História Ultravioleta - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Personagens Originais
Tags Assassinato, Flex!jungkook, Flex!taehyung, Flex!v, Investigação, Long-fic, Morte, Policial, Romance, Segunda Temporada, Serial Killer, Suspense, Taekook, Violencia, Vkook, Yaoi
Visualizações 240
Palavras 3.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Policial, Romance e Novela, Slash, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá Armys 💫
Demorei quinhentos milhões de anos? Demorei. Mas o importante é que eu voltei!
Eu ando estudando muito, mas não vou dar desculpas: Procrastinei muito também.

Bom, espero que gostem do capítulo 😘

Capítulo 5 - O filho pródigo


Fanfic / Fanfiction Ultravioleta - Capítulo 5 - O filho pródigo


Aqueles portões gradeados e brancos, como a entrada de um castelo, não me surpreendiam mais como há anos surpreenderam. Eu sabia que por trás deles não havia nenhum conto de fadas, mas histórias macabras de uma família decadente.

Sentia-me aliviado de ter saído com V da mansão Kim, palco das nossas primeiras experiências juntos. Não sabia bem o que eu fazia ali, o que exatamente esperava encontrar, mas com certeza não seria uma festa de boas vindas.

Eu ainda estava dentro do carro que havia alugado assim que cheguei na Coreia, apenas observando a casa e notando que tudo estava tranquilo. Pensava em dar meia volta e ir para um hotel por uns tempos, até o momento de voltar para a França, depois de V aprender a lição. Entretanto, avancei até o portão guarnecido, abrindo o vidro com Insulfilm para falar com o porteiro particular.

— Com licença, eu vim ver a Senhora Kim. — Falei, em coreano. Há tempos não falava a língua do meu país natal com outra pessoa se não V. O homem me observou com uma expressão séria.

— Seu nome, por gentileza. — Falou. Refleti por um momento se o mais sensato era dizer a verdade, ou dar o nome falso. Porém, se minha mãe soubesse que era eu, poderia decidir de uma vez por todas se queria ou não me ver. Caso não quisesse, eu simplesmente daria meia volta.

— Jeon Jungkook. — O homem não esboçou reação alguma, então inferi que não havia nenhuma ordem pré-estabelecida de que eu estava proibido de entrar naquela casa. Já era um começo.

Observei o homem ligar para o interior da mansão, falando baixo com a pessoa do outro lado. Podia imaginar perfeitamente Sun Hee mais velha, mas ainda linda, como sempre achei que fosse. Talvez agora usasse roupas luxuosas todo o tempo, depois de recusar tantas vezes no início. Minha mãe provavelmente ainda estaria apaixonante, apesar de ter me traído tão cruelmente há treze anos…

— O senhor poderia sair do carro e olhar para a câmera? — Franzi o cenho, estranhando um pouco o pedido, mas o obedecendo. Talvez ela quisesse ver como eu estava pela câmera, antes de me ver pessoalmente. Era certamente compreensível, já que eu havia mudado bastante do adolescente franzino para um homem adulto. — Os guardas irão revistar o carro, apenas como procedimento de segurança. — Assenti.

Não sabia se ela tinha receio de que eu cometesse algum atentado, mas a possibilidade era incômoda. Sun Hee tinha alguns motivos para temer, mas eu ainda era seu filho, apesar de eu não me sentir mais como tal.

Um detector de metais foi passado por meu corpo antes que minha entrada fosse liberada. Como de costume, os cascalhos brancos estalaram quando as rodas do carro os esmagaram. O exterior da casa não havia mudado nada, apesar de aparentemente ter passado por algumas poucas reformas apenas para manter sua boa aparência.

Como conhecia bem tudo ali, caminhei até o Hall de entrada, deparando-me com uma mulher, que aparentava ter cerca de quarenta anos, olhando-me curiosa. Seus cabelos eram longos e negros, os olhos inquisitivos e a pele impecável: Se eu não soubesse que minha mãe tinha cinquenta e cinco anos agora, iria confundí-la com a mulher a minha frente. A semelhança com a Sun Hee que eu conheci era indiscutível.

