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História Um amor de contrato - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoal! Tudo em ordem na sua reclusão social? Sigamos firmes neste momento e, em breve, poderemos ver a luz do sol mais uma vez (exageraaaaaada kkkkk).
Estou melhor, graças a Deus, mas ainda com tosse e com o nariz escorrendo (tudo normal para o tempo que começa a ficar chuvoso e ataca a sinusite e a bronquite da pessoa).
Agradeço, de todo o coração, o carinho de vocês e os desejos de melhoras. Sei que as boas energias de vocês também foram importantes para a minha recuperação. Amo muito!!!
Por agora, nosso capítulo 14 e já digo que não sei mais quantos capítulos essa história terá porque já mudei um monte de coisa (normal de quando gosto de algo que escrevo - ela cria vida própria). To tentando manter a proposta inicial, mas Rony e Hermione estão me fazendo dar umas desviadas...
Sem mais enrolação, segue o capítulo. Espero que gostem, eu gostei <3

Capítulo 14 - Tudo parece diferente


Era um dia de semana normal, e tudo parecia correr de forma natural, até que, ao adentrar na cozinha de sua casa, Rony notou que, desde a vinda daquelas duas, nada em sua rotina era normal.

— Bom dia, tio Rony! — Rose seguiu correndo da mesa até o rapaz assim que ele adentrou a cozinha — Você dormiu bem?

— Dormi, sim.

Rony pensou em dizer que havia acordado já há um bom tempo, mas entendeu que a pequena não precisava dessa explicação. Deu um beijo no alto da sua cabeça e observou Hermione, de pé, na pia, olhando para ele com um sorriso muito receptivo.

— Bom dia, Rony.

— Bom dia, Mione — ele respondeu e essa forma mais íntima de se tratarem já havia se tornado comum nas últimas semanas.

— Resolvi dar uma folga para a Julie — a mulher continuou com o que estava fazendo — Acordei com vontade de cozinhar e com um desejo inexplicável de comer panquecas com calda de chocolate e geleia de abacate — Rose olhou para Rony com a expressão de nojo, achando aquela mistura tão estranha quanto Rony havia achado.

— Eu quero a minha só com chocolate, mamãe — a expressão da pequena ainda transparecia receio da mistura.

— Tá bem! E você, Rony.

— O mesmo que Rose — ele falou rápido, com receio de ter de experimentar aquilo também.

— Minha comida não é tão boa quanto a da Julie — ela continuou colocando a travessa de panquecas, uma geleia verde e a calda de chocolate sobre a mesa, um sorriso largo — Mas a Rose está bem criada, então, acho que dá pro gasto.

— Claro que dá, mamãe — a menina respondeu com a boca cheia, deliciada — Sua comida é muito gostosa.

— Obrigada, meu amor — ela falou com carinho, acariciando a mão da menina.

— Realmente, está bem gostoso — Rony falou após uma garfada. Ele e Rose pararam uns instantes para observar Hermione colocar aquela geléia verde sobre a calda de chocolate.

— Ah... Acho que ficou suco de morango de ontem — ela falou como se pensasse e levantou para a geladeira. Rony e Rose se olharam com ainda mais estranhamento. A menina fazendo caretas de vômito.

Os três comeram juntos, sentados à pequena mesa da cozinha. A grande e imponente mesa da sala de jantar já não parecia agradável nem convidativa. Aquele ambiente familiar parecia crescer entre eles e quanto mais próximos estavam, mais pareciam querer estar.

Rony observou, ainda mais claramente, o grande carinho que Hermione tinha pela filha. De tempos em tempos ela também conversava com a barriga já evidente e ralhava com a criança se formando ali por todas as noites sem sono e por esses desejos por comidas estranhas. Ele não conseguia deixar de achar tudo aquilo agradável.

