História Two Mississipi - Capítulo 10


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Categorias Magcon, Shawn Mendes
Tags Magcon, Old Magcon, Romance, Shawn Mendes
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Palavras 5.505
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Who Are You


Atualmente

No Molly’s

A noite mal começou e eu já estava puta da vida! Dom estava agindo feito uma criança a dias, minha paciência estava quase no fim com essa situação. Entrei no Molly’s quase batendo a porta e fui direto para o balcão onde ele estava terminando de limpar alguns copos.

-Preciso de uma cerveja. – puxei um dos banquinhos e o encarrei.

-Parece que alguém não está tendo uma boa noite. – Molly comentou antes de me entregar a garrafa de cerveja.

-Nem me fale. – dei um gole e respirei fundo

-Problemas em casa?

-Um noivo agindo feito criança, está bom pra você?

-Acontece com os melhores casais. – Molly deu um tapinha na minha mão antes de afastar para guardar algumas garrafas. Terminei minha cerveja e fui para o palco.

Algumas horas depois...

Sai do palco depois de me apresentar. Estava cansada e pedi para os meninos terminarem a noite por mim, pedi desculpas para o Molly e sai, iria aproveitar o restante da noite para terminar de corrigir alguns trabalhos que passei para as crianças na escola. Foi quando lembrei que eu deixei o material na ONG porque fiquei com preguiça de carregar para casa. Me xingando mentalmente peguei o celular e pedir um uber, não tinha jeito: teria que passar na One For All.

Não demorou muito até chegar no prédio, senhor Hank estava na entrada e me deixou passar sem problemas então fui direto para a minha sala. Estava abrindo o armário quando meu celular começa a tocar na bolsa. Meu coração deu um salto na esperança de que fosse o Dom que, com a consciência pesada, estivesse do outro lado da linha. Atendi sem olhar quem era.

-Oi, meu amor. Finalmente!

-Já estamos nos tratando assim? Vou voltar a te chamar de minha pequena de novo. Ou melhor Abigail. – a pessoa do outro lado gargalhou e foi ai que percebi a gafe que cometi

-Shawn?

-Não reconhece mais a minha voz?

-Desculpe, eu achei que fosse outra pessoa. É que eu e o Dom estamos meio brigados, achei que fosse ele no telefone.

-Tudo bem, sem problemas. – pigarreou

-Aconteceu alguma coisa? – tentei mudar de assunto

-Na verdade não, eu só... – Shawn começou a gaguejar. – Eu estava pensando se você não queria, sei lá, vir aqui em casa, tomar um vinho, conversar... Você e o Dom, claro! Não quero que ele pense nada errado sobre nosso encontro – ele começou a falar descontroladamente, o que me fez rir. Ele estava nervoso, velhos hábitos nunca mudam.

-Respira, Shawn! – comentei

-Desculpa!

-Obrigada, mas eu tenho outros planos hoje.

-Um remember da véspera de Ano Novo? É, eu cheguei nessa parte e você poderia ter sido menos detalhista. – reclamou e fui obrigada a rir. Senti minhas bochechas corarem, tinha esquecido que eu me empolguei na hora de escrever sobre aquele dia. – Para de rir, Ellie Abigail. Terei pesadelos hoje.

-Mil desculpas por isso! Mas não, meus planos são mergulhar no trabalho. Inclusive estou na ONG neste momento.

-Meu Deus! Você não sai desse lugar, não?

-Eu tento, mas um imã me puxa de volta.

-Espera: você não deveria estar cantando naquele pub?

-Sim, mas não estava com cabeça para isso então sai e vim na ONG buscar alguns trabalhos da escola para corrigir.

-Eu não consigo te imaginar dentro de uma sala de aula como professora. Na minha cabeça você vai ser sempre aquela menina que brigou comigo, sem nem me conhecer, só porque não queria fazer dupla comigo no trabalho.

-Ei, eu sou uma ótima professora, ok?

-Nunca duvidei das suas capacidades. Você é ótima em tudo que faz, El. – depois desse comentário ficou um silêncio entre nós. – Posso passar ai?

-Pode – respondi sem pensar e desliguei o telefone sem entender o motivo da minha palpitação. Coloquei o telefone no bolso da calça jeans e respirei fundo antes de sair e ir até o banheiro molhar o rosto.

