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História Um alfa apaixonado - Capítulo 8


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Notas do Autor


Olha eu de novo aqui hoje, kkk.

Boa leitura!

Capítulo 8 - Nem sotaque ele tinha


Sasuke queria muito ver Sakura, porém não tinha tempo algum durante aquela semana. Na quarta-feira, Rin mandou email para a turma deles, querendo saber qual horário eles tinham disponível para que ela pudesse dar aulas extras durante a semana e tentar correr atrás do prejuízo de um mês. Como a maioria da turma não tinha aula nas quintas de manhã, ela decidiu pegar esse tempo.

— Que beleza. E ela já deve ter corrigido as nossas provas. Vai esfregar a humilhação na nossa cara amanhã. — Suigetsu comentou enquanto ele e Sasuke caminhavam de volta ao dormitório na quarta à noite. 

— Eu quero logo saber quanto tirei para começar a estudar pra próxima prova. — Sasuke chutou uma pedrinha na calçada. 

— Ela também já arrumou um monitor-assistente. — Suigetsu acrescentou quando lembrou do que conversara com os colegas da turma. 

— Queria que ele mandasse logo a bibliografia que ela vai usar durante o curso. Quero começar a ler o quanto antes. — Sasuke reclamou e parou no meio da caminhada. Suigetsu parou confuso. 

Estavam na frente da sorveteria que Sakura trabalhava. Pela vitrine, ele pôde vê-la limpando uma das mesas, usando uniforme e parecendo cantarolar animada a música que provavelmente estava tocando no interior. 

— E lá vamos nós. — Suigetsu riu. 

— Pode ir na frente, vou daqui a pouco. — Sasuke o dispensou com a mão. 

— Certo, certo. — o outro continuava com aquele sorrisinho debochado na cara. — Vê se não demora. Você tá fedendo. 

Eles tinham tido Caprinocultura naquela tarde. Aula prática surpresa. Uma cabra entrou em trabalho de parto e o professor quis que eles assistissem enquanto ele e o monitor a ajudavam com seu bebê. Só que passar a tarde num dos celeiros da universidade não era uma experiência muito cheirosa. 

Sasuke considerou a ideia mais um minuto e por fim, decidiu entrar na sorveteria. Torceu para que o cheiro não estivesse tão forte e Sakura achasse que ele não cuidava bem da própria higiene ou coisa assim.

Sakura parou de limpar a mesa e o olhou. Ele relaxou quando ela sorriu animada. 

— Oi, querido. — acenou animada. Estava usando uma tiara roxa no cabelo, ficando extremamente fofa. 

— Olá, Sakura. — ele sorriu de volta. — Você disse para eu aparecer quando tivesse tempo para tentar adivinhar meu sorvete favorito. 

— Ah, claro. — ela riu e foi de volta para trás do balcão. Sasuke foi se sentar lá e colocou a mochila e os livros no banco ao lado. — Pensei que você já tinha até esquecido isso. 

Nunca que ele esqueceria algo relacionado à ela. 

— Estava em aula prática? — ela perguntou enquanto ia lavar o pano de limpeza das mesas. 

— O cheiro tá muito péssimo? — ele ficou meio sem-graça, se encolhendo um pouco. 

— Cheiro? — ela ficou confusa. — Na verdade, deduzi por conta da calça. 

Ele olhou para baixo, para as próprias pernas. As barras de sua calça estavam um pouco sujas de lama. 

Foi quando ele lembrou que por Sakura ser uma beta, ela não tinha um olfato tão apurado quanto o dele e de Suigetsu. 

— Esqueça. — ele sorriu de novo. — E então? 

— Então… — ela sorriu nervosa e indecisa. — Deixe-me pensar um pouco. 

— Ainda precisa pensar? — ele provocou. 

— Ei, eu falei que não te conhecia. Preciso jogar com o que eu já sei. 

Ele observou sorridente enquanto ela olhava a grande variedade de sabores nos freezers, bastante pensativa. Tinha todo o tempo e disposição do mundo. Ainda tinha uma hora de expediente e a sorveteria estava vazia, exceto por Sasuke. 

