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História Últimas músicas - Capítulo 6


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Notas do Autor


Não sei nem por aonde começar.
Primeiro, OBRIGADA pelos 200 favoritos! Não consigo acreditar que chegamos a isso com apenas cinco capitulos.
Segundo, eu postei e em seguida exclui esse capitulo, pelo motivo de: Muitos erros ortográficos e ainda fiz algumas mudanças, poucas, quase nada. Podem lerem a vontade!
Terceiro, obrigada mais uma vez, mas dessa vez por todos os carinhos e mensagens de apoio. Voces sao incriveis!

Bora para mais uma leitura? ^.^

Capítulo 6 - 05: Imagine


Fanfic / Fanfiction Últimas músicas - Capítulo 6 - 05: Imagine

“Imagine there’s no heaven

It’s easy of you try

No hell belo wus

Above all the people

Living for today” – Imagine de John Lennon. 

CAPÍTULO – IMAGINE

Sidney, Austrália – Caroline Henderson

04.02.2012 – Num sábado.   

— Você... — Arregalo os olhos, encarando aos dois novamente e me viro a Niall, meu melhor amigo. Ou acreditava que era meu melhor amigo. — É gay?  

De todas as coisas que me ocorreram ao longo da vida, nunca passou na minha cabeça que aquilo era possível acontecer. Niall? Meu melhor amigo Niall? Como nunca reparei antes? Ou, até mesmo, por que ele nunca me contou?

Eu estava extremamente surpresa. Sem muitas palavras para definir aquele momento tão estranho na minha vida: Dentro de um quarto, com duas pessoas – meu amigo e um completo desconhecido -, aonde um deles estava seminu. Niall, entre nós, era o que mais estava apavorado, pois parecia que a qualquer momento iria um ataque.

— Eu fiz uma pergunta, Niall. — Digo. — E a única coisa que quero nesse momento é que me responde. — Falava sem olhar nos olhos dele, com os braços cruzados e ainda perturbada, ainda um pouco incomodada com meu pequeno e grande ataque de memorias aparecendo como uma luz de flashbacks em meus pensamentos. Fecho meus olhos, fortemente e me pronuncio: — Você é gay?

Um Silêncio. Um completo silêncio.

— É... — Ouso uma voz desconhecida, e me viro um pouco ao rapaz negro. — Acho melhor eu ir. —Agacha-se para apanhar as roupas. Abri um enorme sorriso, cheio de sarcástico com minha estupida pergunta, mas ao mesmo tempo limpo minhas lágrimas. O rapaz não fala nada e vai até Niall. — Eu... — Engole um seco. — Te vejo outro dia? — Minha curiosidade foi um pouco maior, tentei ver a cena; o rapaz se aproximar de meu amigo, mas Niall desviou o rosto na hora e sussurrou alguma coisa no ouvido dele, no qual não consegui ouvir.

A porta é fechada.

Sai-o do meio do quarto até a janela, encarando algumas pessoas que estavam no quintal da frente. Foi quando reparei em alguém mais velho, mais ou menos de cinquenta anos, conversando extremamente irritando com alguns jovens bêbados. Em que, um deles, ao tocá-lo ficou furioso e empurrou o adolescente aonde começou ali uma discussão por conta do alto barulho. Mais pessoas velhas começaram a entrar no meio, impedindo e brigando com os jovens.

Ouso passos se aproximando de mim.

Não desvio meu olhar em nenhum momento, pois sabia quem era.

— Quando você pretendia me contar? — Pergunto ainda olhando a discussão do outro lado.

— Por favor. — Niall diz tão baixo que quase nem consegui ouvir. — Por favor, não conte aos meus pais!

Arregalo meus olhos incrédula com aquelas palavras.

Como ele ousa?!

Em vez de responder minhas estúpidas perguntas tem a ousadia de falar aquilo para mim?! Para alguns o que Niall pediu era algo extremamente simples. E é, mas eu tinha dois motivos para ficar irritada com aquilo: 1) meu melhor amigo não confiava em mim, pedindo-me aquilo e 2) Ele parecia que não pretendia me contar. Porra, Niall Horan! Eu sou a melhor amiga dele há praticamente 11 anos. Aquilo era muito tempo, nossa amizade cresceu e ganhado mais confiança a partir dos anos, e, naquele momento, descubro que tudo foi um lixo de confiança. Niall James Horan não confiava em mim!?

— Como ousa? — Niall me olhava, confuso. — Falar isso para mim Niall James Horan? — Começo a gritar. — Pensei que fossemos amigos, que contava tudo um ao outro, de todos os nossos problemas tanto dentro e fora da escola. E, ainda, por que acha que eu iria contar isso aos seus pais? E outra, quando pretendia me contar? Pois, parece que não pretendia me contar. — Ele não pretendia me contar... Como meu pai, por ter matado George. George. Não conseguia tirar esse nome da cabeça! 

— Eu iria te contar... Só que no momento certo. — Diz ficando além de assustado, irritado.

— E quando é o momento, certo? Em? — Grito, ficando irritada com a situação. — Pensei que confiasse em mim.

— Mas... Eu... — Ele estava prestes a dizer algo, porém parou para não continuar a falar. Niall não continuou a falar, ficou quieto de repente. Arregalo meus olhos na hora... oh, meu Deus!  Não podia ser verdade. Não podia ser verdade que Niall pensava daquilo de mim. — É medo!

