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História Um Amor Para Recordar - Capítulo 1


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Notas do Autor


Nunca imaginei que um dia escreveria algo relacionado ao drama, mas cá estou eu. Talvez não tenha ficado tão dramático quanto eu queria, mas fazer o que, não é mesmo?

Só espero que se alguém ler isso goste e tenha uma ótima leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Observava o garoto à sua frente com um pequeno sorriso em seu rosto; tanto de  apreciação à sua beleza única e estonteante, quanto de tristeza, por não poder deitar ao seu lado da cama e o abraçar como sempre fazia. O mais baixo dá um passo à frente, consequentemente ficando mais próximo do coreano que se encontrava deitado em sua cama, segurando uma câmera muito conhecida por si, com um mínimo sorriso na face.

Um misto de sensações se apossam de seu interior ao mesmo tempo que lembranças nostálgicas invadem sua mente.

"- Sehun! O que pensa que está fazendo? - Luhan olha para o garoto, que continha uma câmera em suas mãos com o flash ligado em sua direção.

- O que acha que estou fazendo? - Sorri bonito para si.

- Vamos, desligue logo essa câmera ... - Para de olhar para Sehun, logo voltando sua atenção a televisão, ao qual passava um filme qualquer.

O Oh apenas o ignora, assim sentando ao seu lado ainda com o aparelho em mãos, sorrindo enquanto continuava à filma-lo. Luhan ao perceber tal coisa, o olha com uma expressão não muito agradável em seu rosto; estava tentando parecer bravo, o que não dava muito certo, já que o garoto era fofo demais fisicamente para conseguir tal feito.

- Sehun ...

- Já sei! - O corta. - É o flash, não é? - O desliga. - Prontinho!

Luhan revira seus olhos em total tédio, enquanto o namorado apenas ri de sua cara, que ao seu ver era extremamente engraçada.

- Sinceramente, eu não consigo entender qual é dessa sua tara de ficar me filmando a cada coisa que faço! - um bico se forma em seus lábios rosados. - O que eu tenho de tão interessante, hein? - Sehun sorri, docemente.

- Simples, meu amor! - Deita a cabeça em seu ombro enquanto fita as orbes escuras de Luhan que faz o mesmo consigo. Era algo tão lindo de se ver. Os dois se encaravam tão profundamente, que achavam poder ler a alma um do outro. - Você é lindo! Tão lindo que faz eu me sentir uma formiguinha inofensiva perto de ti. - O chinês sente seu rosto corar em vergonha; definitivamente nunca iria se acostumar com os elogios do namorado ditos para si, mesmo que já estivessem juntos à pelo menos três anos.

 - Não só lindo fisicamente, mas também em relação a sua personalidade. Você é tão simpático, educado, amoroso, compreensivo ... Entre outros milhares de adjetivos  que não conseguiria descrever agora, senão passaria o dia inteiro o fazendo. - Leva a mão livre até o rosto do outro, começando um carinho sutil ali. - São tantas as coisas que me fazem te achar o ser mais precioso e querido do universo ... São tantas as coisas que eu aprecio em você ... - Dá uma pequena pausa. - São tantas as coisas que fazem eu lhe amar, Luhan; que você nem ao menos faz ideia.

Seus rostos começam a se aproximar lentamente. À essa altura, a câmera já havia sido completamente esquecida.

- Eu te amo tanto, Sehun ...

Suas respirações já estavam tão próximas uma da outra que até se misturavam.

- Eu também ... Você não faz ideia do quanto ...

E finalmente se beijam. Um simples toque de lábios, um simples selinho, mas que demonstrava todo o amor que sentiam um pelo outro."

Um sorriso agora apaixonado se planta em sua face. E ao olhar diretamente para Sehun, vê que esse sorriso também se encontrava em seu rosto.

Dá mais um passo, ficando cada vez mais perto do Oh. Mais uma lembrança.

"- Luhan! Olha aqui um pouquinho ... - Diz enquanto aponta a câmera em sua direção.

