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História Uchiha - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá minna-san, voltei com mais um cap de "Uchiha" ainda continua sendo um experimento. Mas está sendo muito legal escrever esses dois capítulos.

Então espero que gostem, de verdade.

Capítulo 2 - Tirana? Sim


Hinata sabia que não estava com as melhores das aparências. Afinal, não havia a menor possibilidade de permanecer pelo menos apresentável em tal situação. Não quando se estava lutando em uma guerra a mais de uma semana. Não quando a fome doía-lhe o estômago, não quando falta de sono ardia-lhe os olhos, e por deus, não quando não tinha um banho decente. Tudo isso complementava para uma aparência deplorável.

Mas os Kages estavam horríveis, simplesmente acabados. E até mesmo Kakashi que era simplesmente o homem mais bonito que já nascera – e Hinata podia afirmar que ficava ainda mais bonito quando estava lutando em uma guerra – estava um caco.

Surpresa brilhou nos olhos deles, todas as sombras estavam em volta de uma mesa redonda, talvez tentando arquitetar um plano, que certamente seria falho. Já haviam tentado de tudo. Mas agora a olhavam diretamente, alguns com surpresa e outros com ultraje.

– Hinata, aconteceu algo? - O hokage foi o primeiro a se pronunciar. Se afastou da mesa e deu alguns passos em sua direção enquanto ela mesma avançou alguns poucos para o centro da tenda.

Hinata não sabia qual era a expressão que estava estampada em seu próprio rosto além do sorriso ladeiro que se forçou a manter, porém não deveria ser boa. Pois Kakashi parou quando a analisou melhor, as sobrancelhas prateadas franzidas em dúvida, os olhos negros cautelosos.

– Quer conversar sobre o que? - perguntou por fim.

Como se tivesse todo o tempo do mundo, analisou cada canto da tenda central, desde a mesa redonda, cheia de pequenos bonecos esculpidos em madeira, certamente representando as frentes de guerra que ainda os restavam, o chão de terra batido sobre seus pés, o cansaço e sujeira que banhavam os kages, e então os olhos deles. Os verdes de Gaara fora o mais difícil de quebrar o contato.

Tão verdes como o de Ken, tão brilhantes como. Tão focados nela.

– Kakashi. -  Pronunciou o nome de seu kage quase como um ronronar manhoso, como se o saboreasse na língua. Assistiu o quase imperceptível estremecer do corpo musculoso, e se não fosse Ken, a guerra em que estavam, seu plano. Seria interessante. Divertido até. - Eu o vi sabia? Foi uma visão tão interessante. - Olhou naqueles olhos escuros como a meia noite, e se manteve firme. – Me diga, o que estava fazendo ajoelhado em meio a escuridão recitando orações antigas?

Todos os Kages se endireitaram, a postura firme e a expressão alarmada, quase ofendida. Era como se ela simplesmente tivesse apertado um botão proibido. E talvez fosse isso. Riu ladeira e verdadeiramente.

– Hinata, sobre o que...

Mas não tinham tempo para jogos, para aquele ultraje e ofensa e receio que lhe direcionavam, por isso, sem paciência nenhuma disse:

– Não, nada de Hinata.- avançou mais um passo, firme e poderoso. Ela era poder, era antiga e sabia. E fariam sua vontade. – Eu vou lhes dizer o que vai acontecer aqui. - Sentiu aquele chakra conhecido parar atrás de si, e soube que se precisasse forçar os Kages a sua vontade, conseguiria. De um jeito ou de outro. Ela tinha um exército próprio composto pelo clã mais poderoso de Konoha e os melhores assassinos.

– Vocês vão recitar seus cânticos e orações, ou o que quer que tenham de fazer. E vão invocar os deuses para mim.

– Blasfêmia. Quem você acha que é para querer nos ordenar?- o Raikage se exaltou primeiro, a expressão uma fúria crua quando o que restava de seu chakra se elevou.

Hinata não se abalou, apenas avaliou. Kakashi e Gaara a olhavam com atenção, a Mizukage e a atual Tsuchikage estavam alteradas, silenciosas, mas alteradas. As mais perigosas sem dúvida, avaliando um modo de mata-la  pela afronta e por ter descoberto seus segredos mais valiosos e sagrados

Lentamente os chakra delas se agitaram conforme se aproximaram do Raikage. Tudo bem, três que certamente queriam mata-la pela falta de respeito e dois ainda que ainda avaliação a situação.

Certo, não seria do jeito fácil.