Logo em seguida, estavam os três à beira da pia. Hermione lavava, Rose enxugava e Rony, o mais alto dos três, guardava as louças utilizadas de volta no armário. As conversas durante esse tempo divergiam entre o filme novo que Rose queria assistir; as náuseas de Hermione que começavam a diminuir; os nomes que poderiam dar ao bebê; como foi a visita de Rose na casa da sua amiga; se Rony havia conseguido fechar o contrato que comentou durante o jantar da noite anterior...

Por um momento estranho, enquanto os três caminhavam em direção à sala e, ali, se dividiriam para começar os seus próprios afazeres, Rony se viu pensando em como aquele momento estava lhe fazendo feliz. Havia alguns dias que ele já não ficava no escritório até mais tarde com o intuito de auxiliar Hermione, mas, agora, percebia que também estava ansiando o momento de chegar em casa e encontrar as duas. 

Em geral, era recebido por abraços acalorados da pequena, sempre cheia de novidades para contar. Hermione os encontrava com olhos brilhantes, sorriso aberto, mesmo que às vezes seus pensamentos parecessem distantes. Os hábitos dos três estavam mudando e se adaptando tão facilmente que ele estranhava, porém, de forma alguma, poderia dizer que não gostava.

***

— Let it goooooooooooo! Let it goooooooooooooooooo!

Essa era Rose. Estava assistindo, e convenceu a mãe mais uma vez, o filme Frozen pela, provavelmente, centésima vez. O canto era estrangulado, e ela corria pela sala, o lençol amarrado nas alças da camisa que usava imitando a capa do vestido de Elsa. Havia pedido para Hermione fazer uma trança em seu cabelo antes de começarem o filme. A performance era inevitável durante a música-tema.

— I am one with the wind and skyyyyyy! Let it goooo…

— Shhhh — foi Hermione que chamou a atenção da menina assim que percebeu Rony vindo pelo corredor. Ele estava, havia algum tempo, na biblioteca, que também era utilizada por ele como escritório.

— O quê? — a menina perguntou sem entender a mãe.

— Shhh… Rony está trabalhando!

— Mas hoje é domingo — a menina falou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Desculpe o incômodo, Rony — Hermione falou sentindo-se constrangida. Havia pausado o filme para se desculpar.

Ao adentrar o espaço da sala de estar, Rony segurou o riso o quanto pode. A visão de Rose, daquele jeito, era muito engraçada, e ela tinha uma expressão rígida, injustiçada, olhando da mãe para Rony sem entender o motivo do filme ter sido parado.

Ele se lembrou de quando era criança e das muitas vezes que se fantasiou de personagens que gostava. No seu caso, seus pais providenciavam fantasias e adereços, mas ele sabia que em nada divergia da emoção que Rose sentia ao se vestir daquela forma. Piscou o olho para a menina que, imediatamente, desanuviou a expressão pesada.

— Não está me incomodando — ele falou e Hermione sabia que era mentira. A filha estava gritando instantes atrás.

— Então eu posso voltar a ver o filme? — ela perguntou impaciente e os dois olharam para ela.

— Sim!

— Não — Hermione olhou da menina para Rony com estranhamento.

— De verdade, pode ver o filme — ele respondeu sem parecer chateado. Para Hermione, haviam atrapalhado alguma transação importantíssima.

— Vamos, mãe! O tio Rony já deixou.

— Rose, você tem que entender que... — ela parou o mini sermão ao perceber Rony se sentando no sofá, ao seu lado, diante da televisão.

— Acredita que eu nunca vi esse filme, Rose? — ele se direcionou para a menina, ignorando Hermione por completo. A mulher ficou chocada com o que veio a seguir. 

— Não acredito, tio Rony — a menina estava espantada — Esse é o melhor filme do universo.

— É mesmo? — conversavam como se ela não existisse. Havia uma espécie de conexão entre os dois.

— É sim! A princesa Elsa tem poderes do gelo, sabe? Eu queria ter poderes do gelo também, mas sou normal igual a princesa Anna, que é a irmã dela. Aí ela foge com medo de fazer mal pras pessoas que ela ama e a irmã dela vai atrás. Depois a irmã dela morre, mas o amor verdadeiro podia fazer ela viver de novo!