Na volta, ouvi um barulho na sala de música e fui ver o que era. Cheguei a tempo de ver uma faísca, vinda do fio do ar condicionado, atingir a cortina e se espalhar rapidamente.

-MERDA! – exclamei. Voltei correndo para a minha sala e peguei um extintor pequeno na esperança que aquilo fosse suficiente. Me enganei, quando entrei na sala o fogo já tinha se espalhado e eu precisaria de algo maior. Tentei apagar as chamas a qualquer custo, a fumaça negra e densa começou a atrapalhar os meus sentidos, a tosse fazia minha garganta arder e meus olhos lagrimejarem. Mas eu não podia deixar que destruísse aquele lugar, o meu lugar! Mas eu não tinha chances, o fogo já tinha se alastrado demais. Tropecei em alguns instrumentos no caminho e torci o tornozelo, caindo no chão. Partes do teto caíram e impediam que eu chegasse até a porta. Tirei o celular do bolso e disquei para os bombeiros, tentei passei as informações o claro possível e rezei para que eles não demorassem. Não sei por quanto tempo eu iria suportar.

Aproveitei o resto de oxigênio e força para ligar para o Dom, o telefone tocou algumas vezes até cair na caixa postal. Seu sorriso foi a última coisa que eu pensei antes de perder a consciência.

Shawn

-Nunca duvidei das suas capacidades. Você é ótima em tudo que faz, El. – o silêncio tomou conta e senti meu coração acelerar, quando percebi eu já tinha perguntado:  – Posso passar ai?

-Pode – respondeu rapidamente e desligou o telefone, me fazendo pensar se ela também teria ficado tão nervosa quanto eu. Corri para o banheiro e troquei a calça de moletom e passei a mão no cabelo tentando dar um jeito nos cachos. Peguei a carteira, as chaves e sai de casa.

Durante todo o caminho fui cantarolando, uma tentativa de fazer o tempo passar mais rápido. Quando estava chegando, um carro do corpo de bombeiros passou por mim, tudo que eu fiz foi assoviar e dar passagem. A última coisa que eu esperava era que eles parassem próximo ao prédio da ONG e começassem a trabalhar. Meu olhar subiu para a construção e vi chamas brilhando em uma das janelas. Acho que parei de respirar nesse momento.

Estacionei o carro de qualquer jeito e corri em direção ao prédio, policiais começavam a cercar o lugar para afastar curiosos. Tentei passar, mas um deles me segurou:

-Minha amiga está lá dentro! Ela precisa de ajuda.

-Ainda não achamos ninguém, senhor.

-Me deixa entrar – implorei

-Não posso, senhor. – respondeu. Eu comecei a passar a mão nos cabelos, completamente desesperado. Andei em círculos até que uma movimentação na porta chamou minha atenção. Um dos bombeiros saiu carregando o senhor Hank e o acompanhou até a ambulância. Corri até eles.

-Senhor Hank, senhor Hank! – chamei. No início ele me olhou assustado, sem me reconhecer mas aos poucos a ficha foi caindo e ele sussurrou meu nome. Uma paramédica colocou uma máscara em seu rosto e ele sorriu aliviado por voltar a respirar normalmente. – E a Ellie? O senhor sabe onde ela está?

-Na sala de música, tudo começou lá! Eu tentei ... – ele começou a tossir, os ombros tremendo violentamente – Tentei ajuda-la mas tinha muita fumaça.

-O senhor precisa descansar. – a paramédica retornou e o ajudou a deitar em uma das macas. Uma barulheira atrás de mim chamou minha atenção e me virei a tempo de ver a Ellie sendo carregada por um bombeiro. Eles a trouxeram para a ambulância e os primeiros socorros foram feitos. Eu não sabia dizer se ela estava bem, se estava viva ou coisa parecida. Meus ouvidos zumbiam e meu coração parecia querer sair pela boca. Só voltei a mim quando ouvi a paramédica gritar o nome do hospital e bater à porta da ambulância. Corri para o meu carro e foi quando eu lembrei de avisar a alguém. Dom deveria ser o primeiro a ficar sabendo, mas eu não tinha o telefone dele. Bati com força no volante, me xingando por não ter ligado para esses detalhes! Então, peguei o telefone e liguei para o Brian, que atendeu no segundo toque, falei o que aconteceu e passei o nome do hospital. Desliguei e sai de lá o mais rápido possível, rezando durante todo o caminho para que ela estivesse bem. Estacionei de qualquer modo e entrei correndo no hospital, procurando por alguém que pudesse me dar alguma informação. Ellie havia sido levada para fazer alguns exames então não havia mais nada que eu pudesse fazer a não ser esperar.