— Em que posso ajudar? — A mulher elegante sorriu minimamente, estudando-me com os olhos.

— Estou procurando a Senhora Kim…

— Desculpe, mas está falando com ela. — Sua expressão era genuinamente confusa, mas logo eu compreendi, não muito surpreso, o que havia acontecido: Sun Hee havia sido “substituída” por uma esposa mais jovem.

— Jeon Jungkook, pensei que nunca mais te veria nessa vida. Vejo que já conheceu minha esposa. — Do alto das escadas, uma versão mais velha de Dong Sun apareceu, com uma menina no colo. A atual Senhora Kim olhava de mim para o marido, aguardando que ele descesse as escadas.

Assim que se aproximou, com a garotinha nos braços, notei a semelhança desta com V, assim como Dong Sun se parecia com ambos. Os olhos castanhos eram inteligentes, como se ali não habitasse uma menina de cinco anos. Era genuinamente a irmã de V.

— Jungkook, porque não vamos conversar no meu escritório? — O homem grisalho sorriu de forma simpática, mas que me causava uma nostalgia amarga. Eu não me importava de fato com quantas crianças ele iria fazer sofrer ou quantas mulheres iria destruir com sua inconstância, orgulho e egocentrismo. Porém, pensar que V poderia me substituir assim que se enjoasse me deixava certamente aflito. Ainda não entendia bem o que o prendia a mim, mas tinha medo que desaparece de uma hora para a outra, assim como havia desaparecido nas ex-mulheres de Dong Sun.

— Mas, querido, ele disse que veio ver a mim. — A mulher sussurrou, mas eu pude distinguir suas palavras. Dong Sun a puxou gentilmente, para que pudessem conversar sem que eu ouvisse. A menina, que havia ficado perto de mim, onde o pai a deixara, me observava com a mesma curiosidade que a mãe anteriormente havia apresentado no olhar, mas também com um certo ar de fascínio.

Agachei-me perto dela, sorrindo. Duas longas tranças prendiam seus cabelos castanhos, com pequenos laços nas pontas, cor-de-rosa como suas roupas. Talvez, mesmo sendo um psicopata, Dong Sun lhe desse mais demonstrações de afeto do que jamais dera a Taehyung.

— Você é uma menina muito bonita. — Falei, gentilmente, vendo-a piscar os olhos algumas vezes, surpresa. Não esperava que um sorriso, que fazia seus olhos se transformarem em duas pequenas fendas, tomasse conta de seu rosto, revelando dentes pequenos e um pouco tortos.

— Você também é bonito. — Seu rosto corou adoravelmente. — Eu me chamo Taegeuk. Acha que poderia se casar comigo um dia, como um príncipe? — Depois de fazer a pergunta com sua voz infantil e esganiçada, olhou para os próprios pés, adornados com sapatilhas.

— Não sou bom o bastante para você, Taegeuk. — Ri, colocando-me de pé ao notar que os seus pais retornaram. A garotinha era audaciosa como V, mas tinha o mesmo olhar de fascínio que Taehyung me lançava.

— Vamos? — Dong Sun sorriu de canto, olhando de mim para a filha. Depois do que, seja lá o que for, que o marido havia lhe dito, a mãe de Taegeuk tinha um olhar impassível para mim e puxou a filha para longe. A menina acenou enquanto se afastava, sorrindo com os dentes pequenos. — Parece que meus filhos têm a tendência de se darem bem com você.

— É, parece que sim. — Mantive um tom de voz entediado. Apesar dos anos que se passaram, eu ainda sentia raiva pelas coisas que Dong Sun havia feito com os gêmeos na infância e, depois, com Taehyung nos anos em que só tinham um ao outro. Sem saber bem o porquê de ainda estar naquela casa, segui o homem pelas escadas que eu tão bem conhecia. A porta, antigamente pintada de preto agora era branca, agora era enfeitada com adesivos de flores substituindo os desenhos pornográficos de V.

