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História Última Sexta-feira à Noite - Capítulo 3


Escrita por: e hwannievih


Capítulo 3 - Milkshake


Poucos meses se passaram após a amizade de Kim-Jung ter florescido.

Não que fosse algo surpreendente aos olhos do mais velho, mas todas as suas suposições a respeito do seu ídolo, que agora fazia parte do seu grupo de melhores amigos, estavam corretas.

Hoseok era um doce, claro, quando não estava animado, já que ele ficava ansioso se isso acontecia, e a ansiedade do coreano levava ele a andar muito mais rápido que de praxe, ou tocava muito ao Kim, ou comia muito, ou ele falava rápido ao ponto de Seokjin não o entender, ou falava em duas línguas ao mesmo tempo. E o Jung lhe cantava em cem por cento do tempo.

Até o momento, Madison Glow deu as caras umas três vezes. Jin sabia que quase todo final de semana era certo a Drag Queen ressurgir das cinzas como uma fênix, mas ele só a vira de novo, ao vivo e em cores, em três ocasiões. Podia-se dizer que o Kim sentia a falta dela, apesar de sempre ver os vídeos dos shows dela.

Seokjin perguntou por qual motivo Hoseok não cantava com Pabllo Vittar, e sua resposta foi simples.

— Sei lá… não quero.

Jin, em um acesso de euforia que só um fã poderia sentir, perguntou-lhe também por que Hoseok não falava seu nome real para a mídia, ou por que não aparecia sem maquiagem, sem nada, na televisão ou em suas redes sociais. Jung disse que apesar de amar seus fãs e sentir-se muito feliz com seu eu artístico, ele ainda gostava de parecer invisível quando, por exemplo, ia ao mercado. Gostava de passar despercebido.

Hoseok disse também que até tinham algumas pessoas que o comparavam com a Madison Glow, mas ele dava um jeito de fazer esse alguém repudiar a ideia de que seja ele. Jung realmente gostava de continuar sendo como uma pessoa normal quando era Seok. Sem fotos, perguntas comprometedoras, sem fama, apenas comum.

Apesar de Hoseok não ter aparecido tanto como Madison ao seu suposto maior fã — ele ainda não sabia que Jin o amava tanto assim, já que o mesmo morria de medo de parecer tão bobo quanto no momento em que se conheceram —, o que não faltava para o Kim eram convites. Hoseok gostava da ideia de Seokjin lhe assistindo, vendo o seu talento e depois dizendo o que achou, mesmo que a opinião dele não fosse lhe fazer mudar.

Seokjin havia virado parte do cotidiano do Jung, uma parte indispensável, por assim dizer. Não se viam todos os dias por falta de disposição e tempo, mas digamos que Hoseok passou mais de três horas (um recorde!) conversando por vídeo-chamada pelo Skype. Ele amava conversar com Jin porque o mesmo sempre tinha algo a dizer sobre literalmente qualquer coisa.

Na semana passada, eles conversavam sobre o futuro emprego que Jin arrumaria quando terminasse o curso de informática — variava entre babá e ajudante de pedreiro, de empregado doméstico a CEO de uma multinacional —, e, no dia anterior, eles conversaram sobre personagens da Marvel vs DC — típico assunto de fanboy, por parte de Jin.

Chegaram à conclusão de que o SuperMan vs Doutor Estranho daria uma luta épica, assim como o Hulk contra o Batman, apesar de ambos acharem que o morcego ganharia. Mas ficaram em dúvida na questão do Homem de Ferro vs Batman, já que nem um nem outro havia lido as HQs por pura preguiça (da parte de Hoseok) e de gosto (por parte de Seokjin. Ele odiava HQ, mas não sabia explicar o motivo de forma convincente. Enfim, fazia sentido na cabeça dele).

No presente dia, no caso, Hoseok estava nervoso. Havia chamado Seokjin para ir a um cinema, evento ou parque, algo do tipo, na semana passada antes deles começarem o assunto sobre emprego, e Jin aceitou. Seok planejava contar uma coisa ao Kim, mas ainda estava escolhendo as suas palavras.

