História U Mad Mikasa? (Rivamika) - Capítulo 5


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 68
Palavras 1.286
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Aldebarã


Aldebarã / Alpha Tauri

Constelação: Taurus

Magnitude aparente:  0,86

Distância: 66,64 ± 1,04 anos-luz.

Idade: 6,6 ± 2,4 bilhões de anos. 


Quando você olha para o céu à noite e vê as estrelas, o que sente? 

As meninas se despediram no portão, Mikasa sentiu na hesitação de Historia que ainda não havia superado ou digerido a situação, não era algo realmente relevante agora, tinha uma sensação aguda cutucando sua nuca como um espinho e não sabia ainda o que era - melhor passar a tarde tentando descobrir do que se preocupando com situações como aquela. 

Ela começou a andar quase automaticamente pelas ruas ignorando os transeuntes, seus passos ordenados como um robô programado para evitar buracos. As pessoas pareciam ter o mesmo rosto, a mesma cor cinzenta como cimento, o mesmo cheiro e a mesma altura por todo o trajeto, um jardim de andrógenos. 

Manteve o percurso checando o horário, levaria pouco mais de 30 minutos para chegar no seu bairro e ela não tinha nada interessante em casa, além de estudo e estudo. Desde ontem tinha a sensação que precisava transpor uma barreira invisível que a estava esmagando por dentro, todos os órgãos apertados e tremendo ao mesmo tempo, precisava gritar, mas não sabia gritar, precisava correr, mas suas pernas eram longas como raízes de árvores centenárias, até mesmo seus olhos estavam desfocando quando encarava a mesma coisa por muito tempo, como se a verdadeira forma daquele ente estivesse gradativamente arrastando-se para fora da pele humana, aquela casca oca.

Quando você olha para as estrelas à noite, o que sente? 

Ela lembrava de ter lido isso em algum lugar, provavelmente seu livro de curiosidades astronômicas, não sabia exatamente porque estava com isso na cabeça quando as estrelas ainda estavam escondidas, mais um detalhe irrelevante que iria deixar na gaveta da irrelevância.

Pegou um assento e colocou os fones, havia uma voz na sua cabeça, mas Mikasa não entendia o que falava, vibrava em outra frequência.

Não enxergava nada, a vista era um borrão cinzento, seu corpo desafiando as leis da gravidade quilômetros por hora enquanto a moça permanecia inerte, sem movimento, até que ouviu chamarem seu nome e uma mão pesou em seu ombro, tão rápido que ela virou o rosto e já não estava lá. 

Pensou que estivesse vendo coisas, mas não seria a primeira vez, então resolveu não parecer mais louca do que já havia demonstrado. 

"Arreda".

Seco e belo como sempre. 

Mikasa percebeu que ela estava esparramada no assento, a bolsa ocupando o espaço vago. Ela não estava preparada psicologicamente para passar mais de cinco minutos perto daquele homem sem ter ensaiado nada na frente do espelho, sem pelo menos ter tentado prever as tiradas dele. 

Aquele já estava virando o ponto de encontro deles. 

"O senhor não tem carro?" perguntou arredando, o pior que poderia acontecer era ele ignorar ou dizer que não era da conta dela.

Ou fazer os dois. 

"Tenho, mas não uso".

"Qual a graça de ter um carro e não usar".

Ele deu de ombros como se fosse óbvio, olhou para Mikasa como se ela fosse digna de pena de tão tapada.

"Poupar dinheiro, tempo, paciência, e o meio ambiente agradece".

O meio ambiente agradece, isso não parecia algo que ele diria. 

"O senhor vai pra casa da Frieda? Eu soube que o Sr Ackerman concordou em deixar Historia morando na casa de vocês".

"Na casa deles".

"O senhor já sabia que a Historia era meia irmã dela, não é? O Sr Reiss geralmente mantinha isso em segredo, a amante e Historia".

Ele levou um segundo para responder, estava com a cabeça apoiada, as pernas cruzadas e braços cruzados como se não quisesse tocar em nada ao redor. Por um segundo, Mikasa pensou em provoca-lo dizendo que tinha lenços umedecidos na bolsa caso ele tivesse um chilique por bactérias e etc.