Assim que Dong Sun abriu a porta do seu escritório, notei que um novo carpete branco havia sido colocado, substituindo o antigo onde eu, Taehyung e V havíamos feito sexo em frente a câmera de Dong Sun. O espelho de teto também continuava ali, sendo uma belíssima forma de abrir o espaço, mas também um indicativo do narcisismo patológico do dono do escritório.

— E então, notou o quanto o V é destrutivo e decidiu voltar para a sua mãe? — O homem sentou em sua cadeira giratória e acenou para que eu me sentasse na cadeira em frente à sua mesa. Em parte eu sabia que ele estava certo, porque de fato eu estava ali por causa da destrutividade de V. Porém, eu era forte o bastante para sobreviver à ela.

— Eu já notei o quanto V pode ser destrutivo há treze anos. — Sorri de canto, colocando uma perna sobre a outra e pegando uma caneta sobre sua mesa, apenas para girá-la nos dedos em um hábito compulsivo. Sentia-me de volta no consultório da psicóloga. O homem inclinou levemente a cabeça, com uma expressão desdenhosa.

— Então o que exatamente você veio fazer em uma parte do mundo que já o esquecia? As coisas mudaram, Jungkook. E, talvez, você preferiria estar com a ilusão de que tudo ainda continuava como você deixou. — Dong Sun tinha a mesma energia hipnótica de V, com um charme inabalável, assim como sua confiança em si mesmo.

— Isso é bem simples: Eu não gosto de ilusões. Prefiro a realidade, por mais que ela pareça um monte de merda. — Dei de ombros, observando o homem estreitar os olhos.

— Você está mentindo, mas vou supor que é verdade…

— Vim aqui atrás da minha mãe, mas ela foi substituída. Você a matou? — Cortei sua fala para ir direto ao que me interessava. Mantinha minha expressão impassível, pois sabia que Dong Sun, com os anos de experiência em manipular e ler as pessoas, conseguiria tirar tudo o que precisava de uma expressão abalada. Ele riu.

— Eu não precisei. Ela se auto destruiu como uma máquina com prazo de validade. Mas, se quiser ver seus restos, ela está na casa em que vocês moravam. Acho que aquela mulher teimosa nunca quis ter saído de lá. — Dong Sun se inclinou para frente na última frase, piscando um dos olhos.

— Acho que já sei o suficiente, obrigado. — Levantei-me, fazendo uma pequena reverência desdenhosa e esperando que o homem me guiasse para a saída. Entretanto, ele me olhou de cima a baixo, sem mover mais nenhum músculo de seu corpo.

— Eu entendo perfeitamente o porquê de ele ter escolhido a você. Já tinha notado há anos, mas agora você me relembrou. — Dong Sun balançou a cabeça negativamente. — Era um garoto atrevido e, aparentemente, isso não mudou. — Meus lábios se contraíram.

— Ficaria agradecido se encerrarmos por aqui.

— Sem formalidades. Você conhece a saída, Jungkook. — Ele deu de ombros e eu o fuzilei com os olhos. Se de fato existisse um inferno, gostaria que ele sofresse intensamente lá, pela eternidade. Dei-lhe as costas, mas, quando estava prestes a sair pela porta, escutei seu último “conselho”. — Tome cuidado com o V. Ele é mais esperto do que você imagina, eu garanto.

Não quis respondê-lo. Apenas o ignorei prontamente e atravessei o corredor com rapidez, sem me deter muito a olhar para as portas. Todos aqueles cômodos me traziam lembranças, nem todas ruins, mas que eu preferia deixar para trás.

Enquanto descia as escadas e atravessava o saguão da mansão, em direção à saída, não vi mais nenhum membro da nova família de Dong Sun. Porém, quando já estava no carro e me dirigia ao portão, notei, pelo espelho retrovisor, a garotinha me observar da janela de um dos quartos. Aquela era a janela do antigo quarto de V, que guardava muitos segredos em suas entranhas, muito mais do que aqueles olhos infantis poderiam imaginar.


