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História Ugly Love - Capítulo 2


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Notas do Autor


Tenham uma boa leitura 😘.

Capítulo 2 - Capítulo dois


     JUNGKOOK

Seis anos antes

Abro a porta da sala da administração e levo a lista de presença para a mesa da secretária. Antes de me virar para voltar à aula, ela me interrompe com uma pergunta.

— Você está na turma de inglês do último ano do Sr. Mark, não é, Jungkook?

— Sim. — respondo para a Sra. Yongsun — Quer que eu leve alguma coisa para ele?

O telefone na mesa dela toca, e ela assente, pegando o aparelho e cobrindo-o com a mão.

— Espere mais um minutinho — pede, indicando com a cabeça a sala do diretor — Estamos com um aluno novo que acabou de se matricular, e ele também está na aula do Sr. Mark nesse horário. Preciso que o acompanhe até a sala.

Concordo e me jogo numa das cadeiras próximas à porta. Dou uma olhada na sala da administração e percebo que é a primeira vez que me sento aqui nos meus quatro anos de colégio. O que significa que consegui passar esse tempo todo sem me mandarem para a sala do diretor.

Minha mãe teria ficado orgulhosa em saber disso, mas eu fico um pouco desapontado. A detenção é algo que todo garoto deve enfrentar pelo menos uma vez durante o colégio. Tenho o resto do meu último ano para atingir esse objetivo. Tiro o celular do bolso, torcendo secretamente para que a Sra. Yongsun me veja com ele e decida me mandar para a detenção. Ao olhar para cima, percebo que ela ainda está ao telefone, mas faz contato visual comigo; simplesmente sorri e continua seus afazeres.

Balanço a cabeça, desapontado, e abro uma mensagem para Hoseok. Qualquer besteira anima o pessoal por aqui. Nunca acontece nenhuma novidade.

Eu: Um novato se matriculou hoje. Último ano.

Hoseok: Gostoso?

Eu: Não vi ainda. Vou levar ele até a sala de aula.

Hoseok: Tira foto se ele for gostoso.

Eu: Tiro. Aliás, quantas vezes ficou de detenção esse ano?


Hoseok: Duas. Por quê? O que você fez?

Duas? Pois é, preciso me rebelar um pouco mais antes da formatura. Com certeza, é melhor que eu atrase algum dever de casa esse ano.

Sou ridículo.

A porta da sala do diretor se abre, então fecho o telefone. Guardo-o no bolso e olho para cima. Nunca mais quero olhar para baixo.

— Jungkook vai acompanhá-lo até a sala do Sr. Mark, Jimin. — A Sra. Yongsun aponta na minha direção, e Jimin começa a se aproximar.

Imediatamente fico consciente das minhas pernas e da sua incapacidade de se firmarem no chão. Minha boca esquece como se fala. Meus braços esquecem como se cumprimenta alguém para apresentar a pessoa a quem eles pertencem. Meu coração se esquece de esperar conhecer um garoto antes de começar a rasgar meu peito para chegar até ele.

Jimin.
     Jimin.
        Jimin, Jimin, Jimin.
             Ele é como poesia.

Como prosa e cartas de amor e letras de músicas,
                              Cascateando
                                  página
                                  abaixo
                                   bem
                                     no
                                   meio
                                     do
                                   papel.

Jimin, Jimin, Jimin.


Repito o nome dele sem parar na minha cabeça, pois tenho certeza de que é o nome do próximo garoto pela qual vou me apaixonar. De repente, estou em pé. Caminhando na direção dele. Talvez esteja sorrindo, fingindo não estar abalado pelos olhos verdes que espero que um dia sorriam apenas para mim. Ou pelo cabelo ruivo-da-cor-do-meu-coração que parece estar intacto desde que Deus o criou especificamente para ele.

Estou falando com ele.

Digo a ele que me chamo Jungkook.

Peço que me acompanhe, e digo que vou levá-lo até a sala do Sr. Mark. Estou encarando-o porque ele não disse nada ainda, mas seu menear de cabeça é a melhor coisa que um garoto já disse para mim.

Pergunto-lhe de onde é, e ele diz que é do Arizona.

— Phoenix. — especifica.

Não pergunto o que o fez vir para a Califórnia, mas conto que meu pai faz muitos negócios em Phoenix por ser dono de alguns prédios por lá.

Ele sorri.

Digo que nunca fui a Phoenix, mas que no futuro gostaria de ir.

Ele sorri novamente.

Acho que diz que é uma cidade legal, mas é difícil entender suas palavras quando tudo que escuto na minha cabeça é seu nome.

Jimin.
Vou me apaixonar por você, Jimin.

O sorriso dele me dá vontade de continuar falando, então faço mais uma pergunta enquanto passamos pela sala do Sr. Mark.
Continuamos andando.

Ele continua falando, porque continuo fazendo perguntas.

Ele assente.
Responde algumas.
Responde outras cantando.
Ou é o que parece.

