1. Spirit Fanfics >
  2. Um Amor de Gelo e Fogo: Sansa e Harrold >
  3. O Homem Perdido

História Um Amor de Gelo e Fogo: Sansa e Harrold - Capítulo 39


Escrita por:


Capítulo 39 - O Homem Perdido


Alguns dias antes dos julgamentos por combate que decidiriam os destino de Sansa e Baelish, Harrold liderou uma guarnição em viagem até Porto Branco para comprar suprimentos, levando duas carruagens e uma dezena de homens. Arya usou a desculpa de que queria “percorrer” o Norte outra vez para ir junto, embora na verdade os dois estivessem indo encontrar secretamente pessoas que seriam fundamentais para salvar Sansa. Havia dentro de uma das carruagem um grande baú cheio de ouro, o qual Lorde Arryn usaria para pagar os Homens Sem Rosto, certo de que com aquela quantidade ele poderia contratar uma companhia mercenária inteira.

— Eu ainda não entendo o motivo disso — disse Arya enquanto os dois se afastavam na surdina dos demais, indo até uma parte pouco movimentada do porto da cidade — eu mesma poderia usar o rosto de Roger Ryswell e lutar com Brienne, depois me renderia.

— Isso seria arriscado — Harrold depositou no chão o grande baú que carregava — Brienne poderia lhe matar antes de você desistir, mas mesmo que desistisse, seria suspeito. Roger estava tão decidido a proteger a punição dos crimes de qualquer Stark que pareceria estranho ele desistir durante o combate.

— Isso é verdade — Arya sentou em cima do baú.

Era uma manhã com ventos frios quando eles chegaram em Porto Branco. Depois de instruí os companheiros de viagem (entre eles Sor Davor) do que deveriam comprar, Harrold conseguiu escapulir da presença deles, levando Arya consigo para encontrar os Homens Sem Rosto.

— Mas você acha que Brienne poderia vencer? — Harrold perguntou — mesmo sem o que estamos fazendo?

— Ela teria chances — Arya deu de ombros — mas também poderia perder, seria como jogar uma moeda para o alto e apostar em um dos lados.

— E se a moeda caísse do lado errado Sansa morreria — completou Harrold.

— Exato, o melhor a se fazer é garantir que os dois lados da moeda sejam favoráveis a ela, assim não haverá chance de dá errado.

Harrold assentiu com a cabeça, concordando que Brienne poderia derrotar Roger Ryswell e salvar Sansa, assim como também poderia perder, fazendo com que Sansa fosse sentenciada a morte. Era um risco alto demais para se correr e a melhor saída era ter certeza que Roger perderia.

— Eu achei que você o mataria apenas na véspera do combate — disse Harrold — mas o matou no mesmo dia do julgamento.

— Eu pensei em matá-lo só depois — admitiu Arya — mas que momento melhor para se pegar um homem desprevenido do que quando ele está se acomodando em seus aposentos?

— Mas isso ficou estranho, Sansa mandou que Brienne observasse Roger para tentar entender como ele lutava.

— E o que isso tem a ver?

— Acho que Brienne pode ter notado que sempre que Roger aparecia, você desaparecia — Harrold ergueu as mãos por alguns segundos.

E Arya não respondeu, ela se certificou de sempre inventar uma desculpa para que parecesse ocupada enquanto usava o rosto de Roger Ryswell para que ninguém soubesse que ele na verdade já estava morto. Sua sugestão como já disse, era ela mesma usar o rosto do homem e se render durante o combate, porém Harrold estava certo quanto a isso parecer estranho depois da convicção que Roger demonstrou.

— Eles estão demorando — Harrold andava de um lado para o outro.

— Se acalme — advertiu Arya — eles virão, você só preciso esperar um pouco... olha lá eles vindo.

A garota apontou na direção de um beco que separava dois estabelecimentos no cais do Porto. Deste beco saíam seis homens encapuzados, como se fossem criminosos escondendo a própria identidade. Mas neste caso eles escondiam a falta dela. Arya levantou de cima do baú e ficou com a respiração um pouco mais pesada, fazia tempo que não via aquele homem que se aproximava deles. Quando o grupo chegou perto o homem que estava à frente levantou o capuz, revelando cabelos compridos pintados de branco em um lado e de vermelho em outro. Ele olhou para Arya com uma expressão que demonstrava neutralidade.