O Uchiha começou a pensar se era uma boa eles conversarem sobre o fim de semana. Sobre sua confissão. Sobre terem se pegado debaixo da arquibancada. 

Sasuke estava meio perdido. 

— Tá bom. Acho que já sei. — ela anunciou e foi pegar uma taça de vidro. 

— Sakura? — ele a chamou.

— Sim? — ela continuava sorrindo mas vacilou um pouco quando o viu sério. Parou na frente dele com a taça numa mão e a colher de sorvete na outra. 

— O que exatamente nós somos agora? — ele apoiou os cotovelos no balcão. 

— Como assim? — ela fez uma careta confusa. 

— Nós somos bons amigos ou… — ele direcionou para que ela entendesse onde ele queria chegar. 

Ela compreendeu, já que ficou meio vermelha. 

— Ah… claro. — desviou o olhar, ficando sem-graça. — Não sei. Você acha que somos bons amigos?

— Você sabe que não quero ser só seu amigo. — ele foi direto ao ponto. 

Sakura abriu um dos freezers e começou a preparar o sorvete pra ele, sem conseguir olhá-lo. 

— É meio complicado. — ela respondeu baixinho. 

— Você gosta de outro cara, né? — ele arriscou. 

Haruno o encarou e balançou a cabeça positivamente, o rosto ficando totalmente vermelho. 

— É o Jiji? 

Ela ficou surpresa. 

— Você conhece Jiji? 

— Ele é meu veterano. — ele respondeu fazendo uma careta de desgosto. 

Ah, verdade. Ela lembrou que Jiji também fazia medicina veterinária. 

— Não, não é o Jiji. — ela rechaçou a ideia de ainda gostar dele. — É… outro cara. Mas não importa. Ele nem sabe que eu existo. 

Sasuke a observou. O semblante dela denunciava sua chateação com isso. 

— E o que isso deveria significar para mim? — ele perguntou ansioso. 

Ela fechou o freezer e o encarou. Suspirou parecendo cansada. 

— Na verdade não sei onde você pretende chegar com isso. Sabe que não daria certo entre nós. — respondeu e foi até a área de coberturas e confetes. — Você vai querer cobertura ou coisa assim? 

— Tanto faz. — ele respondeu gentilmente, ainda concentrado no que queria ouvir. — Você tem tanto medo assim da minha classe?

— Medo? Eu já tentei isso outras vezes, esqueceu? Com Naruto, Jiji e… nunca deu certo. — ela colocou cobertura de menta no sorvete dele. 

— Posso fazer as coisas serem diferentes. — Sasuke falou com determinação. 

Ela riu. 

— Qual é? Nem você acredita nisso. — ela voltou a ficar animada e veio novamente para a frente dele, colocando a taça no balcão. 

Sasuke observou animado a criação à sua frente. Três bolas verdes, com dois canudinhos de chocolate no topo e bastante cobertura por cima. 

— Menta? — ele arriscou pela coloração. 

— É. — ela falou em expectativa. — Acertei? 

Ele observou a ansiedade e animação dela. Parecia até provocação. Como não se apaixonar por alguém tão fofa?

— Desculpa. — ele deu de ombros e ela murchou. 

— Droga. — falou ficando desanimada. — Você é muito difícil de ler. 

— Por que achou que meu sorvete favorito era menta? — ele perguntou confuso pegando uma colherzinha de plástico para comer. 

Ela ficou vermelha de novo, desconcertada com a pergunta. 

— Por nada. — tentou desconversar. 

— Anda. — ele incentivou sorrindo. 

Ela mordeu o lábio e desviou o olhar. 

— Seu beijo… — ela murmurou totalmente envergonhada. — Tem gosto de menta. 

Ele parou um instante e a olhou surpreso. 

Sakura queria se enterrar. 

— Não precisa me zoar. Foi um raciocínio completamente idiota, eu sei. — ela falou rápido. 