- Hum?! - O loiro olha para Sehun com um sorriso, contudo este logo morre ao ver aquela bendita câmera novamente. - Sério isso?! - O ignora completamente, voltando a preparar o jantar dos dois.

- Eu sei que você gosta que eu fique te filmando, amor. Não precisa disfarçar! - Ri.

- Aham ... - Diz sem realmente lhe dar importância. - Adoro demais ... Pode continuar com isso o dia inteirinho se você quiser ... - Continua falando sem parar, o que o faz não perceber o coreano se aproximando vagarosamente de si, logo passando seus braços pela sua cintura ocasionando em um pulo de susto por parte de Luhan. -Sehun!! - O olha indignado. - Você por algum acaso quer me matar de susto?! - Coloca a mão em seu coração, enquanto sente as batidas descompassadas do mesmo. - Quer que eu morra antes mesmo de termos filhos?!

Sehun apenas sorri e revira os olhos com o drama exagerado de Luhan, apenas para em seguida o abraçar fortemente, enquanto distribui leves beijos por seu pescoço, fazendo o mesmo logo se render para com as carícias e o abraçar de volta.

- Você é muito idiota, sabia? - O Oh ri fraquinho.

- Eu sei ... O idiota que você ama ... - Luhan o aperta mais.

- O idiota que eu amo ...

Longos segundos se passam com os dois ainda abraçados. Não queriam interromper esse momento por nada, mas mesmo contra sua vontade, Sehun quebra completamente o clima.

- Luhan, amor. - Sua voz sai abafada pelo fato de estar com o rosto completamente enterrado no pescoço do parceiro.

- O que foi ...? - Se limita à dizer poucas palavras.

- Você não está ... Sentindo um cheiro de ... Queimado ...? - Os olhos do loiro arregalam-se, assim largando Sehun rapidamente e se direcionando novamente para o fogão.

- MEU DEUS, A COMIDA!! - O coreano apenas se dispõe a gargalhar de uma forma completamente esganiçada, não perdendo a chance de gravar o desespero de seu namorado."

O garoto ri, se sentindo nostálgico ao lembrar-se desse dia, ao qual tiveram que comer a comida queimada por não ter como salva-la. Uma melodiosa risada preenche seus ouvidos; era Sehun, ele também havia lembrado.

Luhan sente seu coração aquecer-se assim que lembra de um dia extremamente especial para os dois.

"- Okay. Eu me recordo muito bem de que havia dito que odiava esta câmera e não é como se isso fosse mudar. - O garoto diz enquanto tem o aparelho apontado em sua direção, se auto gravando. - Todavia, eu estou abrindo uma grande exceção pois hoje é um dia muito especial e que definitivamente tem que ser registrado. - Sorri. - Bom, primeiro eu preciso ir atrás de Sehun para enfim conta-lo o que à tempos estou guardando.

O chinês começa a andar pela casa em busca do coreano, logo o encontrando no quarto mexendo no computador - provavelmente fazendo algo em relação ao trabalho.

- Sehun, amor. - O chama, enquanto aproximava-se de si, agora ficando ao seu lado e com a câmera apontada em sua direção.

- Hum ...? - Responde sem ao menos lhe direcionar o olhar, estava ocupado demais para dar-lhe alguma atenção.

- Sehun. - Tenta novamente.

- O que foi? - Continua sem o olhar.

Luhan suspira, frustrado.

- Você poderia prestar atenção em mim, por favor? - Se apoia ao lado da mesa do computador, sem tirar os olhos do namorado.

- Luhan ... Eu estou muito ocupado agora e- - Corta sua própria fala ao ver o menor com sua câmera nas mãos o gravando.

- Sorri para a câmera, meu bem.

- Desde quando você gosta de ficar gravando as coisas, hein? - Aproxima-se de si, lhe dando um beijo em sua testa e logo se senta novamente.

- Não sei ... Desde hoje. - Direciona-se para trás do mesmo e abraça seu pescoço delicadamente.

Sehun não o responde mais, focando-se apenas em terminar logo o que estava fazendo.