— E ela encontrou um príncipe? — Rony perguntou interessado.

— Que príncipe que nada! — a menina falou com desdém — O amor verdadeiro era o da irmã dela.

— Verdade?

— Sim. O amor verdadeiro é aquele que existe na família, igual o amor que existe na nossa família, não é, mamãe?

Hermione se viu sem reação. Rony também olhou para ela e a jovem não conseguiu identificar o que o seu olhar queria dizer. Ele tinha um sorriso leve, os olhos pareciam sinceros e sua expressão para ela fez com que seu coração pulsasse levemente mais rápido.

Instintivamente, ou por costume, ela levou a mão à barriga que começava a dilatar e Rony a olhou com maior interesse. Perguntou se ela estava sentindo alguma coisa e ela respondeu que não. Não poderia dizer que era o seu coração batendo mais rápido em resposta ao seu sorriso.

— Coloca o filme, mamãe! — Rose falou novamente, a pergunta anterior já esquecida.

— Vamos, Mione. Coloque e assista com a gente — Rony pediu e ela sentiu o corpo tremer. Se ajeitou sobre o sofá, ainda ao lado do ruivo, e deu o play sem pronunciar qualquer palavra.

— Volta a música, mamãe! Quero mostrar pro tio Rony como eu sei ser a Elsa. Vou cuidar do meu irmãozinho do mesmo jeito que a Elsa cuida da Anna, eu prometo...

Hermione voltou a música. A filha começou sua performance, agora apresentada também para Rony. Sentiu-se confusa por um breve momento. Havia pouco mais de três meses que haviam se mudado e ela não podia, nem queria, acreditar no que pensava estar acontecendo. 

O que eu estou fazendo? Que loucura eu estou vivendo aqui? Como vou explicar tudo isso à Rose quando acabar? Por que você está tão agitado, coração idiota?

*** 

Rony estava sentado sobre a cama. Olhou para o relógio de cabeceira e ele indicava que era quase uma da manhã. Sentiu o coração pesado, queria poder fazer algo mais em uma situação como essa, mas teve de deixar Hermione sair de encontro à filha porque, por mais próximos que tenham se tornado, ele não era nada além de um amigo para a pequena e um contrato para a mais velha. Mas a ansiedade não o abandonava. 

Fazia mais de quarenta minutos desde que Hermione havia saído do seu quarto em direção à Rose. A menina acordou chorando, e era um choro tão alto, que foi o suficiente para que os dois acordassem e partissem rapidamente em seu auxílio. Era um sonho ruim.

— Tudo bem, Rony. Pode voltar a dormir. Eu vou ficar com ela até que ela se acalme e durma.

— Não quer que eu faça um leite quente? — ele perguntou aleatoriamente. O que ele queria, e estava estranhando o sentimento, era ficar com as duas naquele momento.

— Não precisa — a mãe falou com um sorriso grato, acariciando os cabelos da menina que havia se aconchegado nela como um pintinho sob as asas da mãe. 

Os olhos de Rose estavam arregalados e ela permanecia muda, mas não parecia precisar de algo além do carinho e conforto que era está nos braços de sua mãe.

Em alguns momentos, quando ele falava, a menina desviava seus olhos para de encontro aos dele e ele percebia uma tranquilidade momentânea. Sentia-se feliz por saber que, mesmo de forma contida, fazia parte da vida dela. 

— Se precisarem de mim, por favor, me chame…

— Tudo bem. Eu chamo, sim.

— Boa noite! — ele se virou sem esperar resposta à sua saudação, mas antes de dar os primeiros passos, sentiu aquela sensação esquisita tomando seu corpo novamente.

— Obrigada por estar comigo, Ron — Hermione começou e ele travou. “Ron?” — Tem sido muito importante pra mim.

— Não precisa agradecer — foram as palavras que ele conseguiu balbuciar antes de, novamente, virar e seguir, fechando a porta atrás de si.

