História Um amor para recordar - FILLIE - Capítulo 3


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Categorias Stranger Things
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Palavras 3.606
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi meus lindos leitores, mais um longo Capítulo fresquinho pra vocês.
Não se esqueçam de quando terminar a leitura deixar suas opiniões ou críticas nos comentários.
Boa leitura ♡

Capítulo 3 - O BAILE DO REGRESSO


Fanfic / Fanfiction Um amor para recordar - FILLIE - Capítulo 3 - O BAILE DO REGRESSO

Depois da escola secundária, planeava ir para a Universidade da Carolina do Norte em Chapel HilI. O meu pai queria que eu fosse para Harvard ou Princeton, como os filhos de outros congressistas, mas com as minhas notas isso era impossível. Não que eu fosse um mau aluno. Simplesmente, não me concentrava nos estudos e as minhas notas não estavam bem à altura daquelas instituições de elite. Quando cheguei no último ano de escola secundária era ainda bastante incerto se iria se quer ser aceito na UNC. No entanto, se tratava da universidade onde o meu pai estudou, um lugar onde ele podia mexer alguns cordelinhos. Durante um dos seus poucos fins de semana em casa, o meu pai surgiu com um plano que me daria hipóteses de ser admitido. A primeira semana de aulas tinha chegado ao fim, e estavamos na mesa de jantar. Ele ia ficar em casa durante três dias por ser o fim de semana do Dia do Trabalhador.

- Penso que devia se candidatar a presidente da associação de estudantes - disse ele. - Vais acabar a escola em Junho, e penso que ficaria bem no teu currículo. A propósito, a tua mãe é da mesma opinião.

A minha mãe acenou afirmativamente com a cabeça enquanto mastigava uma garfada de ervilhas. Não falava muito quando o meu pai tinha a palavra, mas me piscava o olho de vez em quando. às vezes, penso que a minha mãe gostava de me ver encolher de medo perante o meu pai, apesar de ser amorosa.

- Acho que não teria qualquer hipótese de ganhar - disse eu.
Embora fosse, provavelmente, o rapaz mais rico da escola, não era de maneira alguma o mais popular. Essa
honra pertencia a Noah, o meu melhor amigo. Ele conseguia atirar uma bola de basebol a quase cento e cinqüenta quilômetros por hora e conduzira a equipa de futebol a títulos estaduais consecutivos como o seu quarter-back favorito. Era um garanhão. Até o seu nome tinha um som impecável.

- Claro que pode ganhar - retorquiu o meu pai rapidamente. - Nós, os Wolfhards, ganhamos sempre.

Essa era outra das razões pelas quais não gostava de passar muito tempo com o meu pai. Durante as poucas vezes em que estava em casa, penso que o que ele queria era me moldar numa pequena versão dele mesmo. Como fui criado a maior parte do tempo longe dele, comecei a ficar irritado com a sua presença. Aquela era a primeira conversa que tínhamos há várias semanas. Raramente falava comigo ao telefone.

-Mas, e se eu não quiser?

O meu pai pousou o garfo, com um bocado de costeleta de porco ainda na ponta. Me olhou com um ar zangado, me examinando de cima a baixo. Vestia um casaco de couro, apesar de estarem quase trinta graus dentro de casa, e isso o tornava ainda mais intimidante. A propósito, o meu pai andava sempre de casaco de couro.

- Eu penso - disse ele devagar - que seria uma boa idéia.

Eu sabia que quando ele falava daquela maneira o assunto estava resolvido. Era assim que as coisas funcionavam na minha família. A palavra do meu pai era lei. Mas a verdade era que mesmo depois de concordar, eu continuava a não querer fazer. Não queria perder a minha tarde a encontrar com professores depois das aulas! Todas as semanas durante o resto do ano, a tentar inventar temas para os bailes da escola ou a decidir de que cor seriam as serpentinas. Na verdade, era só isso que os presidentes da associação faziam, pelo menos no tempo em que eu andava na escola. Os estudantes não tinham qualquer poder para, de fato, tomarem decisões sobre alguma coisa importante. Mas sabia que o meu pai tinha uma certa razão. Se eu quisesse ir para a UNC, tinha de fazer alguma coisa. Não jogava futebol, nem basquetebol, não tocava qualquer instrumento, não pertencia ao clube de xadrez ou ao clube de boliche ou a qualquer outro. Não era brilhante na sala de aulas, não era brilhante em quase nada! Começando a ficar desanimado, fiz uma lista do que sabia realmente fazer mas, para ser franco, não havia muita coisa. Podia fazer oito diferentes tipos de nós de vela, podia andar descalço no asfalto quente mais tempo do que qualquer pessoa que conhecia, podia equilibrar um lápis verticalmentebsobre o dedo durante trinta segundos... Mas não achava que qualquer dessas coisas pudesse realmente impressionar na candidatura a uma universidade. Então fiquei ali, deitado na cama a noite inteira, chegando lentamente à decepcionante conclusão de que era um falhado. Obrigado pai.