Pisco várias vezes, tentando entender o que estava acontecendo naquele momento.

— Você não sabe o que sinto. Você não sabe como é estar na minha situação. Você não sabe o que é estar no meu corpo ou até mesmo qual atitude tomar por conta das porcarias do que a sociedade impõe, ou até mesmo alguns religiosos. —  Niall diz começando a chorar. —  Não todos, mas os extremos que julgam sem pensar. Não, Caroline você não sabe. Você não sabe, por que você por mais tenta se colocar no meu lugar, não sabe o que é estar no meu lugar. Então, cala a sua boca! Entende uma coisa Henderson, nem tudo que fazemos é sobre você.

— Então me conta, caralho! — Digo. — Me diga logo a verdade. Do motivo de se transferir para o mesmo colégio que eu?

Estava extremamente alarmada e surpresa aonde a conversa começou a chegar. Nunca pensei que estaria discutindo daquela maneira com meu amigo.

— Não está mais que na cara?! — Grita extremamente alto, que naquele momento um casal entra aos beijos e ao ver gente ali, retira-se. Volto o meu olhar a Niall, impedindo-me de chorar de novo. Por que as coisas andam me magoando tanto ultimamente? — Era ataque de homofobicos que descobriram quem realmente sou!

Fico em silêncio sem saber o que falar.

— Eu pedi para minha mãe me transferir de colégio para Greenwich, pois não estava aguentando na Foster. Pedi transferência quando terminei o segundo ano, implorando aos meus pais, dando qualquer outro motivo para não descobrirem o que realmente estava acontecendo comigo na minha antiga escola. Não era também o melhor momento de descobrirem que o filho caçula é gay. — Me olhou de baixo para cima. — Eu não mudei pelo que aconteceu com você no penúltimo ano, mas não significa que não fiquei triste pelo que aconteceu. Não mudei por causa de você, eu me mudei por mim. — Saiam lágrimas de seus olhos. — Eu me mudei, pois precisava cuidar de minha saúde mental!

“Você não sabe, o quanto é pensar em pessoas miseráveis e escrotas passando em sua mente, falando frases, palavras para me diminuírem.”

Niall não aguentou e resolveu se sentar em cima da cama, chorando descontroladamente. Desviei meu olhar dele para a janela, vendo algumas pessoas pararem com a briga no quintal. Direcionei até a cama e me sentei ao lado de meu amigo, tentando encontrar palavras para melhorar aquele momento tenso, mas não encontrava então optei para ficar quieta de novo.

A música na sala continuava e os gritos também.

Encostei minha cabeça no ombro de meu amigo, e ficamos naquela maneira por alguns momentos. Ainda estava me sentindo péssima, pois ele não confiar em mim, mas ao mesmo tempo me sentia triste pelo que ele teve que passar antes de estudar no mesmo colégio que eu.

A música parou do outro lado.

— Eu quero ir embora. — Niall sussurra, e apenas assenti pegando as mãos dele.

Mesmo com toda aquela situação intrigante, naquela vez estávamos um pouco mais calmos.

Ao sairmos dos quartos, no corredor encontramos várias pessoas se beijando, e, entre eles, estava meu primo. Liam estava se divertindo bastante naquela festa, pois além de estar bêbado, dançando com jogadores, conhecendo gente nova, naquele instante, estava beijando a duas garotas. 

Passei por ele sem dizer uma mínima palavra indo até a sala, quando além da música parar começamos a ouvir gritos. Tinha alguma coisa estranha acontecendo. Não era gritos divertidos, agitados ou para animar mais a festa. Era diferente. Totalmente o oposto.

Ao me aproximar no final do corredor, vejo uma multidão em circos, quietos e uma expressão apavorada. Enquanto aquilo acontecia ouso uma voz pouco conhecida gritando com todos e conseguindo toda a atenção absoluta.

Levada a curiosidade, e Niall também. Meu amigo subiu uma cadeira, e eu da mesma forma.

— Henry, por favor cara! — Ao olhar para o centro, comecei a ver o que estava acontecendo.

Arregalo os olhos na hora, extremamente surpresa vendo a situação de meu colega, Henry Dallas. Henry participava do mesmo clube que eu, de jornalismo, naquele estante se encontrava com uma arma na mão, apontando para a multidão.

Engulo um seco, apavorada.

— Henry, por favor, abaixe essa arma. Não tem graça cara! — Outro colega falou indo até o centro, para tentar acalmar a situação. Henry aponta a arma para ele. O jogador da escola assustado, engole um seco com as duas mãos ao lado, tentando acalmar a situação. Por que Henry estava fazendo aquilo? — Henry estamos numa festa. Você não vai querer fazer isso com essas pessoas. A inocentes, aqui cara!

— E se eu quiser? — Continua apontando a arma e por conta daquilo, algumas pessoas gritam apavoradas, assim como eu. — Vocês são um bando de babacas e hipócritas que mais se importam com a porcaria de status e aparência! — Engulo um seco com suas palavras, até o olhar de meus colegas encontrar com o meu. O coração começou a acelerar cada vez mais com medo dele apontar para mim. — Ignoram pessoas para não serem vistas por elas. — Aquilo com certeza foi uma indireta. — São grossas, não se importam com ninguém além de si mesmo, batem e humilham por puro divertimento. — Endireita a arma.

