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História Um amor de outono - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leituraaa

Capítulo 2 - 02


 

 

 Bocejei pelo que me pareceu ser a decima vez em um minuto. Os clientes pareciam não se importar, mas o gerente sim. Liam Vasseur era a pessoa mais complicada de se lidar, ao menos para quem trabalhava com ele, o homem conseguia ser um tirano quando queria.

 - Aqui, tome isso.

 Olhei para a ruiva ao meu lado que estendia uma xicara de café, de perto era possível visualizar as pequenas sardas em seu rosto. Elisa e eu trabalhamos a dois anos no Coffee shop Blanc, e acabamos criando uma pequena amizade.

 - Obrigado Lis.

 - Passou a noite estudado novamente?

 - Sim.

 Beberiquei o café, extremamente forte e sem açúcar, Elisa sabia bem como me acordar. Olhei para os poucos clientes ali presentes, todos estavam imersos em seus próprios universos. Voltei me para a realidade ao ouvir um murmuro próximo, olhei curioso para a confusão que se formava ao lado de fora, mas o que estava acontecendo afinal?

 Deixei a xicara de lado, me aproximando da confusão ao lado de fora da cafeteria junto com Elisa e alguns clientes. Estava ciente que seriamos repreendidos por tal comportamento, mas a curiosidade havia sido maior.

 Duas mulheres discutiam, ao meu vê pareciam mãe e filha. A mais velha gritava com todas as forças, enquanto seu rosto ficava cada vez mais vermelho, ela iria desmaiar ali caso continuasse com aquilo. A mais nova tinha os olhos marejados, mas lutava para nenhuma lagrima escapar, sua respiração estava acelerada.

 Tentei me focar na discussão que acontecia ali, e não na jovem com lindos cabelos laranjas, me pareciam as folhas secas do outono. Eu seria capaz de lhe escrever diversas poesias apenas olhando-a, tive a certeza ao olhar seus olhos azuis, que pareciam um mar agitado no meio de toda aquela confusão. Me peguei pensando como eles seriam quando a calma toma seu corpo, ainda continuariam parecendo um mar agitado?

 - Não quero vê-la nunca mais. – A mais velha gritou, me trazendo de volta para a realidade. – Você é uma vergonha para mim Dália, uma vergonha.

 Dália, seu nome era Dália. Um belo nome, para uma bela moça. Deixei meus pensamentos de lado ao ver a mais velha indo embora, olhei sem entender. Era isso então? Eu nem se quê havia entendido o que acontecia ali.  

 As pessoas começaram a voltar para os seus afazeres, ignorando a moça – Dália – chorando no meio da calçada. Como conseguiam ignorar? Não sentiam a dor de vê-la chorar? Não tinham a empatia de ajudá-la?

 Olhei para Liam, ele sabia o que eu faria a seguir, e já preparava sua repreensão para o final do expediente. Respirei fundo, antes de me aproximar da moça.

 - Venha, irei pegar um copo de água para você.

 - N-N-Não pre-precisa.

 O soluço de seu choro era como facadas em meu coração, como ninguém mais sentia aquilo? Ignorei a dor que aquilo me causava, precisava ajudá-la a lidar com a sua. Sorri amigavelmente para ela.

 - Eu insisto.

 Esperei pacientemente a moça se decidir se viria ou não, por fim ela acabou cedendo e me seguindo para dentro da cafeteria. Levei-a para a parte mais privativa que existia ali, ela não merecia receber os olhares curiosos dos outros clientes.

 Deixa-a na mesa antes de buscar um copo de água com açúcar para ela, minha mãe sempre me disse que isso ajudava a acalmar, não custava nada tentar. Entreguei o copo para ela, que bebeu rapidamente enquanto controlava a respiração.

 - Obrigada. – Forçou um sorriso. – Não precisava.

 - Não foi nada demais. Está com fome?

 A moça sorriu envergonhada. Encarei-a por alguns instantes, seus olhos não me pareciam mais um mar agitado, mas sim uma noite chuvosa. Era bonito de se admirar, se eu fosse um pintor, adoraria pintá-la, mas era um escritor, ou quase isso, e não conseguiria achar uma palavra tão bonita para descreve-la tão bem.

 - Eu vou... Vou buscar algo para você, tem alguma preferência?

 - Não, o que você trazer para mim já é o suficiente.

 Sorri envergonhado para ela, não fazia ideia de quanto tempo havia ficado encarando-a. Ela havia percebido? Como eu lhe explicaria que estava encantado por seus olhos e procurava de alguma maneira descrevê-los da melhor maneira possível?

 Desviei meus pensamentos para os salgados em minha frente, fiquei em dúvida do que ela gostaria de comer. Escolhi um croissant de chocolate e um café, deixei o café puro, não sabia como ela gostava.

 - Aqui está. – Coloquei as coisas sobre a mesa. – Não sei como você gosta do seu café então trouxe puro, pode colocar açúcar se quiser.

 - Obrigada, de verdade. – Sorriu. – Mas não tenho como retribuir.

 - Está tudo bem.

 - Seu chefe não parece estar feliz com isso.

 Olhei rapidamente para trás, Liam me queimava com os olhos. Engoli em seco, era hoje que ele me demitia.

 - É o jeito dele, está tudo bem.

 - Se você diz.

 A moça passou a comer o que eu havia trazido, aproveitei sua distração para olhar seus traços. Eu certamente escreveria algo sobre ela, gostava de fazer isso. A melhor parte em se trabalhar rodeado de pessoas é que cada uma delas tem seu próprio mundo, seu próprio jeito de pensar e agir, cada uma delas me rendia uma boa poesia.

 - Sou Dália.

 - Oi? – Olhei-a confuso.

 - Achei que gostaria de saber meu nome, na verdade é a única coisa que eu consigo oferecer para você como um ‘obrigado’, desculpa.

 - Sou Johnny, porém pode me chamar de John. – Sorri.

 - Bom, foi um prazer conhecê-lo John, mas acho que já tomei muito do seu tempo, é melhor eu ir.

 - Foi um prazer conhecê-la Dália, sempre que precisar de um copo de água pode me procurar.

 - Pode deixar. – Sorriu.

 Observei-a ir embora, seus cabelos pareciam queimar com a luz do sol. Ela daria uma ótima poesia, porém pensaria nisso mais tarde, no momento tinha um enorme problema chamado: Liam Vasseur.

 - Sabe que irei descontar do seu salário, não é?

 - Sei.

 - Sabe também que sofrerá uma advertência, não é?

 - Sei.

 Liam parou por um instante, me encarou antes de continuar.

 - Esquecerei a advertência dessa vez, apenas tente controlar suas boas ações no período do trabalho.

 - Obrigado?

 Liam deu um leve tapa em minhas costas, e uma sombra de sorriso passou pelo seu rosto.

 - Volte ao trabalho Harding.



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