Apesar de confiar em Seokjin, o Jung temia o pior quando o assunto era esse. Ele sentia que precisava contar, ou estaria enganando seu amigo, por mais que soubesse que era tudo baboseira, afinal de contas o Kim merecia saber. Não, ele não estaria ludibriando Jin se não contasse, mas não havia quem o convencesse disso.

Essa era a parte ruim de se estar ansioso, apesar de Hoseok não ver um lado bom nisso. Esse sentimento era tão intenso que chegou ao ponto de fazer com que o Jung não conseguisse desenhar e nada, repito, nada conseguia fazer com que ele desistisse disso. Isso o fez chegar à conclusão de uma coisa meio que bem óbvia: estava medrosa e perdidamente caído pelo Kim — outros diriam "apaixonado" de uma vez, mas Hoseok achava essa palavra estranha, assim como "namorado/a". Sentia-se um idiota por estar temeroso quando o sujeito era Seokjin.

Já o Kim estava igualmente ansioso, mas por outros motivos. Ele havia descoberto que o seu melhor amigo, Nicholas Duarte, sempre conheceu Madison Glow, e até fazia as maquiagens divas da mesma, mas nunca o havia contado. Jin estava extremamente puto com Nick por não ter lhe apresentado antes, ou, pior, por sequer ter lhe apresentado à sua diva.

— Aquele brutamontes me traiu na cara dura, pai, vê se isso é possível! — exclamou o coreano, indignado. — Eu amo a Madison Glow, tipo, de coração, corpo, alma e orifício anal, e aquele viado do cu frouxo não me disse nada!

— Eu nunca vou entender você, jovem LGBT, que não deixa héteros serem homofóbicos, mas diz esse tipo de coisa… — murmurou o Kim mais velho, confuso sobre isso. — Se vinga dele, como um adolescente comum e com os hormônios à flor da pele faria. Simples assim.

— Primeiro — disse Seokjin, e seu pai logo se arrependeu de ter aberto a boca —, a diferença entre um adolescente comum e eu é que eu sou um jovem adulto, e não vou fazer isso porque tô com preguiça de pensar em algo diabólico o suficiente para ele aprender a lição. Segundo, eu não sei explicar de um jeito que pegue menos mal, mas um gay falar algo homofóbico é como um surdo fazer piada sobre não escutar, saca? Só a gente pode fazer isso, ou vocês, héteros, vão pro inferno junto com quem faz piada sobre surdo e não é surdo.

O pai de Seokjin pensou que, para quem tinha preguiça de falar, Seokjin era bem comunicativo. Ele achava que o emprego perfeito para seu filho teria de ser assim, comunicativo, ou Jin iria morrer de tédio.

Tanto que o primeiro emprego de Seokjin fora em uma padaria que também era lanchonete. Quando servia os clientes, ele ficava falando com as pessoas por horas a fio quando não estavam com pressa; conversas sobre "O divórcio da dona Amanda vai sair essa semana" eram comuns na casa Kim durante esse período. E Seokjin ficou realmente triste quando o dono da padaria fechou.

— Eu vou comer uma banana… — Diferente do que Seokjin esperava, foi isso que seu pai se limitou a dizer. Ele sentiu-se duplamente traído, já que seu papito estava obviamente cagando para a sua explicação.

"E daí que ele está cansado porque fez faxina na casa hoje?", pensou Jin. "Eu quero atenção!"

Apesar dos apesares, Jin decidiu deixar seu pai em paz. Teria um encontro dali a duas horas e não podia (na verdade, não queria) ser o último a chegar.

Estava disposto a fazer o Jung gostar ainda mais de si, apesar de não ter nenhum tipo de malícia na mente do coreano assim que pensou nisso. O problema veio depois de uns minutos, porque começou a se julgar um aproveitador apenas por querer ser bom para seu ídolo.

"Deus, meu velho, me faz parar de pensar isso ou eu viro ateu", pensou Seokjin, em ameaça.

Em momentos de mente turbulenta pensando fezes, Jin costumava desabafar com Nicholas, mas ainda estava puto com ele, e só tinha mais uma hora e cinquenta e sete minutos para ficar parecendo um ser humano decente. Ele suspirou e, tacando o foda-se em tudo que o podia cancelar seus planos, foi se arrumar.