"Sabia…". 

Ele deixou o tom vago, mas ela sabia que era tudo que teria sobre aquele assunto. Resolveu ficar calada para não acabar sendo uma companhia irritante, ele parecia ser do tipo que detestava falatório, e ela não sabia porque de repente ficava solta demais perto dele dizendo coisas que naturalmente não diria. Além do motivo óbvio de precisar gritar. Às vezes, quando o olhava e percebia que ele estava olhando mesmo que por um breve segundo, fazendo uma anotação sobre o que reclamar ou sobre o motivo de descontar seus conceitos, ela sentia que havia uma espécie de entendimento, poderia ser uma mentira criada pela sua mente, mas ele parecia capaz de ouvir o grito que Mikasa não era capaz de exprimir.

Até virar o rosto em indiferença como sempre, isso era deveras humilhante, pensou quase inventando uma desculpa para ir embora mesmo que ainda faltasse caminho até sua casa. Ele era terrivelmente silencioso, observador e crítico, ela não sabia o que fazer quando estava sempre cometendo alguma gafe, dizendo algo idiota, mas se ele realmente dispensasse sua companhia, poderia ter sentado em outro lugar ou ter feito o percurso em pé. 

O silêncio parecia uma bomba prestes a detonar em sua boca, quebrar seus dentes e rasgar sua língua, mas ela teria a cabeça explodida antes de falar qualquer coisa.

Resolveu imitá-lo, encostou a cabeça na parede, cruzou os braços e fechou os olhos. 

"Se não quiser ficar surda antes dos 30, eu recomendo que baixe o volume".

Ela imaginou ele fazendo careta sobre colocar no ouvido um dispositivo que esteve no ouvido de outra pessoa, capaz de mandar parar o planeta para ele descer, ou enforcá-la com o cabo do fone.

Mikasa abaixou o suficiente para ouvir bem e não irritar, também iria ficar muda agora, ele provavelmente ficaria curioso sobre porque uma tagarela como ela se calou; ou estava muito bem se enganando de novo, se bem que ele não queria que ela ficasse surda. 

Algo disse ao seu orgulho inflamado com a vaidade de mil luas que ela talvez nunca mais fosse ouvir músicas no máximo. 

Quando finalmente chegaram, seu coração disparou, mas continuou onde estava fingindo indiferença, que aquela não era sua descida, que ela teria mais um longo percurso mesmo que não tivesse pra onde ir.

"Você não vai?"

"Não, não quero ir pra casa…"

Deveria ter dito apenas que não iria descer, não tinha porque dar satisfação das suas escolhas para ele. Se bem que não quero ir para casa parecia coisa de adolescente em crise. O que ele iria pensar? E por que ela iria se importar com o que ele pensava? Poderia muito bem jogá-lo para fora, sorrir quando as portas se fechassem e respirar aliviada quando não fosse capaz de ouvir ou vê-lo. Então o professor Levi iria desaparecer, encolhendo como uma casa sendo esmagada pela nossa percepção ilusória de espaço. 

Talvez à distância, ela se importasse bem menos com a boa opinião dele.

Para o inferno a boa opinião dele.

Ele a encarou como se estivesse considerando algo para dizer, talvez uma recomendação, uma reprimenda, ela gostaria de um convite, seria mais interessante passar o tempo à dois do que sozinha. 

Ela sabia qual era o fraco dele, resolveu apelar, mesmo que levasse um fora, o pior que ele poderia dizer era "não" e ela não estava se importando com isso agora. 

"Quer ir tomar chá, professor?" 

Ele ergueu as sobrancelhas, Mikasa precisou reunir toda sua força de vontade para não rir ali mesmo. As chances de pegar o professor Ackerman desprevenido eram as  mesmas acertar na loteria doze vezes seguidas, com uma expressão meio assustada e meio desconfiada, ele parecia engraçado. Um lado seu que ela nunca pensou que veria.

"Outro dia". 

Foi o que disse antes de sair, e Mikasa literalmente começou a rir sozinha no assento depois que o viu desaparecer.

O maldito talvez fosse tímido. 


Notas Finais


Demorei, mas voltei.


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