Na manhã seguinte, fui ao escritório do diretor e acrescentei o meu nome à lista de candidatos. Havia dois outros concorrentes, Caleb Mclaughlin, Gatter Matarazzo e Sadie Sink, bem a familia de Sadie são donos do Sink's Diner. Ora bem, Alexei não tinha qualquer hipótese, disso tive logo a certeza. Era daqueles rapazes que tirava fios das nossas roupas enquanto falava conosco. Mas era bom aluno. Sentava-se na fila da frente e levantava a mão sempre que o professor fazia uma pergunta. Se fosse chamado a responder, dava quase sempre a resposta certa e virava a cabeça de um lado para o outro com um ar convencido no rosto, como que a provar a superioridade da sua inteligência quando comparada à dos outros plebeus na sala. Noah e eu costumávamos atirar bolinhas de papel mastigado quando o professor virava as costas. era outra história. Ivy também era boa aluna. Fizera parte do conselho de estudantes durante os primeiros três anos e tinha sido vice-presidente da associação no ano anterior. O seu único verdadeiro contra era não ser muito atraente, e tinha engordado quase dez quilos naquele Verão. Eu sabia que nem um único rapaz votaria nela. Depois de estudar a concorrência, percebi que, afinal, poderia ter uma hipótese. Todo o meu futuro estava em jogo, por isso formulei a minha estratégia. Noah foi o primeiro a concordar.

- Claro, vou fazer com que todos na equipa votem em vc, não há problema. Se é isso mesmo que quer.

- E que tal as namoradas deles também? - perguntei.

Toda a minha campanha se resumiu basicamente a isso. Claro, fui aos debates a que devia ir e distribui aqueles estúpidos panfletos "O que farei se for eleito presidente", mas, na verdade, foi Noah Schnapp quem me colocou onde era preciso chegar. A Escola Secundária de Beaufort tinha apenas quatrocentos alunos, pelo que consegui os votos dos atletas era essencial, e a maior parte deles pouco se importava em quem votava. No fim, acabou tudo por correr tal
como eu planeara. Fui eleito presidente da associação de estudantes com uma maioria bastante significativa de votos. Não fazia qualquer idéia dos problemas a que isso me iria conduzir. No penúltimo ano da escola secundária tive uma namorada chamada Natalia Dyer. Foi a
minha primeira namorada a sério, apesar de o namoro ter durado apenas alguns meses. Mesmo antes da escola fechar para as férias do Verão, me trocou por um rapaz chamado Charlie Hetaon que tinha vinte anos e trabalhava como mecânico na oficina do pai. O seu principal atributo, tanto quanto pude perceber, era um grande e belo carro. Usava sempre uma T-shirt branca com um maço de Camels enfiado na manga e encostava-se ao capô do seu Thunderbird olhando de um
lado para o outro a dizer coisas como "Olá, borracho" sempre que passava uma mulher. Era um verdadeiro campeão, se percebem o que quero dizer. Bem, o baile de regresso às aulas aproximava-se e, por causa dessa história da Natalia, ainda não tinha arranjado um par. Todos os membros do conselho de estudantes tinham de ir era obrigatório. Tinha de ajudar a decorar o ginásio e a limpá-lo no dia seguinte e, além disso, normalmente sempre nos divertimos bastante. Telefonei a duas meninas que conhecia, mas já tinham parceiro. Então telefonei a mais algumas. Também já estavam comprometidas. Na última semana antes do baile, as escolhas já eram poucas. Restavam-me aquelas meninas que usavam óculos de lentes grossas e que falavam com a língua presa. De qualquer maneira, Beaufort nunca foi um ninho de beldades, mas, ainda assim, tinha de encontrar alguém. Não queria ir ao baile sem par o que é que isso iria parecer? Seria o único presidente da associação de estudantes na história a ir sozinho ao baile de regresso às aulas. Acabaria por ficar a servir o ponche a noite inteira ou a limpar o vomito das pessoas no banheiro. Era isso o que as pessoas sem parceiros normalmente faziam. Quase a entrar em pânico, fui buscar o anuário escolar do ano anterior e comecei a folhear as páginas uma a uma à procura de alguém que talvez pudesse não ter parceiro. Primeiro examinei as páginas com as alunas do último ano. Embora muitas delas tivessem ido para a universidade, algumas ainda permaneciam na cidade. Apesar de achar que não tinha grandes hipóteses, telefonei e, claro, isso se comprovou. Não consegui encontrar ninguém, pelo menos ninguém que quisesse ir comigo. Já começava a ser bastante bom a lidar com tampas, apesar de isso não ser o gênero de coisa de que nos possamos gabar junto dos netos. A minha mãe sabia o que se estava a passar e, por fim, veio ao meu quarto, sentando-se na cama a meu lado.