Eu estava começando a suar, apavorada. Aquilo não era legal, além do mais aonde Henry estava querendo chegar?

Por um momento todo mundo ficou em silêncio. Então, algo extremamente inesperado aconteceu: Um tiro.  

 

05.02.2012 - num domingo.  

Pisco várias vezes meus olhos um pouco incomodada com a luz do sol bater em meu rosto, além de iluminar um pouco meu quarto. Resmungo, me remexo, bagunço meu cabelo - mais do que estava - e bocejo, sentando-me sobre a cama. Por conta do movimento rápido fiquei por um pequeno período com uma certa tontura, sem enxergar nada além de uma visão preta aos poucos diminuindo e as diversas cores de meu quarto começarem a aparecer.

Suspiro fundo, sentindo uma pontada de dor de cabeça.

Com os dedos fico mexendo um pouco os olhos, quando lembranças da noite passada começaram a me incomodar; Niall e eu sozinhos num quarto, nós dois gritando um com o outro, descubro que meu melhor é gay, Liam beijando a duas garotas e... Bom, o suicídio.

Literalmente é apavorante ter que lembrar de meu colega. Meu colega Henry Dallas cometeu suicídio na frente de várias pessoas, pois apontou a arma embaixo da mandíbula e atirou. A cena é apavorante.

Ele era o segundo que tinha cometido.

Imagem do sangue humano foram jogados pelos lados, além de formar uma enorme possa embaixo do corpo sem alma. A cena me deu medo. A cena me atordoava de uma maneira insuportável, pois o sangue não saia de minha cabeça, me apavorando cada vez mais, perguntando a mim mesma sempre a única pergunta: Por quê?  

Por que aquilo aconteceu? O que levou a tal? Qual os motivos? Nossos comportamentos e atitudes sempre levam a um motivo.

“Vocês são um bando de babacas e hipócritas que mais se importam com a porcaria de status e aparência! Ignoram pessoas para não serem vistas por elas. São grossas, não se importam com ninguém além de si mesmo, batem e humilham por puro divertimento.”  As palavras de Henry, me amofinava.

O sangue. O tiro. O medo. A tristeza. 

Ouso a batidas em minha porta e alguém entra em meu quarto. Era apenas o meu pai.

Suspiro fundo, tentando me acalmar, pois minha cabeça começava a doer sempre que ficava pensando muito.

— O café da manhã está quase pronto. — Olho para meu pai. Michael estava vestido com roupas de ginastica, e aquilo me fez pensar que estava prestes a ir caminhar naquela manhã de domingo. Olho para o relógio era quase nove horas da manhã. — Se quiser comer está tudo em cima da mesa.

Nós ainda não tínhamos nos acertados, por isso estávamos ainda um pouco indiferentes um com o outro. Ignorando e dando respostas curtas.

Apenas assinto, suspirando fundo e troco de roupa. Como não iria trabalhar naquele domingo optei para ficar em casa para colocar meus estudos em dia. Por isso mesmo, vesti um short jeans azul claro e uma camiseta simples branca. Calcei o chinelo e arrumei minha cama, antes de ir tomar café da manhã.

Ao descer a escada, encontro Michael fazendo omeletes cantando alguma música antiga, enquanto me sentava em cima da cadeira. Estranhei por ter algumas coisas diferentes na mesa; tinha pão francês, queijo, suco, leite, café, cereal e salada de frutas. Michael coloca omeletes em um prato, e leva até a mesa – onde eu estava –, em seguida coloca cauda de chocolate por cima. Por fim, ao finalizar senta e se serve com salada de frutas e suco. Enquanto eu estava, encarando-o desconfiada.

Michael queria meu perdão.  

— Não vai comer? — Pergunta, apontando a tudo na mesa. — Liam me respondeu que você foi a uma festa sem me avisar por sinal. —Suspiro fundo, percebendo profundamente meu erro. — E tenho certa de que está com dor de cabeça, por isso mesmo deixei o remédio em seu quarto.

Agradeci mentalmente, mas não falei, apenas assenti.

Peguei o suco e coloquei em meu copo.

— Ok, eu não aguento mais essa situação. — Ele diz, enquanto eu pegava um pão. — Não quero ficar bravo com você, não quero te magoar, não quero deixar de falar com a minha única filha, a única pessoa que agora eu vivo no mesmo teto. — Suspira fundo. — Carol, não queria ter feito aquilo, você não entende? — Continuei quieta. — Você acha que fui até ele e simplesmente matei? Não! Eu nunca faria isso. Ele praticamente cuidou de meu irmão e eu depois que minha mãe morreu de overdose. A sua avó, que infelizmente você não chegou a conhecer.

Estava sem palavras.

— Por q...

— Eu não matei por queria! Eu o... — Tentou não continuar, mas foi em vão. — Matei, a pedido de dele. — A pedido de George? Como assim? O que ele queria dizer com aquilo? — George estava sofrendo. George estava sentindo dor. George já era velho demais. Minha filha, você entende aonde quero chegar? — Droga, pai! — A morte sim é algo terrivelmente horrível e doloroso.

“Estende e coloca na sua cabeça: Nós realmente não entendemos a dor do outro, até passar pelos mesmos problemas. O máximo que tem de fazer é respeitar. Além do mais, o poupei de mais sofrimento. Ele já sentia muita dor e estava disposto a não querer mais sofrimento, para não ter que passar por mais cirurgias.”

