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História Último desejo - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Pimentão


Fanfic / Fanfiction Último desejo - Capítulo 5 - Pimentão

Jooheon POV

5 dias depois

Ter esclarecido a situação atual para Kihyun não foi uma sábia decisão, tornando-se mais um dos diversos fatores que contribuem com seu estresse. Seu chefe e todas as pessoas das quais teve contato nos últimos anos — inclusive Sra. Chae — foram cúmplices de Hyungwon e aceitaram esconder seu relacionamento como se não possuísse direito de saber.

Quando chegou de viagem, Jooheon voltou a trabalhar no dia seguinte e a persuasão o ajudou a convencer o chefe de aumentar sua carga horária por um curto período de tempo. Ele soube desde o início o quanto a atitude era errada, porém sua saúde mental necessitava daquela distância.

O loiro passou a entrar no trabalho mais cedo e ser dispensado uma hora após o turno habitual, utilizando o tempo livre na empresa para adiantar os relatórios da próxima semana. O cansaço permitiu ignorar seu amigo e desviar das conversas que ele propunha, no entanto, era preciso tomar uma decisão.

Aquela é a quarta noite que utiliza o maior trajeto ao sair do trabalho, sem pressa para chegar em casa. Eram 22:00h, o silêncio ao redor indicava que grande parte da vizinhança já se aquece em seus respectivos lares, com exceção ao garoto parado em frente à porta principal, indeciso se deveria ou não entrar.

Passaram-se dez minutos, latidos ao oeste chegaram aos seus ouvidos através da brisa fria. Com medo de adoecer, retirou as chaves do bolso para adentrar o local. O silêncio voltou a acompanhá-lo e a única fonte de luz se concentra no quarto. Ele cruza a sala no escuro e pressiona o interruptor da cozinha. Mesmo sem fome, decide aquecer a comida da geladeira e forçar a ingestão do alimento, preocupado em manter ao menos a saúde física.

A louça foi lavada sem pressa e Jooheon manteve a atenção o tempo todo na porta entreaberta do quarto. Ainda que não queira adentrar o cômodo seu corpo implorava por um banho e esse fator deu-lhe forças para colocar o prato no escorredor e seguir até o local.

Por causa da beliche localizada perto da entrada é impossível não notar o corpo encolhido sob dois grossos cobertores de lã. O loiro desviou o olhar e avançou até o banheiro, depois de retirar um pijama limpo do guarda-roupa. A água quente aflorou seus pensamentos e mesmo relutante, decidiu dar um fim naquela situação.

Após sair do banho e estender a toalha úmida no varal de chão, ele voltou para o quarto. Encarar o garoto adormecido, de costas para si, traz uma sensação estranha, como se não o conhecesse, embora esteja ao seu lado por anos.

— Chae. — chamou, ignorando a vontade de deixá-lo dormir. — Hyungwon, acorde.

Os fios ruivos se moveram sobre a fronha, logo em seguida o rosto virou para encará-lo.

— O que houve? — ao se sentar, Hyungwon engoliu o próprio resmungo por quase bater a cabeça no teto.

— Podemos conversar? — pediu, ainda de pé.

— Sobre?

— Eu vou embora.

A frase surtiu efeito instantâneo no garoto que abriu melhor os olhos, antes semicerrados, e se ajeitou na cama.

— Como assim embora, Jooheon?

Um longo suspiro escapou de seus lábios à medida que junta coragem para continuar.

— Vou alugar uma quitinete ou, sei lá, ir para a casa dos meus pais. Acredito que seja melhor para nós dois.

— Há quanto tempo pensa nisso?

— A ideia surgiu hoje, literalmente quando cruzei a avenida. — esclareceu — Eu não consigo mais, Hyungwon. Não sinto vontade de voltar para casa mesmo que seja insuportável ficar o dia inteiro na empresa.

— Você quer terminar nossa amizade? — ele desceu a escada e se sentou na cama de baixo. Só então percebeu seus cobertores ali, pela primeira vez estendidos sobre a superfície macia.