— Vejo que a garota que não deveria ter nome ainda tem um nome — disse Jaqen H’ghar — é a primeira vez que isso acontece.

— Eu disse que era Arya Stark de Winterfell — disse a garota que não deveria ter nome — e disse que estava voltando para casa.

Harrold olhou de um para o outro sem entender o que significava aquilo, se perguntando se Arya estaria com problemas.

— Cuidado, garota com nome — alertou Jaqen H’ghar — o Deus de Muitas Faces pode querer explicações por você estar pegando muitos rostos que ele não pediu.

— Por isso eu vim até aqui, para pagar por um rosto que eu já peguei, assim vai ser como se o Deus de Muitas Faces tivesse me pedido, afinal vocês é que escolhem o que o deus pede.

O homem de duas cores no cabelo lançou a garota que não deveria ter nome um olhar deslumbrado, que demonstrava um pouco de admiração pela esperteza dela em burlar as regras da irmandade. Ela puxou da bolsa que carregava o rosto de uma pessoa.

— Tome — Arya jogou o rosto de Roger para Jaqen H’ghar, que o pegou no ar — este é rosto que o Deus de Muitas Faces quer agora e o pagamento está ali — ela apontou para o baú.

Jaqen H’ghar analisou o rosto em suas mãos, depois balançou a cabeça afirmativamente. Em seguida ordenou que quatro dos homens que os acompanhava fosse até a caixa no chão verificar o pagamento. O homem que sobrou foi se aproximando ao seu lado.

— Este é o Homem Perdido — Jaqen H’ghar tocou no ombro do homem remanescente — ele está pronto para receber o presente.

— Presente? — perguntou Harrold — achei que esta imensa quantidade de ouro bastasse.

— O presente é a morte — disse Jaqen H’ghar sombriamente — somos apenas instrumento dela e a damos para aqueles que Ele de Muitas Faces designa e nos revela após muitas orações. Este aqui foi escolhido — ele olhou para o rosto em suas mãos — embora este aqui não.

— Mas a irmandade sempre recebeu contratos de assassinato — retrucou Arya — nós estamos pagando por este também.

A mente de Harrold lutou para entender aquela lógica, pois na sua visão não havia nenhuma. Arya era quem tinha matado Roger Ryswell, porém eles estavam pagando aos Homens Sem Rosto uma quantia em ouro como se eles é que tivessem feito o assassinato. Talvez tivessem mesmo, afinal Arya era uma quase-integrante da irmandade. De qualquer forma aquilo era necessário para fazê-los aceitarem a enviar o Homem Perdido para uma morte em Winterfell.

Os quatro homens que conferiam o pagamento sinalizaram para Jaqen H’ghar que estava tudo certo com a quantidade de ouro dentro da caixa. Jaqen H’ghar assentiu novamente e entregou o rosto de Roger para o Homem Perdido, que o pôs sobre sua própria face iniciou um processo de metamorfose. Harrold precisou ver aquela para acreditar completamente nisso tudo, em seu inconsciente ele ainda achava que o Roger Ryswell que ele via em Winterfell nos últimos dias ainda era de fato Roger Ryswell e não Arya Stark muito bem disfarçada dele. Agora ele podia ver novamente Roger, entretanto sabia que o corpo em que ele ocupava agora tinha anteriormente outro rosto. Seu estômago deu um sobressalto e por pouco ele não vomitou o desjejum.

— O Homem Perdido está pronto para ter sua morte — Jaqen H’ghar sinalizou para os outros homens, que carregaram o baú e o levaram pelo caminho que eles tinha vindo. O próprio Jaqen H’ghar estendeu a mão para o alto em sinal de aceno e também partiu, deixando o Homem Perdido transformado em Roger Ryswell com eles.