Ambos haviam combinado de se encontrar numa sorveteria que ficava entre a casa dos dois, na  cabeça de Jin, porque era mais viável assim, já para Seok era para concluir seu cronograma mental. Havia planejado levar Kim lá, e, depois, iriam para o show da Madison — o produtor dela ficou extremamente puto quando soube que ela iria aparecer aos quarenta e cinco do segundo tempo, mas era a Madison ali, ele sabia que não adiantava reclamar. Ao fim do show, Hoseok diria algo como "Agora você escolhe para onde vamos", e, dependendo do lugar que Jin escolhesse, iria usá-lo como palco para sua declaração.

Durante todo o mês, Duarte e Hoseok fizeram uma espécie de parceria para descobrir o que Seokjin gostaria que acontecesse numa declaração romântica. Duarte descobriu que Seokjin negaria um pedido público, independentemente do quanto estivesse apaixonado, porque ele achava que "Se uma pessoa é capaz de fazer isso, imagina como seria namorar alguém assim, tão chamativo? Deus que me livre e guarde".

Apesar de seu melhor amigo ser comunicativo, Nicholas tinha certeza de que Hoseok e Seokjin tinham uma coisa em comum: ambos gostavam de passar despercebido quando a ocasião pedia. Hoseok não se expunha muito nas redes sociais e em mais nada que tivesse vindo da Madison, e Seokjin não chamava atenção no meio de uma multidão.

Ou melhor, evitava, mas isso não era sempre o suficiente. Kim passou tanta vergonha no ensino médio que meio que conseguia prever quando algo do tipo daria errado. Ele era quase como um Gumball da vida. Não sentia mais vergonha com tanta facilidade quanto antes, claro, quando o assunto não envolvia Hoseok, mas isso era outro assunto.

Já arrumado, Jin pegou emprestado a moto de sua mãe e quase desistiu de usar presilhas no cabelo por causa do medo delas quebrarem ou soltarem, já que estava fora de cogitação ir sem capacete, e também quase desistiu dos seus óculos de grau porque sentiu que eles iriam quebrar, mas seu pai, gênio como era, fez Jin pendurar os óculos na blusa e fechar o casaco de um jeito que não arranhasse a lente. Seokjin sentiu como seu QI fosse negativo ao ponto de dar um giro e virar positivo de novo.

Realmente pronto, o Kim partiu para seu destino, e apesar de ter ido mais cedo para esperar por Hoseok, se surpreendeu ao ver que foi em vão. Ele já o esperava.

A roupa de Hoseok entrava em contraste com as de Seokjin, já que as dele eram neutras, mas as do Kim eram coloridas.

Jin se sentiu bobo. Droga!

— Tá parecendo um unicórnio. Gostei — disse o Jung.

— E você tá parecendo o Nicholas.

Nick era o tipo exato de ser humano que tem preguiça de existir. Tanto que quando era forçado a ir para o centro da cidade para comprar roupas com Seokjin, tudo o que Duarte levava tinha cor neutra. Jin odiava, mas não contestava, já que "Roupas neutras combinam com qualquer coisa e pipipi popopo".

— O Duarte?

— Aí, tá vendo? Ele me traiu! — disse, antes que pudesse se conter, tirando o capacete e saindo da moto. Colocou os óculos no rosto e afirmou, indignado: — Eu deveria forçar ele a tomar vitamina de banana só por me esconder que ele te conhecia.

Para contextualizar: Nick odiava, de coração, vitamina de banana, porque tinha intolerância à lactose e não gostava nem um pouco de banana.

— Não seja tão duro com ele, Seok. Ele não fez por mal.

— Fez sim. Traidor — sussurrou a última palavra. — Se eu fosse best friend da Manu Gavassi e soubesse que Nicholas era, tipo, mega fã dela, eu ia sim apresentar eles um ao outro.

— Oxe — disse Hoseok, ligando um ponto a outro ao passo em que adentravam o estabelecimento e faziam seus pedidos. — Cara, tu é meu fã? — De tanto ver memes na internet, Seokjin ficou meio decepcionado por Hoseok não ter trocado as palavras "meu fã" por "gay". Aí ele diria "Eu não, tu que deixa" e eles iriam rir até a barriga doer.

— Uhum.