— Sinceramente? Eu não sei. Parece que caminhamos sem rumo o tempo todo, é por essa razão que te acordei.

— Senta. — Hyungwon gesticulou ao bater na cama. Mesmo receoso, aceitou.

Ao seu lado, se manteve em silêncio. Há tempos desde a última vez que estiveram tão próximos e ao observar sua expressão cansada, pôde notar várias manchas escuras sob os olhos e o quanto seu amigo também estava sofrendo perante a situação.

A ardência surgiu em segundos, repentina a ponto de não controlar os pequenos brotos de lágrimas. As pálpebras se apertaram com força e permitiram que o líquido escorresse. Ele não soube se expressar em palavras, na verdade é a ausência da coragem que o impede de engolir o orgulho e esclarecer seus sentimentos. A raiva abandonou seu peito há muito tempo, sendo substituída pela dolorosa saudade que acompanha seus passos como uma sombra.

Hyungwon o surpreendeu ao se aproximar e envolvê-lo no conforto de seus braços, intensificando ainda mais as lágrimas que desciam sem trégua. Retribuiu o gesto ao apertar as costas largas com toda a força restante, desejando sair daquele pesadelo. Ambos permaneceram na mesma posição por longos minutos, ignorando a camisa completamente molhada do mais velho.

— Honey. — o ruivo se afastou o suficiente para encará-lo, também há lágrimas sobre suas bochechas. — Nós podemos resolver de outra maneira.

— Me diga qual! — implorou com a voz embargada — Por favor, eu perdi o controle e não sei o que fazer.

Hyungwon o abraçou pela segunda vez e esticou o braço a fim de alcançar o interruptor para desligar a luz. No escuro, Jooheon sente o próprio corpo ser puxado aos poucos. Confuso, ele demora até entender a intenção alheia, que o induz a deitar ao seu lado. Não pôde negar o quanto aquele gesto mexeu consigo e não pensou duas vezes antes de afundar o rosto na curvatura do pescoço dele, engolindo os soluços que anunciavam uma próxima crise de choro.

— Libere essa angústia primeiro. — a frase de Hyungwon o atingiu em cheio, incentivando-o a apertar o corpo com mais intensidade.

— Eu senti tanto a sua falta. — declarou, não suportando guardar aquele sentimento no peito — Eu te odiei por ter tomado atitudes idiotas, mas olhe para mim. — deu uma pausa. — Meu orgulho não é tão diferente.

— Vamos conversar amanhã, certo? É domingo, você não trabalha. — ele ergueu a mão até às mechas douradas e iniciou um leve carinho. — Eu te ouvirei, mas também quero que me escute.

Jooheon apenas assentiu em silêncio, se aconchegando melhor. Logo os cobertores foram erguidos até cobrirem os dois e aos poucos adormeceram.

•••

Foi a primeira vez que se deparou com a cama vazia ao despertar, a porta entreaberta do quarto permite que o aroma forte do café se espalhe por todo o ambiente. Jooheon sentou na cama, tomando cuidado para não bater a cabeça. Ele optou por lavar o rosto e usar o banheiro antes de sair, livrando-se de qualquer indício de sono. Seus olhos ainda ardem e continuam inchados pela quantidade que havia chorado na noite anterior, porém pôde sentir uma leveza no coração.

Ao abrir a porta, ele desvia da sala e avança até o cômodo ao lado, conseguindo observar de forma nítida o amigo retirar a jarra da cafeteira e mover o líquido para a garrafa metálica.

— Bom dia. — desejou tímido ao sentar diante à mesa.

— Bom dia. — Hyungwon exibiu um sorriso fraco, mas não desviou o olhar, completamente concentrado no que fazia.

Ao terminar, ele trouxe consigo a garrafa e duas xícaras. Jooheon agradeceu e o esperou se servir primeiro, logo puxando o pote de açúcar.

— Você dormiu bem? — ele emendou, finalmente erguendo o olhar para encará-lo. Suas olheiras, embora mais suaves, continuam presentes.