***

Se eu pensava que a mansão de Dong Sun me causava nostalgia, a sensação de estar de frente para minha antiga casa em um bairro periférico e suburbano, onde passei metade da vida, era bem pior. A fachada de tinta meio descascada fazia eu me lembrar de coisas da infância, dos dias com meu irmão, das brincadeiras com Hoseok e, principalmente, de uma relação confortável e amável com minha mãe.

Era doce a época em que minhas maiores preocupações eram tirar boas notas e ajudar minha mãe com a casa. Porém, eu era incapaz de me imaginar viver bem hoje em dia com preocupações tão superficiais. Estar com V também significava ter mais problemas, mas era um pequeno preço a se pagar por um pouco de adrenalina.

Desci do carro alugado, deixando-o estacionado na porta. Nem mesmo sabia se minha mãe me deixaria entrar, então não valia a pena encontrar um estacionamento melhor. Além do mais, o porta-malas ainda estava cheio, porque eu ainda não tinha encontrado um hotel.

Assim que atravessei o jardim meio mal cuidado e cheguei à porta, hesitei por um momento. Não seria fácil vê-la, ainda mais agora que eu tinha certeza de que a veria, porque não haviam câmeras de segurança na pequena casa. Respirei fundo antes de bater, ajeitando meus cabelos com os dedos como se fosse chamá-la para um encontro.

Meu coração apertou quando a porta se abriu lentamente, mas, mais uma vez, foi o rosto de uma outra mulher, bem mais jovem do que minha mãe deveria estar, que apareceu na fresta.

— Em que posso ajudar? — A mulher resmungou, com certa impaciência, provavelmente pensando que eu era um vendedor ambulante ou algo do tipo. Somente seu rosto aparecia na porta, o que demonstrava insegurança.

— A Sun Hee mora nessa casa?

— Sim, senhor. Quem é você? — Aquela mulher parecia extremamente cautelosa. Era uma empregada, talvez? Não, minha mãe nunca deixaria que outra pessoa organizasse sua casa, porque era orgulhosa demais pra isso.

— Eu sou o filho dela. Ela está em casa? — A mulher ficou me encarando por uns instantes, parecendo refletir.

— Eu não tenho a autorização para lhe dizer. — Ela disse, simplista. Eu ergui as sobrancelhas, sabendo exatamente o que ela queria dizer um momento depois. V tinha razão quando falava sobre a natureza humana ser intrinsecamente desprezível, mas que algumas pessoas só lutavam mais que outras para não revelá-la. Puxei a carteira do bolso da calça, vendo os olhos gananciosos da mulher brilharem.

— Ela está em casa? — Repeti a pergunta, estendendo algumas notas, que ela pegou sem hesitar. Como imaginei.

— Sim, senhor. Entre. — Falou, como se nunca houvesse dito coisa diferente, e se afastou para que eu entrasse.

Depois de anos vivendo em apartamentos amplos, a minha antiga casa parecia muito mais estreita e escura do que eu me lembrava. Os quadros de estilo retrô, mas de um certo mal gosto preenchiam as paredes, em sua beleza vazia de significado. A TV da sala estava ligada em um reality show sensacionalista, mas minha mãe não estava lá.

— Então, onde ela está? — Girei na direção da mulher, que era consideravelmente mais baixa que eu.

— Está no quarto… mas, antes de ir, preciso dizer uma coisa. — Ela tinha uma expressão grave, que prendeu minha atenção. Estreitei os olhos e cruzei os braços, esperando que a mulher dissesse o que queria. — Precisa ser cuidadoso. Sua mãe está em um estado frágil e eu não quero perder meu emprego se ela surtar ou algo do tipo.

— Surtar? — Perguntei e ela baixou o tom de voz.

— Eu não sei bem o que aconteceu, mas desde que fui contratada para cuidar da Sun Hee, ela nunca disse uma palavra. Bom, pelo menos eu nunca a ouvi dizer. Ela vive em uma espécie de sonho sem fim, como se a realidade fosse pesada demais. — Apesar da mulher falar com cuidado, eu estagnei. Minha mãe estava tão doente assim? Agora eu entendia o que Dong Sun queria dizer com “se quiser ver os restos dela”.