— Não vou te zoar. — ele deu um sorriso lindo, o que a desconcertou ainda mais. — Deve ser por causa disso. 

Ele virou para o lado e começou a procurar algo na mochila. Tirou de lá uma caixinha de pastilhas de menta. 

— Eu gosto de chupá-las quando estou estudando. — ele explicou. Continuava com aquela expressão boba no rosto, o que fazia Sakura se perguntar se ele a achava uma pateta completa. 

— Tudo bem. — ela absorveu a informação. 

— Pode acrescentar isso no pequeno estoque de coisas que sabe sobre mim até agora. — ele brincou guardando novamente na mochila e voltando a comer o sorvete. 

Sakura se balançou de um lado para o outro, ainda meio sem graça. 

— Você leva suas notas a sério? — ela foi mudando de assunto. 

— É, bem a sério. Inclusive estou tentando me preparar para amanhã receber minha primeira nota baixa. — ele suspirou ao lembrar de Suinocultura. 

— Da prova que você fez na segunda? — ela lembrou das mensagens que trocaram naquele dia. Ele concordou com a cabeça. — Bom, tenho certeza de que você pode recuperar. Você sempre pareceu ser esforçado com os estudos. 

Ele sorriu de canto e a olhou. 

— Valeu. 

Ele tocou uma das mãos dela que estavam apoiadas no balcão à frente dele. Ela não se esquivou. Suas unhas estavam pintadas de azul claro. 

— Vai lá, me dá uma chance. — ele pediu enquanto acariciava as costas da mão dela com o polegar. 

— Não posso. — ela respondeu. — Já me blindei para nunca mais me apaixonar por caras como você. — ergueu o queixo, orgulhosa e determinada. — Chega de alfas na minha vida. 

— Isso é um desafio? Eu adoro desafios. — ele retrucou. 

— Causa perdida pra você, querido. — ela rebateu.

Sasuke tinha uma expressão divertida no rosto, gostando dos rumos que estavam tomando. 

— O cara que você gosta… tenho certeza de que consigo passar por cima dele no seu coração. 

— Não mesmo. — ela riu. — Ele é perfeito. Dessa vez tenho certeza de que me apaixonei pelo cara certo. 

— Como ele pode ser perfeito se ainda não percebeu que você é a mulher mais maravilhosa do mundo? 

— Pare com isso. — ela riu dando um tapinha na mão dele. 

— Sakura. — apesar do sorriso no rosto, o tom de voz dele era firme, sério. — Vou fazer você se apaixonar por mim. 

— Não vai, não. — ela falou em tom de sussurro, ainda determinada, como se estivesse lhe contando um segredo. — Não vou deixar que parta meu coração como os outros fizeram. 

— Eu jamais faria isso. 

— Foi o que todos os outros disseram. 

— Não sou como os outros. Sou o Sasuke Uchiha. — ele pegou o canudinho de chocolate e o observou entre os dedos. — Esperei tempo demais por você e agora que estou aqui, não pretendo ir embora. 

Ele a encarou. Os olhos negros eram leves, mas obstinados. 

Olhos negros apaixonantes. 

Sakura desviou o olhar. 

— Boa sorte com isso. — falou ainda bem-humorada, entretanto sentia suas mãos tremendo porque sabia que ele ainda estava a olhando daquele jeito. Como se ela fosse o sol.

#

Ele a esperou na sorveteria até dar o horário de fechar. 

Ele ficou do lado de fora esperando enquanto ela fechava tudo. 

Ele a acompanhou até o dormitório feminino. 

Eles foram o caminho inteiro conversando sobre os tempos do colégio. 

E quando chegaram na frente do dormitório feminino, ele deu um beijo na testa dela, disse um boa noite provocativo e se foi. 

Quando Sakura entrou no quarto, Shion notou o pequeno sorriso que ela tinha nos lábios. 

— Qual a boa? — a loira perguntou. 

— Hm? — Sakura ficou confusa. 