Meus olhos começaram a se preencher de lágrimas.

— Meu amor. — Toca uma das mãos em minha, em cima da mesa. Desvio meu olhar, com a mão solta limpo um do nariz entupido. — George te amava muito! Mas, às vezes temos que pensar em nós também, não apenas o outro. Do que é melhor para nós.

Limpo minhas lágrimas.

— Eu o amava mais do que qualquer outra pessoa! — Foi a única coisa que consegui dizer.

Eu o encaro, tentando absorver todas aquelas palavras, pois ainda negava a mim mesma sobre a morte de George. O verdadeiro motivo da morte de George.

— Oh, meu amor. — Meu pai se levanta e me abraça do lado, ao perceber que estava chorando. Eu estava muito chorona naqueles dias, precisava de recompor. — Agora me faça um favor — Encaro a Michael. — Preciso que faz compras para mim.

Sério mesmo? 

*****  

Michael é um bom pai. Sempre tentando fazer o melhor e do melhor, portando às vezes ele não sabia lidar muito com algumas situações. Exemplo, meu primeiro namorado, quando tentou conversar comigo sobre o sexo oposto, tomar todo cuidado possível e até mesmo conversar sobre sexo.

Eu tinha treze anos quando ele veio conversar comigo sobre sexo. Foi um pouco engraçado e constrangedor para ele, pois tentava me ensinar usando dois bonecos: a Barbe e o Ken fazendo. Ele não soube muito bem como se expressar do melhor modo, mas tentou. Apenas aprendi depois que assisti a uma palestra na escola, e várias vezes seguidas antes de entrar no ensino médio de tão insuportável estava sendo ouvir: “A mulher tem uma vagina, o homem tem o pênis. Toma cuidado e não se entrega facilmente”. Michael nunca teve problemas com isso comigo, pois nunca fui de me envolver com muitos rapazes, depois que descobri no ensino fundamental, que uma de minhas colegas, uma colega de quatorze estava gravida, pois o pai da criança não queria assumir. 

Nunca iria fazer aquilo com meu corpo não tão cedo, pois tudo tem hora e o tempo cerdo. Além é claro: Meu corpo, minha chave.

Andava pelos corredores do supermercado com mais calma e um pouco de bom humor, indo as compras com uma pequena lista feita pelo meu pai, portanto estava tentando compreender a letra.  

— Isso é um A? — Pergunto para mim mesma, tentando entender a palavra. — Al... Al... Acho que é alface.

Pego o carrinho e caminho até o corredor das frutas e legumes.

Suspiro profundamente, pegado uma pequena sacolinha e escolhendo um alface bom. Ao achar, guardei no carrinho e fui pegar as frutas, indo recolher algumas maçãs, vendo algumas pessoas indo até a maquininha de preços. Desvio meu olhar, fazendo um nó na pequena sacola e indo ver o preço da quantidade que peguei, indo até a fila. Novamente, peguei a folha do bolso do short para ver o resto da lista.

— Caroline? — Ouso meu nome. — Caroline?

Desvio meu olhar, olho para os lados até meus olhares cair em duas orbitas azuis e o cabelo platinado.

— Ah, sim, você é a Charlotte, certo? Irmã de Louis.

— Eu mesma. Em carne e osso. — Responde, animadamente. — O que está fazendo aqui no mercado?

Que tipo de pergunta era aquela?

Sorri, achando graça e tosco, mas ela não mudou a pergunta e nem a expressão.

— Compras? — Pisco várias vezes. 

— Ah, é claro. — Diz, olhando meu carrinho com algumas coisas. — Louis me contou que você foi a uma festa ontem à noite. — Assenti. — Com foi? — Bom, descobri que meu melhor é gay e um colega se suicídio.

— Bom. — Uma bosta!

— Legal. — Sorriu para mim. — Eu também fui a uma festa ontem à noite com as minhas amigas. Foi muito divertido, bebemos, cantamos karaokê, — Se aproximou mais de mim como se quisesse contar um segredo. — Beijamos alguns rapazes. — Levantei uma das minhas sobrancelhas. — Louis que é um completo tosco, não quis ir. Diz que precisava estudar, por causa da faculdade. Pelo amor de Deus quanta bobagem! É apenas o início do ano letivo, mal começou. Não foi porque ele não quis tenho certeza.

Pisco várias vezes. Louis fazia faculdade? Afinal, quantos anos ele realmente tinha? Eu não sabia de nada do meu colega de trabalho, além do nome e que tem uma irmã.  

Sorri para Lotti, e vi que ela estava com apenas uma cesta em mãos e não tinha muita coisa: Apenas um suco de caixinha, cokkies integral e duas frutas diferentes. 

— E você? Faz o que afinal? — Lotti joga o cabelo platinado para trás.

Aquele cabelo platinado chamava tanto a minha atenção. 

— Eu estou no último ano de ensino médio. — Respondi com calma. — E você?

— Estou terminando a faculdade de moda esse ano. Ah, não quero nem pensar, eu tenho TCC no final do último semestre e até o momento não decidi qual tema abordar. — Ela responde, animadamente. Sorri de lado, por vê-la empolgada. — Já sabe o que pretende fazer quando terminar a escola?

