História Two Pieces - Capítulo 18


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Tags Naruhina, Revelaçoes, Romances, Sasosaku, Sasuhina
Visualizações 379
Palavras 2.243
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Inocência


Achei um lugar seguro, sem lágrimas, pela primeira vez na vida, e ficou tão claro. Me sinto calma, é aqui que eu pertenço, estou feliz aqui. É tão forte que agora eu consigo me deixar ser sincera.

Uma semana depois, eu pude visitar Sakura no hospital psiquiátrico no qual ela estava fazendo tratamento.

— Você não sabe como é sentir nada, Hinata — Sakura começou. Estávamos sentadas nos bancos do jardim e ela fazia riscos na mesa disposta diante de nós. — Não sabe como é desesperador estar vazia. Nada tem importância, nada tem relevância. O mundo é nu, cru e não tem sabor... Eu sinto muito por ter envolvido você na bagunça que é a minha cabeça. Você não merece nada do que acontece no meu mundo...

Ela suspirou e eu permaneci em silêncio.

— Eu não quero te alfinetar, mas não sei a razão de Naruto ter te colocado nele. Nós temos vidas muito diferentes. Nós vemos coisas diferentes. Naruto é podre de uma maneira que você nunca vai saber reconhecer — Ela se manteve em silêncio por algum tempo. — Por isso nos entendemos. Desde que nos conhecemos, somos pessoas horríveis. Fazemos coisas horríveis. No ensino médio, aprontávamos tanto e só não éramos expulsos dos colégios por conta das nossas famílias. Não sei a razão de ele querer parecer ser alguém diferente do que realmente é na universidade, mas não é problema meu. Cá entre nós, acredito que, se você deixar, ele vai te destruir...

— Qual a razão de você ter feito tudo que fez?

— Naruto e Sasuke sempre vão me entender como mais ninguém me entende. Nós vemos coisas feias desde que nascemos, não esperamos que o mundo seja bonito... Talvez tenha sido isto que me levou a escolhê-los como alvos. Sasori me fez acreditar que eu podia ver o mundo bonito de novo, mas então, engravidou minha melhor amiga e me fez sentir muita dor. Tanta dor que eu quis me desligar do meu corpo. E eu consegui. E comecei a me desesperar por estar ficando vazia de novo. Eu não senti nada quando traí ele. Não senti culpa, não me senti errada. Não senti nada quando transei com Naruto, não senti nada quando transei com Sasuke e não senti nada enquanto estrangulava você — Ela me encarou direto nos olhos e lembrei de como os dela pareciam vazios quando ela sentou em cima da minha barriga. — Não posso dizer que eu estou sendo cem porcento honesta quando digo que agora me importo, mas não é como se eu quisesse fazer de novo, então acho que estou relativamente melhor.

— Quando você envolveu o Sasuke nisso tudo? Que eu me lembre, ele não ia com a sua cara — Perguntei, cruzando os braços abaixo dos seios e tentando me manter calma com todas as suas palavras e revelações.

— Depois que você e o Naruto voltaram. Eu contei para ele que você estava metendo chifre nele e ele não gostou. Então, mandei uma mensagem pedindo para que ele me visitasse, para que pudéssemos discutir o que faríamos contra você e acabou que transamos. Eu me sinto horrível por dizer que me senti apática a toda a situação.

— Eu tenho que ser um ser humano muito bom para perdoar tudo que você me fez — Encarei minhas mãos. — E eu acho que não sou. Nunca mais quero ver a sua cara na minha vida. Mas isso não quer dizer que eu te odeie ou deseje o seu mal... — Suspirei, vendo-a encarar-me com os olhos arregalados. — Só... Quero esquecer da sua existência. Obrigada por ter esclarecido suas atitudes. Espero que você melhore. 

Levantei da cadeira e fui embora.

Sakura não era capaz de responder pelos próprios atos pois era considerada incapaz, o que eu até achava justo. Sasori não mentiu sobre ela ter depressão psicótica, que é um dos sintomas da depressão maior e que é uma parada muito séria da qual eu não sei a respeito e que, portanto, prefiro não opinar. Sasuke, por outro lado, foi preso por alguns dias mas seu pai logo pagou a fiança, como era de se esperar. Kakashi pelo menos fez sua parte como diretor procurando a polícia.

Decidi visitar Sakura por pura curiosidade. Eu não estava com dó dela ou nada parecido. Não sou uma má pessoa, mas não tive tempo de conhecê-la e conhecer sua vida. Não tive tempo de tomar suas dores. Sakura ainda era como uma desconhecida para mim e eu não conseguia ligar para o fato de ela ter tantos problemas simplesmente por não sermos próximas.