Alguns minutos mais tarde, uma movimentação na recepção chamou minha atenção. Era o Dom, acompanhado da Josy e do Brian, ele estava completamente fora de si, o medo e a angustia estampados em seu rosto. A enfermeira apontou para o corredor onde eu estava sentado e ele veio feito um foguete mas estancou no lugar assim que me viu.

-O que você faz aqui? – perguntou

-Foi ele quem me avisou, Dom. Shawn estava mais perto e chegou primeiro – Brian respondeu por mim

-Eu estava indo encontra-la na ONG, mas quando eu cheguei o incêndio já havia começado e os bombeiros estavam tentando controlar. – completei as lacunas que faltavam na história. Fiquei de pé e caminhei até eles.

-Você estava com ela? Na ONG? De novo? – Dom perguntou. Os olhos começaram a brilhar de raiva e, quando percebi, ele segurava a gola da minha camisa, me prensando contra a parede. –Qual parte do “ela está noiva”, você não consegue entender?

-Eu tenho plena consciência disso, Dominique. Mas nós somos amigos e, caso você não saiba, amigos saem juntos as vezes. – rebati empurrando-o e tirando suas mãos de cima de mim. – Você, mais que ninguém, deveria saber que a Ellie detesta esse tipo de controle sobre ela.

-Não me diga como tratar a minha noiva! – exclamou

-Se for para o bem dela, eu vou falar quantas vezes julgar necessário.

-Você não sabe o que é melhor para ela. Nunca soube! Sempre foi uma criança mimada, que só sabe pensar em si mesmo, é um mauricinho que acha que pode fazer o que quiser com as pessoas só porque ficou famoso. Que direito você acha que tem de voltar para a nossas vidas e agir como se nada tivesse acontecido?

-Você não me conhece o suficiente para me julgar. – rebati. Brian veio para perto da gente, colocou a mão no meu ombro me empurrando para atrás. – Você se acha demais só porque colocou um anel no dedo dela! Sinto te informar mas tira-lo da mão dela é fácil, fácil.

Merda, eu deveria ter ficado quieto e não ter enfrentado o Dom. Nós dois estávamos de cabeça quente, preocupados com o estado dela, a última coisa que a gente deveria fazer é bater boca por besteiras.

-Resolveu correr atrás agora? Não consegue aceitar que ela achou alguém melhor que você? – Dom deu um passo à frente me enfrentando, pronto para me bater a qualquer momento. – Não consegue aceitar que ela superou você, seu engomadinho de merda.

-Não é o que parece quando estamos juntos. – rebati. O que aconteceu depois virou um borrão para mim, só lembro do Dom erguendo o braço e me dando um soco. A partir daí a raiva tomou conta e perdemos a noção.

-PAREM COM ISSO MERDA! – ouvi Brian gritar comigo antes de entrar no meio. Dois funcionários do hospital me seguravam, assim como outros dois seguravam o Dom que ainda tentava avançar em mim. Olhei para o seu rosto e vi o sangue escorrendo até sua camiseta branca e os hematomas ficando visíveis na sua pele morena. Não queria nem imaginar como eu estava. De repente, a porta da emergência se abre uma médica nos encara sem entender nada.

-Uma coisa de cada vez! – respirou fundo antes de continuar –  Ellie Thompson? – perguntou

-Sim! – eu e Dom respondemos juntos.

-Ela está bem, só inalou muita fumaça e deu jeito no tornozelo esquerdo. Preciso que ela fique em observação por mais algumas horas, mas vocês podem ir vê-la.

-Eu vou! – Dom e eu continuamos a responder juntos.

-Vocês dois vão dar um jeito nessas caras. – Josephine se pronunciou pela primeira desde que chegou. – Eu deveria cortar as bolas dos dois e depois dar para os cachorros, seus idiotas! Eu vou, doutora. – marchando, ela passou por nós dois e, ouvindo as informações da médica, entrou no pronto socorro. Percebendo que a situação estava mais calma, os funcionários do hospital nos soltaram devagar.