— Um pouco e você?

— Melhor do que antes.

Ainda que sua mente continuasse repleta por pensamentos incessantes, eles começaram a beber e permitiram que o silêncio retornasse ao local. Jooheon quis voltar para o assunto da noite anterior, mas o medo de estragar a tranquilidade daquele momento o fez somente encarar um ponto fixo no centro da mesa por alguns segundos.

— Seu café vai esfriar. — Hyungwon chamou sua atenção com um sorriso cansado no rosto. — O que te incomoda?

Não soube como resumir e encarou o ruivo como se o amigo possuísse o dom telepático.

— Muitas perguntas.

— Me diga, irei me esforçar para responder.

Não escondeu o quanto aquela proposta o atiçou, então aproveitou a onda de coragem para se livrar da primeira dúvida que impregna seus pensamentos há dias.

— Há quanto tempo nós… — gesticulou com a mão — Você sabe.

Hyungwon riu, soando quase como um suspiro.

— Um ano e nove meses, sem contar os seis que se passaram após sua saída do hospital.

— Entendi. — deu uma pausa, ingerindo a informação junto a três goles de café — É muito tempo.

— Sim. — ele assentiu — Temos muitas memórias.

— Pode me contar? — pediu no automático, logo refletindo melhor — Quer dizer, talvez não seja confortável para você.

— Não se preocupe, Honey. Eu tenho nossos objetos guardados, caso você queira ver.

Jooheon ponderou por um tempo. É uma boa ideia, no entanto encarar o desconhecido de certa forma o amedronta.

— Quais objetos? — tentou obter mais informações, confuso quando o viu se levantar e pegar as duas xícaras vazias da mesa.

— Vamos para o quarto. — ele pediu por fim.

— O que? Por quê? — sua voz trêmula exibe o nervosismo, ainda que não estivesse ciente do motivo.

— Honey. — Hyungwon chamou sua atenção — Eu só quero te mostrar algumas fotos, essas coisas. Somos amigos, eu não vou te agarrar do nada.

— Eu não pensei nisso. — riu sem graça, voltando a ficar sério ao ver a sobrancelha alheia erguida — Me desculpe, é tudo muito estranho.

— Confie em mim, não quero te decepcionar novamente.

Ao concordar, os dois adentraram o quarto. Jooheon sentou na própria cama e aguardou o garoto que seguiu em direção ao armário.

— Você guardou nossas coisas na sua gaveta de cuecas? — exclamou, indignado ao vê-lo retirar uma grande caixa do fundo dela.

— Eu deduzi que você nunca abriria.

Não conteve a risada, embora tenha sido genial aquela linha de raciocínio.

— Te explicarei conforme você veja. — ele avisa ao erguer o objeto, que aceitou e depositou sobre as coxas sem hesitar.

O ruivo sentou-se do outro lado e o pediu para abrir. Ao obedecer, encontrou um álbum, duas caixinhas aveludadas e diversos envelopes coloridos.

— São anéis? — supôs ao apontar para as caixas.

— Veja.

— Seu suspense não me acalma. — riu acanhado e pegou uma delas.

Do lado de dentro há duas correntes de prata, uma decorada por um pingente de trevo e a outra por uma lua.

— Nós compramos juntos no nosso primeiro e único aniversário. — explicou — Eu te presenteei com o pingente da lua e você me retribuiu com o trevo.

— É tão…

— Exagerado?

— Não! — o loiro se apressou a corrigir. — Eu gostei, principalmente da lua.

— Naquela época você desenvolveu um fascínio por planetas, estrelas e o próprio universo. Me lembro que seu papel de parede era um céu noturno.

O sorriso de Jooheon surgiu em meio à frase e mesmo que não se recorde, consegue imaginar a si mesmo preso a um vício temporário. Por fim, ele abriu a outra pequena caixa, deparando-se com um par de alianças que compartilham da mesma cor dos colares. Não há detalhes na superfície, porém são bonitas.

— Quem comprou?