— Aconteceu algo bom para você estar feliz assim. — Shion apontou para a cara dela. 

— Não foi nada. — Sakura jogou suas coisas na cama e foi para o banheiro. Enquanto tirava o uniforme e se olhava no espelho, percebeu que as marcas da noite com Sasuke já estavam quase desaparecendo. Segundo Deidara, o cheiro também já estava sumindo. 

Bom, bom. 

Ela notou que Shion tinha razão. Tinha um sorriso inconsciente em seus lábios. Efeito colateral das provocações fofas de Sasuke. 

Ela se sentia bem perto dele. Como se o mundo fosse mais leve e divertido. Parecia que as preocupações sumiam quando ele estava por perto. 

Quase podia esquecer Gaara. 

Quase. 

O ruivo voltou à sua mente. 

Ele não aparecia na sorveteria desde segunda. O que tinha acontecido para ele parar de aparecer lá?

Será que tinha ficado com medo dela depois do surto na biblioteca e achou melhor não arriscar ficar no mesmo ambiente de novo? Será que tinha enjoado de sorvete? Ou só estava muito ocupado naquela semana?

Sakura tentou engolir o nervosismo e ansiedade. 

Sempre era uma droga estar apaixonada. 

#

Quando Rin entrou na sala na manhã seguinte, todos prenderam a respiração. Ela fechou a porta e foi até a mesa com a pasta cheia de provas corrigidas. 

Suigetsu deixou a cabeça cair e bater na carteira, se lamuriando antecipadamente. 

— Bom dia. Como combinamos, vou pegar algumas manhãs de quinta emprestadas para repormos as aulas atrasadas de vocês. — ela se virou para a turma e foi até o primeiro aluno da fileira do canto entregar as provas para que ele fosse repassando. — Pelas notas, já que vi que temos muito o que correr atrás. Sugiro que comecem a estudar desde já porque a segunda prova de vocês será muito mais trabalhosa. 

Sasuke ficou observando enquanto as provas eram passadas de aluno em aluno, ansioso para descobrir quanto havia tirado. 

— Antes de mais nada, gostaria que soubessem que vou mudar o modo como as aulas serão feitas a partir de agora. Vamos ter aulas práticas. — ela anunciou fazendo todo mundo ficar confuso. 

Uma aluna do fundo da sala levantou a mão. 

— Professora, mas aulas práticas só acontecem no final de Suinocultura II. Não precisamos saber a teoria primeiro? 

— Eu acredito que a prática é um método muito mais eficiente e rápido de aprender do que a teoria. — Rin a respondeu num tom profissional, não parecendo irritada com a pergunta. Pelo menos passava a impressão de que eles podiam fazer perguntas quando quisessem, sem ser fuzilados por ela. — E pelos resultados péssimos de vocês na prova teórica, só acredito ainda mais nisso. 

A porta da sala se abriu e Jiji entrou por ela com aquele sorrisinho debochado. Estava com a mochila nas costas e um notebook debaixo do braço. 

— Bom dia! — ele sorriu animado para a turma. — Desculpem o atraso, não sabia qual era a sala. 

— Esse é o monitor de vocês, Jiji. Acredito que alguns o conheçam, já que ele é veterano e organizou a recepção de vocês quando entraram na universidade. — Rin anunciou enquanto Jiji ia pegar uma carteira vazia e colocava ao lado da mesa dela. 

Sasuke e Juugo trocaram olhares de pura irritação. Era só o que faltava. Como se não bastasse Rin tocando o terror, ainda teriam que aturar a cara de Jiji naquela aula. 

— Como eu dizia… vamos começar a ter aulas práticas. Acredito que vocês entendem a importância da matéria para o curso. — Rin continuou enquanto Jiji ligava o notebook. 

Suigetsu finalmente pôs as mãos nas provas na fileira ao lado de Sasuke. Ele procurou pela sua e a pegou com uma careta de dor. Passou para trás e mostrou ao Uchiha. 