Então também não se conteve, soltou as rédeas curtas em que aprisionava seu poder, deixou aquela força milenar correr por suas veias como sangue. Soube quando seus olhos mudaram de lilases para o verde água do teisengan. A postura de todos naquela sala se tornaram defensivas, prestes a atacar uma ameaça em potencial. Sasuke ainda a suas costas era o silêncio e atenção encarnados.

Ergueu o pé direito e o baixou em uma pisada forte. A terra sob seus pés tremeu ao seu comando, e continuou tremendo e vibrando com força em um pequeno terremoto, que fazia pedregulhos saltarem na terra batida sob seus pés, a poeira levantar e derrubar os pequenos soldadinhos em cima da mesa no chão com a força da vibração do solo. E a onda de poder veio depois, a sensação era terrível e avassaladora, era raiva e fúria em uma onda de poder antigo e cruel, e então se expandiu dela própria, atingiu os Kages e se espalhou, varrendo o acampamento. Atingindo quilômetros e quilômetros, e os milhares de shinobis. Atravessando até mesmo a barreira de sangue.

O rosto dos Kages se tornaram brancos de horror e os olhos se arregalarem, algumas gotas de suor brilhando na testa. Eles haviam a visto lutando, sabiam do que era capaz, quão forte ela era.

Eu sou Hinata Hyuuga, e vocês vão me obedecer.

Hinata percebeu então, como era fácil ser uma tirana. Como era fácil obrigar os outros a fazerem sua vontade quando se era poderosa. Entendeu porque Uchiha Madara nunca se curvou a ninguém e impôs suas vontades e ideais. Era fácil demais quando se podia fazer o que quisesse. Quando se tinha tanto poder.

E ela seria uma tirana dessa vez, e não dava a mínima para nada.

– Você é apenas uma criança mimada e tola. Você não pode conosco. Somos os cinco Kages.- a sombra da água praticamente rosnou naquela bela voz.

– De fato são. Mas seus poderes não passam de um grão de areia, se comparado ao meu.- não era uma zombaria, apenas verdade.

Como você ousa sua..

Riu arteira. Podia jurar que via Ken ao seu lado, lhe sussurrando piadas e zombarias sobre a situação em que estavam.

E agora estava com vontade de brincar um pouco. Provavelmente morreria hoje, então que se danasse. Se divertiria até a última gota.

Levantou um único dedo, o indicador, e uma cadeira que estava no canto da tenda começou a flutuar como se mãos invisíveis a carregassem, até que estivesse no chão as suas costas para que se sentasse confortavelmente.

– Ah, eu ouso sim. - cruzou as pernas em uma lentidão mortal. Mandou uma brisa fresca de vento para o rosto e pescoço de cada Kage, para refrescar-lhe o suor, para mostrar que se quisesse afiar seu vento como uma lâmina, cabeças agora enfeitariam o chão. Simplesmente porquê ela podia. – Mas agora me deixaram curiosa, como vocês acham que me parariam?

Soltou uma gargalhada baixa do ódio puro que aqueles três demonstravam tão abertamente.

– Hokage, mate-a. A anbu de Konoha tem os melhores assassinos de todas as nações. Mate-a. – A Tsuchikage parecia relativamente perto de ter um derrame a qualquer momento, Hinata começava a ficar preocupada.

– Ele não pode.

– A anbu recebe ordens somente do Hokages.- a Gaara, queria tanto ser amiga dele.

– Conte a eles Kakashi, como alguém que sabe como é estar atrás de uma máscara de porcelana e como meu antecessor. Conte a verdade mais sombria de todas as nações.- sua voz não era mais do que um veludo, sensual e carinhosa como o beijo de um amante apaixonado.

O platinado franziu o cenho coberto. A única evidência de sua expressão eram os olhos que se estreitaram e as sobrancelhas unidas.

– Do que ela está falando, Hokage?

Hinata se acomodou melhor na cadeira, esperando.

– Há décadas o esquadrão anbu não servem os Kages diretamente. Servem somente seu capitão, elegido por eles mesmos, e só é coincidente o capitão anbu servir e ser leal ao Kage que está no poder. Hinata é a atual capitã dos anbus.- a Hyuuga olhou para seu Kage, abriu um sorriso largo, mostrando todos os dentes retos e brancos que possuía, um sorriso malicioso e travesso. – Nos matarão antes de sequer cogitarem matar seu capitão

– Você, Uchiha, é pupilo do Hokage, nós o concedemos sua liberdade e vida quando ele implorou. Mate-a, é uma ordem.- o Raikage certamente tinha problemas com raiva.