Luhan fica alguns minutos também em silêncio - o que era ótimo para o Oh, já que assim ele conseguia se concentrar mais no que fazia - até se pronunciar novamente.

- Sehun ...

- Amor, eu estou ocupado agora  ... Depois você fala, pode ser? - Seu tom não era nervoso, mas sim calmo.

-  Tem certeza ...? Você realmente vai gostar do que eu tenho 'pra falar. - Insiste, não iria desistir tão facilmente.

O mais alto o olha, finalmente dando-se por vencido.

- Diga, então.

O loiro sorri, descendo até a sala e rapidamente voltando com um papel em mãos.

- O que é isso? - Pergunta olhando para o papel, claramente confuso.

O chinês apenas sorri, lhe entregando o mesmo e apontando a câmera para si novamente, esperando para ver sua reação.

O garoto começa à ler o conteúdo do papel, de começo não entendendo absolutamente nada; porém ao finalmente se dar conta do que se tratava, um sorriso que não cabia em seu rosto surge. Não podia acreditar ...

- Luhan! - O olha completamente desacreditado.

- Sim? - Finge-se de desentendido.

- Você ... Você está grávido?! - Seus olhos se encontravam arregalados e sua boca entreaberta.

Luhan assente freneticamente, com um grande sorriso em sua face.

- Surpresa!! - Levanta o braço que estava livre em sinal de comemoração.

Sehun ainda estava paralisado. Definitivamente a ficha ainda não havia caído, pelo menos não para si. Nunca imaginaria que um dia realmente seria pai! Quer dizer ... Não era como se não quisesse ... Apenas achava que não seria um pai bom o suficiente. Não se considerava lá o melhor namorado do mundo, quem dirá pai?!

Balança a cabeça freneticamente, tentando esquecer tais pensamentos e vai em direção ao namorado, o pegando no colo e girando-o no ar.

- AI MEU DEUS, LUHAN!! - Literalmente grita. - EU VOU SER PAI!!

- Você vai ser pai! Nós vamos ser pais! - Sehun pega a câmera que antes estava com o menor e filma os dois, enquanto abraçava o mesmo de lado.

- Qualquer um que esteja vendo esse vídeo, saiba que agora eu sou e serei o homem mais feliz do mundo inteirinho!! - E beija a bochecha de Luhan, assim logo desligando o aparelho.

Mesmo ainda estando inseguro com tudo em relação ao assunto, sabia que com a ajuda do companheiro conseguiria vencer seus medos e seriam uma família feliz."

Luhan olha para Sehun e vê que o mesmo continha lágrimas nos olhos; lágrimas que se recusava a soltar. Sente seus olhos marejarem, percebendo que não estava muito diferente de si.

Aproxima-se um pouco mais, sentindo suas pernas encostarem na base da cama. Direciona seu olhar ao objeto que o garoto de cabelos acinzentados segurava, tentando identificar qual era o vídeo da vez, logo o fazendo enquanto sorri minimamente.

"- Luhan, meu amor. O que está fazendo? - Pergunta com a câmera em mãos, como sempre.

- Não está vendo? Estou pintando esta parede. - Diz enquanto pinta a parede com uma tinta no tom marrom claro.

- Meu bem, você sabe muito bem que não pode fazer nenhum tipo de esforço! - Se aproxima do mesmo, logo agachando-se ao seu lado.

Luhan o olha com uma leve indignação em sua expressão.

- Por favor 'né, Sehun! - Larga o pincel ao lado da lata de tinta. - São só  quatro meses de gravidez! - Continua o que antes fazia. - Não há com o que se preocupar.

O Oh apenas sorri enquanto revira seus olhos, plantando um leve beijo na nuca do outro.

- Mas é claro que eu tenho com o que me preocupar, Lu ... - Acaricia seus cabelos loiros lentamente. - Afinal, é meu filho também ...

- Sim, eu sei muito bem disso. - Sorri bobamente. Por mais que estivesse reclamando, amava demais essa preocupação toda que o agora noivo - sim, eles finalmente decidiram dar um passo à mais na relação, pois sentiram que já estava na hora de deixarem de serem apenas namorados - demonstrava consigo; seu coração se aquecia por completo com isso. - Contudo, ainda acho que não precisa de tudo isso.