- Se não conseguir arranjar par, terei muito prazer em ir com você - disse.

- Obrigado, mãe - respondi, abatido.
Quando ela saiu do quarto, me senti ainda pior do que antes. Até a minha mãe pensava que eu não iria conseguir encontrar alguém. E se aparecesse no baile com ela? Não, nem que vivesse cem anos, nunca iria ultrapassar isso. A propósito, havia outro rapaz no mesmo barco. Jake tinha sido eleito tesoureiro e também ainda não tinha par. Jake era daqueles rapazes com quem ninguém queria estar. Mesmo assim, penso que
ganhou por muito poucos votos. Tocava trombeta na banda da escola, e o seu corpo parecia completamente desproporcionado, como se tivesse parado de crescer a meio da puberdade. Tinha braços e pernas desengonçados, como os famosos bonecos de posto. Também tinha uma maneira de falar engraçada, era o que fazia dele um tocador de trombeta tão bom, suponho e estava sempre a fazer perguntas. "Onde é que foi no fim de semana passado? Foi divertido? Conheceu alguma menina?" Nem sequer esperava pela resposta, se movendo constantemente de um lado para o outro enquanto fazia as perguntas, de modo que tínhamos de estar sempre a girar a cabeça para o manter à vista. Juro que deve ter sido a pessoa mais chata que alguma vez conheci. Se eu não arranjasse uma parceira, ele ia ficar ao meu lado a noite inteira, me enchendo de perguntas como um promotor de justiça transtornado. Portanto, ali estava eu, folheando as páginas na seção dos alunos do penúltimo ano, quando vi a fotografia de Millie Brown. Pensei durante um segundo, depois virei a página, depois me senti um trouxa por ter sequer pensado naquela hipótese. Passei a hora seguinte à procura de alguém de aspecto minimamente decente, mas, lentamente, cheguei à conclusão de que já não restava mais ninguém. Por fim, voltei à fotografia dela e olhei-a de novo. Não era
feia, disse comigo, e realmente é muito simpática. Provavelmente, diria que sim, pensei...
Fechei o anuário. Millie Brown? A filha de Hegbert? Nem pensar. De maneira nenhuma. Os meus amigos iriam me gastariam vivo. Mas se comparássemos isso a ter de levar a minha mãe ou limpar vomito ou até, Deus me livre...Passei o resto da tarde debatendo os prós e os contras do meu dilema. Acreditem, vacilei durante algum tempo, mas, no fim, a escolha era evidente, até para mim. Tinha de pedir a Millie para ir ao baile comigo, e dei voltas ao quarto a pensar na melhor maneira do que fazer. E se ele alguem pedisse a Millie primeiro? Millie seria incapaz de lhe dizer que não e, de fato.
Assim, estava eu sentado no meu quarto, aflito com a possibilidade de Millie não ir ao baile comigo. Mal dormi naquela noite, o que foi quase a coisa mais estranha que ja tinha passado. Não acho que alguém alguma vez tenha ficado tão ansioso por convidar Millie para sair. Era a primeira coisa que pensava em fazer logo de manhã, enquanto ainda tivesse coragem, mas Millie não estava na escola. Presumi que estava trabalhando com os órfãos em
Morehead City, como fazia todos os meses. Alguns de nós tínhamos tentado sair da escola usando também essa desculpa, mas Millie era a única que conseguia ser convincente. O diretor sabia que ela lia para os órfãos, ou a estava fazendo trabalhos manuais, ou simplesmente a jogogando com eles. Não mentiria para ir a praia, ou para o Sink's Diner, ou coisa do gênero. A idéia era completamente ridícula.