-Eu vou cuidar de vocês dois. – a médica revirou os olhos e fez sinal para que a seguíssemos. Brian ficou entre Dom e eu, observando cada movimento que fazíamos. Por segurança, a doutora nos separou e chamou uma enfermeira para me atender.

-O que deu em você? – Brian, aproveitando que a enfermeira havia saído para pegar um remédio para dor, deu um soco em meu ombro. – Perdeu a cabeça? Brigar com o Dom? E que história é essa de ter a Ellie de volta? E a Hailey?

-Porra, para de fazer pergunta! Minha cabeça está martelando. – reclamei enquanto massageava minhas têmporas. – Eu não sei! Estava de cabeça quente, falei um monte de coisas sem pensar.

-Seja sincero comigo: aconteceu alguma coisa entre você e a Ellie?

-Não, nada disso que você está pensando. – aproveitei e fiz um resumo do que aconteceu quando eu fui na ONG pela primeira vez.

-Agora eu entendi o motivo do Dom ter ficado tão irritado por você ter chegado aqui primeiro, ele achou que vocês estivessem juntos de novo.

-E estaríamos se eu tivesse chegado minutos antes.

A enfermeira retornou, me deu o remédio e disse que eu poderia esperar do lado de fora. Assim que sai, aproveitei para ir ao banheiro e me assustei com o meu reflexo no espelho: tinha um corte no supercílio, meu nariz estava vermelho, minha boca cortada e meu olho direito começava a ficar roxo. Voltei para a sala de espera e encontrei Brian e Josy.

-Como ela está? – perguntei

-Bem. Estava lutando contra os remédios quando eu entrei. Ela me explicou o que aconteceu, o fogo começou na sala de música, alguma coisa com o ar condicionado antigo, ela tentou apagar, mas foi muito rápido e quando ela tentou sair, tropeçou em algum instrumento e virou o pé. A última coisa que ela se lembra é de ligar para os bombeiros.

-Eu posso vê-la?

-Acho melhor não, Shawn. – Josy segurou minha mão. – Ela tomou um remédio para dormir e, além do mais, o Dom está com ela agora. Vai passar a noite a aqui.

-Tudo bem, você tem razão. Já causei confusão demais hoje. – afirmei, meus amigos concordaram com a cabeça. Assim, nós nos despedimos e cada um foi para sua casa.

Shawn

Ellie

No dia seguinte...

Acordei com o barulho, um apito irritante que me fez ter vontade de quebra-lo em mil pedaços. Resmungando, tentei sentar na cama mas senti uma pontada na cabeça. Aos poucos, as imagens do que aconteceu na One For All foram voltando e eu repetia que era apenas um sonho. Aos poucos abri os olhos, torcendo para ver o teto do meu quarto e Dom deitado ao meu lado. Uma coisa eu estava certa: meu noivo estava ao meu lado, mas não estávamos na mesma cama. Enquanto eu estava deitada, ele estava todo encolhido em um sofá no canto do cômodo. Olhei ao redor e reconheci de imediato: estava no hospital. Isso significava que o incêndio não havia sido um pesadelo. Ai meu Deus, a minha ONG!

Tentei sentar novamente, arranquei os fios que estavam presos no meu peito e dedo fazendo com que as máquinas começassem a apitar. Dom acordou num pulo no exato momento em que enfermeiras e médicos entraram correndo no meu quarto. Tentei falar, explicar que eu estava bem, mas minha voz saiu mais como um miado misturado com gemido do que com o seu estado normal. Minha garganta começou a arder e uma crise de tosse me dominou.

-Ellie? Meu amor? – Dom estava ao meu lado, uma das mãos nas minhas costas me dando apoio enquanto segurava uma das minhas. Olhei para ele mais de perto e reparei em um corte no canto da sua boca, seu olho direito estava com um leve arroxeado e inchado. Toquei seu rosto e ele fez uma careta de dor. Uma enfermeira chamou minha atenção, me entregou um copo com água, que eu repeti quatro vezes, o que me ajudou a voltar a falar com mais clareza.

-O que aconteceu? – perguntei olhando para o Dom.

-Um acidente, teve um incêndio na ONG e. – ele começou a explicar, mas eu o interrompi.