Meu pai e eu conservamos bastante a respeito do meu futuro. Eu lhe contei sobre meus problemas anteriores dentro da universidade e ele ficou triste por eu não tê-lo consultado antes. Concordamos que eu podia tentar um curso que me chamasse mais atenção em uma universidade próxima a nossa casa. Hanabi decidiu trancar o curso também, mesmo que isso tenha a deixado triste.

Tentei não pensar em nada enquanto tirava meus pertences da mansão da fraternidade. Não sentia ânimo para falar com os meus amigos, mesmo que eu não fosse ter a oportunidade de vê-los novamente; ao menos, não tão cedo. Todos os fracassados moravam perto da universidade e eu estava do outro lado do país, com a minha casinha e com meu pouco dinheiro que não me permitia viajar toda semana para ver meus amigos quando sentisse saudade.

Eu estava no meu quarto da mansão, empacotando alguns quadros de fotos que eu havia tirado com os fracassados no decorrer do tempo em que ficamos juntos. Parando para analisar, o tempo que eu fiquei longe do Naruto foi o mais próspero que eu tive dentro da universidade. Era triste que, mesmo com tudo que tinha acontecido, eu não sentia ter motivos o suficiente para querer me manter distante dele. Parecia que meu amor relavava todas as atitudes estúpidas que ele tinha tido. Parecia que tudo tinha uma explicação, toda agressividade e negligencia dele pareciam totalmente cabíveis dentro de um contexto que minha cabeça criava.

Kiba havia dito que eu era muito estúpida quando eu lhe contei isso. Disse que Naruto tinha me agredido, gritado comigo, mostrado quão indiferente ele é em relação a mim e como qualquer pessoa parece ser mais interessante para ele do que eu. Eu concordava. Eu concordava mas, quando ficava em silêncio, pensava que tudo valia a pena se ele estivesse comigo. E eu queria me bater o tempo todo.

De repente, escutei passos do lado de fora do quarto.

— Kiba? — Inclinei minha cabeça para trás para poder enxergar a porta. — Você pode pegar mais plástico bolha pra mim?

No entanto, não era Kiba que estava ali. Quando Naruto apareceu no vão da porta, eu quis desaparecer. Ele estava vestido com uma blusa presta e calças da mesma cor. Os cabelos loiros caíam sobre os olhos, que estavam inchados e cheios de orelhas e eu odiei meu coração por bater rápido ao vê-lo.

A princípio, ele não olhou pra mim. Colocou as mãos no bolso da calça casualmente e balançou o corpo para frente e para trás.

— Fiquei sabendo que você vai embora — Usou o queixo para apontar as caixas ao meu lado. — Você ia embora sem falar comigo?

— Por que eu falaria com você? — Respirei fundo antes de continuar. — Para agradecer pelas marcas roxas nos meus braços? Ou, talvez, pelos chifres que você colocou na cabeça?... Precisei de muito tempo para conseguir passar pelas portas com eles, sabia?... — Antes que ele pudesse responder, o interrompi. — Talvez eu devesse ir te procurar para você me fazer sentir culpada pela Sakura estar em um hospital psiquiátrico. Você ia dizer que a culpa é minha sem saber o que está acontecendo com ela, certo? Ia dizer que eu deixei a menina louca por estar vivendo minha vida, bem longe dela. Eu sei. É, tem razão, eu devia ter te procurado.

— Eu conheço a Sakura há anos — Ele entrou no quarto, fazendo-me impulsionar meu corpo para trás. — Eu conheço a dor dela e sei a razão de ela estar aonde está. Sei o motivo por ela ter que estar em um hospital psiquiátrico. Querendo ou não, eu tenho um carinho muito, muito grande por ela... — Deu mais um passo na minha direção. — Vê-la daquele jeito, no chão, foi demais pra mim. Você tem que entender que ia ser demais para qualquer pessoa. Se fosse o Kiba no chão, duvido que você teria reagido de uma forma diferente da minha. Só não me deixaria machucado por não ter o meu tamanho, mas a situação é desesperadora. Eu, honestamente, nunca quis machucar você — Ele olhou diretamente nos meus olhos. — No entanto, não estava em mim naquela hora. E eu peço perdão por ter feito tudo que eu fiz. Se fosse agora, eu faria tudo diferente...

De repente, eu não sabia mais o que pensar.

— Você faria diferente porque sabe que eu não fiz nada errado. Sabe que eu fiz tudo por você e, principalmente, sabe que a Sakura não liga pra você. Que tudo que aconteceu apenas aconteceu por ela estar doente! — Gritei, fechando os olhos.