- Já tem par? - me perguntou Noah num intervalo entre as aulas. Ele sabia muito bem que não, mas mesmo sendo o meu melhor amigo, gostava de me provocar de vez em quando.

- Ainda não - respondi - mas estou a tratar disso.

Foi assim esse dia. Os minutos passaram lentamente durante a última aula. Do modo como via as coisas se eu e Jake saíssemos ao mesmo tempo, eu conseguiria chegar a casa de Millie primeiro, tendo em conta as pernas desengonçadas dele. Comecei a me preparar mentalmente e quando a campainha tocou saí da escola a correr a toda a velocidade. Voei durante cerca de cem metros, depois comecei a ficar meio cansado e, em seguida, tive uma cãibra. Pouco depois, só conseguia andar, mas a cãibra começou mesmo a me magoar e tive que dobrar e segurar a panturilha da perna enquanto andava. Ao caminhar pelas ruas de Beaufort parecia uma versão do Corcunda de Notre Dame.

Atrás de mim pensei ouvir o riso estridente de Jake. Olhei para trás, segurando a barriga com força para abafar a dor, mas não o vi. Talvez estivesse indo cortando o mato através do quintal de alguém. Era um filho da mãe manhoso. Não se podia confiar nele nem um minuto. Comecei a cambalear ainda mais depressa e pouco tempo depois cheguei à rua de Millie. Nessa altura já estava todo transpirado, a camisa completamente encharcada e ainda respirava com dificuldade. Alcancei a porta da frente da casa, esperei um segundo para recuperar o fôlego e finalmente bati. Apesar da corrida febril até à casa dela, o meu lado pessimista dizia-me que seria Jake ao abrir a porta. O Imaginei a sorrir para mim com uma expressão vitoriosa, uma expressão que quereria essencialmente dizer "Desculpa lá, amigo, tarde de mais".

Mas não foi Jake quem abriu a porta, foi Millie, e, pela primeira vez na vida, vi qual seria a sua aparência se ela fosse uma pessoa normal. Vestia calças de ganga e uma blusa vermelha, e embora o cabelo estivesse ainda apanhado, parecia mais informal do que era costume.

- Finn - disse ao abrir a porta - que surpresa! - Millie ficava sempre contente por ver alguém, eu inclusive, apesar de me ter parecido que o meu aspecto a sobressaltara um pouco. - Parece que estiveste a correr.

- Não propriamente - menti, limpando a testa. Felizmente, a cãibra estava a melhorar depressa.

- Sua camisa está toda transpirada.

- Ah, isso? - Olhei para a camisa. - Isso não é nada. É que às vezes transpiro muito.
- Mentira?! Devia ir ao médico para ver o que é.

- Estou bem, tenho certeza.

- De qualquer maneira, vou rezar por ti - ofereceu-se, sorrindo.

Millie estava sempre a rezar por alguém. Já agora, me juntava ao clube.

- Obrigado - disse eu.
Ela baixou o olhar e arrastou os pés por um momento.
- Bem, até te convidaria a entrar, mas o meu pai não está e não autoriza que os rapazes entrem em nossa casa quando ele não está.

- Oh - disse eu, de um modo abatido - não faz mal. Podemos falar aqui, suponho. - Se tivesse escolha, teria preferido lá dentro.

- Quer uma limonada enquanto falamos? - perguntou. - Acabei de a fazer.

- Quero, sim - respondi.
- Volto já. - Entrou em casa, mas deixou a porta aberta, o que me permitiu dar uma espreitadela rápida à sala. A casa, notei, era pequena mas arrumada, com um piano encostado a uma parede e um sofá junto à outra. Uma pequena ventoinha oscilava a um dos cantos. Sobre a mesa de café estavam livros com títulos como Escutando Jesus e A Fé é a Resposta. A
Bíblia de Millie também lá estava, aberta no Evangelho de São Lucas.

Pouco depois, Millie voltou com a limonada e sentamos em duas cadeiras a um canto da varanda. Ela e o pai sentavam-se ali ao fim da tarde, eu sabia disso, pois passava pela casa deles de vez em quando. Mal nos sentamos, reparei em Mrs. Winona, a vizinha do outro lado da rua, que nos acenou. Millie acenou também enquanto eu dava um jeito na cadeira para que Mrs. Winona não pudesse ver a minha cara. Embora fosse pedir a Millie para ir ao baile comigo, não queria que ninguém nem mesmo Mrs. Winona me visse ali no caso de ela já ter aceitado o pedido de Jake.