- Luhan- - O mesmo o corta de repente.

- Sehun, Sehun! - Seu tom de voz era totalmente agitado e suas orbes estavam arregaladas.

- O quê?! Está sentindo algo?! - Sua preocupação era eminente. Estava com um enorme medo do companheiro estar sentindo alguma dor ou coisa do tipo.

O mais baixo não o responde. Apenas direciona a mão do outro até seu baixo ventre e a deixa ali, na esperança de que o bebê chuta-se novamente, o que prontamente aconteceu.

- Você sentiu? - Seus olhos brilhavam em felicidade e emoção, logo concluindo que os do noivo não estavam diferentes.

- Ele ... Ele chutou ... - A adrenalina era tanta que o mesmo sequer conseguia falar de forma clara e concreta. - Ele chutou!! Luhan, nosso bebê chutou!!

- Nosso bebê chutou, Sehun! - O sorriso que possuía era tão lindo que o Oh não resistiu em dar-lhe um beijo cheio de paixão e afeto.

Estavam extremamente felizes, afinal, aquele era um momento muito especial para ambos; o primeiro chute do filho deles."

Sehun sente uma única lágrima escorrer por seu rosto, ainda tentando inutilmente conter as outras. Luhan ao perceber isso, leva uma de suas mãos até os cabelos do mesmo, logo começando um carinho sutil no local.

Sabia que ele não iria sentir. Sabia que não colocaria a mão por cima da sua e a acariciaria. Mas era algo inevitável; o impulso havia sido mais forte que qualquer outra coisa.

- Esse foi um dos melhores dias de toda a minha vida ... - Sua voz sai um pouco rouca por conta do choro. - Você não faz ideia ...

Luhan queria poder voltar no tempo e reviver esse momento novamente. Queria poder ver o lindo sorriso e expressão de felicidade do coreano mais uma vez ... Mas não podia, sabia que não podia.

O mesmo olha para o outro lado da cama e repara que lá havia um pequeno coelho de pelúcia, ao qual lembrava-se muito bem.

"- Como que está ficando o quarto do nosso bebê? - Sehun profere quando entra no quarto de seu filho - sem esquecer a câmera, mas é claro! -.

- Veja você mesmo! - Luhan o responde enquanto arruma alguns bichinhos de pelúcia em uma das prateleiras do local.

- Omo! Mas isso já está muito lindo, Lu! - Sua reação era de muita surpresa, pois aquilo estava muito melhor do que imaginava.

As paredes e o teto do pequeno quarto eram em um tom de marrom claro, já o berço era do clássico branco com um móbile em cima deste. Haviam pelo menos duas prateleiras com animais distintos de pelúcia nelas - em maior parte ursos, pinguins e coelhos - e um grande urso branco com um lacinho em seu pescoço dentro do berço. Além de vários outros itens decorativos, como: almofadas de diversas cores e uma pequena poltrona. E o principal, que era o nome da criança acima do berço desta.

- Sim, sim. - Sorri docemente. - Fizemos um bom trabalho! - Uma das mãos encontrava-se em sua cintura e a outra na barriga de oito meses, a acariciando.

Sehun anda lentamente para trás de si e o abraça, colocando a mão por cima da sua e acariciando junto da barriga.

Eles finalmente conseguiam se sentir completos; não que antes não fossem, contudo, agora era diferente ... Não eram apenas os dois, agora eram três! Três membros de uma futura família que seriam extremamente felizes, por muitos e muitos anos! Bem, pelo menos era isso que esperavam que acontecesse ..."

Ao se dar conta, o coelho já se encontrava nas mãos de Sehun - que pareceu ler a sua mente -; que o segurava fortemente contra o peito como se sua vida dependesse disso.

Seu coração doeu de uma forma quase que surreal ao ver aquela cena. Carregava nas costas a mesma dor que ele sentia naquele momento ... A dor da perda.