Todo aquele ouro no baú faria uma falta enorme, pensou Harrold. Poderiam ser usados para comprar mais provisões de inverno ou custear viagens necessárias. Estas eram as finanças de Lorde Baelish nos Portões da Lua que ele tinha “confiscado” e a levou consigo quando marchou para Fosso Cailin, pensando em usá-la para contratar mercenários para a batalha por Winterfell, caso fosse preciso. Ele sabia que a palavra roubo era a melhor para descrever aquele confisco, contudo ele agora ele só poderia esperar que Baelish morresse em seu julgamento para não reclamar. Sim, aquele dinheiro todo faria muita falta, mas Sansa faria ainda mais.

 

“Minha querida Alayne, eu soube dos últimos acontecimentos em Winterfell por meio dos viajantes que vieram buscar a Rainha Jeyne. Eu realmente lamento muito o que você está passando. Quando você revelou todos os crimes de Lorde Baelish no banquete de Harrold eu fiquei muito assustada, especialmente por saber que Marillion era inocente. Mas ele também não era a melhor pessoa do mundo, então não tem importância. Eu queria poder estar aí com você para lhe dá apoio nesse momento difícil... E claro também lhe dá umas belas bofetadas na bunda, mas acho que Harry deve estar fazendo isso por mim, então tudo bem. Eu pedi para meu pai que me deixasse ir para Winterfell, mas ele não quis saber disso, o que é uma pena. Os dias aqui nos Portões da Lua estão muito chatos sem ter você para atazanar, espero que você fique bem e que possamos nos reencontrar. Acho que esta mensagem está ficando grande demais para um corvo, mas não tem problema, eu posso mandá-la por Jeyne, que aliás está muito ansiosa por conhecer o Norte e Winterfell. Esperando eu que você esteja bem, mando-lhe um beijo no seu belo traseiro.

Myranda Royce

Obs: pergunte ao Roland se as costas dele já pararam de doer

 

Quando Harrold e Arya retornaram para Winterfell eles tiveram que dá um jeito de colocar o falso Roger Ryswell para dentro do castelo pelo portão norte, menos frequentemente utilizado. Não seria bom que eles fossem vistos na companhia do campeão que enfrentaria Brienne de Tarth. Ao retornarem para o portão sul eles se depararam com um contingente que se formava ao redor de algumas carruagens, que ostentavam estandartes tanto do lobo branco do Norte quanto do Falcão e Lua do Vale de Arry. A comitiva que partiu para buscar a Rainha Jeyne Westerling havia retornado.

— Você mentiu para mim de novo, Jon! — Harrold e Sansa reconheceram a voz de Rickon já na entrada do castelo.

— Eu não menti — retrucou o Rei do Norte — você viu Walda Frey várias vezes, então eu não precisava explicar que ela estava grávida.

— Como eu ia saber? — questionou o pequeno Stark selvagem — ela é gorda como uma baleia — Rickon falava mesmo sem nunca ter visto uma baleia na vida — eu não saberia diferenciar.

— Não chame as pessoas assim, Rickon — naquele momento Sansa caminhava até eles, tendo sido liberada para recepcionar a Rainha do Norte.

Instantaneamente o rosto de Sansa foi tomado por um assombro, como se ela tivesse se dado conta de que tinha acabado de repreender o irmão que tanto temia. Mas Rickon apenas a ignorou, estava focando sua atenção ao irmão mais velho.

— Onde ela está? — ele questionou outra vez.

— A mandei de volta para Forte do Pavor — respondeu Jon — antes que você retornasse — ele falava com a voz propositalmente gelada.

Rickon bufou e saiu de perto do irmão, visivelmente decepcionado, porém também cansado pela viagem longa que tinha feito. Vários dos viajantes o seguiram para dentro do castelo buscando acomodação. Quando Jeyne Westerling saiu de dentro de uma carruagem e andou até portão, todos os presentes se curvaram para ela. Era a primeira vez em trezentos anos que Winterfell recebia de volta uma Rainha do Norte. Jeyne no entanto pareceu nem perceber toda a reverencia com que foi recebida, pois ela apenas olhava para todos os lados, deslumbrada. Sua expressão era cansada e abatida, mesmo assim mostrava um brilho nos olhos.