— Ainda não decidi. — Sou sincera e curta.

— Escolha com sabedoria. — Ela responde. — Louis fez faculdade de engenharia da computação, mas odiou e trancou. Papai ficou furioso com ele. Depois, optou para ciências biológicas e passou na Universidade de Sidney. — Ela diz, passando-me informações do irmão. — Eu acho que está feliz até agora não o ouvir reclamar. — Ri um pouco da expressão dela. — Não sei como ele aguenta, anatomia, fisiologia, bioquímica. Eu já estou feliz com meus desenhos e estudar história da moda.

— E o seus pais? — Puxo assunto. — O que eles fazem?

— Papai é engenheiro civil e minha mãe é professora universitária de matemática. É ao menos ela foi — Lotti sorri sem jeito. Conclusão: Eles são ricos. — E os seus?

Respiro fundo antes de responder: — Meu pai é advogado e minha mãe foi pedagoga. — Respondi, simplesmente e Lotti percebeu quando falei de minha mãe.

—  Oh, — Desmanchou o sorriso na hora. —  Meus pêsames. 

— Faz muito tempo. — Respondo e vejo o papel em minhas mãos. — Preciso fazer o resto das compras.

— Hey — Lotti me chama, enquanto estava me virando para encontrar o resto das compras. — Vai haver uma festa no dia 11 em minha casa. É uma festa de trabalho do meu pai. Seria legal você ir. Estou te convidando. — Sorri para ela, sem ao menos saber se iria aceitar ou não. — Por favor, vá! Seria muito legal você ir.

— Vou pensar. — Respondo e Lotti estende uma das mãos para mim. Fiquei confusa no momento, mas depois entendi. Peguei meu celular e coloquei na mão dela.

— Promete que vai pensar direitinho? — Assinto. — Fico mais feliz. — Ao devolver meu celular solta um beijo no ar para mim e se vira. — Te vejo por aí na festa, caso for.

Apenas aceno com as mãos e parti. 

 

06.02.2012 – numa segunda-feira.

Lotti era uma garota estranha, mas ao mesmo tempo divertida. Tinha seu próprio jeito e estilo, nada contra, mas parecia que eu não tinha muitas coisas em comum com ela, portando a nossa conversa me deixou um pouco pensativa, pelo fato de: Ainda não tinha decido qual profissão seguir. Bom, eu fazia o clube de jornalismo, mas tinha me escrito apenas para melhorar minha escrita. Não tinha definido o que realmente queria fazer, e aquilo me incomodava um pouco.

Estava olhando a foto de SMS de Lotti, pois infelizmente não poderia ir à festa em que me convidou. Meu pai não me deixou ir, pelo motivo de que como não conhece os irmãos Tomlinson’s. Quando o contei naquela manhã, recebi um “não” bem grande como resposta. Não reclamei, pois por um lado ele estava certo. 

 

Eu: Bom dia, Charlotte.

Obrigada por me convidar a sua festa, mas infelizmente não poderei estar presente.

Talvez, em uma outra ocasião. Beijos e obrigada mais uma vez. 

 

Mandei.

Algo me ataca no rosto, gemo um pouco baixo e encaro furiosa para àqueles dois. Pegando aquele pequena bola de tênis de mesa.

— Quem foi? — Pergunto.

Niall e Liam aponta para cada um.

— Você está bem? Parece um pouco distante. — Liam comenta e Niall me encara, desconfiado. — Que tal conversarmos? Se enturmar mais, o que acha? Quer jogar? — Estende uma das raquetes e nego, quando três garotas entraram na quadra. Uma delas deu a um pequeno e safado “oi, Liam”. Liam, um tosco, responde bobão: — O-Oi

Reviro os olhos, levantando-me e pegando a minha mochila.

— Vou ao banheiro. Vejo vocês na aula. — Mal digo e vou me retirando, deixando-os sozinhos.

Fecho a dupla porta e meu celular vibra. Era uma nova mensagem: 

 

Lotti: Que pena. (carinha triste)

Esperava que fosse.

Bom, espero que tenha alguma outra ocasião onde você poderá ir. 

 

Lotti manda várias mensagens, um atrás do outro. Claro Lotti, quando conhecer meu pai. 

Desbloqueio a tela de meu celular e fecho o pequeno espaço das teclas. Coloco o pequeno aparelho no bolso da calça e vou em direção ao banheiro, portanto em um dos corredores eu o encontro. O rapaz negro, no qual ficou meu melhor amigo.

Através de Niall, em que conversei naquela manhã antes da primeira aula, Horan não parava de falar em nenhum momento sobre a noite da festa. Falava com tanta empolgação como se tivesse tido uma noite de princesa. Era muito bom vê-lo naquela maneira, porém ainda estava magoada, mas ao mesmo tempo feliz pelo meu amigo, pois para mim a confiança é a base de tudo. Enfim, descobri o nome do rapaz em que Niall ficou. Ele se chama David, David Awolowo. Um transferido do penúltimo ano, por conta do pai ser militar, pois antes ele antes morava e nasceu na África do sul.  

Sei de tudo, pois Niall me contou.

Não queria magoar meu amigo. Não queria que ele ficasse triste. Apenas queria o bem dele, e queria que ele conhecesse alguém que o valoriza de todas as maneiras possíveis, apesar dos defeitos – que era muitos por sinal.