— Você não era fã de surpresas e acredito que ainda não seja, nós compramos juntos. — ele riu ao comentar — Sem citar que seu rosto parecia um pimentão todas as vezes que eu te dava uma caixa de biscoitos daquelas caras.

— Os trufados?

Jooheon se surpreendeu ao vê-lo assentir, aqueles doces sempre foram seus preferidos.

— Você atingiu meu ponto fraco sem dó. — emendou.

— Eu sei.

Após ver o sorriso retomar ao rosto alheio, decidiu guardar os colares e anéis. Ele ignorou os envelopes e puxou o álbum, levemente receoso.

— São fotos nossas?

— A maioria sim.

O livro é composto por uma capa dura da cor vinho, no centro as iniciais de ambos se destacam em dourado. Com cuidado ele começou a folhear as páginas e se surpreendeu ao reconhecer algumas das fotografias, por terem sido tiradas antes dos anos que se esqueceu.

À medida que as imagens passam em frente aos seus olhos é possível sentir o próprio peito diminuir de tamanho. É nítido o quanto os dois pareciam felizes, como sempre foram, independente do lugar ou do relacionamento. Há sorrisos estampados no rosto de cada um enquanto se divertiam em parques, cinemas e museus. O carinho permanece e ao lado dele, o companheirismo.

— Nossa. — sobressaiu ao encontrar uma página diferente.

— Podemos parar, caso não se sinta confortável. — Hyungwon avisou ao olhar para a mesma direção.

Havia quatro fileiras expondo um contato mais íntimo — mãos entrelaçadas e selares —, Jooheon encarou a imagem do beijo. Apesar de ser estranho e surreal, o gesto não lhe causou repulsa.

— Como aconteceu?

— O momento da foto?

— Não, o nosso primeiro… — não teve coragem de finalizar a frase — Você sabe.

— Se lembra da sua visão? Aconteceu no shopping, quando você retirou o sorvete do meu rosto. — Hyungwon parece receoso ao falar — Eu reclamei do aperto desnecessário na minha bochecha.

O loiro o interrompeu por não conter a risada, logo erguendo o olhar a fim de encará-lo.

— Por que você está rindo? — ele arqueou a sobrancelha — Ficou dolorido por vários minutos, sabia?

— Então você me encarou com uma expressão brega e me beijou? — resolveu provocar.

— Na verdade sim, você me chamou de previsível e riu.

Ele tentou imaginar a cena e se esforçou para lembrar. No entanto, a mente não transmitiu nada além do que acabara de ouvir, como se fosse um filme clichê de romance.

— Eu me odeio por não conseguir recuperar essa lembrança. — suspirou, decidido a fechar o álbum e devolvê-lo para a caixa — Me desculpe.

— Não se culpe. — Hyungwon pegou o objeto de seu colo, depositando no espaço vazio da cama — Não temos controle, nunca será sua culpa.

— Você agiu errado ao esconder meu próprio passado, mas também sou egoísta por pensar que fui a única vítima. — declarou, recordando dos últimos meses — Agora eu sei o quanto é difícil, não consigo imaginar a dor de ser esquecido por alguém que amo.

— Não quero mentir de novo, Honey. Isso dói todos os dias, mas sua presença me fortalece.

— É difícil acreditar, não acho que seja saudável. — confessou, sobressaindo ao ter as mãos seguradas pelas dele.

— Doeu quando você acordou no hospital e me chamou de melhor amigo, mas a gratidão substituiu o choque inicial. — o ruivo apertou as mãos que segura, acariciando com o polegar — Eu poderia ter te perdido, mas não perdi. Você continuou ao meu lado, me confortou e nunca deixou de demonstrar seu amor.

Diante àquelas palavras, Jooheon jurou perder o dom da fala. Por alguns segundos se atreveu a observá-lo em silêncio e em meio ao cansaço do rosto magro, reconheceu um brilho que não via há muito tempo.

— Eu acredito, só não quero pensar na quantidade de vezes que te pedi para me abraçar durante à noite. É um hábito meu desde o início da nossa amizade, mas...