Sansa não se conteve e foi até ela para abraçá-la, se certificando de que fosse um abraço leve, afinal ela estava com uma barriga enorme e qualquer aperto brusco demais poderia ser um problema. Jeyne sorriu ao ver Sansa vindo em sua direção e devolveu o abraço quando o recebeu. As duas ‘irmãs’ estavam mesmo sentindo muita falta uma da outra. Quando se separou de Jeyne, Sansa viu Ysilla Royce ao lado dela, com a cara tão preocupada quanto alguém que está prestes a passar por um julgamento.

— Lady Sansa — disse a dama de companhia — a viagem foi sinuosa, a Rainha passou mal muitas vezes, pegou um resfriado e em vários momentos nós achamos que ela estava entrando em trabalho de parto.

E Sansa olhou com meu atenção para o rosto de Jeyne, percebendo o quanto ela estava com a aparência adoecida, talvez fosse apenas cansaço da viagem, mas a nortenha logo se preocupou com os bebês.

— Eu estou bem — disse Jeyne de prontidão — tivemos alguns sustos, mas já passou.

— Seu nariz está vermelho! — exclamou Sansa.

— Apenas não estou acostumada com o clima do Norte.

— Venha, entre.

E assim a Lady do Vale de Arryn guiou a Rainha do Norte para dentro da fortaleza Stark. Aos poucos os súditos se levantavam conforme elas passavam por ele. Sansa viu Harrold e Arya próximos e quis perguntar se eles haviam se certificado de tudo para o combate no dia seguinte, mas continuou caminhando ao lado de Jeyne, aquele não era o momento para tocar naquele assunto.

 

Nos aposentos reservados para Jeyne, ela era examinada por meistre Wolkan, com Sansa e Ysilla presentes. A vivacidade ainda não havia retornado ao rosto da rainha e meistre Wolkan disse que uma viagem como aquela tinha sido muito perigoso no último mês de gravidez.

— Teria sido mais prudente a senhora ficar nos Portões da Lua, majestade — advertiu o meistre — a senhora está muito fraca e mal alimentada, temo que isso a prejudique.

— Eu estou bem — a voz de Jeyne era frágil — estou em casa agora e meus filhos ficarão bem, eles estão aonde o pai dele queria que eles estivessem.

Sansa sorriu e tocou a mão de Jeyne suavemente.

— Seus filhos terão um primo agora — ela disse.

A rainha não escondeu o espanto que surgiu em seu rosto.

— Você também está grávida?

— Sim — Sansa sorriu ainda mais — e você nem faz ideia de como eu descobri isso.

Meistre Wolkan levantou da cadeira que estava ocupando. — Vou deixa-las a sós agora — e se retirou.

Ysilla Royce tocou o ombro de Sansa para chamar-lhe atenção.

— Parabéns pela gravidez, Lady Sansa — ela disse — mas peço sua licença para rever meu marido.

Mychel Redfort era um dos cavaleiros alados e tinha partido com Harrold para o Norte, era natural que Ysilla Royce quisesse revê-lo.

— Está bem, pode ir — permitiu Sansa.

— Obrigada — Ysilla olhou para Jeyne — majestade — fez uma reverência e saiu do quarto.

Sansa e Jeyne se abraçaram mais uma vez.

— Parabéns, Sansa — disse Jeyne por cima do ombro da nortenho — tenho certeza que você será uma boa mãe.

Sansa respirou fundo. — Nem sei se poderei ver meu filho crescer.

Jeyne se desvencilhou do abraço para olhá-la.

— Fala de seu julgamento?

— Sim — respondeu Sansa, imaginando que as notícias já deviam ter chegado aos Portões da Lua — será amanhã, se eu for condenada a minha execução será assim que meu filho nascer.

Os olhos de Sansa brilharam, mas era um brilho de tristeza, que marejava as suas íris azuis. Jeyne se compadeceu dela e a puxou de volta para o abraço. — Não fique assim, eu tenho fé que os deuses lhe favorecerão.

E Sansa queria muito acreditar naquilo, que os deuses a julgassem inocente e interferissem no combate ao seu favor. Ela orava todos os dias para o que quer que Harrold e Arya estivessem tramando desse certo. Ela não resistiu por muito mais tempo e chorou sobre os ombros de Jeyne, que lhe alisava as costas gentilmente. Pela primeira vez que Jeyne quem consolava Sansa.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...