32. Sasuke fez careta também, como se tivesse levado um soco na cara. 

— Suinocultura é a matéria mais importante do curso porque os porcos são os mascotes oficiais da universidade desde a sua fundação. — Juugo respondeu após erguer a mão. 

— Correto. — Rin se levantou e começou a escrever no quadro negro. — E é por isso que a partir da aula que vem, vocês começarão a cuidar dos filhotes que pertencem à universidade. 

— Geralmente isso só acontece em Suinocultura III. — Jiji explicou para eles enquanto Rin estava concentrada escrevendo no quadro. — Mas a turma de Suinocultura III desse ano já domina a prática. — ele disse num tom orgulhoso, o que só irritou ainda mais Sasuke pelo jeito debochado dele ao falar de si mesmo e dos próprios colegas. Parecia que ele estava falando com um bando de mulas.

— Hoje vamos discutir tudo que deverá ser feito com os porcos. Vocês precisam saber todas as medidas que deverão ser feitas antes de iniciarmos os cuidados na próxima aula. — Rin voltou a se virar para eles. 

Quando as provas chegaram até Sasuke, ele rapidamente buscou pela sua e não pôde deixar de respirar de alívio quando viu a nota no canto da folha. 

68. Não fora tão mal. Estava acima da média ainda. Dava pra correr atrás do prejuízo. Se conseguisse uma nota acima de 80 cuidando do porco, sua média não seria tão destroçada. 

Ainda assim, era sua nota mais baixa desde que entrou no curso. 

Ele anotou tudo que conseguiu da aula de Rin. Todos os cuidados que deveriam ter com o leitão, sobre alimentação, higiene, adestramento. Precisava de todas as informações possíveis para conseguir aumentar sua próxima nota. 

Depois de duas horas falando incansavelmente, ela decidiu finalizar a aula extra. 

— Se alguém quiser discutir a nota, é só passar na minha sala daqui a pouco. — disse num tom que deixava implícita a mensagem: “quem for lá é muito corajoso ou muito louco”. 

— Acha que eu consigo que ela arredonde pra 70? — Sasuke perguntou dos amigos depois que ela e Jiji saíram da sala. 

— Ficou doido? E se ela diminuir sua nota? — Karin retrucou. — Contente-se com o que ela já te deu. Deve ser a maior nota da sala toda. 

— Quando você tirou? — Suigetsu indagou a Juugo. 

— 61. — o outro respondeu. 

— Caralho, e isso porque passou a noite toda estudando. — o Hozuki reclamou. — Enquanto isso, o garanhão aí ficou se agarrando com a Sakura e depois leu resumos da internet. 

— Você subestima demais a internet. — Sasuke ironizou. — Acho que eu realmente vou na sala dela. 

— Sasuke, não provoca. Ela te deu uma nota boa, comparado com todos nós. — Juugo aconselhou. 

— São dois pontos que podem fazer total diferença lá na frente. — o Uchiha argumentou enquanto se adiantava para sair do recinto. — Vou lutar por eles.

— Vai perder vinte pontos só por pisar naquela sala! — Suigetsu gritou para ele antes que saísse. 

Ele foi até o departamento do curso. Estava praticamente vazio, já que a maior parte dos professores deveria estar dando aula naquele horário. Aulas práticas geralmente aconteciam durante a manhã. 

O moreno andou pelo corredor procurando pelo nome de Rin nas portas. Chegando no final, estava quase para desistir quando escutou a voz dela vindo de uma porta que estava entreaberta. Era a última do longo corredor. Será que ela estava conversando com alguém?

Ele parou no lugar, sem saber ao certo se devia ir embora ou continuar ali. Deveria interrompê-la ou ficar ali atrás da porta escutando?

— Oi, meus amores! — Rin disse numa voz meiga e meio emocionada. — Como vocês estão? 

— Estamos bem. O papai ainda não nos matou afogados na espuma. — uma menina respondeu. Tinha a voz entrecortada. Ligação de vídeo. 

— O quê? — Rin ficou confusa e surpresa. 

