo de longa data, foi a gota d'água para o barão.

- Seu filho da puta! - ele cuspiu, mas a saliva não atingiu o ladrão por conta da distância.

- Opa, somos dois cavalheiros aqui, a conversa estava boa, não vamos abaixar o nível por favor.

- Cavalheiro? Você acha que é um cavalheiro? É apenas um ladrãozinho, que hora ou outra vai ser pego e morrer em uma cela feito um rato!

Fate nem esperou ele terminar de falar, se movimentou tão rápido que Hautrec quase não percebeu, encurtou a distância segurando-o pela gola do casaco com uma das mãos e lançou um olhar intimidador.

- Como ousa dizer isso de mim? Acha que tem alguma razão aqui? - ele soltou a gola e o agarrou pelo pescoço -  Você também não chantageou? Não roubou? Não matou? Você é um criminoso assim como eu, nós não somos diferentes.

Aquelas palavras atingiram Hautrec em cheio, sua expressão enraivecida se tornou mais melancólica. Ficou quieto, vendo Twisted Fate se afastar e ir em direção ao pequeno monitor que possuía algo escrito, da onde estava ele conseguia ler as palavras "Extração Completa". Em poucos segundos, o domo de mana que protegia a runa se dissipou, deixando o conteúdo completamente exposto.

- Chegou a hora, Barão Vampírico - Fate pegou a runa e foi andando até a porta, porém parou no meio do caminho, sem olhar pra trás - Nossa como eu to puto, você deixou o clima pesado... Enfim, adeus.

Hautrec sentiu uma sensação estranha, um formigamento passava por todo seu corpo, de repente podia se mover. O efeito da paralisia tinha passado, sua respiração começou a ficar pesada, seu coração batendo tão rápido que poderia ser ouvido a quilômetros de distância. Ele apontou a arma para seu rival e atirou. Fate sentiu um vento forte passar perto do ouvido, viu na porta a marca que o laser da pistola deixou, sorriu mais uma vez e se virou, abrindo os braços sem soltar a runa.

- Vamos Hautrec, última chance! - Ele gritou animado - Acerte bem aqui na minha cabeça, onde esteve mirando esse tempo todo!

O barão estava farto de ser provocado pelo ladrão, queria acerta-lo, acabar com tudo ali e deixar seu corpo para apodrecer na masmorra, porém suas mãos tremiam e cada disparo saia tão torto que só o deixava mais apreensivo.

- Errou de novo! Vamos dessa vez você consegue, errou! O que está esperando? É agora ou nunca! - Twisted Fate nem precisava se mexer, apenas brincava com seu adversário e talvez fosse isso que estava afetando o barão.

A pistola caiu de sua mão descarregada e Hautrec caiu de joelhos completamente derrotado. Twisted Fate olhou para ele, uma satisfação brotava em seu olhar, o sentimento de enganar a morte lhe excitava.

- Você perdeu - Fate falou - Agora, observe meu último truque.

Ele puxou uma carta e a segurou entre os dedos, ela começou a emanar um brilho cintilante que o impedia o barão de ter um contato direto. Foi questão de dois segundos, a luz encobriu Twisted Fate e em um piscar de olhos ele não estava mais lá. Hautrec não fez nada, permaneceu olhando para o nada naquela sala vazia, parecia que desde o inicio ele não tinha nenhuma chance, queria rir, chorar, gritar, pular, tudo ao mesmo tempo. Depois daquele dia, Hautrec dedicou todas as suas finanças a investir em corporações de segurança, enviou dinheiro até mesmo a polícia, tudo para que um dia pudesse ver Twisted Fate atrás das grades, porém ele nunca mais ouviu falar esse nome.

No dia seguinte, bem cedo pela manhã quando ainda não havia nenhuma pessoa nas ruas, Twisted Fate e Desir estavam reunidos conversando e andando pelas calçadas.

- Senhor Fate, eu sei que o que fizemos lá atrás foi mais ou menos uma troca - ele olhou para o ladrão, suas palavras eram sinceras - Mas eu ainda sinto que devo te agradecer por ter me tirado daquele buraco, não há nada que eu possa fazer?

Twisted Fate analisou o braço enfaixado de Desir, em seguida respondeu.

- Não acha que foi suficiente levar um tiro por mim?

- Eu tomaria dez tiros para sair daquele castelo, por você ou não.

- Nesse caso... - Fate pensou um pouco, logo algo veio a sua mente - Senhor Desir, qual vai ser o nome do seu filho mesmo?

- Graves, por que?

- Entregue isso ao garoto quando ele tiver vinte anos, mas por favor, não diga meu nome a ele - ele entregou um envelope a Desir - E não, você não pode abrir isso. Mesmo que morra de curiosidade.

- Tudo bem - Desir assentiu - Bom, meu trem vai partir em duas horas, preciso ir para a estação. O que você vai fazer agora?

- Vou tirar uma folga, uma pessoa me chamou para dançar tango em outro lugar - sorriu - Boa viagem até as Águas de Sentina.

Fizeram uma breve despedida e Desir rumou a estação. Twisted Fate se virou com as mãos no bolso, um portal se abriu em sua frente.

- Um encontro depois de um roubo bem sucedido, nada mal pra mim - quanto mais ele se aproximava do portal, mais forte ficava a ventania que o puxava pra dentro, foi obrigado a segurar seu chapéu e antes de se jogar nele, ele completou - Já chega dessa linha temporal.

 



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