— Não, não!... Eu faria diferente pois estou sendo racional agora. Mesmo sem saber das merdas que a Sakura tem, eu teria ficado do seu lado. Sequer teria pensado que você podia tentar algo contra ela... Céus, Hinata... Eu não sei o que deu em mim para pensar que você podia bater nela só por ela ter falado das nossas relações.

— E sobre os seus chifres, Naruto?

— Eu não estava chifrando você, porra! — Ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Você sabe muito bem que a Sakura não estava em posição para falar verdades! Eu te disse que nós terminamos no dia em que a reunião da sua fraternidade aconteceu, e eu te falei a verdade! Eu nunca trairia você! Meu único erro foi ter ficado muito chocado mesmo por ter encontrado a Sakura no chão, com o corpo radicalmente ensanguentado!

Meu lábio inferior tremia, assim como as minhas mãos e todo resto do meu corpo. Eu coloquei meus cabelos para trás e os segurei atrás do pescoço.

— Você tem que me deixar em paz — Murmurei, insegura sobre minhas próprias palavras. — Eu não quero escutar a sua voz.

— Eu não me importo — Ele agachou na minha frente, procurando meu rosto com as mãos e fazendo-me olhar dentro dos seus olhos. — Você não pode ir embora! Está quase no final do curso, criou uma fraternidade incrivelmente solidária e eu estou aqui!... — Sua voz parecia quase desesperada. — Você não pode me deixar desse jeito!

— Por que não?! — Afastei suas mãos do meu rosto, tentando me segurar para não chorar. — Você me abandonou! Você me abandona o tempo todo! Você nunca está presente, minha companhia nunca é o suficiente pra você, Naruto! Por que você continua tentando me fazer ficar? Você sabe que eu não sou o suficiente pra você!

Ele parecia elétrico, tentando raciocinar palavras que contradissessem as minhas e eu quase podia ver seu cérebro trabalhar enquanto ele olhava para os lados, para o chão, para cima e seus olhos começaram a marejar, ele piscou rápido para afastar as lágrimas e eu queria sair dali antes de ele me convencer que o correto era permanecer ao seu lado, pois eu queria ficar com ele. Queria permanecer com ele pelo resto da eternidade. O que eu sentia era amor. Eu estava loucamente apaixonada e me odiava por isso.

— Por favor — Ele murmurou, colocando a mão na minha nuca e aproximando seu rosto do meu. — Por favor. — Repetiu, colando nossas testas. — Você precisa me dar mais uma chance... Tudo aconteceu muito rápido e eu não tive a oportunidade de demonstrar meu amor por você... Eu te amo... Você tem que acreditar em mim...

— Não — Balancei a cabeça, me sentindo tão fraca que não pude mantê-la erguida. — Você ama o amor que eu sinto por você... — Solucei, me amaldiçoando por admitir tais coisas que por tanto tempo soube e que nunca tive coragem de pronunciá-las, de senti-las com intensidade e veracidade. — Mas você nunca, nunca me amou. Eu nunca consegui ser a pessoa que você quis ao seu lado. Por favor, por favor admitia isso — Implorei. — Não consigo seguir em frente se você não me deixar ir...

— Eu não quero deixar você ir, Hinata — Ele colocou o corpo por cima do meu, abraçando-me como se estivesse com medo de que eu fosse evaporar. — Eu não quero que você vá para o outro lado do país e não quero que você não me queira mais! Você tem que ficar comigo!... Ninguém vai amar você do jeito que eu amo. Ninguém vai te olhar e te desejar como eu desejo e adorar você como eu adoro e... Eu preciso de você!

Não pude resistir a colocar a mão nas costas dele e o puxar para mim. Para sentir seu cheiro, sentir o calor do corpo dele contra o meu.

— Não adianta você tentar fugir... — Ele sussurrou contra meu ouvido. — Mesmo que você diga não, está aí dentro, não está? — Ele perguntou. — O amor que você sente por mim. Está dentro do seu coração, certo?

E eu balancei a cabeça, fazendo que sim e o puxando ainda mais para mim quando deixei as lágrimas caírem. Eu queria dizer que não, mas não podia mentir para mim mesma. 

Esta inocência é brilhante, espero que ela dure. Este momento é perfeito. Por favor, não vá embora porque eu preciso de você agora e vou me prender a isso. Não se atreva a deixar isso passar em branco. 


Notas Finais


[a Hinata só falou verdades sobre o que o Naruto sente por ela rs]
a musica é da avril lavigne
nunca saberemos se o Naruto estava ou não traindo a Hinata. se eu fosse vocês, não acreditaria nele.
vocês sabiam que a paixão é realmente como uma droga no nosso sistema? ela cega as pessoas. de verdade. é científico!
por favor comentem
estamos no final da estória


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...