Mas Hinata não gostou do tom e das palavras que usou. Ela e Sasuke não eram os melhores amigos da vida. Mas odiou aquelas palavras, a prepotência nelas. Como se a vida de Sasuke não fosse mais do que um objeto sem importância, uma coisa que decidiram por suas boas vontades. E gostou muito menos da falta de respeito com Kakashi, ela sabia que estava desrespeitando-o nesse momento, mas era por um bem maior, e ele entenderia. Mas falar aquilo daquele modo, envergonhando-o por um pedido que ele fez por amor quando a vida de Sasuke pesou na balança.

Hinata odiou tudo aquilo.

– Me diga, qual seu posto atualmente?- perguntou doce e meigamente para o Uchiha que se recostou no braço de sua cadeira. A expressão de Sasuke a própria ira e malícia. Oh, ele estava bravo, e se quisesse matar o Raikage, ele certamente ficaria feliz em ajudar.

– Sub-Capitão da Anbu.- o tom de voz de Sasuke foi suave como veludo, acariciou seus ouvidos com delicadeza e ternura, o tom suave da morte, certamente.

– Suas esperanças de me impedir acabaram de ruir por terra. – dedilhou o outro braço da cadeira, levou os olhos para Kakashi, e aquele olhar firme e raivoso estava focado nela. Lambeu os lábios lentamente, para ele ver, para se irritar mais, para atiçar. E não quebrou o contato visual quando fingiu, alegria e esperança, e disse:

– Oh, espere, ainda tem Naruto, não é mesmo? O herói da quarta guerra ninja.- era sujo usar aquilo, mas estava irritada. – Mas Naruto me ama, ele não machucaria a mulher ao qual é apaixonado, e sem Sasuke, sua força não chega nem a metade da minha.

Hinata desviou os olhos de Kakashi e se voltou para os Kages.

– E vamos supor por um instante, que eu não tivesse tal poder. Ainda sou a capitã da anbu e líder e matriarca do clã Hyuuga. Atualmente o único clã que possui uma dos três grandes doujutsus. Como já perceberam, de qualquer jeito consigo o que eu quero.

– Por que quer invocar os deuses?- a voz de Gaara soou calma e curiosa em meio aquela tensão horripilante. Ela certamente gostava do Kazekage.

– Estamos morrendo, milhares a cada dia, e vamos perder essa guerra, sabem disso tanto quanto eu. E sabem também que alguém pior que eles está vindo, o mestre deles. A barreira de sangue não nos manterá a salvo para sempre. - o preço daquela proteção, daquela segurança passageira, custara o coração de Hinata. – E então o fim vira, não somente para os shinobis, para todos os humanos. - não conteve seu poder, mas a deixou sua expressão se acalmar. – Os deuses são nossas últimas esperanças para não morrermos.

– Como soube sobre os deuses, Hinata?- dessa vez foi Kakashi quem perguntou.

– Hamura me contou. Hamura e o sábio dos seus caminhos barganharam com os deuses por tempo uma vez, quando o mundo estava perdido, e então voltaram e selaram Kaguya.

– Se o invocarmos para você, o que barganhará?- olhou aqueles olhos verdes de Gaara, tão iguais...

– Não estão cogitando fazer isso, não é?- o Raikage gritou tão alto que seu ouvido doeu.

Quieto.- uma palavra, uma ordem e um comando de poder. E a sombra recuou um passo. – Bom. - ronronou maliciosa.

Então se voltou para aqueles que a escutavam.

– Por tempo.

– Por que não nossa vitória? A morte dos Otsutsuki?

As palavras de Hamura ainda rondavam em sua mente, e as repassou para eles.

– Hamura e Hagoromo pediram por isso da primeira vez, que se livrassem de sua mãe. Mas o que quer que os Otsutsuki sejam, de onde quer que vieram, nem mesmo nossos deuses se envolvem com eles.

– Quanto tempo, Hinata?- a Hyuugas olhou para Sasuke, para aquele olho bicolor, um negro e o outro lilás, firmes nela. Confiantes nela, se ainda não tinha a arrastado dali pra gritar injúrias contra ela.

– Tempo o suficiente para se casar com meu irmão, garantir o poder do sharingan para que possamos revidar com mais força. E para descobrir mais sobre os Otsutsuki, como destrui-los definitivamente.- Sasuke a surpreendeu quando falou, firme e sem um pingo de hesitação.

– Está falando de anos, Hinata. Isso deve ter um preço, alto.- seu Kage era um homem bom, era uma honra servi-lo, e queria poder o fazer novamente, algum dia.