— Ah, é verdade. — o menino se recordou e riu. — Nós não devíamos contar mas… o papai comprou uma máquina de lavar nova. 

— Por quê? Eu comprei uma novinha no mês passado. 

— Ele queimou ela. Colocou sabão demais e ela praticamente explodiu e jogou espuma pela casa inteira. — eles estavam rindo. — Aí ele comprou uma nova. É igualzinha à outra, pra senhora não perceber que ele destruiu ela. 

— Meu Jesus amado… — Rin começou a rir. Uma risada linda, na opinião de Sasuke. 

— E ele já quebrou uns três pratos enquanto lavava a louça. — o menino informou. 

— E dois copos e uma caneca. — a menina acrescentou. 

Rin gargalhou, se divertindo com os relatos de seu casal de filhos. 

— Mas estão comendo bem, não é? — ela perguntou. 

— Sim, ele faz aqueles pratos incríveis que fazem sucesso no restaurante. Minhas amigas ficam pedindo pra vir jantar aqui todo dia. — a menina respondeu animada. 

— Pelo menos cozinhar ele sabe. — o garoto riu. 

— Tem que saber, né? — Rin retrucou. — Trabalha num restaurante há anos e não sabe cozinhar? Cúmulo do cúmulo. 

— Mas quando você volta pra casa, mamãe? — eles perguntaram praticamente ao mesmo tempo. 

— Eu estou com cinco turmas, amores. O trabalho está bem puxado. — ela respondeu. 

— Mas você vem nos ver no fim de semana, né? — estavam ansiosos. 

— Minha última aula vai ser amanhã de manhã. Vou cair na estrada logo depois do almoço. Devo chegar aí umas nove da noite. — dava para ver que ela estava tentando passar confiança para as crianças. 

— Não se atrase. Vamos pedir pro papai fazer o melhor jantar do mundo. — a menina se empolgou. 

— E vamos nós mesmos arrumar a casa. — o menino garantiu. — O papai é um desastre mas a gente dá conta. 

Rin era só risadas com os filhos. Era até estranho, já que Sasuke tinha criado uma imagem de durona dela na cabeça. 

Mas que pelo visto a mulher era um doce de pessoa. Tinha aquela postura ameaçadora só em sala de aula. 

Sasuke olhou para sua prova. 

Era melhor não incomodá-la por conta de dois pontos. 

Ao que parecia, ela tinha um marido e dois filhos, e eles moravam numa cidade longe. Tinha que ficar afastada a semana toda por conta do novo emprego. Só os via no fim de semana, e isso se ficasse horas dentro de um carro para chegar até lá. 

Sasuke resolveu sair dali e lhe dar total privacidade para conversar com os filhos. 

#

Sakura já tinha conseguido organizar toda a papelada de Tsunade. Já tinha contatado todo mundo que a tia pedira, além de já ter conseguido dois voluntários para os testes. Embora quisesse mais informações antes de sair recrutando pessoas, ela queria apresentar ótimos resultados para a tia no dia seguinte. 

Decidiu ir falar com Naruto. Sabia que se insistisse, ele aceitaria participar dos testes. 

Ela se encaminhou até o dormitório masculino logo depois sair de seu expediente na sorveteria. Foi até o andar dele. Engoliu em seco quando ficou de frente para as duas portas no corredor. 

Era intimidante saber que o quarto de Sasuke ficava bem em frente ao de Naruto. 

Desconcertante, no mínimo. 

Ela bateu na porta de Naruto, determinada. 

Esperou alguns segundos. Nada. Não é possível que ele já estivesse dormindo. Ainda eram só oito da noite. 

Bateu de novo. 

A porta foi aberta, mas não pelo Uzumaki. 

Gaara ficou surpreso ao vê-la parada ali. 

Sakura gelou dos pés à cabeça quando os olhos claros repousaram sobre ela. Seu rosto começou a queimar quando ele ergueu uma das sobrancelhas, se perguntando internamente o que ela queria. 