Mas Hermione estava demorando a voltar e ele sentia, em seu coração, que deveria ir oferecer seu apoio mais uma vez. Não mais reconhecia seus pensamentos. Aqueles quatro meses na presença das duas haviam mudado algo dentro dele e ele começava a temer o que estava acontecendo.

Angustiado, temendo ser mal interpretado, levantou-se e caminhou em direção ao quarto de Rose. Estava ansioso. Precisava saber se estavam bem, porque demorava a voltar.

Colou o ouvido à porta e não ouviu nada que lhe parecesse estranho. Para ser sincero, não havia ouvido qualquer barulho vindo daquele cômodo, então, com o máximo de delicadeza que conseguiu, abriu a porta e, pela fresta que se fez, observou a cena que fez seu coração acelerar o ritmo, mais uma vez.

A menina parecia relaxada ao sentir o aroma da pele de sua mãe. Os cabelos da pequena, arrumados em duas tranças, descansavam displicentes sobre o lençol azul, cheio de arco-íris e unicórnios, assim como a própria menina. 

Hermione, deitada de barriga para cima, havia aconchegado Rose sobre seu peito, e afundado o rosto no topo da cabeça da pequena, entre os seus cabelos, como se, durante um beijo, o sono a venceu.

Um dos braços, por baixo do corpo de Rose, a envolvia e a trazia para mais perto do seu corpo, como se aquele abraço pudesse proteger a filha de todo e qualquer mal ou perigo. O braço esquerdo, livre, repousava sobre a barriga saltada. Ela parecia acalentar a criança dentro dela também.

O coração de Rony parecia em ponto de sair pela boca ao ver aquela cena. A mente, sempre tão alerta, pareceu se desfazer de qualquer pensamento ao observar aquele momento digno de um registro. O registro que ele havia feito em seu coração.

Caminhou em passos lentos e leves. Se aproximou de Hermione, abaixando o corpo até o seu ouvido, os pelos da nuca se arrepiando ao sentir o aroma dos cabelos dela. Só poderia estar enlouquecendo, de fato.

— Hermione. 

Ele sussurrou e ela resmungou. O braço adormecido sobre a barriga e sob a cabeça de Rose se moveram em novo carinho aos filhos. Rose, inconsciente em seu sono, virou-se para o lado, liberando o braço da mãe ao empertigar-se no travesseiro. “Como é possível não estar com o braço dormente?”

— Hermione…

— Não... Amanhã eu vou... — balbuciou e ele sorriu. O coração transbordava de carinho.

Vagarosamente, Rony se abaixou e retirou os lençóis que envolviam a jovem mãe. Ela se moveu para o lado, inconscientemente, o auxiliando naquela tarefa de livrá-la do amontoado de tecido. 

Apoiou-a sobre seus braços, sustentando seu corpo, a elevando da cama da pequena. Hermione, sentindo-se ser erguida em seu sono, apoiou a cabeça no ombro dele e passou o braço em torno de seu pescoço, relaxada.

Ele nunca seria capaz de descrever o que sentiu durante aqueles poucos instantes, do caminho que ia do quarto de Rose à cama de Hermione. Jamais conseguiria explicar o que o seu coração sentiu enquanto a colocava sobre a cama e a via se aconchegar em seus travesseiros. Foi ele quem a cobriu com os lençóis.

Da porta que separava o quarto dos dois, observou Hermione em seu sono. Ela estava, mais uma vez, com a mão sobre a barriga. Parecia ser involuntário, o seu subconsciente a instigava a proteger seus bebês.

Em meio a um suspiro profundo, se pegou pensando em como a vida dos dois seria se houvessem se encontrado em outro momento, mas se recriminou. Para Hermione, ele sabia que não passava de um louco, um contrato. Não era possível e ele não permitiria que, em seu coração, aquele tipo de sentimento fosse cultivado.


Notas Finais


Beijos no coração e até amanhã!
PS: Lavem bem as mãos com água e sabão. <3


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