— E ia esperar eu morrer pra dizer? — "Sim", pensou o Kim. Assim como Seokjin, Hoseok se sentiu traído, mas estava achando a situação mais divertida do que tensa. — Você é um sujeito estranho.

— Eu só tava com vergonha — disse Jin, mais porque havia perdido as palavras do que por querer dizer isso.

— Você, vergonha? Oxe, tu nera o Gumball?

— Ei, eu sou gamer, mas ainda tenho sentimentos! — exclamou e fez um bico, fingindo chateação. Hoseok sorriu para ele, bem daquele jeito que Seokjin pensava ver um molde de coração na boca dele, e não falaram mais nada.

Não por falta de assunto, mas sim porque gostavam do silêncio confortável entre eles. Hoseok podia analisar melhor o garoto sentado na cadeira à sua frente, enquanto este ficava perdido em pensamentos, olhando os quadros nas paredes da sorveteria. Alguns tinham frases como "Fácil é falar; difícil é fazer" ou "As melhores pessoas são as que gostam de comer", e outros tinham desenhos aleatórios, tipo o Darth Vader com um sorvete na mão ou um papagaio dizendo: "Que delícia". Jin não entendeu o propósito, mas achou genial.

E riu de verdade ao imaginar Freddy dizendo "Que delícia", por mais que soubesse que a jandaia dele não falava — e nem qualquer outra.

— Você não vai achar um Voldemort chupando um geladinho e piscando o olho esquerdo nessas paredes.

— O certo é sacolé — respondeu Jin.

— O certo é "sorvete de água que vem dentro de um saquinho cilíndrico" — disse Hoseok, parando para fazer uma pose pensativa, como se estivesse calculando a fórmula da cura para AIDS. — Como um hétero-cis-top-macho-alfa come algo cilíndrico? — E Jin riu.

— Ele deve pegar uma faca e cortar à medida em que come, né?

— Ou bater no liquidificador.

— Ah, cara, esses manos são um meme pronto — admitiu o Kim. — Nós não conseguiríamos viver hoje se não fosse por eles. Do que a gente ia rir, senão daqueles caras dos vídeos "Eu te desafio a sair de um nerd fofo e ir para um… homão"?

E isso iniciou uma conversa sobre como eles se descobriram e se declararam como homens-cis-não-hétero-top. 

Assim, rindo de machistas, eles tomaram seus milkshakes. Ao fim, Hoseok pediu a chave da moto da mãe de Jin, para que ele pudesse levá-lo ao lugar do show. O Kim fez uma piada sobre ele querer sequestrá-lo, mas deu as chaves mesmo assim, e eles partiram.

Hoseok adorava sentir o vento batendo em si mesmo quando andava de moto. Para ele, era como voar, ou cantar My Heart Will Go On a plenos pulmões do mesmo jeito que em Titanic, naquela cena icônica do Jack pendurando a guria na ponta do navio.

Já Seokjin pensava que deveria ser assim para Freddy quando ele voava, e isso explicaria o motivo pelo qual aquela jandaia não gostava de voar, apesar de Jin nunca ter cortado suas asas e elas estarem enormes.

Sim, a jandaia de Seokjin não gostava de voar. Estranho, né?

Diabruras tinha medo de quando Seokjin a levava para passear porque, pensou Jin, ela provavelmente achava que ele iria se livrar dela. Isso fez ele amar ela bem mais do que antes, mas o Kim a odiava um pouco quando ela se animava demais e fazia xixi nos pés dele.

Sim, Diabruras se mijava de alegria quando via os donos. Literalmente.

Quando Seokjin falou sobre seus animais de estimação para Hoseok, Jung confessou que gostaria de ter um bichinho. Seok viu que ele estava sendo sincero e disse:

— Bom, ainda tem um cargo de pai livre pra eles.

Em outras palavras, agora Freddy e Diabruras tinham dois pais: Kim Seokjin e Jung Hoseok. Segundo Jin, só faltavam as alianças.

Eles chegaram no local do evento, estacionaram a moto e Hoseok desapareceu depois de fazer Seok entrar no espaço, mas não sem antes avisá-lo que o faria. O Kim entendeu de cara o que ele quis dizer com aquilo e foi procurar alguma coisa para comer, já que estava ansioso.