— Hã… — ela começou a gaguejar, tentando lembrar das poucas palavras em alemão que conseguira aprender nos últimos dias. — Hallo. 

Ele continuou olhando-a, sem expressão nenhuma. 

M-mein name ist Sakura. — ela continuava gaguejando e tinha quase certeza de que estava pronunciando errado.

Ele franziu o cenho, confuso. 

— Naruto. Naruto. — ela falou o nome dele, torcendo para Gaara entendesse que ela estava procurando Naruto. 

Seu coração estava acelerado por estar bem na frente dele. 

D-du bist… não, não consigo lembrar como se fala isso. — ela resmungou consigo mesma. — Du…

— Desculpe. — ele fez uma careta, suavizando a expressão. — Mas que língua você está tentando falar?

De repente Sakura se tocou de que ele estava esse tempo todo se segurando para não rir das tentativas inúteis dela de falar alemão. 

— Nossa, desculpe. Queria que você conseguisse me entender. — ela baixou a cabeça, totalmente vermelha e envergonhada. — Foi péssimo, não é? Já viu alguém falar alemão pior que eu? — ela começou a tagarelar de nervosismo, tentando tirar a atenção de si mesma. 

— Não saberia dizer. Você concorda com sua amiga sobre eu ter uma bundinha gostosa? — ele indagou num tom provocativo e Sakura congelou novamente. 

Seu coração falhou uma batida ao se dar conta de que Gaara estava falando sua língua perfeitamente. Nem a porra de um sotaque ele tinha. 

— V-você… — ela gaguejou, sem reação. — Você nos ouviu…

Ele sorriu de canto. Um lindo sorriso. Algo dentro de Sakura começou a derreter. 

— É, eu ouvi. Fiquei lisonjeado, a propósito. 

Sakura só queria se enterrar em qualquer lugar. 

— Sou Gaara. E você é Sakura Haruno, suponho. — ele fez um sinal de cumprimento com a cabeça. Coisa de alemão, talvez. 

— Como sabe meu nome? 

— Meu colega de quarto às vezes fala de você. — ele explicou daquela maneira gentil e educada de falar. 

— Ele… ele me disse que você não falava nossa língua. Que falava com você e não tinha resposta. — ela estava tentando entender. 

— Ah, é porque ele fala tanta idiotice que nem me dou ao trabalho de responder. — ele riu. 

Sakura não conseguiu rir junto. Estava chocada demais para conseguir rir da situação. 

Gaara falava sua língua!

— Está procurando por Naruto? — ele perguntou gentilmente. — Acho que ele tinha aula até as oito. Deve estar chegando. Gostaria de entrar e esperar por ele?

— Não, não! — ela negou rapidamente. — É melhor procurá-lo amanhã. Obrigada pela ajuda!

E saiu correndo desesperada para fugir dele. 

Queria se enterrar viva pela vergonha terrível que tinha acabado de passar. E ao mesmo tempo, queria explodir de felicidade. Tinha finalmente falado com ele. Ele sabia quem era ela.

Como seu coração podia suportar tantas emoções daquele jeito?

#

Sasuke foi à biblioteca pegar uns livros sobre cuidados com leitões naquela noite. Quando estava saindo, avistou Naruto vindo por uma das calçadas. O loiro acenou daquele jeito energético de sempre. Pelo visto, desde o jogo ele achava que agora eram amigos. Naruto tinha o cumprimentado todos os dias no refeitório, além de sempre mandar um “e aí, cara” quando se encontravam no corredor do dormitório. 

Ele parou no pé da escadaria da biblioteca e esperou Sasuke se aproximar para irem juntos pro dormitório. Pela mochila nas costas e a cara de sono, Sasuke presumiu que ele tinha acabado de sair de uma aula. 

— Então… — o Uchiha decidiu ir direto ao assunto antes que o Uzumaki começasse a tagarelar sobre um assunto aleatório, como sempre costumava fazer. — De onde você conhece Jiji?