-Eu me lembro disso. Estava perguntando sobre o seu rosto. – nesse momento a enfermeira tirou o copo da minha mão e, quando olhei para ela, vi uma certa careta quando fiz a pergunta. Dom passou as mãos pelo cabelo totalmente sem-graça.

-É um pouco complicado. Acho melhor a gente conversar em casa, você ainda não está cem por cento. Vou atrás de um médico – meu noivo praticamente saiu correndo do quarto.

Minutos depois, ele retornou com um médico que me encheu de perguntas e fez mais alguns exames. Segundo ele, tudo indicava que eu iria para casa ainda hoje, tudo dependia do resultado dos exames, mas pelo que ele viu eu dificilmente teria algum problema.

-Podemos conversar agora? – perguntei assim que o médico nos deixou sozinhos. Percebi que ele havia ficado nervoso e tentava encontrar um modo de sair dessa. Quando ele abriu a boca para falar, Josy entrou no quarto e correu até mim, se jogando nos meus braços.

-Sua filha da puta! Quase matou a gente de susto. – reclamou.

-Obrigada pela preocupação, Josephine.- brinquei antes de puxa-la para mais um abraço.

-Vou deixar vocês sozinhas. – Dom saiu do quarto o mais rápido possível.

-O que aconteceu enquanto eu estava apagada? – se ele não ia me contar, Josy ia falar com toda certeza. Desde que ela entrou e olhou para ele, eu sabia que tinha alguma coisa muito errada.

-Ele ainda não te contou?

-Fala logo, Josephine.

-Ontem, o Shawn foi o primeiro a chegar no hospital. Ele estava indo se encontrar com você na ONG, certo? – minha prima me olhou e eu concordei com a cabeça –Foi ele quem avisou o Brian e nós dois falamos com o Dom. Ele ficou tão nervoso, Ellie! Eu nunca imaginei vê-lo daquela forma! E quando chegou aqui, viu o Shawn e descobriu que vocês iam se encontrar... Domenique perdeu a cabeça e eles brigaram no meio do corredor.

-EU NÃO ACREDITO! – exclamei

-Os seguranças tiveram que entrar no meio para separar os dois. Não foi nada bonito, El.

-Eu vou matar o Dom! – passei as mãos pelo rosto e depois pelos cabelos. Foi ai que a minha ficha caiu – Como o Shawn está? O Dom não deixou ele em coma não, né?

-Até onde eu fiquei sabendo ele só teve uns arranhões e hematomas. – respondeu. Respirei aliviada.

-Vou matar o Dom! Agora entendi porque ele está fugindo de mim desde que acordei.

-Eu nunca imaginei que eles pudessem chegar a esse ponto. – Josephine ficou quieta do nada. Eu a conhecia bem o suficiente para saber que ela queria me perguntar algo. Não demorou muito para ela soltar a bomba: - Me desculpa, mas preciso perguntar: tem alguma coisa rolando entre você e o Shawn de novo? Ontem ele estava tão desesperado quanto o Dom.

Ah, merda! Respirei fundo e respondi:

-A gente se reaproximou nesses últimos tempos. Ele está com o meu diário e, alguns dias atrás, nós nos encontramos lá na ONG. Só nós dois, o Dom descobriu e desde de então está com esse ciúme louco para cima do Shawn.

-Não rolou nada nesse dia?

-Nós só conversamos e, aconteceu uma coisa engraçada, ficamos trancados por causa da tempestade. Igual daquela vez no ensino médio.

-Espera, aquela vez que vocês deram o primeiro beijo? – Josy perguntou e eu me assustei por ela lembrar desse detalhe.

-Sim, igual dessa vez. Na verdade, foi diferente: não teve beijo.

-El, essa proximidade mexeu com você? Digo, você voltou a sentir algo por ele?

-Eu ainda amo o Dom mais que a minha mesma, está bom assim?

-Se você estiver feliz, sim, está tudo bem. – minha prima segurou minha mão e ficamos conversando mais um pouco.

Dom apareceu com o médico e meus exames. Segundo ele estava tudo certo e eu poderia ir para casa. Agradeci e comecei a meu arrumar para voltar, Josephine tinha passando na minha casa e pegou uma muda limpa de roupa. Do lado de fora do hospital, me despedi da minha prima e segui para o meu apartamento em silêncio, Dom parecia mais tranquilo e eu ainda não havia tocado no assunto.