— Eu só vou vê-la uma vez e talvez você nunca mais ouça falar de mim. — Falei em tom confiante, apesar de me sentir temeroso. A mulher assentiu e eu passei a subir os degraus da escada estreita, um a um, ainda me perguntando se minha mente estava preparada para aquela quebra de ilusões.

A porta do quarto estava entreaberta, revelando a leve luminosidade da tarde que invadia o recinto pela janela. Empurrei a porta com uma das mãos, devagar, deparando-me com uma mulher com os cabelos quase completamente brancos, mais do que sua idade permitia. Seu rosto estava voltado para a janela e, se eu não soubesse que aquela era minha mãe, nunca teria adivinhado por aquele ângulo. Suas roupas eram muito diferente das que ela costumava usar, estando estas um pouco largas e desmazeladas demais.

— Mamãe? — Sussurrei, caminhando pé ante pé. Ela não moveu um músculo sequer. Então, me aproximei mais, parando frente à ela. Seu rosto era marcado por alguns sulcos profundos, diferente das leves linhas de expressão que apareciam quando ela sorria, porque ela sorria muito. — Mãe, a senhora pode me ouvir?

Seu rosto voltou-se para mim. Eram os mesmo olhos, mas estes de agora eram tão vazios de sentimentos e emoções, que definitivamente minha mãe não estava lá. Puxei uma cadeira, colocando-me de frente para ela.

— A senhora parece péssima. Talvez eu não fosse o maior dos seus problemas, afinal de contas. — Sorri de canto, ainda sendo observado pelos olhos vazios. Eu queria que ela me ouvisse, porque eu tinha muito a falar e só havia notado isso agora. Mesmo que ela não estivesse ali, eu precisava dizer tudo que me vinha à cabeça. — Acho que não esperava me ver mais, não é? Eu também não estava planejando te ver, porque simplesmente já virei a página. E, se a senhora quer saber, estou muito bem. Eu tenho alguém que não precisa de mais ninguém além de mim, que passa por cima das pessoas para me proteger. Muito diferente da senhora.

Naquele momento, a mulher voltou o rosto para a janela, como se não estivesse interessada no que eu falava.

— Olha pra mim! — Meus olhos ardiam. Sun Hee voltou a olhar, por mais que aquilo não significasse nada. — Eu só precisava… que você amasse só a mim. Eu só amava você, eu vivia por você, mas você precisava de mais do que isso. Você se casou com aquele homem, porque eu não era o suficiente. Nunca me amou tanto quanto eu te amei! Eu não me interessava por ninguém, mãe, só por você. Eu fazia tudo para merecer o seu amor, para que ficássemos juntos. Por que a senhora precisava de mais, então? — O rosto da minha mãe se voltou para a janela, mas desta vez eu segurei seu queixo, fazendo-a olhar para mim. — Você não tem o direito de desviar os olhos do que você criou. A culpa é toda sua. A senhora me traiu de todas as maneiras possíveis e agora tem o que mereceu: morrer sozinha e louca.

— Onde está meu filho? — Ela sussurrou.

— Mamãe…?

Por um momento pensei que sua consciência poderia ter voltado, porque a cuidadora havia dito que ela não falava. Mas ao invés disso, seu olhar pareceu cada vez mais insano.

— Jungkook. Jungkook. Jungkook… — Meu nome foi repetido inúmeras vezes, como se de fato ela me procurasse na escuridão dos seus pensamentos, até que começou a gritar a plenos pulmões.

— Saia de perto dela! — Fui puxado para trás bruscamente, mas não precisava olhar para saber que quem me puxava era o meu irmão. Sun Hee ainda gritava descontroladamente quando a cuidadora passou por nós para tentar acalmá-la e Jin me empurrava para fora do quarto, fechando a porta atrás de si. — O que você está fazendo aqui?!