— Quem? — Naruto ficou com uma expressão confusa no rosto. 

— O cara da cafeteria. — Sasuke explicou, torcendo para o loiro não estar se fazendo de desentendido. — Que estava atendendo no segundo andar. 

Naruto pareceu a se lembrar. 

— Ah, o babaca. 

— Esse mesmo! — Sasuke concordou se empolgando. 

— Não gosto dele. — Naruto resmungou. 

— Então somos dois. Ele é meu veterano. É um imbecil. 

— Ele é ex da Sakura também. — Naruto explicou. — Ficou me provocando naquele dia. Por isso que discutimos. 

Então eles estavam mesmo discutindo. Interessante. 

— Ele é ex da Sakura? — Sasuke ficou surpreso. 

— É, mas pelo que entendi, namoraram por pouco tempo. Ela chutou ele. — o loiro riu, satisfeito. — Foi logo que a gente entrou na universidade. 

Menos mal. Sakura que tinha terminado. Sasuke ficou mais aliviado. 

— Cê tá gostando sério mesmo dela, né? — Naruto sorriu malicioso para o Uchiha, cutucando o ombro dele como se compartilhassem um segredo precioso. 

— Eu sempre gostei dela. — Sasuke retrucou.

— É, eu sei. — ele continuou sorrindo daquele jeito. — Eu meio que entendo o que você sente. Há algo de fantástico nela que nos faz esquecer quem nós somos e que não podemos tê-la. 

— Você se refere ao fato de sermos alfas?

— É óbvio. — o Uzumaki respondeu e contemplou o prédio do dormitório enquanto eles cortavam caminho pelo enorme gramado onde o pessoal ficava sentado durante o dia. — Nunca dá certo, no fim das contas. 

— Estou tentando fazer com que dê certo, embora nem ela mesmo não leve muita fé. — Sasuke disse e isso fez Naruto ficar curioso. 

— Como isso? — ele perguntou. 

— Tenho meus métodos. 

Nem Sasuke sabia o que estava dizendo. Mas estava determinado o suficiente para tentar qualquer coisa que surgisse em sua cabeça. 

— Senti firmeza. Se quiser ajuda, pode contar comigo. 

Sasuke ficou surpreso e Naruto notou. 

— Não me entenda mal. — o loiro tratou de acrescentar. — Ainda amo ela. Pra caralho. Mas eu não sou idiota de tentar qualquer coisa. Nunca daria certo, e além disso, ela nem gosta mais de mim desse jeito. 

Sasuke parou e ficou encarando-o por alguns segundos. 

— Você ainda não mordeu a Hinata, não é? — ele perguntou.

Naruto baixou o olhar, parecendo meio envergonhado. Negou com a cabeça devagar. 

— Por que não? — Sasuke questionou, curioso sobre a situação.

— Seria crueldade demais mantê-la presa a mim, não acha? — ele respondeu. — Ela sabe que eu ainda tenho sentimentos pela Sakura. Eu gosto dela mas… é diferente, de alguma forma. Quero que ela seja livre para que, se um dia cansar dessa merda, possa ir embora. 

Naruto nunca marcou Hinata. Pelo menos um pouco de consideração ele ainda tinha por ela. 

Sasuke passou a gostar mais dele sabendo disso. 

— Tanto faz. — o Uchiha deu de ombros. 

— Mas é sério. Se quiser conselhos para conquistar o coraçãozinho da Sakura, eu posso ajudar. Conheço ela muito bem. — o loiro disse animado. 

— Certo, certo. — eles voltaram a caminhar para o dormitório. 

— Sabe onde me encontrar. Do outro lado do corredor. — Naruto deu aquele sorriso brilhante de sempre.


Notas Finais


Ceninha SasuSaku logo no começo do capítulo pra dar uma aquecida nos corações de vocês, hihi. Espero que tenham gostado <3

Insta: https://www.instagram.com/writer.plutoniana/

Playlist: https://open.spotify.com/playlist/3iFLT0iGYpOe2bLxq4rzhL


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