Assim que entramos, Dom me abraçou por trás e escondeu o rosto na curva do meu pescoço.

-Eu senti tanto medo de perder você! – sussurrou –Me perdoa?

-Você está pedindo perdão por ter me tratado como uma merda ou por ter brigado no meio do hospital? – rebati. Dom enrijeceu atrás de mim, eu me afastei e virei de frente para ele, encarando-o.

-Eu posso explicar – começou mas eu o cortei, perdendo a paciência.

-Você bateu nele, Dom! Tem noção de que você poderia ter machucado ele de verdade?

-A sua preocupação é com o rostinho dele, é isso? – cruzou os braços, puto da vida. – Pois pode ficar tranquila: eu não estraguei! Mas deveria ter feito.

-Quem é você e o que fez com o Domenique? Por que esse aqui não é o meu noivo!

-Esse é o seu noivo cuidando do que é dele! É o seu noivo deixando bem claro quem é o dono desse anel no seu dedo. Não vai ser um cantorzinho de merda que vai tirar ele daí.

-Em primeiro lugar: eu não sou sua! Eu sou minha e ponto. Não sou um objeto para você mijar em volta e marcar seu território. – apontei para ele e o vi revirar os olhos – Você deveria confiar mais em mim! Estamos juntos a quanto tempo, porra? Quantas vezes eu já deixei claro que eu amo você? Se anel sair do meu dedo vai ser porque eu quero, não preciso de ninguém me motivando. Você já deveria saber que eu sou dona da minha vida e das minhas escolhas.

-Eu não acredito que a gente está brigando de novo por causa daquele cantor de merda! – Dom passou as mãos no cabelo, frustrado

-Não, Dom! Estamos brigando porque você tem agido feito um idiota ultimamente. E pare de chama-lo assim.

-E você vai continuar defendendo ele? Nossa Ellie, só falta a camiseta do fã clube e a faixa na cabeça. Ele é um cantor de merda, sim! Isso nem é uma profissão de verdade. – resmungando ele deu a volta e se jogou no sofá.

-Essa é a minha profissão também, caso você tenha esquecido. A profissão que paga as contas dessa casa, que vai pagar o nosso casamento. – rebati

-Vai pagar mesmo? Ou melhor: vai ter casamento ainda?

Aquilo me pegou desprevenida e foi como um soco no estomago. Segurando as lágrimas, tirei o anel do dedo e coloquei na mesinha de centro. O barulho chamou a atenção dele.

-O que?

-Fique com o seu anel, então. Faça bom proveito! – peguei minha bolsa e sai de casa batendo a porta enquanto ele gritava o meu nome. Corri até a rua, com um pouco de dificuldade por conta do tornozelo machucado, e fiz sinal para o primeiro táxi que passava. Entrei depressa e pedi para o motorista arrancar, Dom estava bem próximo. Falando com dificuldade, passei o endereço e deixei as lágrimas rolarem.

Toquei a campainha e torci para que tivesse alguém em casa. Brian abriu a porta e se assustou ao ver meu estado.

-El, o que aconteceu? – meu amigo me puxou para um abraço e eu voltei a chorar de novo. Nesse instante, Josy apareceu na sala e veio correndo quando me viu chorar.

-O que aconteceu?

-Eu terminei com o Dom. – repondi. Josy me puxou pela mão e me levou até o sofá. Brian nos deixou conversando e voltou para o quarto. Contei toda a briga para minha prima enquanto ela fazia carinho no meu cabelo, deitada em seu colo. – Por que ele tinha que ficar assim? As coisas estavam indo tão bem!

-Ah, meu amor. Eu sinto tanto.

Josephine me deixou chorar em seu colo por mais algumas horas até que eu cai no sono, no sofá mesmo. Acordei com o som da campainha e me sentei assustada. Brian entrou na sala correndo e sussurrou um “ desculpe” antes de abrir a porta e sair. Dei de ombros e fui até a cozinha procurar minha prima.

Shawn

-Claro que eu volto a tempo, Hailey! – equilibrei o telefone entre o ouvido e o ombro antes de apertar o botão para chamar o elevador. – Eu só vim aqui no Brian pegar algumas coisas. – revirei os olhos ouvindo-a falar sobre o evento que tínhamos naquela noite, que eu não poderia me atrasar e tudo mais. – Eu vou chegar a tempo, Hailey! Eu juro. – o elevador parou no andar do Brian e eu sai. Fiz mais algumas promessas para minha namorada e toquei a campainha. Guardei o aparelho no exato momento que meu amigo abriu a porta e, com a mão no meu peito, me empurrou.