O preço que os filhos de Kaguya pagaram fora a imortalidade, ficarem vivos para que assistissem quando ela ressurgisse para causar mais destruição, e ficarem separados para sempre. Um filho na lua e o outro na terra, proibidos de se encontrarem novamente.

– Eu o pago. Seja qual for.

Sasuke se desencostou da cadeira e se afastou. Porque Kakashi avançou sobre ela, rápido e letal. Agarrou os braços da cadeira e se inclinou sobre ela, e estava com raiva, se o brilho nos olhos negros fossem alguma indicação de seu humor atual. Se inclinou, perto o suficiente para que o rosto coberto se escondesse em seus fios longos e azulados, perto o suficiente para grudar a boca em sua orelha.

– Isso foi um jogo perigoso demais, Hinata. Até mesmo para meus padrões.- deus, aquela voz não era desse mundo, e esse homem certamente não o era também. – Mas está certa, nem mesmo eu vejo um fim para isso que não a morte de todos. Que você consiga nos salvar.

– Eu o servi por anos, e foi uma honra completa a todo momento. Você me salvou, Kakashi, me devolveu a vida quando quase desisti dela. Quero poder servir você novamente Hokage, um dia.- manteve o sussurrar tão baixo quando o dele, mas foi sincera em cada palavra.

A mão que estava agarrada no braço da cadeira de madeira, tocou seu braço, e subiu, numa lentidão torturante, o toque dos dedos gelados era feito para instigar, o toque de um homem que sabia o efeito que tinha em uma mulher. E o deslizar em sua pele, que não passava de um sussurrar de um toque, continuou subindo, até que a mão enluvada pousou em sua nuca com delicadeza, o polegar traçou uma linha na sua garganta quando Kakashi disse mais baixo ainda:

– E Hinata, não gosto que me provoquem.

A moça riu arteira quando ele se afastou.

Mas o riso morreu na garganta quando Kakashi Hatake, o sexto Hokage, se afastou alguns passos e se ajoelhou no chão de terra, e começou a murmurar palavras em uma língua que Hinata nunca escutara na vida.

Era rústica, melódica e bela no mesmo tom. Poderosa e assustadora. Não tinha nem ideia do que quer que Kakashi estava falando. Mas o som era extraordinário.

Gaara foi o próximo a se ajoelhar, e murmurar palavras completamente diferentes da do Hokage, mas de algum jeito, o som parecia combinar, como partes de um quebra cabeça que finalmente estava se juntando.

Sem duvidas era um dialeto ou língua morta, proibida. Mas o som, parecia cantar para Hinata, para seu sangue e seu poder. Parecia lhe dar forças e sugar seu cansaço. O som que entrava pelo seus ouvidos fazia parte dela, de sua alma e do mundo.

Os outros Kages também se ajoelharam no chão de terra e começaram a entoar aquela língua.

– Me fale algo sobre seu irmão, algo que somente ele sabe. Me fale qualquer coisa que ache útil ou não sobre ele. Agora.- ordenou a Sasuke.

E se Hinata a achava que a prece de Gaara complementara a de Kakashi...

Todos os cinco Kages a ecoando juntos, todos de uma vez. Tudo se encaixou, com beleza mortal.

Como uma música esquecida.

A música do começo do mundo, e a do fim também. Uma melodia furiosa e poderosa. Antiga e maliciosa. Cruel.

Mas linda do seu próprio jeito.

Escutava a voz de Sasuke lhe falando coisas que acha ser útil, e realmente as guardava na mente.

Mas a melodia, roubava toda sua atenção, sua alma. Aquele som a mataria, e reviveria.

E então Hinata sentiu a onda de poder avassaladora e monstruosa, fria e assustadora. Era o começo, o meio e o fim de tudo. Não viu nada além do breu mais escuro, mas sentiu.

Era frio e calor, era alegria e desespero, era vida e morte, era juventude e velhice, era calma e caos.

Sentia a imensidão do vazio a sua volta, sentiu aqueles que a cercavam. A avaliando. Os deuses. Havia conseguido sua audiência com os deuses.

Hinata já havia ofendido muito os deuses exigindo e forçando uma audiência. Não achava que se ajoelhar fosse ajudar em sua situação de merda.

Por isso engoliu o medo, ergueu o queixo para o escuro, e disse:

– Eu sou Hinata Hyuuga, e vim barganhar.


Notas Finais


Capítulo a ser revisado.

Até o próximo, minna-san!!


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