Queria muito saber quais eram os planos de David para Niall. Quais eram os verdadeiros instinto dele ao meu amigo? Qual chance de ele magoar meu amigo? Eu queria respostas para as minhas perguntas. Por conta desse pensamento me incomodando, vou até ele.

 David, estava no armário pegando a algum livro. Ele mesmo, ao perceber a minha aproximação, começou a arrumar as coisas rapidamente. 

Ele fecha o armário e se assusta comigo.

— Oi. — Ele diz um pouco tímido. Apenas assentiu e se virou caminhando, mas comecei a andar ao lado dele. — Aconteceu alguma coisa?

— Na verdade. — Sorri sarcástica, no qual ele começou a se assustar comigo. Até que acabou batendo as costas em alguns armários. — Eu gostaria de saber qual seus planos para meu amigo? — Pergunto e David fica um pouco confuso.

— Desculpe, o quê?

— Você me entendeu não se faz de idiota. — Digo, cínica. — Quais são seus planos? O que pretende fazer para Niall? Qual são seus instintos para ele? — Faço mais perguntas e David fica mais assustado, então me aproximo, o intimidando-o. — Não quero que machuque meu amigo.

O sinal toca e olho para os lados.

Ao olhar para a porta da quadra, sendo aberta vejo Liam e a Niall no corredor. Niall ficava olhando para os lados, então acaba olhando para David e eu, parecia curioso e confuso. Volto meu olhar a David, e sai-o perto dele, indo para a minha aula. 

***** 

Quando as aulas terminaram, não perdi tempo e corri ao trabalho. Tudo estava acontecendo normalmente, varria, lavava a louça, ajudava alguém na comida e qualquer coisa desde então. E, por incrível que pareça, aos poucos começava e me familiar com o pessoal da cozinha.

Estava arrumando os vinhos que tinha num quartinho dos fundos, organizando por datas, quando a porta é aberta e Louis me aparece com aquele uniforme de garçom. Ele deve trabalhar para pagar a faculdade ou guardar dinheiro para alguma ocasião especial. Por que ele trabalhava no restaurante?

— Oi. — Diz, indo pegar uma garrafa de vinho. — Posso dar uma dica? Organiza às bebidas por diferentes tipos de vinho. Facilita um pouco meu trabalho. E depois, coloca alguns na geladeira. Esse restaurante precisa de um frízer para colocar as bebidas não um pequeno armário.

Apenas assinto e volto a limpar uma estante suja.

— Louis, mesa 7! — Alguém, grita.

— Já vou. — Ele grita de volta e ficamos em silêncio, por um tempo. — Deixa isso quieto não precisa fazer isso. Quem te deu esse trabalho?

— Robert. — Digo, sem olhar para ele.

Robert é praticamente o chefe e também quem me acusou das pichações.

Era um pouco estranho estar num mesmo ambiente que uma pessoa, quando se tem algumas informações do próprio, mas que não foram ditas por ele. Sei que era bobo ou qualquer coisa do tipo pensar daquela maneira, mas aquilo me deixava um pouco sem graça. Charlotte, a irmã de Louis, falava bastante e não se incomodava. Apenas falava.

— Deixa isso quieto. Eu falo com ele depois. — Deixo de limpar e me viro a ele, estendendo o pano. Louis sorriu de lado e pegou o pano de minhas mãos, senti um pouco do toque dele um pouco em minha pele. — Ajuda Margot a cortar os legumes, os pratos estão aumentando então lava as louças. Depois, que talvez tudo terminar, você, Margot, Christian e eu vamos limpar as mesas e os pratos sujos que sobrar. Está tudo bem para você? — Apenas assinto, inquieta. Suspiro levemente. — Charlotte me disse que te convidou para uma festa em minha casa, pois me contou que a encontrou no supermercado do centro.

Sorri com tal lembrança.

— Sim, me lembro. Não vou poder ir. — Sei lá, não acho que seria legal contar que meu pai não me deixou ir, pois não os conheciam. — Mas, foi muito legal da parte dela. Conversamos um pouco. Ela me contou que você faz faculdade de ciências biológicas de Universidade de Sidney. Parabéns! 

Louis sorri de canto.

— Hum. Não foi minha primeira faculdade. — Suspira fundo. — Não é fácil escolher um curso, as vezes a primeira opção que faz pode não o seu verdadeiro sonho. —  Louis diz ficando um pouco desanimado de repente. O que foi aquilo? —  Eu preciso ir. —  Estava quase se retirando quando volta a gritar. —  Ajuda Margot com os legumes.  

Respondo-o com um “sim, capitão” e aquilo o fez rir.  

Saio do pequeno quarto indo me encontrar com a colega, Margot. Ela sorri com minha aproximação e peguei as cebolinhas e uma grande faca, cortando-os. Em seguida, fiz a mesma coisa com a cenoura no formato de corte Batton, a pedido de minha colega, que estava pegando uma panela.

— Caroline Henderson! — Um dos garçons grita meu nome.

Fico confusa.

Louis, me aparece depois, assustado.

Encaro-o confusa a espera de uma nova ordem, mas ele não me deu, apenas fez um pequeno sinal para segui-lo. Fiquei confusa, mas deixei minha colega trabalhando sozinha e fui até Louis. Tomlinson parecia incomodado com algo, cruzando os braços.