— Por causa dele eu criei forças para continuar, mesmo com os erros. — interrompeu — Você poderia ter se esquecido da minha existência, mas não esqueceu. E agradeço todos os dias por isso.

O loiro o puxou para um abraço — gesto aceito de forma instantânea — pois não soube como retribuir todas as declarações sem apertá-lo na mesma intensidade.

— Entendi que não posso ir embora. — confessou, rindo ao sentir as costas alheias vibrarem em suas mãos.

— Então fique, podemos decorar o quarto de novo.

Ele se afastou ao ouvir a frase e não conteve a vontade de encarar a caixa próxima aos dois.

— Não precisamos usar essas fotos, vamos criar novas memórias. — emenda ao também olhar para o objeto.

— Ou você pode me levar para reviver aqueles momentos. — propôs, se deparando com o semblante confuso em sua frente.

— Tudo bem.

— E então? Quando vamos?

— O quê? — Hyungwon se assustou, arrancando-lhe uma boa risada.

— Você tem uma semana restante de férias e eu adiantei relatórios suficientes para conseguir algumas folgas.

— Bom, nós podemos ir quando você quiser.

— Então eu ligarei para Kihyun hoje e vamos amanhã.

Ele apenas assentiu em silêncio.

— Preciso que me diga sua opinião, não quero trazer desconforto. — Jooheon chamou sua atenção.

— Eu gostei da ideia, Honey. Será uma ótima oportunidade.

— Mesmo?

— Sim. — ele ressaltou — Só me pegou de surpresa, depois de ontem cheguei a pensar que tivesse te perdido de verdade.

— Eu amo você, não é como se fosse possível me afastar por muito tempo. — admitiu, desviando o olhar.

— É engraçado ver isso de novo. — o ruivo sorriu.

— O que? Não minta! Eu disse que te amava no mês passado.

— Me refiro à sua timidez ao se declarar.

Por instinto ergueu o olhar, Hyungwon mantém o rosto sério, mas seus olhos nublados transmitem um sentimento profundo do qual não compreendeu.

— É difícil não ter vergonha quando acabei de olhar nossas fotos e… — parou ao ver o garoto avançar alguns centímetros em sua direção — Você não vai me beijar, vai?

— Somos amigos, Honey. Por que eu faria isso?

Jooheon frisou o cenho ao reconhecer aquele tom de voz.

— Pare de zombar com a minha situação!

— Eu não fiz nada. — ele voltou a se aproximar, trazendo consigo o nervosismo.

— Então por que continua a me encarar?

Ao invés de responder, o ruivo se jogou para frente, dando início a uma sequência de cócegas nas laterais das costelas. Tentou afastá-lo, mas não conseguiu.

— Pare com essa… — deu uma pausa para rir — merda!

Demorou até ser obedecido, porém Hyungwon permaneceu no mesmo lugar, o impedindo de se mover. Por causa da proximidade é possível sentir a respiração alheia no final do queixo.

— Sua expressão é idêntica aos personagens de filmes clichês. — brincou a fim de amenizar o próprio nervoso.

— A sua parece o pimentão que compramos no mercado mês passado.

— Por que você é assim? — fechou os olhos ao soltar uma risada, encontrando-o mais próximo quando abriu novamente — É, você vai mesmo me beijar. — afirmou.

— Eu posso? — a pergunta saiu em um sussurro — Você quer?

Jooheon umedeceu os lábios em relance e se arrependeu por deixá-los tão sensíveis a ponto da respiração alheia ser o bastante para arrepiá-lo.

— Eu senti saudades da sua timidez. — Hyungwon selou a ponta de seu nariz, o assustando — Parece que nós nos conhecemos hoje.

— Pare de me torturar, faça logo. — pediu e fechou os olhos com força.

O coração dentro do peito bate de forma frenética e por ter o torso alheio rente ao seu, pôde sentir o dele da mesma forma.

— Fazer o quê?

— Pelo amor de Deus, Hyungwon! Por que raios você é assim? — Jooheon o impediu de rir e deu fim na mísera distância entre os dois.