O lugar estava cheio, do jeito que Jin detestava, mas ele estava ali por uma boa razão e não deixaria que um mar de gente banhada em suor e cachaça (ninguém fedia até o momento, mas Jin sabia que iriam suar na hora de pular ao ritmo das músicas) se encostando a todo o momento estragasse sua noite.

Ele ficou no mesmo lugar do início ao fim, evitando ficar perto do meio e frente do palco, já que ali havia uma maior concentração de aglomeração das pessoas. As luzes de efeito piscaram e balançaram quando a melodia começou a tocar, e depois disso Madison Glow apareceu em toda a sua glória.

"É hoje que eu fico rouco", pensou o Kim. E realmente ficou.


• • •


— Meu caralho, meu caralho, meu caralho, meu caralho, meu caralho! — exclamava Jin à medida que via Madison de perto. Ela estava tão linda que Seokjin achou que iria morrer, apesar disso não fazer sentido algum para a biologia.

Na frente da sua diva favorita, contrariando tudo o que ela pensou que ele faria, o Kim se ajoelhou como se ela fosse uma rainha e disse:

— Coma meu cu, minha rainha!

Até Jin ficou surpreso por realmente ter cumprido uma promessa assim, mas ele sabia que foi por causa da euforia de ter ido no seu primeiro show, e, de bônus, ter sido o show de alguém que admirava tanto.

Hoseok riu e tirou o tênis que usava, pois já estava na hora de voltar a ser apenas um cidadão comum. Ele se sentia uma Hannah Montana quando o show acabava.

— Talvez — respondeu o Jung. — Eu vou dar um pulo ali e volto num segundo. — E foi-se.

Seokjin aproveitou que já estava no chão e sentou-se, olhando para o segurança que estava perto de si. Estava tão feliz, tão feliz que nem se importou que era um estranho.

— Gosta de Harry Potter?

O segurança pigarreou, confuso, e disse: — É comigo?

Seokjin: — Sim. Gosta de Harry Potter?

O segurança: — Não…

Seokjin: — E do flash?

Segurança: — Dele sim. Por quê?

Seokjin: — Ele vai tentar salvar a mãe dele e vai cagar com o "futuro" de todo mundo.

O segurança bufou, dizendo: — Muito obrigado. Agora não tem mais graça.

— E vai ficar tão ruim quanto Sobrenatural ou The Walking Dead. Bem repetitivo.

— Para de estragar meus sonhos!

— Pode dizer: eu sou um monstro, né? — E riu.

Depois de um tempo, Hoseok apareceu, usando a mesma roupa de antes.

— Vamos?

— Vamos. Tchau, mamador das bolas do Barry Allen! — Acenou para o segurança. O mesmo revirou os olhos, sorriu e acenou, como um verdadeiro pinguim de Madagascar.

— Mamador de bolas?

— É — respondeu, e eles não falaram mais até que estivessem de frente à moto da mãe Kim.

— E agora, quer ir para onde? — perguntou o Jung, seguindo seu roteiro.

— Ah! — exclamou Jin, dando pulinhos no mesmo lugar. — Para a sua casa, Hoseok-oppa — disse, em coreano, afinando a voz o máximo que podia. Por sorte o Jung entendeu.

— Para a minha casa, então. — E se pôs a pilotar a moto.

Hoseok só conseguia pensar na declaração e se Seokjin havia gostado do show, enquanto o Kim só pensava em mil formas de surtar sem parecer lunático.

A verdade era que ele teve de se segurar para não começar a gritar assim que viu Madison Glow ali, bem na sua frente, e descobriu que era muito difícil não dizer o tempo todo que amava ela.

Sem mais demora, eles chegaram à casa, desceram da moto e entraram. Os pais de Hoseok estavam na sala, assistindo Duro de Matar enquanto riam do clichê desse filme, o Jung suplicou mentalmente para que eles fossem normais pelo menos naquela noite.

— Oi, pai. Oi, pai — cumprimentou Hoseok, nervoso.

— Oi, sogros — disse o Kim, Hoseok congelou. Seokjin, sem vergonha do jeito que era, se sentou no meio dos dois e disse: — Mamãe ama esse filme. Vocês fizeram pipoca?