— O que foi? — Pergunto. — Aconteceu alguma coisa?

Louis se aproxima mais de mim querendo sussurrar em meus ouvidos. Fiquei um pouco vermelha um pouco com aquela aproximação, principalmente, quando se é uma pessoa que não conheço tanto assim. Fico um pouco tensa no mesmo instante, tentando ignorar o comportamento de meu corpo.

— Tem um rapaz louco lá fora querendo conversar com você. — Diz e o encaro, confusa.

— O que?!

A porta é aberta brutalmente e me assusto.

Arregalo os olhos surpresa com a presença dele no local. Niall me olhava com muita fúria.

—  Você — Apontou para mim.  Minha respiração fica tensa na hora, pois ele além de furioso estava gritando, aonde conseguiu chamar atenção de algumas pessoas. — Como você ousa!?

Fico vermelha de vergonha, pensando em tentar acalmar a situação.

— Niall, por favor! — Falo baixo tentando não encarar a meus colegas.

— Não acredito que falou aquelas coisas para David. Você não tinha esse direito, Henderson! Ele chegou até mim, apavorado e sem saber o que fazer, por que a minha melhor amiga simplesmente falou coisas completamente absurdas para ele. 

— Cara, por favor você... — Louis tentou acalmar, tocando em Niall.

— Não toca em mim! — E apontou ao rosto de Louis — Minha briga não é com você então não se intrometa aonde não é chamado. — Volta-se a mim. — Por quê? Por que fez aquilo? Falar aquelas coisas para ele? Gostaria que fizesse a mesma coisa com você? — Aquelas palavras começaram a mexer comigo, profundamente, e sem pensar e perceber só depois estava começando a chorar, pois pequenas lágrimas começaram a escorregar em meu rosto. — Gostaria? NÃO, eu tenho certo de que a resposta é não!

 — Chega! — Louis grita. Niall olha para ele, furioso.

— Eu sou amigo dela. Você não sabe quem realmente é essa garota. — Grita, e não aguentei. Abaixei meu olhar, impedindo-me de olhar para qualquer pessoa.

Eu me sentia completamente humilhada!

— Eu não me interesso quem você é, ou o que você faz. — Louis grita de volta. — Ela é uma de minhas funcionárias, e não admito esse tipo de comportamento com ela. Se for para entrar aqui, fazer escanda-lo e humilhar a qualquer pessoa que seja, retira-se nesse exato momento! Não admito esse tipo de comportamento. — Louis tentava me defender. — E se diz como amigo, por que faria esse tipo de coisas com ela? 

— Você não a conhece. — Niall e Louis se aproximam um do outro.

— Se não se retirar do restaurante, vai ser retirado à força! — Louis diz, ameaçador.

O modo de como aqueles dois se olhavam, me incomodava.

Niall Horan no mesmo instante volta-se a mim.

Não fui capaz de olhar para ele. Não depois de ter sido humilhada.  Não sei o que exatamente aconteceu, mas ele me olhou de baixo para cima, parecia que sentia nojo de mim naquele momento.  

— Eu só queria protegê-lo. — Digo tossindo descontroladamente.

— Me proteger? Me proteger? Fala a garota que não sabe se próprio defender, ou até mesmo aceitar a morte de George. — Encaro a Niall, incrédula. Como ele ousa falar aquele nome? — Fica longe de David! Fica longe de mim!

Niall olha a Louis, furiosamente e depois para mim. Em seguida, se retira.

Não aguentei e comecei a chorar mais, não me importando muito com algumas pessoas. Sentia-me péssima, Horrível, chateada, magoada e humilhada. Não podia estava acreditando que aquilo tinha acontecido. Justamente, Niall Horan.

Sinto o contato de uma pele sobre a minha. Dois braços passando em meu corpo e começo a ouvir um pouco do batimento cardíaco da pessoa. Não importava muito naquele momento quem era, pois estava péssima o suficiente. Não apenas naquele dia. Não era um dia, dois, cinco, sete dias que tudo estava indo de água abaixo. Estava péssima de todos os modos possíveis quase todos os dias.

Pessoas me chateando, mentindo, magoando, humilhando e me provocando. Era muitas coisas ao mesmo tempo, e não estava conseguindo dar conta do controle de meus próprios pensamentos, que pareciam me dominar por completo. O medo me dominava, a saudade e o sentimento de traição se formando aos poucos, tornando-se tudo uma plena amargura de tudo que estava acontecendo comigo aos poucos.  Eu não estava dando conta. Era muita pressão e estresse.

— Vai ficar tudo bem. — Era a voz de Louis. Ele tinha me abraçado.

O abraço de Louis era quente e confortável.

— Vai ficar tudo bem. — Repente, e ele encosta o queixo em meu cabelo, pois era um pouco mais alto que eu.

— Não, nada vai ficar tudo bem. Nada é como era antes. Louis você não sabe o que eu passo.

— Todos nós temos problemas, Carol. — Ele diz. — Não é gente?

Por um momento tinha me esquecido do resto das pessoas ali na cozinha. Todos, naquele momento, começaram a dizer “sim” quase ao mesmo tempo e aquilo me animou apenas um pouco, muito pouco. Sorri fraca para eles e me voltei a Tomlinson, pois ele estava tentando melhorar meu humor, mas também o meu estado, passando as mãos em meu rosto.