-Péssimo momento, cara.

-O que foi? Josy quer comer o seu fígado? – perguntei

-Acho que ela quer comer o seu também. – rebateu

-O que eu fiz?

-A Ellie apareceu aqui a algumas horas atrás.

-Nem sabia que ela já havia recebido alta! Ia até perguntar para a Josy.

-Ela saiu hoje depois do almoço. Mas, pelo que eu ouvi, a situação com o Dom não está nada boa.

-Ele não fez nada com ela, né? Se ele encostou um dedo nela, eu juro que mato. – ameacei. Meu sangue fervia nas minhas veias.

-Ele não fez nada, cara. Dom pode ter todos os defeitos, mas não seria capaz de algo desse tipo. Ela está arrasada! Pelo que eu entendi, eles terminaram. – Brian explicou. Eu, que andava em círculos, parei no lugar e o encarei. Minha raiva deu lugar a preocupação.

-Você sabe para onde ela foi? – perguntei.

-Ela ainda está aqui. – meu amigo respondeu.

-Eu posso vê-la?

-Claro. – Brian voltou para casa e eu o segui. Ellie estava sentada no sofá olhando o celular. Assim que entramos, ela ergueu os olhos e se assustou ao me ver ali. Meu amigo pediu licença e nos deixou sozinhos.

-Eu sinto muito – comentei assim que sentei ao seu lado. –Brian me contou o que houve.

-Ele ainda não me ligou. – Ellie me mostrou o celular. –Nunca achei que fosse terminar desse jeito. – passei um braço sobre seus ombros e a puxei para perto, apoiando sua cabeça em meu ombro. Josy apareceu no corredor e fiz sinal avisando que estava tudo bem e ela nos deixou sozinhos de novamente. Nesse momento eu tive uma ideia.

-Pega a sua bolsa. Vamos dar uma volta.

-O que? – ela me olhou sem entender nada – Eu não estou muito afim de sair não, Shawn. Desculpa.

-Você vai sair, sim. – levantei do sofá e estendi a mão para ela. Ellie resmungou um pouco mas aceitou e ficou de pé. Chamei o Brian e avisei que íamos dar uma volta. Segurando a mão de Ellie, saímos do apartamento e entramos no meu carro.

-Para onde você está me levando? – perguntou. Olhei para ela e sorri

-É surpresa! – respondi vendo-a revirar os olhos.

O trânsito estava ótimo então não demoramos muito para chegar. Olhando rapidamente para ela, vi seus olhos brilharem quando reconheceu o caminho.

-Eu não venho aqui a muito tempo! – Ellie levou as mãos ao rosto.

-Vem, vamos sair. – estacionei o carro e sai. Enquanto ela descia, eu dei a volta e tirei uma manta e meu violão da mala do carro. Com a sua ajuda, estendemos a manta e nos sentamos, olhando a cidade do alto do mirante. – Eu sei que esse lugar sempre te fez bem, imaginei que pudesse te ajudar agora.

-Eu tinha esquecido de como eu gostava daqui. Obrigada. – Ellie segurou a minha mão e sorriu. – E o violão?

-Bom, música sempre te animou também, então pensei, “por que não?” – tirei o violão do case e lhe entreguei. Deixando o instrumento no colo, ela me olhou antes de tocar o meu rosto.

-Eu não acredito que vocês brigaram no meio do hospital.

-Confesso que não foi a coisa mais inteligente que eu já fiz.

-Dom poderia ter feito um estrago no seu rosto. – Ellie fez um carinho na minha bochecha com o polegar.

-Eu sou bom de briga também, tá? – afirmei. Ellie me olhou seria como se dissesse: “ATA” – Ok, eu não sou um profissional como o Dom mas sei dar uns socos. Eu posso estar com uns hematomas, mas eu posso garantir que ele também está.