Olhei Jin de cima a baixo, ele parecia realmente irritado. Nós estávamos quase da mesma altura agora e também aparentávamos ter a mesma idade, apesar de ele ser cinco anos mais velho. Ele usava roupas de marca, então provavelmente vivia em uma boa condição financeira, deixando nossa mãe sozinha naquela casa com uma cuidadora.

— Como você pode voltar aqui depois de todos esse anos e gritar com uma mulher doente?! É muito mais maluco do que imaginei. — Os punhos de Jin estavam cerrados, preparados para me socar a qualquer momento. Apenas endireitei o corpo e sequei as lágrimas, olhando-o fixamente.

— Você devia pagar melhor a pessoa que cuida da nossa mãe. Talvez assim ela não aceite uma mixaria para deixar alguém como eu entrar. — Ri desdenhosamente, balançando a cabeça em um movimento negativo. — De qualquer forma, a mamãe teve o fim que mereceu…

Como imaginei, senti um soco ser desferido contra o meu rosto e o gosto metálico de sangue logo invadiu minha boca. Jin tinha uma expressão incrédula, colérica, respirando em um ritmo descompassado. Ele fingia que se importava com a minha mãe, enquanto tudo que fazia era pagar uma cuidadora para não colocá-la em um asilo de vez.

— Essa sua falsa moralidade é repugnante. — Passei as costas da mão na boca, limpando o sangue. — Como ganha dinheiro, hein? Você é fraco demais para ter crescido sozinho. O Dong Sun deve ter te ajudado, porque você só saiu da faculdade por causa do dinheiro dele!

— Eu saí da faculdade por causa disso, mas eu errei, ok? As pessoas erram, assumem e tentam mudar. Eu posso até ter crescido com a ajuda do Dong Sun, mas eu nunca neguei o meu erro e tento compensá-lo arrumando o estrago que você causou, seu desgraçado. — Jin havia se aproximado e batia o dedo no meu peito, com o rosto vermelho. Ele nunca tinha falado comigo daquele jeito antes. Se dizia uma boa pessoa, mas guardava rancor por todos aqueles anos por eu ter ido embora. — Então, Jungkook, porque nunca assume seus erros?

— Eu não errei. Eu fui embora e isso só diz respeito a mim. Não sei em que afeta a mamãe e muito menos em que te afeta.

— Você está brincando?! A Sun Hee ficou nesse estado por sua causa! Ela ficou tão preocupada que entrou em colapso, porque você desapareceu com um doente mental suspeito de assassinato! — Desta vez eu o atingi com um soco, fazendo-o cair para trás com um corte no supercílio.

— Cansei de ouvir suas baboseiras. A Sun Hee me traiu indo contar coisas para a polícia. Ela só colheu o que plantou. — Desviei de suas pernas quando passei pelo corredor, correndo em direção as escadas.

Jin não tentou vir atrás de mim e muito menos a minha mãe. Aquela visita não tinha acabado muito bem como eu imaginava, mas também não poderia esperar algo melhor. Agora eu definitivamente havia cortado laços com todos eles, deixando-os páginas atrás na minha história.

Enquanto me afastava da casa, vendo-a ficar pequena pelo espelho retrovisor uma última vez, notei que só havia uma pessoa a qual eu ainda mantinha laços além de V. Minha mãe estava praticamente em estado vegetativo, Jin me odiava e culpava por todas as coisas e Dong Sun havia simplesmente virado a página e a arrancado. Agora só me restava Hoseok.




Notas Finais


🐼

Um capítulo focado em mostrar o que houve com os personagens é clássico em segundas temporadas, não é mesmo?

Bom, o que me anima a postar são vocês, que gostam da história. Por mais que algumas pessoas digam que é péssima, tudo que eu posso fazer é refletir sobre isso e tentar sempre melhorar 🤷 Vou usar como combustível para ficar cada vez melhor 💫

Beijinhos 😘 e até o próximo, se minha procrastinação compulsiva permitir kkkk


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