Chegamos ao fim do corredor bem na hora em que ele diz que espera gostar do colégio, pois não estava a fim de se mudar de Phoenix. Ele não parece estar muito contente com a mudança. Ele não sabe o quanto estou contente com a mudança.

— Onde é a sala do Sr. Mark?

Fico encarando a boca que acabou de fazer aquela pergunta. Seus lábios não são simétricos. Seu lábio superior é um pouquinho mais fino do que o inferior, mas só se percebe isso quando ele fala.

Quando ele fala, pergunto-me porque as palavras são tão melhores quando vêm de sua boca do que de todas as outras bocas. E os olhos. É impossível que seus olhos não vejam um mundo mais bonito e pacífico do que todos os outros olhos. Fico encarando-o por mais alguns segundos; depois aponto para trás de mim e digo que já passamos da sala do Sr. Mark.

Suas bochechas ficam mais rosadas, como se minha confissão o tivesse afetado da mesma forma como ele está me afetando.

Sorrio novamente.
Meneio a cabeça na direção da sala do Sr. Mark.
Caminhamos na direção dela.

Jimin.
Você vai se apaixonar por mim, Jimin.

Abro a porta para ele e aviso ao Sr. Mark que Jimin é novo no colégio. Também quero acrescentar a todos os outros garotos e garotas na sala que Jimin não é deles.

Ele é meu.

Mas não digo nada.
Não preciso, pois a única pessoa que precisa saber que desejo Jimin é Jimin.

Ele olha para mim e sorri novamente, sentando-se no único lugar vazio, do outro lado da sala. Seus olhos me dizem que ele já sabe que é meu.

É apenas uma questão de tempo.

Quero mandar uma mensagem para Hoseok dizendo que ele não é gostoso. Quero dizer que ele é uma explosão de sabor, mas ele riria disso. Então, tiro uma foto dele discretamente do meu lugar. Envio a foto na mensagem para Hoseok, dizendo: “Ele vai ser o pai de todos os meus filhos.”

O Sr. Mark começa a aula.
Jeon Jungkook fica obcecado.



                                     * * *



Conheci Jimin na segunda.
Hoje é sexta.

Não disse nada para ele desde o dia em que nos conhecemos. Não sei por quê. Temos três aulas em comum. Toda vez que o vejo, ele sorri para mim como se quisesse que eu puxasse assunto. Toda vez que crio coragem, convenço-me do contrário.

Eu costumava ser uma pessoa segura.
Até Jimin acontecer.

Estipulei um prazo. Se até hoje eu não criar coragem, estarei abrindo mão da minha única chance. Garotos como Jimin não ficam disponíveis por muito tempo.

Se é que ele está disponível.

Não sei qual a sua história ou se está envolvido com algum garoto ou garota lá de Phoenix, mas só existe uma maneira de descobrir. Estou parado ao lado do armário dele, aguardando-o. Ele sai da sala e sorri para mim. Dou um oi quando se aproxima do seu armário. Percebo a mesma mudança sutil na cor de sua pele. Gostei disso. Pergunto como foi a primeira semana. Ele me diz que foi boa. Pergunto se fez amizades, ao que ele responde, dando de ombros:


— Algumas.

Sinto seu cheiro sutilmente.
Ele percebe mesmo assim.
Digo que está cheiroso.
Diz:

— Obrigado.

Ignoro o barulho do meu coração disparando nos ouvidos. Desconsidero a camada de umidade que está surgindo nas palmas das mãos. Abafo o som do nome dele, que tenho vontade de repetir bem alto, sem parar. Passo por cima de tudo e encaro-o enquanto pergunto se ele não gostaria de fazer alguma coisa mais tarde. Mantenho tudo a distância e abro espaço para a resposta, pois é a única coisa que quero. Na verdade, quero aquele menear de cabeça. O que dispensa palavras. Que só pede um sorriso.

Não o consigo.
Ele tem planos para hoje.

Tudo volta com uma força dez vezes maior, como uma enchente que transborda, da qual sou a barragem. O coração disparado, as mãos suadas, o nome dele, uma insegurança inédita, que jamais imaginei que existia, enterrando-se no meu peito. Tudo isso toma conta de mim, parecendo construir um muro ao redor dele.

— Mas não tenho planos para amanhã. — complementa, destruindo o muro com suas palavras.

Abro espaço para essas palavras. Muito espaço. Deixo-as me invadirem. Absorvo-as como uma esponja.

Colho-as no ar e as engulo.

— Amanhã eu posso — confirmo. Tiro o celular do bolso, sem nem me dar ao trabalho de disfarçar o sorriso. — Qual o seu número? Eu ligo para você.

Ele me diz o número.
Ele está empolgado.
Ele está empolgado.

Salvo o contato dele no meu celular, sabendo que vai ficar lá por muito, muito tempo.
E vou usá-lo.
Bastante.



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