-Isso é verdade. – Ellie riu. Sua mão continuava no meu rosto e seu olhar voltou a me analisar. Senti meu coração dar um pulo antes de bater com força. Acho que ela sentiu a mesma coisa, pois se afastou, pegou o violão e começou a dedilhar algumas notas. Eu aproveitei e cantarolei: I'm so sorry / That we're still stuck in the middle / I'm so sorry / 'Cause in the moment I / I don't know what it’s like to be you / I don’t know what it's like, but I’m dying to

-Isso dá uma música! – Ellie sorriu para mim e tirou um caderno de dentro da bolsa. Ela me passou o violão e anotou meus versos. E assim, aos poucos, fomos compondo e cantando juntos.

Como nos velhos tempos...

Algumas horas depois, eu estava estacionando na frente do prédio do meu amigo. Ficamos em silêncio por alguns minutos apenas aproveitando a companhia um do outro. Eu estava atrasado para o evento, mas que liga?

-Obrigada por tudo que você fez por mim

-Você não precisa agradecer. Pode contar comigo sempre. – segurei sua mão que estava sob a sua coxa. Ellie sorriu para mim e se inclinou para me abraçar. Quando ia me dar um beijo na bochecha, eu me mexi e nossos narizes se tocaram e quase nos beijamos. Nos afastamos rapidamente, as respirações descompensadas e ambos sem jeito. Sussurrando um tchau, Ellie saiu do carro e correu para dentro do prédio.

Shawn

Sai do carro tentando disfarçar o tremor nas minhas mãos e minha respiração pesada. Entrei no elevador às pressas e agradeci mentalmente por estar sozinha por alguns segundos. Minha mente repetia a cena a todo instante e, mesmo assim, eu não conseguia acreditar no que quase aconteceu. Eu nunca deveria ter aceitado sair de casa, deveria ter ficado no sofá de Josephine me entupindo de sorvete e assistindo filmes clichês com minha prima. Nunca, em mil anos, eu poderia ter saído com ele e muito menos quase o beijado. Depois de tantos anos ele ainda era capaz de bagunçar minha cabeça e minha vida.

Toquei a campainha do apartamento da minha prima, que fez praticamente um interrogatório sobre para onde nós tínhamos ido. Fiz um resumo e, omitindo a cena do carro, isso pareceu deixá-la mais relaxada. Pedindo desculpas por me fazer dormir no sofá, o segundo quarto virou um escritório, Josy me emprestou um pijama e fui tomar um banho, torcendo para que a água levasse aquele momento da minha memória.

Depois que saí do banho, deitei no sofá e digitei uma mensagem para o Dom, mas não tive coragem de enviar. Apaguei o texto e resolvi tentar dormir quando escuto o telefone vibrar na mesinha de centro. Era uma mensagem do Shawn:

"Acordada?"

Eu estava dividida entre fingir que eu não li e só responder no dia seguinte, quando minha mente estivesse mais clara. Como sempre, eu não tomei a melhor decisão

"Sim. Não consigo desligar minha cabeça"

Torci para que ele tivesse desistido por conta da demora, mas assim que a minha mensagem foi enviada, sua resposta chegou:

"Sei como é. Tudo que eu queria era estar em casa agora"

"Trabalhando?"

"Pode se dizer que sim. Um jantar chique e chato que eu, por sinal, cheguei atrasado"

"Sinto muito por isso. Não queria te atrapalhar"

"Você nunca atrapalha, Ell. Eu já não estava afim de vir mesmo, mas tinha um contrato então..."

"Diz pra mim que você usou alguma coisa para cobrir os hematomas no seu rosto."

"Usei sim hahahaha tem quase um quilo de maquiagem no meu rosto. Já o corte na boca eu disse que andei experimentando umas aulas de boxe"

"É, foi direto para a aula prática com um professor que estudou vários tipos de luta a vida inteira. Não me pareceu uma escolha inteligente"

"Sou obrigado a concordar hahahaha está melhor?"

"Sim, obrigada por me animar."

"Sempre que precisar, ruivinha. Preciso ir, precisam de mim para mais fotos"

"É por essas e outras que eu não quis ser famosa hahaha"

"Eu pagaria Mil dólares só pra te ver aqui no meu lugar HAHAHAHA"

"Isso é uma aposta, Mendes?"

"Será? Aguarde e confie"

"Vai trabalhar, Shawn. Boa noite"

"Se cuida, pequena. Qualquer coisa me liga"

"Obrigada"

Não esperei uma resposta, desliguei o telefone e tentei dormir.



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