Os pais de Hoseok não estavam entendendo nada, mas sabiam que, provavelmente, seu filho tinha dito ao garoto que "a casa era dele e que ele poderia ficar à vontade". A maioria dos amigos do Jung eram assim, então não estranharam tanto.

— Porra, Hoseok, tu só tem amigo folgado — reclamou Taewoon.

— Ei, eu sou marido! — Dessa vez, foi Jin.

E eles começaram a discutir. Jung sabia que seus pais não iriam desgostar de Jin só por causa disso, e que isso era só eles socializando como fazem com qualquer outro ser humano. Mas ainda queria manter os planos de pé, então meio que forçou Seokjin a subir para o seu quarto ao invés de ficar com seus pais.

"Então o meu cantinho sagrado vai ser o palco da minha queda", pensou Hoseok. "Legal."

Seokjin podia dizer que esse estava sendo um dos melhores dias da sua vida (perdia apenas para os dias em que conseguiu seus filhos), e que nada mais poderia torná-lo melhor.

Tomou milkshake com Hoseok, foi ao show de Madison Glow e conheceu os pais da pessoa que mais lhe arrancava sorrisos. Para pessoas como Nicholas, esse dia seria meio "bleh", normal. Mas, para pessoas como o Kim, o dia havia rendido uma boa história.

Só imaginava em como contaria os acontecimentos desse dia para a sua mãe. O tanto que ele ia surtar sobre o show, meu pai…

Já no quarto do mais novo, Seokjin sentou na cama de Hoseok, se jogando em seguida apenas para sentir o cheiro dele nos lençóis, claro, sutilmente.

Mas quem ele queria enganar? Jin não sabia ser sutil, e Seok percebeu o motivo de ele ter deitado. Claro, até uma batata perceberia.

Com um sorriso nos lábios, Hoseok perguntou: — Se divertindo?

Seokjin: — Cara, tu é cheiroso… — murmurou, e só então percebeu que estava parecendo um maluco. — Quer dizer, só na brotheragem.

E Hoseok percebeu que era a hora, então abaixou a cabeça, tomando coragem, e quando Kim iria perguntá-lo sobre sua nítida timidez repentina, ele disse: — Estou apaixonado por você.

Simples assim.

Quando uma pessoa vai mexer em um computador quando o WiFi está ruim e tenta abrir um site qualquer, uma mensagem dizendo que deu um erro na hora de carregar o site aparece. Se der F5, um dinossauro vai aparecer. E, naquele momento, Seokjin era o dinossauro, com aquela cara de trouxa, correndo para lugar nenhum no deserto, como um débil mental. Então, ao invés de dizer algo como "Sério? Porque eu sempre senti o mesmo", ele simplesmente falou:

— Isso é possível? — E Hoseok conseguiu ver uma barrinha de download acima da cabeça de Jin. — Espera… — … Oitenta e seis, noventa e dois, cem. — Caralho, mano, é sério mesmo!

Seokjin levantou num pulo e abraçou o Jung.

Ele percebeu que poderia estar apaixonado assim que ficou uma noite inteira acordado olhando um print que havia tirado de um Hoseok ridente em uma das suas ligações, mas nunca achou que pudesse ser recíproco. Jin olhou o rosto de Seok e viu seu sorriso aumentando, pois essa euforia era a resposta que o Jung queria.

Antes desse dia, ele tinha oitenta e cinco por cento de certeza da sua paixão por ele, mas estar ali, se sentindo flutuar ao ver o sorriso de coração de Hoseok, lhe deu os quinze por cento que faltavam.

Era ridículo, em sua concepção, sentir que desejava estar ao seu lado por bastante tempo, mesmo que isso significasse perder ele de vez em quando, por causa da Madison Glow. Hoseok podia sentir suas pernas falhando só com esse abraço apertado.

Era muito boiola por Kim Seokjin.

— Certo, então você é meu namorado agora e não tem "mas" ou "meio mas" — declarou Seokjin, dando em Hoseok o primeiro selar de lábios.

Seok sentiu que ia desabar se continuasse de pé, então cedeu, sentando-se na cama, gravando, outra vez, na sua memória a imagem do garoto à sua frente. Mas, como a base da relação deles sempre foi ser infantil, Jung Hoseok disse:

— Eu não sou mosquito, mas tô doido pra te chupar.



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