Uma sensação de angústia apossa-se de seu coração assim que se lembra do dia em que ele e o companheiro mais sofreram em toda a vida dos dois ... E também o último de Luhan.

"Era madrugada, por volta das três horas quando Luhan acordou.

O mesmo sentia uma forte dor em seu baixo ventre, uma dor como de uma contração qualquer, porém mais forte, definitivamente muito mais forte. Não era algo costumeiro de se acontecer, contudo, por um momento achou que talvez fosse por conta de o bebê estar prestes à nascer, somente não pensava que seria justo agora, afinal, o médico havia sido claro quando determinou a data exata em que isso poderia acontecer; ou seja, dali à duas semanas.

Ele poderia estar errado. Poderia estar querendo vir antes do tempo - era no que se forçava a acreditar -, mas algo dentro do chinês dizia, lá no fundo que não era isso ... O que fez com que um gigante sentimento se apossa-se de seu interior, tão grande que chegava à não caber dentro do peito. A preocupação. Preocupação de algo poder estar acontecendo com seu filho - ou até mesmo de já ter acontecido -.

Ao pensar nisso, seus olhos automaticamente se enchem de lágrimas, lágrimas que começaram a cair compulsivamente por não ter forças o suficiente para segura-las.

Não queria em circunstância alguma perder seu bebê. Ele e Sehun eram os dois seres mais especiais em toda a sua vida, só de pensar na possibilidade de não ter um deles ao seu lado, seu coração doía. Doía tanto ao ponto de começar a se despedaçar em milhares de pedacinhos.

E tudo piorou quando sentiu um líquido viscoso escorrer de dentro de si. Seus olhos arregalaram-se automaticamente enquanto os direcionava até o local; torcia internamente para não ser o que estava pensando, mesmo sabendo que não seria o contrário. Ao olhar para o pano branco da cama, percebe que ele não estava mais nessa cor, mas sim vermelho; um vermelho escarlate.

O desespero se torna presente, não sabia o que fazer. Precisava ir para o hospital o mais rápido possível!

Seus olhos logo se direcionam para Sehun, que possuía uma expressão tão tranquila em seu rosto, mas que não durou muito assim que ouviu a voz de Luhan o chamando tão sofridamente.

- S-Sehun ... 

- L-Luhan! - O garoto finalmente parece acordar para a vida, totalmente confuso. - Luhan, Meu Deus! O que está acontecendo?! - Sua expressão era de uma pessoa preocupada, estava realmente desesperado.

- S-Sehun ... D-Dói ... Dói muito ... - Suas mãos se encontravam em sua barriga, enquanto seu rosto contorcia-se em total desconforto.

O coreano olha para a cama e vê que ela estava toda vermelha, o desespero aumenta e ele rapidamente se levanta à procura da chave de seu carro, logo a achando rapidamente.

Assim que termina de arrumar o carro, corre para o quarto novamente, pega Luhan em seus braços e o leva até o automóvel o colocando com cuidado em um dos bancos traseiros. Dirigia de forma rápida até o hospital, o desespero era tanto que não se importou em quebrar algumas leis de trânsito. Seu marido estava sofrendo nesse momento, não podia perder seu tempo com isso, definitivamente não podia.

Ao chegar em frente ao hospital, pede para Luhan espera-lo por um momento enquanto chamava alguma ajuda.

A dor do garoto parecia ter piorado à cada minuto durante o trajeto até o local em questão; juntamente do seu medo de algo estar acontecendo com o bebê. Sabia que precisava ter esperanças juntamente de pensamentos positivos, mas não conseguia! Simplesmente não conseguia ... Esse medo era com certeza maior que qualquer outra coisa que sentia no momento. Se precisasse passar por algo e talvez não sobrevivesse, pelo menos que conseguissem salvar seu filho.

Seus pensamentos são totalmente cortados quando vê Sehun abrindo a porta do carro e o pegando no colo novamente para coloca-lo em uma cadeira de rodas, ao qual era empurrada por uma enfermeira com certa pressa.