Uma coisa era ir, de fato, com Millie ao baile, outra era ser rejeitado por ela a favor de uma pessoa como Jake.

- O quer fazer? - perguntou-me Jamie. - Esta quendo pôr a cadeira ao sol.

- Gosto do sol - disse eu. Contudo, ela tinha razão. Quase imediatamente pude sentir os raios solares a me queimar através da camisa e a me fazer suar de novo.

- Se é isso que querer- disse Millie, sorrindo. - Então, de que é que queria falar comigo?

Millie levou as mãos à cabeça e começou a arranjar o cabelo. Que eu reparasse, o cabelo não tinha mudado um centímetro. Respirei fundo, tentando ganhar coragem, mas não conseguia me obrigar a fazer a pergunta ainda.

- Então - disse em vez disso - foi no orfanato hoje?

Millie olhou-me curiosa.

- Não. Eu e o meu pai estivemos no consultório do médico.

- Ele está bem?
Ela sorriu.
- Não podia estar melhor.
Acenei com a cabeça e olhei de relance para o outro lado da rua. Mrs. Winona tinha voltado para dentro de casa, e não vi mais ninguém nas proximidades. A costa finalmente estava livre, mas ainda não estava pronto.

- Está um belo dia - disse eu, ganhando tempo.
- Sim, está.
- Quente, também.
- Isso é porque você ta no sol.

Olhei em volta, sentindo a tensão a aumentar.
- Olha, aposto que não há uma única nuvem no céu.
Desta vez, Millie não respondeu e permanecemos em silêncio durante alguns momentos.

- Finn - disse ela, por fim - não veio aqui para falar do tempo, né?

- Na verdade, não.
- Então por que é que está aqui?

O momento da verdade tinha chegado. Aclarei a garganta.
- Bem... queria saber se vai ao baile de regresso às aulas.

- Ah - disse ela. Pelo tom da voz até parecia que desconhecia a existência de tal coisa.
Me mexi inquieto na cadeira e aguardei a resposta.

- Na verdade, não tinha pensado em ir - disse Millie finalmente.

- Mas se alguém te convidasse, talvez iria?

Levou um momento a responder.
- Não tenho a certeza - disse, pensando com cuidado. - Suponho que sim, se tivesse oportunidade. Nunca fui a um baile de regresso às aulas.

- São divertidos - disse eu rapidamente. - Não muito divertidos, mas divertidos. Especialmente quando comparado às minhas outras opções, não acrescentei.

Ela sorriu perante o meu recuo.

- Teria de falar com o meu pai, claro, mas se ele dissesse que não havia problema, então suponho que talvez fosse.

Na árvore junto à varanda, um pássaro começou a cantar ruidosamente, como se soubesse que eu não deveria estar ali. Concentrei-me no som, tentando acalmar os nervos. Há dois dias apenas não me poderia ter imaginado a pensar naquilo sequer, mas de repente, ali estava.

- Bem, gostarias de ir ao baile comigo?

Percebi que tinha ficado surpreendida. Penso que ela julgava a pequena conversa que conduzira à pergunta para o convite de outra pessoa. Por vezes, os adolescentes mandam os amigos "estudar o terreno", por assim dizer, para não terem de encarar uma possível rejeição. Apesar de Millie não ser muito parecida com os outros adolescentes, tenhova certeza de que estava familiarizada com o conceito, pelo menos em teoria.bEm vez de responder imediatamente, todavia, Millie virou a cara durante um longo momento. Senti uma sensação de vazio no estômago, porque presumi que ela iria dizer que não. Visões da minha mãe, vomito e Jake inundaram minha mente, e, de súbito, me arrependi da maneira como me havia comportado em relação a ela durante todos aqueles anos. Lembrei de todas as vezes que tinha zombado dela, ou chamado seu pai de fornicador, ou simplesmente ter feito pouco dela atrás das costas.

- Adoraria - disse ela, por fim. - Com uma condição.

Eu preparei-me, esperando não ser alguma coisa demasiado horrível.
-Sim?
- Tem que me prometer que não vai se apaixonar por mim.

Sabia que estava a brincar pela maneira como se riu, e não pude deixar de suspirar de alívio. Às vezes, tinha de admitir, Millie revelava bastante sentido de humor.

Sorri e dei-lhe a minha palavra.


Notas Finais


E aí o que acharam?
Esse baile do regresso promete, não?!
Amanhã mais um capítulo bem longo para vocês.
Obrigada por lerem ♡


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