Não aguentei e voltei a abraçá-lo como forma de agradecimento.

— Muito obrigada, obrigada mesmo.

 

07.02.2012 – numa terça-feira.

O estresse e a mudança de meu comportamento pareciam diário. Queria me acalmar de qualquer modo possível, mas parecia cada vez mais impossível. As músicas não estavam adiantando, nem tomar um banho gelado, ler um livro, assistir serie ou filme. Nada estava adiantando, e aquilo estava me incomodando.

As palavras de Niall me machucaram tão profundamente que não consegui dormir naquela noite, remexendo-me sobre a cama. Consegui apenas me acalmar em um momento e dormir por poucas horas, tentando ao máximo esquecer a terrível humilhação no restaurante. E, naquela manhã, acordei suando e um pouco assustada, pois acabei sonhando com aquela cena.

Em menos de um mês muitas coisas aconteceram comigo, e minha vontade de fazer qualquer outra coisa foi substituído pela má disposição.

Naquele instante, estava sentada na carteira da sala, ouvindo aquele giz de cera tocando cada vez no quadro negro. O som estava me irritando, enquanto tentava escrever, mas nada saia. Não estava prestando atenção na aula, muito menos anotando alguma coisa. Meus pensamentos estavam em outro mundo e meu olhar para aquele giz irritante.

O sinal toca e o alto barulho me incomoda, fazendo-me piscar várias vezes, voltando-me a minha realidade.

Meus colegas começam a arrumar os materiais para a próxima aula, faço a mesma coisa em questão de segundos. 

— Não se esqueçam da tarefa de amanhã, pessoal! Vocês vão apresentar aqui na frente, estejam preparados. — O professor diz, mas ninguém prestou tanta atenção. Apenas o pessoal nerd que se sentava nas primeiras carteiras.

Me despedi do professor e de meus colegas, retirando-me da sala.

E lá eles estavam. Do outro lado do campo da escola, sentados juntos no banco, Niall e David. Pareciam felizes, tocando um no outro e o que parecia ser tendo uma conversa divertida, pois estavam rindo. Aquela cena apenas piorou um pouco a minha situação, me sentindo pior ainda, como se tivesse feito a coisa mais absurda do mundo.

Eu errei e teria de tomar as consequências do meu ato.

Niall percebe que estava o encarando e desmancha o sorriso, pega a mão de David e se retira para longe de minha visão. Ah, não! Ele estava fazendo aquilo comigo!

Eu queria chorar, chorar muito, mas do que foi na noite anterior. Chorei tanto, que achava não ter mais lágrimas.

Tudo que me aconteceu naqueles dias, desde a morte de George, estava quase me levando a uma pequena decisão, no qual achava que não era das melhores atitudes. Mesmo assim, queria parar de sentir dores, queria tirar o sentimento de amargura, da tristeza, da solidão.

George me deixou. Meu pai mentiu para mim. Niall não confiava em mim, e estava passando a me ignorar. E ainda tinha ela, que me deixou. Também estava num trabalho que nem queria estar e ainda machucada por conta de uns malditos moleques que quase me mataram. Tem gente que sofre mais que eu.

Eu estava triste, magoada, péssima e fraca. E, ninguém, absolutamente, ninguém conseguia reparar aquilo.

VAI AO INFERNO! AS PESSOAS E O MUNDO!

O MUNDO É UMA DROGA! AS PESSOAS SÃO UMA DROGA!

As pessoas... As pessoas enxergam apenas o que querem enxergar.

Não, eu não podia fazer aquilo..., mas, queria. Era a uma das poucas coisas que passava em minha cabeça.

Eu não posso..., mas, queria. 

Você precisa tirar essa dor, Carol. Sim, mas não dessa maneira. Quer continuar com essa amargura? NÃO! Então, vai lá e conversa com ele. 

E lá, ele estava. Sentado embaixo da arquibancada do campo com mais duas pessoas.

Ele não era uma boa solução, mas tinha justamente o que eu queria.

Tem certeza, Carol? Deve ter outros modos. Fala com seu pai, ele deve saber o que fazer. Meu pai tinha coisas mais importantes para lidar, assim como eu ainda estava em luto também. Não posso dar mais problemas, do que já causei.

Um pouco decidida ando até ele.  

Zayn Malik percebe a minha aproximação, encarando-me curioso e confuso. Engulo um seco, pelo olhar dele. Ele mesmo se levanta e vem até mim, respiro fundo tentando ir tomar tal atitude. Não é uma boa. Não é uma boa.

— O que foi, Henderson? — Pergunta, colocando as mãos no bolso da calca jeans.

Respiro fundo, tentando me controlar, sem ao menos olhar para ele. Olho para Malik, que estava querendo a minha resposta levantando uma das sobrancelhas. Finalmente, pergunto:

— Você tem maconha? 

 


Notas Finais


E ai? Tudo bom vom voces?
Estão gostando da fic? Amando? Odiando? Nao deixem de fazer um simples comentario!

— Playlist da fic: https://open.spotify.com/playlist/4qnNT6SAhESPiS5JG3nvyi?si=dasqYvY0StG4WSqWJ5_Ykw
— Onde voce tambem pode me encontrar: https://twitter.com/Jupiterholmess (podem me chamar para conversar la, se quixerem)


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