O Oh apenas os seguia no mesmo ritmo, tentando não demonstrar que estava nervoso para não piorar a situação do chinês, mas obviamente não estava conseguindo nenhum um pouco, pois chegava ao ponto de quase arrancar os próprios cabelos os puxando nervosamente, além de ter a respiração completamente ofegante.

Depois de andarem um pouco, chegam na porta de um quarto com uma maca, ao qual Luhan foi colocado, e a enfermeira logo barra Sehun, segundo ela, eram permitidas entrarem apenas pessoas especializadas - como médicos e enfermeiros -. O mesmo apenas assente, logo soltando uma das mãos do chinês que segurava. O loiro o olha com evidente medo no rosto, o que fez o marido se sentir extremamente mal, porém logo devolve seu olhar com um onde passava todo a segurança do mundo para si; o que o tranquiliza - pelo menos um pouco - por um momento.

Assim que Luhan é levado para dentro do quarto junto de mais alguns profissionais, Sehun se senta em uma das poltronas que estavam dispostas no corredor e começa à esperar.

Seus pensamentos estavam totalmente confusos e bagunçados - igualmente de seus sentimentos -. Fazia de tudo para pensar em coisas positivas, queria ter esperanças de que tudo ficaria bem no final. Mas uma vozinha em sua cabeça ficava repetindo insistentemente de que não estava tudo bem, e algo muito, mas muito ruim estava prestes à acontecer.

[...]

Já faziam mais de quatro horas que Sehun estava naquele lugar, sem receber nenhuma notícia sequer de Luhan, o que estava o deixando mais pessimista do que naturalmente já era.

Seus lábios encontravam-se feridos de tanto os maltratar; suas unhas estavam mais curtas do que já eram de tanto às roer; e sua cabeça doía como o inferno de tanto puxar seus fios de cabelo, mas em grande parte por conta da forte dor de cabeça que sentia. Não estava bem. Não estava nenhum pouco bem.

Sabia que se algo ruim acontecesse, precisava ser forte, por Luhan e seu filho precisava ser forte, teria que carregar todo o peso do sofrimento em suas costas pelo resto de sua vida.

Mas também sabia que se não fosse algo ruim, poderia simplesmente se sentir aliviado e livre de quaisquer preocupações, assim seguindo com sua vida e apoiando seu marido e filho com qualquer coisa que precisassem. Essa era a opção que gostaria que fosse real.

Mas infelizmente não era.

Logo quando um dos médicos chegou onde encontrava-se Sehun, ele percebeu que a notícia não era nada boa.

E suas suspeitas foram confirmadas quando o médico apenas abaixou minimamente a cabeça e disse a frase que mais temia ouvir ...

 

'Eu sinto muito. Eles não resistiram ...'

[...]

Dois meses após receber a notícia da morte de Luhan e seu filho. Parecia que nada havia mudado. Continuava completamente triste, deprimido, desolado e todos os adjetivos melancólicos existentes.

Não sabia mais o que fazer para aliviar a dor da perda - que era pior do que imaginava -, o sentimento de culpa devastava-se em si, por não ter conseguido fazer absolutamente nada para ajudar. É claro, uma parte de seu subconsciente dizia que ele realmente não possuía o poder de fazer nada; mas a outra parte dizia o contrário. Ela dizia que se tivesse chegado antes no hospital, que se tivesse dirigido mais rápido, que se tivesse acordado alguns minutos antes, se tivesse feito tudo isso e mais um pouco, o marido e o filho estariam ali consigo naquele momento, estariam o fazendo companhia e transformando seu dia que parecia ser preto e branco, como filmes da época de cinquenta, em um colorido como um arco-íris vivo e brilhante."

Luhan possuía uma das mãos no mesmo local em que carregara o filho por exatos nove meses, se sentindo imensamente feliz por ter chegado tão perto de formar uma família com Sehun. Mas ao mesmo tempo triste, por não ter conseguido tal feito.