— Então você quer mesmo me beijar. — ele se afastou apenas para provocá-lo ainda mais.

— Pare de falar por um momento. — suplicou.

Em um gesto rápido, o ruivo o surpreende ao beijá-lo de novo. Mas diferente de antes, pôde sentir a língua pedir passagem e, mesmo tímido, aceitou.

Seus lábios macios junto aos movimentos calmos são os fatores que contribuem com o aumento de borboletas no estômago. Não demorou até sentir um leve carinho na lateral do rosto e aos poucos os dedos se afundaram entre as mechas loiras em busca de puxá-lo ao seu encontro. Se afastou o mínimo para que pudesse sentar na cama e ao fazê-lo, voltaram a se unir.

Jooheon não soube retratar o emaranhado de sentimentos que envolvem seu coração, impedindo-o de sair pela boca. Ao ver as fotos daquele álbum e descobrir detalhes sobre o relacionamento que tivera com o melhor amigo, uma pequena chama acendeu no fundo de suas entranhas, o início de um desejo que não pôde esconder de si mesmo. E ali estava ele, provando da saliva alheia enquanto tem os próprios lábios sugados pelos do outro. A mente em branco que não o permite se concentrar em nada além da forma que o ruivo procura sua mão e entrelaça os dedos nos seus, gesto suficiente para aquecê-lo por dentro.

Quando se separaram, os pulmões agradeceram em silêncio a volta do oxigênio. Jooheon teve a necessidade de puxá-lo para um abraço, buscando normalizar a frequência cardíaca.

— Meu coração quer sair pela boca. — riu ao avisar.

— Espero que não, como vamos colocá-lo no lugar?

— Por que seu senso de humor aumentou tanto?

Hyungwon deu de ombros e o apertou mais em seus braços.

— Talvez seja a felicidade por ter você de volta.

— Mesmo incompleto? — o loiro não quis quebrar o clima, porém não conseguiu evitar o comentário.

— Não diga essas bobagens. — ele o afastou — Você não é incompleto.

— Eu gostei de te beijar, mas não posso esconder o quanto desejo me lembrar de...

— Não continue. — o interrompeu — Vamos reviver cada momento de novo!

— Parece tedioso me levar para um lugar que já fomos.

— Ei. — Hyungwon separou as mãos entrelaçadas a fim de segurar o rosto alheio, que naquele momento formou um pequeno bico. — Cada momento ao seu lado é único, não importa para qual local iremos. Eu quero criar memórias novas com você, isso não é uma obrigação.

— Mesmo se eu nunca me lembrar das memórias antigas? — perguntou, contendo a risada ao ouvir a própria voz soar estranha por ter as bochechas amassadas daquela forma.

— Nós dois sabemos que não temos controle, então vamos aproveitar o dia de hoje.

Jooheon assentiu, mexendo os próprios lábios. Não demorou até receber um pequeno beijo.

— Você é um adorável peixinho. — ele emendou, o apertando pela última vez antes de liberar suas bochechas.

— Eu não imaginei que você fosse tão meloso. — o loiro resmungou, acariciando o próprio rosto dolorido. — Vou ligar para Kihyun, podemos sair hoje.

— Ou eu posso ler as cartas que trocamos no ápice do nosso amor.

Jooheon enrugou o nariz e se levantou.

— Pare de falar assim, é vergonhoso.

— Reclama porque ainda não viu o que você mesmo escreveu. — ele provocou. — Eu sei uma de cor, escute. Meu querido Hyungwon…

O loiro o interrompeu ao subir em seu corpo e empurrá-lo. Naquele momento, encontrou uma ótima oportunidade, não apenas para dar o troco de todas as cócegas que recebeu mais cedo, mas de recomeçar.

E nunca é tarde para um recomeço.


Notas Finais


Demorou um pouco, mas chegou! Essa história é apenas um clichezinho que morri de amores ao escrever. Espero que tenham se divertido! Se cuidem bem. 💙💜


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