Seus olhos passam por todo o quarto, parando quase que automaticamente ao ver um envelope branco em cima da cômoda ao lado da cama. O garoto observa-o por um momento, logo identificando imediatamente do que se tratava. Mas, o que mais o surpreendia e ao mesmo tempo intrigava, era que o tal envelope, estava completamente lacrado! Não possuía um rasgo sequer! Era como se Sehun nem tivesse se dado ao trabalho de abri-lo. Bom, definitivamente Luhan já tinha uma leve suspeita em relação à isso, porém não esperava que essa suspeita se concretizaria ...

Achava que logo quando o médico o entregasse para o Oh, ele à abriria na mesma hora. Mas talvez a carga emocional fosse tanta, que ele sequer pensou nisso, pois estaria ocupado demais sofrendo com a morte do marido e filho.

Por mais que o chinês não estivesse irritado e nem nada, ainda gostaria que o coreano lesse o conteúdo da carta, assim finalmente poderia se sentir aliviado e em paz consigo mesmo.

Com esse pensamento, o loiro apenas pegou o envelope delicadamente, não querendo amassá-lo em circunstância alguma, e colocou-o com muito cuidado ao lado de Sehun, sem que percebesse. Afinal, não veria Luhan de qualquer forma, então não havia problema.

Luhan direciona um último olhar para Sehun - este que transmitia todo o amor que sentiu pelo mesmo enquanto ainda estava vivo - antes de finalmente ir embora para o lugar ao qual iria viver em paz por toda a eternidade.

Já faziam mais de duas horas que Sehun continuava vendo e revendo todos os vídeos de Luhan que gravara durante o relacionamento dos dois.

Passaram-se três anos desde o acontecimento ao qual o deixou completamente sem vontade de viver. Por mais que tenha superado em partes, não conseguia admitir à si mesmo que seu coração ainda doía profundamente; pois havia amado Luhan como nunca amou ninguém antes.

É claro que já tinha se relacionado com algumas pessoas conforme o tempo, mas parecia que nenhuma delas havia conseguido preencher o vazio de seu coração, como o chinês o preencheu.

Mas ele sabia. Sabia que precisava superar logo. Não poderia passar o resto de sua vida se remoendo com isso. Tinha total noção de que a vida era uma só e que não poderia desperdiçá-la dessa forma.

Seus pensamentos são cortados assim que percebe de canto de olho algo ao seu lado. Ao olhar, vê que se tratava de um envelope branco. No primeiro momento, não conseguiu identificá-lo; porém, ao forçar um pouco sua memória, logo se dá conta de que aquele, era o mesmo envelope que o médico entregou para si à pedido de Luhan, no dia em que o mesmo o deixou.

Não se lembrava de não tê-lo aberto; naquela época, tinha tanta coisa na cabeça que não conseguia pensar em absolutamente nada a não ser no sentimento de perda.

Mas hoje era diferente. Hoje seu coração não doía tanto quanto antes e podia dizer que estava pronto para finalmente ler o conteúdo da tal carta.

Contudo, assim que termina de ler apenas a primeira linha, sente uma enorme vontade de retirar o que antes disse para si mesmo.

"Para Oh Sehun, a pessoa à quem eu devo todo o meu coração;

Veio por meio desta carta, expressar todos os sentimentos que se apossam de meu peito enquanto encontro-me deitado em uma maca de hospital, com a certeza de que deixarei este mundo a qualquer momento após um procedimento não tão bem sucedido.

Muito provavelmente, no momento em que você estiver lendo esta carta, eu não estarei mais aí. Não estarei ao seu lado enchendo-o de beijos e abraços, além de palavras de afeto enquanto você segura nosso filho no colo. E por falar nele, eu já sabia que também não sobreviveria. Fui prontamente avisado antes de chegar na sala de cirurgia dos riscos que correria. Eles disseram de forma clara e direta que não haviam chances dele sair de mim vivo; pois quando o fizessem, ele já estaria morto de qualquer forma.

E isso doeu.

Doeu como o inferno ouvir da boca de alguém que nosso filho não conseguiria nascer vivo, que não conseguiria crescer saudável como qualquer outra criança, que não conseguiria ter uma vida comum ... E eu chorei. Chorei muito. Chorei até não aguentar mais e me sentir desidratado com a falta de água em meu corpo.

Foi então que eu perguntei sobre mim, perguntei se sobreviveria. Queria muito poder ter a chance de sair de lá mais vivo do que nunca. De poder te abraçar novamente e passarmos por isso juntos, como a família que éramos. Um resquício de esperança crescia dentro do meu peito; mas este logo foi destruído quando o médico olhou para mim com uma cara não muito boa, e disse que as chances de eu sobreviver depois da operação eram de um por cento. E ainda acrescentou que se isso acontecesse - mesmo sendo deveras difícil -, seria muito difícil que eu pudesse viver por mais de um ou dois dias ...

E por sorte, eu não morri durante a cirurgia. Mas ainda sim, sabia que meu tempo aqui seria muito pouco.

Nesse momento, você deve estar se perguntando do porquê o médico não ter ido lhe avisar que eu ainda estava consciente. Pois bem. Fui eu quem lhe pediu para não fazer isso. Bem contraditório, não? Deixe-me explicar. Eu fiz isso, pois sabia o quão mal você ficaria me vendo deitado em uma maca, quase completamente incapacitado. Eu sabia que você não aguentaria e começaria à chorar compulsivamente. E sabia que não conseguiria não chorar também, vendo o seu sofrimento.

Não queria que minha última lembrança sua fosse de você chorando completamente desolado. Não queria mesmo. Na verdade, queria que essa lembrança fosse do olhar que você havia me passado antes de eu entrar naquele quarto; aquele olhar que me passava segurança e coragem para enfrentar o que quer que fosse. Aquele olhar que eu tanto amava ...

Eu sei. Fui extremamente egoísta em relação a isso. Uma parte de mim se sente mal, mas a outra não se arrepende.

Ainda sim, eu sentia que precisava falar contigo uma última vez, e esta sendo através desta simples carta.

Outra coisa muito importante que eu queria lhe dizer é ... Siga em frente.

Sehun, amor, eu te conheço suficientemente bem para saber que você não irá superar isso tão rapidamente. Podem se passar meses e meses, mas não é como se fizesse alguma diferença para você. Pois ainda sim continuaria lembrando de mim todos os dias. E ... Eu não quero isso.

Espere! Por favor não se desespere! É claro que eu quero que você se lembre de mim. É claro que eu quero continuar dentro de seu coração, assim como você sempre continuará no meu. O que eu quero dizer é que ... Não quero que fique preso à mim. Não quero que feche seu coração por minha causa. Se em algum dia encontrar alguém que te faça feliz, vá em frente! Abra seu coração para essa pessoa e a ame! Ame e se deixe ser amado.

Você ainda é jovem, Sehun. Tem muito o que viver ainda. Não desperdice o resto de sua vida apenas sofrendo. Viva e seja feliz!

Você foi a pessoa que eu mais amei em toda a minha vida, e sempre tentava demonstrar isso da melhor forma possível - mesmo que as vezes eu fosse um pouco carrancudo e até mesmo meio ignorante, mas isso era de minha personalidade e você sabia -.

Eu espero, de coração, que um dia você consiga encontrar alguém que te ame e valorize nessa mesma intensidade, pois realmente me senti um sortudo por ter a oportunidade de te ter em minha vida.

Bem ... Acho que não tenho mais nada à lhe dizer ... Tentei expressar-me o máximo possível e da melhor forma que consegui.

Espero que guarde esta carta e à leia com carinho, pois foi exatamente dessa forma que a escrevi.

De Luhan, a pessoa quem lhe deu todo seu coração;"

Sehun já se encontrava com o rosto completamente molhado por conta das lágrimas.

Não fazia a mínima ideia do que leria a partir do momento em que o decidiu. Não sabia que se emocionaria com palavras tão bonitas vindas da parte de Luhan. Não sabia de absolutamente nada!

Somente sabia, que o coração de Luhan sempre pertenceria à si, da mesma forma que o seu sempre pertenceria à ele.


Notas Finais


Queria dar todos os créditos e meu agradecimento para @busanjimin por ter feito essa capinha maravilhosa :3


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